Notas iniciais
Boa noite meninas, estou um pouquinho atrasada, sei disso, mas recebi uma notificação do Nyah por conta da desconfiguração de alguns capítulos, então estou revendo toda fic. Me perdoem se eu demorar um pouquinho a mais para postar, além disso amo responder os comentário e isso também toma tempo. Porém, prometo que logo estarei de volta. Capítulo dedicado a Zezinha que me presenteou com uma linda recomendação.

Edward

— Humm!

Ignorei e suprimi a vontade de sorrir e me dediquei, com mais afinco, ao meu propósito principal.

— Estou dormindo, Edward.

— Não, você não está.

Deslizei as mãos pelas pernas bem torneadas e macias dela. A boca, com vida própria, migrava para o paraíso.

— Estou sim. Hoje é sábado, ainda é cedo. Estou de folga. E seus filhos querem ficar na cama por mais algum tempo. Edward!!

Gemeu quando mordi a parte de dentro da perna, bem perto de onde ela mais gostava.

— Meus filhos podem dormir mais um pouquinho aí. Agora a mãe e rainha deles tem que acordar. Estamos com visitas e seus pais estão loucos para mimar você, minha vida.

— Não me importo. Eles entenderão. Deixe-me dormir, Edward.

Devagar e delicadamente tirei de meu caminho o short, do pijama branco, de seda.

Ela nem resistiu, e isso porque estava com sono. Imagina se não estivesse. Bella era uma graça, se fazendo de difícil.

— Se você dormir não ganhará carinho agora de manhã. É isso mesmo que quer? Pense bem, princesa.

Para enriquecer meu argumento, beijei, de boca aberta, a parte de cima da virilha dela.

— É sim. Estou com sono, Edward. Muito sono.

Ampliei o sorriso quando ela abriu mais as pernas. Os atos discordavam demais das palavras.

— Ah, que pena, princesa! Eu tinha planos demais para você agora de manhã. Mas, se você não quer...

Só para provocar, levantei minimamente a cabeça, dando a entender que me afastaria.

— Não se atreva.

Rapidamente, desceu as mãos e segurou minha cabeça, pelos cabelos, só para constar, me mantendo exatamente onde eu estava.

— Sua palavra é lei, minha vida.

Sem perda de tempo, migrei a boca para a pélvis depilada e hidratada.

— Hum! Delícia, princesa.

Ela não respondeu, só segurou os lençóis com mais força e mordeu os lábios.

— Ah, não! Pode parar de morder essa boquinha aí. Vai se machucar e eu vou parar se continuar a fazer isso. Quero ouvir você, não se controle, meu amor. Grite para mim. Quero ouvir você.

— Ahhh!

Gemeu alto, fazendo exatamente o que pedi.

A presenteei de volta levando minha boca para onde ela ansiava.

Nosso tempo estava contado mesmo, não era brincadeira. Logo, logo Charlie viria atrás da filha.

— Edward, você disse que a casa está cheia. Não posso gritar. Edward!

A fiz perder seu rumo ao sugar, com vontade, o clitóris sensível e já inchado, graças as minhas carícias preliminares.

— Seu pai que tape os ouvidos, estamos em casa. Além do mais, as paredes são grossas. Agora fique caladinha e se concentre somente em sentir.

Para impedi-la de falar passei a provoca-la com a língua e com os lábios.

Eu era um homem sedento. O dia de ontem fora estressante em todos os sentidos. E fui incapaz de acalmar minha mulher da maneira mais natural e proveitosa que conhecemos.

Então, Ângela teve que entrar em ação. Deu-lhe um calmante e foi certeiro, Bella se acalmou e dormiu o restante do dia e da noite. Deixando a mim como um anjo da guarda velando o sono dela e de nossos filhos. Fora tortuoso vê-la de olhos fechados por tanto tempo, porém a doutora explicara que era o melhor para ela naquele momento. A explicação era plausível, porém não fui capaz de deixa-la sozinha. Então, nosso dia havia acabado às cinco horas da tarde.

E agora era questão de minutos até que Charlie nos tirasse de nossa bolha. Porque convenhamos, ele também merecia e queria passar um tempo com a filha.

— Amor...

Suguei com mais vontade e para enlouquecê-la a ponto de se contorcer, a penetrei com dois dedos.

— Edward...

As mãozinhas voltaram aos meus cabelos me impulsionando a ir mais fundo e mais rápido.

A obedeci, com entusiamos.

— Por favor, por favor...

Intensifiquei as carícias.

— Venha para mim, princesa. Venha para mim. Quero saborear você.

O pré-gozo inundou meus dedos me fazendo gemer. Automaticamente, retirei-os e voltei a penetra-la com a língua. Era desse jeito que eu a queria, em minha boca.

— Edward!

Toquei o clitóris e passei a estimula-lo. Era agora. Ela estava perto, muito perto. Os primeiros espasmos já podiam ser sentidos no estremecimento leve do corpo.

— Edward!!!

Então o ápice veio com força e profundamente e ela gritou se curvando para frente.

— Ahh, Deus!

Gemeu ofegante, segundos depois quanto voltou a se deitar, completamente suada, extasiada e saciada.

Não parei de suga-la até que os últimos espasmos cedessem. E ela relaxasse exausta, nos travesseiros.

— Essa é ou não é uma boa maneira de acordar?

Arrastei-me para seu lado, firmei a cabeça com um braço e, simplesmente, fiquei ali admirando e absorvendo, como um sedento, o rosto bonito e o sorriso satisfeito de minha linda esposa.

Deus, como era abençoado!

— Eu digo que é uma ótima maneira.

Como uma gatinha manhosa, ela se virou para mim, trouxe a boca para perto da minha e então, foi descendo aquela mãozinha perigosa pelo meu corpo.

— Rá, nada disso! Pode ir parando por aí, mocinha.

Segurei sua mão e a trouxe para junto de meu peito, em cima do coração, impedindo-a de prosseguir com seu ataque.

— O que foi? Você não me quer?

Os olhos incrédulos encontraram os meus e por pouco não cedi quando um biquinho adorável se formou naquela boca gostosa que eu idolatrava.

Foi impossível não beijá-la.

— Esse é o problema, princesa. Te quero de mais formas do que possa imaginar. Porém, quando eu começar, não pararei tão cedo. E, infelizmente, preciso ser o responsável aqui e lembra-la de que estamos com a casa cheia. Sua família quer sua companhia e não vou priva-los de tão belo prazer.

— Eles podem esperar. Amor, você não...

Afaguei seus cabelos e, outra vez, biquei seus lábios. Segurando sua mão com força, impedindo que ela me tocasse e percebesse o quanto eu estava excitado.

— Há várias maneiras de me satisfazer, princesa. Seu prazer é meu prazer. Odiei como Ângela te relaxou ontem e prometo, que enquanto eu puder, eu mesmo farei isso.

— Ah! Então teremos um problema, meu rei. Porque ando ficando tensa muitas vezes durante a noite e o dia e...

Meu Deus, ela dizendo “meu rei” era um afrodisíaco potente demais.

Por isso, Impedindo que ela continuasse a colocar ideias mal- intencionadas em minha cabeça, a beijei com mais força, ao mesmo tempo em que evitava que meus quadris se impulsionassem para frente.

Eu não estava mentindo, estava sedento por ela, e quando a possuísse outra vez, seria por muito tempo, com muita força e vontade.

Porém eu tinha algo a resolver e aproveitaria o tempo que sua família estivesse em nossa casa para que eles a distraíssem por mim.

— Edward... Seu, seu... filho de uma mãe... boa...

Lamuriou alto, quando abruptamente a soltei e me levantei.

Gargalhei alto de sua tentativa de xingamento.

Sair da cama no melhor do beijo fora minha melhor estratégia senão eu ficaria ali o restante de minha vida.

— Banho, princesa. Banho...

Antes de fechar a porta, ouvi seu gemido de desgosto e algo se chocando a parede.

— Não quebre os cremes de hidratação, princesa. Ou teremos que ir até a França fazer umas comprinhas.

— Babaca! Você está me distraindo de propósito. Temos muito que conversar a respeito das revelações de ontem.

— Haverá muito tempo para isso, minha rainha. Aproveite sua família agora, porque quando eu voltar é bom você estar muito, muito tensa.

— Edward!!!

Gargalhei de novo.

Era isso, por Bella, por meus bebês, eu não deixaria que papai estragasse nossas vidas. Minha família merecia isso e eu os daria.

Eu não fora a primeira opção dele, porém o mostraria que ser rei para um Cullen é coisa de genética.

Prometi a mim mesmo ali, que seria melhor que meu pai.

Bella

— Aonde vai?

Perguntei, agora bem desperta depois do meu momento “acordar deliciosamente”, a qual Edward me proporcionara.

— Vou até a casa grande, quero falar com meus pais.

— Vou com você.

Sentei-me pronta para segui-lo ou segura-lo em casa. Eu queria um momento de paz e sabia que Edward perderia o controle se voltasse a falar com o pai.

— Ei, ei, não se preocupe. Prometo que só vou conversar. Quero saber mais detalhes dessas tradições. Não se preocupe, estarei em casa antes que sinta minha falta.

Busquei mentira em seus olhos, mas, graças a Deus, não encontrei. Ele parecia até sereno.

— Impossível não sentir sua falta. Estamos ficando mal-acostumados.

Alisei a barriga, constatando que... Humm! Estávamos com fome.

— Porque você não dorme mais um pouco para descansar? E quando acordar já estarei aqui.

— É uma boa ideia e só vou...

— Isabella Swan, saia desse quarto e venha para a piscina, quero aproveitar o sol e sua afilhada está louca para curtir você, sua madrinha desnaturada.

Antes que eu me rendesse à ideia de mais alguns minutos de sono, Rosie, literalmente, socou a porta de nosso quarto, enquanto gritava a todos os pulmões.

Eu esperava mesmo que Lizzye não estivesse nos braços dela, caso contrária à pobrezinha ficaria surda logo, logo.

— Ah, Rosie, vá embora! Sou uma futura rainha e estou grávida tenho direito a sonos de beleza.

— Sonos sim, sexo escandaloso não, cunhadinha. Aposto que até Forkian ouviu seus gritos.

— Ah, Deus!

Gemi escondendo o rosto entre as mãos. Se Emmett não estivesse exagerando, como eu olharia para meu pai o restante do fim de semana?

— Deixe que eu sumo com eles daqui. Tome um banho e vá se encontrar com eles, ou é bem capaz de arrebentarem com nossa porta.

Acenei afirmativamente para Edward, que antes de sair, se inclinou, beijou minha testa, logo depois se colocou em um joelho e acariciou e beijou minha barriga de uma ponta a outra, saldando os filhos com suaves “bons dias”.

Eu amava quando ele os idolatrava assim.

— Rosie, Bella está tomando banho e já, já se juntará a vocês. Porém, ela está com vontade de comer bolo de chocolate, será que você pedir a Donna que providencie isso para nós?

Ouvi o pequeno diálogo deles por detrás da porta enquanto me levantava e rumava para o banheiro.

— Claro que posso, não podemos deixar que meus sobrinhos se privem de algo tão banal e...

O som dos saltos dela, no piso de madeira, se distanciaram e foi a deixa para que eu fosse cuidar de meu banho.

Edward conseguira afasta-los.

— Hora de enfrentar a vida, Isabella. Ninguém vive só de amor.

Resmunguei para meu reflexo no espelho.

Meus cabelos, uma confusão de nós e embaraço. Meu rosto vermelho e inchado de tanto dormir.

Eu estava um verdadeiro caos.

— Então vamos lá.

Encarei a banheira por alguns segundos quase me rendendo, porém o ronco alto de minha barriga me fez repensar.

— Tá bom, amores. Mamãe já entendeu. Nada de banho demorado. É ducha mesmo porque estamos famintos hoje.

Voltei-me para o outro lado do banheiro e já ia entrar no box, quando o barulho da porta do quarto se fechando tomou minha atenção, me fazendo voltar para lá.

— Esqueceu alguma coisa, amor? Eu já estava...

Parei minha frase ao meio, quando percebi que não era Edward de volta ao quarto.

— Alice? O que faz aqui?

Perguntei com estranheza ao vê-la atravessar o quarto e se sentar, confortavelmente, em minha cama.

— Quero falar com você.

— Tem que ser agora? Eu estava indo tomar banho e Rosie este me esperando para tomarmos café.

— Tem que ser agora. Sente-se.

Mandou.

— Estou bem de pé.

Respondi altiva. Em minha casa não.

Se ela achava que faria um de seus shows e que eu ficaria quieta estava redondamente enganada. Estávamos em minha zona de conforto e eu mandava ali.

Pouco me importava se ela estava um verdadeiro estrago: olhos inchados e vermelhos, roupas amassadas e cabelos desgrenhados.

Se ela plantasse confusão, colheria tempestade.

— O que quer, Alice?

Perguntei quando, depois de alguns minutos, ela permaneceu em silêncio, somente me encarando.

— Quero que peça a Edward que desista da coroa?

— Como é que é?

Aproximei-me mais, porque temi não ter ouvido direito.

— Vocês nunca quiseram ser reis. Não foram preparados para isso, nem saberão como fazer. Diferente de mim e Jasper, que demos nossas vidas em prol dessa causa.

— Acho que você não entendeu os detalhes da tradição. Não podemos declinar do trono. Seremos cassados e executados, Alice.

Pousei as mãos no ventre, tentando ao máximo não pensar em riscos para meus filhos.

— Peçam asilo para papai e Emmett. Eles entrariam em guerra por vocês, nunca deixariam que nada de ruim acontecesse.

— Você está louca, só pode. Alice. Não vamos viver como foragidos. Foi-nos concedida uma missão e cumpriremos com ela.

Mal minhas palavras saíram da boca e pude perceber que era causa perdida tentar dialogar, uma fúria inenarrável tomou conta dela. Tanto que se colocou de pé e veio em minha direção, ameaçadoramente.

— Ah! Poupe-me de palavras bonitas, Isabella! Pare de bancar a boazinha. Não precisa fazer esse teatrinho, estamos sozinhas aqui e nós duas sabemos que você está felicíssima com essa possibilidade de ser rainha. Porém, lamento te dizer que, você fracassará. Não sabe nada sobre isso e desapontará seu marido e seu povo. Será a vergonha de nossa família e...

— Cale-se!

Gritei, sentindo também a fúria me dominar.

— Cale-se e saia daqui. Saia da minha casa. Coloque essa sua empáfia e esse seu amargor a, pelo menos, dois quilômetros de distância.

Dei dois passos em direção a ela e lhe apontei o dedo indicador.

— O que te faz pensar que não serei boa rainha? A falta de treinamento para me sentar e levantar na presença de nobres? Ou, pode ser a incapacidade de me calar quando meu marido, simplesmente, me humilha perante os outros?

Fui cruel ao citar Jasper e sua má conduta, mas, ela mereceu.

— Não, Alice, você está enganada. Serei uma ótima rainha, porque o povo me ama, meu marido é incrível e me ajudará quando eu precisar. E além do mais, terei vovó Marie, vovó Elizabeth, Rósalie, mamãe e Esme ao meu lado. Essas rainhas fantásticas estão boas para você? Ou terei que desenhar?

— Você não sabe o que está dizendo. Não foi preparada para isso. Eu fui. Rósalie foi. Esse lugar deveria ser meu, você está usurpando.

Ela também gritava a plenos pulmões, tão próximo que o dedo tocava meu peito.

— Esperarei, pacientemente, o dia que engolira suas palavras, irmã. Não preciso da sua aprovação. Serei rainha porque o destino quis assim e serei a melhor rainha que Ângelus já teve. Agora saia daqui e não volte mais, nunca mais.

— Ora sua...

Ela ia replicar minhas palavras, ou me bater, sabe-se lá...

Só sei que no exato instante Zafrina e Stephan abriram a porta e adentraram o quarto.

Respirei muito aliviada. Eu não tinha medo de entrar numa briga com ela, Emmett me ensinara a me defender de Leah e podia muito bem usar as técnicas com ela, porém, colocar meus filhos e a filha dela em risco, não era uma alternativa.

— Zafrina, acompanhe a princesa até a saída e avise a todos que a entrada dela está proibida em minha casa e em meu hospital.

Frisei o “meu” e “minha” para que ela entendesse que eu não estava para brincadeira.

— Você ouviu a futura rainha.

Stephan provocou apontando o dedo em direção à porta.

— Você não sabe se defender? Precisa dos cães de guarda até dentro do quarto?

— Privilégios de uma futura rainha, além disso, não posso fazer nada se seus seguranças são incompetentes. Agora saia!

Olhei intensamente para Stephan que logo se aproximou dela, mas não a tocou, só impôs sua presença.

— Estávamos te monitorando desde que cruzou os jardins e entrou pela cozinha. Só não interferimos antes porque, até então, não colocava a rainha e os bebês em risco. Mas, agora isso mudou, então queria acompanhar Zafrina e faremos de sua saída algo tranquilo. Ou podemos mandar chamar o restante da segurança, seu pai, seu sogro, sua avó, o cavalo de Bella, o cachorro... Então como vai ser?

Stephan foi sarcástico, porém não havia um pingo de humor em sua face. Ele estava centrado e muito ciente do que fazia.

— Quando o mundo despencar por cima de sua cabeça, não venha pedir socorro, Isabella. Vou amar dizer que "te avisei”.

— Quando o mundo desabar por sobre minha cabeça, pedirei conselhos a seu marido, porque tenho certeza de que ele virá a mim de muito bom grado.

Ela já estava saindo, porém se virou e me olhou com ódio quando, cruelmente, usei dos sentimentos de Jasper por mim para feri-la.

Mas, como veio o olhar sumiu, para logo depois o arrependimento lhe dominar.

— Bella, por favor...

Essa era Alice, ela falava primeiro e pensava depois. O problema é que eu já estava calejada disso.

— Não me venha com esse “Bella”, acabou, Alice. Ou você se comporta e controla sua língua ou teremos muitos problemas, porque não aceitarei mais seus insultos. E isso não tem nada haver com ser rainha e sim com ser sua irmã. Sempre estive solicita a você, e quando não lhe convém me trata do jeito que bem entende, mas isso acabou. Agora suma daqui de uma vez, que já perdi um tempo precioso com minha família, por sua culpa.

E dessa vez, sem retrucar, ela abaixou a cabeça e saiu. Não que eu gostasse de destratar as pessoas, mas nem tanto aguentar desaforos.

Sou boa, não boba.

— Que Edward não a escute falar assim de Jasper. Nunca! Pelo amor de Deus, princesa, não precisamos de mais problemas.

Brincou Stephan quando Zafrina e ela desapareceram porta a fora.

— Eu estava provocando, seu idiota. Só de pensar em Jasper assim já me dá ânsia de vômito. Amo meu marido, esqueceu? Eu só quis ferir Alice. Estou cansada de ela falar o que quer e eu ficar calada. A partir de hoje não será mais assim.

— Até que enfim, achei que fosse bancar a boa samaritana para sempre. Esse papel não fica nada bom em você. Prefiro o de médica gostosa.

Sem timidez alguma, Stephan atravessou o quarto e se deitou na cama.

— Ei! Levante-se daí! Esse lugar é sagrado.

— Ah, não. Vá tomar seu banho. Só saio daqui quando escolta-la até sua família. É meu trabalho e farei isso direito. Enquanto isso, aproveito o bom que a vida tem a me oferecer.

Segurei uma risada.

O que Edward faria se o pegasse deitado em nossa cama?

— Tá bom, pode ficar, mas saiba que Edward e eu nos amamos mais de quatro vezes essa noite e que esses lençóis ainda não foram trocados.

— Eca, Isabella!

Gargalhei indo para o banheiro. Stephan já estava de pé a caminho da poltrona perto da janela. Pelo menos ele saira da cama.

Agora tira-lo do quarto já era outra coisa e tenho certeza de que não conseguiria.

Afinal, ele era o melhor em nos proteger. Graças a Deus!

Edward

— Ei, garoto. Aonde vai com tanta pressa?

Fui parado por Charlie, que estava na varanda de fora de nossa casa, encarando com cara de poucos amigos, o caminho que levava a casa de meus pais.

— Oh, bom dia, Charlie. Desculpe minha falta de atenção. Vou falar com Carlisle e quanto antes acontecer isso, mais tempo terei para ficar com vocês hoje.

— Hum!

Ele alisou a bigode, me observando de um jeito desconfortável. Eu podia jurar que ela podia ler meus pensamentos, meu íntimo.

— Também vou falar com ele, mas preciso me acalmar antes. Senão é bem capaz de cometer um assassinato.

De jeito maneira eu contaria a ele o jeito delicioso que me acalmei ainda a pouco, eu não queria ser seu segundo alvo de um crime.

— É uma boa ideia. Por isso deixei para falar hoje. Uma boa noite de sono me fez pensar bem no que preciso fazer.

— Certo.

Charlie então, tirou os olhos de mim e voltou a olhar para as árvores que ladeavam nossa casa, mas eu podia jurar que ele nada via, sua mente parecia estar a quilômetros e quilômetros de distância.

— Sabe, filho, quando assumi o reino eu era recém-casado e Rósalie apenas um bebê, depois vieram Alice e Isabella e meu tempo com elas sempre foi restrito. Creio que com seu pai, as coisas não tenham sido diferentes e eu não estou o defendendo, porque só Deus sabe, como estou me segurando para não enforca-lo na praça pública de Forkian. Porém, se não me engano, logo que Emmett nasceu ele assumiu o trono.

Devagar ele voltou sua atenção para mim, os olhos castanhos intensos, iguais os de minha mulher e que eu conhecia tão bem, cheios de significados e palavras não ditas.

— O poder é seu, Edward. Tome controle da situação, sem deixar que ela controle de você.

Sem me conter, me coloquei em um joelho e fiz uma mesura para ele.

Ele me ensinara em silêncio, mais uma vez.

— Obrigado, meu rei. Eu farei o certo. Agora se me permite, preciso resolver uma situação.

Ele sorriu. Sorriu como quase nunca alguém via Charlie sorrir.

— Ângelus e Forkian ficarão bem. Emmett e você serão muito melhores que seu pai e eu. Vocês entendem rápido.

— Nós tentaremos, meu rei. Nós tentaremos... Agora, porque você não aproveita minha ausência para mimar Bella e seus netos? Ela deve estar na beira da piscina neste momento. E se alguém não ficar a controlando não se alimenta direito. Pode me ajudar com isso hoje, por favor?

Ele voltou a sorrir brilhantemente e me deu as costas já a caminho do interior de casa.

Bella não era só o meu melhor jeito de me acalmar, era o de Charlie também. E eu daria esse presente a ele, antes de sua conversa final com meu pai.

— Edward, o carro.

Antes que eu tivesse mais tempo para pensar em minha esposa e meu sogro, Sam parou o carro a meu lado.

Eu nem estava pensando em usa-lo, ia só a casa de meus pais, dava para ir a pé, mas, quanto mais rápido fosse, mais rápido voltaria.

— Obrigado, Sam. Mas não precisa me acompanhar. Só vou até o palácio. Já estarei de volta.

— Certo.

Sem esperar, ele saiu do Volvo, deu a volta e me entregou as chaves.

— Stephan e eu demos folga a parte de sua equipe de segurança, já que a guarda de Forkian está aqui. Gostaríamos que resevasse um tempo, assim que puder, para que pudéssemos conversar. Stephan e eu achamos que é melhor separar sua equipe e a da princesa da guarda real de seu pai. Não sei o que deu em Stephan, mas ele está muito preocupado.

Volturi’s, era isso que havia dado em Stephan.

Ele estava pensando antecipadamente. Logo que vazasse sobre o reinado ser meu e de Bella as coisas ficariam mais complicadas e perigosas ainda, eu podia prever.

— Tudo bem, Sam. Segunda de manhã, assim que Stephan deixar Bella no hospital, vocês terão o tempo que precisarem comigo. Enquanto isso, não baixe a guarda. Bella pode não querer você perto dela, mas eu quero, mesmo que seja disfarçadamente.

— Sim, senhor.

Sem mais delongas, adentrei o carro e o coloquei em movimento.

Eu tentava não pensar em mais perigos agora, eu precisava resolver uma coisa de cada vez, ou enlouqueceria.

— Calma, Edward. Calma...

Murmurei, segundos depois quando estacionava, na parte da frente do lugar que sempre chamei de casa.

Ah, como eu estava enganado.

Casa era qualquer lugar onde Isabella e meus filhos estivessem.

— Bom dia, querido.

— Bom dia, Chay. O rei está?

A beijei no rosto assim que fui recebido.

— Estamos aqui, filho. Estávamos te esperando.

Chay se afastou me dando visão de minha mãe.

Esme estava serena e parecia imensamente feliz em me ver, pois abriu os braços para receber meu abraço.

— Oi mãe, você está linda.

A abracei com força deixando que cheiro dela inundasse meus sentidos.

— E você está feliz. Isso é bom.

Alisei os cabelos dela.

— Eu estou feliz.

— Eu também.

Era verdade. Era quase palpável o quanto Esme trasbordava felicidade por saber que Bella e eu seríamos os reis.

— Creio que tenha vindo falar comigo. Podemos ir até o escritório?

Soltei-me de Esme e observei Carlisle, de pé, perto da escada.

Ele estava um caco e parecia não ter dormido, pois o rosto estava amassado e o cabelo bagunçado.

Bem feito.

— Nossa conversa será curta, pai. Posso falar daqui mesmo.

Ele assentiu, sem reclamar. Seus olhos não me deixaram, nem por um minuto.

— Tudo bem. Creio que queria falar do prazo que tenho para me mudar do palácio. Para quando quer o trono? Um mês, dois meses? Menos que isso é impossível. Os trâmites são muitos.

Sem me conter abri meu maior sorriso.

— Sabe, pai, nunca pensei no quanto maravilhoso seria vê-lo amedrontado. Você está aí nessa postura de forte, mas seus olhos não mentem. Está apavorado de medo do que lhe aguarda não é?

— Não precisamos de mais gritos, Edward. Você me mandou fazer as malas e estou pronto para isso só me diga quando.

Apertei os dedos de Esme nos meus. Mesmo que meus instintos e minha ideia original o mandassem sair imediatamente, eu tinha repensado. Charlie havia me feito repensar.

— Bom, papai, lamento muito te decepcionar. Porém, não estou aqui para expulsa-lo, ainda.

Carlisle soltou a respiração, que nem eu havia percebido que ele prendia. E ameaçou sorrir.

Ah, que dó dele!

— Então, o que pensa fazer? Quando quer assumir o reino?

Foi minha vez de sorrir. Era agora...

— Eu ainda não sei, pai. Sou recém-casado, minha mulher está grávida de nossos primeiros filhos, acho que desperdiçar um momento desses seria imperdoável. Então, eis que vou aproveitar esses momentos primeiro.

Dessa vez ele não segurou, o sorriso presunçoso se mostrou de ponta a ponta no rosto.

Era como se dissesse: “Você é fraco, Edward! Deixa-se dominar pelo sentimentalismo. Patético”!

— É uma boa decisão. Tomarei conta do seu reino para você até que esteja pronto.

Mentiu com deboche.

— Filho, pense bem, você...

— Não, mãe.

Esme tentou intervir. Eu podia entender a apreensão dela, aquela decisão ia de acordo a todas as ideais absurdas que meu pai tinha a meu respeito.

— Eu já pensei. Quero ser um marido e pai em tempo integral. Quero buscar Bella no trabalho, segurar sua mão quando chegar a hora do parto. Quero ver meus filhos gungunarem e falarem as primeiras palavras, quero vê-los se arrastando e dando os primeiros passos. Quero os levar na escola e busca-los. Quero ser o primeiro a dar-lhes a mão quando levarem o primeiro tombo de bicicleta. Quero estar ali para eles.

Voltei a encarar Carlisle absorvendo com prazer o quanto aquelas palavras o afetavam.

— Quero ser o marido, o pai e o rei da qual possa me orgulhar. Por isso, tenho que escolher minhas prioridades. Por isso...

Afastei-me de Esme e me aproximei de Carlisle, o encarando de frente.

— Você continuará sendo rei, papai. Continuará com todas as regalias, até esse palácio continuará sendo seu. Minha esposa ama nossa casa. Você continuará representando a coroa aqui e no mundo...

Carlisle me encarava com atenção.

— Porém, tudo isso não passará de uma fachada. O reino é meu, o trono é meu. Você se reportará a mim. Todas as maiores decisões serão consultadas, a mim primeiro. Terei total poder em qualquer situação seja de aceitação ou de veto.

A incredulidade ia tomando conta dele a medida que a docilidade daquelas palavras iam tomando conta de meu rosto, transformando-o em um sorriso.

— Você será somente um enfeite, papai, para as situações mais chatas: viagens, festas, encontros e jantares fúteis. Porque são esses momentos que estarei aproveitando com minha família. Sei que mamãe também quer partilhar disso conosco, então a libero de suas funções de rainha. Podemos inventar que ela está aproveitando seu momento avó. Agora você não, nunca foi bom pai, não terá a oportunidade de ser bom avô. Esse privilégio será todo de Charlie. Meus filhos o amarão com tudo que tem, eu garantirei isso.

— O reino, o trono será meu castigo pelos meus erros, filho?

Sem que eu esperasse uma lágrima grossa escorreu dos olhos de Carlisle.

Porém, eu não me comoveria. Já estava calejado de suas farsas.

— Não, pai. O reino e o trono são os prêmios, tudo o que senhor sempre quis e quis para Jasper. A solidão e a submissão a mim é que serão os castigos.

— Esme, diga a ele para repensar. Edward só ouve a você. Não posso me submeter a meu próprio filho.

Virei-me para Esme e fui até ela quando me estendeu a mão.

— Posso almoçar com vocês, meu rei? Estou louca para mostrar a minha rainha as ideias que tenho para os quartos dos bebês.

Entrelacei os dedos aos de minha mãe, e juntos, demos as costas a Carlisle e saímos para ir de encontro a minha família.

Carlisle que se virasse com sua solidão e seus demônios. Porque a situação agora estava em minhas mãos.

Eu era o rei.

Notas finais
Edward e Bella são demais? Não são?