Tudo por vocês
1 Prólogo
Notas iniciais

Sob meus olhos havia destruição. Não restava mais nada a não ser escombros, corpos soterrados nos mesmos, ou caídos um ao lado do outro, e como a maioria já estava se decompondo, o cheiro ali era horrível.
O pouco de chakra que me restava, eu usava para curar aqueles que tinham ferimentos letais, caso contrário fazia apenas alguns curativos. Desde que os Kages, junto com Naruto e Sasuke, iniciaram uma luta mortal contra Madara, o nosso objetivo, dos ninjas médicos, passou de usar nosso chakra medicinal na cura de todo e qualquer ferimento, para salvar o maior número de vidas possíveis.
Porém a cada metro que eu avançava no campo de batalha, o serviço se tornava cada vez mais árduo, pois não se encontrava mais sobreviventes em meio de toda aquela devastação.
— Isso está pior do que eu pensava! — Ouvi Ino dizer. Ela estava tão desolada, que deveria estar emprestando forças dos céus para se manter em pé.
Olhei-a por alguns instantes, pude notar o liquido cristalino escorrer pelo canto dos seus olhos. Suspirei pesadamente, aquilo tudo era comovente demais, deixava o meu emocional devastado.
— Vocês deviam se conter, ainda estamos em guerra.
Virei-me para trás e me deparei com Shikamaru. Diferente de mim e Ino, ele conseguia controlar o seu emocional, e devo dizer que fazia isso muito bem, devido as circunstâncias. Porém, o Nara estava tão acabado quanto nós, pois a ausência de chakra e o acumulo de cansaço não ajudavam muito a essa altura.
— Será que teremos paz depois disso? — Indagou a loira, enquanto fitava o sol surgir entre as colinas distantes.
Sim, dias já haviam se passado. Entre auroras e crepúsculos os shinobis lutavam em busca da tão sonhada paz, que nesse momento parecia estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante.
— Creio que a paz não seja da natureza humana, — disse o moreno direcionando seus olhos escuros para a claridade que raiava, trazendo consigo mais um amanhecer. — Enquanto houver amor, haverá ódio, e enquanto houver ódio, haverá guerra, essa é a lei da vida.
Ino e eu suspiramos, por mais duras que fossem aquelas palavras, era a pura verdade.
— Pelo menos ainda teremos uns aos outros, — disse na tentativa de animá-los —, enquanto tivermos alguém para nos apoiar, superaremos até mesmo os maiores obstáculos.
— Acho que você não é apenas discípula da Tsunade-sama, testuda. — A Yamanaka esboçou um sorriso fraco.
Olhei-a com as sobrancelhas franzidas
— Acho que o Naruto inspirou todos por aqui, aquele cara é tão problemático. — Shikamaru suspirou pesadamente.
Olhamo-nos por alguns minutos, e logo decidimos voltar a caminhar.
Andamos até sentir o sol arder em nossas costas. Não tardou muito para confirmarmos que não havia nenhum sobrevivente no perímetro, então voltamos para o local, onde todos os ninjas estavam concentrados.
Assim como nós todos estavam exaustos e com o psicológico fragilizado. Muitos não notaram a nossa volta, caso fossemos inimigos, a maioria não sobreviveria.
— Encontraram alguém? — Indagou Lee.
Apenas neguei com a cabeça, o que o deixou cabisbaixo.
— Como está a luta com o Madara? — Shikamaru perguntou.
— Eles estão mais na defensiva, que no ataque. — Hinata estava sentada no topo de uma grande pedra, seu byakugan estava ativado, possibilitando-a ver a luta e seus detalhes.
Depois que a batalha final começara, o Yondaime Hokage pedira para que todos se afastassem, e deixassem aquilo por conta deles, afinal muitas vidas já tinham se perdido, e perderíamos mais, se ninjas comuns ousassem desafiar o Uchiha.
— Precisamos encontrar um jutsu de selamento, um que seja capaz de aprisionar até mesmo o patife do Madara. — O Nara sentou-se na posição lótus e pôs-se a pensar.
Encostei-me na pedra, qual Hinata estava sentada, e pude ouvi-la murmurar.
— Espero que o Naruto-kun fique bem.
Meus olhos lacrimejaram, não podia suportar a ideia de perder Naruto, ou Sasuke nós três nos completávamos, eramos uma célula tripla.
Suspirei frustrada, enquanto me repreendia mentalmente por perder as esperanças tão facilmente. Eu havia prometido a mim mesma que acreditaria neles, portanto deveria o fazer.
— Não se preocupe, — murmurei fazendo-a olhar para mim —, eu tenho certeza de que ele e o Sasuke-kun ficarão bem, afinal eles são dois cabeças ocas e não desistem com facilidade, lutarão até vencer.
Um sorriso brincou em meus lábios enquanto algumas lágrimas escorriam por minha bochecha. A Hyuuga fitou-me por alguns instantes, logo sorriu também.
O dia se passara lentamente, não podíamos fazer nada, a não ser assistir a luta que acontecia distante de nós. Hinata contava os detalhes que não conseguíamos ver, mas muitas vezes pedi mentalmente que ela se calasse, ela doloroso demais saber que os nossos estavam apanhando, enquanto estávamos ali sentados, de braços cruzados.
—Shikamaru encontramos alguns pergaminhos! — Avistei Sai. Ele vinha montado em um dos seus desenhos de tigre, e trazia em seus braços três pergaminhos diferentes.
Assim que ele nos alcançou, desceu do animal e colocou todas as informações perante o Nara, que começou a analisá-las naquele exato momento. Abriu o primeiro rolo e o leu, em seguida o segundo e por último o terceiro. Logo que terminou, sorriu.
— Acho que encontrei algo apropriado para a situação. — Ao ouvirem-no todos se alvoroçaram, pois acreditavam que agora aquele pesadelo teria fim. — Ino coloque-me em contando com Naruto e Sasuke, vou passar a eles os selos que deverão ser feitos. Enquanto isso, Sakura se prepare, pois assim que eu cortar a minha conexão com eles, será a sua vez.
Olhei-o com uma sobrancelha arqueada. — Minha vez?
— Sim! Você tem um controle de chakra perfeito, e isso é fundamental para a realização desse jutsu. — Ele suspirou. — Isso vai ser um tanto complicado, — jogou um pergaminho para mim. — Assim que Ino estabelecer uma ligação com você, faça esses símbolos.
— Para que servem? — Perguntei.
— É um jutsu que vai permitir que você tome posse de parte do corpo deles através do jutsu da Ino. A parte que você irá se apoderar é a do controle do chakra. Enquanto Naruto e Sasuke estiverem fazendo os selos, você será a responsável por liberar a quantia de chakra apropriada, um erro e tudo irá pelos ares.
Engoli seco, era complexo demais até mesmo para mim, imagine para Naruto.
— Quando quiser Ino! — Ouvi Shikamaru gritar, em seguida Ino encostou sua mão direita no ombro dele e estabeleceram a conexão.
Desviei meu olhar para o pergaminho a minha frente, ali tinha uma sequência de quinze selos, todos do meu conhecimento, o que facilitava. Olhei as notas no rodapé: Extremamente necessário o uso de chakra medicinal para uma execução precisa.
— Pronta? — Ouvi Ino perguntar, assenti um tanto receosa.
Ao sentir sua mão sobre meu ombro, focalizei meu chakra e repeti os quinze selos na ordem estabelecida.
Minha visão ficou turva…
Meu coração acelerou…
Senti algo me puxar…
Logo eu não estava mais em mim.
— Achei que tinha desistido Sakura-chan! — A voz de Naruto ecoou, o que me fez perceber que eu já estava em seu corpo.
Era uma sensação estranha, estar no corpo de alguém.
— Sei como você se sente. — Sasuke bufou.
— Podemos ouvir seus pensamentos, Sakura-chan! — O loiro zombou.
Revirei os olhos, além de estar em dois lugares estranhos ao mesmo tempo, ainda tinha a minha privacidade violada. Teria uma séria conversa com aquele ninja preguiçoso após o término disso.
Vasculhei as duas mentes ao mesmo tempo, não demorou muito para que eu localizasse a região do cérebro responsável pelo controle do chakra. Logo assumi o controle desse lugar em ambos os corpos, em seguida os dois ninjas começaram a fazer os selos que Shikamaru lhes mostrara mais cedo.
Fazer isso, seria uma tarefa extremamente complicada, pois os meus companheiros de times tinham uma quantidade assustadora de chakra, principalmente Naruto, mas com muita dedicação consegui domar o fluxo e liberar o necessário.
— Katon, Shīru jikan! — Sasuke gritou.
— Fuuton, Shīru jikan! — A voz de Naruto ecoara no mesmo instante.
Ouvi alguns estrondos, seguidos gritos. Meu coração gelou, será que tinhamos conseguido?
— Droga Naruto, o que você fez de errado?
— Eu não fiz nada Sasuke! — Berrou o loiro. — Deve ter sido… Merda, eu não sinto mais minhas pernas.
— O que está havendo? — Gritei desesperada.
— Sai daqui Sakura, volte pro seu corpo. — A voz de Sasuke ecoara num tom doloroso.
— Não posso sair sem saber o que está acontecendo com vocês! — A essa altura eu já tinha perdido o controle de tudo.
— Shikamaru não nos disse nada sobre isso… — Murmurou o Uzumaki.
— Talvez nem ele soubesse que o preço disso seria a morte.
Entrei em pânico total, Naruto e Sasuke estavam morrendo e eu não poderia fazer nada, nada!
Logo a imagem dos dois apareceram na minha frente, ambos estavam com as mãos esticadas para mim e sorriam, era como se me chamassem para ir até eles, mas eu não conseguia me mover, não conseguia gritar, eu estava de mãos atadas.
Fitei aquela imagem, que estava cada vez mais distante, enquanto isso lágrimas e mais lágrimas molhavam toda a minha face, a dor invadia meu coração fazendo-o sentir a mais amarga solidão.
Segundos depois senti minhas costas bater contra algo sólido, a dor era tanta que me deixou sem ar, logo constatei que estava em meu próprio corpo.
— Sakura, o que aconteceu?
Eu conhecia aquela voz, mas não sabia dizer de quem era. Minha visão estava embaçada demais para distinguir os rostos que me fitavam, então disse a primeira coisa que me veio a mente antes de eu apagar por completo.
— Morreram… Eles morreram.
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