Tudo Por Você

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Ta aí!
Boa leitura. :D

Agora ela conseguia ouvir seu agressor perseguindo-a ruidosamente, deslizando as mãos pela parede enquanto avançava na sua direção. No entanto, foi outro som que deixou ela ainda mais assustada, as batidas ritmadas de um vigia esmurrando a porta do Galpão 5 com sua lanterna, ao longe.

Embora esse pensamento fosse aterrorizante, a localização do barulho, à direita de onde ela estava, no sentido diagonal, fez com que Sara se orientasse na mesma hora, conseguindo visualizar em que parte do Galpão 5 estava. O lampejo visual trouxe consigo uma compreensão inesperada. Finalmente sabia o que era aquele painel liso na parede.

Todos os galpões eram equipados com um acesso para espécimes, uma gigantesca parede deslizante que podia ser deslocada de modo a permitir a entrada e saída de espécimes de grande porte. Essa porta era descomunal, como as de um hangar de aeronaves. Soubera dessa informação pouco antes de entrar na cena do crime com um dos seguranças. Informação, que na hora, não lhe fazia a menor importância, mas que, agora, poderia lhe salvar a vida.

Tateando às cegas, ela encontrou a grande maçaneta metálica da porta. Segurando-a jogou o peso do corpo para trás, tentando fazer a porta deslizar. Nada. Tentou outra vez. Ela não saiu do lugar. Sara conseguia ouvir seu agressor se aproximando mais depressa, atraído pelo barulho de suas tentativas. “O acesso está trancado!” Enlouquecida de pânico, ela deslizou as mãos por toda a porta em busca de alguma alça ou alavanca. De repente, esbarrou com o que parecia uma haste vertical.

Seguiu aquilo até o chão, agachando-se, e pôde sentir que a haste estava inserida em um buraco no cimento. Uma trava de segurança! Ela se levantou, segurou a haste e, usando as pernas para tomar impulso, a deslizou para cima, tirando-a do buraco.

“Ele está quase chegando!”

Sara então procurou a maçaneta e, ao encontrá-la, puxou com toda a sua força. O imenso painel mal pareceu se mover, mas uma nesga de luar penetrou no Galpão 5. Ela puxou outra vez.

O facho de luz vindo do lado de fora se alargou. Um pouco mais! Ela deu um último puxão, sentindo que seu agressor estava agora a poucos metros de distância.

Saltando em direção à luz, Sara espremeu o corpo esbelto pela abertura. A mão do seu perseguidor se materializou no escuro em sua direção, tentando puxá-la de volta para dentro. Ao passar de lado pela porta, ela viu um imenso braço nu vindo no seu encalço. Aquele aterrorizante braço escamoso se contorcia feito uma cobra tentando agarrá-la.

Ela, então, girou o corpo e saiu correndo junto à parede externa comprida e clara do Galpão 5.

Enquanto corria, o chão de pedrinhas soltas que contornava todo o Centro de Pesquisas cortava seus pés protegidos apenas pela meia, mas ela continuou assim mesmo, encaminhando-se para a entrada principal. A noite estava escura, porém, com os olhos totalmente dilatados por causa do denso breu do Galpão 5, ela conseguia enxergar com perfeição — quase como se fosse dia. Às suas costas, a grande porta de correr se abriu mais um pouco e ela ouviu passos pesados se acelerarem atrás dela. Eles soavam inacreditavelmente velozes.

FIM DO CAPÍTULO 14

Notas finais
Será que ela corre mais que ele?
Estão gostando?