Tsurai - continuação de Ano Baka
11 Sentimentos Intensos
Notas iniciais
― Eu não sei do que você está falando. – ela tentou desconversar.
― Não minta pra mim. Eu vi você e o Sasuke aos beijos diante do velho carvalho.
― Como?
― Ora, como? Com o meu Byakugan, é claro!
― Neji-san, o Byakugan não deve ser usado para isso.
― Hinata, eu tenho ordens expressas do seu pai para ficar de olho em você e no Hitachi, então é claro que vou usar o Byakugan para tal tarefa.
Hinata não imaginou que seu primo estivesse levando tão a sério aquela loucura do pai dela.
― Hinata, nós vamos nos casar em algumas semanas, saiba que não estou nenhum pouco feliz com o que você fez.
― Eu... eu não queria... eu juro que não.
― Não me pareceu que foi um beijo à força.
Hinata escondeu o lírio que ainda trazia atrás do corpo, mas Neji já havia visto a flor. Ele caminhou tranquilamente até ela e com as mãos atrás das costa da garota, tomou a flor das mãos dela.
― É uma bela flor, preciso admitir. – ele disse enquanto observava a planta – mas você sabe que ele a está enganando, não sabe?
―...
― O Sasuke percebeu que agindo como agia ele não conseguiria nada. Ele acha que não sei dos genjutus ou henges que ele fez para se aproximar de você? Vocês me subestimam.
― Neji-san, não é nada disso! Ninguém te subestima! Eu não quero mais nada com o Sasuke!
― E você quer algo comigo?
“Não, você ajudou o meu pai a mentir, não posso concordar com isso!”, ela pensou mas ficou calada.
― Mesmo que você não queira – Neji continuou – nós nos casaremos em breve. Se ainda não esqueceu o Uchiha trate de esquecê-lo, não tolerarei traições da minha esposa.
Hinata pensou onde estava o seu calado e insosso primo, que nunca opinava e não se impunha. Agora ele parecia um tigre brigando pelo direito de se acasalar com a fêmea.
― Eu não entendo isso, Neji-san.
― Porque está me chamando assim?
― Por que é o seu nome – Hinata respondeu automaticamente.
― Você sempre me chamou de Neji-nii-san, o que mudou?
― Mudou que você ajudou o meu pai a mentir! Porque foi dizer que dormiu comigo diante de todos quando isso não é verdade?
― Sinto muito por isso, mas eu não conseguiria desmentir seu pai, não depois de tudo o que ele fez por mim.
― O que ele fez por você? Você cresceu sem o seu pai por causa dele! Tem esse maldito selo na testa por causa dele!
― E eu vou me casar com a mulher que eu amo por causa dele.
O coração de Hinata falhou várias batidas. Até então ela não sabia dos reais sentimentos do seu primo, foi um choque descobrir daquela maneira. Um choque tão grande que ela deixou-se cair sentada na poltrona mais próxima. Neji ajoelhou-se diante dela.
― É verdade, Hinata. Eu nunca te disse, mas eu sou apaixonado por você desde sempre – Neji resolveu não se conter mais – qualquer coisa que a família primária tenha feito para a família secundária não significa nada diante da felicidade que senti quando seu pai deu a sua mão pra mim.
Ele completou a frase segurando a mão dela. Hinata ficou observando os olhos de Neji, sempre tão apáticos e insensíveis, mas agora ela quase poderia ver as chamas, a intensidade daquela paixão.
― Esqueça o Sasuke para sempre e fique comigo, e eu juro que vou te fazer tão feliz que você sequer se lembrará dele.
Essa era uma promessa séria. Mas como uma pessoa pode ter certeza que só o amor dela é suficiente para os dois? Hinata sabia que seu sentimento por Neji era meramente fraternal, nunca o desejaria como desejava o Sasuke, por mais belo que ele fosse. Por outro lado, ela e Sasuke não tinham mais nada e nem teriam, aquele beijo foi um erro, um deslize da parte dela. Hinata havia prometido a si mesma que esqueceria ele para sempre, mas o seu desejo era tê-lo novamente para si e que eles juntos pudessem voltar a ser uma família com Hitachi. Mas era essa a intensão do Sasuke? Ela não sabia, ele não havia dito nada a ela, somente a beijado. E assim como ela se enganou naquela noite chuvosa, achando que ele a amava pela maneira terna como a havia tocado, ela poderia novamente se enganar com os doces beijos dele. Hinata estava crente que assim que colocasse as mãos em Hitachi, Sasuke a chutaria como uma cadela sarnenta e a ela só restaria chorar e se lamentar como naquela manhã em Kumo.
― Eu não sabia que você gostava de mim... eu achei que você havia concordado em se casar somente para seguir as ordens do meu pai.
― Não, eu não gosto de você, eu te amo.
Hinata corou com aquela declaração. A não ser que quisesse abrir mão de Hitachi, algo que ela não faria nunca, Hinata teria que se casar com Neji. Isso era um fato que ela não poderia mudar. Enquanto homem à sua frente a oferecia um amor sincero e a felicidade em família, seu coração batia por outro que não a oferecia nada, somente incertezas e a possibilidade de magoá-la.
― Tudo bem, Neji-san... eu aceito os seus sentimentos. – ela respondeu com a voz baixa – mas não prometo que vou poder retribuir, eu estou fazendo isso pelo Hitachi.
― Eu sei, mas com o tempo você vai me amar... eu não sou tão mau assim.
Hinata sorriu genuinamente, ele não era mau, ele era uma pessoa maravihosa, mas havia um ponto de desacordo entre eles que ela achou melhor acertar logo antes que fosse tarde demais.
― Você é ótimo Neji-nii-san. Mas eu fiquei chateada com você apoiando o meu pai. Você sabe que o Hitachi é filho do Sasuke.
― Sim, eu sei. Qualquer um que olhar para ele pode ver isso.
― E então?
― Então o quê?
― Porque apoiou o meu pai?
― Eu já te falei, sou muito grato ao seu pai. Não irei contra a palavra dele. Além do mais não pretendo jogar minha família nas mãos do Sasuke. Se ele quer o Hitachi ele vai ter que fazer por merecer.
― Mas ele o merece! Ele era um pai maravilhoso!
― Tudo bem, não vou discordar de você porque eu não estava lá para ver. Mas não vou facilitar a vida do Sasuke só por causa disso.
― Porque está fazendo isso, Neji?
― Porque eu acredito que logo o Sasuke vai esquecer o Hitachi, assim como te esqueceu. Ele sempre foi o “galãzão” de Konoha, logo vai arrumar uma nova mulher e ter filhos com ela. Com certeza quando isso acontecer ele não vai mais se importar tanto com o Hitachi.
Hinata já havia pensado na possibilidade de Sasuke casar-se de novo. E se ela estava se casando pela segunda vez, ele também poderia. O que ela não poderia aceitar era a possibilidade dele esquecer Hitachi, isso era impossível. Sasuke amava muito o próprio filho para esquecer-se dele quando tivesse uma nova família. Ela não era mais esposa dele, mas o Hitachi sempre seria seu filho.
― Não Neji-nii-san, ele não faria isso. O Sasuke realmente se importa com o Hitachi, é um pecado separar pai e filho. Permita que ele possa vê-lo, por favor, eu prometi isso à ele.
― Em troca de outros beijos?
― Não!
― Olha Hinata, enquanto não nos casarmos, não posso fazer nada quanto a isso, mas depois que a gente se casar, eu não terei problemas em permitir que o Sasuke veja o Hitachi.
― Sério mesmo?
― Sim, mas só depois que a gente se casar. Aqui você está sob as regras do seu pai, mas depois estaremos na minha casa, eu farei as regras.
Hinata quase pulou de alegria no sofá. Ela o abraçou apertado e Neji sentiu a pele corar.
― Isso é maravilhoso, Neji-nii-san! Eu fico feliz que você de fato não apóie as loucuras do meu pai.
― Eu vou comprar uma briga feia com Hiashi, então espero que o Sasuke saiba dar valor a isso.
― Ele vai, pode ter certeza! Amanhã mesmo vou falar com ele e...
Uma sombra escura passou pelos olhos claros do rapaz.
― Não, Hinata. Não quero você perto do Sasuke, ele vai tentar te seduzir. Fique longe dele e eu mantenho minha promessa, do contrário não posso garantir nada.
Hinata assentiu, mas no peito ficou uma dor estranha por não poder mais ver o Sasuke. Se essa era a exigência de Neji antes do casamento, o que ele não exigiria depois?
***
Como combinado, Sasuke apareceu na casa principal no dia seguinte, mas ao invés de Hinata, Neji o aguardava em silêncio.
― Uchiha-san. – Neji o comprimentou cordialmente.
― Hyuuga-san – Sasuke respondeu no mesmo tom.
Os dois ficaram se medindo friamente, então Neji quebrou o silêncio.
― A Hinata-san não poderá recebê-lo hoje, mas ela me pediu para te dar um recado.
O rosto de Sasuke estava duro como uma pedra, ele tinha intenção de dar uns bons amassos na ex-esposa naquela tarde, porque diabos o Hyuuga foi se meter entre eles?
― Ela disse que assim que nós nos casarmos você terá direito a visitas periódicas ao Hitachi, mas até lá ela pede a gentileza de você manter-se afastado.
― Ela disse isso? – Sasuke perguntou sem acreditar.
― Sim.
Sasuke não acreditava muito que Neji fosse deixar ele ver o Hitachi depois do casamento, mas o que ele não acreditava menos ainda era que Hinata não o queria ver mais. Se no dia anterior ela estava toda derretida, o que mudara? Ele duvidava muito que ela tivesse subitamente se apaixonado por Neji e o quisesse longe.
― Eu quero ouvir isso da boca dela.
― Mas você vai ter que se contentar com a minha – Neji respondeu sarcástico – agora por favor deixe a casa principal e não apareça mais aqui, estamos sendo tolerantes demais com você.
O maxilar de Sasuke contraiu-se pela raiva. Aquele bicha estava enganando ele, depois do casamento ele tinha certeza que nunca mais veria o Hitachi e o pior, não poderia tentar roubar alguns beijos da Hinata.
― Você não estará aqui o tempo todo, eu vou conseguir falar com ela pessoalmente. – Sasuke disse com um sorriso de escárnio antes de partir num jutsu.
Ele não se afastou muito, permaneceu no alto das árvores que rodeavam a propriedade principal do clã Hyuuga e ocultando o chakra observou. Neji passara uma boa parte da tarde discutindo assuntos políticos e questões do clã com Hiashi, Hanabi treinou sozinha no jardim. Hinata apareceu algumas vezes do lado de fora da casa, mas esteve no interior da residência a maior parte do tempo. Hitachi não foi visto por ele. Ao cair da noite, todos jantaram em silêncio e depois Neji e Hinata ficaram sozinhos no jardim. Sasuke sentiu o estômago revirar-se com o cortejo do seu rival. Neji agia de maneira muito polida e elegante e Hinata não parecia totalmente desconfortável perto dele, mas não trocaram beijos e nenhum tipo de intimidade. Depois de mais ou menos uma hora daquele chove não molha, Neji despediu-se e saiu.
Sasuke seguiu-o pelo alto das árvores. Ao invés de ir para casa, o Hyuuga tomou o caminho da casa de chá. Lá ele escolheu a mesma morena carnuda que Sasuke escolhera semanas antes, mas ao invés de não usufruir dos serviços como Sasuke fizera, Neji aproveitou pelos dois.
― Esse filho da puta. – Sasuke praguejou para si mesmo.
Sabendo que era assim que o Hyuuga passava as suas noites, Sasuke sentiu-se encorajado. Com isso ficava provado que o Hyuuga não era o santinho que todos pensavam, se ele tomava mulheres na casa de chá era porque o amor dele não era tão profundo assim. E também, porque entretido como estava, Neji dificilmente iria atrapalhá-lo. Se durante o dia Neji parecia um gavião vigiando Hitachi e Hinata, à noite Sasuke agiria como uma águia. Correu para a casa principal, estava silenciosa, Hiashi e sua esposa estavam em uma sala particular, Hanabi não foi vista e Hinata acabava de sair do banho naquele exato momento. Sasuke ficou extasiado em ver aquela pele rosada, aquecida e macia. Um leve vapor subia enquanto ela secava os longos cabelos. Assim que terminou a tarefa, vestiu-se com uma yukata simples e pegou um livro sentando-se na cama. Silencioso como sempre, Sasuke passou pela janela. Ficou em pé diante da moça que lia distraída.
― Hinata.
Hinata deu um pulo assustada.
― O que você está fazendo aqui?
― Eu combinei de vê-la hoje, não se lembra? Como o seu noivinho não me deixou eu resolvi vir direto até você.
― É melhor você ir embora Sasuke – Hinata disse preocupada.
― Não antes de a gente poder conversar. – ele disse enquanto tirava o livro da mão dela e o colocava ao lado. – Onde está o lírio que eu te dei?
Hinata estava envergonhada, não poderia dizer que Neji tirou a flor dela e depois a despetalou e jogou fora.
― Eu não sei. – ela mentiu.
― Não tem problema, tenho muitos outros para você – ele disse no mesmo momento em que estendia um lírio tão belo quanto o primeiro que a dera.
Hinata pegou a flor e a ficou olhando. Ela não entendia muito bem onde o Sasuke queria chegar com aquela súbita onda de romance. Ele que antes estava tão agressivo agora parecia como na época em que eram casados, tão doce, amável e sedutor. Hinata estava muito confusa quanto às intenções dele, mas não poderia incentivá-lo com aquilo, por mais que seu coração batesse desesperadamente tendo-o tão perto como ele estava.
― Hey Hina... – ele pegou uma mecha do cabelo ainda úmido dela.
― Pare com isso Sasuke. – ela disse puxando a mecha devolta.
― Parar com o quê?
― Isso o que você está fazendo!
― Eu não estou fazendo nada.
― Está sim! Eu ainda me lembro muito bem das palavras que me disse em Kumo.
― Eu fui um tolo.
― Então por acaso você mudou de ideia a respeito dos seus sentimentos?
A Hinata era esperta, Sasuke teria que admitir. E assim como todas as outras mulheres, ela não esqueceria aquilo tão facilmente, a maneira como ele a humilhou depois da intensa noite que tiveram, isso a havia marcado de um jeito que dificilmente ela esqueceria. Agora ela estava de casamento marcado com o seu primo, que no pensamento dela a amava de verdade, e que poderia fazê-la feliz mesmo sem que ela o amasse. Porém, Hinata não sabia que os sentimentos de Sasuke eram muito mais intensos e sinceros que os de Neji, e que mesmo que ele tivesse dito coisas terríveis para ela, nada daquilo era de fato verdade. Ela era a deusa do seu coração, mas ele era muito arrogante para admitir, principalmente porque fora muito humilhado no passado.
― Eu não sei, Hina. Mas só de pensar em... só de pensar em você com aquele Neji...
― O que acontece quando você pensa nisso?
Sasuke queria dizer que tinha vontade de matar Neji dez vezes e outras dez por ousar tocar no que era dele. Mas a Hinata não era mais dele, ele havia pedido o divórcio e não deu chance alguma aos sentimentos dela. Ele se arrependeu ao perceber que ele próprio a afastara.
― Eu fico muito triste.
― Eu sinto muito Sasuke, mas eu não posso te ajudar com essa sua tristeza.
Então ele se aproximou com cuidado e tocou seu rosto, Hinata se encolheu um pouco e abaixou a cabeça. Sasuke chegou mais perto e disse numa voz muito baixa perto do seu ouvido.
― Pode sim... Me faça feliz de novo.
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