Turnabout Fire

1 Prólogo: Banco de fogo?


- Hmm...é aqui! É o que a carta diz.

Já era bem tarde. Na frente do banco da cidade, não parecia haver mais ninguém. Ana Farfnair avançou até a entrada com passos lentos e cautelosos. Seria um tanto difícil de notá-la, de qualquer forma: a noite estava bem escura, e sua batina preta com uma faixa marrom enrolada na parte central se mesclava bem com aquela escuridão. Mesmo assim, ela não se podia dar ao luxo de ser vista. Seria...complicado explicar o que estava fazendo.

Ao chegar bem na frente, olhou para cima. O letreiro dourado, meio baixo (por que o próprio prédio era baixo) confirmava: “Banco MBOX”. É, certamente era um nome estranho para um banco. Mas tanto fazia. Ana olhou para os lados, mas não viu ninguém. Suspirou e olhou novamente para a carta que recebera. Lembrou de quando a achou: fora na manhã daquele dia, em um envelope verde-jade, bem chamativo no meio da correspondência geral da mansão. Ainda bem que Joachim não lera, quando veio entregar a carta para ela. Seria difícil explicar também. Ela leu a carta novamente (era difícil ler naquela escuridão...), e estava no meio da leitura quando ouviu. Uma pedra caindo.

Algo bem simples, mas que quebrou o silêncio da noite como um vidro que se estilhaça. Ana se assustou e imediatamente olhou na direção, mas não viu ninguém. A pedra caíra perto dela, porém. Disso ela tinha certeza. O próximo barulho, porém, veio da direção contrária, mais próximo ainda. Alguém estava logo atrás dela.

Instintivamente ela se virou e empurrou a pessoa, assustada e gritando. E então, ele emergiu logo á sua frente. Fogo. Fogo havia começado a rugir logo onde estava a pessoa que se aproximara dela. Um grito de agonia, contrações, desespero. Ana não fez nada. Não por que não pudesse, ou estivesse muito confusa com o que acabara de acontecer.

Mas era por causa do fogo.

O fogo, sim, o fogo...era algo tão misterioso e tão belo! Oh! Quantas vezes ela queimara os objetos que abarrotavam a mansão inutilmente apenas para vê-los de deformar através das chamas, que lambiam seus corpos e dançavam sobre a superfície em uma dança tão linda de se ver! O cheiro resultante, o som, tudo parecia tão agradável! Tudo dava tão certo! Mas...

Ana chacoalhou a cabeça e voltou a si. Deixara suas emoções lhe tomarem por um curto momento. De novo. Ela prometera se controlar, mas era mais forte que ela. Ainda bem que foram apenas segundos dessa vez.

Quando olhou o chão á frente, ela conseguiu ver o corpo morto, parcialmente carbonizado, através da luz fraca feita pelo fogo remanescente no próprio corpo. Tapou a boca com uma das mãos, surpresa: acabara de ocorrer um assassinato. Como, ela não sabia. Mas seu instinto feminino lhe dizia:

- Você está encrencada.