Tudo Começou em Letras
19 Capítulo 19 — Les Misérables
Os dias começaram a se misturar uns aos outros com uma naturalidade quase enganosa.
Adam passou a medir o tempo entre turnos no sebo, seminários intermináveis e aulas que exigiam mais atenção do que ele sentia ter disponível. As manhãs tinham cheiro de café barato e papel velho; as tardes, de cansaço acumulado. Ainda assim, havia algo novo se infiltrando naquela rotina previsível.
Vincent.
As conversas pelo WhatsApp tinham se tornado constantes, quase orgânicas. Não havia um acordo explícito, nem expectativa declarada, apenas mensagens que surgiam naturalmente ao longo do dia. Um comentário sobre um livro. Um trecho de música enviado sem explicação. Uma pergunta solta, dessas que não exigem respostas elaboradas.
Adam ouvia as composições favoritas de Vincent nos fones de ouvido enquanto organizava prateleiras no sebo, como se aquelas melodias tivessem criado raízes discretas em sua rotina. Às vezes, Vincent comentava sobre ensaios longos, sobre a exaustão que vinha junto com a música. Adam respondia falando do silêncio confortável do sebo, dos clientes excêntricos, de Laura reclamando da poeira nos livros mais antigos.
De vez em quando, eles se encontravam.
Nada muito elaborado. Momentos que não pareciam exigir definição, mas que deixavam marcas sutis demais para serem ignoradas. Adam nunca comentava com ninguém quando isso acontecia, obviamente.
Com os amigos, tudo parecia normal à primeira vista.
Finn continuava sendo Finn: expansivo, curioso demais, sempre querendo saber mais do que Adam estava disposto a contar. Min-su surgia entre turnos exaustivos no bar, carregando aquele ar tranquilo que escondia cansaço. Isabelle seguia equilibrando tudo com sua calma observadora.
Tyler, no entanto, estava diferente.
Não era algo óbvio. Não havia confrontos, nem comentários diretos demais. Mas Adam sentia. Tyler parecia atento em excesso. Sempre que Adam mexia no celular, havia um olhar rápido demais. Tyler reagia às conversas sobre a vida amorosa de Adam com interesse imediato, um sorriso enviesado, perguntas disfarçadas de brincadeira.
Isso ficou evidente numa tarde qualquer, quando os cinco estavam sentados no pátio do campus, espalhados pelos degraus de pedra, dividindo comentários preguiçosos sobre aulas e prazos. A conversa deslizou, quase naturalmente, para relacionamentos, muito mais por culpa de Tyler do que de qualquer outra pessoa.
— Tá — Tyler disse, cruzando as pernas e apoiando os cotovelos nos joelhos. — Mas agora falando sério. Você ainda não mostrou a foto desse cara.
Adam sentiu o corpo enrijecer por dentro.
— Já falei que não tem mais “esse cara” — respondeu, tentando manter o tom neutro. — Sério que ainda precisa saber como ele é?
— Isso não anula a curiosidade. Aliás, você disse que ia mostrar, ué. — Tyler rebateu, sorrindo. — Eu só quero ver o rosto do responsável por tirar você do eixo por… o quê? Duas semanas?
Finn riu, imediatamente interessado.
— Eu também quero ver.
Isabelle inclinou a cabeça, observando Adam com atenção silenciosa. Min-su permaneceu quieto, mas levantou o olhar do celular, atento.
Adam hesitou. Sentiu o calor subir pelo pescoço, aquele rubor incômodo que sempre o traía. Ele sabia que poderia insistir, dizer não, encerrar ali. Mas havia algo na forma como Tyler conduzia aquilo, em público, casual, quase inevitável, que o empurrava para um canto sem saída.
— Gente, não tem por quê isso — tentou.
— Adam — Tyler interrompeu, ainda sorrindo, mas firme. — É só uma foto.
O silêncio que se seguiu foi curto, mas pesado o suficiente. Adam respirou fundo, derrotado. Pegou o celular e abriu o navegador, os dedos rápidos demais, treinados pela urgência. Digitou algumas características de pessoas, escolheu a primeira imagem plausível: um rosto genérico, bonito o bastante para não levantar suspeitas, anônimo o suficiente para não significar nada.
Abriu a foto.
— Tá — disse, estendendo o celular. — Pronto.
Tyler pegou o aparelho primeiro, sem cerimônia. Finn se inclinou para ver por cima do ombro dele. Isabelle deu uma olhada rápida, discreta. Min-su apenas observou de longe, sem comentar.
Tyler ficou em silêncio por um segundo a mais do que o esperado.
Não riu.
Não fez piada.
Apenas ergueu levemente as sobrancelhas, avaliando.
— Hm… — foi tudo o que disse, devolvendo o celular a Adam.
O gesto foi simples, quase indiferente. Mas Adam sentiu o estômago se contrair. Aquela reação mínima carregava algo difícil de decifrar.
— Bonito — Finn comentou, quebrando o clima. — Você tem bom gosto, pelo menos.
Adam forçou um sorriso e guardou o celular no bolso, o coração batendo rápido demais para algo tão pequeno. Ninguém insistiu depois disso. A conversa seguiu outro rumo, como se o assunto tivesse se esgotado.
Após isso, aos poucos, quase sem perceber, Adam começou a evitar estar com o grupo inteiro por muito tempo.
Inventava desculpas. Chegava mais tarde. Saía mais cedo. Preferia ficar no sebo depois do expediente, organizando livros que já estavam organizados, só para ter um motivo plausível para não estar ali.
À noite, deitado na cama do dormitório, o celular iluminava o quarto escuro enquanto ele relia mensagens de Vincent. Às vezes não respondia na hora, apenas deixava o pensamento passear. Às vezes digitava e apagava antes de enviar qualquer coisa.
Havia algo estranho naquela fase da vida.
Adam ainda pertencia aos amigos. Ainda ria com eles. Ainda se sentia seguro ali. Mas, ao mesmo tempo, parecia estar se deslocando um pouco, como alguém que começa a caminhar em outra direção sem perceber quando deu o primeiro passo.
***
Adam passou a tarde inteira com aquela ansiedade boa presa no peito, como se estivesse escondendo um segredo que brilhava demais para caber nele. Quando Finn apareceu no quarto, jogando a mochila na cadeira e observando Adam trocar de roupa pela terceira vez, arqueou a sobrancelha.
— Vai pra onde? Pra biblioteca? — perguntou, cético.
— Sim.
— Desde quando você se arruma assim pra estudar?
Adam fechou a mochila devagar.
— Preciso adiantar umas leituras. Talvez eu me atrase. — Sabia que era péssimo mentiroso, mas não sabia o que poderia falar.
Finn cruzou os braços, analisando-o por um segundo longo demais.
— Claro — disse, com um meio sorriso. — Então quer dizer que você se reconciliou com o tal cara lá.
Adam sentiu o rosto esquentar, mas não se deu ao trabalho de negar. Apenas sorriu, aquele sorriso pequeno e fechado que dizia tudo sem dizer nada, pegou o casaco e foi em direção à porta.
— Se cuida — Finn completou, rindo. — E tenta não “estudar” demais.
Do lado de fora, o ar da noite estava frio, mas Adam mal percebeu. Encontrou Vincent perto da estação, encostado no poste de luz, as mãos nos bolsos do casaco escuro. Quando o viu, Vincent sorriu de um jeito aberto, quase infantil, como se aquela noite fosse um presente que ele ainda não acreditava estar recebendo.
O teatro estava cheio, iluminado, vivo. As vozes, o murmúrio da plateia, o cheiro de madeira antiga e tecido pesado criavam uma atmosfera quase solene. Adam sentou ao lado de Vincent, sentindo o braço dele roçar de leve no seu, um contato mínimo, mas suficiente para deixá-lo atento a cada movimento.
Quando as luzes se apagaram e a música começou, algo pareceu se alinhar dentro dele.
O musical Les Misérables se desenrolava no palco com intensidade avassaladora: dor, esperança, perda, redenção. Adam se perdeu nas canções, nas vozes que preenchiam o espaço como se fossem maiores que o mundo. Em alguns momentos, esquecia tudo: Finn, Tyler, as mentiras pequenas, as dúvidas. Existia apenas ali, sentado ao lado de Vincent, respirando o mesmo ar.
Em “I Dreamed a Dream”, Adam sentiu a garganta apertar. Vincent percebeu. Sem dizer nada, apoiou a mão sobre a dele, discreto, firme. Adam não afastou. Entrelaçou os dedos, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
E talvez fosse.
No intervalo, caminharam pelo saguão iluminado, comentando cenas, rindo baixo, compartilhando olhares cúmplices. Vincent falava com entusiasmo, gesticulando, e Adam o observava, pensando em como aquela alegria simples parecia rara, quase frágil.
— Obrigado por vir comigo — Vincent disse, de repente, mais sério. — Eu queria dividir isso com você.
Adam respirou fundo.
— Eu que agradeço por ter me chamado.
Quando o musical terminou, os aplausos ecoaram longos, intensos. Adam sentia o peito cheio, como se tivesse vivido algo maior do que uma simples noite fora. Ao saírem, a cidade parecia diferente, mais silenciosa, mais gentil.
Caminharam sem pressa, lado a lado. Em um momento qualquer, Vincent parou, virou-se para Adam e o encarou como se quisesse memorizar cada detalhe.
— Foi mágico, né? — disse.
Adam assentiu, incapaz de negar.
— Mágico não é nem o suficiente pra descrever.
Não precisaram de mais palavras. A noite já tinha dito tudo por eles.
Caminhavam devagar, a noite ainda vibrando dentro de Adam, quando Vincent pigarreou de leve. Ele caminhou alguns passos em silêncio antes de falar, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado.
— Eu divido quarto com o Marcel… — começou. — Ele não vai voltar hoje. Acho que só amanhã à tarde.
Adam olhou para ele, atento.
— Se você quiser — Vincent continuou, com a voz calma demais para ser casual —, pode ir lá pro dormitório comigo. Ficar um pouco. Sem pressa.
O convite pairou entre os dois, denso. Adam entendeu imediatamente o que aquilo significava, e foi justamente isso que fez seu estômago se contrair.
Ele assentiu devagar, mas por dentro tudo se embaralhou.
Nunca tinha chegado tão longe com ninguém. Atravessar aquela porta significava algo diferente, um território novo, sem mapa. Adam pensou em Vincent, em como ele se movia com segurança, em como parecia confortável no próprio corpo, nas entrelinhas que denunciavam experiência. Pensou, quase sem querer, em Tyler e na forma despreocupada com que falava de sexo, como se fosse simples, direto, quase automático.
Para Adam, nunca fora.
Sentiu um medo discreto, mas persistente. Não de Vincent, mas dele mesmo. Do que poderia sentir, do que poderia não sentir. Do que poderia mudar depois.
Vincent percebeu a hesitação e parou de andar, virando-se para ele.
— A gente não precisa fazer nada se você não quiser — disse, com calma. — De verdade.
Adam respirou fundo. Havia algo pulsando nele desde aquela noite no teatro, desde o terraço, desde o primeiro beijo. Uma vontade tímida, mas insistente, de não recuar outra vez. De não se esconder atrás do medo.
— Eu… quero. — respondeu, por fim, com a voz um pouco mais baixa do que pretendia.
Vincent sorriu, um sorriso pequeno, respeitoso. Não disse nada além disso, apenas começou a andar na direção certa, deixando espaço suficiente para Adam acompanhá-lo por escolha, não por impulso.
Enquanto caminhavam, Adam repetia para si mesmo, como um mantra silencioso: eu quero viver coisas novas. E, pela primeira vez, não parecia assustador o bastante para desistir.
***
Quando chegaram, Adam precisou de alguns segundos para absorver o espaço. O dormitório era maior do que ele imaginava, com o teto alto e uma janela ampla por onde entrava a luz amarelada dos postes do campus. Havia duas camas bem separadas, cada uma parecendo refletir perfeitamente quem a ocupava.
Do lado de Marcel, uma guitarra elétrica pendia na parede, acompanhada de pôsteres de bandas de rock, nomes que Adam reconhecia vagamente, misturados a outros que nunca tinha ouvido falar. Havia cabos organizados, um amplificador encostado no canto, tudo com um ar meio caótico, mas vívido.
O lado de Vincent era diferente. Mais contido. Um violão repousava cuidadosamente apoiado na parede, e acima da cama, um violino em suporte próprio, quase como se fosse uma peça de exposição. Ali também havia partituras empilhadas, livros de música clássica e um pequeno abajur que deixava tudo com um ar aconchegante.
Adam girou devagar no próprio eixo, observando tudo com atenção.
— Eu gostei da decoração — disse, sincero. — Dá pra saber exatamente quem mora aqui só de olhar.
Vincent riu, fechando a porta atrás deles.
— Isso é bom ou ruim?
— Bom — Adam respondeu rápido demais, percebendo o próprio entusiasmo e sorrindo de leve. — Combina com você.
Vincent arqueou uma sobrancelha, fingindo falsa modéstia.
— Cuidado, se continuar assim eu vou começar a achar que você veio aqui só pelo bom gosto musical.
O clima era leve, mas havia algo pulsando por baixo da conversa, uma expectativa silenciosa que crescia à medida que os minutos passavam. Eles se sentaram por um tempo, falaram de música, de como Adam nunca tinha tentado aprender um instrumento de verdade, de como Vincent não conseguia imaginar a vida sem som.
Em algum momento, as palavras foram diminuindo.
Vincent se aproximou. Adam não recuou. Apenas ergueu o rosto.
Quando Vincent se inclinou, o beijo veio natural, intenso e cheio de algo que já vinha sendo construído havia semanas. Adam sentiu o coração acelerar, as mãos procurando apoio quase por reflexo, segurando a camisa de Vincent enquanto o beijo se aprofundava.
Não havia pressa. Apenas a certeza silenciosa de que aquele momento era real, desejado, e que ambos estavam exatamente onde queriam estar.
O beijo logo ganhou profundidade, as línguas se entrelaçando com uma fome contida. Adam sentia o corpo de Vincent pressionado contra o seu, o calor dele atravessando as roupas, e suas mãos subiram instintivamente para o pescoço dele, puxando-o para mais perto. Vincent gemeu baixo contra sua boca, um som que fez o estômago de Adam se contrair de desejo.
As roupas começaram a ser descartadas aos poucos, camisas puxadas por cima da cabeça, calças desabotoadas com dedos ansiosos. Vincent era cuidadoso, sempre pausando para olhar nos olhos de Adam, como se pedisse permissão silenciosa a cada toque novo. Quando Adam ficou só de cueca, exposto e vulnerável sob o olhar dele, Vincent sorriu devagar, traçando os dedos pelo peito dele, descendo pela barriga, fazendo Adam arrepiar inteiro.
— Você é lindo — Vincent murmurou, a voz rouca, antes de se inclinar para beijar seu pescoço, chupando devagar a pele sensível ali.
Adam ofegava, as mãos nos cabelos de Vincent, guiando-o sem palavras. Eles se deitaram, Vincent por cima, o peso dele reconfortante, protetor. Os beijos desceram pelo corpo de Adam; colo, mamilos, barriga; e quando Vincent chegou à sua virilha, puxando a cueca para baixo com delicadeza, Adam tremeu.
Vincent ergueu o olhar, sério.
— Você… já fez isso antes? — perguntou, a voz baixa, sem julgamento, só curiosidade e cuidado.
Adam sentiu o rosto queimar, o coração martelando. Ele mordeu o lábio, olhando para o lado por um segundo antes de voltar a encarar Vincent.
— Não... — admitiu, a voz quase um sussurro, cheia de vergonha.
Vincent parou imediatamente, erguendo-se um pouco para olhar melhor para ele. Seus olhos eram gentis, sem pitada de decepção, só ternura.
— Tudo bem — disse, sincero. — A gente vai no seu ritmo, tá? Se quiser parar a qualquer momento, é só falar.
Adam assentiu, o peito apertado de emoção, e Vincent sorriu, beijando sua boca de novo antes de descer. Ele pegou o membro enrijecido de Adam na mão, acariciando devagar, fazendo-o gemer baixinho. Então, sem pressa, Vincent o tomou na boca, quente, úmida, a língua rodando na cabeça com uma precisão que fez Adam arquear as costas na hora.
— Ah... Vincent... — Adam gemeu, as mãos apertando os lençóis.
Vincent chupava com maestria, alternando sucções profundas com lambidas leves, a mão massageando a base enquanto a boca trabalhava. Era intenso demais, o prazer subindo rápido como uma onda, fazendo a visão de Adam embaçar. Ele sentia as pernas tremerem, o corpo inteiro tenso, o ar faltando nos pulmões. Quase desmaiou ali, a cabeça rodando, o mundo se reduzindo àquela sensação avassaladora de calor e pressão perfeita. Gemeu alto, sem controle, os quadris se movendo por instinto até Vincent segurá-los com firmeza, controlando o ritmo para não sobrecarregá-lo.
Quando Adam estava perto de chegar ao ápice, Vincent parou, subindo para beijá-lo de novo, deixando-o ofegante e desesperado.
— Não goza ainda — sussurrou, rindo baixo. — Isso é só o começo.
Eles se prepararam com calma. Vincent pegou lubrificante e camisinha na gaveta, explicando cada passo enquanto abria Adam com os dedos, um primeiro, devagar, massageando até ele relaxar; depois dois, curvando para acertar aquele ponto que fez Adam gemer de prazer.
— Tá tudo bem? — Vincent perguntava a cada movimento, beijando sua coxa interna.
— Sim... — Adam respondia, com a voz trêmula.
Quando Vincent finalmente colocou a camisinha e se posicionou, Adam estava pronto. Primeiro, de bruços, Vincent por trás, entrando centímetro por centímetro, pausando toda vez que Adam inspirava fundo, sussurrando "relaxa, mon chéri, eu tô aqui" até estar todo dentro. O ritmo começou lento, até que se tornaram estocadas profundas que faziam Adam morder o travesseiro, gemendo abafado, o prazer misturado a uma pontada inicial que logo virou puro êxtase.
Mudaram para a posição de lado, Vincent abraçando Adam por trás, uma mão no membro dele acariciando no mesmo ritmo das estocadas, beijando seu ombro, o pescoço. Era íntimo, protetor, Adam se sentia seguro nos braços dele enquanto o prazer crescia.
Mas Vincent parou de novo, virando Adam com cuidado.
— Quero ver seu rosto — disse, a voz baixa e cheia de desejo. — Quero te ver todo.
Adam então deitou de costas, com as pernas abertas, Vincent se posicionando entre elas, entrando de novo devagar. Dessa vez, cara a cara, os olhos presos um no outro, Vincent por cima, apoiado nos cotovelos para não pesar demais. Ele estocava com força controlada, profunda, acertando o ponto perfeito, enquanto beijava Adam sem parar: na boca, no queixo, no pescoço.
Adam estava vermelho vivo, suado, com os olhos vidrados de prazer.
— Você fica lindo vermelho assim — Vincent murmurou contra sua boca, sorrindo.
Adam sentiu o calor explodir ainda mais, o rosto queimando de vergonha e excitação, ficando vermelho como nunca. Ele tentou virar o rosto e escondê-lo com o braço, mas Vincent segurou seu queixo, rindo baixo, um riso carinhoso e rouco que vibrou contra a pele dele. Ele acelerou o ritmo.
— Não se esconda não, mon chéri... olha pra mim.
Adam ergueu os olhos, obedecendo ao pedido sussurrado de Vincent. E ali estava ele: Vincent o encarando com uma intensidade que parecia atravessar camadas inteiras de pele, músculo e osso.
Adam nunca se sentiu tão vulnerável na vida. Estar assim, de pernas abertas, completamente exposto, com Vincent dentro dele, movendo-se com aquela precisão cruel que acertava exatamente onde o prazer era mais insuportável… Era demais. O corpo inteiro tremia, o coração batendo tão forte que ele achava que Vincent podia sentir contra o próprio peito. Não havia onde se esconder. Nenhum escudo, nenhuma piada, nenhum silêncio tímido que pudesse protegê-lo agora.
Ele tentou sustentar o olhar, tentou ser corajoso, mas o prazer estava subindo rápido demais, queimando tudo no caminho. Vincent acelerou mais ainda, as estocadas ficando mais fortes, mais profundas, o som dos corpos se encontrando ecoando baixinho no quarto silencioso. Um gemido rouco escapou da garganta de Vincent, baixo e gutural, o rosto dele se contorcendo de prazer enquanto ele se aproximava do ápice.
— Isso… deixa eu te ver — Vincent sussurrou, a voz falhando, os quadris perdendo um pouco do controle.
Adam não aguentou. Fechou os olhos com força, a cabeça caindo para trás contra o travesseiro, um gemido alto e descontrolado escapando enquanto o orgasmo o atingia como uma onda violenta. O corpo inteiro se contraiu ao redor de Vincent, as mãos agarrando os ombros dele com força, as pernas tremendo. Só existia aquela sensação de se desfazer completamente nos braços de alguém.
Vincent gemeu o nome de Adam, baixo e quebrado, enterrando-se fundo uma última vez antes de chegar ao orgasmo também, o corpo todo tenso, tremendo contra o de Adam. Ele desabou devagar, cuidadoso para não pesar demais, o rosto escondido no pescoço de Adam, respirando pesado contra a pele suada.
Por longos segundos, só se ouvia a respiração dos dois, ofegante, se acalmando aos poucos. Vincent beijou devagar o ombro dele, depois o pescoço, depois a lateral do rosto, como se quisesse marcar cada centímetro com carinho.
— Você foi perfeito — murmurou, a voz ainda rouca, cheia de emoção. — Tão perfeito, mon chéri…
Adam abriu os olhos devagar, ainda zonzo, o corpo mole e satisfeito como nunca. Ele virou o rosto, encontrando o olhar de Vincent, agora mais suave, quase tímido. Sorriu, pequeno e cansado, mas verdadeiro.
— Eu… nunca pensei que isso pudesse ser assim — confessou, baixinho, a voz falhando um pouco.
Vincent sorriu de volta, beijando sua testa com uma ternura que fez o peito de Adam apertar de novo, de um jeito diferente.
Ficaram ali depois, ofegantes, Vincent tirou a camisinha e jogou fora antes de voltar para abraçar Adam, puxando-o contra o peito, dando beijinhos leves na testa, nos cabelos.
Eles ficaram assim, entrelaçados, o silêncio do quarto preenchido só pela respiração dos dois, como se o mundo lá fora tivesse parado só para eles.
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