Turnaround
2 Descobrindo o oceano
Acordei com o sol no meu rosto –havia esquecido de fechar a janela- e aquela sensação foi um tanto estranha, não que eu não estivesse acostumada com o sol, mais aquele parecia mais brilhante e quente. Sentei-me na cama por um instante tentando apagar o pesadelo da noite passada –sonhei novamente com a maldita noite da festa- da minha mente. Conversar com a tia Jenna ontem a noite foi realmente maravilhoso, eu estava precisando de conselhos e por minhas idéias no lugar.
Levantei da cama e fui direto para o banheiro, passei uma água no rosto, escovei os dentes e fui tomar um banho frio. Depois de devidamente vestida –com um top e shorts jeans curto –desci pra tomar o café da manha. Mamãe e tia Jenna já estavam acordadas preparando waffles, comi lentamente observando minha mãe e minha tia brincarem com a comida, depois de o café decidir dá outro passeio na praia –já que o de ontem, foi estragado por aquele inconveniente –para refrescar a cabeça.
Dessa vez coloquei um biquíni –caso fique quente demais –para mim dá um mergulho no mar. Fiz uma corrida até a praia, que levou menos de 5 minutos, tirei o tênis para poder sentir a areia quentinha abaixo dos meus pés e fui direto para o mar, parei um instante só pra tirar o shorts e corri para a água salgada. A água estava quente e aconchegante, era como se o oceano soubesse dos meus problemas e me abraça-se, limpando a minha alma de qualquer tristeza. Perdi a noção do tempo no mar, quando dei por mim o numero de pessoas na praia já havia diminuído bastante, ao longe vi um grupo de surfistas prontos para entrar na água e por um momento pensei nele –no Stefan –foi algo instantâneo como se não pudesse evitar e para minha alegria –ou tristeza –ele não estava lá. Sair do mar rápido, com um pouco de frio –poxa esqueci de pegar uma toalha –e me sentei na areia para me esquentar, e como se tivesse surgido do nada alguém sentou ao meu lado. No primeiro momento achei que fosse meu pai, mais é claro que não era o meu pai, era ele “o indesejável” estava lá com sua prancha na mão cabelo molhando, sem camisa –o que me fazia olha fixadamente para o seu peito sarado –olhando para o mar como se não tivesse notado que havia sentado ao meu lado.
–Eu acho que você esta me seguindo, você é alguma agente do FBI ou coisa do tipo? Por que olha aquelas balas que eu roubei lá em Nova York não custavam nem 3 dólares –Disse ele sorrindo e olhando pra mim de um jeito diferente
–Se você não percebeu, foi você que me procurou e sentou do meu lado, e é claro que eu não estou te seguindo, ainda não usei nenhum tipo de drogas para fazer isso. –Disse em tom um pouco arrogante
–Elena, Elena, Elena, papai e mamãe não te deram educação mesmo não é? Ou você foi criada por lobos? Meu deus você é mogli a menina loba? –Disse ele se dobrando de rir
–Seu senso de humor me da náusea sabia? Sinto vontade de vomitar só de ouvir a sua voz – Falei bastante irritada, quem ele acha que é pra falar comigo assim?
–Calma gata, desculpa, só estava brincando ué – Disse ele tentando retomar minha atenção
–Eu não estou com humor para brincadeiras hoje ok? Então eu acho melhor você pegar essa sua prancha e ir nadar com os golfinhos
–Olha quem esta fazendo piada agora? Pra sua informação aqui no norte não tem golfinhos! Esta precisando estudar mais –Disse ele rindo novamente
–Você vai continuar rindo? Por que se for eu vou embora, não tive uma noite legal e estou péssima –Disse irritada, e era verdade eu realmente estava péssima nem penteei os cabelos ao sair de casa, alem que devo esta o maior camarão do mundo –uma das vantagens de ser tão branca- .
–Pesadelos? Eu tenho toda noite, com os meus pais sabe? Perdi eles recentemente em um acidente de carro aonde só eu sobrevivi, agora toda noite ao fechar os olhos relembro aquele dia –Disse ele, pela primeira vez serio e com um olhar triste.
Por que ele estava me contando aquilo? Ele mal me conhece, como pode confiar em mim? Quer dizer ele confia em mim? Afinal o que ele esta fazendo aqui?
–Meus pêsames então –Falei um pouco mais arrogante do que queria
–É, na vida todos temos traumas não é? E o seu qual é? Por que não esta dormindo bem? –Disse ele com um olhar curioso-mais e que olhar, olhos castanhos dele era como um outro mar, que te prendia e te arrastava para o meio de redemoinho – e um sorriso amarelo
–Meu namorado, quer dizer meu “EX” namorado, termino de namoro difícil, venho sofrendo com essas visitinhas noturnas desde de então –Falei, ainda não acredito que falei disso pra ele, justamente pra ele, por que tinha algo tão familiar nele ? Algo que me prendia e que me fazia revelar todos os meus segredos.
–Entendo minha namorada também me deu um pé na bunda, depois que meus pais morreram. Fiquei inconformado, não tinha mais tempo pra ela nem pra ninguém então... Você já sabe né? –Disse ele sem olhar pra mim, como se tivesse perdido em lembranças –Vida difícil, o que eu mais quero é sair daqui , conhecer o mundo explorar lugares novos, conhecer pessoas novas, ter outras paixões –Ao dizer isso ele me olhou tão intensamente que parecia que podia olhar através da minha alma.
Desvie o olhar rapidamente, meu rosto estava quente e eu sentir uma incontrolável vontade, de esquecer que estávamos em uma praia movimentada, esquecer que mal nos conhecemos, e o beijá-lo –controle-se Elena, ele é um estranho! Que pensamentos são esses? – disse uma vozinha lá no fundo da minha consciência e me agarrei a ela, como eu podia querer beijar um desconhecido?
–Quer surfar? –ele quebrou o silencio que pairava entre a gente
–Há, eu não sei surfar –Admiti um tanto envergonhada, como eu podia ficar envergonhada em não saber surfar ? Era comum não era? Meus pensamentos estavam um caos.
–E pra que estou aqui? Eu te ensino ué, vem –Disse ele se levantando, pegando sua prancha e estendendo a mão para mim.
Mal parei pra pensar, agarrei a sua mão e corri para o mar com ele. Não é que eu levava jeito para surfar? Segundo o Stefan eu tenho um equilibro a ser invejado, não demorei muito pra me equilibrar na prancha, e pouco tempo depois consegui deslizar sobre ondas pequenas. O tempo com ele passou voando, quando nos demos conta o sol já estava se pondo.
–Sou melhor do que você surfando, admita –Disse rindo. Eu era melhor mesmo
–Quem sabe que se com muitas aulas você melhore, mais tenho que admitir você não é das piores. –Disse ele dando um daqueles sorrisos que fazia meu coração acelerar
–Acho que vou precisar de mais aulas então, professor -Disse pegando o meu shorts e vestindo
–Marcado então, amanha no mesmo horário?
–Fechado. –Disse sorrindo –Então eu já vou andando tá ? Se não vai ficar tarde e meus pais vão surtar
–A certo ... Hum quer que eu te leve em casa? Eu estou com a minha moto ai ... –Disse inseguro
–A não precisa, minha tia mora aqui pertinho, mais obrigado, mesmo assim –Falei me afastando.De repente sentir ele segurar o meu braço, me virando bruscamente.
–É ... Tchau Elena –Disse ele com o rosto bem próximo do meu, com o olhar fixado no meu.
Nossos rostos estão tão próximos que um pequeno movimento, nós nos beijaríamos. Ele estava tão próximo que sua respiração fazia cócegas na minha bochecha, estávamos quase lá quando ouvimos um barulho estrondoso. Afastei-me bruscamente dele e ao olharmos para avenida, um carro havia batido no outro e seus donos havia decido e estavam discutindo. No meio de toda aquela confusão me despedir rapidamente dele –com um simples aperto de mão – e sair correndo para casa.
Ao chegar a casa, foi que percebi que passei o dia todo sem comer, fui direto a cozinha, aonde tinha um bilhete com a letra da tia Jenna escrito :
“Querida Elena, saímos para jantar,
tem frango assado no microondas . “
Abrir o microondas rapidamente, e comi tudo que estava no prato. Depois subir vagarosamente até o banheiro aonde eu tomei um lento e demorado banho, logo após vesti meu pijamas e deitei na cama, fiquei pensando no meu dia e como Stefan mexeu comigo. Quando dei por mim já havia pegado no sono.
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