Notas iniciais
Oi... Meninas, perdoem-me pelo sumiço. Minha sobrinha formou e nossa família estava em festa. Bom, tenho alguns comentários para responder, farei isso essa semana, ok? Beijinhos e até o próximo, que prometo, não atrasará mais.

Edward

— Aqui, querido. Isso a deixará mais confortável.

Esme estendeu um cobertor por sobre minha mulher.

O puxei até seu pescoço, depois passei o braço, protetoramente, pelo abrigo sagrado de meus filhos.

— Você deveria leva-la para casa, Edward. Acordará toda dolorida desse jeito. Olha só essa posição? Os meninos já estão pesando.

— Mãe...

Mal, as palavras saíram da boca dela, antes mesmo de eu começar a explicar, Charlie imediatamente se virou em nossa direção.

Era bom saber que eu o entendia, e que ele me entendia, sem precisar de uma só palavra.

— Minha rainha, agradeço sua preocupação, mas lembra que Bella sofre de insônia crônica? E se juntarmos a isso os incômodos que a gravidez anda causando, tudo só piora. Ela não tem dormido muito ultimamente. Por isso, é um acordo mudo que todos que a conhecessem têm: ela dormiu, seja onde for, não a acorde.

Charlie assentiu minimamente, daquele seu jeito, que eu sabia que era em concordância.

Depois voltou a prestar atenção no noticiário que já narrava sobre nosso cerco a Volterra.

Ele e Renée haviam chegado pouco depois que Alice fora encaminhada ao centro cirúrgico.

Bella chorara horrores nos braços do pai reclamando que ninguém a deixava entrar em lugar algum em seu próprio hospital.

Eu entendia sua frustração, mas teria que agradecer a tio Aro por isso, ou seria capaz de enlouquecer se ela desaparecesse por esses corredores.

Charlie fora de grande ajuda nesse quesito, pois acalmara a filha e até lhe dera uma bronca por querer clinicar, quando toda família precisava dela ali, como apoio.

Mas, se engana quem pensa que Bella fora uma pessoa fácil naquele momento.

Até cair no sono, a todo instante, ela parava alguém ou ligava para Jacob e Ângela em busca de notícias.

Porém, quando tio Aro isolara nosso andar, pela nossa privacidade, as pessoas pararam de circular e Jacob e Ângela desligaram os celulares, Bella não pode fazer mais nada a não ser render.

E foi então que se sentou ao meu lado, deitou a cabeça em meu peito, colocou os pés em cima do sofá, da sala de espera, e então, caíra no sono. Exausta e muito contrariada.

E era assim que ela permanecia, quase sete horas depois de todo esse incidente se iniciar.

Jasper era outro a beira de um colapso.

O caso de Alice e do bebê eram tão grave que ele fora impedido de acompanhar qualquer procedimento.

Só o que se sabia, era que Alice estava com pré- eclampsia e que teria de fazer uma cesárea de emergência, com apenas 31 semanas de gestação. E pela expressão de Bella, quando soube da notícia, isso não era nada bom.

— Estão demorando muito. O que adianta ter um hospital se, quando precisamos, ninguém informa o que está acontecendo?

— Se acalme, rapaz. Se não tem ninguém desocupado para falar conosco é porque estão empenhados em salvar sua família. Vamos ter fé e esperar.

Corri a mão pelos cabelos de Bella deixando que as palavras de Charlie me inundassem e gerassem, a mesma confiança que ele aparentava. Se alguma coisa ruim acontecesse a Alice ou a bebê, Bella nunca se perdoaria por não estar lá.

— Tem alguém vindo.

Renée, que até agora se mantinha quieta com um rosário na mão, se sobressaltou quando Ben, ainda de uniforme cirúrgico, apontou no corredor.

— O que foi?

O murmúrio e a agitação deles fizeram com que Bella se remexesse em meu colo.

— Shii! Não é nada. Está tudo bem. Volte a dormir.

Mas, era um pedido impossível, pois ela já se levantava quando o médico chegou até nós.

— Ben, e a minha irmã e o bebê?

O doutor Cheney, Ben Cheney, lentamente, retirou a touca cirúrgica, pegou a mão de Bela olhou para o relógio e conferiu sua pulsação antes de começar seu relato.

— Bom, muito bom. Está controlada. Ângela veio ver você?

— Uma porção de vezes. Estamos bem, eu juro. Só alivie, tanto a minha tensão, quanto a de minha família. Nos dê notícias boas.

Jasper, Charlie, Renée, mamãe e eu o cercamos para ouvir melhor.

— Bom, a senhora Cullen...

— Alice, chame-a de Alice. Tem senhora Cullen demais aqui.

O interrompi para facilitar o entendimento de todos. E também porque Alice fizera tanta besteira que ouvir alguém chama-la pelo mesmo nome que Esme era conhecida, não era agradável aos ouvidos.

— Se vocês preferem, por mim tudo bem.

Sinalizei, com a cabeça, uma afirmação.

— Alice chegou até mim num estado de pré- Eclampsia. E pelo que pude averiguar nos sintomas e nos primeiros exames, o quadro já estava evoluído. O que significa...

— Que o obstetra dela não percebeu. Ângela só a atendeu uma vez, não tinha como diagnosticar. Alice nem tinha feito os exames que ela pediu ainda. Âng havia requisitado, mas o outro hospital se negara a enviar seu histórico de pré-natal.

— Exatamente, doutora Cullen. Foi precisamente isso que doutora Weber me informou quando a indaguei sobre a paciente. Temi uma negligência, a primeira vista, mas descartei a hipótese quando soube melhor dos detalhes. Não foi o caso.

Neste instante Jasper passou a mão pelos cabelos, num ato maior de desespero.

Ele havia levado Alice para um obstetra “de sua confiança”. Eu ainda me lembrava, muito bem, das palavras ácidas que disse a Bella sobre “especialistas e especialidades”.

— Enfim, isso não vem ao caso agora. O caso é que ela chegou aqui com pré- Eclampsia avançado e não tivemos alternativas a não ser fazer uma cesariana de emergência. Porque além da pressão alta havia um sangramento, que não cessou, mesmo com medicação.

— E como eles estão agora?

— O bebê nasceu às 19h45min com insuficiência respiratória e é só o que sei dele até o momento. Porque logo foi entregue ao doutor Black e a equipe da neonatal.

Bella não disse nada, só respirou fundo e ficou olhando para o nada.

Eu quase podia ver suas engrenagens funcionando, quase prontas para entrar em ação.

Eu não a seguraria por muito tempo mais.

— E Alice? Ela está bem?

Charlie, muito centrado, segurou a mão de Renée. Pronto para ser seu esteio conforme a resposta que viria.

— Depois que o bebê foi retirado, pude ter maior noção da hemorragia, que, até aquele momento, eu achava que vinha diretamente de uma pequena laceração uterina, mas que depois se somou a uma atonia uterina. Massageei o órgão insistentemente enquanto a Ocitocina era aplicada e fazia efeito. Porém, não obtive sucesso, o quadro só evoluía. Conferi mais uma vez se toda a placenta havia saído... Havia...

Ele citava todos os procedimentos médicos e os medicamentos que usou, olhando diretamente para Bella. Ele a estava explicando clinicamente e a preparando.

—... Continuei massageando e instrui por mais medicação, para que as contrações do útero voltassem e o fluxo, abundante, parasse, porém foi em vão.

— Ben... Por favor... Por favor, não diga isso...

O médico voltou a pegar o pulso dela.

Aproximei-me e lhe segurei pelos ombros.

— Contemos a laceração, mas a hemorragia não parou. Fiz tudo o que pude Bella e teria feito mais, porém sua irmã começou a ficar acidótica e o coração começou a falhar. Não tive alternativa.

Bella se soltou dele, se afastou de nós e se manteve de costas. Eu podia ver seus ombros subindo e descendo. Ela soluçava e chorava, em silêncio, para não desestruturar, ainda mais, nossa família.

— Ela está morta? Deus, ela está morta. É isso que está tentando dizer? Que minha filha está morta, e Bella já percebeu e não tem coragem de nos contar?

Esme levou à mão a boca e Jasper cambaleou para a esquerda.

Charlie segurou mais a esposa junto a si.

— Não, senhora Swan. Alice não está morta. Graças a Deus, ela já está se recuperando no pós- cirúrgico e daqui a pouco, quando a transferirmos para o Centro de Terapia Intensiva, vocês poderão vê-la.

— Então... Não entendo. Bella?

Charlie o indagou.

— Então, que ele teve que retirar o útero de Alice, pai. Ela se recuperará, mas nunca mais poderá gerar um filho. É isso que Ben está dizendo.

Bella terminou o diagnóstico, já de volta para perto de nós.

Imediatamente, levei a mão ao abdômen dilatado dela. A notícia ainda era processa por todos, porém eu, em minha arrogância de merda, só conseguia agradecer a Deus, pela graça de meus filhos estarem bem e protegidos ali.

Eu garantiria que Bella tivesse um fim de gravidez seguro e que não precisasse passar por nada daquilo da qual meu irmão e Alice enfrentavam.

Bella

“Contemos a laceração, mas a hemorragia não parou. Fiz tudo o que pude, Bella. E teria feito mais, porém sua irmã começou a ficar acidótica e o coração começou a falhar. Não tive alternativa”.

Não teve alternativa. Deus! Ele não teve alternativa...

— Bella? O que foi? Bella? Aonde vai?

Sem que eu me desse conta e pudesse controlar, meus pés começaram a se movimentar.

Charlie chamava, Edward me seguia, mas eu não tinha tempo.

— Bella?

De repente, meus passos se aceleraram a ponto de correr. Aquela informação zunia em minha mente.

“Alice não poderia ter mais filhos”.

Eu precisava fazer alguma coisa. Aquele bebê era a única chance que minha irmã teria de ter gerado seu próprio filho.

Ele teria que se salvar.

— Bella, espere. Amor, aonde vai? Não corra, pelo amor de Deus.

Puxei, com força o braço, mas fora em vão. Edward fechou os dedos, com mais vontade, em volta dele.

— O bebê, Edward. Preciso ver o bebê.

— Não, você não precisa. Jacob está cuidando dele. Você não ouviu Ben dizer?

Voltei a puxar o braço. Nada aconteceu.

E dessa vez ele acrescentou mais pressão, fazendo assim com que eu me virasse e o encarasse.

Droga! Ele estava tão apavorado como eu.

— Não quero desmerecer ninguém, mas eu sou a melhor aqui, Edward. Todo munda sabe disso. Preciso ver esse bebê imediatamente.

— Mas que droga, Isabella! Se contenha um minuto, por favor.

Gritando, ele se descontrolou, soltou-me e levou a mão aos cabelos transformando-os num caos intenso.

— Você não é Deus! Pare de agir como um! Não poderá salva-lo se o destino dele for morrer. Está se estressando e estressando nossos filhos por egoísmo.

— Egoísmo? Egoísmo?

Não me contive, também levantei a voz.

Se Aro não tivesse isolado o andar, estaríamos dando um belo show para muitas pessoas. Graças a isso, somente nossa família e Ben ouviam tudo.

— Me acuse do que quiser e quando quiser. Mas não disso, não agora. Egoísta é a última coisa que estou sendo aqui.

Ofeguei e, sem mesmo perceber o que fazia, esfreguei a parte de trás da nuca, sentindo um leve e estranho incomodo.

— Tudo bem, tudo bem, desculpe. Desculpe...

Clamou de olhos amedrontados e arregalados logo que esbravejei de volta, muito irritada.

Não sei o que o fez baixar o tom e levar a mão a meu rosto e acaricia-lo com tamanho cuidado e carinho.

Talvez seja porque eu também tenha gritado, ou sei lá, o que ele pensou. Só sei que deu certo.

— Só fique calma, minha vida. Respire, pelo amor de Deus, respire...

Edward grudou a testa na minha. Os olhos dele, estavam tão intensos.

Ele parecia lutar contra uma tempestade dentro de si.

— Vamos para casa, princesa. Você precisa descansar um pouquinho. Coloco quantas pessoas aqui, você quiser, para nos deixar informados. Só vamos para casa.

As mãos dele desceram para minha barriga e começaram a acaricia-la em círculos. O ponto fraco.

Fechei os olhos e uma lágrima grossa escorreu por meu rosto, sem minha autorização.

— Você não entende. Não escutou o que Ben disse, ou melhor, escutou, mas não assimilou.

— Então me explica, minha rainha. Explica-me o que é mais importante que a calmaria da mulher que eu amo e de meus filhos tão sonhados que ainda nem nasceram e estão passando por uma turbulência dessas.

Ele sussurrou e beijou o, agora, trilho de lágrimas que desciam por meu rosto.

— Nada é mais importante que nossos filhos, Edward. Eu não disse isso. Eles estão aqui, seguros e tranquilos. Alice, porém, nunca mais poderá gerar um, Edward. Jasper poderá se casar outra vez, ter quantos filhos desejar. Mas ela não. Esse bebê será sua única chance. E quando souber disso, ela ficará destruída. Eu a conheço. Desde pequena ela sonha em ser a rainha, mãe de bebês bonitos e que a encheriam de orgulho. Esse sonho acabou hoje, meu amor. Por isso preciso ver esse bebê. Preciso me certificar que Jacob saiba da importância do trabalho dele agora. Por favor? Por favor, eu imploro. Deixe-me ir.

Ele continuou beijando meu rosto e acariciando meu ventre. Porém, segundos depois, respirou fundo e se afastou de leve.

— Prometa que logo vamos para casa e eu a deixo ir.

Alice não iria para casa, o bebê não iria para casa. Jasper, mamãe, papai e Esme também não iriam para casa.

Porém...

— Eu prometo. Só me dê tempo para ver o bebê e Alice e então iremos para casa e descansaremos.

— Está certo. Então vamos acabar com isso de uma vez por todas.

E tomando a iniciativa ele pegou minha mão e começou a me guiar corredor a fora.

Instintivamente, nossa família nos seguiu.

— Para onde?

— Por aqui.

Tomei à dianteira e o levei para a unidade Neonatal.

Era a minha hora de fazer aquilo que eu fora preparada a vida inteira para fazer: salvar vidas.

Edward

Caminhei com Bella por alguns corredores. As pessoas paravam para nos ver passar, mas ninguém nos interrompeu. O silêncio era ensurdecedor.

Eu ainda não estava totalmente controlado, porém o medo que senti a vê-la enrugar a testa e esfregar a nuca, cessou todos os meus atos e deteve minha raiva.

— Aqui, é aqui. Vou entrar e daqui a pouco abro as cortinas para vocês, se tudo estiver ok. Também vou ajeitar para que possam vê-la.

Jasper, que já nos alcançara, só concordou com a cabeça.

Eu, por outro lado, beijei a testa dela antes que desaparece porta adentro.

— Ela sabe o que faz. Fique calmo, Edward. Você a mantém sã. Não perca o controle, não agora.

Encostei-me a parede e olhei Charlie de frente.

Stephan, Sam e Zafrina já isolavam os corredores daqui também. Só pessoas autorizadas passariam por eles, a partir de agora.

— Foi isso que me fez parar, sogro. Eu gritei, ela gritou de volta. Quando percebi que a estava estressando mais do que a situação, engoli a raiva e tomei conta da ocasião.

— Você fez bem. Vou falar com ela assim que tiver uma oportunidade. Você está certo, é claro que está. Bella precisa se cuidar, se preciso, vamos pedir a Ângela e a Jacob que nos ajudem. Garanto-te que estou do seu lado.

— Eu sei e agradeço por isso, sogro. Agradeço muito.

Charlie e eu havíamos desenvolvido uma sintonia tão intensa que tenho certeza de que ele entendia, sem precisar de palavras, que eu o agradecia, não só por aquele conselho e ajuda, mas sim por tudo que ele fazia por Bella e por mim.

Meu sogro, estava mesmo, se tornando um pai para mim.

Bella

Passei pela área de esterilização, vesti um uniforme provisório descartável e só então adentrei a unidade, indo diretamente ao encontro de Jacob, que admirava uma minúscula criancinha.

— Eu já estava preocupado. Seu maridinho até que te segurou por muito tempo.

— Como ela está?

Não brinquei de volta, só olhei para a área de vidro, na parte da frente do CTI Neonatal, que agora estava escondida por uma persiana.

— Vou abri-la. Está tudo sobe controle.

Antes que ele se afastasse, tirei o estetoscópio de seu pescoço, e passei a auscultar e examinar “a coisinha” mais fofa que eu já havia visto em minha vida.

— Agora sim, vamos ao relatório.

Ainda auscultando, levantei os olhos e vi nossa família nos encarando pelo vidro.

Jasper, mamãe e Esme tinham lágrimas nos olhos.

— Fale.

Voltei minha atenção para Jacob já com o prontuário em mãos.

Os batimentos dela estavam bons, graças a Deus.

— Para um bebê de 31 semanas, ela está muito bem. A Neotanologista já passou por aqui e eu disse a ela quem essa garotinha é, para que pudesse dar uma atenção especial. Mas, vamos aos detalhes, porque tenho certeza, de que você não vai se contentar em só ler aí.

Concordei com um aceno de cabeça, já passando a tocar todo aquele corpinho pequeno em busca de algo fora do normal.

— Bom, essa bonequinha chegou para mim, pesando 1,10 Kg certinhos e com 38 cm. Aparentemente, fiquei preocupado, mas Alice é pequena, então está tudo bem. Entretanto o peso, é algo que requer cuidado e já estou tomando providências cabíveis quanto a isso.

Eu conferiria essas providências de perto, muito perto.

— O coração estava um pouquinho acelerado, porém com medicação ele já se controlou, acredito que todo estresse da situação e do nascimento prematuro contribuíram para isso.

— Ok, agora vá para a parte que está deixando essa ruga aí na sua testa.

A respiração, era isso que preocupava Jacob, eu sabia.

— Certo, senhora staff da pediatria. A respiração me preocupa um pouquinho. Os pulmões não estavam prontos, são imaturos. Coloquei-a no respirador para que não os force ou se canse sem necessidade. Ela precisa poupar forças, e é por isso também, que recomendei a CTI e a incubadora até que os órgãos se fortaleçam e as defesas aumentem.

Mais uma vez, acenei em concordância.

— E Isso é tudo. Deixei passar alguma coisa, doutora?

—Não. Obrigada, Jake. Perdoe-me por ser uma familiar chata, mas é que Alice...

Mais uma vez, uma bola se formou em minha garganta, me impedindo de continuar.

— Não precisa se desculpar. Ângela me informou da importância dessa garotinha forte. Isso claro, sem impor um pingo de pressão ao lembrar-me que ela também é a sobrinha da minha melhor amiga. Não se preocupe, princesa, ela vai ficar bem. Olhe só para ela, Bells. As chances, a medicina e todos os recursos então a favor dela. Não se preocupe. Farei o meu melhor. Já ajudamos bebês menores. Ela ficará bem.

— Conto com isso.

Sem me conter, o abracei em agradecimento.

— Tá bom, tá bom. Agora saia daqui e vá dar boas notícias a sua família antes que Jasper invada o CTI.

— Posso deixa-los entrar?

Os olhos dele acompanharam os meus até minha família, eles pareciam mesmo a ponto de invadir a UTI Neonatal. Só Edward parecia um pouco mais controlado perante aquele mar de confusão.

— Dois por vez. Não vamos tumultuar a área, nem cansar demais essa menininha sem nome. Resolva isso com Alice e Jasper também, Bella. Precisamos chama-la de alguma coisa. Uma identidade fortalece o organismo e cria laços, você sabe disso.

— Sei, Jake. Vou conversar com Alice assim que ela acordar da anestesia. E, mais uma vez, obrigada, Jake. Muito obrigada, mesmo. Vou te dever para o resto da vida.

— Vou lembrar-me disso.

— Babaca.

Esmurrei, de brincadeira, seu ombro já conseguindo me divertir com seu bom humor.

A situação, aparentemente estava controlada. O problema agora era Alice.

— Me bipa se algo mudar? Qualquer mudança?

— Se você me prometer que vai se cuidar.

— Eu prometo. Só vou ver Alice e vou para casa.

Ele me olhou por alguns segundos antes de voltar a abrir aquele seu maior sorriso que eu amava.

— Só Edward mesmo para tirar você daqui, ainda mais numa situação dessas. Acho que estou apaixonado pelo seu marido.

—Idiota!

Acertei-o, dessa vez com o estetoscópio antes de recoloca-lo em seu pescoço sem a mínima delicadeza. Quase o enforquei com o intrumento.

— Se concentre aí e não flerte com as enfermeiras. Isso é uma ordem da staff da pediatria.

— Ok, mamãe. Boa noite.

Edward

Empurrei para longe o gosto amargo do ciúme quando Bella abraçou Jacob com tanto carinho.

Há segundos atrás eu a irritara, ele, por outro lado arrancava sorrisos dela, mesmo com toda situação preocupante.

E precisava mesmo me controlar, meu sogro estava certo. Eu tinha que ser o controlado da relação.

Bella se deixava levar pelas emoções, eu seria a razão.

— Eles são amigos. Você não tem o que temer. O amor de vocês é bonito demais para ser minado por inseguranças e ciúmes, irmão.

Jasper estava a meu lado, mas seus olhos não saiam da garotinha minúscula dentro da incubadora. As mãos dele tocavam o vidro, que nos separava dela, com tanto carinho, era como se ele a acariciasse.

— Você está me dando um conselho?

Meu tom saiu mais áspero do que deveria, porém, quem ele achava que era para falar de mim e meus sentimentos?

— Desculpe.

Respirou fundo, mas não me olhou, nem se calou.

— Só não estrague as coisas. Tenha paciência. Vocês se amam. Não crie obstáculos fúteis entre Bella, os amigos e a família. Ela escolherá você, claro que escolherá, contudo você escurecerá a alma dela. Todos a amam pelo que ela é, não mude isso, irmão. Não mude...

— Você não tem o direito de...

Falávamos baixo, quase sussurrando, ninguém poderia supor que tipo de conversa era aquela.

Meu autocontrole me segurava, mas minha vontade era de manda-lo enfiar seus conselhos no...

— E então? Como ela está? Podemos vê-la?

Imediatamente, e esquecendo-me completamente de Jasper, me virei para a porta de onde Bella saia e já era inundada de perguntas pela mãe.

Bella a abraçou com força.

— Para uma prematura, ela está indo muito bem. Jacob está cuidando de tudo e tenho certeza de que fará o melhor. Exatamente como eu faria se pudesse estar lá.

— Po... Podemos vê-la, Bella?

Sendo ela, Bella se soltou da mãe, foi até Jasper e segurou suas mãos.

Jasper tinha lágrimas por todo o rosto. Era impossível não se compadecer.

— Podem sim. Jake só pediu para que sejam em duplas, que falem baixo e sem muita emoção. A bebê precisa se sentir amada e aguardada, mas precisa de descanso e tranquilidade para se fortalecer.

— Quanto tempo ela ficará na incubadora, na UTI?

— Quanto tempo for preciso, pai. Não dá para ter uma estimativa. Precisamos de tempo.

Bella soltou Jasper e foi até Esme, secando suas lágrimas assim que se aproximou o bastante.

— Ela é forte, Esme. Tem uma boa chance. Leve Jasper até ela. Assim que entrarem por essa porta, uma enfermeira os levará a área de esterilização e depois os vestirá adequadamente para que possam ir até ela.

— Obrigada, querida. Muito obrigada.

Esme abraçou Bella com força.

Renée também chorou nos braços de Charlie. Todos aparentavam um certo alívio.

— Vão. Vou ver Alice agora.

— Vai para casa depois?

— Vou, pai.

Peguei a mão de Bella e a puxei para meu lado. Eu também começava a me sentir melhor.

— Tem um carro oficial, a espera de vocês, Charlie. Sam ficará aqui para servi-los em qualquer coisa. Não exite.

— Tudo bem. Obrigado.

Charlie não sorriu. Ele quase nunca sorria. Antigamente só Bella conseguia essa façanha, agora Lizzie também era capaz de conseguir isso.

— Esme, entre primeiro com Jasper. Renée e eu esperaremos a nossa vez, bem aqui.

— Tem certeza, Charlie? Se Renée quiser ir primeiro, eu posso esperar...

Eles começaram a conversar sobre o assunto, quando toquei o ombro de Bella começando a guia-la para fora dali.

— Você não quer vê-la? Eu posso esperar. Ou pode fazer isso enquanto vejo Alice.

Abracei-a pelos ombros e beijei seu cabelo. A ideia de deixa-la sozinha, mesmo que fosse por pouco tempo, não me agradava.

— Terei muito tempo para vê-la amanhã. Vamos ver Alice e depois... Casa.

Bella não discutiu, só abraçou e beijou os pais, se despedindo.

E então, fomos para a segunda missão dela, antes de nosso merecido descanso.

Bella

Alice ainda estava sobe o efeito da anestesia.

Ben já a colocara numa unidade semi- intensiva e um residente não saia de perto dela, para nada. Mas os sinais vitais estavam bons.

Foi com dificuldade que sai dali, eu sabia que precisava, mas meu coração não queria.

Porém, eu prometera.

A caminho de casa, liguei para Rosie e a atualizei de tudo. Choramos juntas quando eu disse que Alice não poderia mais engravidar.

Emmett já estava chegando em casa, e logo eles se juntariam a nós num momento tão delicado.

— Precisam de algo?

Eu neguei com a cabeça, cansada demais.

— Bá, sei que já está tarde, mas Bella precisa comer. Seu estômago não está muito bom. Ter que ser algo suave, acho que uma sopa de legumes cairia muito bem.

— Vou providenciar agora. E para o senhor?

Edward me olhou com carinho. Tão cansado quanto eu.

— O mesmo. Se ela não vai conseguir engolir algo saboroso, também não vou. Pede para servirem no quarto? Não quero que ela desça essas escadas mais uma vez hoje.

— Sim, senhor.

Bá me observou com atenção. Sei que ela estava cheia de perguntas, porém o jeito discreto e o instinto protetor de Edward a impediram de falar mais do que o necessário.

— Banheira ou ducha?

— Ducha. Se eu sentar naquela banheira é bem capaz que durma antes mesmo de lavar os pés.

Edward sorriu e praticamente sustentou meu corpo, pesado, enquanto me guiava para o quarto.

Era bem capaz que eu dormisse antes mesmo de chegar ao quinto degrau.

Eu estava, psicologicamente, exausta.

Charlie

— Pela luz debaixo acesa, posso afirmar que ele está no escritório. O quarto fica no fim do corredor do segundo andar, para o caso de estar enganado.

— Certo.

Destravei o cinto de segurança.

Era madrugada e silêncio e a escuridão vinham de todos os lados.

— A porta lateral está aberta. Charlote deixou assim para que vocês entrassem. Estarei esperando o senhor aqui mesmo, não precisa se apressar. Stephan também me informou que Edward e Bella já se recolheram, o senhor não terá que se preocupar com imprevistos

— Eles sabem que estou indo para lá descansar?

Saí do carro e rumei para a porta, lateral, da garagem, que dava acesso direto a residência oficial de Esme e Carlisle.

— Sabem sim. Edward deu ordens a Donna que deixasse o quarto do senhor pronto. Podemos ir direto para lá assim que o senhor terminar aqui.

Livrar-me de companhia, essa noite, não fora difícil.

Renée, Esme e Jasper se recusaram a sair do hospital.

— Tem certeza de que não precisa de ajuda, senhor?

Levantei a sobrancelha para ele, me recusando a responder aquela idiotice.

— Vejo você daqui a pouco, Sam.

Passei pela porta e a fechei atrás de mim. Onde já se viu, eu precisar de babá.

Andei devagar, tateando silenciosamente até parar de frente a uma porta, que eu já conhecia muito bem. Frestas de luz saiam por baixo dela.

Era agora.

Entrei sem bater. A surpresa era minha maior companheira.

— Mas, o que? Ah! É você. Suponho que tenha vindo por causa de Alice. Fiquei sabendo que ela passou mal.

Carlisle estava sentado em “sua cadeira”, com aquela pose arrogante de sempre.

— Charlote já se retirou, mas vou chama-la para que prepare um quarto para você.

Ele colocou a mão no telefone, imediatamente, coloquei a minha por cima, o impedindo.

— Não se incomode. Ficarei na residência do rei e da rainha. Só passei para conversar um pouquinho.

Retirei minha mão, contemplando, pela primeira vez desde que entrei, a hesitação e um pingo de medo nos olhos e na postura corporal dele.

Muito bem, ele não era imune a mim.

— Podemos conversar amanhã. Já está um pouco tarde. Eu já estava me retirando.

— Conversaremos agora.

Empurrei o corpo dele de volta na cadeira quando ameaçou se levantar.

— Então tá. Tenho alguns minutos. Pode falar.

Tentou manter a postura, mas a mão tremeu levemente.

Quer dizer que ele era valente só com os filhos, as noras e a esposa?

— Bem melhor assim.

Sentei-me a sua frente, coloquei uma perna sobre a outra e o encarei, coçando, deliberadamente, o queixo.

— Sabe Carlisle, quando Rosie tinha uns doze anos, já tinha corpinho de menina, apesar da mentalidade de uma criança. Ela ainda jogava bola com uns meninos que moravam no fim da nossa rua. Enfim, ela já tinha aquele cabelão loiro, era mais alta que a maioria das amigas, e o corpo era definidinho e já estava em desenvolvimento. Renée já começava a interceptar cartinhas, de todo o mundo, de admiradores de minha garotinha...

Ele me olhava em silencio, curioso, onde aquela história iria chegar.

Não era ele que adorava um bom drama?

— Bom, até aí tudo bem, ela era um primor mesmo e evitar que os garotos começassem a nota-la era impossível. Porém, um dia, cheguei em casa, de surpresa no meio da tarde dirigindo meu próprio carro. Amo fazer isso, me dá noção de independência e liberdade, acho que Bella puxou a mim nesse quesito.

Divaguei, por um instante.

— Mas, voltando ao assunto, cheguei em casa sem avisar e encontrei um buchicho entranho na parte detrás de casa, bem onde ficavam os jardins e a área de laser. Sorrateiramente, me aproximei e você não imagina minha surpresa quando encontrei dois de meus melhores seguranças, escondidos por entre os minis pinheiros, sorrindo, fazendo gracinha e se tocando, enquanto minha garotinha linda, de apenas doze anos, se divertia, inocentemente, sozinha na piscina.

Ignorei o nojo da lembrança.

— Minha primeira intenção, foi de esmurra-los ali mesmo. Acabar com eles, por serem tão sujos. Foi repugnante. Porém, eles eram dois e minha filha só estava a alguns metros de distância e eu não queria que ela presenciasse o pai em plena fúria. Então, com ódio deles e maior de mim, por não agir imediatamente, recuei, em silêncio. Dei a volta até a porta da frente entrei e aí sim, atravessei a casa cobri Rosie com uma toalha, a peguei nos braços e a levei para dentro, como se tivesse acabado de chegar. Simulei bem. Eu sou um bom artista.

Ainda me lembro dela reclamando que aquele era um dos poucos dias de sol em Forks e que ela queria nadar.

— Pela janela, da biblioteca, os vi sair de deus esconderijos, se arrumando e olhando para todos os lados se certificando de que não haviam sido pegos. Só Deus sabe o quanto me conti aquele dia. Não voltei ao trabalho, cerquei Rosie, Alice e Bella o tempo inteiro até que elas dormissem, no fim da noite. Também tive que distrair Renée, com uma mentira qualquer. E então, quando todos já dormiam, peguei Paul, meu chefe de segurança, dois de seus melhores homens e mais os dois bastardos que eu havia visto mais cedo. Fomos até uma parte rural de Forkian com a desculpa de que eu precisava resolver assuntos pessoais, que, aliás, eu era acostumado a ter. Porém, qual foi a surpresa deles quando entramos num barracão isolado e quase totalmente escuro.

Carlisle continuava na mesma posição. Ele estava começando a entender onde eu queria chegar.

— Assim que entramos, Paul e seus homens se viraram e amarraram os dois bastardos que logo entenderam o que se passava. Fora a única contribuição de meus homens naquela situação, depois eu assumi o caso.

Deixei que a parte boa da lembrança tomasse conta de mim.

— O primeiro, eu esmurrei tantas vezes que ele ficou totalmente desfigurado. Sangue jorrava do nariz, olhos e ouvidos, uma cena linda, você precisava ver. O segundo, eu já estava meio cansado e louco para chegar em casa, então um pé- de- cabra foi de grande ajuda, quando a massa encefálica sujou a ferramenta foi que me dei por satisfeito. Por fim, embalamos tudo e mandei carne fresca para meu amigo Billy Black. Sabia que ele cria crocodilos? Uma beleza de se ver, os bichinhos. E a carne? Hummm! Saborosa!

Agora ele estava assustado.

Levantei-me e passei para perto dele, me abaixei e coloquei as duas mãos no braço de sua cadeira.

Sussurrei.

— Eles nunca foram encontrados, suas famílias foram ludibriadas e receberam uma boa gratificação em troca de suas perdas. A partir daquele dia fiquei mais exigente quanto à segurança de minhas filhas. Recrutei filhos e filhas de meus melhores soldados, criei uma escola específica para eles e os fiz crescer sabendo que serviriam minhas filhas, acima de qualquer coisa. Sam, Zafrina, Jared, Quil, Embry a lista é enorme, todos dariam a vida por minhas crianças. E eu jurei que nada nem ninguém, nunca mais faria mal a elas, que eu acabaria, com minhas próprias mãos com quem se atravesse.

— Eu não estou entendendo, Charlie. Isso é uma ameaça?

— Eu não faço ameaças, meu amigo.

Sem que ele esperasse levei as duas mãos a seu pescoço e o apertei com toda força que tinha.

— Você é bom em amedrontar mulheres e seus filhos, não é? Faça isso comigo. Grite comigo, seu covarde.

Ele colocou as mãos por cima das minhas, tentando se livrar do aperto. As pernas se debatiam e ele começava a ficar roxo.

O apertei mais e o levantei, levando-o diretamente a parede onde o prendi com meu corpo.

— Levante a voz para minhas filhas mais uma única vez, ou melhor, olhe para minhas filhas e meus netos, mais uma vez, melhor ainda, olhe torto para qualquer um de minha família, e inclua na família, sua mulher e seus filhos, e eu mandarei você picadinho em pedaços pequenos e simétricos para meu melhor amigo. Os bichinhos dele vão amar carne real.

Vendo que ele estava muito perto de desmaiar, o soltei. Ele foi ao chão tossindo e com as mãos no pescoço, buscando por ar.

— É melhor usar uma gola role amanhã, majestade. As marcas de meus dedos aí, serão impossíveis de explicar.

Antes de sair, voltei a olhar para ele.

— Não haverá uma segunda chance, Carlisle. Lembre-se: eu não faço ameaças.

Notas finais
Bom, alguém aí ama Charlie, porque eu amo. Beijinhos, meninas.