Tudo que vem tem que ir
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Bom espero que gostem da história, ela e curtinha, tem 2 capítulos (era pra ser um, mas dividi para não ficar cansativa), tenham uma boa leitura!
Eram 15h40 quando Freddie chegou em casa depois da aula, como não teria aula de espanhol ou treino, ele saiu da escola direto pra casa, onde encontrou Danny sentado no sofá da sala encarando o chão
— Ei Danno – Disse largando a mochila no chão e apertando a mão do tio – Vocês voltaram mais cedo do trabalho hoje? Cadê meu pai? – O menino disse enquanto caminhava até a cozinha pegar um copo de água
— Não, na verdade... Na verdade você tem que saber de algo – Danny se levantou
— O que? – Freddie deu meia volta e olhou pra Danny – Onde o meu pai está? Ele está bem?
— Ok, vamos lá – Danny se sentou no sofá novamente e indicou para que Freddie se sentasse ali também
— Está me assustando, Danno. Cadê o papai? Onde ele está? Ele está ferido? Ele está no hospital? – O garoto disse se sentando
— Seu pai está bem, ele não está ferido.
— Então o que está acontecendo? O Charlie, ele tá bem?
— Charlie também está bem, não se preocupe
— Então o que é? E meu pai?
— Seu pai... Seu pai está resolvendo algumas coisas, coisas com a CIA, porque algo aconteceu, algo muito grave e... – Danny respirou fundo e fechou os olhos por um segundo
— O que? O que aconteceu? Tem algum bandido solto? Tem algo a ver com a minha mãe e aquela história toda? Papai disse que eles não iriam mais machucar ninguém e...
— Não existe uma maneira fácil de fazer isso – Danny disse interrompendo o menino e o olhando – Olha, garoto... A sua avó, a Dóris ela estava doente, ela não quis dizer a ninguém, ela não queria preocupar, sabe? Hoje ela havia combinado de encontrar seu pai para ir ao médico, mas ela não apareceu, ela estava atrasada, Steve ficou preocupado e ligou pra ela, quando sua avó não atendeu, então ele ficou mais preocupado ainda. Ele foi até a casa dela e... E quando ele chegou lá, ela estava inconsciente. Seu pai ligou pra ambulância, mas era tarde e eles não podiam fazer nada... Eu sinto muito, amigo – Danny disse com uma das mãos nos ombros do menino
— O que? A minha avó morreu? Ela... Ela morreu? – E os olhos do menino se encheram de água
— Eu sinto muito, amigo, eu sinto muito – Danny disse o trazendo para um abraço forte
— Mentira! Você está mentido! – Freddie disse se soltando do abraço e se levantando – Se tivesse algo errado, o meu pai iria me contar! – O garoto disse tirando o celular do bolso, ele ligou e Steve não atendeu
— Freddie, vem aqui amigo – Danny disse se levantando
— Não, porque você está dizendo isso? Eu fiz minha inscrição hoje pro show de talentos, vou fazer mágica e minha avó vai estar lá e... – O menino disse com lágrimas escorrendo pelas bochechas e Danny se aproximou
— Você vai fazer mágica? Ela te ensinou?
— Eu aprendi vendo ela fazer, e eu quero que ela veja que eu também sei! Por isso que é mentira, ela está viva e bem, não é, Danno? É apenas uma pegadinha, correto? E... E o papai tá trazendo ela, é alguma daquelas coisas de surpreender né?
— Freddie... – Danny disse o olhando e o McGarrett mais novo se afastou mais
— Eu... Eu não acredito! – O menino disse e correu pelas escadas até o seu quarto e Danny o seguiu
— Ei, amigo – Danny disse após bater na porta e entrar, em seguida, sentou-se na beirada da cama – Sei que nesse momento, não tem o que dizer para que fique melhor, sei que é algo difícil e ninguém deveria passar por isso, mas essa é a nossa vida, uma dia nascemos e quando menos esperamos, morremos
— Mas ela já sabia, né? Você disse que ela sabia que estava doente...
— Ela sabia, e bom, foi por isso que ela quis estar com você, passar o maior tempo possível com você, por que ela sabia que havia perdido muito tempo e queria recompensar isso
— Você disse que o meu pai tinha combinado de ir no médico com ela, ele já sabia? – Freddie perguntou e Danny não respondeu – Eu não acredito que ele não me falou! Ele sabia! – Ele se sentou na cama
— Freddie, o seu pai...
— Não, não defende ele! Ele mentiu! Ele escondeu uma coisa importante! Eu tinha o direito de saber isso! Eu tinha! – Freddie disse alto e interrompendo Danny
— Freddie, o seu pai... Ele não queria que você se preocupasse com isso, nem ele e nem sua avó, ela pediu isso a ele e ele achou melhor fazer desse jeito
— Nós temos regras, tio! E uma das regras é nada de mentiras, e ele quebrou isso! Eu o odeio! – Freddie gritou entre o choro – Não defenda ele! O meu pai está errado! – Freddie disse quando Danny iria abrir a boca para falar algo
— Escuta, seu pai entendeu que o melhor era não contar, ele pode ter errado, mas seu pai é humano, ele não vai acertar todas, só que você tem que entender que qualquer decisão que ele toma, qualquer mesmo, se é a decisão de apontar ou não um lápis, é pensando no melhor para você
— O melhor pra mim é fingir que está tudo bem? Eu não acho, Danno! – Freddie deitou na cama novamente – Eu quero ficar sozinho – Ele se virou e ficou de costas para Danny
— Escuta, eu vou estar lá embaixo, tudo bem? O que precisar, me chama, qualquer coisa, ok?
— E ele? Ele volta que horas? – Freddie disse baixo e ainda de costas para Danny
— Eu não sei, ele está em uma reunião com algumas pessoas para falar sobre Dóris, essas coisas demoram, então eu realmente não faço ideia
— Tudo bem, obrigado Danno
— Não tem o que agradecer – Danny sorriu fraco e saiu do quarto.
Algumas horas depois, Steve ainda não havia voltado e Danny levou um copo com leite e um prato de biscoito que ele havia acabado de fazer para o menino, que havia dormido nesse meio tempo. Então ele deixou o lanche na mesinha de cabeceira para que o menino comesse quando acordasse.
Freddie acordou por volta das 19h, viu os biscoitos e leite na mesa de cabeceira mas sequer teve vontade de comer, ele desceu as escadas para encontrar Danny lendo algo no celular
— Ei, tio
— Oi amigão, como você está? Comeu os biscoitos? Você deve estar com fome
— Eu não sei – Ele deu os ombros e se sentou no sofá – Meu pai ainda não chegou, né?
— Não, ele me ligou e está perto de vir – Danny fez uma pausa – Então, você comeu? Deixei leite e biscoitos para você
— Não estou com fome, Danno
— Você precisa comer um pouco, amigo
— Eu não quero... Não agora... Eu sei que você teve uma boa intenção, me desculpa fazer você perder tempo, mas eu realmente não quero comer
— Tá tudo bem, e eu não perdi tempo, bom, uma hora você sentirá fome e você os come, ok? – Danny disse e Freddie se levantou
— Vou tomar um banho e voltar pro meu quarto – Então ele saiu. Eram quase 20h quando Steve chegou em casa, e ela estava silenciosa, Danny estava lendo algum jornal que provavelmente era da semana passada e não tinha sinal do filho naquela parte da casa
— Cadê ele? Como ele está? – Steve disse largando as chaves do carro na mesinha de centro
— Lá em cima, mas... Vai com calma, ok? Ele está com raiva porque você não contou a ele – Steve suspirou
— Espera aqui, Danno? Vou conversar com ele e depois quero falar com você, se não se importa
— Não saio daqui – Steve sussurrou um obrigado e subiu as escadas, ele bateu na porta e entrou
— Oi... – Ele não obteve resposta – Filho, o papai precisa conversar com você
— Eu não quero falar – A voz de Freddie saiu abafada e ele não se moveu – Não com você
— O Danno me contou que você está bravo. Olha, me desculpa, ok? Só que você estava tão feliz e eu não queria tirar isso de você, te contar o que estava acontecendo, talvez tiraria isso e eu não queria isso, por isso te deixei no escuro
— Você não precisava mentir, você mentiu pra mim, disse que estava tudo bem, no dia que a vovó foi pro hospital, você disse que estava tudo bem, mas não estava... Você mentiu! – Freddie disse se sentando na cama e falando em um tom acima com Steve e novas lágrimas escorrendo pelo seu rosto
— Eu não queria te magoar, meu amor... Eu só...
— Você diz que não podemos mentir, você mentiu, você escondeu de mim que a vovó estava doente – Freddie interrompeu – Se você não gostava dela, se você odiava ela, isso era problema seu, só seu, eu amava ela, ela era legal e... E ela me contava tanta coisa...
— Eu... Eu sinto muito... E-eu sinto muito por isso... Me desculpa? – Steve disse com uma voz um pouco embargada e Freddie ficou em silêncio – Se você precisar de mim, estou lá embaixo, tá? – O silêncio continuou e Steve se levantou, passou a mão nos cabelos do menino. Antes de descer as escadas, Steve respirou fundo e limpou uma lágrima que a qualquer momento poderia escorrer e gerar novas lágrimas. Ele desceu as escadas e se aproximou de Danny
— Então?
— Ele não quer falar comigo – Steve se sentou no sofá e levou a mão no rosto
— Ele vai falar, ele só precisa absorver isso tudo, quero dizer, nos últimos meses aconteceram muitas coisas, é muito para uma criança processar, mas fica tranquilo, ele vai conversar com você, é questão de tempo, ok?
— Ele acha que eu não a amava. Ele pensa que eu a odiava, Danny... E isso... Isso não é verdade... Ela e eu tínhamos nossas brigas e conversas, mas... – Steve colocou as palmas das mãos nos olhos, apoiando os cotovelos nas coxas, Steve abaixou a cabeça e tentou abafar um soluço
— Mas ela era sua mãe – Danny completou e em seguida colocou uma das mãos nas costas de Steve e começou a desenhar círculos imaginários com elas
— Sabe, não teremos sequer um funeral... Só recebi uma carta idiota! Eles simplesmente não podem deixar que tenha um funeral, Danny! Ninguém poderá dar o adeus! Tudo isso porque... Porque ela fingiu a própria morte anos atrás! – Steve olhou pra Danny com o rosto molhado pelas lágrimas
— Eu sinto muito, Steve, de verdade – Danny disse o olhando – E Mary? Conseguiu falar com ela? Será que ela quer que eu a busque com Joan para passar a noite com vocês?
— Não falei com ela
— Ela não sabe?
— Sabe, eu... Eu só não quis falar com ela, não fui eu que falei
— Porque? Vocês e as crianças são tudo o que restou Steve, ela é sua irmã. Ela precisa do irmão mais velho
— Não, ela não precisa do irmão mais velho que destrói tudo o que toca, Danny.
— Destrói tudo o que toca? O que?
— Danny, eu... Porque isso acontece? Porque de novo? Todo mundo na minha vida está indo embora. Sou eu! Tem algo errado comigo! Tem que ter! Porque tudo que eu toco se destrói! O Freddie Hart, o meu pai, a Jenna, a tia Deb, o Toast, o Joe... Até mesmo a Catherine! E agora a minha mãe... Todos ao meu redor se machucam!
— Nenhuma dessas mortes são culpa sua, Steve. Você sabe disso! E não vem com essa, não existe isso, você não destrói tudo que toca
— Você passou os últimos 20 anos dizendo que eu iria te matar, que eu atraio o perigo
— Não, não vai aí. Não é assim, Steve! Eu sempre disse isso brincando, nunca falei sério. Você sempre teve minhas costas, nunca deixou de me proteger! Isso era provocação, não era nada sério! Você sempre disse que eu era dramático? Pois é, eu sou dramático, ok?
— Mas talvez você esteja certo. Se não, todos estariam vivos!
— Não, não, eu não estou certo! Você... Meu Deus, Steve, você sempre prefere fazer algo insano ao invés de outra pessoa, você é o que protege todos aqui, não ao contrário... Por favor, não faz isso com você! E as pessoas morrem, eu sei que é doloroso, eu odeio dizer isso, mas é verdade – Steve seguiu olhando para algum ponto na sala que não era Danny
— Eu não sei Danny, são tantas pessoas... Isso não é normal... Todo mundo com quem eu me importo morre
— Steve, me escuta. Olha nossa linha de trabalho, a linha de trabalho de todas essas pessoas, elas são perigosas, elas sabiam onde estavam se metendo, e outra, as pessoas ficam doentes, e isso definitivamente não é sua culpa, você não pode se culpar pelo que aconteceu com a tia Deb e sua mãe. Você tem que parar com essa mania, cara, isso não te faz bem
— E eu decepcionei o Freddie, ele está chateado, eu machuquei ele... E eu não sei o que tá doendo mais, meu filho com raiva de mim ou a minha mãe ter morrido
— Você fez o que achou correto, você não vai acertar todas Steve, e Freddie está chateado agora, mas ele vai falar com você. Você lembra, né? Quando Matt morreu, Bridget ficou sem falar comigo por algumas semanas porque ela achava que eu deveria ter prendido ele lá atrás, tecnicamente ela estava certa, Matt estaria vivo e não morto, então ela tinha toda razão do mundo de estar brava comigo. Mas ela voltou a falar, porque somos família e a família sempre está unida. Freddie só precisa de um tempo, ok? Ele te ama demais para não falar nunca mais com você
— Ok – Steve disse baixinho, quase em um sussurro
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos até que o celular de Danny tocou. Era o governador e havia um caso de alta prioridade. Fechando os olhos e apertando a ponte do nariz, Danny disse que estaria no local com a equipe em 30 minutos
— Eu sinto muito, eu queria passar a noite mas... Mas eu preciso ir, e quando resolvermos isso, venho pra cá, ok?
— Eu...
— Não, você fica. Não fuja do luto, Steve – Danny disse se levantando – Vou dizer tchau ao Freddie – Danny disse e subiu as escadas – Ei amigão – Danny disse se sentando ao lado do menino
— Não quero falar com meu pai, nem tente me convencer
— Mas deveria. Escuta, Freddie... Ela era sua avó, mas era também a mãe do seu pai... Olha, seu pai precisa de você. A gente sabe que a Dóris não era a melhor pessoa, mas ainda assim ela era a mãe dele. Você, Mary e Joan foi tudo o que restou, vocês precisam estar juntos nesse momento, garoto... Hum... Ele amava ela, sabe? Seu pai pode ser difícil para sentimentos que não sejam sobre você, e apesar de qualquer divergência, ele amava sua avó
— Ele está triste?
— Era a mãe dele, né? – Danny fez uma pausa – Eu sei que está chateado, sei que está bravo e que está sentindo a falta dela porque vocês estavam passando bastante tempo juntos. Mas você poderia ser um pouco mais gentil com seu pai?
— Ele mentiu pra mim...
— Eu sei, mas... Mas você deveria pensar nisso. Vocês precisam estar juntos, passar pelo luto sozinho não é a melhor opção. Promete que vai pensar?
— Prometo – O garoto disse olhando pra Danny
— Eu tenho que ir, mas no mais breve possível eu volto
— Ok... Tchau, Danno
— Tchau, campeão – Danny disse passando a mão na cabeça do garoto e bagunçando os cabelos dele
Depois que Danny foi embora, Steve tomou um banho e tentou dormir, porém tudo o que ele conseguia era ficar se revirando na cama. Já era meia noite quando Steve desistiu de dormir, ele desceu as escadas e se sentou na poltrona. Ele estava com os olhos fechados quando ouviu a tábua do primeiro degrau da escada rangendo e em seguida a voz do filho
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