Notas iniciais
Olá, boa noite meninas. Bom vamos as desculpas, perdoem-me pelo atraso, tive que acompanhar meu irmão em alguns exames e as coisas fugiram do controle. Perdoem-me. Tenho mais duas notícias, uma boa e a outra ruim... A boa é que esse capítulo saiu exatamente como eu queria, ele marca o término de uma fase, e é um dos meus preferidos. Espero que gostem. Nele tem algo bem implícito, mas muito importante. Prestem atenção as pessoas e aos detalhes que as cercam. A notícia ruim é que esse é o último capítulo do ano, como todas já sabem, meu marido e eu trabalhamos no comércio, e Dezembro, além de trabalharmos dobrado, é uma correria só. Por isso, só poderei voltar aqui em Janeiro. Espero que me entendam... Agora vamos a leitura, okay? Beijinhos e até logo.

Bella

Respirar...

Caminhar...

Respirar...

Caminhar...

Ignorar os trovões...

Respirar...

Caminhar...

Ignorar os trovões...

Verificar o sinal do celular...

Respirar...

Cam...

– Droga!

Exasperei alto, “pela milésima vez”. E de novo, uma rajada de vento, seguida por trovões e raios retumbou no céu. Os fracos pingos de chuva se intensificaram e um temporal começava a cair sobre mim.

Eu estava exausta!

– Onde está você, Jacob?

Meus pés latejavam, minha cabeça doía e minha respiração começava a se enfraquecer. Eu estava gelada e com muito frio. A hipotermia estava próxima, muito próxima. Mas também já fazia mais de uma hora e meia que eu caminhava sem cessar.

Eu estava encharcada!

– Ah, Jacob. Por quê? Por quê?

O celular continuava sem sinal. A roupa branca grudava a meu corpo, como uma segunda pele e pelas buzinadas e gritos que recebi de quem passava por mim, eu imaginava o quanto elas estavam transparentes. Ainda mais isso, como se meus problemas já não fossem o bastante.

Eu estava “morrendo de medo”!

– Eu odeio tempestades, Jacob. Você sabe disso.

Eu andava, andava e nada. Nem sinal de Forks. Ainda estava muito longe de minha cidade. E para uma caminhada a pé e com chuva, nem se fala.

Eu não ia conseguir, nunca. Meu corpo já não aguentava mais.

– Eu odeio você, Jacob Black. Juro que odeio.

Sem conseguir dar mais um passo e já sentindo a inconsciência se aproximar, me arrastei até o canto do acostamento e me sentei. Eu cairia a qualquer momento. E só Deus sabe o que aconteceria dali para frente.

Charlie

– E para resolvermos a questão de infraestrutura do hospital pediátrico, como o Vossa Majestade ordenou, devemos antes de tudo, licitar e exigir das empreiteiras, comprometimento, bom trabalho, bom preço e entrega no prazo exigido, porque...

Voltei a esfregar as têmporas, um zumbido me incomodava e uma sensação estranha começava a se apoderar de mim. Algo estava errado.

– Majestade? Majestade? O senhor está me ouvindo?

Voltei meus olhos para o meu chefe de gabinete, o que aquele imprestável puxa- saco, estava dizendo mesmo? Ah o hospital. Bella ia gostar de saber que...

– Bella!

Gritei exasperado, me levantando da cadeira e o assustando. A dor agora era em meu peito. Esfreguei instintivamente o local e fui ao encontro de Paul.

– Senhor? Senhor, nossa reunião eu...

Continuei a caminhar rapidamente. Havia algo errado. E eu sabia com quem.

Saquei o celular do bolso e toquei o 1 na discagem rápida.

“Esse celular se encontra desligado ou fora da área de cobertura”.

– Por Deus, filha. Você sabe que não deve desligar o telefone.

Passei pela minha, assustada, secretária e segui até a sala de segurança. Eu tinha consciência que uma “manada” seguia atrás de mim. Contudo, os ignorei. Minha princesa, era minha prioridade.

– Paul?

Chamei, gritei, esbravejei.

Meu chefe de segurança, mantinha os olhos atentos as câmeras de segurança, todavia minha presença e expressão, creio que o tenham alertado para algo fora do normal.

– Algum problema, majestade. O senhor está pálido. Tragam uma água para o rei.

Ordenou a alguém da “manada”.

– Pode ser uma preocupação absurda de pai, mas Bella não me atende. Ligue para Sam e pergunte onde eles estão. Eu preciso saber de minha filha, agora.

Obedecendo minhas ordens ele fez rapidamente a ligação. Alguém me entregou um copo, sorvi tudo de uma vez. A angustia e a dor em meu peito aumentavam. Eu estava sedento.

– Zafrina...

– Coloque no ”viva voz”.

Ele tirou o aparelho do ouvido e selecionou a opção.

Só pela segurança de minha filha já ter atendido o telefone, era certeza de que duas coisas poderiam estar acontecendo ou Bella havia desligado o celular de propósito ou...

– Sim, Paul.

Me adiantei a ele.

– Zafrina, aqui é Charlie. Quero falar com Bella. Passe o telefone para minha filha ou se ela estiver longe de vocês, vá a seu encontro e peça para ela me ligar. Isso é uma ordem, entendeu? Eu quero isso pra agora.

– Majestade, nós temos um problema...

Abruptamente, agarrei o telefone da mão de Paul e comecei a caminhar rumo a saída.

– Fale!

– A princesa saiu pra almoçar com o senhor Black e ele a persuadiu a nos dispensar. O problema é que ele disse que a traria para a Casa de Repouso, e já faz trinta minutos que ela devia ter chegado. O celular de Bella nem toca e o do senhor Black não atende.

Já no estacionamento entrei no banco de trás. Paul sabendo minhas intenções, pegou a direção e com um gesto de mão, mandou que mais dois carros nos seguissem.

– Qual o restaurante, Zafrina?

– Nós não sabemos, senhor. Já passamos por todos os restaurantes do centro da cidade e nem sinal deles. O rastreador do celular também não está funcionando.

– Pra onde, senhor?

Fechei os olhos. Onde, Charlie? Pense... pense, homem. É sua filha.

– Eu não sei, Paul. Bella estava almoçando em algum lugar com Jacob. Mas não é nos restaurantes do centro. Por favor, Paul, me leve até minha filha.

Supliquei Ele assentiu com um olhar determinado e logo pôs o carro em movimento.

– Me passe o telefone, senhor.

Automaticamente o fiz.

Baixei a cabeça e fiz uma oração para que Deus protegesse, minha criança.

– Senhor, Zafrina e Sam estão verificando os restaurantes mais afastados, mas conhecendo o senhor Black, como conhecemos, não acredito que ele esteja em algum lugar simples. Por favor, majestade, pense. Tente recordar um lugar a ermo que a princesa possa estar.

Olhei para a janela, a tempestade estava feia. Bella tinha medo de chuva. Muito medo!

Meu olhar estava parado e eu tentava puxar da memória todos os lugares em que ela gostava de almoçar.

Até que, milagrosamente, um conversa nossa me veio a mente.

– Aqui é muito longe, filha. Até chegamos minha fome já acabou.

– Ah, papai! Não seja resmungão. O “Bon Appétit” é o melhor restaurante da região e isso compensa qualquer minutinhos a mais na viagem. Jacob e eu adoramos fugir para cá,

Era isso! Abri os olhos de repente.

– Para a Interestadual, Paul. Avise Zafrina e Sam, Bella está lá.

Paul virou bruscamente a Mercedes, já se dirigindo a saída da cidade, mais próxima. Com uma ordem seca, avisou a Sam nosso destino.

– Nós vamos encontra- la agora, majestade.

O carro rugia, a velocidade aumentava cada vez mais.

– Muito bem, pessoal. Nós estamos na rodovia e estamos a procura da princesa. Prestem atenção a tudo e não deixem passar nada.

Ele ordenou a sua equipe pelo sistema de rádio. Como se fosse parte deles, me sentei rígido e passei a observar atentamente.

– Vamos, princesa. “Cadê você”... “Cadê”...

Paul murmurava, como um mantra. A chuva forte atrapalha demais nossa visão. E internamente eu rezava, para que chegássemos a nosso destino e encontrássemos aqueles dois, ainda almoçando.

Mas eu sabia, que não encontraria isso. Bella já devia estar no estágio, minha filha não era irresponsável e a dor em meu peito, certificavam- me, ainda mais, de que algo estava acontecendo.

– Onde, filha? Onde está você? Se mostre para o papai. Está muito frio aí fora, princesa. Nós precisamos voltar para nossa casinha.

– Oh inferno! É ela ali. É ela...

Olhei para a esquerda, o local onde ele apontava.

– Pare, Paul! Pare!

Era Bella, minha Bella.

Fritando pneus e totalmente na contra- mão ele fez o que pedi.

Desci, sem me preocupar com temporal, e logo estava ajoelhado ao lado do corpo frio e trêmulo de minha filha.

– Bella? Bella? Fale comigo. Filha?

Peguei-a no colo e aconcheguei- a junto ao peito.

– Peguem as coisas dela. Nós estamos indo para o hospital, liguem para a rainha e para Zafrina e Sam, atualizem- os da situação.

Paul gritava para alguém, já colocando carro em movimento.

– Ligue o ar quente no máximo, Paul. Ligue para emergência do hospital e peça para que uma equipe esteja pronta para quando chegarmos.

Ajustei Bella no banco do carro e me afastei um pouco. Tirei seu cabelo do rosto, seus lábios estavam roxos e seu queixo tremia. Um hematoma alto se destacava na delicada testa.

– Mantenha os olhos na pista e ande rápido, Paul.

Adverti. Coloquei-me de costas para ele e passeis a retirar as roupas encharcadas de Bella.

– Frio. Não, Jacob! Eu não quero isso. Por favor? Edward... Edward... Meu pai, vai saber. Charlie vai saber.

A cabeça dela girava para todos os lados e as mãos esfregavam os braços, buscando se aquecer, no entanto ela já delirava.

– Quem quer que tenha feito isso, meu amor, qualquer que seja a pessoa, eu juro que ele pagará.

Terminei de retirar as roupas dela, deixando-a somente de lingerie, peguei no banco ao lado de Paul um paletó, que provavelmente era dele e depois de colocar Bella, de novo, no colo, a cobri.

– Tudo certo, senhor. A equipe já nos espera.

Não respondi. Eu só tinha olhos para minha filha, que daquela maneira parecia ainda mais frágil e pequena.

Eu havia falhado, outra vez.

Meu celular tocava insistentemente.

– Deve ser a rainha, senhor.

Que se “fôda” a Renée, Bella é prioridade agora.

– Assim que chegarmos ao hospital eu falarei com ela. Agora não!

Encerrei o assunto e voltei a esfregar as pernas e pés de Bella, ela estava muito fria.

– Chegamos, senhor.

Já descendo do carro, fomos recebidos por uma equipe, que já arrancaram Bella de meus braços, a encaminhando para uma maca.

– Cobertor térmico. Soro. Adrenalina. Eu preciso de uma pequena dose de adrenalina aqui. Ela está com hipotermia.

– A pressão está baixa, doutor. Os batimentos fracos e a respiração muito lenta.

– Okay, enfermeira. Oxigênio. Tragam o Oxigênio,”porra”. E alguém segure o rei ai fora. Ele não pode adentrar o CTI.

Uma infinidade de pessoas falava ao mesmo tempo. Fios, seringas e aparelhos surgiam de toda parte até que fui barrado e não pude mais seguir para junto de minha criança.

Encostei minha testa na parede e respirei fundo. Grossas lágrimas desciam de meus olhos.

Eu, o grande rei de Forkian, estava de mãos atadas. E isso me enfurecia.

Sem saber que rumo seguir saquei o telefone do bolso.

– Paul ligue para Billy, e diga que estou ordenando que ele lhe passe o código de segurança do carro de Jacob. Assim que o conseguir, rastreie- o. Eu preciso saber o que aconteceu.

– Sim, senhor.

Desliguei o aparelho e passei a caminhar de um lado para o outro...

E o tempo passava e ninguém aparecia...

E passava... e nada...

– Charlie? O que ouve? Onde está nossa filha? O que aconteceu? Como ela está?

Ainda meio insano, abri os braços e aconcheguei uma aflita esposa.

Abaixei a cabeça, respirei fundo e deixei inundar-me com o cheiro doce de Renée. Ela me acalmava, assim como nossa filha caçula. Elas compartilhavam o mesmo dom.

– Ela está sendo atendida agora. Eu não sei o que aconteceu. Só a encontrei no meio da estrada, inconsciente e encharcada de chuva.

– Ela... ela... ela está viva, não está?

Peguei o queixo de minha mulher entre as mãos e trouxe seus olhos para mim.

– Não repita e não pense nisso. Bella está viva, muito viva. Só um pouco fraca demais, talvez. Ainda não tenho notícias. Venha, vamos nos sentar ali.

Levei a rainha até as poltronas da sala de espera e a sentei ao meu lado, sua cabeça repousava em meu ombro e eu podia a ouvir soluçar e rezar baixinho.

Voltamos a esperar por mais uns quarenta minutos até que duas jovens de branco vieram a meu encontro.

Deus! Eles eram jovens demais! Será que a vida de minha filha estava nas mãos delas?

– Majestade.

Cumprimentaram-me. Rapidamente me levantei e estendi a mão para cada um delas.

– Eu sou Jéssica Stanley e essa é Ângela Weber. Somos da equipe do doutor Lancaster e principalmente, somos amigas de sua filha.

– Sim. E porque o doutor não veio? Como minha filha está?

– Minha Bella está bem?

Renée e eu atropelamos-nos com as palavras e deixamos as duas garotas desnorteadas.

– O doutor não veio porque Bella foi levada a sala de exames e ele quer acompanhar de perto os procedimentos para que possa chegar a um melhor diagnóstico e saber então, como agir posteriormente.

– Ora! Pare de usar termos técnicos comigo, mocinha. E me diga logo como minha filha está.

A de óculos, coreana, japonesa ou chinesa, sei lá, enrubesceu, mas por fim se pronunciou.

– Ela está estável, senhor. Conseguimos normalizar a pressão e os batimentos cardíacos. A respiração, apresar de estar sendo auxiliada por um aparelho, também está controlada.

– Então ela está bem? Podemos vê- la?

– Infelizmente, não, minha rainha. O doutro sedou Bella para que ela não forçasse muito e sofresse mais. Então, assim que os exames acabarem ela voltará para o Centro de Terapia Intensiva, até que esteja mais recuperada.

– E quando nós poderemos vê-la? Eu exijo falar com esse doutor.

A outra garota de nariz empinadinho, encarou- me séria e estridente. Será mesmo que ela era amiga de Bella?

– O doutor nos mandou na frente para acalmá-lo, senhor. No entanto, ele manda dizer que logo virá ao encontro de vossa majestade. Agora se os senhores não têm mais nenhuma dúvida, nós voltaremos a nossos afazeres.

Assenti em afirmativo e antes que eu manifestaste mais alguma coisa, fui interrompido pelo toque do telefone.

Era Paul.

– Fale, Paul.

– Senhor, o rei de Pushian, depois de muita insistência, nos passou o código.

– E o que você está esperando que não fez o que mandei ainda? Por Deus, Paul! Estou rodeado de incompetentes hoje?

O ouvir respirar exasperado.

– Perdoe- me o mau jeito com as palavras, majestade. Eu deveria ter ido direto ao assunto. Eu já identifiquei o local em que o carro do senhor Black está.

– Então fale de uma vez, homem.

Meu chefe de segurança e amigo pessoal, hesitou.

– O carro do senhor Black, assim como ele majestade, estão no apartamento que os Black possuem na cidade, senhor.

– Como assim? Eu não estou entendendo nada, Paul.

Ele hesitou de novo.

– E fontes seguras me afirmaram que ele chegou tranquilamente, por volta da uma e meia e acompanhado de uma mulher. E só pra que o senhor saiba, Zafrina e Sam me disseram que o senhor Black discutiu com a princesa logo cedo e que na hora do almoço ele parecia transtornado.

– Okay, Paul. Volte para cá. Jacob e eu conversaremos mais tarde.

Sentindo-me imponente, confuso e tremendo de medo e raiva, liguei para última pessoa a quem recorreria...

– Alô. Carlisle. Eu quero falar com Edward...

Eu não sabia onde Jacob se encaixava nessa confusão, no entanto, algo me dizia que Edward era a única pessoa que compartilharia de meus sentimentos e me ajudaria a resolver esse enigma sem estressar minha princesa, mais ainda.

Edward

– Filho, algo errado com a comida?

Olhei para minha mãe e olhei para meu prato, eu havia remexido a comida, de todas as maneiras, todavia, não havia comido.

– Não, mãe está tudo delicioso.

– Como você sabe, se nem provou?

Voltei a encara- la. Esme me conhecia bem demais.

– Eu confio na senhora. Agora se vocês me permitem eu vou me retirar, não volto pro palácio agora a tarde. Vou descansar por alguns minutos e depois vou revisar a obra de meu quarto novo. Tudo bem?

Esme assentiu.

– Não se preocupe, com nada Edward. Seus irmãos ficaram no palácio e almoçarão por lá mesmo. Vistorie a obra. Nós queremos que Bella se sinta feliz em nossa casa.

Agradeci a meu pai. Acenei para Alice, Rose, mamãe e me afastei me refugiando em meu quarto. Tentei o celular de Bella, mas estava fora de área. Ela devia estar em uma aula ainda.

Tirei os sapatos, a calça social, a camisa e me joguei na cama. Puxei o edredom e me cobri. Um frio inexplicável, começava a me assolar.

Será que eu estava ficando doente?

Revirei para um lado, revirei para o outro e nada, eu não conseguia cochilar. Algo me incomodava e eu não fazia ideia do que era.

E frio agora, era tão intenso que tive que pegar um conjunto de moleton e vestir. Eu estava batendo queixo. Apalpei minha testa,... nada. A temperatura estava normal.

Peguei um grosso coberto e estendi por cima do edredom. Tomei um Advil, e um grande copo de água e voltei a me deitar. E vencido pelo analgésico e pelo cansaço inexplicável, cochilei.

Todavia não tive um sono tranquilo, sonhei que estava velejando com Emmett e Jasper e que de repente Bella aparecia na proa do barco e que quando eu ia ao seu encontro a navegação virava. Era água pra todos os lados, e por nada no mundo eu a encontrava. Meus irmãos gritavam e me arrastavam para longe e eu me sacudia querendo voltar...

Eu estava aflito.

Acordei suado e tossindo como se estivesse me afogando.

– Edward? Filho o que ouve? Respire...

Puxei longas respirações e me concentrei na voz de minha mãe. O que ela e meu pai estavam fazendo ali? Será que eu havia gritado por conta do pesadelo?

– Calma, filho. Respire... apenas, respire.

Fechei os olhos, inspirei e expirei devagar. Eu precisava recobrar o controle.

– Abra os olhos, filho. Você precisa se levantar e tomar um banho. Sua mãe fará sua mala enquanto você se arruma.

– Me arrumar? Como assim? Pai eu não tenho viagem nenhuma agendada.

Busquei os olhos de minha mãe e o tamanho da preocupação que encontrei ali, me deixou arrepiado.

Algo não estava certo

– Você vai pra Forks, juto com Alice e Rose. Charlie precisa de vocês lá.

– Bella! O que ouve pai?

Pulei no chão. Eu sabia!

– Eu não sei direito, filho. Charlie estava muito nervoso e insistia em falar com você. A única coisa que sei é que Bella foi encontrada caída perto de alguma rodovia e que neste momento está internada no CTI e se encontra sedada. Se apresse, Edward o avião já os espera. Charlie quer você lá urgentemente.

Sem esperar por mais explicações corri para o banheiro.

O frio, a angústia, “o algo” incomodando, era Bella me avisando. Ela precisava de mim.

Tomei um banho de segundos, vesti algo que minha mãe me estendeu, coloquei a carteira do bolso agarrei a mala e desci calado e preocupado.

– Estou pronto.

– Então vamos logo. Eu preciso ver minha irmã.

Alice e Rose tinham os olhos vermelhos e as expressões fechadas e tristes.

– Sogra, por favor, avise a Emmett e a Jasper do ocorrido e diga a eles que entramos em contato.

– Vá tranquila, Rósalie. E Edward, me mantenha informada. Que Deus lhes protejam, meus filhos.

– Eu manterei, mãe. Reze por nós.

Entramos no banco traseiro do carro, meu pai fechou a porta e se abaixou para falar comigo.

– Ajude Charlie a investigar isso e qualquer coisa, faça o saber que nossa inteligência e nossas forças estão à disposição.

– Obrigada, pai.

– Vá com Deus, filho.

Acenei um adeus para minha família, fechei o vidro e logo o motorista pôs o carro em movimento. Alice e Rose murmuravam algumas coisas em voz baixa, eu me mantive quieto.

Eu estava no automático e a única coisa que queria era chegar logo a Forks.

No aeroporto não tivemos problema, o carro nos deixou a poucos metros da pista de embarque. Entramos por uma porta inferior e logo fomos acomodados no jato e menos de meia hora depois da ligação de Charlie já estávamos a caminho.

Nossa viagem foi silenciosa e longa, em minha opinião.

Eu não conseguia manter um diálogo com minhas cunhadas. Minha mente tentava, a todo custo, adivinhar o que teria acontecido com Bella.

Eu estava fora de mim e só pude respirar um pouco melhor quando, no início da noite, pousamos em Forks.

Um carro já nos esperava.

– Boa noite, Paul. Nos leve direto para o hospital.

– Boa noite, meninas. Príncipe... Eu os levarei. Seus pais os esperam.

E de novo, fizemos um pequeno percurso até chegar ao hospital. Um movimento grande de pessoas no portão já era visível.

Senti um arrepio assim que coloquei os pés ali. Eu precisava estreitar Bella em meus braços;

– Por aqui.

Seguimos o segurança até uma área restrita.

– Ali.

De longe avistei meus sogros.

– Charlie...

Cumprimentei-o. Ele parecia muito abatido e chateado, isso me preocupou profundamente. Renée se mantinha muito quieta nos braços do marido.

– Ah! Que bom que vocês chegaram.

Alice e Rose se juntaram ao abraço dos dois. Soluços e gemidos eram ouvidos dos quatro e Charlie beijava insistentemente a cabeça das filhas.

– O que houve, majestade? Como está, minha princesa?

– Nós não sabemos, filho. Bella está sedada agora e só acordará amanhã. Nós estamos de mãos atadas até que ela acorde e nos esclareça.

– E como ela está?

Perguntei também angustiado.

– Agora, na medida do possível, bem. Descansando. Mas só teremos os resultados “dos estragos” amanhã, quando ela acordar e refizer os exames. O doutor Lancaster acabou de sair daqui e me disse que ela chegou aqui com um quadro de hipotermia e que provavelmente gerará uma pneumonia ou um resfriado muito forte e que rezemos para que pare por aí.

– Mas, pai, eu não entendo. Como Bella foi parar na beira de uma estrada? Tem que haver uma explicação.

– Não sabemos, Rósalie. A última informação que temos de Bella com saúde, foi que ela saiu pra almoçar com Jacob. Depois tudo vira uma bagunça, ela sumiu, ninguém tinha notícias, os dois estavam incomunicáveis e somente quando ela não apareceu na Casa de Repouso foi que notamos que algo estava errado.

– E Jacob pai? Alguém tem notícias dele? Eles podem ter sido assaltados ou seu lá...

Charlie se soltou da família e esfregou a mão direita no cabelo.

– Jacob está são em salvo na casa dele.

O olhar de Charlie cruzou com o meu. Algo não batia.

– Então é só irmos ao encontro dele e descobriremos o que aconteceu.

– Não, Alice. Eu não quero saber o que aconteceu pela boca de Jacob eu quero saber de Bella o que aconteceu.

Charlie olhou para mim de novo. Era por isso que ele me queria ali. Bella sabia do poder de fogo do pai. Ela nunca jogaria o amigo nas garras dele.

Era minha hora de entrar em ação.

– Posso vê- la? Só por alguns minutos?

Renée se aproximou e tocou meu ombro assentindo.

– O doutor nos deu meia hora com ela, mas nós só ficamos 10 minutos cada um. Charlie imaginou que você desejaria vê-la. Acompanhe-me, querido.

– Foi muita gentileza de vocês. Obrigada!

Segui Renée até uma porta no final do corredor. Ela bateu de leve e logo fomos atendidos por uma enfermeira de meia idade.

– Senhora, esse é o noivo de Bella. E ele deseja estar com ela por alguns minutos. O doutor Lancaster já está sabendo da visita dele.

A profissional de saúde, meio em dúvida, não teve alternativa a não ser me deixar entrar, no entanto só me deixou chegar ao leito de minha princesa depois de passar por um processo rigoroso de esterilização.

– Oh princesa!

Gemi de desgosto assim que coloquei os olhos nela.

Bella estava muito pálida, os lábios estavam roxos e um enorme Hematoma tomava sua testa.

– Oh que fizeram com você, anjo?

Aproximei-me, e peguei sua mão que estava livre do soro. Os dedos estavam mais frios e frágeis do que o normal.

– Isso não pode estar acontecendo, princesa.

Delicadamente e como uma pluma encostei minha boca na dela. Eu só precisava de um toque para aquecer meu coração. E como se me reconhecesse, Bella piscou devagar e murmurou meu nome.

– Edward? Edward é você?

Surpreso, levantei minha cabeça e olhei para ela.

– Sou eu, princesa. Estou aqui com você.

Ela mantinha os olhos semicerrados e parecia distante, muito distante. Os remédios dominavam parcialmente seus sentidos.

A enfermeira se aproximou e começou a anotar todos os dados que apareciam nos aparelhos que estavam ligados a ela.

– Você está segura agora. Pode descansar, meu amor.

– Ah Edward, fazia tanto frio. Tanto...

Era agora. Afinal, era para isso que eu estava ali e algo me dizia que se eu não aproveitasse essa situação era bem provável de que quando consciente ela se reusasse a entregar o amigo.

– Amor, me conte o que ouve. Eu sei que você está cansada. Mas eu preciso saber. Conte-me.

Ela respirou fundo e devagar, depois franziu a testa fazendo um biquinho adorável e se pôs a falar.

– Eu disse a ele que nós só poderíamos ser amigos. Que eu amava, mas como irmão. E ele não entendeu. Não entendeu. Ficou bravo. Muito bravo. Carro, cabeça no painel... dor... muita dor...

Eu processava cada informação.

– Senhor, a paciente não está em condições disso. O senhor a está forçando muito e se não parar eu serei obrigada a coloca- lo para fora.

Ignorei o aviso da enfermeira.

– Frio, Edward. Muito frio. Chuva. Ele me deixou no meio da estrada e eu fiquei sozinha. Cansada, chuva, cabeça doendo, deitei. Eu só queria dormir. Por favor, Edward, não me deixe no frio, muito frio. Raios, trovões. Tenho medo, segure a minha mão.

Voltei a me abaixar e beijei seus lábios com carinho. Eu não precisava ouvir mais nada. Minha missão estava cumprida.

– Shiii, shii, princesa. Eu estou aqui. Pode dormir. Eu vou te aquecer. Shii. Ninguém vai te separar de mim, pode dormir. Shiii.

A enfermeira aplicou alguma coisa no cateter do braço dela e logo Bella voltava a dormir profundamente.

Rangi os dentes a raiva era crescente.

– O seu tempo acabou, senhor. Queira se retirar. A paciente precisa de tranquilidade.

Assenti e sai contrariado em deixar minha namorada sozinha ali. Todavia era preciso, pois, eu teria um “cachorro” para caçar logo, logo.

Voltei para junto da família de Bella e logo fui inundado de perguntas.

– Como ela está, Edward?

– Ela falou com você?

A ansiedade era visível nas expressões das irmãs de Bella, todavia era com Charlie que eu precisava falar, por isso decidi por fazer algo inusitado.

– Ela está dormindo. A enfermeira disse que não acordará tão cedo. Apesar de muito pálida e com uma contusão na testa, agora, ela parece calma. Ela vai ficar bem. Tudo vai dar certo, meninas. Se acalmem.

Alice aceitou minha explicação barata e voltou para o lado da mãe, Rose, por outro lado, entortou a cabeça e me avaliou de cima abaixo, aqueles olhos eram capazes de tudo. Ela sabia que eu mentia. Então, antes que ela começasse o interrogatório, resolvi agir.

– Charlie, a enfermeira disse que Bella precisa tomar um medicamento que não tem no hospital, você se importa de me acompanhar até a farmácia para que possamos buscar para ela?

Meu sogro, acompanhando meu raciocínio, se mostrou muito disponível.

– Claro que não me importo. O quanto antes buscarmos esse medicamento, melhor para minha filha. Vamos logo!

Assenti afirmativamente e comecei a caminhar.

– Renée, permaneça aqui com as meninas. Assim que eu voltar, Paul levará vocês para casa.

Minha sogra, meio aérea só concordou. Rósalie porém...

– Pai?

Charlie voltou seus olhos para trás.

– Não estimule o pior de Edward. Quando Bella acordar ela não gostará de saber que seu amigo não se encontra como ela o deixou.

– Amigo?

Murmurei indignado. Alice e Renée não estavam interessadas em nós.

– Ele pode ser qualquer coisa, menos amigo de sua irmã. E deixe que esse assunto, eu resolvo com sua irmã depois.

Virei- lhe as costas. Charlie me seguiu e já dentro do carro, fez a pergunta que evitou até aquele momento.

– O que ela disse?

– Eles brigaram. Ele não aceitou de bom grado, nosso relacionamento. Parece que ele a forçou a entrar no carro e como ela se recusou ele agiu com violência e depois, como se não bastasse, a fez sair do carro e então a deixou lá, a própria sorte. Charlie eu sei que você sabe do paradeiro dele, então, por favor, me leve até lá.

Meu sogro nem pensou muito.

– Paul, nos leve até a casa de Jacob Black.

– É pra já, senhor.

Abaixei minha cabeça e levei as mãos ao cabelo. Se eu não me controlasse, seria capaz de cometer uma loucura.

Respirei fundo algumas vezes e fechei os olhos com força.

– Não se desespere, filho. Ele vai pagar. Eu te prometo que ele vai pagar.

Permanecemos quietos, cada um preso em seu próprio desespero e amargura. Por um momento, me senti ligado a Charlie, só nós sabíamos o tamanho da raiva e dor que estávamos sentindo.

– Chegamos, senhor.

Observei o carro parar em frente a um condomínio de luxo.

– Nos coloque dentro, Paul.

O homem marrento e sério, desceu, foi até a guarita e trocou algumas palavras com o porteiro.

Nossa entrada foi permitida rapidamente.

– Qual apartamento?

Perguntou Charlie já no elevador da garagem subterrânea.

– 1002, senhor. Tenho informações, de que ele continua acompanhado.

– Melhor assim. Vamos dar um showzinho para a “puta” que o acompanha.

Já na porta do apartamento, Charlie tocou a capainha e se voltou para o segurança.

– Não permita que ninguém entre ou saia.

– Sim senhor.

– Já vai...

O Bastardo gritou lá de dentro. E logo a chave fez barulho na porta.

– É agora, Edward.

Charlie se colocou a minha frente assim que a porta se abriu. Jacob ofegou ao perceber quem era.

– Padrinho, o senhor aqui. O que foi que aconteceu?

– Você não sabe? Jura que não sabe, Jacob?

Atravessei Charlie e fumegando entrei no apartamento e já fui pra cima dele. Eu já havia ouvido demais e paciência não era minha maior virtude.

– Aconteceu que eu vim te ensinar a lutar e ferir alguém do seu tamanho, Jacob.

Parti pra cima dele com toda a minha raiva e força. O porte físico dele era maior do que o meu, no entanto o efeito surpresa fôra meu aliado.

– Bella está no hospital, “seu bastardo de merda”. Ela foi encontrada com hipotermia e se meu sogro demorasse mais um pouquinho ela poderia estar morta agora e tudo isso graças a você...

O joguei no chão e continuei esmurrando. Ele tentava se defender e me atacar, mas eu era mais leve e ágil.

– Seu doente, Bella é minha, sempre foi. Coloque isso na sua cabeça e pare de persegui- la. Eu farei um boletim de ocorrência assim que sair daqui e se você se aproximar dela de novo, eu juro que te mato e ordeno que sumam com o corpo. Isso é uma vantagem de ser quem sou, Jacob. Eu posso tudo...

Ofegante, fiquei de pé e passei a chuta-lo nas costelas.

– Pare! Você vai mata-lo.

Dominado pela situação levantei minha cabeça e encarei, com o olhar fulminante, quem ousava defender o bastardo.

– O que você faz aqui?

Perguntou Charlie se antecipando a mim.

– Ele me ligou e nos encontramos aqui.

Olhei mais atentamente, eles estavam de roupão. O Idiota havia feito o que fez com minha princesa e depois resolveu descontar a raiva “fodendo” com “uma qualquer”.

Olhei mais atentamente para ela.

Eu a conhecia de algum lugar... Aqueles olhos...

– O que eu poderia esperar de você, não é Leah? Sempre, onde Bella está. Eu te disse para ficar longe. Não me desafie garota.

– E se eu te desobedecer? O que vai fazer majestade? Me bater?

Charlie cruzou a sala rapidamente e agarrou a “tal Leah”, pelo queixo. A força que ele usou a fez gemer. Aproximei-me sorrateiramente, eu o conteria se ele resolvesse agredi- la. Mulher não!

– Escute bem, bastarda. Eu não estou com paciência para seus chiliques hoje. Irrite-me mais um pouquinho e saberá o tamanho da minha ira.

– Bella, padrinho? Como ela está?

Charlie soltou a garota, que passou a esfregar o queixo com as mãos, e se voltou para o afilhado, que agora tentava se sentar e respirar.

Havia sangue por toda parte. Seu nariz estava quebrado, sua mandíbula fora do lugar. Eu havia feito um ótimo trabalho

Porém, minhas mãos latejavam.

– Nunca mais pronuncie o nome de minha filha, Jacob. Eu quero você fora de minhas terras. Você tem até amanhã de manhã para isso e se não o fizer, Paul e Sam estão autorizados a atirar você, do avião, nas terras de Pushian. Eu ordeno que nunca mais apareça por aqui. E meus súditos se encarregarão disso. Volte, e eu não me responsabilizo. Você não imagina o quanto todos amam Bella.

– Eu lamento, padrinho. Eu não imaginei que algo poderia acontecer. Perdoe- me. Eu só queria assustar a Bella.

– Majestade, me chame de majestade, a partir de agora. Esqueça toda a consideração que já tive por você algum dia. E sim, você assustou minha filha, e também a mim, ao noivo dela e ao reino todo. Parabéns você conseguiu. Saia de minhas terras é uma ordem! E não vou repeti- la.

Charlie começou a caminhar para a saída, mas antes se voltou para mulher.

– Fique com os restos de minha princesa, Leah. É somente isso que terá de minha família. Vamos Edward.

Olhei para os dois mais uma vez.

– Você está avisado Jacob.

Saímos e encontramos Paul na mesma posição de antes.

– Coloque alguém na cola desses dois, Paul. Se eles se aproximarem de Bella me avise.

– Sim, senhor.

Entramos no elevador. Eu estava muito mais leve e parece que Charlie também.

– Majestade, o senhor precisa acalmar o povo e a imprensa, eles já começam a se instalar na porta do hospital. Até velas para a princesa, já podem ser vistas lá.

Charlie suspirou de desgosto, fechou os olhos e se recostou ao banco do carro. Ele estava exausto.

– Sam e Zafrina estão suspensos por tempo indeterminado, Paul. Remaneje- os, eu não os quero ao lado de Bella.

– Sim, senhor.

– E assim que chegar ao hospital, leve Renée e as meninas para casa. Mande alguém para te substituir, Edward e eu passaremos a noite aqui, no entanto você merece um descanso depois do dia de hoje.

– Sim, senhor. Ligue para sua mãe, senhor. Ela não deve receber a notícia da internação de Bella, por meio da “imprensa marrom”.

Charlie assentiu e sacou o celular do bolso.

– Mãe...

Olhei mais atentamente para ele, mesmo cansado e chateado, dava ordens como o bom monarca que era.

Agradecia aos céus pela nossa trégua. Ele dividiria o posto comigo naquela noite.

E pela primeira vez velaríamos o sono do nosso amor maior.

Notas finais
E aí? Gostaram? Deixem-me saber... Beijos. Feliz Natal e feliz Ano Novo a todas.