Twelve
1 Não é um meteoro! É um... Dragão?
“Às vezes eu me questiono se a raça humana merece todo esse esforço...”
Não consigo enxergar direito, tudo em minha volta está um caos. Ah, isso parece uma silhueta, não consigo ver quem é... Triiiiiiiiiim! Triiiiiiiiiim!
Com um pulo na cama o meu coração dispara. Aparentemente eu tive um sonho horrível, o relógio marca 06h30min da manhã, segunda-feira. Eu deveria ter ido dormir um pouco mais cedo ontem. Levanto da cama e vou ao banheiro, até alguns dias atrás eu podia jurar que o meu banheiro estava limpo, talvez seja só um efeito do sono. Após a rotina diária de se higienizar no início da manhã, pego a minha mochila do canto do meu quarto e saio pela cozinha, agarro um pacote aberto de batatinhas que estava sobre a mesa esperando não encontrar nenhum inseto ou roedor dentro da embalagem, vou comendo em direção ao ponto de ônibus.
Mais uma aula comum, sem muitas coisas importantes para fazer. O intervalo, bom, com as mesmas faces de sempre, nos mesmos lugares e provavelmente conversando sobre os mesmos assuntos, eu não esperaria mais de pessoas como elas.
— Adivinha quem é?!
Sinto mãos macias e quentes na minha face, seus braços despejados sobre os meus ombros, sim, claro, Sophie, a minha única amiga garota nessa escola.
— O Batman? — a sacaneio.
— Claro, sou o Batman mais bonito que você conhece! — ela responde, rindo.
Nós vivemos sacaneando uns aos outros, eu principalmente faço isso com todos que conheço. A Sophie provavelmente não sabe, mas eu notei que ela sente algo a mais do que amizade por mim, bom, o meu interesse por ela é nulo, entretanto, ela é uma pessoa muito legal, não vou maltratá-la, não teria coragem, por isso mantenho as coisas do jeito que estão. Se for da parte dela, nunca nos relacionaremos, e se for da minha, bom, também não.
— Viu o jornal de hoje? — ela pergunta.
— Como se você não soubesse que eu não assino nenhum jornal... — respondo com um sorriso irônico.
Ela tira um da mochila e joga para mim, está dobrado ao meio, e na capa tem uma foto de algo que parece um meteoro nos céus de Paris, anunciando o mesmo no rodapé da imagem.
— Um meteoro, hm, interessante, matou alguém? — pergunto a ela.
—Felizmente não, apenas feridos, acho que uns 30.
Eu penso em dizer o que eu acho daquilo, mas fico calado. Ela é um pouco frágil em relação ao meu ponto de vista sobre a vida, Sophie se choca facilmente, mas, o que eu penso, me parecia bom ter uma catástrofe dessas para dar algum susto nas pessoas, quem sabe assim elas valorizam o que está embaixo do próprio nariz, mas não reparam, sempre ocupadas com coisas fúteis e sem relevância, a própria vida.
Acaba o intervalo, vamos para mais uma aula comum, Biologia talvez, a professora de Biologia é peculiar, parece tentar cativar os alunos de uma maneira falha, utilizando de formas engraçadas para explicar como os cromossomos funcionam, mas isso não combina muito, deve ser por isso que ela não consegue prender a atenção de todos por muito tempo.
Essa aula demora a acabar. Pelo menos essa foi a impressão que eu tive. Hora do almoço, ou diria hora de enfrentar um ônibus lotado para ir para o trabalho, se é que isso pode ser chamado de trabalho, bom, é um estágio, pretendo seguir a carreira de professor, portanto, estou estagiando em uma escola infantil perto de casa.
Após preparar uma lasanha de microondas e saboreá-la como se fosse a Ambrosia dos Deuses, a fome que corroia o meu estômago por inteiro foi se esvaindo, devagar. Preparando-me para sair novamente, o telefone de casa toca, é Pietro, meu amigo de infância. Lembro-me até hoje de quando brincávamos na rua, em dias de inverno rigoroso e nossos pais não nos deixavam sair, mas nós saíamos escondidos para brincar, enfim, ele parecia espantado com algo.
— Nathan, ligue a televisão agora! — não entendi do que se trata.
— Em qual canal?
— Sei lá, qualquer um!
Eu ligo a televisão, o jornal que geralmente dá mais tarde, parece interromper a programação.
“... Um possível atentado terrorista. Hoje mais cedo um suposto meteoro brilhou nos céus da cidade, será que existe alguma ligação entre os dois acontecimentos? Será que...” Desligo a televisão.
— Não se preocupe Pietro, tenho certeza de que tudo não passa de mera coincidência! — respondo a ele, sorrindo inutilmente, já que estamos conversando por telefone.
— Agora vou desligar, estou quase atrasado, tenha um bom dia Pietro. — e desligo após alguns segundos, ele pareceu pensativo, ou talvez tenha saído de perto do telefone, bom, isso não importa mais.
Vou para a escola a pé, lugar repudiante, mas eu tenho que aguentar, pelo menos por enquanto, a limpeza é mal feita, crianças gritando e correndo para todos os lados, professoras velhas repreendendo as crianças a um nível que eu julgaria inútil, pois até agora nada adiantou em relação às crianças. Eu não posso falar isso, senão adeus carreira de professor, essas mulheres têm a mente fechada demais, não aceitam opiniões diferentes, por isso, permaneço no meu lugar na classe, anotando coisas que julgo importantes para ensinar futuramente, nada tão difícil, apenas entediante.
Final de aula, hoje parece ter escurecido mais cedo, volto para casa, tomo um banho, e como de costume, ligo o computador. Enquanto ligava, esperei sentado na minha cama e refleti sobre uma sucessão de coincidências que ocorreram hoje, um meteoro atinge a cidade, depois um ataque terrorista, será mesmo um ataque terrorista? E se for uma chuva de meteoros? Ou talvez o primeiro meteoro tenha sido uma bomba, assim como as outras?Como tudo isso passou despercebido pelos satélites? Quem poderia ter enviado essas bombas, de onde? Isso provavelmente não passa de uma coincidência, não devo perder meu tempo com tais possibilidades. Quando ligou, me deparo com sites que eu costumo frequentar e muitos blogs falando sobre o assunto e variáveis dele, outros ataques nos mais variados lugares do mundo, supostas testemunhas, vídeos, hipóteses levantadas, “Bin Laden não morreu e está agindo novamente”, “É o Juízo Final!”, “Aliens invadem a Terra!”, “Dragões existem!”, dragões?Essa é boa. Sensacionalistas querendo atenção, isso sim. O tempo passou e eu nem vi, os ponteiros do relógio se aproximam da meia noite, checo a minha caixa de entrada de e-mails, às vezes os professores divulgam as notas de trabalhos e provas por e-mail, nada de novo, apenas um, de alguém desconhecido, se chamava Isis, o assunto, “Preciso falar com você”.
“É urgente, me encontre em frente à Torre Eiffel, amanhã o mais cedo possível, estarei usando um casaco vermelho, quando me ver, essa é a frase-chave: Que dia hein? Você aceita experimentar um sorvete em contraste com esse clima de inverno?”
De fato eu não esperava um e-mail como esse, eu não conheço essa pessoa, mas ela aparenta me conhecer, não parece ser nenhuma forma de vírus que costumam passar por e-mail, para tirar a dúvida, verei amanhã, depois do trabalho vou encontrá-la, já que é tão urgente assim.
Desligo o computador e vou dormir, demoro a pegar no sono pensando em tudo aquilo, todos esses acontecimentos em massa, e agora eu recebo um e-mail desses.
O som do despertador me acorda e mais um dia se inicia, minha garganta está seca e meu nariz entupido, espero não ter contraído nenhuma gripe ou resfriado, após alguns minutos acordado e quase pronto para sair me lembro das coisas de ontem, e lembro também que eu preciso ir à Torre Eiffel hoje à tarde, eu sinceramente espero que essa garota não tenha nenhuma ligação com estes acontecimentos, pois, além de ser pouco provável, se de fato tiver alguma, tecnicamente eu estou envolvido.
Hoje o dia demorou mais que o comum para acabar, talvez seja por causa da minha curiosidade em relação a esse e-mail. Agora devo ir ao encontro da garota que se chama Isis, tomara que o trem não esteja lotado agora. No Metrô, ouço uma voz me chamar, é a voz de Sophie, parece nervosa, a mão dela toca meu ombro, está gélida.
— Nathan, tem uma coisa que eu preciso falar para você, na verdade eu sempre quis...
O trem está chegando, eu me afasto entrando pelas portas já abertas do mesmo. — Depois conversamos Sophie, agora eu preciso ir!
As portas fecharam e de certa forma eu me sento culpado, ela aparentava querer falar algo sério comigo, bom, disso eu não poderei escapar, pois ela vai querer falar comigo em outro momento.
No meio da viagem um clarão nos céus assusta a todos os passageiros, uma senhora se pôs a orar depois de ter puxado da bolsa um terço e enrolado em suas mãos trêmulas, pessoas perto das janelas tentaram tampar a luz realmente forte com as mãos em frente aos olhos, pais tentavam acalmar seus filhos que choravam, eu nunca vi algo do tipo pessoalmente, mas no mesmo momento eu pensei em tudo o que ocorreu ontem, os dias estão cada vez mais estranhos.
Desço em frente à Esplanade Du Trocadéro que fica bem de frente à Torre. Normalmente o lugar é lotado de pessoas, ainda tem muitas pessoas, mas não tantas quanto em um final de semana. Caminho até a Torre e não demorou muito para encontrar uma mulher de casaco vermelho, por sorte ela é a única. Ela é bonita, possui cabelos escuros, olhos verdes e a pele de um branco quase pálido por natureza, rosto angelical e misterioso, sardas nas maçãs do rosto. Ela aparenta conter um nervosismo incessante no momento, carrega uma bolsa que parece mais uma maleta preta, mas é uma bolsa, e o seu casaco é um trench-coat vermelho, como citado no e-mail.
— Que dia hein? Você aceita experimentar um sorvete em contraste com esse clima de inverno?
Digo a ela, que está sentada em um banco. Para a minha surpresa ela tem uma reação bem peculiar.
— Ah seu engraçadinho! Já comprou os ingressos?— diz, levantando do banco e me abraçando intimamente, me beijando no canto da boca após perguntar, e fala ao meu ouvido.
— Haja com naturalidade e finja ser meu namorado, aliás, por que você demorou tanto? Estou aqui desde a manhã!
Instintivamente meus braços entrelaçam sua cintura.
— Eu não faço ideia de quem é você e o que quer comigo, portanto eu faço as perguntas, por favor.
Ela pega a minha mão e caminha comigo em direção à fila dos ingressos para a Torre Eiffel.
— Eu explicarei tudo, mas primeiro precisamos ir a um lugar mais calmo.
No processo de comprar os ingressos, entrar na torre e ir até um restaurante eu fiquei completamente confuso com tudo o que estava acontecendo. Por que ela quer que eu finja ser namorado dela? Como ela me conhece?
Sentados perto da janela já dentro do restaurante, ela pede um chá cujo nome eu não entendi na hora, mas pedi o mesmo.
— Quem é você?
— Meu nome é Isis, também sou francesa e existem muitas coisas que você precisa saber. Você deve ter visto as últimas notícias, não é mesmo? E provavelmente se questionou se isso tem algo a ver com o e-mail que recebeu. Sim, tem a ver. Você pode acreditar ou não, mas os supostos meteoros ou o que quer que seja na verdade são dragões, criaturas medievais que por certo motivo ressurgiram.
Neste momento eu estou olhando para ela sem acreditar em absolutamente nada do que ela está dizendo.
— Existem agora centenas de dragões à solta no planeta Terra, e doze destes são especiais eu diria, são muito mais fortes que os dragões comuns, eles são referentes a deuses Gregos, cada dragão possui um deus Grego como referência, por exemplo, o Dragão Celestial possui características de Atena.
Nessa sua primeira pausa para respirar eu digo — Está bem, dragões surgiram, e o que exatamente eu tenho a ver com essa história toda? —.
Ela desvia o olhar para baixo e pega da bolsa um notebook, enquanto liga, ela continua.
— Eu imaginei que você não acreditaria em tudo isso de primeira e adiantei algumas coisas para ver se o “cabeça dura de Hades” não resolve ajudar.
Eu não entendi o que ela quis dizer com “cabeça dura de Hades”, aliás, até agora eu não entendi nada dessa maluquice. O notebook liga e ela abre vários arquivos de texto, fotos e coisas do tipo, enquanto ela me mostra tudo aquilo, me explica sobre cada coisa.
— Assim como existem dragões e seus respectivos deuses do Olimpo, existem seres humanos que são chamados de “aprendizes de deuses”, estes seres nascem com determinada habilidade que o representa como aprendiz de um determinado deus, existem milhares destas pessoas que nascem a todo o momento, mas doze delas nascem com tais características ou habilidades exaltadas em si, o que as faz mais aptas a seguirem esse caminho. As doze, óbvio, um aprendiz de cada deus. —
Enquanto explica, me mostra infográficos provavelmente preparados por ela mesma explicando exatamente o que ela diz.
— Eu sou a aprendiz de Atena, e como eu disse anteriormente, o dragão referente à Atena é o Dragão Celeste, ele é basicamente o dragão mais sábio entre todos os existentes, talvez até supere Bahamut em sabedoria. Devido a isso eu nasci com determinadas habilidades, entre elas um fator de inteligência fora dos padrões, senso de justiça aguçado e enfim, talvez o mais importante, as informações sobre tudo isso que eu estou falando agora, ou seja, eu sei disso desde que nasci. Tive tempo para pesquisar a fundo tudo sobre o que está para acontecer.
E eu, um pouco mais convencido, por incrível que pareça.
— E o que está para acontecer?
Ela dá um suspiro, como se alertasse que ainda falta muita coisa a ser explicada.
— Basicamente, os dragões ressurgiram, e eles trazem a destruição do mundo como conhecemos, e nós, aprendizes de deuses devemos evitar tal destruição, matando os dragões. Teoricamente, doze pessoas nunca conseguiriam acabar com centenas de dragões, mas estes dragões possuem um ponto fraco, eles não conseguem sobreviver sem os doze dragões especiais, então, se os doze dragões forem mortos, todo o resto morre.
A conversa prossegue e os nossos chás nem são tocados, já estão frios faz tempo.
— Tudo bem, mas você ainda não me disse o que exatamente eu tenho a ver com isso. — digo a ela.
O tempo passa voando e já está escuro na rua e o frio que já estava, aumentou Ela continua.
— Você nasceu no dia 22 de abril de 1994, era um inverno rigoroso e sua mãe sofreu muito no seu parto, eu diria a ponto de não resistir.
Ela me olha profundamente nos olhos, talvez esperando alguma reação minha, mas neste caso, ela falhou.
— Seu pai cuidou de você até seus 16 anos, quando foi emancipado, enfim, você é aprendiz de Hades, o Deus do Submundo.
De fato tudo isso é muito confuso e improvável, mas ela aparenta muito estar falando sério, além de todas as coisas que aconteceram de ontem para cá.
— Mas só uma pergunta, Atena não está em rivalidade constante com Hades?
— Sim isso é verdade, mas os irmãos devem deixar de lado as suas brigas, pois o mundo está em risco, e, além disso, nós aprendizes não temos nada a ver com as desavenças internas dos deuses. E você é o único aprendiz que também mora na França, por isso eu procurei por você. —
Ela realmente conseguiu me convencer de que dragões existem? Isso é difícil de acreditar.
— Então, assim como eu devo matar o Dragão Celeste, você deve matar Acnologia, o Dragão da Morte. E nós, assim como os outros aprendizes, contamos com as nossas habilidades, nossos deuses e nossos artefatos.
A interrompi. — Espere agora eu estou confuso, o que são artefatos? E quais são as minhas habilidades?
Ela continua — Artefatos são determinadas armas das quais os dragões são fracos, somente com as suas habilidades você nunca vai nem chegar perto de um dragão, você precisa das suas habilidades, do artefato pelo qual o seu dragão seja fraco e do auxílio do seu deus, que seria Hades, e ainda assim não será fácil derrotar um dos doze. Esse é outro dos motivos pelos quais eu procurei você, dois aprendizes juntos são melhores do que apenas um. Os dragões são de fato muito poderosos. E as suas habilidades estão na sua personalidade, você se quer demonstrou remorso quando eu citei sua mãe anteriormente, você é frio a níveis extremos, não se importa para nenhum sentimento e segue o ciclo da vida de acordo com a ciência, pessoas morrem todos os dias, e isso é natural, não importa a quão próxima ela é de você, e, além disso, você não possui medo da morte, a ordem natural das coisas serve inclusive para você, e isso é compreendido na sua mente. Pode não parecer útil tal habilidade, mas em situações em que uma pessoa normalmente seria tomada pelas emoções e pelo medo, você fica com a mente livre para pensar de forma totalmente racional e estratégica, o que pode decidir o rumo de muitas situações.
Ela para de falar por um momento, eu olho no relógio, 22h15min, uma luz se aproxima, parece à mesma que eu vi no trem, ouço gritos de pessoas, um tumulto começa por toda parte, no restaurante, pessoas começam a correr em direção aos elevadores e escadas, pessoas fora da Torre também correm, Isis fecha o notebook e põe na bolsa com uma velocidade espantadora, levanta e me puxa.
— Temos que ir!
Os seguranças da torre guiam as pessoas em fileiras para saírem pelas portas de emergência e pelas escadas, a luz cessa e enfim eu posso ver, de fato, não era um meteoro e nem um ataque terrorista, sim, eram dragões. Ele pousa no terceiro piso da Torre, de certa forma se segurando nas laterais, e dispara chamas pela sua boca, é o animal mais majestoso que eu já vi, possui escamas que parecem uma couraça vermelha e olhos flamejantes, asas similares às de morcegos, com garras nas pontas, é grande, aparenta ter uns 10 metros de comprimento da cabeça até a ponta da cauda. Ele sai da Torre e sobrevoa os policiais que estavam atirando, são uns sete, e dois carros, que foram completamente incinerados pela chama do dragão. Quando conseguimos sair da Torre, a ponta dela cai no chão, esmagada como se fosse uma lata de refrigerante, esmagando também dezenas de turistas em pânico.
— Vamos para o meu apartamento!
Ela diz ofegante e com olhar de medo. Corremos o mais rápido que podemos e pegamos um táxi. O motorista parece tranquilo, bom, onde nós pegamos o táxi era longe da Torre, mas era possível pelo menos ouvir o que ocorrera.
Chegando ao tal apartamento, ela entra e nos serve de suco, aqueles de caixas, me lembro de uma notícia sobre uma empresa que colocou detergente nas embalagens do suco, no Brasil, eu acho. Arruma uma cama improvisada para mim no quarto dela, enquanto ela toma banho eu não posso deixar de reparar todas as folhas de papel e jornais que cobrem a parede do quarto dela, todos são arquivos como os que ela me mostrou, de fato ela dedicou a sua vida para isso. Quando termina o banho, eu vou tomar e durante ele eu penso em muitas coisas, a vida que eu levei até agora, ela não tem mais importância, e a Sophie, o que ela queria me falar? Acho que eu sei, mas não sei se a verei novamente.
Após o banho, visto as mesmas roupas que estava usando antes e vou até a “cama” previamente ajeitada no chão.
— O que faremos agora? — pergunto à Isis.
— Vamos dormir, amanhã precisamos visitar o Oráculo. E antes que me pergunte, o Oráculo é quem nos dará as respostas às perguntas que fizermos, e precisamos saber como e onde entrar em contato com Hades.
Responde, enquanto vai para a cama.
— Por que exatamente devemos entrar em contato com Hades?
— Para que ele nos ajude.
— Mas o que faria os deuses se preocuparem com a raça humana?
— Na verdade eles não estão preocupados com a raça humana em si. Os deuses estão preocupados consigo mesmos, pois, os dragões podem facilmente não só destruir a Terra, como tomar o Olimpo e acabar com os deuses. Geralmente nessa situação os deuses chamariam seus aprendizes pessoalmente, mas Hades acha que terá alguma vantagem com tudo isso. Eu ainda me questiono se ele de fato não sabe que os dragões podem invadir o Submundo também.
Responde, sentada na cama com as pernas cruzadas e fazendo uma trança em seus curtos cabelos. Veste uma espécie de pijama curto, listrado de preto e roxo, e meias ¾ no mesmo padrão. Ela ficou estranhamente sensual naquela roupa.
— Mas se nós somos apenas aprendizes, por que os deuses não vão enfrentar os dragões diretamente?
Pergunto, notando uma leve agitação na Isis.
— Aprendiz é apenas uma denominação, nós somos estritamente necessários para o abate de um dragão, assim como os artefatos e até os próprios deuses. Não somos humanos comuns, nascemos com características úteis contra um determinado dragão. As características que eu citei na Torre não são todas, aquelas são apenas as presentes na sua personalidade, ainda há habilidades das quais você tem, mas nunca notou, e outras para aprender a dominar. Mas vamos dormir. Acordaremos cedo amanhã, vamos para Londres, onde o Oráculo se encontra.
Diz, entrando para baixo das cobertas de sua cama e apagando a luz que se encontra na parede ao alcance dela, mesmo deitada.
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