Turnaround
10 O Adeus
Sempre imaginei o que seria a morte, se era algo doloroso ou tão fácil quanto fechar os olhos. O fim da vida assusta a todos, como ficarão as pessoas amadas depois disso? Elas esquecerão rápido de mim? E para onde se vai? Nunca acreditei que existe inferno ou purgatório, pra mim deus é único e a ama a todos como seus filhos, pois então como um pai conseguiria condenar um filho a uma eternidade de sofrimento? Isso era impossível. Também tinha a uestão de como seria o céu, as duvidas humanas são inúmeras, e eu ansiava em descobri-las, mas nunca pensei que descobriria tão rápido.
Abri os olhos e me deparei com ele, um anjo, tão lindo e delicado, ele olhava para mim com olhos preocupados –desesperados, eu diria –e ansiava por algo. Seus olhos eram de um azul tão profundo, que penetrava na alma. Sentia-me estranha, para mim depois dá morte, não sentiria mais dor, ou qualquer sensação humana. Mas todo o meu corpo doía, sentia minha boca dilacerada por grandes cortes, e não conseguia respirar. Era a pior das sensações. Mas, contudo o anjo estava lá, tentei falar a ele que estava doendo, que estava sentindo dor, mais só o que saia da minha boca era água –não é metafóra não, só saia água mesmo –então passei assentir um aperto no peito, forte e continuo, não tinha como suportar tal dor, olhei bem nos lindos olhos azuis do anjo, e me rendi novamente a escuridão.
Quando acordei , me deparei com uma luz branca forte, e imaginei que finalmente estava no céu. A dor continua no peito havia parado, podia sentir a boca dilacerada mais era a única sensação, havia ar entrando por minhas vias aéreas e um tubo. -perai um tubo?- Tentei levantar a mão para sentir o que era mais não conseguir havia algo me prendendo. Outro fio. Foi ai que dei por mim e percebi onde estava. Não era nada celestial e grandioso era um leito de hospital, havia maquinas por todo o lado e fios com suas agulhas penetrando minha pele, percebi então que o fio que estava no meu nariz era um ventilador mecânico. Havia também um som de gotas pingando, ao olhar para cima me deparei com o soro, que ia pingando e escorrendo direto para minhas veias. Eu não havia morrido, como tinha pensando, alguém me salvou. Um anjo. Aqueles olhos azuis eu não poderia ter imaginado, simplesmente não podia. Foi nesse momento que a minha mãe entrou no quarto e deu um pulo ao me ver.
–Meu deus Elena, você acordou. Enfermeira aqui, por favor, Enfermeira –Disse ela colocando só a cabeça para o lado de fora da porta e depois correndo para me abraçar. –Ai meu deus muito obrigado, muito obrigado, eu achei que iria te perder minha filha, duvidei por segundos, mais duvidei. A Elena minha menininha, Elena...
Ela continuou sussurrando o meu nome diversas vezes, então entrou um mulher, negra, um tanto acima do peso, com um jaleco branco e um estetoscópio em volta do pescoço.
–Se afaste mãe, para que eu possa examiná-la. –Falou ela com uma voz velha e chata, o que era bem típico de enfermeiras
–Mas é claro, mas é claro, eu vou chamar o Grayson e a Jenna lá na lanchonete, eles estão tão preocupados contigo Elena. –Disse mamãe já saindo do quarto.
A enfermeira abaixou um pouco a minha camisola –de hospital –e colocou o estetoscópio sobre meu peito. Ficou assim durante alguns segundos depois deu leves tapas em meus pulmões e isso doeu bastante. Soltei um ruído de dor sem querer
–Esta doendo querida? –Disse ela seria e calma, com sua voz irritante.
–É, bem, um pouco. Está doendo um pouco –Falei com dificuldade minha voz estava horrível, rouca e tremula além que eu podia sentir sal arranhando minha garganta.
–Isso é bem comum, daqui a alguns dias passa mais a dor, para amenizar um pouco. –Ela apertou um tipo de bomba que estava ligada a um dos fios do meu soro e no momento que ela fez isso sentir a dor passar instantaneamente, e logo adivinhei o que era -vou lhe injetar morfina.
Já estava me sentindo melhor, mais a minha garganta estava um caco. E acho que ela percebeu isso por que foi até o filtro de água e pegou um pouco para mim.
–Tome querida, você deve esta com sede, ficar 2 dias sem tomar água, deve ser difícil.
Perai ai, dois dias? Eu fiquei desacordada por dois dias? Pareceram minutos ou até segundos. Não podia acreditar. Tomei avidamente meu copo com água e logo pedi mais, já estava no quinto copo quando mamãe voltou ao quarto com papai e tia Jenna em seus calcanhares.
–Ai meu deus Elena, que susto você deu na gente! Foi bastante irresponsável de sua parte entrar no mar com alerta de tempestade, o que você tinha na cabeça? Você podia ter morrido sabe? Você tem noção disso? –Falava meu pai, em tom de raiva e de alivio ao mesmo tempo
–Me desculpe papai, não tive a intenção, me desculpa mesmo. –Balbuciava tão baixo que ninguém ouvia.
–Elena querida, estava tão aflita! Você nos deu um susto e tanto sabia? –Disse tia Jenna me dando um abraço apertado.
–Desculpe tia, pai, mãe, me desculpe eu não sabia que vinha uma tempestade. –Falei um pouco mais alto, para eles conseguirem me escutar.
–Mas o que deu em você Elena? Você sai de casa dizendo que vai se encontrar com o Stefan, e depois recebemos uma ligação dizendo que você estava em um hospital. Por que raios você entrou no mar Elena, Por quê? –Meu pai falava repetidamente, demorei um pouco para lembrar o motivo, e então lembrei. O Stefan, foi por causa dele que eu entrei no mar, por ele ter escolhido ficar com aquela tal de Katherine, aquela total estranha. –ao menos para mim – E então me dei por mim, a onde estava o Stefan?
–Cadê o Stefan? –Disse tremula, me lembrando de todas aquelas palavras que havia dito a ele, queria muito me desculpar.
–Está em casa, ele passou as duas noites com você aqui no hospital, não queria te largar, pedi para ir em casa tomar um banho e descansar um pouco. Já já ele esta por aqui.-Falou mamãe em um tom monótono, como se não desce atenção aos demais só a mim.
– Há –Foi a única coisa que disse.
Meus pais e minha tia ficaram por horas do meu lado, perguntando se eu estava bem, se precisava de alguma coisa. A tarde passei por uma pequena cirurgia, para retirar a sonda que haviam colocado em mim para que pudesse fazer minhas necessidades.
O relógio batia 18h00min e meu pai havia levado mamãe para casa para ela tomar um banho e voltar para passar a noite comigo. Tia Jenna estava na poltrona folheando uma revista de moda, e eu estava olhando para TV –apenas olhando- não conseguia prestar atenção em nada, estava eufórica, pois o Stefan ainda não havia vindo me vê, e por alguma razão não parava de pensar no anjo que havia me salvado. Perguntei casualmente a minha tia quem havia me salvado, ela disse que não sabia que apenas um rapaz estava andando na praia e viu quando me afogava, e me tirou do mar, disse que olhou meu celular –quer por milagre ainda presta- e tinha o numero dos meus pais, me levou para o hospital e pediu para ligar para eles, mas não deu identificação alguma, o que me deixava mais intrigada, se não foi um anjo que me salvou, quem foi?
Nesse momento a porta do meu quarto se abriu, e Stefan passou por ela. Tia Jenna ao vê-lo se levantou e disse:
–Vou dá privacidade a vocês, Elena qualquer coisa estou lá fora ok? –Falou e fechou a porta.
O silencio pairou entre a gente. Ficamos nos olhando por muito tempo, até que a enfermeira entrou no quarto para me aplicar mais uma dose de morfina, e disse que era para ele ser rápido, pois não ficaria muito tempo acordada. Assim que ela saiu, eu fui a primeira a falar
–Stefan, me desculpa, eu não queria ter dito aquilo, eu não deixei você se explicar, o ciúme tomou conta de mim, me perdoe, por favor, eu sei que tudo esta complicado para a gente agora mais ainda podemos dá um jeito. –Disse, tremula.
–Que jeito Elena? Não há jeito. Você estava certa, não dá para continuarmos mais, não dá para adiarmos mais isso, daqui a três dias você volta para a Virginia, para sua família, seus amigos. Não posso lhe pedir que fique por isso seria egoísmo, Elena olhe para mim –disse ele pegando meu rosto entre as mãos –eu te amo, mesmo tendo ficado tão pouco tempo ao seu lado, você me fez sentir-me vivo, me fez saber que eu ainda tenho sentimentos e que posso amar alguém, Elena muito obrigado por ter me tirado da escuridão em qual estava, você iluminou o meu verão, Elena eu te amo e quero que você nunca duvide disso, e que não me esqueça, pois não te esquecerei Elena, nunca. Você foi a mulher que eu mais amei até agora em toda a minha vida. Mas quero que você me supere, que viva sua e que saiba que o nosso amor, foi lindo e sincero em quanto durou, Mas foi apenas um amor de verão.
–Você esta... Você esta terminando comigo? –Eu não conseguia entender nada daquilo, minha cabeça estava um caos e eu estava sendo sugada pela escuridão que o remédio fornecia. Mas eu não podia dormi agora, não podia deixá-lo ir, não ele, não o Stefan, não o meu Stef, ele não pode terminar comigo, ele não pode me deixar sozinha.
–Elena, eu nunca vou te deixar, nunca vou te esquecer, vou vai está sempre aqui –disse ele apontando para o coração. –Não quero que nem por segundo você duvide, que não te amei, pois eu te amei, e te amo, cada dia mais e é por isso, por esse amor, que quero que você vá, seja feliz Elena, você merece.
–Não, não, não, não, Stefan não , por favor não , por favor não me deixe, não me deixe, por favor –Eu estava implorando, as lagrimas rolavam por meus olhos, eu não conseguia mais conte-las , a confusão que o remédio provocava se instalou em mim, eu não conseguia me mexer.
–Elena, por favor, não chore –disse ele secando minhas lagrimas –não gosto de te vê chorar. O que estou fazendo é preciso, e sei que você sabe que é. Meu amor por você é grande e fácil, amar você é meio que necessário. Você é a pessoa mais linda e apaixonante que já conheci por isso me apaixonei, por isso sou apaixonado por você.
–É por causa dela não é? Dá Katherine? Não é por causa dela que você esta me deixando? Stefan por favor, eu posso te fazer mais feliz, sim eu posso me dá um chance Stefan não me deixa ir, por favor –Não conseguia conter a lagrimas que caiam, eu não queria conter, eu queria que ele fica-se comigo.
–Sem duvida nenhuma, você me faria o homem mais feliz do mundo. E a Katherine, bem é complicado, não posso te falar Elena, eu não quero te falar, quero que você vá, vá para sua casa, e seja o feliz o máximo que puder.
O que ele estava dizendo? Como conseguiria ser feliz sem ele? Stefan era importante demais para mim, eu não podia deixá-lo partir, não podia.
–Stefan, por favor, não vai, por favor... –Disse segurando sua mão com toda, força que conseguia.
–Elena, fique bem, seja feliz, e sempre saiba que eu te amo, e sempre vou lembrar de você. –Ele falou, soltando sua mão do meu aperto. Ele se inclinou em minha direção e depositou seus lábios levemente sobre os meus. Ainda com os lábios nos meus ele murmurou:
“EU TE AMO”
Então ele se levantou, e ficou me olhando por uns segundos, até ir a porta, abri e sair sem nem olhar para trás. Deixando-me sozinha, com certeza eu teria um excesso de choro, se não fosse pela a escuridão ter me engolfado rapidamente.
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