Notas iniciais
Imaginem se a Sae não fosse má, apenas uma alma desesperada para estar com quem ama. É assim que eu vejo ela.

Eu estava sentada na ultima carteira da fileira que ficava ao lado da janela, e como já havia terminado as atividades que o professor havia dado, observava as nuvens escuras se aproximando umas das outras: "parece que a chuva está por vir":

– Srta Kurosawa, esta semana receberemos um aluno novo, se importaria se fizesse dupla com ele no trabalho que estou pensando em dar à vocês? — Perguntou-me o katsuki-sensei.

–Eu não me importo em fazer dupla com ele. — respondi como uma aluna tímida e exemplar que eu "parecia" ser.

–Obrigado srta Kurosawa — o Katsuki-sensei suspirou — acho que é a única que não teve pensamentos"pervertidos"com a noticia de um novo aluno.

A turma inteira riu baixo, exeto eu que apenas sorri e voltei a observar o céu.

Estávamos na ultima aula de sábado: Música. Eu gostava dessa dessa aula, me fazia sentir alegria com os os ritmos animados que tocávamos.

– Certo, a aula acabou, podem ir para casa. Até mais — Despediu-se Katsuki-sensei.

Todos saíram apressados, já eu, peguei minha bolsa,calcei minhas sapatilhas e saí calmamente.

– Sae aqui! — Aiko me chamou — Vem logo!

– Estou indo — falei já ao lado dela e de Yuka.

– A calma que você tem com as ocoisas me surpreende — Riu Yuka.

– Está bem srtas apressadas — Eu ri também — Vamos logo então.

Estávamos a caminho de uma lanchonete onde sempre vamos após a aula:

– O Katsuki-sensei quis que você fizesse dupla com o aluno novo para o trabalho de musica — Aiko fez uma cara triste — Queria estar no seu lugar...

– Foi por isso que ele escolheu a Sae — Yuka apontou para mim — Ela não fica querendo querendo "dar" pra ninguém.

–Que pena... A lanchonete está fechada — desconversei, aquele tipo de assunto me deixava envergonhada — Até mais.

– Até — disseram as duas.

Segui meu caminho para casa. Minha casa era antiga, tinha a arquitetura do período Edo. Eu havia escolhido morar ali por que parecia a Mansão Kurosawa, lugar onde nasci, lógico que não era tão grande nem cercado por um fosso, mas me fazia sentir em casa e era do tamanho certo para um espirito que fingia ser humano viver.

Chegando em casa, guardei minha bolsa e vesti uma meia 7/8 preta com uma saia branca e uma camiseta vermelha & preta com um laço vermelho como detalhe. Minha franja ficava inclinada para o lado direito do rosto, para não cobrir os olhos, eu ficava assustadora quando minha franja estava sobre os olhos. Me olhei num dos únicos espelhos da casa ( eu tinha poucos espelhos, pois meu reflexo sempre ficava um pouco embaçado) e comentei sorrindo:

–Estou bem parecida com a Mio — por um momento senti algo como um aperto no coração, mas logo me recuperei.

Peguei um pequeno baú que guardava escondido e me sentei na cama de casal, que não usava, e comecei a ver as fotos que estavam guardadas dentro dele. Mas antes que eu pudesse pegar a primeira foto, Tsuin pulou no meu colo, eu a acariciei um pouco. Tsuin é minha gata,ela tinha a pelagem castanho avermelhada, um olho vermelho e outro verde. Eu cuidava dela desde que tinha dois anos, quando a encontrei quase morta por um arame amarrado a seu pescoço, fiquei com pena delas pois sabia a dor que sentia e a adotei, já fazem três anos que isso aconteceu e hoje ela anda sempre comigo quando estou em casa, ela é a única que sabe que eu já morri.

Peguei uma foto do baú em que aparecia eu e minha irmã gêmea Yae, nessa foto meu rosto havia saído borrado, talvez a câmera Obscura já soubesse o que ia acontecer. Fiquei olhando um tempo para a foto:

– Se tivéssemos fugido o que teria acontecido? — Perguntei a mim mesma.

Peguei outra foto em que havia dois irmãos gêmeos (Itsuki e Mutsuki) e uma garotinha no meio deles (Chitose):

– Eu sentiria sua falta — eu respondi a pergunta que havia feito a mim mesma e suspirei — Pelo menos você vai ficar pra sempre com seus irmãos — comentei olhando para a imagem de Itsuki.

Nessa hora Tsuin começou a miar ao meu lado.

– É mesmo, você precisa comer pra continuar aqui — Sorri lembrando que tinha de dar comida a Tsuin.

Guardei as fotos e coloquei comida para Tsuin. Enquanto ela comia peguei uma boneca que havia trazido comigo da vila e comecei a pentear seu cabelo:

– Eu quero esquecer o sofrimento das pessoas de casa, não delas. Eu quero sempre me lembrar deles.

Notas finais
ツイン (Tsuin)pode ser traduzido como Gêmea