Turnaround
3 O começo do fim
Estava deitada no peito de Stefan no sofá da Tia Jenna, assistindo Diário de uma paixão. Nem prestei muita atenção no filme, ficar perto dele me desnorteava por completo, não conseguia me concentrar em nada, só em nós. Peguei-me admirando seu rosto e perdendo a noção do tempo até que ele se virou e me encarou. Ficamos nos olhando por sei lá quantos minutos até que ele se aproximou, colocou a mão no meu rosto e me puxou pra perto, encostou seus lábios nos meus e..
— Elena! Acorda! — Abri os olhos e me deparei com Jeremy me empurrando, espera.. Aquilo tudo foi um sonho? – Você é muito preguiçosa, credo! — Ah.. Hm.. O que foi idiota? – Disse levantando da cama, desapontada por perceber que foi só um sonho –. — Já são 13h45! – Jeremy saiu pisando forte e fechou a porta do quarto com força. Dei uma olhada no relógio –. — CARA! EU VOU ENCONTRAR COM O STEFAN DAQUI A POUCO! DROGA! – Falei sozinha e corri pro banheiro. Tomei um banho rápido e coloquei meu biquíni. Desci as escadas e fui falar com mamãe que estava assistindo TV. — Mãe, vou dar uma passada na praia ok? — Elena você mal acordou.. Não vai comer nada? – Disse ela um pouco preocupada. — Não estou com fome. Vou indo. – Disse abrindo a porta. — Ei! Volta aqui mocinha! Não vai sair sem comer nada. – Ela se levantou e colocou a mão na cintura e bateu os pés duas vezes, um sinal de que eu deveria obedecer. — Mas mãe.. – Ela me lançou um olhar severo, fui direto pra cozinha, procurei algo que eu pudesse comer rápido. Peguei uma banana, enquanto comia tirei o celular do bolso, queria ligar pro Stefan pra justificar meu atraso, me dei conta de que ainda não tínhamos trocado números e coisas do tipo. Engoli a banana e quase sai correndo para a praia. Cheguei e a primeira coisa que vi foi Stefan sentado no mesmo lugar de onde a gente tinha se encontrado ontem. Andei até lá e sentei ao seu lado. — Uou! Pensei que tinha me dado um bolo. – Disse ele animado ao me ver. — Sorry.. Perdi a hora, vim o mais rápido que pude. — Tudo bem. – Ele sorriu. Perdi o ar. Tentei me recompor. — Então.. Vamos? — Que apressada! Carpe diem gata. – Ele fechou os olhos e respirou fundo. Fiquei admirando-o -. Levantei e tirei o short. Peguei sua prancha e fui em direção ao mar. Dei uma olhada pra trás, ele estava sorrindo. As ondas não estavam ajudando muito então fiquei sentada na prancha. Stefan entrou no mar e veio na minha direção. — Não está legal né? – Disse ele desanimado. — É.. Poxa, logo hoje que eu queria te deixar no chinelo. – Sorri. — Vai sonhando.. Mas então, a gente pode fazer outra coisa. — Hm.. Claro, pode ser. – Não sabia se era uma boa ideia, mas precisava me distrair. — Quer ir lá em casa? – Pensei um pouco.. Nós não nos conhecíamos muito a ponto de eu ir para sua casa, fiquei em dúvida, hesitei em responder. – Desculpe, não quero ir rápido demais. É que.. Realmente gosto de você Elena. Me faz bem estar contigo. – Uou, por essa eu não esperava. Fiquei vermelha. Olhei pra ele. — Também gosto de estar com você. — Fico feliz em saber. – Ele sorriu. Vi o brilho em seus olhos. — Ok. Eu topo. – Saímos da água e fomos em direção a sua moto. Chegamos à sua casa. Tirei o capacete e o entreguei. — Não tem ninguém né? — Não. Relaxa. Meu irmão está no trabalho e só volto bem mais tarde. Somos só nós dois. — Ah. Entendi. Entramos. Eu o segui até seu quarto. Era espaçoso, um tanto bagunçado. — Não olha a bagunça. – Ele disse e fez uma careta. — Tenho um irmão de 10 anos. Bagunça faz parte da minha rotina. — Acredito. – Ele sorriu. Fui até uma mesinha onde estava seu computador. Em cima havia porta-retratos com fotos dele pequeno com o que acredito ser, seus pais. Peguei uma em que ele estava aninhado no braço da sua mãe com o pai do lado, dando-lhe um beijo na cabeça. — Deve sentir falta deles. – Eu disse com receio. — Sinto muita falta. Eu amo meu irmão, mas ele está muito ausente na maioria das vezes, tentando manter as coisas aqui em casa. Me refugiei na praia. Lá eu esqueço de tudo. – Disse ele com a cabeça baixa. — Eu te entendo. Me traz paz aquele lugar. — Também sinto isso. – Ele levantou a cabeça por um instante, me olhou e em seguida deitou-se na cama. Fiquei desconfortável. Não sabia se deitava ao seu lado ou se continuava ali parada. Optei por ficar ali. – Ei. Senta aqui. Vai ficar aí em pé? — Ah.. – Não sabia o que dizer. Fui até lá e sentei-me ao seu lado. — Me conte mais sobre você. Ainda sente algo por seu ex-namorado? – Ficou inseguro ao falar disso, percebeu que não fiquei muito confortável. — Sinto.. Sinto nojo. Argh! – Fiz uma careta tão feia que ele gargalhou, por um momento pensei que não fosse parar. Fiquei envergonhada. — Gosto do jeito como você sorri. – Fiquei parecendo um tomate. Não o encarei. O silêncio começou a ficar estranho demais. — Ahh.. — É estranho como eu pareço conhecer tanto você. — Sim, é estranho. Eu nunca senti nada parecido por ninguém. – Olhei em seus olhos.
— Talvez estávamos destinados a nos encontrar naquela praia. — Bom, eu preciso ter uma conversinha com quem escreve nosso destino.. Aquela pranchada na cabeça não foi nem um pouco romântica. – Sorrimos juntos. — Um dia contaremos essa história pros nossos filhos. — Será? – Sorri. — É uma promessa. – Ele se levantou e sem hesitar me deu um beijo. Eu retribui. Só queria aproveitar aquele momento. De repente todas as lembranças ruins evaporaram da minha mente. O mundo parou.
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