Beatriz disparou em direção à figura que passava pela entrada e a mesma gritou.

—Kevin?- Beatriz gritou ao reconhecer a voz e se aproximou para ajuda-lo.

—O que aconteceu?-Carol perguntou quando avistou Beatriz e Kevin saindo da caverna. Ela estava nervosa devido ao disparo que ouviu, e seu nervosismo só aumentou quando viu que a perna de Kev sangrava.

—Eu atirei nele, mas não era a minha intenção, eu pensei que fosse aquela aberração- Beatriz estava em estado de choque pelo que tinha visto e ter atirado em Kev só a deixava mais nervosa.

—Está tudo bem- Kev tentou acalmá-las- A bala só passou de raspão, eu estou bem- Ele disse tirando a camisa que usava e colocando a mesma, amarrada no local que foi atingido.

—Onde estão a Kim e a Pricila?- Beatriz perguntou quando conseguiu se acalmar.

—Nos esperando lá fora, vamos logo- Carol disse e então elas ajudaram Kev a levantar e saíram dali.

—Vocês tem que ver isso!- Pricila gritou mas quando ia leva-los ao lugar que tinha encontrado, foi interrompida por Beatriz.

—Não! É perigoso demais ficar aqui, e o Kev e a Kim estão feridos, temos que sair daqui agora- Beatriz estava desesperada.

—Só vejam isso e então vamos- Pricila pediu

—Mas e os outros?- Kim perguntou

—Não é óbvio?- Beatriz gritou- Eles morreram e se ficarmos aqui, vamos ter o mesmo fim. Não sejam tão estúpidos e aceitem sair daqui antes que mais alguém morra.- Ela estava desesperada e falava rapidamente

—Só vejam o que encontrei e então nós vamos- Pricila pediu e para evitar mais discussões, Beatriz cedeu.

—É aqui! Pricila disse abrindo a porta de uma cabana velha que havia ali.

Eles entraram e viram que não havia muita coisa lá dentro, havia três cômodos, um que parecia ser uma cozinha, tinha uma mesa com algumas cadeiras velhas e também vários armários, porém todos trancados. Havia um quarto com uma cama, um criado mudo e um armário, o único armário da casa que estava aberto, mas não havia nada lá dentro, também havia um pequeno banheiro, e assim como a cozinha tinha alguns armários, porém todos trancados.

—Olhem isso!- Kim falou enquanto colocava alguns recortes de jornais sob a mesa e começava a lê-las.

—Stella Anderson, 20 anos, desaparecida. Jessica e Joseph Torres, a menina foi encontrada morta na entrada da mata, quanto ao garoto, ainda está desaparecido – As outras notícias não eram muito diferentes, mortes, desaparecimentos... O que só aumentava a preocupação das pessoas naquele lugar.

—Temos que sair daqui agora- Beatriz disse mas quando se virou para sair sentiu seu braço sendo segurado.

—Qual o nome do motorista do ônibus? – Kim perguntou.

—Jorge, eu acho- Pricila respondeu e o rosto de Kim perdeu a cor, ela respirou fundo e começou a ler a notícia mais antiga.

—Após a morte trágica da mãe em um incêndio, a criança que possui uma doença rara chamada de Ictiose Arlequim*, foi encontrada morta pelo pai, um dos motoristas da escola municipal, Jorge Gomez, ele enterrou o corpo da criança na mata que fica próxima à cidade, porém muitos duvidam que a criança realmente tenha morrido.

—Então, ele é o pai dessa aberração?- Kev perguntou e recebeu um aceno de cabeça de Beatriz como confirmação.

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—Eu não aguento caminhar mais – Kelly disse enquanto sentava na lateral da estrada de terra- Estamos andando a quase uma hora e até agora nenhum carro passou por nós.

–Vamos continuar andando, deve haver alguém morando por aqui- Andrea ajudou Kelly a levantar e as duas voltaram a caminhar.

Não demorou muito para que os milharais cobrissem os dois lados da estrada, as plantas altas dificultavam ainda mais a visão. Andrea estava preocupada, tanto com os alunos que haviam ficado, quanto com Kelly e ela mesma, a água que elas levaram havia acabado e não havia sinal algum de pessoas por ali, Kelly notava a preocupação da professora e estava nervosa, mesmo que tentasse encobrir essa emoção.

O silêncio que havia se instalado entre as duas, foi quebrado pelo barulho de um carro que se aproximava, elas fizeram vários sinais e gritaram para atrair a atenção de quem dirigia, mas tudo o que deviam ter feito era se esconder. O carro parou e o motorista do ônibus, Jorge, estava no volante.

—Finalmente você chegou- Andrea disse, sem saber que seu fim estava próximo, Jorge sorriu e respondeu.

—Entre, vamos pegar os outros alunos e acabar logo com isso- Ele sabia de tudo, ao contrário de Andrea e Kelly que inocentemente entraram no carro.

O carro começou andar, mas parou bruscamente, não demorou muito para que um grito de dor ecoasse pelo carro e um disparo fosse ouvido.

As batidas na janela começaram, seguidas por gritos de socorro, que jamais seriam ouvidos. Um último grito foi dito e logo a porta do carro foi aberta, e os dois corpos foram jogados na estrada, junto com a arma e com a faca usadas a pouco. Jorge fechou a porta, ligou o carro e o rádio e seguiu para a floresta.

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*Ictiose Arlequim- é uma doença genética grave. Os bebês com esta doença possuem a pele grossa que tende a repuxar e esticar a pele, causando deformações no rosto. A pele desenvolve uma aparência escamosa e de armadura, com frequentes feridas devido ao excesso de sensibilidade.