Tudo de Mim

19 Verdades que devem ser ditas.


Não foi uma decisão nada fácil.

Às vezes eu também sou um pouquinho orgulhosa como todo mundo.

Mas eu sentia que tinha que fazer isso. Então peguei meu celular e digitei uma mensagem de texto muito rapidamente. Antes que perdesse a coragem.

“Me encontre na pracinha as 3 da tarde. ”

E logo em seguida mandei o endereço, caso ele não conhecesse o lugar.

Esperei por uma resposta, mas ela não veio por um bom tempo. Sendo assim, eu tinha duas opções: deixar isso para lá ou dar a minha cara a tapa. Optei pela segunda opção, já que eu não tinha muito a perder. Peguei minhas coisas e saí.

Eram três e quinze da tarde quando cheguei na pracinha ofegante devido ao atraso.

E lá estava ele, sentado sozinho em um dos bancos isolados. Não havia muitas pessoas por ali. Ele parecia distante, muito pensativo. Olhando para o nada.

— Você veio. – Sentei-me ao lado dele, mas não muito próximo.

Ele virou o rosto da minha direção.

— Estou aqui desde as duas e quarenta. Vim logo depois que você enviou a mensagem.

— Uau. – Olhei para ele impressionada. — Mas porquê?

— Não sei. – Ele voltou a olhar para o nada. — Estar aqui me fez pensar se você merecia ou não a minha presença. E esse tempo me ajudou a decidir.

— E você decidiu...?

Não esperava que ele voltasse a olhar para mim. Na verdade, esperava que ele se levantasse e fosse ir embora e me desse a lição que eu merecia. Mas não foi o que aconteceu. Ele se virou na minha direção e sorriu. Sorriu de um jeito gracioso.

— Eu estou aqui, não estou?

— Sim, está. – Sorri de volta. — Obrigada por vir. Preciso me descul...

— Não comece. – Ele me cortou. — Vamos esquecer isso. Estou te dando uma segunda chance. Então faça por merecer. Não faça com o que eu me arrependa disso.

Assenti, compreendendo.

— E aí, quer comer alguma coisa? – Ele se levantou.

— Com certeza! Nem almocei ainda.

— Então, vamos lá. Vamos procurar algo.

Ele tinha um carro. Um carro grande e preto. Nada como a lata velha do Alex.

Não que isso venha ao caso...

Enquanto dirigia, ele me contou que já tinha morado por aqui por um tempo. Não exatamente aqui. Mas sim numa cidadezinha há uma hora e meia daqui. E me contou também que foi passar um tempo na Europa. Conhecendo lugares, estudando e praticando fotografia. Admito que senti uma pontinha de inveja dessa parte.

— Você foi sozinho?

— No começo não. Fui com meus pais. Mas eles voltaram mais cedo e eu resolvi ficar.

— Uau! E onde eles estão agora?

— Na Europa. – Ele riu.

Eu estava levemente confusa.

— Eles voltaram para lá a trabalho e eu resolvi voltar pra cá.

— Porque? Cansou de lá?

— Um pouco. Acho que vivi por lá tudo que eu tinha para viver.

— Então porque não voltou direto para casa? Desculpe a curiosidade.

— Não tem problema. Pergunte tudo que quiser. – Ele sorriu de leve, atento a direção. — Então.... Não sinto que aquela casa ainda me pertence, sabe? Eu cresci, amadureci. Estou à procura do meu próprio lar, do meu próprio espaço.

— Isso é muito bacana.

Mesmo quando chegamos a um restaurante pequeno e simples, continuamos conversando sobre sua viagem à Europa e suas experiências. Fiquei surpresa em saber que ele só tinha dezenove anos e já tinha vivido tantas coisas assim. Pelo o que ele disse, nem sempre as coisas foram fáceis. Por lá, ele também passou vários perrengues que teve que enfrentar sozinho, pela primeira vez em sua vida.

— Se você pudesse ver um único filme pelo resto da sua vida, qual seria? – Perguntou ele, de repente. Eu já não tinha mais perguntas. Estávamos calados desde então, aguardando nossos pedidos chegarem a nossa mesa no canto.

— Nossa, que pergunta difícil. – Dei uma risadinha nervosa e pensei por alguns instantes. — Acho que o... O Click com o Adam Sandler. Já assistiu?

Ele riu, assentindo.

— E porquê? – Perguntou.

— Não sei. Acho porque ele é um filme engraçado e ao mesmo tempo nos passa uma lição valiosa. Você não acha?

— Eu concordo com você. É um filme bom! E série, qual sua série favorita de todos os tempos?

— Com certeza American Horror Story.

— Sério? Eu gosto também. Mas nãos gostei muito da terceira temporada.

— Jura? A minha favorita definitivamente é a segunda temporada.

— A segunda é muita boa... E uma música? Sua música favorita da vida.

— Ah, meu Deus. Pare de perguntas difíceis! – Eu ri. — Você não pode ser um cara normal e perguntar, por exemplo, minha cor favorita?

Ele riu também.

— Responde, vai.

— O.K. Deixa eu pensar...

Eu gosto de ouvir músicas. Mas são tantas tão boas....

— Não acredito que você não sabe! – Disse ele, indignado. — Eu basicamente tenho uma música pra tudo. Mas a minha favorita mesmo é Fix You. Coldplay.

— Essa música é tão, tão triste! Eu prefiro Bilionaire com a participação do Bruno Mars. Não pela letra. Mas eu sempre fico feliz quando escuto essa música!

Nossos pedidos chegaram naquele momento, mas nossa conversa não ficou por aí. Lorenzo me fez várias perguntas que ninguém jamais fez.

— Você dorme com a janela do quarto aberta? Com as portas do guarda-roupa abertas? Com o edredom virado para dentro ou para fora? Você já dançou no carro? Você já viu um fantasma? De quem você gostaria de ir a um show?

E muitas outras coisas divertidas e engraçadas.

— Não acredito que você nunca dançou no carro! – Já era noite. O tempo passou tão rápido essa tarde. Agora Lorenzo estava me levando para casa. — Eu danço no carro o tempo todo.

Então ele levou uma mão livre ao som do carro e aumentou o volume numa música aleatória que estava passando na rádio.

Uma música da Beyonce.

— Vai. Dança comigo. Dança! – Ele começou a se remexer no banco de um jeito frenético e engraçado. Eu só conseguia olhar e rir.

Quando de repente começo a me mexer também. Meu corpo ganha vida. Como se estivesse dentro de uma boate com uma música eletrizante. E rimos muitos.

— Não acredito que eu fiz isso com você. – Comento assim que paramos na frente da minha casa.

Eu lhe passei todas as coordenadas.

— Poderíamos repetir isso mais vezes. – Comentou ele, risonho.

— Sim, poderíamos. – Sorri para ele, maravilhada.

Ele realmente me surpreendeu essa tarde.

— Sabe, você não é um idiota. Eu que sou.

Ele fica sério de repente.

— Não, você não é.

— Sim, eu sou....

— Você não é.

— Tudo bem. Não vamos brigar por isso. Mas eu continuo achando que eu sou uma grande idiota por ter dito aquelas coisas a você. Eu sei que você não queria tocar no assunto.... Eu realmente sinto muito por aquilo. Eu fiquei muito mal depois. Na verdade, eu tô mal faz um tempo. E hoje, eu me diverti muito com você. Obrigada.

Ele passou a mão no cabelo castanho, bagunçando-os um pouco.

— Eu posso fazer isso mais vezes.

— Eu espero que sim.

Me inclino e lhe dou um beijo na bochecha gelada antes de descer e entrar em casa.

~*~

Fazia um tempão que eu não saia a noite sozinha só para curtir e ver o pessoal. Não é porque eu e o Alex não estamos mais juntos que devo me afastar dos programas que eu gostava de fazer. Com ou sem ele. Eu mereço me divertir também. Eu preciso me divertir de todas as formas possíveis. E estou disposta a fazer isso hoje à noite. Sem a companhia de ninguém. Não chamei nem a Fabi, nem o Chris e muito menos o Lorenzo. Precisava fazer isso sozinha e mostrar que eu ainda era capaz.

— Mãe, tô de saída. – Balancei a chave, já perto da porta.

— Vai encontrar o Alex? – Ela gritou da cozinha.

— Não, mãe. – Revirei os olhos. — Ele não me quer, eu já disse.

— Tudo bem. Então se cuide.

Como eu não tinha carro, nem um carona e não estava a fim de andar de ônibus, fui caminhando mesmo, ouvindo música no meu fone de ouvido.

Eu não ia muito longe, até porque nem tinha como.

Estava com pouca grana.

Cheguei ao Dry em vinte minutos. Cumprimentei uma galera na calçada tomando cerveja e entrei, pois, ali fora estava um pouquinho frio. Lá dentro estava muito melhor e mais cheio também. Olhei em volta em busca de alguém conhecido, mas não encontrei ninguém interessante. Só um pessoal que eu conheço de vista, mas que não conversa muito e mal sei o nome. Por fim, decidi ir até o bar.

O barman que me atendeu era bem gatinho. No crachá dele dizia seu nome: Gabriel. Quando eu pedi uma bebida mais leve e adocicada, eu meio que tentei flertar com ele para ver se dava certo. Para garantir que eu ainda era boa naquilo.

Pelo visto eu sou péssima, porque ele nem me deu bola.

Tudo no seu tempo, Luciana...

Fiquei ali encostada no bar, tomando minha bebida que mais parecia um suco de morango, observei o movimento e curti a música.

Aquilo era... Bom. Agradável. E um pouco solitário.

Pensei em fazer amizades ou continuar insistindo nos meus flertes com o barman. Mas já vi que sou péssima nesse dois requisitos. Pensei em sair que nem uma maluca por aí e começar a dançar como se não houvesse amanhã. Sem se importar com nada, assim como fiz no carro do Lorenzo alguns dias atrás.

Lorenzo... E seu eu ligar para ele agora?

Nós conversamos muito por mensagens e ligações desde então. Posso dizer que nós basicamente nos tornamos bons amigos. E aconteceu rápido. Porque é fácil lidar com ele. Ele é um cara incrível, divertido e experiente. Ótima companhia.

Mas...

Puta que pariu!

Aquele ali é o Alexandre? Não, não pode ser. Ele não estaria praticamente grudado no pescoço de uma vaca qualquer. Espera aí. Não é uma vaca qualquer. É vaca número dois mais odiada da minha lista negra: a Vizinha Gostosa.

Aperto um pouco mais olhos para poder ver direito e confirmo minhas suspeitas. Está longe, mas tenho certeza. É ela! Ela e o Alex. Uau! Por essa eu não esperava.

Virei minha bebida em só gole e fui até lá.

Sim, eu tenho muita merda na cabeça. Mas essa sou eu.

— Oi, pessoal. – Olhei para todo mundo com meu sorriso sínico estampado no rosto.

Eles que até então estava todos entrosados, conversando e rindo muito, de repente ficaram mudos com a minha presença. Principalmente o Alex e a Vizinha.

Já sei. Devem estar todos pensando que eu sou uma coitadinha.

— Oi, Alex. Tudo bem? Ah, oi.... Como é mesmo seu nome?

— Sofia. – Disse ela baixinho, sem nem me olhar.

Isso é.... Medo? Ótimo!

— Ué, porque estão todos calados? Só porque eu cheguei? Ah, pessoal, por favor. Não precisam ficar todos acanhados. Vamos nos divertir!

Passou um barman ao meu lado. Não o gatinho do bar. Mas outro, baixinho e barbudo. Pedi a ele uma bebida e disse meu nome. Ele sorriu assanhado, anotou meu pedido e se foi, prometendo voltar em segundos. E de fato voltou.

— Vamos fazer um brinde. – Ergui minha nova bebida.

Alex não disse uma se quer palavra até agora. Mas não importa. Tudo que sai da boca dele é nada para mim. Então é melhor assim. Eu só estou aqui para me divertir e mostrar que dei a volta por cima e que estou ótima. Melhor do que nunca.

Quero que ele veja isso. Quero que ele sinta isso.

Bebo um pouco mais do que deveria e ajuda fechar os olhos e pensar no Lorenzo e nossos risos altos dentro do carro e nossa dancinha. Começo a dançar também ali no meio de todo mundo. Mesmo que a música lenta não colabore muito.

Eu me sinto cheia de energia!

Pode até ser que o cara do bar não tenha me dado bola. Mas o outro barman, o baixinho, ele deu. Não para de sorrir para mim e me olhar desde então. E tem também várias outras caras aqui essa noite. Uns até bem interessantes. E outros demais para mim.

Eu posso tentar alguma coisa.

Pronto. É isso que vou fazer. Certo? Certo...

O primeiro que passar....

— Opa! – Grito para que ele possa me ouvir. — Volta aqui, gato. Meu nome é Luciana. Qual é o seu nome? Vamos bater um papo? Vem, fica com medo não.

Acho que o cara ficou meio assustado com a minha abordagem ridícula, mas é tudo que posso oferecer essa noite.

— Vamos lá. Não foi tão mal assim, foi?

Ele dar uma risadinha.

— Foi péssimo. Mas eu gostei.

Então ele chega mais perto e acho que vai me beijar. Acho que vou beija-lo de volta. Mesmo que ele não tenha um cheirinho muito agradável e um hálito péssimo...

— Vem comigo, Luciana. – Sou arrastada pelo braço para longe dali.

— Que diabos você pensa que está fazendo? – Berro quando vejo que é o Alex se intrometendo na minha vida. — Me solta, canalha! Você não tem o direito...

Saímos lá para fora. Para longe do bar.

— Vou te levar para casa. Você está bêbada!

— Eu não estou bêbada! – Me defendo, ofendida. Consigo me soltar dele. — Eu estou feliz! Feliz, sabe o que é isso? Porque você acha que estou bêbada e preciso de cuidados? Só porque estou feeeeliz e quero conhecer uns caras novos?

Eu realmente não estou bêbada. Ou talvez só um pouquinho...

— Vem, vamos. – Ele tenta me puxar de novo, mas eu me afasto rapidamente.

— Vê se não enche, Alex. – Dou as costas. — Volta para sua Vizinha Gostosa, tá? Ela deve estar esperando você. – Caminho de volta em direção ao bar, disposta a terminar o que comecei. — Sou eu que não preciso mais de você.

E entro.

Fico na minha durante todo o tempo. Bebendo e falando com um pessoal novo todo estranho que eu nunca vi em toda minha vida, mas que parecem legais.

Meus olhos procuram pelo Alex algumas vezes e o encontram em todas elas.

Mas nunca sozinho ou desocupado. Sempre enfiando a língua na garganta de sua vizinha aos amassos. O que é nojento e como um tapa na minha cara. Mas chega uma hora que dói tanto que eu nem sinto mais. Então é isso... Bola para a frente.

Não! Quer saber? Não tem essa de bola para a frente. Ele não tem esse direito. Não tem o direito de me ferir dessa forma propositalmente. Uma coisa é ele terminar comigo pelos motivos dele. Outra coisa é esfregar certas coisas na minha cara.

Só espero o momento certo para aborda-lo. Aproveito que ele vai ao banheiro sozinho. E o sigo. Espero que ele sair, o que acontece alguns minutos depois.

— Eu sei o que você está fazendo. – Digo, assustando-o.

Ele me olha intrigado, como se perguntasse o que ainda estou fazendo aqui.

— O que é que eu estou fazendo? – Pergunta ele, desafiador.

— Está tentando me afastar de forma definitiva. Querendo mostrar que seguiu em frente e que está tudo numa boa. Mas não está funcionando e sabe porquê? Porque eu vejo a mentira estampada na sua cara. Você está perdido e vem buscar distrações nesse tipo de lugar, com esse tipo de gente que tem muito pouco a te oferecer.

Ele ri, balançando a cabeça.

— Você não sabe o que está dizendo, Luciana.

— Sim, eu sei! E sei também que você ainda pensa em mim e que muito provavelmente ainda nutre sentimentos por mim. E sabe como eu sei disso? Porque não dá para esquecer tudo que vivemos de uma hora para outra assim, Alex. Não dar para ignora o que um dia sentimos um pelo outro. – As palavras saíram com tanta facilidade que eu estava surpresa comigo mesma. — Eu sei eu você pensa que tomou a decisão certa em me deixar fora dessa quando eu já estava totalmente envolvida. Mas você errou. Errou tentando acertar como você sempre faz com tudo.

Suspirei e tomei folego para continuar.

— E por muitas vezes eu fiquei me perguntando porque ou como você consegue ser tão cruel comigo quando eu sempre tentei de tudo para ser o melhor para você. E acreditei que uma hora você cairia na real e você me procuraria e a gente iria voltar, como sempre acontecia. Dessa vez é diferente. E não só porque isso não aconteceu. Mas porque eu finalmente entendi: eu não preciso de você. Pode ser que eu tenha precisado muito um dia. Só que hoje, eu não preciso mais. Não tanto. Eu posso muito bem me virar sozinha e sabe como foi que eu descobri isso? Da pior forma possível.

Ele me olhava hipnotizado com seus olhos verdes escuros, absorvendo cada palavra minha.

— E foi bom, sabe? Finalmente me dar conta que eu sou capaz de muitas coisas, mesmo quando eu acho que está tudo perdido. Você me derrubou com força, mas eu levantei. Aos poucos, mas consegui. E cá estou eu, de pé e viva. Não cem por cento recuperada. Mas quase lá. Porque mesmo que você volte a me querer um dia, como um cãozinho arrependido, eu vou dizer não, Alex. Não quero mais sofrer por você, não quero mais chorar por você, não quero mais me envolver com você. Não quero nada de você. Nunca mais. Nem uma miséria migalha. Cansei de te procurar, de te querer, de te esperar. Cansei de acreditar em você, em nós. Cansei de tudo.

Pode ser que eu tenha dito todas essas coisas por estar com raiva, bêbada e até decepcionada com as atitudes deles nos últimos tempos. Mas muita coisa do que eu disse era verdade. Eu precisava dizer. Precisava que ele escutasse e soubesse exatamente o que se passa dentro de mim. Precisava jogar isso para fora.

Me livrar disso.

E funcionou. Tirei um peso enorme do peito. Saí de lá, direto para casa, me sentindo bem mais leve. Foi como mais uma missão comprida. E até consegui pensar em coisas positivas, sendo que nenhuma delas envolvia o Alexandre.

Se ele quer me ver longe de sua vida e de seus problemas, então é isso que será. Nada de telefonemas e nem de visitas em seu apê ou na casa de seus pais. E nada de tentar um contato com o Luiz, seu irmão. Por mais dolorosa que seja a ideia. Nada de fotos dele na minha parede ou no meu celular, Câmera fotográfica e computador. Muito menos nas redes sociais. Nada de nossas músicas tocando na minha playlist. Nada na minha vida que remeta a ele e que eu guardei até agora com a esperança de que tudo voltaria a ser como antes.

Vou me livrar de tudo.

E essa é uma palavra de honra.

~*~

Acordei no outro dia com o celular tocando e uma enxaqueca dos infernos por conta da ressaca por ter bebido demais ontem.

— Alô?

— Oi. É o Lorenzo, caso você não se lembre mais de mim.

Apesar de tudo, eu consegui rir.

— Oi, Lorenzo. E, por favor, não seja tão dramático.

— Tudo bem. – Ele riu. — Saiu para beber ontem e nem me chamou?!

— Pois é. Desculpe. Mas como é que você sabe?

— Sua voz está pior que o normal.

Minha vez de rir também.

— Será que podemos dar mais uma dançadinha no meu carro?

— Você está falando sério?

— Mas é claro! Topa ou não? Depois tenho umas coisas legais para a gente fazer. Só que você tem que lembrar de trazer a sua câmera fotográfica.

— Eu pensei que você ainda achasse que eu sou muito amadora e que não tenho talento algum.

— Foi uma brincadeira!

— Certo, então. Pelo visto ainda tenho salvação. – Passei os dedos pelo cabelo emaranhado. — Estou me levantando. Venha me pegar em uma hora.

— Estarei aí.

Notas finais
Vocês acham que Luci e Alex ainda têm esperanças juntos?