Notas iniciais
Oi gente... Aqui está mais um cap. *---*

Beijackles e Padakisses ♥

SAM’S P.O.V.


É, Sam. Dessa vez você está ferrado mesmo. Droga.



Eles vão revogar a minha condicional e vou voltar para aquele maldito buraco. Eu ralei para “me comportar” e conseguir sair de lá e agora... QUE SACO!


Maldito Warner!

Falando no diabo... A porta se abriu novamente e lá estava o federal Henricksen seguido por um homem de cabelos loiros, num tom acinzentado, um pouco mais baixo que ele. Ele tinha a expressão severa. Rolei os olhos e o encarei, me ajeitando na cadeira.

– Sam Winchester – Ele disse me fuzilando com os olhos. Ele tinha aquele sorriso sacana no rosto. Rolei os olhos de novo... Isso já estava virando uma mania – Já faz um tempo, não é?

– É, Warner – Falei com um sorriso debochado nos lábios – Quase seis anos. Sabe que eu até senti falta de você. Imbecil – Eu ri.

– Cala a boca, Winchester – Seus olhos estavam furiosos, mas ele continuava com aquele sorriso idiota – Eu não sou um de seus capachos e a situação não está a seu favor dessa vez, então eu sugiro que escolha bem as suas palavras.

– O que vocês pensam que eu fiz dessa vez? Você já se enganou antes, não foi Dean? – Eu o fuzilei também.

Ele olhou para o parceiro e o federal lhe entregou um arquivo. Ele abriu-o e procurou por uma folha específica, me encarando em seguida.

– Samuel Winchester, nascido em Lawrence, Kansas, no dia 02 de Maio de 1983. Atualmente com 30 anos de idade. Filho de Mary Campbell e John Winchester, irmão do meio de Adam e Becky Winchester – Dean disse, tentando provar alguma coisa. Seja lá o que fosse.

– Tá bom, Dean. Você me conhece... Pode parar com o teatrinho agora – Rolei os olhos.

– Você acha que estou aqui de palhaçada?! Você acha que eu realmente não sei o que você fez há 16 anos?! Ou nos anos seguintes?! – Ele gritou comigo, batendo uma mão na mesa.

– Você acha que sabe?! – Eu gritei também, me levantando.

– Sim, eu sei. Sua família foi morta em um incêndio quando você tinha apenas 15 anos, mas foi sortudo, não foi, Sam? Você sobreviveu. Vocês moravam em uma mansão, lá no Texas, certo? O pequeno Sammy, tão indefeso herdou a fortuna do papai.

– Cala a boca, Warner – Eu o fuzilei.

– Você não se lembra daquela noite, Sam? O incêndio “acidental”? – Dean fez as aspas com os dedos – Disseram que foi um problema na fiação... Mas nós dois sabemos que não foi bem assim, não é?

Rolei os olhos e parei de encará-lo. Na verdade... Eu lembro muito bem daquela noite.

# FLASHBACK ON #

15 anos atrás...

– SAM!!! VEM AQUI!!! – Meu pai me chamou. Já eram quase onze horas da noite... O que diabos ele queria?

– Sim, senhor! Estou indo! – Gritei de volta, saindo do meu quarto.

Fui até o escritório dele e vi pelo espaço aberto da porta “O Grande John Winchester”. Assim ele era conhecido por todos nessa cidade. Sou de uma família rica e parece que meu pai manda aqui em Lawrence. Eu nunca soube com o que ele trabalhava. Ele nunca me contou e disse que era melhor eu não saber. Nunca questionava meu pai, então eu teria que continuar assim.

Meu pai era um homem severo, carrancudo e não gostava de ser contrariado. Todos achavam que eu era frio e arrogante como ele, mas na verdade eu não era. Eu não queria ser.

– Senhor? – Falei e bati na porta duas vezes.

– Entra, garoto! Entra – Ele disse com a voz irritada.

Eu entrei e parei em frente a sua mesa.

– Queria falar comigo?

– Sim, Sam. Eu preciso falar com você sobre um assunto muito importante. Uma coisa que vai mudar a sua vida para sempre. Sente-se – Ele disse e obedeci.

– Estou ouvindo, pai.

– Você não sabe com o que eu trabalho, certo?

– Não, senhor – Neguei.

– Certo. Vamos manter assim. Eu quero que você saiba que eu trato de assuntos muito importantes com gente influente. E alguns assuntos são até criminosos – Ele disse com a voz rouca, me olhando nos olhos. Eu não me surpreendi e ele continuou – E acontece que um desses negócios teve um fim infeliz.

– Como assim, pai? – Perguntei. Aonde ele queria chegar?

– Tratei de negócios com um homem muito influente, chamado Jason Kent. Já ouviu falar dele?

– É o pai do Clark?

– Sim.

– Ok. O que ele fez?

– Eu não posso falar exatamente o que ele fez, mas algo de ruim vai acontecer hoje, Sam. Algo muito ruim para a nossa família, mas você não pode deixar isso te afetar. Você tem que sobreviver, me entendeu?

– Sim senhor, mas sobreviver a quê?

– A qualquer mal que este homem possa fazer com a nossa família.

– A mãe sabe disso?

– Não e nem os seus irmãos.

– Por que o senhor não está falando disso com o Adam? Ele é mais velho, deve ser melhor se el...

– Não, Sammy – Ele me interrompeu. Estranho... Ele nunca me chamou de Sammy– Você é mais confiável, mais esperto e mais ágil do que o seu irmão. Eu só posso confiar a minha herança a você.

– Herança? Espera... Você vai morrer? É isso que o senhor está me falando? – Perguntei um pouco desesperado, já sentindo as lágrimas querendo invadir meus olhos – E se eu vou ser o herdeiro quer dizer que a mãe, o Adam e a Becky, também vão?

– Me dói dizer isso, Sam... Mas, sim.

– Mas, como? Por quê? Pai, me explica o que está acontecendo, por favor...

– É como eu disse, Sammy. Coisas ruins vão acontecer.

– Pai... – As lágrimas venceram e escorriam pelo meu rosto.

– Pare de chorar, Sam – Ele me olhou fundo nos olhos – Eu confio em você, está me ouvindo?

– Sim, senhor.

– Eu quero que você vá para a casa do seu amigo, Kevin Tran. Faça uma mala com roupas e vá para lá. Não ligue, não volte e não olhe para trás, me entendeu?

– Sim, senhor – Eu disse, o encarando com os olhos tristes.

– Bom, garoto. Agora vá ao quarto de sua mãe e lhe deseje boa noite.

– Sim, senhor.

– Ah, Sam...

– Senhor?

– Você vai precisar disto aqui – Ele me entregou uma arma. Era uma Taurus PT-101, eu já havia lido sobre ela em alguma revista. Eu a peguei e guardei-a no cós da minha calça.

– Sim, senhor. Boa noite.

Eu saí do escritório e fiquei parado no corredor por uns instantes. Respirei fundo e sequei minhas lágrimas, andando até o quarto de minha mãe. Dei-lhe um abraço apertado e lhe desejei boa noite, indo até o meu quarto em seguida.

Peguei um pouco de dinheiro no meu cofre e coloquei algumas roupas e a arma em uma mochila e saí de casa. As lágrimas invadiram os meus olhos novamente e não consegui ir até a casa de Kevin. Fiquei sentado em um beco perto da mansão. Eu tinha que saber o que ia acontecer.

O clima estava quente — como sempre — no Kansas e meu nervosismo aumentava cada vez mais. A cada segundo que se passava eu ficava mais confuso. Por que eu tinha que sair de casa? Por que meu pai disse da pior maneira possível que todos da minha família iriam morrer? Por que eu tinha que viver? Justo eu... O garoto magro, que era chamado de mauricinho arrogante no colégio? O garoto indefeso de apenas 15 anos de idade... Por que aquilo estava acontecendo? Que tipo de negócios foram aqueles? É... Parece que eu nunca iria saber.

Fiquei sentado no beco por mais alguns segundos, encarando a rua vazia. De repente ouço um estouro alto. Alto de mais. Saí correndo do beco, em direção à mansão e a em chamas. Minhas pernas fraquejaram e eu caí de joelhos no chão, observando a minha casa, meu lar, minha família pegando fogo.

Ouvi o som de sirenes ao longe e me levantei. Andando até a casa de Kevin Tran. Por algum motivo, senti que não era uma boa ideia ficar ali.

Quando cheguei lá, a mãe do garoto, Irene Tran, atendeu a porta.

– O que está fazendo aqui essa hora, Sam?

– Boa noite. Meu pai me disse para vir para cá – Eu disse, na esperança de meu pai já ter falado com ela.

– Sim, sim claro. Entre querido. Kevin está no quarto dele, estudando, fique à vontade.

– Obrigado, dona Irene – Eu disse entrando na casa de classe média dos Tran.

Eu andei até o quarto do menino e vi que ele estava dormindo. Não queria perturbá-lo, então simplesmente deitei no colchão que já estava no chão, chorando compulsivamente.

Todos os que eu amava estavam mortos. Nada mais importava. A não ser... O que meu pai disse sobre sobreviver? Ele disse que eu tinha que sobreviver. Mas não podia ser ao incêndio... Eu já ia sair de casa, não tinha motivos para ele me falar uma coisa dessas.

Estava cansado de tanto chorar e quando estava quase pegando no sono eu ouvi um grito e depois um barulho muito alto. Kevin acordou assustado e saiu do quarto correndo sem olhar para mim. Ouvi o barulho novamente e levei a mão à boca, impedindo um grito.

Eu sabia que eles viriam atrás de mim, então alcancei minha mochila sem fazer muito barulho e engatilhei a arma, me preparando. Então era isso que meu pai disse sobre sobreviver. Foi por isso que ele me deu a arma. Ele sabia que eles viriam atrás de mim também.

Eu estava muito nervoso. Minhas mãos tremiam e minha respiração estava entrecortada, eu conseguia sentir os batimentos fortes de meu coração. Levantei-me do colchão e fui para trás da porta, esperando por algum movimento.

Ouvi passos vindos do corredor. Era agora. Matar ou morrer. Três homens vestidos de preto entraram no quarto correndo e eu não pensei duas vezes. Mirei e atirei. Quando me dei conta, vi os corpos de três homens enormes caídos no chão do pequeno quarto.

Saí correndo da casa, pegando minha mochila e guardando a arma nela. Eu não conseguia enxergar para onde estava indo. Minha visão estava embaçada por causa das lágrimas que teimavam em cair. Eu simplesmente corria, sem rumo, sem amigos, sem família e sem esperanças.

# FLASHBACK OFF #

Dias atuais...

É. Eu sei. Eu poderia ter entregado o Clark e o pai dele, mas eu tive meus motivos para não fazê-lo. Primeiro, se o tal Jason era tão poderoso assim, eu não poderia me meter com ele. E segundo, eu não tinha provas e terceiro, ninguém acreditaria em um garoto de 15 anos de idade.

Olhei para Dean, saindo de meus devaneios e ele continuava me encarando, me analisando. Isso estava me deixando irritado.

– O que foi agora, Warner?

– Eu só estava pensando... Como você acabou desse jeito, Sam? Vivendo em hotéis baratos e apartamentos imundos. Sempre tendo que se mudar... Se você ficou com todo o dinheiro do papai, como você acabou assim? – Ele disse com uma voz infantil. Me segurei muito para não pular em seu pescoço e matá-lo ali mesmo. Ele não sabia o que havia acontecido e ninguém fala da minha família desse jeito.

– Cala a sua maldita boca. Eu estou te avisando – Aproximei meu rosto do dele, encarando fundo em seus olhos.

– E se eu não quiser? Vai fazer o quê? – Ele disse com um ar de superior.

– Vai se foder, Dean.

– Eu disse para você escolher melhor suas palavras. Eu ainda sou federal e posso te prender por desacato – Ele disse, olhando em meus olhos.

Bufei e me sentei, ainda o encarando. Idiota. Ele se acha demais.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado *-*

Beijackles e Padakisses ♥