Acordei e a primeira coisa que fiz foi checar meu telefone celular. Não havia novas mensagens. Senti aquela velha angústia me atormentando. Stefan me mandava mensagens de bom dia, boa tarde e boa noite todos os dias. Por que hoje foi diferente? Quer dizer, ele ultimamente está diferente, meio distante. Ou é paranoia minha? Argh! Eu estava ficando maluca. Resolvi tomar um banho. Em seguida deitei na minha cama e liguei meu mp4. Escutar música me acalmava. Bem, um pouco. Continuava angustiada. Precisava fazer alguma coisa. Tomei coragem e mandei uma mensagem pra ele.
Bom dia amor.”
Não demorou muito para que meu celular vibrasse.
Bom dia.”
Isso só fez minha angustia aumentar ao cubo. Ele nunca respondeu uma mensagem minha com tamanha frieza, sempre havia algum apelido fofinho no final ou algo do tipo. Senti meu coração pesar. Mandei outra mensagem de volta.
“O que está acontecendo Stefan?”
“Como assim? Não tem nada acontecendo.”
Tem sim. Você está distante.”
Olha, estou um pouco ocupado agora. Depois nos falamos. Beijo.”
Resolvi não responder mais. Agora eu estava oficialmente preocupada. O que estava acontecendo? Eu tinha feito ou dito algo errado? Comecei a relembrar a noite do jantar com os meus pais. Pra mim tinha sido maravilhoso, mas e pra ele? Será que tinha medo de compromisso? Ou não estava a fim de conhecer minha família? Calma, Elena. Está criando coisa onde não tem! Eu precisava vê-lo. Olhar em seus olhos e perguntar o que diabos eu tinha feito a ponto de deixá-lo daquele jeito. Isso me machucava. Decidi ir a casa dele sem avisar. Parecia aquelas namoradas super controladoras que suspeitavam de tudo e de todos. Mas que se dane! Eu quero saber o que está acontecendo. Cheguei e avistei uma garota na porta da sua casa conversando com ele. Senti minhas pernas tremerem e meu coração batendo em um ritmo acelerado até demais. Não era uma garota qualquer. Ela era linda. Seus cabelos batiam na sua cintura em grandes cachos castanhos. Seu corpo tinha curvas perfeitas. Parecia uma barbie. E então ela se virou. Seu rosto era magnífico. Senti-me uma garota feia e desajeitada que estava dando uma de detetive pra cima do namorado. Virei-me decidida a voltar para casa e fazer meu cérebro assimilar que isso era um pesadelo. Stefan correu em minha direção.
— Elena espera! – Ele puxou o meu braço. Continuei fitando a direção de casa. Não queria olhar em seus olhos.
— Eu preciso ir. – Disse com a voz rouca. Estava me segurando pra não deixar nenhuma lágrima cair.
— Ei. Olha pra mim. – Eu o encarei. Ele segurou o meu rosto com as mãos. Por um momento eu queria congelar aquele instante e esquecer tudo. Mas não podia. Eu precisava de uma explicação.
— Fala logo. – Escutei o que parecia uma tosse irônica. Desviei meus olhos do rosto de Stefan e me deparei com a garota que estava na sua porta.
— Dá licença, querida? Estávamos tendo uma conversa importante. – Ela deu um sorriso forçado. Queria socar a cara daquela vadia.
— Katherine! Nós dá licença? – Stefan disse encarando-a.
— 5 minutos. – Ela virou-se de um modo teatral e ficou na porta da casa dele supervisionando nossa conversa de longe.
— A gente pode conversar amanhã? – Ele disse.
— O que? Isso é sério? – Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Depois de tudo ele ia ficar ali? Com ela?
— Elena, é complicado. Eu preciso... Eu... Não posso explicar agora. – Ele parecia estar sendo sincero, mas eu não agüentava ser trocada por essa garota arrogante.
— Escolha.
— O quê?!
— Ou ela ou eu. – Senti um calafrio. Não tinha certeza se ele me escolheria. Estava hesitando.
— Elena, eu não posso fazer isso. Eu não posso te explicar. Não ainda. Apenas vá pra casa. Falamos-nos amanhã, ok?
— É assim? Vai ficar com ela não é? OK. – Virei-me e comecei a dar passos largos. Ele me puxou de volta.
— Elena, por favor! Não dê uma de namorada ciumenta. Isso é importante.
— Vou facilitar pra você, está bem? Não sou mais a sua namorada. – O que eu falei? Ele me olhou com um olhar triste. Não falou nada. Eu senti meu mundo desmoronar. Queria beijá-lo e pedir desculpas. Ao invés disso virei-me e fui pra casa.
Comecei a chorar na metade do caminho. Resolvi parar na praia. Precisava organizar meus pensamentos.
— O que diabos eu fiz? – Falei sozinha. Não conseguia parar de chorar. Queria que aquela sensação fosse embora.

Fiquei nesse estado, não sei por quanto tempo, já era tarde quando dei por mim. Não conseguia voltar para casa, não conseguia me mexer, era a pior sensação do mundo, a minha vontade era de correr para a casa do Stefan e pedi desculpas, implorar se for possível, mais não conseguia, não agora. Não parei de fitar o mar, com as lagrimas rolando por meu rosto. O barulho do mar ecoava na minha cabeça, me chamava e eu não consegui resistir, parei para tirar a sandália e continuei em direção ao mar de roupas mesmo, fui andando, andando até a água me cobrir, fiquei boiando na superfície por minutos, até que o mar mudou rapidamente.

As ondas se chocavam em mim como grandes paredes d'água, a correnteza era uma rede que me afastava cada vez mais dá costa, decidi voltar, para areia, mais estava difícil a correnteza me puxava mais e mais para trás, relutei o máximo que pude, Mas é como se diz, impossível nadar no mar. Consegui dá um passo em direção a areia, mas a situação só piorou, acabei caindo em um buraco e afundando, lutei com todas as minhas forças para ir a superfície, mas não conseguia -ou não queria -foi ai que me dei por mim, eu talvez eu não quisesse subir, não quisesse encarar a superfície, não quisesse enfrentar meus problemas, ali era quente e de certa forma aconchegante, fiquei sentindo a água formando as ondas, já estava esgotando minha reserva de oxigênio, então o meu instinto de sobrevivência, tomou conta do meu corpo e travei uma guerra com mar, consegui chegar a superfície mais fui empurrada para baixo por uma onda, tentei novamente mais fui jogada para o fundo cada vez mais, percebi que estava realmente longe dá costa e com essa correnteza seria impossível chegar, fui sugada mais uma vez e dessa e não relutei, fui sentindo a água entrar no meu corpo, senti o sal ferir meus lábios, enquanto o ar que ainda restava nos meus pulmões se esvaia, e fui caindo na escuridão, desligando um de cada vez os meus sentidos, sendo puxada pelas negras ondas ... Do nada senti uma mão ao redor do meu pulso, me puxando para alguma direção, mas então a escuridão me engoliu.