Turma De 2013
5 Capítulo 5
—Anda logo- Lívia gritou impaciente, enquanto segurava-se em uma árvore.
—Se eu for mais rápido vou escorregar e cair- Alice se defendeu. As duas garotas estavam subindo um morro, acreditavam que lá de cima poderiam ver toda a mata e consequentemente, as pessoas perdidas.
—Vem, segura a minha mão- Lívia disse assim que conseguiu chegar ao alto do morro, ela estendeu a mão para a amiga e alguns minutos depois a garota finalmente conseguiu subir.
—Ótimo, subir aqui ajudou bastante- Alice disse em tom de ironia, a vegetação verde impossibilitava ver qualquer coisa que não fossem as árvores, mal podia-se ver o ônibus amarelo lá em baixo.
—O que a gente faz agora?- Lívia perguntou enquanto olhava o gigantesco penhasco que havia ali, Alice analisava a mata que começava a se estender do lado oposto.
—Alice!- Lívia gritou pela terceira vez e só então Alice a ouviu- O que a gente vai fazer?- A mais nova perguntou
—Pensei que você tivesse um plano- Alice disse
—E tinha- Lívia falou e se aproximou da outra garota- Nós vínhamos aqui, enxergávamos o Matheus ou a Raquel e voltávamos para casa.
—Era um bom plano, não podem dizer que não tentamos- Alice falou e então sentou no chão.
—Alice- Lívia sussurrou e recebeu um olhar assustado de Alice, Lívia estava pálida e andava de costas com passos vagarosos em direção ao penhasco, Lívia notou que a garota mantinha os olhos fixos na mata e após seguir o olhar da garota, entendeu porque ela estava naquele estado.
Um homem usando roupas pretas, estava parado lá, sua cabeça estava baixa e um grande chapéu preto em sua cabeça só colaborava a ocultar seu rosto. O longo sobretudo preto cobria seus braços, todo o seu tronco e parte de suas pernas, as botas negras cobriam seus pés, só o que podia se ver eram as mãos, mãos de uma aparência estranha e deformada, que assustava, mas não tanto quanto o machado coberto por sangue que a criatura segurava.
As garotas cogitaram correr, mas para onde elas iriam? Lívia tentou correr e fugir pelo lugar onde haviam vindo, mas o machado atingiu suas costas antes que ela pudesse fugir, as lágrimas já rolavam pelo rosto de Alice, mas o pior ainda estava por vir.
A criatura caminhou até Lívia que a essa altura já estava morta, ele a virou para cima, passou a mão por seu rosto e posicionou suas grandes garras nos olhos da garota e então ele os arrancou, Alice já não sabia o que devia fazer, olhou para o penhasco e então para a criatura, e só então se lembrou da arma que carregava, levou a mão à cintura, onde a arma deveria estar, mas não a encontrou, lembrou que havia entregado a mesma para Lívia, antes de chegarem ali. A criatura olhou para Alice e sorriu, colocou os olhos de Lívia na boca, parecia gostar daquilo, Alice começou a sentir fortes náuseas, não acreditava no que estava vendo. A criatura olhou para ela novamente, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa contra a garota, Alice gritou e jogou-se do penhasco.
**********
Beatriz, Kev e Kim ainda procuravam a caverna, mas sem sucesso algum, já que somente o que se via eram as árvores e essas eram capazes de esconder qualquer coisas, inclusive a caverna.
—Não existe caverna alguma, vamos voltar- Kev disse após parar de caminhar e sentar no chão.
—Voltar e fazer o que? Esperar o motorista vir e nos ajudar?- Beatriz disse com ironia- Vamos achar Matheus e Raquel e sair daqui.
—Eles morreram!- Kev gritou e nesse mesmo momento foi possível ouvir o grito de Kim.
—Você está bem? – Beatriz perguntou se aproximando da garota que estava no chão, ela havia escorregado e batido a cabeça em uma pedra, um pequeno corte podia ser visto acima de sua sobrancelha, mas mesmo que pequeno, sangrava muito.
—Acho que estou bem- Kim disse enquanto tentava levantar
—Leva ela para o ônibus, eu sigo sozinha daqui para frente- Beatriz disse e Kev e Kim seguiram para o ônibus.
Beatriz caminhou por mais 15 minutos sem encontrar nada nem ninguém, a chuva começou a cair, mas dessa vez com ainda mais força. Ela tentou procurar um lugar para se abrigar e acabou encontrando um pequeno vão entre duas pedras, com certa dificuldade ela passou por ali e encontrou uma queda d’água e algumas árvores, começou a analisar o lugar, mas seus olhos pararam no tênis branco jogado ali.
Ela pegou o calçado e após analisar concluiu que o tênis pertencia à Mariana, “Somente o pé dela seria pequeno o bastante para caber nesse tênis.” Ela pensou e sorriu, porém seu sorriso desapareceu no momento em que viu uma mancha de sangue no chão.
Tudo o que haviam dito sobre lendas e mortes daquele lugar passavam pela cabeça da garota e as dúvidas começavam a ocupar seus pensamentos. Onde estava Mariana? De quem era aquele sangue?
Ela sabia que havia alguém ferido, ou até mesmo morto, e também tinha plena consciência de que, se continuasse ali, seria a próxima vítima.
Ela ouviu um barulho vindo do lado de fora, e assustada começou a procurar outro jeito para sair dali, mas sem sucesso já que única saída era a pela qual Beatriz havia entrado, os passos estavam mais altos e então Beatriz viu uma pequena abertura na parede de rochas.
Beatriz se encolheu para passar por ali, porém a manga de sua blusa ficou presa, fazendo com que a garota puxasse o braço para tentar soltá-la, mas ao fazer isso, sua pele se tocou com a rocha fazendo com que um corte profundo se fizesse no seu antebraço, Beatriz mordeu o lábio inferior para não gritar e ao passar por completo pela abertura sentou no chão e reparou que aquele lugar era uma grande caverna.
Ela rasgou um pedaço do tecido de sua blusa e amarrou no corte que ainda sangrava. Beatriz levantou e começou a andar pela caverna, deveria haver uma outra saída, ela procurou pelo celular no bolso da calça jeans, e ao o encontrar, ela o usou para iluminar o caminho. O cheiro lá dentro era forte, parecia cheiro de sangue e de carne estragada.
“Algum animal deve ter morrido aqui!” Beatriz pensou, porém seu pensamento mudou no instante em que viu um braço no chão. A garota levantou o celular para iluminar uma área maior e então viu vários corpos ali dentro, muitos sem alguns membros, outros completamente desfigurados. Beatriz prendeu a respiração para evitar o cheiro forte que estava lhe causando náuseas, ela seguiu até a saída, mas junto com a náusea, começou a sentir tonturas, por isso caiu antes mesmo que pudesse sair dali, ela encostou-se na parede ao lado da saída, a garota não sabia o que devia fazer, ficar ali, ou sair dali, ambas as opções eram perigosas demais.
“Então vai acabar assim?!” Beatriz pensou e secou algumas lágrimas que escorriam por seu rosto branco que agora estava ainda mais pálido. Ela ouviu um barulho vindo do lado de fora e então pegou a arma que estava em sua cintura e levantou, sentou do lado oposto ao da saída e então esperou.
“Essa coisa pode me matar, mas não vai sair ilesa” A garota apontou a arma para a entrada e a engatilhou, demoraram alguns segundos até que uma silhueta passou pela entrada...
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