Tsufuru Mania
15 Capítulo XIII
Pelos próximos três dias, Purin, Keki e Chiri fizeram os preparativos finais para a missão. Chiri passava bastante tempo treinando no caos fora da caverna, e Keki praticava vôo com os sapatos à jato, agora conseguindo voar mais alto e com mais velocidade. Enquanto isso, Purin cuidava de toda a parte técnica, com o assistente holográfico; eles haviam encontrado combustível no laboratório, e constataram que felizmente ele era compatível com as naves. Além disso, Ecool realizou diagnósticos nas bombas e afirmou que elas funcionavam perfeitamente. Purin quis ter certeza, então pediu para que Chiri levasse uma das bombas para bem longe, e quando ela o fez, de dentro da caverna Purin apertou o botão.
- Destruiu uma montanha inteira, foi lindo! — disse Chiri, ao voltar para a caverna — Acho que só vai machucar um pouco o Rei Vegeta, mas o espaço vai cuidar do resto, já que da nave, não vai sobrar uma pecinha.
Chiri pegou ainda outra bomba e jogou com toda a força para o céu. A bomba sumiu através das nuvens grossas e escuras. Ninguém pôde ver, mas ela continuou subindo até sair para fora da atmosfera. Então Chiri pegou o controle das mãos de Purin e apertou o botão. Por dois segundos, a explosão pintou as nuvens escuras de vermelho claro, e toda a superfície daquele canto do planeta se iluminou, como se tivesse havido um raio. Foi impressionante, mesmo que tenha sido tão rápido e sem emitir som algum.
Assim, estava tudo pronto. As mochilas estavam dentro das naves esféricas, carregadas com as bombas e tudo mais que pudessem precisar, além de mais cogumelos, para que o grupo não sofresse os efeitos da radiação ao voltar para Remonpai.
Os tsufurujins estavam reunidos no início do corredor que dava para a saída, desejando boa sorte para os três heróis. “Vou fazer um bolo de cogumelos assim que vocês voltarem, então não demorem” disse Razuberi, após dar um abraço no filho.
Purin, Keki e Chiri fizeram o caminho até a entrada do corredor, onde estavam as três naves. Chiri as levantou e colocou para fora, uma de cada vez, onde logo mais fariam a decolagem. Antes de partirem, Purin chamou seus companheiros para um último discurso.
- Lembrem-se, vamos fazer o possível para seguir o plano. A parte mais difícil vai ser plantar as bombas sem que ninguém nos veja, mas depois disso, só precisamos que Chiri lance via sounter o desafio para o Rei Vegeta, assim ele vai para o espaço e morre. Ainda tem a questão do Sunakku, e não sei se tem algo que possamos fazer para nos livrar dele também, então vamos ter que deixar isso de lado, a não ser que ele apareça sozinho na nossa frente, mas acho isso difícil. Então vamos nos concentrar em acabar com Vegeta e voltar para casa.
Keki entrou em uma das naves, que já estava programada para ir à Planta. Purin entrou na sua também, mas antes que ele fechasse a porta, Chiri apareceu.
- Antes de irmos, preciso dizer uma coisa… Acho que não vou voltar de Planta. Quero ficar com meus amigos de lá. Tenho certeza que eles e os outros saiyajins nômades não estão dispostos a viver sob o domínio do Rei Vegeta, então o planeta deve estar em caos, e eu quero ficar lá e ajudar.
- Eu entendo… — Purin olhou para ela de dentro da nave. Ele temia que ela fosse dizer isso, mas sabia que era o melhor para ela — Se tudo der certo, os saiyajins malignos logo mais vão perder seu líder, mas isso não vai resolver os problemas de todo mundo. Eu vou voltar para Remonpai, e depois vamos encontrar algum planeta melhor para morar. Mas talvez um dia Planta fique bem de novo, já que você e os outros vão estar lá limpando toda a bagunça, e quando isso acontecer, a gente… — Purin hesitou por um momento — a gente se reúna para tomar um sorvete, ou sei lá…
Com um sorriso, Chiri bagunçou o cabelo de Purin, dizendo “É claro! Boa sorte para nós”, e então ela fechou a porta e foi entrar em sua própria nave. Um minuto depois, os três decolaram.
…….
A viagem durou cerca de quatro horas. Como não havia muito o que fazer dentro da nave, Purin, Keki e Chiri dormiram, mas acordaram um tempo depois quando passaram por uma onda de meteoros. Isso causou turbulência, o que foi realmente preocupante, mas felizmente as naves não ficaram muito danificadas e, mais tempo depois, conseguiram chegar até o destino.
O pouso aconteceu em um final de tarde, em um ponto isolado no deserto, como previsto. Se alguém de longe tivesse visto as nave cortando o céu, poderia ter pensado que eram estrelas cadentes, mas ninguém viu nada. Ao sair das naves, Purin, Keki e Chiri pararam por um momento; olharam para o céu estrelado e sem nuvens, sentiram a brisa suave esvoaçando seus cabelos e respiraram profundamente. Tinham quase se acostumado com Remonpai, já que a caverna de Konbu provia algum conforto, mas era bom estar de volta em Planta, ainda mais naquele ponto isolado, onde não havia sinal dos problemas que os fizeram fugir do planeta.
Purin pegou o scounter e colocou no rosto. Olhou para o norte, onde acreditava que estava a Cidade Central, e havia muitas presenças fortes por lá, como era de se esperar. Felizmente, o grupo poderia usar a escuridão da noite para se manterem escondidos. Chiri trouxe a armadura de Remonpai, que usava por baixo do velho traje roubado dos saiyajins. Isto a ajudaria a se misturar.
- Os poderes de luta daquele lado estão subindo e descendo — disse Purin, apontando na direção da cidade — Definitivamente não estão tomando chá e falando de gatinhos. Acho que tem luta acontecendo.
Chiri pôs o próprio scounter no rosto e fez o que estava a dias esperando: ligou para o scounter que ficou com Otosu e os outros, mas ninguém atendeu.
- Nada. Acho que eles não estão com a coisa por perto, até porque eles não tinham como saber que estaríamos de volta exatamente agora. Vou tentar de novo mais tarde — disse Chiri — Enquanto isso, vamos para a cidade plantar as bombas?
- Não. Primeiro, vamos para casa.
A antiga casa de Purin e Keki ficava ao sul da Cidade Central, uma área urbana que nunca teve muito movimento, e que agora devia estar completamente deserta. Mas ainda havia algo importante lá: o laboratório particular de Eyoso, no porão, onde Purin passou tantas noites estudando. Lá, ainda havia alguns documentos e plantas de naves espaciais, e isso também devia ser destruído, para eliminar quaisquer chances que os saiyajins tivessem de redescobrir a viagem espacial.
Felizmente, os saiyajins ainda não haviam tido o interesse de explorar aquela área tão tediosa de Planta, então Purin, Keki e Chiri não se depararam com nenhum inimigo no caminho, e chegaram na vizinhança sem problemas. Era de se esperar que não encontrassem ninguém, mas a sensação não deixava de ser estranha, de ver aquele bairro, que devia ser repleto de pessoas, estar vazio e sem vida. Aquela área da cidade foi pouco afetada pelos Oozaru no Dia da Lua, então parecia apenas que todos os moradores haviam apenas sumido, de um minuto para o outro.
Foi ainda mais estranho para Purin e Keki quando entraram na casa onde cresceram. Estava tudo do jeito que eles deixaram. Os dois tiveram vontade de sentar no sofá e assistir televisão, como se aquela fosse uma tarde qualquer. Não havia muito tempo a perder, mas ainda assim, eles foram à geladeira, porque sempre havia bolo na casa deles, então fizeram uma refeição quase que descontraída com Chiri, aproveitando os últimos momentos antes da tempestade. Por fim, Purin e Keki foram ao porão. Haviam desistido da ideia de explodir a casa, mesmo que não achassem que fossem voltar. Então apenas destruíram todos os projetos de Eyoso. Restou apenas a Burendã, a arma laser, que eles levaram na mochila, já que ela ainda poderia ser útil. Eles então voltaram para a sala de estar, onde Chiri ficou olhando as fotos de família nas paredes. O scounter dela começou a tocar, e ela atendeu na hora. E foi Otosu quem ligou.
- … Vimos que havia uma ligação perdida e ainda bem que foi você! Estávamos começando a pensar que você havia fugido do planeta, tremendo de medo e com o rabo entre as patas. Está tudo bem? E os outros, estão com você?
- Sim! Eu e os dois coelhinhos estamos bem, para caramba! — disse Chiri — Voltamos porque com certeza vocês não iam conseguir aniquilar o Rei Vegeta sozinhos! Não se preocupem, nós temos um plano.
- Um plano? Essa eu quero ver. Venham para a nossa caverna falar disso. Tem uma coisa que precisamos mostrar, vocês não vão acreditar!
Assim, o trio fez o caminho pelo deserto até a caverna, a mesma onde o grupo de Otosu encontrou Purin, Keki, Bito e Sunakku pela primeira vez. Foram andando com cautela, sob o céu noturno, o tempo todo prestando atenção aos sons e os sinais do scounter, para que não fossem surpreendidos por nenhum inimigo. Mas estava tudo calmo, o que não combinava com o caos que todos acreditavam estar prestes a acontecer.
Quando finalmente avistaram a caverna, Chiri pegou Purin e Keki pela gola da camisa e foi voando com eles pelo resto do caminho — Vamos logo, esse suspense está me matando!
Não havia nenhum sinal de vida na entrada da caverna, a não ser os que o scounter detectou; dezenas de pessoas estavam lá. Mas à princípio estava tudo quieto, já que aquele era um esconderijo, mas então começaram a ouvir vozes baixas, e por fim, os saiyajins apareceram.
Otosu, Ichigo, Orenji e Ringo vieram dar as boas vindas. Até uma hora antes, eles não sabiam se Chiri e os tsufurujins estavam vivos, então foi um reencontro e tanto. Ficaram um bom tempo se abraçando e rindo, e havia muitas novidades para compartilhar.
- Que braço robótico maneiro esse que você arranjou! Ele solta fogo ou algo assim? — perguntou Otosu.
- É, ele faz algumas coisas, mas não vou mostrar porque não quero destruir a entrada da sua caverna igual fizemos da outra vez — disse Purin, rindo — A gente encontrou ele em uma cidade pós apocalíptica, tinha um monte de bugigangas maneiras lá.
- E pelo visto, a comida lá era boa, hein? Vocês engordaram, e estão mais musculosos — disse Ichigo, dando um soco no braço de Keki.
- Ai, vai embora! — disse Keki, empurrando a amiga — Mas sim, a gente encontrou uma velha que faz uma sopa de cogumelos muito boa.
- Isso! E a atmosfera lá era uma bagunça, só andar do lado de fora era difícil, então até esses dois aqui ficaram em forma — disse Chiri — E a velha dos cogumelos era muito legal. Ela deixou a gente morar com ela, e contou tudo sobre o que aconteceu com o planeta dela.
- Como ela falava o mesmo idioma que a gente, se moramos em planetas diferentes? — perguntou Ringo.
- Teremos bastante tempo para os detalhes! — interrompeu Otosu — Antes de mais nada, vamos entrando, tem uma coisa que vocês precisam ver.
Purin, Keki e Chiri seguiram os outros mais para dentro da caverna. Foram escutando vozes estranhamente familiares, conversando. Entraram em um cômodo e rapidamente encontraram a origem dessas vozes.
Dezenas de tsufurujins estavam abrigados lá. Uns assavam comida e conversavam em volta de uma fogueira, outros estavam deitados em camas improvisadas, e outros ainda treinavam em combate, com golpes típicos dos saiyajins. Todos voltaram a atenção para os rostos novos que apareceram no ambiente.
- Bem, vamos colocar a conversa em dia — disse Otosu.
Como Chiri havia previsto, os Nômades não estavam dispostos a se curvar e obedecer a liderança suprema do Rei Vegeta. Pouco tempo depois de acordarem pelados em meio a seus acampamentos destruídos, eles descobriram o que aconteceu: a guerra foi vencida pelos saiyajins, e os tsufurujins foram extintos. Pelo menos, a princípio foi isso que pareceu. Mas então os guerreiros comandados por Vegeta foram aos acampamentos dos Nômades ao redor do mundo, e quando estes não juraram lealdade ao novo rei, começou-se outra guerra, desta vez com saiyajins lutando entre si. Mas na verdade, alguns tsufurujins haviam sobrevivido, escondidos nos cantos. Eles foram se reunindo em diversos grupos, ajudando uns aos outros e compartilhando desejos de vingança. Assim, eles acabaram se aliando aos Nômades contra o império global do Rei Vegeta. Territórios eram conquistados, perdidos e reconquistados. Acordos eram desfeitos, formados, e desfeitos novamente, em uma guerra que parecia não ter fim, pelo menos, até o momento em que três novos aliados se juntaram à resistência.
Chiri estava mais animada do que nunca, ouvindo sobre a batalha que os amigos vinham travando. Ela então fez um relato detalhado e cheio de floreios sobre a luta que teve contra o Grande Nappa (Keki precisou lembrá-la sobre a parte em que ele jogou o scounter na boca do inimigo), e sobre os monstros que ela enfrentou em Remonpai — … Mas agora, vamos lá chutar o traseiro do Rei Vegeta!
Purin interrompeu e contou sobre o plano, que envolvia explodir Vegeta no espaço, e Otosu e os outros aprovaram. Logo, todos estavam juntos discutindo estratégias, fazendo preparativos, calculando imprevistos, arquitetando planos alternativos e repassando tudo. No final das contas, não foi preciso decidir o momento ideal para começar o plano, já que a oportunidade surgiu imediatamente, quando um saiyajin entrou na caverna. Ele usava roupas de Nômade e estava ofegante, pois voou tão rápido quanto pôde até lá.
- Eles estão atacando a fortaleza ao norte da Cidade Central! Precisamos de reforços, agora!
A Cidade Central ficava não muito longe dali. Além de ser o local onde o Rei Vegeta residia, era também o lar do laboratório onde estavam todas as naves espaciais do planeta. Como estava havendo um ataque, seria a oportunidade perfeita para plantar as bombas. O grupo se aproveitaria de uma distração, como da última vez. Purin e Keki ficaram alarmados; por mais que aquilo fosse bom para o plano, era assustador precisarem agir imediatamente, sem tempo para mais planejamento — ou protelação.
- Bem, agora é com vocês — disse Chiri a Purin e Keki — Eu vou com minha galera ajudar nesse tal ataque. Enquanto isso, vocês dão um jeito de se infiltrar e plantar as bombas. Quando estiver tudo pronto, me liguem pelo scounter, assim nos reencontraremos aqui mesmo, para eu lançar o desafio falso para o Rei Vegeta. Se em três horas vocês não me ligarem, vou interpretar isso como um sinal de que o plano foi pelos ares, então vou desafiar o Rei Vegeta, mas sem nenhuma emboscada; vou simplesmente quebrar a cara dele.
Chiri e seus amigos saíram voando. Os outros tsufurujins sobreviventes continuaram na caverna. Enquanto isso, Purin e Keki foram sozinhos até a Cidade Central. Andaram rápido no começo do caminho, mas à medida que se aproximavam da cidade, perceberam a presença dos inimigos não muito longe, então passaram a ter mais cautela. Conheciam o caminho muito bem, pois já andaram por lá várias vezes, quando a vida era deliciosamente normal e sem graça.
Sem o scounters, seria questão de tempo até que fossem detectados. Mas com o aparelho, percebiam a presença dos inimigos bem rápido e assim tinham tempo para se esconder. De vez em quando, algum saiyajin passava cortando o céu, rumo à batalha, mas nenhum deles estava no chão, o que foi uma vantagem para os dois tsufurujins.
Foi mais difícil na cidade, porque havia mais inimigos, e alguns batalhões em guarda, preparados para dar suporte à batalha, se necessário. Purin e Keki avançaram a passos rápidos e silenciosos pelas sombras. Quando não havia nenhuma sombra, esperavam até que o scounter mostrasse a ausência de poderes de luta, e assim avançavam mais rápido ainda, até a próxima sombra.
Num certo ponto, havia um saiyajin. Ele estava vários metros à frente, o que seria longe demais para que pudesse perceber qualquer coisa suspeita, mas Purin viu que ele usava um scounter, e então ele começou a andar na direção deles. Purin e Keki tinham Poderes de Luta baixos demais para serem confundidos com saiyajins guerreiros. Aquele inimigo em particular pensou que pudesse se tratar apenas de dois animais selvagens, mas mesmo assim resolveu investigar, e ele chegaria em pouco tempo.
- Eu vi isso em um filme uma vez — disse Keki, segurando uma pedra.
- O que? Não…! — disse Purin, mas nesse mesmo momento, Keki atirou a pedra, em outra direção.
A pedra fez um barulho que ecoou em meio à cidade fantasma cidade fantasma. O saiyajin foi investigar, e quando percebeu que não havia nada no local onde a pedra caiu, olhou de volta para o ponto em que vira as duas presenças, e já não havia mais ninguém lá também — Deve ter sido o vento — disse o guarda, retornando para seu posto.
No complexo de laboratórios da cidade, no fim da incursão, a situação estava mais caótica. Dava para ouvir as explosões da batalha que acontecia nas proximidades, onde a companhia de Otosu devia estar lutando. Muitos saiyajins estavam lá, preparados para defender o lugar, caso os Nômades ganhassem a batalha. Mesmo assim, com tempo e paciência, Purin e Keki encontraram uma brecha para entrar no prédio.
- É isso aí, o fim da linha — disse Keki — Vamos acabar logo com isso, voltar para Remonpai e comer bolo. Mas agora… O que fazemos?
- Vamos entrar, acho que agora dá. Eu vou plantar as bombas nas naves, e você… fica de olho e me avise se alguém se aproximar.
- Claro, eu fico de vigia…
A essa altura, os dois estavam prestando máxima atenção aos scounters, antes de cruzar qualquer corredor. Alguns inimigos apareciam de vez em quando, mas eles corriam apressados para a saída.
- Depressa, o capitão chamou reforços — disse um deles — Apareceu um inimigo mais forte que os outros! Eles não estão brincando.
Depois disso, não houveram mais obstáculos, e os dois chegaram ao local onde ficavam armazenadas as naves. A parede ainda estava destruída, devido ao combate de Chiri contra Nappa, então só foram entrando, já que não havia ninguém dentro. Purin já ia tirando as bombas de dentro de sua mochila, quando Keki começou a dizer:
- Cara… Tem um poder de luta muito baixo, naquela direção. Está sozinho. Só pode ser uma pessoa…
- Sunnaku — disse Purin, olhando para lá com seu próprio scounter — Está longe demais. Vamos só plantar as bombas e ir embora, já que está vazio. Pode ser que não tenhamos outra chance.
- Ou você fica aqui e termina o serviço com as naves, enquanto vou lidar com nosso velho “amigo” — disse Keki, que continuou ao falar, ao ver a cara de reprovação do primo — Por favor! Eu não entendo nada sobre bombas e naves espaciais, e não vou conseguir lutar para te defender se aparecer algum saiyajin por aqui. Me deixa ser útil, mais uma vez.
- Tudo bem… Vá logo, e não pare para tomar chá no meio do caminho.
Keki saiu correndo, com o coração acelerado. Estava tentando pensar no que dizer ao amigo traidor, quando o encontrasse, mas não tinha nenhuma ideia, e num piscar de olhos, subiu um lance de escadas, entrou em um quarto e viu Sunakku. Ele estava de costas para Keki, sentado em um sofá e jogando vídeo game, como se nada mais estivesse acontecendo.
- Ei, Sunakku! — disse Keki, apontando a Burendã para o amigo.
- Ei, Keki… eu estava me perguntando quando você ia aparecer — ele disse, sem tirar os olhos da televisão.
- Como você sabia que era eu?
- Eu sabia que era meu velho amigo Keki. Sabia que estava vindo, e estou cagando para isso.
- Estou aqui para chutar seu traseiro, e depois dar um jeito nos seus amigos saiyajins!
- Que se dane! Eu não ligo para eles, nem para você, Purin, nem para todo mundo! — disse Sunakku, se levantando para encarar o amigo — Eu consegui, sou invencível! O Tsufurujin mais inteligente e mais forte que existe! E que se dane, todo mundo!
Sunakku se abaixou para pegar sua própria arma e atirou, mas nisso, Keki já havia pulado para trás de um balcão. Sunakku ficou atrás do sofá tomando cobertura e atirando. Keki levantou a cabeça e estava prestes a atirar, mas seu oponente foi mais rápido. Felizmente o tiro não acertou, e Keki já havia abaixado a cabeça de novo. Ele precisou de alguns segundos olhando a Burendã, apertando alguns botões e fazendo ajustes, maximizando a potência do tiro. Ele nunca havia atirado com aquela arma antes, mas já viu Purin e Bito fazendo isso, então sabia mais ou menos como fazer. Sunakku continuou atirando, mas eventualmente ele precisou parar para recarregar a arma, e ao perceber isso, aproveitou a oportunidade. Levantou e atirou. O alvo estava escondido atrás do sofá, mas não fez diferença, pois o tiro destruiu tudo em seu caminho.
Keki foi arremessado para trás com o coice do tiro. Ele se levantou depressa para olhar o resultado de seu disparo. A fumaça se dissipou revelando tudo: Sunakku estava deitado, morto.
Foram alguns segundos muito longos, estes em que Keki ficou parado, olhando a cena. Não sabia o que pensar sobre isso, e apenas disse “Adeus”, pois não havia muito tempo.
A explosão obviamente alertou os guardas próximos, mas ao chegarem no quarto, não havia mais ninguém vivo. Keki corria o mais rápido que podia, tendo se esquecendo de que talvez devesse fazer silêncio. Quando estava chegando no hangar das naves, Purin tinha acabado de sair de lá.
- O que houve?!
- Acabou. Ele já era, virou picadinho. Acho que esse foi o caminho que ele escolheu — disse Keki — Mas… e aí, tudo pronto?
- Sim, as naves estão sabotadas. Vamos…
Outros guardas do prédio foram se movendo ao local da explosão, e em pânico, Purin e Keki se esconderam numa sala próxima. Era uma sala pequena e vazia, com as luzes apagadas.
- Vou ligar para Chiri — disse Purin, apertando alguns botões no scounter
- Onde vocês estão?! — ela disse — Ouvi uma explosão vinda da sua direção, estão se divertindo aí também?
- Depois nós conversamos! Mande a mensagem, agora!
Chiri estava a alguns quilômetros dali, no meio de uma batalha em grupo. Ela lutou implacavelmente, ficando mais empolgada a cada inimigo que derrubava. Naquele momento específico, ela encontrou uma brecha e saiu do campo de combate. Voou para longe, em direção ao laboratório, mas parou no meio do caminho, em um beco qualquer onde não seria vista. Ela pegou o scounter e apertou alguns botões, do jeito que Purin havia ensinado, e assim ela enviou a mensagem. Todos com um scounter ouviram, incluindo Purin e Keki, incluindo vários saiyajins inimigos e principalmente, o Rei Vegeta. Esta foi a mensagem:
“Senhoras e senhores, peço por favor, um minuto de sua atenção, pois trago-lhes um recado muito importante: Vão se foder! Isso mesmo, vocês ouviram bem. Aqui quem fala é Chiri, a Legítma Rainha de Planta! Aquela que libertou os Tsufurujins e que derrotou o Grande Nappa, sem derramar uma gota de suor”.
“Agora eu desejo um desafio à minha altura, por isso convoco você, Rei Vegeta, para vir me enfrentar. Estou em um planeta chamado Remonpai, nas coordenadas 57,5962576, -13,6872365. Então venha, e venha sozinho, se você for homem, e que o vencedor seja coroado o Rei ou Rainha de Planta. Boa sorte, você vai precisar”.
Purin e Keki sentiram calafrios ao ouvir a mensagem. Eles imaginavam, e estavam certos sobre isso, que o Rei Vegeta ficou furioso ao ouvir aquelas palavras. Purin foi até a porta e a deixou entreaberta; de lá, ele conseguia ver escondido o hangar. Ficou esperando em silêncio por alguns minutos, até que viu o Rei. Ele andava rápido e imponente, com a capa vermelha esvoaçando atrás de si. Dois servos o seguiam, amedrontados pela fúria do chefe.
- … Ela pensa que pode atacar a minha honra assim e sair impune? Pois está muito enganada! Não tenho medo de ir ao espaço, vou aonde quer que seja para ensinar-lhe uma lição — ele entrou em uma das naves esféricas, e digitou as coordenadas — Nem pensem em me seguir, não preciso de ajuda para lidar com uma guerreira de classe baixa como ela. Então esperem, voltarei logo, com a cabeça dela nas mãos! Isso vai ser divertido.
Feito isso, Vegeta fechou a porta e decolou para o espaço. Purin fechou a porta da sala também, voltou até Keki, e os dois ficaram em um silêncio que parecia não ter fim.
- E agora, o que fazemos? — perguntou Keki.
- Segundo os meus cálculos, só precisamos esperar uma hora e detonar as bombas. Isso já é tempo suficiente para o Rei Vegeta estar tão longe que será impossível voltar voando. Ele não tem chance. Nós vencemos.
As outras naves no hangar explodiriam também, o que provavelmente iria derrubar o prédio inteiro. Então Purin e Keki saíram pelos fundos. Fizeram um caminho diferente, seguindo para leste até onde começava o deserto, e de lá foram ao sul, onde ficava a caverna dos Nômades. A empolgação era tanta que eles corriam, deixando a cautela para trás, agitados como dois coelhinhos. Estavam até mesmo rindo, pois logo deixariam todos os seus problemas para trás.
Avançaram por alguns metros no deserto, quando uma luz estranha brilhou entre as estrelas. Era alguém voando até eles, e os dois logo perceberam que era Chiri. A garota estava ensandecida. Ofegava, mas estava cheia de vigor, vinha de uma intensa batalha, mas não tinha nenhum arranhão. Ela ficou mais forte com a batalha. Os três se abraçaram, e contaram sobre suas próprias novidades.
- Vocês tinham que ter visto! — disse Chiri, quase não parando para respirar — Eu derrubei um, depois dois, e três, e em pouco tempo, desisti de contar! Eu poderia derrotar mais um milhão!
- Eu derrotei Sunakku! — disse Keki — Nosso velho amigo teve o que mereceu.
- E eu plantei as bombas! — disse Purin, pegando o controle detonador de dentro da mochila — Já faz algum tempo, então acho que já podemos…
A empolgação era tanta que ele deixou o controle cair. Isso deu um susto em todos, mas os reflexos de Chiri estavam muito aguçados e ela pegou o controle no ar, e o ficou segurando.
- Puxa, essa foi por pouco! — disse Keki
- Bem, já que você está com o controle, faça as honras! — disse Purin.
Chiri ficou parada por alguns segundos, olhando para o controle. Ela tinha ficado séria, e aos poucos começou a rir. Foi uma risadinha crescente que logo se transformou em uma gargalhada. Purin e Keki riram também, desconcertados, mas então um pavor profundo brotou em seus corações, pois eles então perceberam o que estava acontecendo. Eles olharam para Chiri, e ela olhou de volta, com um sorriso maléfico que a deixou quase irreconhecível. Ela tinha um leve brilho verde emanando de seus olhos, revelando um espírito agressivo e incontrolável.
- Ah, coelhinhos! Vocês devem ter ficado loucos se acham que eu derrotaria um inimigo desse jeito. Não! Eu lancei um desafio e vou honrá-lo! Eu me tornei invencível nessas últimas semanas, não existe ninguém que possa me derrotar, e eu vou enfrentar o Rei Vegeta de frente — dito isso, ela esmagou o controle com a própria mão. Antes que Purin e Keki pudessem reagir, ela apareceu atrás deles, tão rápida que foi como se tivesse se teletransportado, e deu um golpe em suas nucas, fazendo com que desmaiassem. Ela carregou seus corpos e os colocou com delicadeza no meio de um arbusto, onde não seriam vistos — Adeus, coelhinhos. Quando estiverem acordados, nosso inimigo já estará morto.
….
Mais ou menos uma hora depois, Purin e Keki acordaram. Estavam desorientados, mas logo se lembraram do que havia acontecido, e se sentiram arrasados.
- Mas que droga! — Keki deu um murro no chão, furioso — A gente chegou tão perto, e agora já era. Chiri não tem chance contra o Rei Vegeta, da última vez que eu vi, ela tinha menos de 5000 de poder de luta, e Vegeta tem mais de 10000!
- Ai de nós… — disse Purin, com as mãos na cabeça. Ele se levantou, devagar — O plano foi pelos ares, justo quando parecia que tinha dado tudo certo.
Assim, com meio plano nas mãos, a dupla foi correndo de volta para a caverna, onde estavam suas naves.
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