Tudo por vocês

2 Capítulo 1 — Perdendo uma vida


Notas iniciais
Olá minna, como estão? Bem como eu disse no disclaimer a fic é movida a comentários, recomendações e favoritos, e para um início eu fiquei feliz, obrigada, irei responder todos ainda hoje. Esqueci de falar no capítulo anterior, mas o jutsu usado para o selamento é de minha autoria, irei explicar o funcionamento dele nos próximos capítulos. Já os usados nesse capítulo são todos ninjutsus médicos extraídos da história original. Pretendo colocar no início de cada capítulo algumas pistas para vocês começarem a montar o quebra cabeças. Enfim espero que gostem, boa leitura.



Fazia tempo que eu não os via irmãos. — Um homem trajando uma capa preta adentrou no local. Ele era alto, franzino e demasiadamente lúrido. Possuía longos cabelos loiros platinados, olhos azuis água, um nariz pontudo e o queixo era fino, até seria bonito se não fosse tão carrancudo.

Soube do ocorrido? — Indagou um outro, cujo seu rosto não era visível, por causa da má iluminação do ambiente. Porém podia-se ver, e muito bem, que ele estava sentado sobre uma ampulheta que continha areia cintilante.

Sim. — Respondeu o loiro. — Acha que eles serão capazes de encontrar o cajado?

O terceiro homem presente na sala enrijeceu-se. Seus músculos ficaram evidentes por todo o corpo, principalmente no rosto. Franziu a sobrancelha enquanto seus olhos rubros esbanjavam preocupação.

Acredito que não sejam tão eficientes a ponto de encontrá-lo. — Afirmou-o sem convicção.

Por que não? Aqueles dois jovens foram os nomes da guerra, e Madara… — Fez uma breve pausa. — Você conhece Madara tão bem quanto Hashirama, se ele souber da existência do báculo do tempo, com certeza não medirá esforços para encontrá-lo.

Os olhos rubros se encontraram com os azulados, e em seguida ambos se direcionaram para o homem das sombras.

Vamos dar a eles um tempo de seis meses, se nesse período Madara fizer movimentos suspeitos, nós agiremos. Essa reunião termina aqui. — Logo se retirou, deixando ali seus dois irmãos pensativos.

***

Fitei meu reflexo por alguns segundos, estava horrível. O verde-esmeralda dos meus olhos estava opaco, minha pele tão lívida deixava-me com aparência doentia, não que eu estivesse saudável. Os meus cabelos rosados, antes sedosos e bem cuidados, encontravam-se esquálidos.

Suspirei pesadamente. Seis meses haviam se passado desde o ocorrido, e eu ainda não conseguira me reerguer. Lutava todos os dias contra a dor que insistia em domar meu peito, mas ela era demasiadamente forte, e sempre me derrotava.

Lancei meu olhar em direção ao criado-mudo ao lado da minha cama, nele estavam três cópias da foto do antigo time sete.

Quando Sasuke saiu da vila, tomei a liberdade de entrar no distrito Uchiha e pegar a gravura que ele deixara, guardei-a na esperança de que um dia pudesse entregá-la a ele novamente. Mas depois do termino da guerra, isso se tornou algo impossível, pois ele nunca mais voltaria.

A ficha demorou a cair. Quando fui até a casa de Naruto, percebi que ela estava lá do mesmo jeito que ele deixara, toda revirada. Com lágrimas nos olhos coloquei tudo em seu devido lugar, a limpei deixando-a impecável e reabasteci os armários e a geladeira. Continuei indo até lá todos os dias durante um mês inteiro, até que uma vez me deparei com Kakashi e Shikamaru lá, ambos lançaram-me olhares penosos.

Ele não vai voltar Sakura. Naruto, ele.. Está morto.

As palavras do sensei foram extremamente duras, mas surtiram o efeito desejado, me fizeram despencar na realidade que eu recusava aceitar. Então peguei a foto que o loiro portava, e a coloquei com as outras.

Sequei as lágrimas que inconscientemente verteram dos meus olhos, em seguida peguei o meu jaleco um tanto amarelado, e rumei para o hospital. Nos últimos tempos minha vida tinha se resumido ao hospital e ao memorial de guerra, sem direito a descanso, alimentação, ou qualquer coisa do gênero. Eu estava me assemelhando a uma morta viva.

Assim que cheguei no hospital tratei ir visitar todos os meus pacientes internados. Não havia nenhum caso muito grave, o que facilitava o meu serviço. Depois de feito, encaminhei-me para o meu consultório e lá fiquei terminar a jornada.

Quando deu meu horário, organizei as minhas coisas e saí. Andava pelos corredores tão distraidamente, que quando dei por mim estava no chão, havia esbarrado em alguém.

— Desculpe-me eu estava com pressa e não a vi, estamos com uma emergência na sala de cirurgia, me mandaram encontrar alguma das médicas experientes daqui. Desculpe-me novamente. — Ergui meu olhar e avistei uma garota que nunca vira antes por ali.

— Uma emergência? — Indaguei ao me levantar.

— Oh céus, Sakura-san… — Curvou-se.

— Por favor, diga-me do que se trata a emergência. — Pedi.

— Um ninja que vinha da aldeia da areia foi atacado no meio do caminho. Ao que tudo indica ele foi envenenado com três tipos de venenos diferentes, e o que torna o quadro mais complicado, é que não podemos usar os antídotos que temos.

— Não podemos? — Arqueei a sobrancelha.

— Sim, pois cada um deles possui uma fórmula que reage contra determinado veneno, mas aciona um dos outros, tornando-o fatal. Ou seja…

— Se usarmos um antídoto contra um, o outro reagirá e matará o paciente, compreendo. Por favor, leve-me até a sala de cirurgias, irei assumir o caso.

Ela assentiu e rumamos para o local determinado. Ao entrar na sala enxerguei sobre a mesa de operação um homem, que se debatia bastante. Imediatamente corri em sua direção. Notei que o mesmo suava muito, seus lábios estavam arrochados, a respiração estava lenta, assim como a sua pulsação.

Rapidamente examinei-o, conclui que os venenos estavam afetando áreas diferentes. O primeiro localizava-se na corrente sanguínea, ele havia se instalado nas hemácias e fazia com que os leucócitos saíssem em defesa do corpo, resultando assim num ataque ao próprio organismo.

O segundo estava atuando no sistema muscular, destruindo as células que o compunham. Era parecido com o veneno que Sasori usara em Kankurou, porém os metais em sua composição eram mais pesados.

O último concentrou-se na região do coração, criando barreira em volta do mesmo, que ia se fechando e diminuindo o fluxo de sangue que fluía pelas artérias.

— Preciso de quatro ninjas médicos, quadro dele é mais grave do que pensávamos. — Ordenei. — Usaremos o Chikatsu Saisei no jutsu.

— Mas Sakura-san…

— Nada de mas, se quisermos salvá-lo temos que arriscar. Ele devia trazer algo muito valioso, caso contrário não o atacariam.

Ninguém mais ousou contestar, apenas seguiram as minhas ordens. A garota, a qual eu nunca tinha visto antes se chama Yukino, era uma das mais novas aprendizes de Shizune, porém ainda não podia ser considerada uma Iryõ-nin. Apesar disso era eficiente no que fazia, pois em cinco minutos ela arranjou quatro ninjas médicos e uma sala na unidade de terapia intensiva.

Deslocamos o corpo do ninja para o local adequado. No chão havia o desenho de um retângulo, dentro deste uma estrela de quatro pontas e no meio dela um circulo. Dentro da figura se tinha várias escritas e outros símbolos, que formavam outros desenhos.

Deitamos o corpo do ninja no meio do círculo principal, em seguida os outros quatro ninjas médicos sentaram-se nas quinas do retângulo enquanto eu desenhava alguns símbolos na pele do rapaz. Assim que terminei me sentei na ponta da estrela, virada de frente para os pés do paciente.

— Vamos começar com tudo! Irei adaptar o Saikan Chūshutsu no jutsu, ao Chikatsu Saisei, assim poderemos remover o veneno e realizar o processo de regeneração das células e tecidos destruídos. — Lancei olhares para cada um da equipe, e todos assentiram. — Usaremos o cabelo dele como mediador, não podemos reconstituir nenhuma célula a mais ou a menos, portanto fiquem atentos ao seu controle de chakra.

Todos assentiram e a operação se iniciou. No início tudo estava correndo perfeitamente bem, eu estava conseguindo remover os três venenos simultaneamente e as células aos poucos estavam sendo reconstituídas.

Eu tinha consciência de que uma operação daquelas demorava, mas não sabia que era tanto. Já tinha me perdido no tempo, há quantas horas estaríamos ali? Não devia ser poucas, pois já haviam mandado outra equipe médica para substituição.

Todos os quatro trocaram de lugar com os que vieram, enquanto isso eu me mantinha ali firme e forte, pois era a cabeça da operação. Tudo estava ocorrendo bem quando senti algo estranho, não conseguia mais controlar o meu próprio chakra.

— O que está acontecendo Sakura-san?

Ouvi alguém indagar, procurei-o com os olhos, mas não o encontrei, pois vinha vista havia escurecido. Logo todos os meus sentidos me abandonaram e eu apaguei.



(…)



Meus olhos abriram-se lentamente por causa da luminosidade densa do local, assim que me acostumei com a mesma tentei identificar onde estava, era um quarto do hospital.

Suspirei pesadamente, minha intuição dizia que algo tinha dado errado, e que a responsabilidade era toda minha.

Levantei-me, procurei pelas minhas roupas e as vesti. Rumei em direção a porta, mas a mesma se abriu antes que eu a alcançasse. Por ela passou uma Tsunade com cara de poucos amigos.

— Vejo que está melhor. — Começou-a.

— Sim.

— O que pensou que estava fazendo? — Perguntou-a irritada.

— Salvando uma vida. — Respondi friamente.

— Sakura, você sabe que está proibida de fazer cirurgias, por causa do seu estado de saúde atual. — Gritou-a. — Você está fraca demais, e sabe disso. Sabia também que não aguentaria fazer aquela cirurgia até o fim, então por que teimou?

— Porque não tinham encontrado ninguém que pudesse fazê-la. Eu não podia ver alguém morrer e ficar de braços cruzados. — Respondi, mas tinha certeza de que isso não seria o suficiente para acalmá-la.

— Você descruzou os braços e não resolveu muita coisa, o paciente morreu por causa da sua imprudência. — Arregalei os olhos, mas não sabia o porquê, pois tinha quase certeza de que havia falhado. — Já que você é tão teimosa não me deixa outra escolha… — Suspirou. — Está demitida.

— O quê? — Dessa fez fora eu quem gritou. — Não pode fazer isso comigo, sou uma das melhores médicas desse hospital.

— Errado, você foi uma das melhores, agora só ira atrapalhar. — Suas palavras foram tão duras, que fizeram o buraco em meu coração sangras mais uma vez. — E nem tente adentrar aqui novamente, pois será barrada. Desculpe-me Sakura, mas é para o seu próprio bem.

Em seguida ela saiu, deixando-me ali sozinha e ferida.

Haviam arrancado de mim a única coisa que me restara, a única coisa que me mantinha viva. Talvez a solução para todos os meus problemas e principalmente para a minha dor fosse a morte.

Notas finais
O início será um pouco melodramático, pois a Sakura só começará a ter as "alucinações" quando começou a desejar morrer, ou seja, provavelmente no próximo capítulo. Os três personagens no início do capítulo são figuras mitológicas expostas de uma maneira diferente. Com relação ao Madara, falo nada sem spoiler. O báculo do tempo é algo mais poderoso que uma bijuu ou um Kekkei genkai. Comentários me inspiram e muito, quanto mais, mais rápido sai o capítulo. Espero que tenham gostado, kissus da Xoco-chan :*