Três Príncipes, Três Princesas
18 Quem diria...
Notas iniciais
Edward
Quando finalmente abri os olhos e me deparei com uma linda manhã de Sábado, eu não pude fazer outra coisa se não, agradecer a Deus, a graça de ter conseguido distrair Bella no restante da Sexta feira.
E confesso, não foi uma tarefa fácil.
Depois de termos deixado tão abruptamente a biblioteca, graças ao “ataque” de Charlie, dona Marie e John nos levaram até a sala de refeições e lá nos apresentaram uma farta mesa de gostosuras. Creio que nunca, tenha provado de tantas coisas maravilhosas.
Contudo, nossa pequena paz, foi interrompida pela ausência da avó de minha princesa. Dona Marie nos deu uma desculpa” esfarrapada” e sumiu pela casa a fora. E só minutos depois descobrimos o motivo da fuga: Alice.
“Tá, eu admito” eu estava torcendo para que minha cunhada fosse castigada, por seus familiares, no entanto, presenciar o sofrimento de minha namorada a cada vez que as vozes se elevavam ou que a irmã resmungava e gemia, de fato, não foi minha melhor experiência.
Em certos momentos tive até que contê-la, porque Isabella insistia em ir ao socorro da irmã. No entanto nessa questão, não logrou êxito, eu fui taxativo e direto:
– Alice foi cruel com você, meu amor. Deixe que seus pais e sua avó resolvam essa situação.
Pelas “caras e bocas” que ela fazia, acredito que não tenha concordado com minhas palavras, todavia, não retrucou. Isso era fato, a respeito de minha princesa: não era sempre que Bella retrucaria ou discutiria, quando discordasse de mim ou de qualquer um. O silêncio, quando contrariada, fazia parte de sua personalidade. E eu teria que aprender a conviver com isso.
Por fim, quando os gritos já estavam deixando Bella desconfortável, John salvou o dia.
O marido da rainha nos levou para o jardim e lá me apresentou a uma das paixões de minha Bella.
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Uma bela cadela Dálmata, que segundo John, fora presente dele, para Isabella.
Eu não tenho explicações para dizer o quanto foi perfeito, ver Bella correndo pelo jardim, com os cabelos ao vento, a face corada e o sorriso radiante, sendo acompanhada de perto pela linda cadela que atendia pelo nome de Maia.
E só pra variar, o animal também não gostou de mim e segundo John ainda teria outro que compartilharia desse mesmo sentimento e que logo eu conheceria.
Creio que o fascínio que Bella exala, seja tanto, que até mesmo um animal, tema que eu a roube ou que a faça mal.
Eu teria que me acostumar com isso também.
E o melhor da bagunça, de minha princesa e seu animal de estimação, só ocorreu quando Rose chegou e acionou os irrigadores do jardim.
Segundo Emmett era a visão do paraíso, Bella, Rose e Maia correndo pelo jardim, completamente, molhadas e sorridentes.
Até papai, mamãe e Jasper contemplaram, das sacadas de seus quartos.
Ato que me fez querer pegar Bella no colo e escondê-la. Eu não queria que ninguém a admirasse mais do que eu.
Porém nosso dia feliz acabou aí.
Logo depois, Charlie apareceu, e sem explicação alguma agarrou Rose e Bella e as tirou do alcance de nossos olhos.
E com a desculpa, de que precisava da companhia das filhas, as roubou de mim e de meu irmão, o restante da tarde e da noite.
O que foi um martírio, porque Alice e Renée apareceram para o jantar, mas as princesas e Charlie não.
Por fim, quando o tédio me alcançou e eu não suportava mais olhar para a “cara falsa de arrependimento” de Alice, “pedi licença” e me recolhi.
Não sem antes, claro, procurar Bella em seu quarto, o que foi em vão, pois ela não se encontrava em nenhum lugar. O que só me fez ter certeza, de que Charlie recrutara as filhas para si, naquele restante de dia.
Apesar de frustrado, não recriminei meu sogro. Feliz dele que podia contar com duas mulheres lindas em seus braços naquela noite.
Então só coube a mim, voltar a meu quarto, e revirar e revirar em minha cama até que o sono me encontrasse, me domasse e finalmente me presenteasse com uma esplendorosa manhã de Sábado.
Por isso, assim que percebi que já não era tão cedo, me coloquei de pé, tomei um banho, fiz a barba, escovei os dentes e vesti uma roupa confortável. Nos pés, optei por um tênis e quando estava finalizando minha rotina matinal, fui interrompido por uma batida na porta.
– Entre.
A expectativa de que fosse Bella, me tomava por completo.
– Muito bom, garoto. Eu vim pronta pra te acordar a pontapés. Fico feliz em saber que pelo menos, minha neta não se casará com um preguiçoso.
Minhas esperanças foram frustradas com a entrada de dona Marie.
– Bom dia, majestade. Em que posso ser útil a essa hora da manhã?
– Hum! Você pode começar não sendo tão formal. Chame-me de vovó. Agora dê um jeito nesse cabelo e venha comigo. Quero que contemple uma paisagem que só aparece por aqui de vez em quando e de manhã.
Surpreso pelo convite, corri para o banheiro, atirei a toalha que repousava em meu pescoço, em cima da pia, e ajeitei, como pude, os cabelos. Quando voltei ao quarto, dona Marie me esperava no mesmo lugar.
– Estou pronto.
Ela acenou e começou a sair.
Andamos em silêncio pela casa e logo atravessamos a porta da imensa cozinha, rumo ao mesmo jardim, em que Bella e Rose se divertiram no dia anterior.
Por onde passávamos éramos cumprimentados pelos vários empregados da propriedade e todos, mas todos mesmo, obtiveram em resposta, um “bom dia” e um sorriso agradável da rainha. Agora eu sabia de quem Bella tinha herdado seu carisma.
– Por aqui.
Atravessamos o jardim e em determinado momento, Maia venho nos fazer companhia.
– Bom dia, garota. Vejo que está feliz também. É maravilhoso ter nossa menina em casa. Não é?
Dona Marie acariciou a cabeça da saltitante cadela. Que parecia concordar com suas palavras, pois latia e abanava o rabo.
Maia era muito bonita. E combinava perfeitamente com sua dona. Eu imaginava que essa amizade também tinha uma história, que eu ansiosamente, desejava saber em breve.
– Vejo que você não se deu muito bem com o namorado de sua dona, não é? Não se preocupe, Maia. Ele é feio, mas não morde. É que bom gosto, não são as melhores qualidades de nossa Bella. Fique calminha, garota, logo você se acostuma. Eu estou “quase chegando lá”...
Sorri e me mantive quieto. Se o plano dela era me provocar para que eu perdesse a paciência, dessa vez, eu mostraria que por Bella, eu era capaz até de me controlar.
– Ah sim! Bem a tempo!
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Olhei para onde a rainha apontava e paralisei em meu lugar.
Até quando Bella me surpreenderia?
– Venha, Edward. Vamos observar mais de perto. Só não fale alto nem se movimente abruptamente. Não precisamos que Taurus se assuste. Não é?
Não mesmo! Acenei afirmativamente e lentamente. Imaginar Bella jogada ao chão perto de um cavalo indomável, não era uma imagem bonita.
Ali, naquela situação Bella parecia ainda mais pequena e frágil.
A cena era de encher os olhos. Minha linda princesa, tinha os cabelos presos e escondidos pelo capacete e vestia colados, trajes brancos e pretos de equitação. E sorria feliz cada vez que o cavalo saltava corretamente.
“Por Deus”! Bella estava muito, mas muito desejável mesmo!
Eu teria que beija-la antes que ela tirasse aquela roupa.
“Por Deus, de novo”! Eu queria arrancar aquela roupa dela.
– Feche a boca e pare de ter pensamentos obscenos, Cullen. Eu não te trouxe aqui para isso.
Sacudi a cabeça para “desanuviar” as, nada boas, ideias e me aproximei mais da arena.
– Ali.
Marie apontou para a esquerda.
Caminhamos mais alguns passos, até pararmos junto a John, que se mantinha quieto e concentrado.
Maia, creio eu, que pressentindo todo o silêncio no ar, se deitou embaixo de uma pequena arquibancada, e se pôs a contemplar a apresentação da dona.
– Com ela está hoje?
Perguntou vovó Marie.
– Melhor do que nunca. Concentrada, firme e milimetricamente perfeccionista. O astral de nossa garota, repercute em como ela monta. Posso te garantir, Marie, Bella hoje, estaria pronta para disputar qualquer prova.
Tremi com aquela ideia.
John não tirou os olhos dela enquanto respondia a esposa.
– Estaria... Você disse bem. Contudo sabemos que isso não é possível.
John, de repente, voltou seus olhos para a esposa.
– Eu espero, Marie, que esses “mandos e desmandos” desses reis e príncipes parem por aqui. Você e Bella já cumpriram com a cota. Eu espero que nossos bisnetos tenham mais autonomia, quanto as suas vidas, no futuro.
John, agora, me encarava profundamente. Ele parecia sério e amargo demais.
– Eu também sonho com isso, querido. Por isso estou deixando que Edward conheça a fundo nossa história. Ele precisa saber, que apesar de estar em uma situação também arranjada, o futuro pode ser maravilhoso para ele e minha neta.
– Ele será, dona Marie. abençoo o dia em que meu pai selou esse acordo com Charlie, no entanto, pelo menos comigo, Bella e nossos descendentes diretos, ele para por aqui. Eu prometo à senhora e a John que nossos filhos não serão obrigados a nada.
– Eu conto com isso, filho.
Voltei a observar minha princesa. A cada salto perfeito do cavalo, ela o acariciava e o elogiava. O animal então, se esforçava para ser melhor ainda no próximo obstáculo. Eles se entendiam.
– Desde quando ela treina assim?
Perguntei para ninguém, especificamente.
– Desde sempre. Essa garota nasceu para isso.
Comentou John.
– John, deu Taurus a Bella quando ele era ainda um potro. Ela se apaixonou por ele e dizia a “quatro ventos” que era o cavalo do “príncipe encantado”. A sintonia deles foi imediata e depois de crescido e treinado eles formaram uma dupla perfeita. Eles se conhecem de longe e esse garanhão só aceita que essa mulher o monte. Ninguém mais. Parece que ele deseja mostrar a qualquer um, que é inteiramente dela.
Olhei ainda mais fascinado. Disso eu entendia também.
– Bella participa de competições oficialmente? Eu não encontrei essa informação em nenhuma de minhas pesquisas.
– Infelizmente não. Charlie me odeia e isso inclui cada coisa que eu faço. Então o amor da filha pela equitação é para ele motivo de raiva e desgosto. Quando Bella tinha treze anos, nós a inscrevemos numa competição amadora, aqui perto da região mesmo.
Os olhos de John brilharam ao relembrar aquele fato.
– Você precisa ver, como ela estava animada. E como era período de férias não imaginamos que o pai, ia se zangar ou implicar com algo que a filha gostava. No entanto, no dia marcado, faltando pouco tempo para a vez dela, Charlie proporcionou uma bela cena de cinema...
– O que ele fez?
John suspirou amargo.
– Ele desceu de helicóptero no meio do evento, agarrou Bella pelo braço, gritou em alto e bom som, que não havia permitido que sua princesa cometesse uma sandice daquela.
Fechei os olhos e me deixei imaginar o quanto Bella deve ter ficado chateada com aquela situação.
– E depois?
– Depois? Depois, ele proibiu que minha neta viesse a nossa casa pelos próximos dois verões. E creio que teria sido pra sempre se Bella não tivesse adoecido e implorado por minha presença e de John.
– Eu... eu não entendo. Essa implicância de Charlie é doentia.
Marie me encarou com seus imensos olhos castanhos.
– Aprenda uma coisa sobre sogro, Edward. Charlie odiará qualquer um que ame sua filha, mais ou igual a ele. O sentimento dele, é algo doentio e quando ele pressente que Bella está prestes a amar alguém, que não seja de seu laço co- sanguíneo, o rei dá um jeito de ferir ou até mesmo, exterminar esse sentimento. E Charlie não poupa armas. Por isso, se prepare, rapaz. Se o que eu vejo nos olhos de vocês, for mesmo verdade, um furacão está por vir.
– E Bella fica submissa a todas as ordens do pai?
– Submissa? Minha criança, submissa? Não, garoto. Minha neta já aprendeu a disfarçar seus sentimentos na presença do rei e mais, tenha uma coisa em mente, Bella sempre consegue o quer. Ela não desiste e não mede esforços quando acha que uma causa é justa.
Olhei interrogativamente para os dois.
– Quando Bella convenceu Charlie a voltar à fazenda, ela fez Alice persuadir Charlie de que uma competição de hipismo, não oficial claro, mas que a princesa caçula participasse, seria uma ótima forma de angariar fundos para as instituições que a mãe apoia.
– E então...
Mas de repente minha atenção estava toda voltada para a linda morena puxando um enorme cavalo branco, que se aproximava e tomava a vez de falar.
– Então, uma vez por ano nos reunimos aqui, com a mais alta sociedade de Forkian, para o evento e eu posso saltar, sem medo de ser rechaçada por papai.
Bella então se aproximou e abraçou John.
– Você continua perfeita, querida. Um desperdício de talento jogado fora.
Bella corou e sorriu timidamente.
– Não John, não sou perfeita em nada. Sou simplesmente uma médica que ama o que faz.
Chaguei mais perto, toquei sei rosto devagar e escovei meus lábios nos seus.
– E isso faz de você a mulher incrível que é. Por isso te escolhi como minha, linda princesa.
Bella
Ainda meio atônita pela manifestação de carinho de Edward, me aproximei mais. Eu queria o abraçar com força.
– Ei, calma aí mocinha. Eu te amo de todas as maneiras, Florzinha. No entanto, creio que você precise de um banho antes de se aconchegar aí nesses braços. E só pra alimentar ainda mais meu ponto, tenho certeza que no momento em esse rapaz pousar as mãos em sua cintura, Taurus dará um espetáculo. E como não queremos que seu pai tenha mais um motivo para rechaçar nosso esporte favorito, eu a aconselho a levar esse garotão pra baia. E de lá, vá rapidinho para os vestiários.
Suspirei resignada e assenti.
– Tá bom, vovó. Podem voltar para a casa grande, daqui a poucos minutos estarei lá.
– Posso te acompanhar?
– Você? Acompanhar a minha garota? Nos vestiários?
Edward fez uma cara de inocente e acenou afirmativamente.
– Claro que não, rapaz! Você vem comigo e com John. Minha garota é preciosa demais para que eu me arrisque a deixa-la sozinha e ainda mais nua, no mesmo ambiente que você.
– Está bem, dona Marie. Eu aceito seu ponto de vista. Mas, por favor, princesa não demore. Eu preciso de um tempo de qualidade com você.
– Em trinta minutos serei toda sua.
Edward sorriu, voltei a me aproximar e toquei seus cabelos. Ele fechou os olhos e suspirou.
– E nem um segundo a mais.
Com toda a força de vontade que eu tinha, me afastei e levei meu cavalo para a baia.
Lá, retirei sua cela, liguei a mangueira, o refresquei e com um último carinho em seu pescoço, me despedi, prometendo voltar no Domingo, bem cedo.
Depois, me dirigi aos vestiários, tomei um banho rápido, vesti a mesma roupa que eu havia colocado mais cedo. Prendi os cabelos, molhados, em um rabo alto, calcei as mesmas sapatilhas pretas e sai ao encontro de minha família. Eu sabia que não estava vestida adequadamente para uma princesa, no entanto, não me importei, pelo menos eu estava limpinha.
Apressei os passos e logo avistei a casa. Eu cumpriria com meu horário com Edward.
É cumpriria... se não fosse por Alice sentada nos degraus da entrada da cozinha, aparentemente, me esperando.
Minha irmã estava nervosa, suas passadas de mãos no cabelo, seu balançar, constante, de pernas, sua respiração ofegante, tudo me indicava isso. Acho que nossa conversa não seria nada fácil.
De repente, também comecei a hiperventilar. Porque tudo não podia ser mais fácil?
Hesitantemente me aproximei, eu tentaria passar reto e fingir que não havia percebido suas intenções.
Que Alice desse o primeiro passo.
Cheguei aos degraus, desviei o olhar e quando fui contorna-la, fui segura pelo braço.Instintivamente olhei para a mão que me segurava. Assustada, ela me soltou.
– Perdão! Eu não queria te perturbar. Mas, será que tem um tempinho para mim, irmã?
Irmã,... Ela dizia essa palavra tão docemente. Fechei os olhos, inspirei profundamente e respondi o que meu coração mandava.
– Eu lamento, Alice. No entanto, meu dia começou perfeito demais. E eu não pretendo estraga-lo com uma briga. Tenha piedade de mim. Deixe-me em paz.
– Por favor, Bella? Eu prometo que não será uma briga. Eu só pretendo melhorar as coisas entre nós. Dê-me uma chance? Em nome dos velhos tempos.
Em nome dos velhos tempos, dei dois passos para trás e me pus a sua frente.
– Sente aqui comigo.
Ela chegou para o canto e me ofereceu seu lado.
– Não, obrigada. Estou bem de pé.
Se ela acha que eu seria tão doce, estava muito enganada.
– Claro. Então vamos lá. Irmã, eu queria, antes de qualquer coisa, lhe pedir perdão. Sei que te feri de uma maneira cruel, e eu lamento muito. Não sei o que está acontecendo comigo?
– Você não sabe? Ah Alice! Não me venha com essa! Você faz tudo de caso pensado. Não me tome por idiota, que não sou. Posso não ser tão cruel, mas sei exatamente quando uma de minhas irmãs quer mostrar aos outros seu poder de ataque.
– Bells...
– Não me venha com “Bells”. Eu exijo que você pare, Alice. Não tente se mostrar para nossos sogros e seu namorado. Você está fazendo isso errado. Ninguém deseja uma futura rainha mesquinha e egoísta. Não desconte em mim, seus medos e não me tome por “bode expiatório”. Eu não quero seu lugar e não pretendo aparecer mais que você e Rose. E se isso te acalma, vou pedir a Edward que remarquemos nosso casamento para outra data. Agora sou eu que não quero mais fazer parte desse “circo”.
E sem que eu esperasse, ela saltou em meus braços e chorou, soluçantemente, em meu ombro.
– Por favor, por favor, não faça isso, Bella. Eu faço tudo que você quiser, só não desista de nosso casamento conjunto. Nós sonhamos e planejamos isso. Está no contrato, irmã. Eu não quero mais, me indispor com papai, vovó e Esme. Por favor, Bella. Por favor. Eu assumo que errei com você e prometo que isso não se repitará. Por favor, eu imploro, Bells.
Ela chorava e implorava. Eu queria a todo custo negar e dar-lhe um castigo maior, ela merecia.
– Por favor, Bella. Seja a minha irmã de sempre. Você não é assim. Tenha piedade, me perdoe. Estou te implorando, irmã. Eu, sua irmã. Alice. Sua Lice.
Inspirei profundamente e apertei os braços em volta dela. Ela tinha razão...
– Hei, hei...
Tirei-a de perto de mim. Segurei seu rosto, sequei suas lágrimas e lhe beijei de leve na testa.
– Tá tudo bem. Se acalme. Eu te desculpo. Já passou. Vamos colocar uma pedra em cima disso. Vamos continuar com os planos e com tudo mais. Nosso casamento será perfeito, como sempre sonhamos.
– Ah, Bells. Obrigada. Obrigada. Obrigada. Eu te amo, irmã. Amo mesmo. E te prometo que será tudo diferente agora.
Ela me abraçou de volta. Seu choro agora era de alívio.
Não sei! Muitos podem pensar que sou boa demais, no entanto eu discordo. Não estou nem perto disso. O que acabei de fazer, foi um ato de reconhecimento do amor fraternal.
Amar nunca foi fácil. Cada pessoa, com suas peculiaridades, tem sua maneira de demonstrar algo tão grandioso. Eu escolho ser o alguém que age de acordo com o máximo possível para que os outros sejam felizes.
Isso é loucura? Claro que é. Mas nem por isso, vou agir diferente, porque é isso que me torna quem eu sou.
Um ser humano que ama, em qualquer situação.
Esme
– Onde está Bella, mamãe? Nós não comeremos sem ela.
– E Alice? Alguém a viu?
Sem alarde e discretamente, me levantei da mesa, onde todos já estavam reunidos para o café, e trilhei o mesmo caminho por onde tinha visto Alice desaparecer.
Eu tinha que presenciar a conversa delas. Aquilo era algo essencial para o futuro de meu reino.
– Por favor, por favor, não faça isso, Bella. Eu faço tudo que você quiser, só não desista de nosso casamento conjunto. Nós sonhamos e planejamos isso. Está no contrato, irmã. Eu não quero mais, me indispor com papai, vovó e Esme. Por favor, Bella. Por favor. Eu assumo que errei com você e prometo que isso não se repitará. Por favor, eu imploro, Bells.
Infelizmente, quando cheguei à cozinha, a conversa delas já havia começado. Escondi-me perto da janela e fiz sinal para que os empregados, se mantivessem quietos.
Alice implorava o perdão da irmã.
– Por favor, Bella. Seja a minha irmã de sempre. Você não é assim. Tenha piedade, me perdoe. Estou te implorando, irmã. Eu, sua irmã. Alice. Sua Lice.
Em outra ocasião o choro dela até me convenceria. Mas não dessa vez, eu conhecia aquele “tipinho”. Alice estava jogando com o emocional de Bella. Aquelas palavras eram carregadas de lembranças e promessas que levariam, a princesa de Edward, a ceder. Eu tinha certeza.
– Tá tudo bem. Se acalme. Eu te desculpo. Já passou. Vamos colocar uma pedra em cima disso. Vamos continuar com os planos e com tudo mais. Nosso casamento será perfeito, como sempre sonhamos.
Feito! Alice conseguiu o que queria.
Sai do meu esconderijo e voltei, sorrateiramente para a companhia dos outros.
De algumas coisas eu tinha certeza: Um, Bella não me decepcionara. Perdoar é divino.
Dois, Alice era perigosa, muito perigosa. Eu teria que ficar de olho nela.
Três, Jasper teria que ser alertado.
E quatro, minha norinha do meio, saberia o que é uma sogra.
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