Tróia

4 Dançarino dos Ventos


Notas iniciais
Demorei, mas chegay e.e' gomen, eu sei que não to atualizando nada e tal... ENFIM. Aí está o cap, aproveitem! *0*/ By: Nuke

Fora a primeira vez que Gaara vira rosas negras.

As mesmas ocupavam uma parte minúscula do jardim e, estranhamente, enroscavam-se com as rosas vermelhas, era claro que uma pessoa em especifico cuidava para que elas ficassem daquele modo.

O que ele não esperava, era que seu “Anjo” fosse essa pessoa.

Os dias que passara no palácio Uchiha podiam até ser corridos e curiosos, em vista que Sasuke – mesmo contra – mostrava-lhe o Reino do Fogo, e não era a toa que possuía esse nome.

Durante a noite, as apresentações, as labaredas, os engolidores de fogo e ilusionistas faziam suas apresentações na praça em frente aos muros do castelo, aonde o povo se reunia em volta e aplaudia avidamente.

Apesar de que seus habitantes costumassem acordar cedo, e trabalhar até o final da tarde, à noite, era aonde o povo se alegrava. Todas as jovens de cabelos negros enfeitavam-se discretamente, destacando suas belezas locais. E todos os jovens de cabelos negros iam a procura dessas jovens, como desculpa de assistir ao espetáculo. Os casais lado a lado, as crianças brincando pelas ruas bem iluminadas pelas enormes tochas coloridas.

A noite, para Gaara, era a melhor hora do dia.

Mas não apenas por causa desses lazeres.

A noite, ele podia ver seu pequeno e adorável anjo.

Trajando branco, com os cabelos loiros e soltos despojados, largados ao vento, cobrindo-lhe parte dos ombros e a franja suave soprando em sua testa. As mãos pequenas e delicadas seguravam um regador acinzentado, o qual ele utilizava para regar as rosas escuras. O loiro se punha de joelhos, tocando suavemente as pétalas avermelhadas se uma. Logo após, segurando em seu caule e dobrando-a um pouco para o lado, enroscando-a na rosa preta que ainda não estava tão desabrochada. Entretanto, fazia o mesmo com aquelas que ainda estavam fechadas, imaginando, curioso, como seria quando elas se abrissem, e o negrume se mistura-se ao carmim, era, de fato, belíssimo.

O Uzumaki sentia um olhar sobre si, apesar de não identificar de aonde.

Desde aquele dia, desde aquele esbarrão com o ruivo Sabaku – apresentado por Sasuke – não conseguia parar de pensar nele. Era estranho, entretanto, não desagradável, seu estomago parecia estar sendo soprado aos ventos, mexia numa das mechas douradas com ambas as mãos, fazendo uma pequena trança na mesma enquanto se sentada na grama verde e fofinha, o olhar desfocado em direção as rosas.

Não deveria estar pensando em outro homem que não fosse seu Mestre, Sasuke, o outro não ficaria nem um pouco feliz se descobrisse isso.

Por falar em Sasuke, o moreno, já há uns três dias, não lhe chamava aos seus aposentos, e aquilo estava perturbando profundamente ao loiro.

Estaria Sasuke irritado? Passando por algo? Ou talvez...

Será que seu Mestre havia enjoado de si?

Só de especular isso, imaginar nunca mais ser tocado pelo Uchiha, ser alvo de seus beijos, de suas mãos firmes, não ouvir mais os gemidos discretos e roucos que o mesmo sussurrava em seus ouvidos, ou o contato quente e delicioso de suas peles ao se chocarem sobre o leito bagunçado, Naruto sentia uma parte de si sendo tirada bruscamente dele.

Sasuke já era uma extensão de si, crer que um dia o mesmo o deixaria... Preferiria a morte, sim, não possuía duvidas disso.

O loiro começara a cantar a suave canção, não sabia aonde havia a aprendido, mas, possuía uma lembrança muito distante, borrada, de um sorriso. Um cálido sorriso emoldurado por cabelos ruivos, mas não conseguia ver seu rosto.

Sabia que era uma mulher, lembrava-se da sensação de uma mão suave e quente tocar-lhe o rosto, num carinho amoroso, fraternal.

Seria a mulher das lembranças borradas sua mãe? Naruto ansiava em saber, se fosse, por que ela havia o deixado?

Aliais, como fora parar com os Uchihas?

A única coisa que Sasuke lhe permitira saber, é que se não fosse por ele, o loiro teria morrido. O Uchiha era seu salvador, e Naruto sempre deveria ser extremamente agradecido a ele por isso, apesar do moreno nunca ter explicado essa história direito.

Desde pequeno, crescera no palácio Uchiha, ou melhor, na Mansão Menor exclusiva para os empregados, apesar de uma belíssima arquitetura, por dentro, era um local simples. Mas havia uma diferença entre Naruto e os outros empregados:

Os empregados poderiam deixar o emprego com a Família Real quando quisessem. Naruto não.

Por que ele não era um simples empregado, ele era um Escravo, e pertencia a Sasuke. O moreno nunca o batera, nunca o castigara como nos boatos que escutava dos reinos bárbaros, pelo contrario, apesar de seu humor inconstante, seus ataques de fúria ou expressões melancólicas, o Uchiha sempre tratou o Uzumaki como se o mesmo fosse uma joia.

Sua pequena e delicada joia que com a mínima brutalidade alheia poderia quebrar.

Não deixava ninguém tocar em Naruto, não deixava ninguém almejar, comprar, ou deliciar-se com o SEU Naruto.

Sua joia dourada e cerúlea, a qual ele polira e cuidara com tanto amor e carinho.

Seu Uzumaki Naruto.

♔--- TRÓIA–--♚

– Ótima apresentação como sempre, Dei-chan! – disse Konan, jogando uma maçã para o garoto. – esses dias a Família Real da Terra tem nos chamado tanto! Os lucros aumentaram em mais de duzentos por cento!

O loiro riu, pegando a fruta madura e avermelhada no ar e levando-a aos lábios, mordendo-a após um longo gole d’agua.

– Hm. Exaustivo também, Konan-san. – disse com o ar um tanto irônico.

– Detalhes, detalhes! – ela abanou a mão. – verei como as outras garotas estão, você aguenta o tranco, mas elas estão acabadas. – riu, retirando-se do pequeno e rustico camarim.

Deidara largou-se sobre o banco colchoado encostado a parede, tomando um pequeno pote de barro fino repleto com água potável e o bebendo em seguida. Sentindo seu organismo agradecer e a ardência em sua garganta sumir.

Pequenas e suaves, ritmadas, batidas na porta foram ouvidas. O loiro afastou a vasilha, pondo-a sobre uma mesinha, os lábios ainda avermelhados e úmidos pelo refresco.

– Entre. – disse em alto e bom som, enquanto passava um tecido antigo sobre a testa, enxugando o suor que havia na mesma.

A porta foi vagarosamente aberta, com rangidos baixos do assoalho contra a madeira.

– Oh, Sasori-san! – o loiro abriu um enorme sorriso.

Akazuna no Sasori. Ninguém mais, ninguém menos, que o general, comandante de todas as tropas da Família Real da Terra. Sim, o ruivo possuía até mesmo uma áurea superior ao seu redor. Os cabelos ruivos, na cor de sangue e groselha, repicados nas pontas, colocados para trás, para que não atrapalhassem sua visão. Trajando calças negrumes, um cinturão de couro ao redor dos quadris e a camisa abotoada avermelhada, escuríssima, os sapatos formais, os olhos penetrantes, a barba rala, mas que ainda detinha um charme no rosto do outro.

O mesmo olhou para o loiro e seus olhos faiscaram, abrindo um sorriso caloroso, não deixando de ser levemente ‘superior’.

– Esteve mais charmoso do que nunca, Deidada. – disse num tom rouco e grave, fechando a porta atrás de si.

O loiro se arrepiou ao ouvir a voz do maior, mas disfarçou o estranho palpitar em seu peito e sorriu para o mesmo, se colocando de pé.

– Obrigado, Sasori-san. – disse-lhe com as safiras oculares sorrindo-lhe em agrado.

Agora nos vem à pergunta: Como um simples dançarino e um general se tornaram amigos?

Bem, essa história, contá-la-ei depois.

O maior aproximou-se do loiro, ainda esbanjando seu sorriso conquistador, que fizera quase toda a população feminina surtar internamente, ou externamente.

Afinal, como alguém descendente Família Real, ainda por cima General, com tal beleza. Conhecido por sua educação, estratégias e conhecimento extremamente superior ao da maioria, grande treinador e ainda mais aos seus vinte e oito anos, como poderia estar solteiro?

As donzelas, até mesmo senhoras, não se conformavam.

Entretanto, poderia ser que ele amasse sua falecida esposa?

Há cerca de seis anos, um dos Reinos Bárbaros havia-lhe sequestrado a mulher, deixando o, na época jovem, Sasori desesperado.

Ele ainda não era o general.

Ele não conseguiu salvar a mulher.

E seu luto, sua depressão e quase decaída, só foi-se terminar três anos depois. Quando conheceu a ele.

Os estrangeiros que haviam chegado, os famosos Dançarinos do Vento, deveria apenar ser uma rápida estadia, para conseguirem dinheiro e partirem para outra cidade.

Mas o Reino da Terra os havia acolhido muito melhor do que qualquer outro.

E agora, há mais de três anos, fixaram-se neste mesmo Reino.

A primeira vez que Sasori vira o jovem Deidara, achara que o mesmo deveria ser algo como uma ninfa, ou descendente de tritões. Pois não era possível, tamanha beleza o deixava sem palavras, nunca antes cogitara a ideia de deitar-se com um homem, mas naquele momento, todos os seus conceitos mórbidos haviam sidos jogados num abismo profundo e infinito, e aproximar-se do loiro se tornou uma necessidade, um vicio e...

Eu não vos disse que contaria essa história depois?

Então voltemos à cena.

– Teu rosto. – disse o ruivo tocando-lhe suavemente a face esquerda. – está úmido, muito suado. Não acha melhor tomar um banho e descansar?

– Quem me dera eu pudesse fazer isso. – suspirou pesadamente, fechando os olhos ao sentir o contato dos dedos levemente ásperos do outro em sua pele macia e quente. – ainda tenho mais duas apresentações hoje.

– Por que não se libera delas? Tenho certeza de que uma das garotas poderia substituir-te, hm? Há algo que quero lhe mostrar.

– Bem eu...

Ouviu o barulho de passos no corredor, já reconhecendo o barulho fino do salto batendo contra o piso de madeira escura.

– Esconda-se. – Deidara rapidamente abriu o enorme armário, aonde todas as suas fantasias e vestimentas se encontraram, empurrando Sasori para dentro do mesmo e encostando-o. Correndo para se jogar sobre a cama em seguida e fingir uma tosse.

Konan adentrou o quarto, segurando um broche revestido num metálico azul-roseado nas mãos.

– As garotas estão bem, foi somente dar-lhes uma presa. – disse sorrindo, mas sua expressão tornou-se preocupada no segundo seguinte. – está tudo bem, Dei-chan?

– S-Sim... – loiro disse suspirando. – é que, me senti um tanto mal de repente.

– Oh, quer que eu chame alguém para examiná-lo?

– Não, eu só me sinto extremamente cansado, acho que não poderei fazer as apresentações hoje.

– Hm... Tudo bem, se adoecer, será pior, mas quando melhorar terá de recompensar-me, viu? Tua dança me dá muito mais lucro do que a das meninas.

– Nos ouvimos isso! – disse uma voz esganiçada do corredor.

– E eu lá estou mentindo? Se tivesse toda essa preguiça cortada pela metade, nossos lucros seriam bem maiores! – gritou Konan de volta. – descase e se cuide, Dei-chan, voltamo-nos ao amanhecer, ok? – mandou um beijo no ar, saindo e encostando porta em seguida.

Quem em todo aquele Reino poderia imaginar o grande General Akasuna no Sasori escondido num armário, para não ser pega pela chefa de seu – ele esperava – futuro amante?

Nem o mesmo podia acreditar.

Porém, quando Deidara abriu a porta do armário, e o Akasuna saiu do mesmo, cheirando ao loiro por estar entre suas roupas, ele não pode evitar rir.

Sim, sentia-se um garoto novamente, temendo ser pego pelo pai de sua falecida esposa, Deidara sempre o conseguia fazer se sentir vivo e jovem novamente.

Mesmo que ainda nem estivesse em seus trinta anos, o tempo de experiência, as guerras que teve de segurar, céus, fisicamente podia ser jovem, mas mentalmente já passara dos cinquenta.

Estava... Cansado. E sua pouca idade não lhe permitia demonstrar isso.

Deidara era realmente sua luz, sua vida. E tanto queria ele que o loiro percebesse isso...

– Me perdoe por isso, Sasori-san! – disse o menor encabulado, nem acreditara no que havia acabado de fazer! E com um General! – s-se não o fizesse, Konan iria desconfiar e não iria me liberar.

– Está tudo bem. – disse o maior soltando uma risada rouca e gostosa. – se bem que, eu não esperava passar por isso novamente tão cedo. – seus olhos experientes brilharam ao olhar para o jovem a sua frente. – mas... Por ter me feito passar por isso, não acha que mereço ser recompensado?

Deidara não pode evitar acompanhar sua risada, um tanto mais delicado, e sentindo seu rosto um tanto avermelhado.

– Já estou indo contigo a esse tal “lugar” que queres me mostrar, já não é recompensa o suficiente? – rebateu o garoto, soltando seus cabelos da liga e logo em seguida prendendo os mesmos num coque alto. – só me deixe banhar-me rapidamente, estou fedendo.

– Está mesmo. – os olhos de Sasori percorreram a nuca do loiro até seu peito desnudo, parando na calça larga e revestida por um véu arroxeado, desejando, internamente, que o loiro terminasse de se despir em sua frente.

– Não demorarei. – foi até seu armário, pegando uma roupa discreta, junto a capa encapuzada azul-escuro, indo para a sala de banho do quarto.

Sasori sentara-se sobre a cama nada confortável, sentindo-se profundamente irritado com aquilo.

Deidara era uma pessoa incrível, talentosa e incrivelmente bonita, por que raios vivia num lugar simples e um tanto desagradável como aquele? Sasori podia dar-lhe todos o presentes e prazeres que quisesse e precisasse, bastava apenas o loiro permitir uma pequena brecha que o ruivo conquistaria seu coração e o tomaria para si.

Não o queria apenas como um grande amigo, como o loiro era, queria que ele fosse seu amante.

Seu Deidara.

Sempre que o via dançar, seus movimentos ágeis e suaves, belos, não podiam deixar de imaginar como seria dançar junto a ele.

Entretanto, ao invés de numa casa de espetáculos, dançariam entre as cobertas do leito luxuoso de Sasori.

Quando o loiro saiu do quarto de banho, com os cabelos loiros apenas com as pontas úmidas, trajando aquelas roupas um tantinho soltar e escuras, pretas, com a capa-capuz por cima, Sasori teve vontade de sequestra-lo e guarda-lo apenas para si.

– Então irá mesmo comigo? – o Akasuna sorriu, pondo-se de pé.

– Acho que o facto de eu ter me arrumado e banhado já significa um sim. – riu delicadamente o loiro, penteando os cabelos dourados e logo após os prendendo numa trança baixa e discreta que pudesse-se ser escondida por dentro da capa. – vamos?

Sasori abriu a porta, direcionando uma mão para o loiro que prontamente a aceitou.

Dedos entrelaçados, luzes desligadas, lua cheia, brisa gélida.

Levaria o – “seu” – loiro para uns dos locais isolados que mais o agradava.

Estava na hora de dar mais um passo até o coração de seu amado.