Notas iniciais
Prontas? Fanfic na reta final. Tem um Bella nova já gritando na minha cabeça, pronta para sair

Edward

— A frota está no litoral e as forças armadas, que atacarão por terra, já estão a postos só esperando a autorização para invadir.

Hum!

Bati a caneta por sobre a papelada que o chefe de segurança nos mostrava. Eram planos e mais planos de ataques a Volterra. Um assunto irritante e que precisava ser, urgentemente, resolvido.

— Vocês tem a ordem. Podem invadir hoje mesmo.

— Não. Eles não têm a ordem.

Levantei-me da cadeira, que até pouco tempo, meu pai se orgulhava de se sentar, e passei a rodear a mesa de reuniões da residência oficial.

Nós não havíamos ido para a sede do governo hoje. Mamãe nos convidara para almoçar e então preferi nos reunir aqui mesmo. Isso, lógico, depois de Bella ter ido para o hospital.

— Edward...

— Eu não vou matar criancinhas inocentes, pai. Estamos falando de invadir uma cidade e atirar no que estiver pela frente.

— Sacrifícios são necessários em uma guerra. Ainda mais quando se trata de terroristas. Essas pessoas inocentes, que você quer proteger, dão cobertura aos terroristas que ameaçam as esposas de vocês.

Parei perto dele e lhe encarei duramente.

— Não farei isso, Carlisle. Aquelas pessoas não têm escolha. Tentam sobreviver em meio a tanta violência. Não vou assusta-las mais. Quando tomarmos Volterra de novo, quero que elas confiem em nós e se adaptem a nossos meios. Se usarmos violência para combater violência não obteremos isso.

— Então o que tem em mente, irmão?

Respirei fundo, impedindo meu mau- gênio de mandar Jasper para o inferno. Ele estava tentando, eu precisava dar-lhe uma segunda chance, mas, infelizmente, não estava conseguindo, para infelicidade de minha mãe.

— Quero que a cidade seja cercada, de modo que não reste alternativa para os criminosos a não ser fugir para as montanhas na parte norte de Volterra, longe da cidade. Lá os encurralaremos e aí sim, atacaremos.

— Pessoas morrerão também. Não é a solução mais sábia.

— Inocentes não. E evitaremos um massacre em massa, que do contrário me deixará de consciência pesada, minha mulher furiosa e os direitos humanos prontos para acabar como nossa reputação.

Refutei com força. Carlisle iria aprender, na marra, quem mandava agora.

— Você não pode garantir isso.

— Não, não posso. Mas, será mais garantido do que atacar de frente no centro da cidade.

Voltei a olha-lo desafiadoramente.

— Eu concordo com a estratégia. E quem disse que mataremos a “torto e a direito”? Podemos os levar para uma emboscada e depois os pegaremos para que sejam julgados aqui em Ângelus, bem debaixo de nossa justiça.

Jasper concordou, não sei se por achar a ideia certa, ou se para apaziguar, ainda mais, a situação comigo.

— O que acha meu rei?

Amum, o chefe de segurança do reino, que obviamente não sabia do “acordo” entre Carlisle e eu, se dirigiu, respeitosamente a ele.

— Eu...

Carlisle voltou a olhar para mim. Vi desgosto e frustração estampados na face dele ao decidir o que fazer.

— ...Concordo com a estratégia de Edward. Faça com que nossos soldados levem os terroristas para fora da cidade. E depois atacamos e...

— Diga a eles que não tenham pressa, Amum. Que não atirem sem necessidade e que não ajam sem autorização. Não quero que essa invasão seja sinônimo de carnificina. Faremos o melhor para que inocentes não sejam atingidos.

Interrompi o discurso de rei, de Carlisle, e ditei as ordens.

Amum pareceu surpreso enquanto olhava de Carlisle até Jasper e depois para mim.

— Majestade...

Dirigiu-se a meu pai, confuso.

Carlisle voltou a respirar fundo e por fim, rendido, disse:

— Dê os comandos às tropas exatamente como Edward disse. Não perca o controle da situação, Amum.

— Sim, senhor. Agora se me permitem, preciso conversar com meus comandantes.

Sem esperar por nossa resposta, ele rapidamente se dirigiu a porta e a abriu abruptamente quase trombando com Charlote, que se preparava para bater.

— Cuidado!

Resmungou ela, quando o ombro do homem assustado, se chocou ao dela.

— Chay, algum problema?

Ignorando o mau- humor de Amum, ela esfregou o ombro, com a mão, antes de entrar na sala.

— A princesa acabou de chegar, querido. Sua mãe já a levou para a sala de jantar.

Incontrolavelmente, um enorme sorriso tomou conta de mim.

Minha rainha e meus bebês exigiam minha presença agora e eu, como marido e pai obediente que sou, correria ao encontro deles.

— Tudo bem, nós já acabamos aqui.

— Filho, nós não acabamos. Temos que conversar sobre o aumento de verbas para as forças armadas.

Segurei o impulso de dizer-lhe para parar de me chamar de filho.

— Assuntos chatos são com você, majestade.

Ignorei sua tentativa de alongar uma conversa, juntei toda a papelada que me fora apresentada e coloquei tudo na maleta de mão.

— Você já chamou Alice, Chay? Ela está no quarto, não foi para o ateliê hoje. Estou preocupado.

A governanta torceu o nariz quando Jasper se dirigiu a ela. Charlote era fiel a mim, e isso a impedia de perdoa-lo tão facilmente pelo que ele havia feito com todos nós.

— Não, senhor. Eu precisava avisar a meu rei primeiro. Irei até ela agora mesmo.

Por incrível que pareça, Jasper sorriu para a petulância dela.

Era impressão minha ou ele estava levando aquilo de “eu ser rei” muito bem?

— Pode deixar que eu mesmo irei chama-la.

Não dando chance para que ela retrucasse, ele mal terminou de falar e já saiu em busca da esposa.

Eu não havia o perdoado ainda, mas confesso, torcia para que se acertassem logo. Acho que se terminassem juntos, seria mais fácil para um regenerar o outro.

A invasão de Alice a minha casa ainda não havia sido digerido por mim, mesmo com a insistência de Bella para que deixasse o assunto com ela. Minha vontade ainda era de apertar as suas mãos em seu pescoço.

— Eu também já vou, só preciso guardar essas coisas.

Carlisle se dirigiu também a nossa governanta, que mais uma vez, não escondeu uma careta de desgosto.

Ah, isso eu podia resolver.

— Não se dê ao trabalho. Você não é bem vindo. E tenho certeza de que o rei tem muitas coisas a resolver que um simples almoço em família não pode atrapalhar. Pode cuidar disso. Ah...

Voltei a olhá-lo quando já havia terminado como meu discurso.

— Não se esqueça de que o avô de meus filhos vem amanhã, somente para conversar com o senhor. Nem as meninas sabem dessa vinda dele aqui e eu pretendo que continue assim. Portanto, não estrague os planos.

O confrontei, outra vez, e foi com gosto que vi seus olhos se abrirem de espanto.

Ele estava se dando conta de que eu não estava brincando e que não cederia fácil. E que também era chegada a hora de enfrentar Charlie Swan.

— Vamos, Chay? Estou louco para ver se minha esposa engordou um pouquinho mais, de hoje cedo até agora.

— Está brincando, não é?

— Claro que não, estou louco para vê-la com um barrigão.

— Ela vai te matar se disser, daqui a algum tempo que ela está gorda. Mulheres não gostam de ouvir isso. Aprenda ou dormirá no sofá do closet, garoto.

Gargalhei e a abracei pelos ombros, tirando-a dali e ignorando o grande sorriso que se formara nos lábios dela.

O grande rei completamente esquecido atrás de nós.

Eu não humilharia meu pai na frente de nosso povo. Não, essa não era a intenção. Porém, cabia a ele, entender que quem mandava agora era eu e que tudo seria como eu ditasse.

Rá!

Aposto que ele já se arrependeu de não ter me tratado melhor durante toda nossa vida.

Alice

— Alice?

Jasper bateu a porta.

Santa paciência! Será que eles não entendiam que eu queria ficar sozinha. Remoer minhas amarguras e meus passos errados faziam parte de meu processo de cura.

— Alie, abra a porta, por favor. Estou preocupado, meu amor.

Travei os lábios impedindo que uma série de impropérios saíssem dali.

Jasper estava na ilusão de que agora eu o perdoaria. O que ele não entendia é que o fato da verdade ter vindo à tona, só tornava nossa reconciliação muito mais difícil.

Ele havia usado a mim e a meus sentimentos, simplesmente, para alcançar seu objetivo, ser rei. E isso ainda estava entalado em minha garganta.

Se ao menos ele tivesse me contado a verdade...

— Vá embora. Quero ficar sozinha.

Esfreguei a tempora com uma mão, a outra alisava a barriga tentando, inutilmente, conter uma menininha que insistia em me chutar em todas as partes, desde a noite de ontem.

— Eu não vou sair daqui sem você. Bella e Edward vieram almoçar. Só estão esperando por nós para servir.

Rá! Mentira!

Depois de tudo que disse a minha irmã, tinha certeza de que ela não me esperaria para mais nada.

Merda! Outra burrice. Eu sabia que Bella não merecia tudo que eu disse. Porém, quando dei por mim, já era colocada para fora da casa dela.

Deixei que a raiva me dominasse e descontei em quem menos tinha algo com aquela sujeira toda.

E Edward? Certeza de que meu cunhado só arrancava minha língua e meus olhos porque eu estava grávida.

Eu sabia como ele era em relação a minha irmã. Imagina agora que ela carrega dois filhos dele.

Filhos esses que lhe garantirão uma coroa e um reino.

— Diga que estou indisposta, Jasper. Só saia daqui e me deixe em paz.

O que não era de fato uma mentira. E não era mentira também, que ele estava me deixando mais irritada com sua presença e seu falatório.

— Lice, abra a porta, por favor. Estou preocupado com você e nossa filha.

Nossa filha, não senhor.

—Não!

— Então tá. Vou sentar aqui no chão e continuarei falando e te irritando até que você se canse e abra essa porta, só para eu ver que estão bem. Sua voz está diferente, por favor, Lice?

— Vá embora, Jasper.

Sem que ele esperasse abri, com tudo, a porta. Meu rosto devia estar um desastre porque ele me olhou de cima a baixo mais de uma vez.

— Estou aqui, você já me viu. Agora me deixe. Vá almoçar e bajular Edward e Bella para que eles não nos expulsem.

Dei-lhe as costas e fui até a janela procurando algo para me distrair antes que aqueles olhos verdes que tanto clamavam perdão me abalassem.

Eu não o perdoaria.

— Eles não fariam isso. Meu irmão não vai assumir o reino, não agora, Alice. Edward é muito melhor do que eu. Ele quer aproveitar o que eu desprezei. E Bella, ela...

Imediatamente me virei para ele, a raiva e o ciúme ameaçando me queimar de dentro para fora enquanto os olhos dele brilhavam ao falar de Isabella.

— Ela não virá morar aqui, princesa. Ela ama a casa que meu irmão fez para ela. Isabella não é sua inimiga, meu amor. Vamos esquecer essas coisas todas, vamos viver nossa vida como nossa filha, bem e em paz.

— E ser o seu prêmio de consolação? Nunca! Você fica aí falando de minha irmã e seus olhos brilham. Não sou obrigada a conviver com isso, Jasper.

Ele respirou fundo, esfregou o cabelo com as mãos os bagunçando muito, antes de voltar a falar comigo.

A voz subindo dois níveis.

— Pelo amor de Deus, Alice! Estou tentando. Não vou mentir e dizer que toda a admiração que sinto pela sua irmã desapareceu. Não, pelo contrário, acho que agora a admiro mais ainda pelo que ela fez e falou para meu irmão quando o segredo de nossa família veio à tona. Porém, eu suprimirei esses sentimentos Alice. Os apertarei dentro de mim até que se tornem um amor fraternal, porque é isso que você e meu irmão merecem. Ela é dele, Alice. Totalmente dele. E você é minha, foi feita para mim e eu agradeço seu pai por isso. Eu a amei desde que vi uma foto sua, quando era pequeno, e papai me disse que seria minha futura rainha. Não sei o que aconteceu com esse amor, ao longo do tempo, só sei que ele está aqui...

Levou a mão, em punho, por sobre o peito, bem em cima do coração, e bateu-a lá, com força.

— E eu vou reencontra-lo, meu amor. Só me dê mais uma chance e eu prometo que farei o certo dessa vez.

— Não!

Respondi, só lembrando-me da parte em que ele dizia que admirava Bella.

— Droga, Alice! É por isso que amar Isabella é tão fácil. Você não facilita para seu lado.

Ele gritou e imediatamente seus olhos se arregalaram de espanto quando percebeu o que havia dito.

— Desculpe, desculpe. Não foi isso que eu quis dizer. Eu...

Deu dois passos, apressados, em minha direção.

— Não! Se afaste! Você não é digno de mim, nem de minha filha. Eu te dei meu coração, minha vida, uma filha e tudo que pedi em troca foi um reino e uma maldita coroa e nem disso você foi capaz. Para que, eu quereria você agora? Um príncipe que nunca será rei não está em meus planos. Fui criada para ser uma rainha e é isso que eu quero. Dê-me isso e talvez eu lhe perdoe.

— Eu não posso, princesa. Peça-me qualquer outra coisa, mas não isso. Edward e Bella merecem o reino. Eu não...

O impedi com as mãos abertas em sua direção, de se aproximar. E, mais uma vez, fui cruel com tudo que pude. Ele tinha me ferido demais. Eu podia fazer o mesmo com ele, não podia?

— Então, nada de segunda chance para você. O reino ou nada...

E de repente eu gostaria de ter retirado o que disse, uma imensa tristeza inundou o rosto dele ferindo, como uma adaga afiada, meu coração.

Eu o amava mais do que tudo, porém uma coisa doentia, que eu não sabia denominar, me impedia de controlar os sentimentos ruins para seguir em frente.

— Jasper, acho melhor você dar um tempo a ela.

Edward, Bella e Esme haviam passado pela porta e já vinham até mim.

Era evidente que haviam escutado nossos gritos. E eu nem havia percebido que estavam ali.

— Mas, irmão eu preciso que ela...

— Edward tem razão. Alice precisa se acalmar, Jasper. Por favor, nos deixe a sós para que eu possa examina-la.

Bella não estava em modo irmã. Estava em modo médica, que jurara não negar socorro a ninguém.

Eu a havia magoado muito dessa vez. Um arrepio de medo de perdê-la ameaçou tomar conta de mim.

— Não. Não vou sair daqui. É minha esposa e minha filha.

Uma sombra de desespero voltou a dominar os belos olhos verdes de meu marido.

Deus! Como eu o amava. A pergunta é se eu seria forte e corajosa o bastante para ajuda-lo a apagar os sentimentos que mantinha por minha irmã e também se conseguiria sobreviver sendo subordinada a ela, não tendo meu próprio reino.

Eu seria?

Ou preferiria abandona-lo, voltar para casa e enfrentar uma vida sozinha, sem um reino, um marido, uma irmã e com uma filha para criar?

— Ai...

A pontada veio rápida, juntamente com a dor, o susto e o medo.

Minha cabeça latejava; pensamentos e mais pensamentos se passavam como um turbilhão por mim.

— Ai, ai...

Inclinei o corpo para frente e segurei a base da barriga como se o gesto pudesse proteger minha garotinha indefesa do que quer que fosse aquilo que estava acontecendo.

— Alice!

Escutei o gritou ao longe, mas, era tarde demais. Minha atenção estava voltada para a mancha vermelha que descia por minha calça branca.

— Bella!!!!

Gritei no auge do desespero, me esquecendo de tudo que havia jeito com ela e, graças a Deus, já sentindo suas mãos em mim.

— Uma ambulância. Pelo amor de Deus, uma ambulância...

Minha irmã também gritava.

— Calma, Lice. Calma. Respira. Edward... rápido.

Fazendo algo que não era de sua função, Edward me pegou no colo e foi isso a última coisa que vi. A inconsciência me tomou quando outra pontada me fez curvar nos braços de meu cunhado.

Era o fim...

De minha garotinha e meu também... e talvez, só talvez, depois de tudo que fiz e pelo que passei, isso fosse o certo... Para Jasper, para Bella e para mim.

Bella

“Não se meta. Não é da sua conta”, era isso que eu dizia a mim mesma enquanto, da sala de jantar, ouvíamos os gritos de Alice e Jasper, no andar de cima.

Porém, quando Esme contou que ela não estava passando bem desde cedo, rompi com todo o meu autocontrole e corri até ela.

E confesso, teria que agradecer a Deus por isso.

— Não dá tempo. Vamos de carro. Stephan nos levará até lá, em quinze minutos.

Edward saia com ela nos braços com Esme e eu em seu encalço. Um atônito Jasper, nos seguia de perto.

— Mãe, segure Isabella na escada.

A mão de Esme veio para meu braço. Edward não desacelerou o passo fazendo assim com que Jasper passasse por nós e se juntasse a ele.

— Stephan, o carro. Agora!

Edward gritou para o amigo assim que passamos pela porta da frente.

Graças a Deus, ele havia me esperado para me levar de volta para o hospital assim que o almoço terminasse.

— Batedores, Stephan. Use-os. Sei que Edward não gosta, mas isso é urgente. Esse é um carro oficial e eles abrirão caminho em meio ao caos da hora do almoço.

Jasper falava enquanto abria a porta para Edward, que rapidamente entrou e acomodou Alice a seu lado.

Peguei das mãos de Zafrina, minha maleta e me juntei a eles.

— Vamos, Alice. Vamos...

Resmunguei, procurando pelo estetoscópio e o esfigmomanômetro.

As duas portas da frente se fecharam, com Stephan, com o celular em uma mão, já colocando o carro em movimento, e Jasper se acomodando e, imediatamente, se virando para trás, segurando uma das mãos de Alice.

— Por favor, Deus. Por favor.

Ele murmurava baixinho em forma de clamor e oração.

— Vamos, Alice. Vamos...

Voltei a recitar, quando me certifiquei que os batimentos dela estavam irregulares.

— Como ela está, Bella? Como está?

— Só um minuto. Só um minuto...

Trabalhei com o aparelho de pressão. Ganhando tempo antes de pensar no que lhe falar.

Deus! 15x9, isso não era bom.

— Stephan, pelo amor de Deus, ande rápido. Precisamos chegar no hospital. Jasper, ligue para seu tio e peça para ele avisar a todos que estamos chegando e que é urgente.

Ai!

Esfreguei a testa. O medo ameaçando tomar conta de mim. Alice tinha sintomas claros de pré- eclampsia. E mesmo não sendo uma especialista em obstetrícia eu sabia que isso era muito perigoso tanto para ela, quanto para o bebê.

Ela só estava com 32 semanas.

— Pelo amor de Deus, minha vida, se acalme! Se não se controlar também precisará de um médico e não conseguirá ajudar sua irmã. Respire, Bella. Respire, por mim e por nossos filhos. Vai dar tudo certo. Se controle, se acalme.

Edward esfregava meus ombros enquanto Stephan voava pelas ruas de Ângelus.

Alice estava a meu lado e eu ainda monitorava precariamente seus batimentos e pulsação.

— Ela está... Edward, ela está...

As lágrimas escorriam de meus olhos e minha garganta se fechava a ponto de não conseguir pronunciar em voz alta meus medos e suspeitas.

— Não! Ela não está! Deus não vai deixar. Se acalme, meu amor. Pense em você também. Em nós...

Umas das mãos dele, veio para meu ventre me alertando de que eu também precisava pensar em mim, na verdade, em nós, como bem frisou.

Lágrimas grossas desciam pelo rosto de Jasper também, ele continuava rezando baixinho, depois de terminar a conversa com Aro, ao telefone.

— Isso. Respire, minha vida. Se acalme. Nada vai acontecer. É só um susto. Já estamos chegando. Ângela vai nos ajudar.

— Tudo já está a nossa espera. Tio Aro já ajeitou tudo. Vai der certo, tem que dar certo. Nos merecemos uma segunda chance.

Jasper falava mais para ele mesmo do que para nós.

— Pare na porta do hospital, Stephan. Depois você estaciona direito.

Stephan virou de uma vez e parou na frente do hospital, no mesmo local em que as ambulâncias de emergência paravam.

Logo as quatro portas foram abertas e Alice retirada de minhas mãos.

— Preciso de uma Ultra. Rápido. Soro. Cateter. Coloquem-na no oxigênio, a respiração está forçada pode haver sofrimento fetal e...

— Ben, um sangramento. Parece um principio de aborto e...

— Ok, se acalme e se afaste. Vamos cuidar disso. Chamem a doutora Weber e o doutor Black. Alguém tire Isabella daqui... Agora!

Ele gritou para todo mundo e ninguém especificamente.

— Quê? Não! Eu vou com você. Ela é minha irmã.

Logo as mãos de Edward estavam em mim. Segurando-me, impedindo que eu seguisse a maca.

— Ela é sua irmã, eis o motivo. Você está nervosa demais. Fora de controle. Se acalme. Eu controlo daqui. Não tem condições de fazer nada para ajudar nesse momento.

— Não! Ben, eu preciso...

Corri para acompanhá-los enquanto se encaminhavam para o elevador.

— Edward! Tire sua mulher daqui ou senão vou mandar sedá-la. Ela está fora de controle e isso não é legal para ninguém, principalmente para os bebês. Sou obstetra. Vou cuidar de Alice. Bipem a doutora Weber, outra vez, peçam para ela cuidar da doutrora Cullen. Eu volto logo com notícias. Jasper, me acompanhe.

Ele voltou a gritar já correndo com Alice corredor a fora.

Edward forçou mais suas mãos em meus ombros me impedindo de continuar os acompanhando.

Ben aproveitou-se da situação e colocou mais velocidade, se afastando de nós.

— Merda! O que está fazendo, Edward? Eu preciso acompanha-la. Alice precisa de mim eu...

— Eu também preciso. Por Deus, eu também preciso.

Ele segurou meu rosto, com força, e forçou minha concentração somente nele.

— Por favor, por favor, se acalme. Ela está em boas mãos. É sua irmã, uma princesa de Ângelus, todos farão o impossível para que ela e o bebê fiquem bem. Você está tremendo, Bella. Provavelmente, sua pressão também está nas alturas. Por favor, por favor...

Encostou a testa na minha, alisou meus cabelos e beijou o caminho de lagrimas em meu rosto.

— Estamos aqui, querida. Edward está certo. Você precisa manter o controle.

Esme, que eu nem havia percebido que chegara, também veio a nosso encontro e nos fechou em seus braços.

— Alice, Esme... Eu preciso...

Solucei sentindo a fraqueza e o cansaço amolecerem minhas pernas e falharem minha voz.

Edward me pegou pela cintura evitando minha queda.

— Você vai ajuda-la, Bella. Se acalme e prometo que farei com que Edward a deixe ficar com sua irmã, só se acalme.

— Ah, ela vai se acalmar. Tenham a certeza disso. Por favor, me acompanhe, senhor Cullen.

Edward me pegou no colo e fechei os olhos de amargura, a doutora Ângela havia nos encontrado.

— Ligue para meu pai, Esme. Alice precisa dele.

— Vou ligar, pode descansar agora. Deixe tudo comigo.

Assenti, voltei a fechar os olhos e me encostei mais ao peito de Edward. Eu não poderia fazer mais nada com aqueles dois em “minha cola”.

Segundos depois meu corpo era colocado em uma maca também.

— Hum!...

Ângela já me examinava com o nariz retorcido.

— Vou mandar coloca-la em um quarto e ministrarei um calmante em você. Assim que ele fizer efeito e você desacelerar esses batimentos estará liberada. A pressão está boa 12x8, mas os batimentos não. Vamos dar uma olhada nesses bebês agora.

Ela já arrastava o ultrassom para perto de mim e levantava, sem pudor, meu vestido.

— Não quero um calmante. É bem provável que Alice precisará de uma cesárea de emergência, preciso estar lá para cuidar do bebê. Você sabe que sou a melhor na área, Ang. É minha sobrinha e minha irmã.

Ela não me respondeu. Somente me empapou de gel gelado e logo deslizava o aparelho da utra por minha barriga.

— Sua sobrinha, isso mesmo. E esses aqui...

Apontou para os dois “sereszinhos” mais lindos que eu já tinha visto.

— São seus filhos. Pense neles agora, só por um minuto, por favor. Tanta agitação não pode ser bom para ninguém.

— Eles estão bem?

Edward também encarava o monitor e eu sabia que precisava me desculpar com ele. Eu colocara Alice acima de qualquer um e há dias atrás jurara que não faria mais isso.

— Ah... Olha eles aqui se mexendo como dois pestinhas que serão. Aparentemente estão tão agitados quanto à mãe, não é doutora?

O sarcasmo dela me fez ficar um pouquinho, envergonhada.

Ângela dividia seu olhar atento entre mim e o monitor. Eu sabia que ela queria mesmo ver meus filhos, para se certificar de que estavam bem, mas, sei também que era a melhor maneira de me manter parada e mais calma.

— Entrando na décima nona semana, vamos marcar o ultrassom morfológico para o fim da semana que vem. Não posso deixar nada passar.

— Marque mesmo. Se tivermos algum compromisso remarcaremos.

Edward esfregava, carinhosamente, meu cabelo, porém, sua atenção estava toda nos garotos.

— Tem sentido alguma coisa diferente?

— Dor nas costas pode ser considerado “alguma coisa diferente”?

— Ah, pode sim. E lamento te informar, minha amiga, mas a tendência é piorar. Tem dois garotões aqui dentro, se desenvolvendo muito bem. Sua coluna ainda vai sofrer um pouquinho. Recomendo banhos quentes e demorados, desfrute daquela banheira enorme. E nada de saltos, a partir de agora. E também evite roupas apertadas.

A maioria daquelas coisas eu já vinha fazendo, porém a parte da banheira me fez abrir um sorriso para Edward. Eu andava tendo muitos desejos, nada próprios para crianças, naquele lugar.

— E quanto ao trabalho, Ângela? Não quero ser chato, mas as horas trabalhadas de Bella andam me incomodando. Os pés dela estão inchando demais e ela anda dormindo pouquíssimo.

Fechei a expressão para ele. Edward sabia que eu não queria parar de trabalhar tão cedo.

— Olha Edward, não quero começar uma discussão agora, meu intuito ao trazê-los aqui era outro, mas acho mesmo que Bella precisa pegar mais leve.

Irritando-me com eles dois, me sentei e limpei a barriga com uma toalha de papel que ela me estendeu.

— Ainda não acabamos, Bella.

— Acabamos sim, doutora Weber.

Desci os pés e desci da maca não esperando pela ajuda dela ou de Edward.

— Estou com quatro meses e vocês já querem que eu me afaste. Tenho uma carreira, tenho pacientes e um monte de vidas de criancinhas indefesas em minhas mãos e vocês querem que eu me afaste com quatro meses de gestação. Então nossa conversa acabou. Vou ver como minha irmã está.

— Não senhora, e o calmante?

— Eu estava calma, Ângela. Muito calma. Mas, você e Edward acabaram de estragar isso.

Sem esperar por nenhum deles, dei-lhes as costas e voltei para junto de Esme e esperei que Ben voltasse com notícias de Alice.

Edward

— Acho que a irritamos.

A doutrora Weber prescreveu mais uma receita de vitaminas e me entregou.

— Eu tenho certeza disso. Os hormônios loucos e em dobro não andam ajudando. Tudo é em excesso.

As coisas boas e as ruins, pensei comigo mesmo.

— Vamos devagar, Edward. Também quero que Bella se afaste do hospital, mas se impormos isso a ela será pior. Precisamos que ela perceba que é o certo. Vou conversar com Aro para que ele refresque mais a agenda dela e que rastreie casos mais fáceis e rápidos para que ela não se envolva tanto e não fique tantas horas de pé na sala de cirurgia.

— Ficarei grato se conseguir isso.

— Será um começo. Faça sua parte, não a chateie por pouca coisa e tente manter os problemas longe.

— Difícil quando se tem Carlisle, Jaspe e Alice na família. Falando em Alice...

Abri a porta para que Ângela passasse.

— Vou ver como ela está. Mas, tenho certeza de que Ben fará o melhor e, além disso, Jacob está aqui e ele é o segundo melhor pediatra que eu conheço.

Levantei a sobrancelha pronta para perguntar o que aquilo significava, porém estávamos próximo de Bella e eu não queria que ela se estressasse.

— Vou ver se descubro alguma coisa. Mantenha a calma, eu volto logo.

Ela sorriu para Ângela e agradeceu a ajuda.

Sentei-me ao seu lado, segurei suas mãos nas minhas, aproximei a boca de sua testa e a beijei, com ternura.

— Ainda estou brava.

— Eu sei.

Abri o sorriso que a derretia e foi certeiro, ela deitou a cabeça em meu ombro e permaneceu assim, por alguns minutos até que um desesperado Jasper apareceu no fim do corredor e veio para perto de nós.

— Filho...

Esme o abraçou e Jas desabou nos braços dela.

— Ela foi levada para a sala de cirurgia, mãe. Farão uma cesárea de emergência. Alice está com pré- eclampsia. Fizeram-me preencher uma papelada. Queriam que eu dissesse se a prioridade era Alice ou o bebê...

Estremeci e consolei Bella que voltou a chorar baixinho.

— Quem faz isso, mãe? Quem manda um homem escolher entre a esposa que ama e o filho que sonha? Quem, mãe?

Esme se sentou e trouxe Jasper para seu lado, a cabeça dele, imediatamente, foi para seu colo.

— Eles não me deixaram acompanhar. A situação é grave, mãe. Não foi assim que imaginei que minha filha viesse ao mundo.

Abracei Bella com mais força, o medo e aquela maldita sensação que andava me atormentando vindo em ondas de encontro a mim.

Não! Eu precisa me controlar, também. Nada aconteceria. Eu precisava confiar... Nada aconteceria.

Notas finais
Alguém arrisca o que vai acontecer com Alice e o bebê?