Tudo em Um Sábado

7 Capítulo 7 - Necessidades de um ser humano


Notas iniciais
Vocês vão entender melhor o título do capítulo no final, então procurem ler até o final!

Winry, depois de um bom tempo, finalmente terminou o auto-mail de Edward. Ela só deu uma polidinha nele para terminar. Ao pensar nele, ela suspirou. “O que será que ele está fazendo agora?” ela pensou, enquanto esfregava e polia a peça mecânica. Bom, já que ela já tinha terminado o auto-mail dele, resolveu descer para contar a notícia para Ed e Al. Quando ela desceu as escadas, encontrou Edward deitado no sofá, dormindo com o livro sobre o peito e com a barriga de fora como costumava fazer, após ter tomado um banho. Ela sorriu, se aproximou dele e sentou ao seu lado, e começou a passar a mão por seus cabelos dourados, acariciando seu rosto. Ele abriu os olhos lentamente e a primeira coisa que viu foram os olhos azuis celestes dela, que pareciam mais duas piscinas, nas quais ele adorava se mergulhar em pensamentos e sonhos possíveis. Ele sorriu ao ver que aqueles maravilhosos olhos azuis foram a primeira visão dele ao acordar, e que estavam sorrindo pra ele. Ele passou a mão pelo rosto dela suave como veludo, e ela se encolheu um pouco, porque aquilo dava uns pequenos arrepios e uma sensação boa no seu pescoço, mas não queria que ele parasse. Ela riu baixinho e ele riu também.

— Boa noite, senhor Edward. — Disse Winry, com uma voz engraçada. Ele riu um pouco.

— Boa noite, senhorita Winry. — Ele disse, tentando reproduzir a mesma voz que ela usou. Ela riu.

— Trago boas notícias — Disse Winry sorrindo — Seu auto-mail finalmente está pronto! — Ele se sentou no sofá e ficou feliz com a notícia.

— Sério? Que bom! Que ótimo! Que... — Ele parou para pensar um momento. Seu auto-mail estar pronto significa que ele terá novamente que partir em busca da pedra filosofal, deixando a casa e Winry...

Ele ficou triste e calado por um tempo. Estava imaginando Winry, a pobre Winry, esperando, aguardando esperançosa a sua volta, que na verdade não era certa. Mas ela esperaria. Todo o tempo que fosse necessário para ficar com Al e o seu amado seria esperado por ela. Ela se fingia forte, mas em seu interior ainda era frágil e sensível e se sentia sozinha e triste, e todos os dias o seu pobre e fraco coração esperava por um sinal, qualquer coisa que mostrasse que eles estavam chegando, mas isso nunca acontecia. Todos os dias pela manhã ela, assim que acordava, ia olhar a janela com a esperança de encontrá-los, mas o resultado era sempre o mesmo: a estrada vazia. Edward se sentiu extremamente culpado por fazê-la sofrer tanto. Ela notou a preocupação na face dele.

— Ed? Tudo bem com você? — Winry perguntou preocupada. Ele aterrissou a sua mente novamente na casa e no lugar onde estava agora e voltou a atenção para Winry.

— N-não exatamente... — Edward gaguejou com receio. Winry olhou pra ele confusa. — É que se você terminou o auto-mail, significa que eu vou ter que partir novamente em busca da pedra filosofal e dos nossos corpos, e isso também quer dizer que vou precisar te deixar aqui esperando de novo... — Ele parou de falar e a olhou nos olhos. Aqueles profundos e perfeitos olhos azuis celestes dela agora foram preenchidos por dúvidas, e ele pedia a Deus, se ele existisse, para que esses mesmos olhos não se enchessem com lágrimas. Mas então ela sorriu e disse:

— Eu compreendo a sua preocupação. Eu sempre esperarei por vocês com a porta aberta, e não vou perder as esperanças, também pretendo ajudá-los de todas as formas possíveis no que for necessário para tornar a viajem mais cômoda. — Ed olhou para Winry. Apesar da voz decidida dela ainda podia-se notar o leve incômodo na voz dela ao pronunciar a frase sempre esperarei por vocês. Será que ela só esperaria?

Edward sabia que ela iria sofrer com isso. Inesperadamente, em resposta do que Winry havia dito, ele a abraçou forte. Queria senti-la em seus braços e acariciar os seus lindos cabelos dourados e macios só um pouco mais loiros do que os dele, sentir seu calor e sua respiração. Ela ficou paralisada com a atitude dele, e tudo o que pôde fazer foi corresponder ao abraço. Ela se sentiu segura nos braços dele e não queria sair daquele momento nunca, mas, como todos dizem, tudo o que é bom dura pouco. Ela o abraçou mais forte, e ele começou a acariciar as costas dela, e ela o ouviu sussurrar ao seu ouvido:

— Me desculpe.

Ela não disse nada. Não se mexeu e nem respondeu, mas se ouviu sussurrar ao ouvido dele:

— Eu te amo.

— Eu também. — Ele sussurrou, e então se afastou um pouco e beijou o rosto dela. Ela beijou o dele depois e então ela sentou ao lado dele no sofá. Ele passou o braço de carne por trás dela, abraçando-a, e ela se encostou em seu peito e deixou que ele a abraçasse. Ficaram assim por um tempo até que Al, que estava brincando com Den no jardim entrou em casa e os viu no sofá da sala. Eles olharam para Alphonse e coraram, se afastando um do outro.

— Desculpe Winry, e desculpe, nii-san. Eu não queria interromper nada. — Disse Al sem jeito.

— Q-q-que é isso, Al! V-você não interrompeu nada e... e... — Edward gaguejava, vermelho igual a um tomate. Winry também estava corada e o seu coração estava descompassado. Alphonse riu um pouco da expressão dos dois, e pensou “Se tem uma boa hora para perguntar aquilo para Winry, essa hora é agora.”

Alphonse se sentou ao lado dos dois, que já não estavam mais se abraçando, e começou:

— Winry, por favor não se irrite com o que vou perguntar — Ela olhou para Al, curiosa e um pouco preocupada com o que ele ia perguntar. Então ele continuou: — Nii-san me contou que te amava, e eu acho isso maravilhoso, mas eu preciso saber de uma coisa... você também o ama? Me desculpe se estou sendo intrometido ou alguma coisa do gênero. — Al ficou com um pouco de medo da resposta que receberia, afinal estava tocando em um assunto meio íntimo.

Winry ficou com um ligeiro desconforto e sentiu um arrepio subir pelo seu corpo. Ela olhou pra Edward. Ele ficou ligeiramente corado e disse:

— Você não esperava que eu escondesse isso do meu único irmão, não é? Não se preocupe, e seja sincera, tá? — Ele sorriu.

Winry, apesar de Alphonse ter tocado em um assunto muito pessoal, não se sentiu ofendida e muito menos teve vergonha de admitir:

— Sim, Al, eu o amo e não tenho mais vergonha de admitir isso — Winry olhou pra ele e sorriu. — E sim, você está sendo intrometido!

Ela e Edward riram e Alphonse também, porque ele entendeu que ela apenas estava brincando. Aí Winry olhou pra Edward.

— E você? Eu te amo, e você? — A voz de Winry soava um pouco desafiadora. Edward olhou pra ela e disse:

— Eu também. — Winry olhou pra ele indignada.

— Ah então é só isso? Eu também?! Cadê o romantismo, o drama, o exagero?? Eu esperava um pouco mais... — Disse em um tom meio exaltado. Ele olhou pra ela surpreso e disse às pressas:

— Tudo bem, tudo bem — Ele se ajoelhou na frente dela. — Eu te amo, minha linda! Te amo mais do que tudo! Você dá razão ao meu existir! O universo é pequeno comparado ao meu amor por você! Ó, Winry, minha doce Winry, onde tu fostes parar?

Ele fez uma pose dramática, enquanto estava ajoelhado, colocando as costas da mão na testa, como se estivesse suplicando. Winry riu.

— Estou aqui, meu doce Edward — Ela disse e ficou de pé, no sofá, como se fosse uma sacada. Pareciam estar encenando Romeu e Julieta.

— Ó, nunca nos deixarão ficar juntos por causa do seu nome Edward Elric. Nosso amor é impossível — Winry agora fazia a pose dramática com as costas da mão na testa e expressão arrasada.

— Então que meu nome não sejas Edward Elric. Uma rosa, chamada de qualquer outro nome, continuaria com o mesmo perfume de uma rosa — Ele pegou a mão dela e a beijou, ainda dramático. Ela fingiu estar encabulada, dando um risinho. — Tua beleza se assemelha à de uma rosa. Possui uma beleza e um perfume maravilhoso, mas entretanto tem os seus espinhos para me perfurar, que doem mais do que mil chaves-inglesas — Winry riu ao ouvir essa parte. — Só espero que não murches tão cedo...

Winry riu e deu um gritinho de indignação e pegou a almofada do sofá e começou a bater nele, enquanto ele ria. Alphonse que estava só assistindo ria a cada momento. Estava surpreso por ver o irmão desse jeito. Será que esse é o lado do meu irmão que eu não conhecia? Pensou Al,e falou, ainda rindo:

— Certo, “Romeu”, todo mundo já entendeu. Podem parar com o teatrinho. — Ed fez outra pose dramática, levantando-se rapidamente e olhando para o lado, e os três riram. Tinha sido engraçado brincar de teatrinho, principalmente com o senhor “drama” em pessoa.

Depois de Al já ter se contentado com a resposta que recebera (de ambas as partes), ele ficou feliz em saber que aqueles dois iriam ficar juntos. Quem sabe ele seria o próximo a arranjar uma namorada! Então Winry se lembrou.

— Ed, o seu auto-mail já está pronto, lembra? Vamos ter que fazer aquela ligação — Winry ficou meio preocupada. Aquela ligação causava muita dor à ele. Edward suspirou preocupado.

— Ah, aquela maldita ligação... dói só de lembrar — Winry olhou pra ele com uma mistura de pena e preocupação, e ele notou a expressão dela e continuou — Mas não se preocupe, eu aguento!

Ele sorriu para ela por um momento, e ela viu que ele apenas não queria preocupá-la, e sorriu de volta. Agora seria a hora.

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— Vovó! Está na hora — Disse Winry, e Pinako veio prontamente. — Temos que fazer isso. Ed, peço que aguente, por favor.

Ed estava sentado em uma cadeira, próximo à mesa retangular de tamanho médio na qual estavam as ferramentas e outras coisas que seriam necessárias durante a operação. Ele começou a suar frio, afinal já sabia o que lhe aguardava.

— Está pronto? — Pinako perguntou séria. Winry estava agoniada por dentro, mas por fora tentava mostrar determinação, o que estava sendo difícil. Edward notou isso ao olhar pra ela e disse:

— Não faça essa cara, não combina com você. Eu vou ficar bem, não se preocupe.

Ela olhou pra ele. Ele novamente sorriu aquele sorriso puro com o qual ela já estava acostumada, apesar de não ter visto por muitos anos. Então ela respirou fundo.

— Estou pronta, e você? — Ela olhou decidida para ele. Ele devolveu o mesmo olhar.

— Estou pronto.

Foi tudo muito rápido. Elas contaram até três, e ao chegarem no número três, giraram a chave para fazer a ligação, e Edward sentiu uma dor terrível se espalhar por todo o corpo. Uma dor indescritível, como se ao invés de estarem colocando, estivessem arrancando o seu braço. Mesmo assim ele manteve uma postura forte, como de costume, sem chorar. Só deixou escapar um grito não muito alto que partiu o coração de Winry. Estava sendo tão difícil para ela quanto para ele, afinal, vê-lo sofrer era o que ela menos queria. Depois de tudo feito, ele estava suado e com uma expressão sofrida no rosto. Tinha doído demais, até pra alguém forte como ele, e também para Winry. Winry, logo que a operação terminou, foi socorrê-lo com um pano úmido para colocar em sua testa e amenizar a dor de cabeça que o estava atormentando. Lágrimas estavam prestes a saírem de seus olhos, mas ela não o fez. “Agora ele precisa que eu seja forte e não chore. Não vou chorar, pelo menos não agora.” Pensou ela, enquanto com dificuldade segurava as lágrimas que queriam escorrer. Ela colocou o pano sobre a cabeça dele, agora dolorida, e ele pediu que ela o levasse ao sofá para descansar um pouco. Ela deu o ombro pra ele se apoiar e o guiou até o sofá, sentando-o. Ele ainda estava com ligeiras dores pelo corpo, e Winry agora olhava para ele com dó. Edward estava de olhos fechados, por causa da dor de cabeça quando pediu:

— Winry, posso deitar no seu colo? — Winry olhou pra ele um pouco surpresa, mas depois sorriu.

— Claro que pode, Ed — Ela disse, abrindo espaço em seu colo.

Edward não hesitou em repousar a sua cabeça no colo de Winry, que por sinal, era macio, quente e gostoso. Ele ficou lá deitado, e olhou pra ela. Ela sorriu e começou a fazer cafuné nele.

— Seu cafuné... — Edward disse, fechando os olhos, e ela olhou pra ele.

— Que foi? Quer que eu pare? — Ela perguntou, parando de passar a mão pelo cabelo macio e sedoso dele.

— É tão bom — Ele disse, sorrindo. — Por favor, não para não. É tão gostoso...

Ela sorriu e continuou a passar a mão nos cabelos loiros e sedosos dele. Ele estava adorando, afinal nunca recebera um carinho como esse desde que a sua mãe se foi. Ela tinha o colo parecido com o da mãe dele, e era com se ele estivesse no colo da mãe novamente, como nos velhos tempos. Ah, que bons tempos... porque será que as coisas boas passam tão rápido?

Ele estava se sentindo seguro, como se nada no mundo pudesse tocá-lo enquanto ele estivesse no colo dela. Ela sorriu ao ver que ele estava gostando de estar no seu colo. “Ele merece, depois de passar por tantas coisas... afinal, ele também é humano e precisa de um mimo ou de um carinho de vez em quando. Pobrezinho... se esforça tanto” Winry pensava enquanto olhava para Edward, totalmente à vontade e relaxado em seu colo, só curtindo o seu cafuné gostoso. “Que folgado...” Pensou ela rindo, apesar de não estar se incomodando nem um pouco com a presença dele, porque não se importava de deixá-lo deitar no seu colo. Muito pelo contrário, ela adorava mexer no cabelo dele, que era macio e sedoso, e passar a mão por seu rosto, que também tinha a pele macia, ligeiramente suada por causa daquela dolorosa ligação. Ela também gostava do cheiro dele. Pode parecer estranho, mas o cheiro natural dele era uma mistura de cheiro de travesseiro de casa e de sabonete líquido de alfazema, enfim, indescritível e... espera um pouco, o Ed estava usando colônia?! Ela abaixou a cabeça um pouco e discretamente aspirou o perfume dele. Ela uma deliciosa colônia masculina com uma fragrância fresca com notas de mandarina e abacaxi, combinados com rico fundo de folhas de cedro, musk e vetiver. Ela olhou pra ele e perguntou:

— Ed, você está usando colônia? — Ele olhou pra ela surpreso.

— Ah, você notou? — Ele disse, rindo sem graça.

Ele parecia meio envergonhado por estar usando perfume, afinal nunca foi muito de se importar com essas coisas, mas como não tinha tido muito tempo pra tomar banho recentemente, achou que uma colônia poderia não ser má ideia, e o cheiro dela ficava ainda mais gostoso quando ele tinha tomado banho, que era o caso. Ela viu que ele estava encabulado e sorriu.

— Notei sim e ele é uma delícia — Ela disse, e ele olhou pra ela e sorriu. — Não precisa ter vergonha de usar perfume, Ed.

Ele viu que estava sendo um bobo em ficar com vergonha de usar perfume, ainda mais com Winry. Ele respondeu:

— Que bom que você gostou. Tem razão, não preciso ter vergonha, que bobo que eu sou — Ele riu, e ela também. Ele adorava ver ela sorrindo. Depois novamente fechou os olhos e cedeu ao cafuné relaxante que Winry estava fazendo, adormecendo em seu colo.

Notas finais
"Pode parecer estranho, mas o cheiro natural dele era uma mistura de cheiro de travesseiro de casa(!) e de sabonete líquido de alfazema..."
Eu sei que vocês devem estar pensando: "Menina, que maluquice é essa?!" Mas é que eu a-do-ro cheirinho de travesseiro e de alfazema!(não me perguntem porque, porque nem eu sei ) rs
*cri, cri,cri*
Tá boom, eu sei que é estranho xD Mas mesmo assim espero que gostem! Garanto que o próximo capítulo vai ser melhor do que esse. (também sei que colônia não tem nada a ver com o Ed, mas enfim... Pode também ter ficado monótono... e também sei que o Ed que eu mostro aqui não tem nada a ver com o do anime e muito menos o do mangá... vamos ver os reviews *medo*)
Ah, e me desculpem se ficou meloso demais