Turnabout Fire
2 Capítulo 1: Façamos isso nós mesmos
26 de Outubro, 11:34 da manhã
Distrito Shang Yi
Salão do Réu
- MÃE! MÃE! – Eu ouvi o grito desesperado de meu filho Bachshil pelo corredor. Oh, eu não acredito, ele já chegou!?
Ops, olá, como vão vocês? Meu nome é Ana Farfnair, prazer! Esposa de Aliucon Farfnair, e mãe de Randy e Bachshil Farfnair. É, acho que você entendeu. Prazer em lhe ver! Embora estejamos aqui no salão da ré (no caso, EU), eu não estou nervosa. Digo, para quê nervosismo?
Ah, sim, tenho que falar um pouco de mim. Sou uma bela, esplêndida e humilde maga. Sim, sou humilde, não deixe-se enganar.E sou uma maga sim. Eu faço magias, é claro! Não ilusões, faço M-A-G-I-A-S! Têm uma grande diferença. Mas sim, sim,sobre meu físico. Já disseram que eu pareço uma garota de 18 (dá pra imaginar? Hihi...) mas na verdade tenho muito mais. Como mais eu poderia ter filhos que já estão com 17 anos? Enfim, tenho cabelos longos e loiros, olhos de cor escarlate, minhas medidas são 79-62-80 (Deus, para quê eu estou passando isso!?) e tenho 1,80 cm. Eu também gosto muito de ler, fazer e aprender truques e passar o tempo com minha família, quando eu tenho. Vida de maga não é fácil, sabia? Ah, e eu gosto de ser bem específica nessas horas. Capisce?
Ah! Meu filho! Finalmente pude vê-lo chegando pelo corredor oposto ao meu sofá. Seus curtos cabelos loiros estavam bem cuidados como sempre, algo que ele aparentemente herdou do pai, mas seu rosto parecia bem cansado e alarmado, sem falar que seu escapulário bege estava todo amassado. Não era difícil pensar que ele tinha dormido na igreja de novo. Fiquei feliz em vê-lo, de qualquer forma, e lhe abri um sorriso.
- Ah, Bach! Vem aqui! Muita gentileza sua vir correndo até aqui...
Ele suspirou, não imagino o por quê, e se aproximou de mim á passos lentos. Sentou-se do meu lado, e eu o abracei, claro! Ver meu filho antes de um caso era bem gratificante, me deixou mais relaxada...embora eu não estivesse nervosa antes mesmo.
- Mãe, eu quase morri de susto quando ouvi. – Ele começou, durante o abraço. Eu o ouvi sem soltá-lo. – Pelo amor de Deus, o que houve? Por que você é suspeita de um crime? Não foi você, né? Me diz que não foi!
Ele parecia mesmo um tanto abalado. Não entendi bem. Ele tinha que saber que não tinha sido eu, claro, então...por que pedia tanto uma explicação? Ah, filhos!
- Claro que não fui eu, Bach. – Eu respondi, depois de soltá-lo do abraço e olhar diretamente para ele. Seus olhos expressavam a maior preocupação e certa tristeza. – Pode ter certeza disso. Senão, eu não estaria tão calma agora, né? Concorda?
Sorri para ele para lhe dar certeza. Isso melhorou um pouco sua moral interna, imagino, por que ele pareceu mais calmo. Eu afaguei seus cabelos loiros enquanto ele pensava. Provavelmente tinha mais perguntas.
- Quem...quem vai ser o seu advogado, mãe? O Randy e a Liliam estão viajando...
Era verdade. Não muito tempo atrás, meu filho Randy tinha corrido um grande risco entrando em um tribunal para salvar uma das empregadas da mansão. Bom, talvez não “grande risco”, mas deve ter parecido, para ele. Que coragem! Eu fiquei muito orgulhosa dele, claro, quando ele conseguiu provar que a garota era inocente! Deve ter sido até romântico também depois! Dá uma bela história de amor, né? Ah...mas enfim. Mesmo depois deste caso, ele insiste que foi bem mais sorte do que qualquer coisa. Então eu sugeri que ele fosse para Los Angeles estudar um pouco de direito. Ele gostou da idéia e a própria Liliam quis ir também! Ela disse que quer ajudá-lo mais que nunca agora. Espero que dê tudo certo enquanto eles estiverem lá...
Ops! Quase esqueci de responder! Devo ter ficado pensando por uns segundos demais! Chacoalhei a cabeça para afastar outros pensamentos.
- Ah, sobre isso...bom...eu não tenho um.
A reação exagerada dele foi justamente o que eu esperava. O queixo caiu, e ele apoiou os braços no sofá como se fosse se levantar de surpresa. Ai, eu não queria deixar ele tão assustado assim! Sorri para ele, mas acho que não foi uma boa idéia, pois ele parecia assombrado.
- Você...não conseguiu arrumar um!? Quer dizer que...
- Calma, meu filho... – Eu queria acalmar ele de alguma forma, mas parece que ele estava realmente chocado com a informação. – Isso não quer dizer que perdemos. Nunca quis dizer algo assim! Senão, eu não estaria tão calma, né?
- Você está SEMPRE calma, mamãe... – Ele respondeu, suspirando. – Ás vezes eu acho que até demais. Honestamente, vivo na mesma casa que você toda a minha vida e você é ainda difícil de entender!
- Isso não é uma coisa boa? – Eu arrisquei, inclinando um pouco a cabeça e sorrindo novamente.
- Claro que é...mas...você fica tão imprevisível...
- Bom! Se eu não fosse assim, seu pai nunca teria me pedido em casamento, querido.
Ele olhou para mim direto novamente e concordou com a cabeça. Não pude deixar de lembrar bem de meu marido: alguém tão forte, tão inteligente, e tão sombrio. Sempre fora um psicopata, mas ia além. Ele não matara ninguém por que sabia que era fútil. Ele têm sua própria filosofia de vida. Estudou muito por vontade própria e decidiu colocar o mundo inteiro na linha. Por isso que ele virou chefe da promotoria local. Com todo esse estudo, ele achava que conseguiria prever tudo que uma pessoa faria, dado certo estímulo. Mas...bom, ele diz que eu nunca segui essa regra. E ele ficou fascinado por causa disso. A história inteira é meio longa...talvez um dia eu conte ela toda!
- Enfim... – Meu filho continuou. Ops de novo! Nem notei que tinha passado um minuto inteiro pensando! Bom, perdoem-me, dizem que eu SOU meio aérea. – Como exatamente você vai ser julgada, sem ter um advogado?
- Não é óbvio? – Eu perguntei para ele. Não devia ser tão difícil de deduzir, mas ele parecia perdido. – Eu vou estar me defendendo lá dentro.
A ficha demorou um pouco para cair. Mas quando caiu, deve ter sido com um estrondo, por que dessa vez ele realmente pulou de surpresa.
- QUÊÊÊÊ?! – Ele parecia exasperado. Eu não entendi. Era tão esquisito assim?
- É, é o que você ouviu. Eu estarei me defendendo. Algum problema?
- Err...eu...acho que não, mas...sei lá... – Ele pareceu estar pensando que palavras usar. – É verdade?
- Claro, claro! – Sorri novamente para ele. — Sem problemas. Eu não sou e nunca fui culpada, então eu acho que vai estar tudo bem.
- Mas e a evidência? Você têm alguma?
- A promotoria têm que usar todas as evidências que eles têm...ou assim espero. Eu consigo trabalhar a partir delas. Não se preocupa, meu filho... – Tentei acalmar ele de novo. – Vai ficar tudo bem, OK? Se lhe for deixar mais seguro, eu até deixo você entrar comigo, pode ser? Digo que você vai ser meu assistente.
Bachshil pensou um pouco. Bom, parecia estar internamente falando consigo mesmo, á julgar pelo modo que ele olhava para um lado de forma tão vaga e pensativa, e o fato de que ele demorou para responder. Mas eu o deixei, claro. Ele já é grandinho o suficiente pra decidir o que fazer sozinho.
Porém, algo interrompeu seu raciocínio. Era a voz do guarda que estava conosco na sala.
- A corte entrará em sessão. A ré por favor queira se dirigir á sala onde o julgamento foi marcado.
Eu olhei para o homem que falava, e dele para meu filho. Ele tinha que decidir agora, mas estava meio nervoso. Não demorou muito, porém, para ele consentir com a cabeça.
- Eu lhe acompanho, mãe. Eu espero poder lhe ajudar a sair dessa. Que Deus por favor me guie para ajudar a provar que você é inocente.
- Muito bem! – Eu levantei também e segurei a mão dele, puxando-o na direção da sala, onde eu sabia que o julgamento se passaria. – Vamos juntos.
E assim fomos nós, em direção ao meu primeiro caso. Mas eu não estou nervosa. N-Não, claro que não estou. Só estou tremendo por causa do ar-condicionado, ora! Não posso sentir frio não?
Chegamos a porta. Eu olhei para o meu filho e ele me pareceu ainda bem nervoso. Tudo bem,eu esperava que não fosse demorar muito.
- Aqui vamos nós. – Eu disse pra ele, baixinho, enquanto abria a porta que nos levaria ao coração do palácio: a sala de julgamento!
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