Tsufuru Mania
14 Capítulo XII
Várias horas depois, Konbu começou sua rotina de reacender as chamas da caverna com seu cajado, simbolizando o início de um novo dia. Purin a acompanhou enquanto ela fazia isso, porque tinha muitas perguntas sobre Remonpai. Enquanto isso, os outros tsufurujins foram acordando também e, já bem descansados e alimentados, começaram a conversar mais e a explorar a caverna. Ainda estavam meio melancólicos, pensando em tudo que aconteceu em Planta, mas o humor em geral estava melhorando, já que a caverna era confortável e tinha muito o que se ver. Além das diversas plantas e cogumelos que Konbu cultivava, vários animais estranhos habitavam o lugar.
Chiri foi a que acordou mais cedo, e passou a “manhã” fora da caverna, voando por aí e explorando o planeta. O clima ainda era caótico, mas graças aos cogumelos, ela não passava mais pelos efeitos da radiação. Então ela aproveitou a exploração como um método de treinamento, voando através de tornados, levantando rochas pesadas e matando criaturas malignas que a atacavam. Chiri voltou para a caverna tempos depois, toda descabelada e com alguns arranhões. Estava agitada, quase animada.
- Boas notícias! Eu estava dando uma volta onde pousamos e aquela nave maior ainda está intacta! O furacão que vimos deve ter desviado de caminho. De qualquer maneira, tinha umas rochas enormes por ali, e consegui levantar elas para construir uma muralha improvisada na frente da nave. Isso deve protegê-la de outros furacões, teoricamente.
Depois do café da manhã — mais cogumelos e algumas frutas, já que Konbu não comia carne — Purin convocou Chiri e Keki para uma reunião em um salão vazio. Konbu apareceu também.
- Eu tenho um plano — disse Purin, enquanto os outros estavam sentados observando — Vamos voltar para Planta, acabar com a tirania dos saiyajins malvados e impedir que eles destruam outros planetas. Não é possível simplesmente acabarmos com todos os nossos inimigos, mas derrubar o Rei Vegeta, isso sim é possível. Vamos cortar a cabeça da serpente, como se poderia dizer.
- E como vamos fazer isso? — perguntou Keki — Ele é muito mais forte, e mesmo se de algum jeito conseguíssemos alguma vantagem, ele meio que tem um exército, que não ia simplesmente deixar a gente vencer e ir embora tranquilamente.
- Eu pensei nisso. Mas nós não precisamos lutar contra ele lá em Planta. Na verdade, não precisamos lutar contra ele em lugar nenhum — disse Purin, e então se virou para Chiri — Você derrotou o Grande Nappa, e o Rei Vegeta não deve ter esquecido disso, e estaria te caçando neste exato momento, se soubesse em que planeta está, então vamos tirar proveito disso. Primeiro voltamos para Planta, depois vamos colocar muitas bombas dentro das naves espaciais, e por fim, você vai usar o scounter para mandar uma mensagem a ele, um desafio. Diga a ele para vir até Remonpai e BOOM!, nós explodimos as bombas. Assim, matamos o líder tirano e impedimos os outros saiyajins malvados de explorarem o espaço. Eles provavelmente vão se matar em guerras antes de descobriem um novo jeito de sair do planeta, e isso é o melhor que podemos fazer. Nós não podemos mais salvar Planta, mas nós podemos vingá-la.
- Tá bom, eu concordo que o Rei Vegeta não resistiria ao desafio — disse Chiri — caramba, nem mesmo eu resistiria. Mas ele não iria ser destruído só com algumas bombas.
- Sim. As bombas não vão fazer nada com ele, mas o vácuo do espaço vai. Vamos explodir as bombas bem depois de ele ter decolado. A nave é destruída, ele sobrevive à explosão, e talvez até sobreviva uns bons minutos à deriva no espaço, mas no meio do caminho até Remonpai, é impossível que ele consiga voltar para Planta!
- Cara, você é um gênio! — disse Keki, pulando de alegria — Ele vai morrer no meio do espaço sideral, e nem vai saber o que houve! Imagina o terror que ele vai sentir!
- É, eu tenho que admitir que é um bom plano — disse Chiri — Mas onde vamos conseguir as bombas?
Purin explicou o que Konbu havia lhe contato mais cedo: a alguns quilômetros dali, havia ruínas de uma cidade, com laboratórios do governo onde diversas armas e bugigangas tecnológicas eram desenvolvidas, ironicamente muito semelhante àquela em Planta, onde Purin e Keki foram capturados. Nessa cidade fantasma, deveriam encontrar as bombas, o que ainda dependia de alguma sorte, fora o cuidado que deveriam ter para chegar nas naves em Planta e plantar as bombas.
Ainda haviam algumas questões a se considerar, como por exemplo, o que fazer com Sunnaku, ou como pousar em Planta sem serem vistos.
- Preciso dar uma olhada nas naves, mas acho que consigo colocar coordenadas exatas para pousarmos em algum deserto remoto — disse Purin — Talvez eu até consiga controlar nosso horário de chegada, porque se for de noite, quem quer que veja nossas naves chegando, vai pensar que são estrelas cadentes. Sobre Sunnaku, eu sinceramente não sei. Queria poder me vingar dele também, mas isso não é essencial para o plano, então talvez a gente deixe essa passar. De qualquer maneira, agora precisamos ir até a Cidade Fantasma.
Sobre a execução do plano, Konbu não gostava de sair da caverna, então se limitou a apontar para a direção da Cidade Fantasma e desejar boa sorte aos viajantes, além de lhes dar mais cogumelos anti-radiação.
Chiri poderia ir sozinha, mas apenas Purin saberia como identificar as bombas que procuravam. Keki não precisava realmente ir, mas se recusou a ser deixado de fora. Razuberi não gostava da ideia de deixar o filho ir, mas sabia que não havia como discutir, além de que essa era uma missão muito importante que traria orgulho para todos os tsufurujins no futuro, se é que um dia eles sairiam de Remonpai.
Não havia motivos para esperar mais, então o trio partiu. Além de se sentirem mais motivados, a sopa de cogumelos da noite passada e da manhã ainda mantinha seus corpos saudáveis e aquecidos, o que ajudou na difícil jornada. Difícil para os dois tsufurujins, é claro. Chiri foi voando carregando os dois, um em cada mão, mas Purin e Keki tinham muita dificuldade de respirar voando tão alto e rápido, naquela ventania, então constantemente tinha que parar em algum lugar seguro para recuperar o fôlego. “Vocês são mesmo sensíveis igual dois coelhinhos, hein?” disse Chiri, em tom brincalhão. Ela estava realmente empolgada com a missão. Purin e Keki também, embora estivessem mais ansiosos para a parte em que tudo estivesse resolvido.
Em um certo ponto da viagem, pararam para descansar em uma pequena floresta. As árvores lá eram altas e tinham folhas escuras super resistentes que cobriam quase todo o céu, então protegiam contra o vento, além de oferecerem alguma iluminação e ser mais fácil respirar por lá. Purin ficou admirando as folhas luminosas, desejando poder estudar a composição delas algum dia. Chiri estava perto dele, servindo de guarda-costas, já que qualquer tipo de criatura estranha poderia estar por ali.
Keki saiu para explorar, sem que os outros notassem. Ele foi andando em direção ao centro da pequena floresta, quando percebeu um ponto em que as árvores estavam menos densas. Ao se aproximar, percebeu que na verdade havia um enorme buraco no chão. Por causa da escuridão, era difícil identificar a profundidade, mas fora isso, Keki teve a impressão de que não era um buraco comum que apareceu naturalmente. Ele foi até a borda do buraco e, após alguns segundos observando, pegou uma pedra. Ia soltá-la dentro do buraco, mas no momento em que ia fazer isso, o chão cedeu sob seus pés, e Keki caiu na escuridão.
O fundo do buraco era macio, o que amorteceu completamente a queda. Por si só, isso já era estranho, mas além disso, também era quente. Keki se sentiu aliviado por alguns segundos, mas então percebeu também que o lugar era úmido e viscoso. Depois percebeu que estava afundando mais e mais, e ao olhar para cima, percebeu que o buraco se fechou. Em meio ao desespero, Keki não teve dúvidas; caíra dentro do estômago de alguma criatura.
Keki tentou gritar algumas vezes, mas sabia que não estava sendo ouvido. Apenas afundou mais um pouco, até que parou, no que parecia ser um objeto metálico, talvez do tamanho de um carro pequeno. Estava entalado com Keki dentro da criatura. As paredes começaram a se contrair, e Keki acreditou que a criatura estivesse tentando cuspir, ou engolir aquilo que estava preso em sua garganta. “Ai de mim!” pensou o pobre tsufurujin “Agora sei como um scounter se sente”.
Enquanto isso, Purin e Chiri ouviram um ruído estranho, e foram correndo ver o que era. Ao chegarem lá, viram uma enorme criatura rastejando para fora de um buraco. Parecia uma larva gigante, viscosa e cheia de perninhas. Ela estava se contorcendo, com a boca aberta, e começou a vomitar. De dentro dela, apareceu ninguém menos do que Keki.
- Ei, me ajudem! — disse Keki, erguendo uma das mãos.
Chiri foi até ele depressa e o puxou. Precisou de mais força do que imaginava, mas logo entendeu o porquê: com a outra mão, Keki segurava alguma coisa, que estava tentando tirar de dentro da criatura. Depois de mais uns bons puxões, Chiri e Keki conseguiram tirar aquilo.
- Isso… Isso é um carro! Essa coisa engasgou com um carro?! — disse Purin — Ela deve ter pensado que era comida, e acabou ficando com isso preso no estômago.
A tal “Coisa” ficou parada por alguns momentos, respirando profundamente. Ela então rastejou para um pouco mais perto e fez um movimento com a cabeça. Estaria acenando?
- Até que ele é bonitinho, não acham? — disse Chiri, fazendo carinho na cabeça da criatura.
- Esse “bonitinho” quase me devorou! — disse Keki.
- Já sei, vamos dar um nome! Que tal Gominho? — disse Purin, passando os dedos por onde deveria ser o queixo de Gominho.
O trio ficou fazendo companhia para Gominho por um tempo, até que ele rastejou de volta para seu buraco e sumiu. A contragosto, Keki teve de admitir que o bicho tinha mesmo uma boa aparência, visto de fora.
Após este breve encontro, Purin foi examinar o veículo, que estava só uma carcaça “É a primeira vez que vemos algo que foi feito por seres inteligentes, fora da caverna de Konbu. Devemos estar chegando na cidade”. O trio partiu logo em seguida. Não demorou muito para encontrarem construções e partes de uma estrada, tudo destruído pelo tempo e pelo clima extremo. Logo mais viram um aglomerado de prédios no horizonte, e Chiri começou a voar mais rápido, carregando os outros dois.
Luzes azuis saíam por várias janelas dos prédios, o que levou todos a pensarem que havia pessoas lá. Mas logo perceberam que grandes árvores cresciam por toda parte, incluindo dentro dos prédios, e as folhas dessas árvores eram luminosas, como na caverna. Algumas dessas árvores derrubaram parede e teto, se acomodando onde bem entendiam. A presença de outros seres vivos inteligentes não passava de uma lembrança distante.
- Olha aquele prédio! — disse Keki, apontando com uma das mãos, enquanto usava a outra para continuar segurando em Chiri. Era um prédio alto e largo, com uma arquitetura mais complexa do que a dos outros. No topo, um letreiro com letras desconhecidas — Parece coisa mega futurista, como se fosse de um filme de super herói. Aposto que vamos encontrar nossas bugigangas lá.
Chiri pousou no chão e entrou com Purin e Keki dentro do prédio. O lugar foi dominado pela natureza, assim como todos os outros lugares. Plantas cresciam abrindo caminho livremente pelo concreto. Havia muitos pontos escuros, mas a maioria das plantas e insetos emitiam aquela luminosidade típica do planeta, o que ajudava Purin, Keki e Chiri a se orientarem. Eles puxaram do chão algumas plantas particularmente brilhantes para usarem de tochas, e seguiram em frente. Fora a destruição causada pelos vários anos de abandono, o prédio realmente parecia moderno; no meio havia um grande balcão circular com computadores e cadeiras chiques. Em uma lateral, catracas com dispositivos que pareciam servir para reconhecimento facial. Depois disso havia elevadores obviamente quebrados. Mais adiante no térreo, viram uma grande parede de vidro quebrado, com uma porta que dava para um grande salão, cheio de esteiras e pesos; era uma academia. Em frente à academia, um refeitório. As portas das geladeiras estavam escancaradas, e as mesas e cadeiras todas derrubadas. Keki revirou os armários, mas não encontrou nada além de latas vazias e fungos.
- Bem, este parece ser um prédio de gente importante, talvez alguma coisa do governo — disse Purin — Vamos investigar.
O trio continuou vagando pelo térreo, tentando permanecer juntos, pois alguma criatura mais perigosa do que Gominho poderia estar à espreita. Viram uma porta com os dizeres “Somente Pessoal Autorizado” e entraram por ela. Seguiram por um corredor com mais paredes de vidro, que davam para salas com paredes e móveis brancos. Nelas encontraram mais computadores, caixas com potes de comprimidos que ninguém se arriscou a experimentar, e também microscópios. No final daquele corredor, deram de cara com uma porta com os dizeres “Somente Pessoal REALMENTE Autorizado”. Assim foram avançando por mais corredores e escadarias que desciam cada vez mais fundo no subsolo.
As salas estavam ficando com aparência mais “tecnológica” e menos dominada pela natureza à medida que avançavam. Não encontraram nada que parecesse com bombas ou qualquer aparelho que pudesse ajudar na missão em Planta, mas continuaram andando, até que deram em uma outra porta com os dizeres “Sério, Somente Pessoal RIDICULAMENTE, ABSURDAMENTE Autorizado! Você Provavelmente Não Pode Entrar Aqui”. Esta porta estava trancada.
- Caramba, vamos ter que procurar o crachá de alguém, ou algo assim. Talvez alguém tenha esquecido em… — Purin ia dizendo, mas foi interrompido por uma explosão. Chiri derrubou a porta e a parede com uma rajada de energia.
- Desculpe, você disse alguma coisa? — perguntou Chiri, em tom de deboche.
Esta última porta dava para um grande salão. Tirando a porta destruída, parecia ter sido intocado pelo tempo. Estava bem iluminado por lâmpadas e luzes piscantes. Essas luzes piscantes não eram de plantas, mas sim de lâmpadas no teto e computadores gigantes que se estendiam até o teto, formando corredores, como se fossem as estantes de uma biblioteca. Em todos os blocos de computadores havia tubos grandes e pequenos, transportando um líquido luminoso de diversas cores, que servia para resfriar as máquinas. Havia monitores e projetores de hologramas mostrando mapas, equipamentos de propósitos desconhecidos e coisas que pareciam armas.
- Isso é incrível! Este laboratório é bem maior do que aquele em Planta — Purin estava encantado, parando para olhar toda bugiganga que via pela frente — Olha essa pistola laser, ela parece usar a mesma tecnologia daquela que usávamos, a Burendã. Parece que também usa como fonte a energia do usuário para gerar um feixe de luz cortante! E olha esse projeto, não tenho dúvidas de que é uma planta de espaçonave. Se eles não conseguiram mesmo viajar para o espaço, estavam bem perto disso.
Levou um tempo para que Purin voltasse a se concentrar na missão, já que estava distraído lendo os projetos para as tecnologias que o povo de Remonpai estava desenvolvendo, possivelmente logo antes de serem extintos. Chiri permaneceu vigilante por alguns minutos, mas quando ficou claro que nenhum predador apareceria por ali, ela se sentou em uma cadeira e ficou admirando as luzes piscantes. Keki também não entendia tanto sobre computadores para ficar tão empolgado quanto o primo, então ficou andando a esmo pelas diversas alas do laboratório. Ele ficou mais feliz quando encontrou uma máquina de vendas intacta, cheia de guloseimas, então passou um bom tempo dando um jeito de abri-la. Primeiro procurou por trocados que algum cientista tivesse esquecido por aí, depois procurou algum objeto longo e fino que pudesse passar por dentro do buraco da máquina de vendas para conseguir algum dos doces.
Keki estava entretido em sua busca pelos doces. Era como uma brincadeira, e além disso, ele não sabia quando teria a oportunidade de comer esse tipo de coisa de novo. Então continuou procurando por alguma solução no laboratório. A essa altura, já se sentia relaxado, como não se sentiu no caminho até aquele prédio. Isso fez com que seu susto fosse ainda maior quando ele cruzou um corredor de computadores e viu uma pessoa desconhecida.
- … Antes de começarmos, você tem… nove mil, cento e quarenta e um yottabytes em atualizações pendentes — disse a pessoa, ao perceber a presença de Keki. Era um homem, com roupa colada escura sob um longo jaleco branco, com um logo no peito — Recomendo que atualize o sistema para garantir a segurança de seus dados e armas de destruição em massa.
Purin e Chiri ouviram isso e foram correndo ver o que era. Keki ainda estava em choque, olhando para aquela estranha pessoa que continuava a falar.
- Sinto muito, seu teclado não está mais funcionando. Aperte F11 para continuar — após dizer isso, ele piscou e tremeuziu por um segundo. Era um holograma.
Purin foi até o estranho assistente pessoal e percebeu uma esfera metálica no chão sob seus pés, que na verdade estava projetando a imagem do homem. Purin pegou a esfera — foi uma visão estranha, vê-lo levantar uma pessoa em pé sem nenhum esforço. Após apertar alguns botões, Purin fez a imagem sumir e aparecer de novo “Isso é… Fantástico. Eu acho”.
Ao ser ligado novamente, o assistente pessoal repetiu suas falas, desta vez desde o começo — ele se apresentou como “Ecool, seu assistente Pessoal da EchoBud™” mas se recusou a dar mais informações antes de alguém apertar F11 para atualizar o sistema, então Purin pegou um outro teclado, conectou ao computador mais próximo e iniciou a atualização. Isso levou duas horas, nas quais o EchoBud projetando Ecool ficou tocando uma música de espera. Felizmente isso acabou sendo útil, já que agora o Ecool estava mais disposto a conversar.
- Sua atualização está concluída! Gostaria de uma apresentação sobre a nova interface e recursos? — Ecool levantou uma mão e materializou em sua frente uma janela cheia de ícones.
- Talvez depois. Pode nos contar sobre este lugar? Ainda tem alguém vivo por aqui? — perguntou Purin.
- Ué, eu não sei. Acabei de ser atualizado.
- A máquina de doces, sabe de algum jeito para eu abrir ela? — perguntou Keki.
- Eu posso abrir para você, mas é necessário que me passe a senha para ter permissões de administrador.
- Eu… Não lembro a senha?
- Sem problemas, irei solicitar a recuperação para você. A nova senha é “SucoDeUva123”.
Assim, Keki finalmente conseguiu os doces. Purin e Chiri não reclamaram muito do pedido tolo, já que aproveitaram para comer muitos doces também. As perguntas mais sérias foram feitas em seguida, e Ecool fez um tour explicando tudo sobre o laboratório. Quando soube da missão deles, o assistente os levou diretamente para o lugar onde as bombas ficavam guardadas. Purin fez muitas perguntas sobre essas bombas, então percebeu que elas seriam perfeitas para o plano; fortes o bastante para destruir as espaçonaves, funcionam por controle remoto a até 100 mil quilômetros de distância, de modo que o Rei Vegeta estaria afastado demais de Planta para poder voltar, no vácuo do espaço.
Ecool deu muitas outras sugestões e conselhos para a missão. Ele guiou o grupo pelo laboratório até um local com sapatos à jato, que poderiam acabar sendo úteis para Purin e Keki. Chiri ficou mais interessada quando o assistente mostrou as armaduras: eram de um tipo de metal duro e ao mesmo tempo muito flexível, fornecendo proteção sem comprometer a mobilidade. Vendo que Purin só tinha um braço, Ecool levou todos para uma parte do laboratório contendo robôs de guerra. Estes eram em vários formatos e tamanhos. Alguns tinham formas humanóides, e muitos não estavam montados por completo, de modo que havia membros robóticos em todo canto. Um desses braços robóticos era de um tamanho perfeito para Purin, então Ecool ajudou a configurar o aparelho e explicou sobre o funcionamento.
Purin encaixou onde seu braço direito havia sido cortado, um pouco acima do cotovelo. Ficou bem fixo, com tiras de couro enroladas no ombro do usuário, como uma mochila. Esse braço robótico funcionava captando comandos via ondas cerebrais do usuário. Sob orientação de Ecool, Purin só teve que engolir um microchip, o que soou um pouco estranho, mas após isso, ele conseguiu mexer seu novo braço. Era meio desengonçado, mas talvez com o tempo, funcionasse melhor. De qualquer maneira, era um equipamento de guerra, então não seria ideal para atividades que exigissem muita precisão, mas seria útil caso tivesse de entrar em algum combate, já que além de ter muita força, possuia muitas funcionalidades que Purin ainda levou tempo para aprender.
Felizmente, encontraram mochilas no laboratório, então puderam enchê-las com diversas bugigangas que pudessem ser úteis para a missão, além das bombas e de vestirem as armaduras.
- Bem, se por qualquer motivo não pudermos simplesmente explodir o Rei Vegeta no espaço, pelo menos teremos a chance de fugir e pensar no que fazer depois — Keki estava testando os sapatos à jato, planando alguns centímetros sobre o chão. Se não estivesse começando a se preocupar com a missão, estaria se divertindo muito.
Com as mochilas cheias, o grupo decidiu partir. Ainda havia muito o que aprender e testar sobre os equipamentos, mas ainda tinham tempo, então resolveram fazer a viagem de volta para a caverna.
Foram voando o caminho todo de uma vez, e dessa vez não tiveram nenhuma aventura inesperada. Chiri carregou Purin e Keki novamente, já que estes ainda levariam um bom tempo para aprenderem a usar os novos sapatos a jato. Além da mochila nos ombros, Keki carregava uma outra mochila, segurando-a com muito cuidado, já que estas continham as bombas. Em sua mochila, Purin trazia o EchoBud, que aleatoriamente começou a projetar a imagem de Ecool.
- Queria agradecer de novo por me atualizarem. Eu estava com uma sensação horrível, como se tivesse estado apertado para ir ao banheiro nos últimos trinta anos. Mas agora eu me sinto bem. Não, eu me sinto fantástico! Eu poderia dançar neste exato momento, e quer saber? Acho que vou mesmo — Ecool começou a dançar. Obviamente ele não era afetado pela atmosfera maluca de Remonpai, então sua empolgação foi bem irritante para Chiri e os outros.
Horas depois, o trio estava de volta à caverna, e tomaram um bom ensopado, enquanto contavam sobre a viagem para os outros tsufurujins. Todos ficaram impressionados com os aparelhos que o grupo trouxe, além do braço novo de Purin. Konbu ficou bastante entretida apresentando os animais da caverna para Ecool.
Purin e Keki vinham sendo tratados com bastante respeito e admiração por seus conterrâneos, devido à coragem que tinham por estarem seguindo com o plano de vingar Planta e salvar o resto da galáxia. Era mais do que qualquer tsufurujin sonhava em conseguir. Ainda assim, os dois jovens tsufurujins estavam começando a se sentir apreensivos, já que logo mais iriam voltar para Planta e colocar o plano em ação, de fato. Todos se sentiam assim, a não ser Chiri. Ela estava ansiosa, talvez até empolgada, com a missão.
Fale com o autor