Notas iniciais
Prontas? Então vamos lá... Respirem fundo e peguem a pipoca.

Um ano depois do resgate

Bella

— “Sucção”... Isso! Devagar, bem devagar. Agora pare...

— Hum! Voltou com tudo, ein, doutora Cullen?

— Já faz dois meses, Jake.

Conferi o monitor me certificando de que a pressão intracraniana e os batimentos cardíacos, do garotinho lindo que eu operava, estavam sobe controle.

Bom, muito bom!

— Os “monstrinhos” estão reagindo melhores as suas escapadas? Porque se não estiverem, minha proposta de estudarmos aquelas cabecinha loiras, ainda está de pé.

Respeitando minha equipe, porém louca de vontade de dizer a ele que “monstrinhos” eram os filhos da mãe dele, respirei fundo e levei na brincadeira também.

— Doutor Thomas, me faça um favor?

— Claro que sim doutora, o que a senhora quiser.

O coitado do residente prestativo e louco para agradar a chefe da neuropediatria, me sorriu com todos os seus dentes brilhantes e bem alinhados.

— Enfie o bisturi elétrico bem no pescoço do doutor Black, de um jeito bem preciso que atinja de um golpe só a carótida e as cordas vocais. Tornando-o assim o “mudo mais morto de todo o século”.

O subordinado arregalou os olhos e virou a cabeça num vai e vem frenético entre Jacob, o equipamento e eu, na dúvida se atendia ou não as minhas ordens.

A sala explodiu em gargalhadas.

— “Doutrora bonitona, mãe e casada, 1. Doutor babaca, bombado e morrendo de ciúmes do meu posto e de Emmett, 0”.

Brincou Stephan da galeria. Que nunca perderia uma oportunidade dessas. Importunar Jacob era seu terceiro melhor momento do dia. Só perdia para seus momentos com os meninos e também irritar o pai deles.

Mais risadas foram ouvidas.

— Preciso me lembrar de reclamar na diretoria sobre a presença de “qualquer um” na galeria.

Apontou para Stephan que retribuiu com um gesto obsceno feito com o dedo do meio.

Crianças!

Andrew e Liam são mais maduros que esses dois.

— Concentre-se, Black. Chegamos à melhor parte. Stephan, desligue o interfone.

Dei espaço para que Jacob se aproximasse e tivesse melhor visão geral. Era nessa hora que a firmeza das mãos dele era conduzida pela delicadeza e precisão das minhas.

— Tem um tempinho hoje? Quero que saiba de uma coisa e quero que seja por mim.

Falou baixo evitando ao máximo que os outros ouvissem.

— É sério ou pode esperar semana que vem? Há essa hora já deve ter uma maquiadora e uma cabeleireira me esperando em minha sala.

— Ah! É verdade. Como pude me esquecer? O evento é hoje. Você vai direto daqui?

Acenei em concordância.

— Está bem com isso?

Eu estava?

Exatamente um ano depois de meu sequestro e eu ainda não me sentia pronta para reviver tudo aquilo.

Óbvio, que vez ou outra, comentava com Edward o que se passara naquele inferno, mas nada tão aprofundado. O assunto ainda o deixava perturbado e culpado.

Porém, hoje, graças à data marcante, fora escolhido como o dia de homenagear a Peter e sua equipe que participaram ativamente e com sucesso de meu resgate.

— Estou tranquila. Confesso que não seja algo na qual anseio, contudo não me assusta mais. Tenho mais motivos para comemorar essa data do que lamentar.

Sorri abertamente... Ele me imitou.

— É verdade. Vi alguns vídeos na internet. A festa “bombou”. Tenho certeza de que as outras crianças nunca se esquecerão.

Vídeos... Internet... A festa...

Pois é, meus filhos estavam fazendo um aninho e nossas famílias queriam, porque queriam, uma grande celebração.

Só que Edward e eu, contrariando-os totalmente, chegamos à conclusão de que não era essa a visão que pretendíamos que Andrew e Liam tivessem de aniversários: luxo, exposição, presentes em excesso, grandeza...

Por isso, optamos por uma “festinha simples” lá na fazenda de vovó Marie. Somente como nossa família: nossos pais, irmãos, cunhados, sobrinhos e padrinhos dos meninos.

E então um final de semana depois, para não deixar que a data “passasse em branco” para “nossos súditos e o povo”, que amavam nossos filhos e não faziam questão de esconder isso. A imprensa, que só especulava sobre o assunto. E também para dar um exemplo social a todos, resolvemos organizar uma grande festa, com direito a tudo e um pouco mais, em um abrigo para crianças resgatadas de abusos físicos e psicológicos.

Um dos tantos de responsabilidade de minha sogra e que eu já começava a me familiarizar.

Foi um sonho!

As crianças ficaram atônitas quando chegamos com inúmeros pacotes de presentes, que os meninos também haviam ganhado em excesso e que também doamos. Nunca vi tantos olhinhos brilhando ao mesmo tempo.

Valeu cada discussão com papai, Rosie e Alice. Eles não entendiam, mas era assim que queríamos nossos filhos: humildes, amáveis, compartilhadores e solidários.

E depois de tudo isso, e de um dia inteiro de felicidade no abrigo, a internet estava cheia de vídeos de minha família e eu interagindo, rindo e brincando.

Como segurar e cercar cada funcionário e colaborador e seus celulares de última geração? Stephan, Benjamin e Zafrina bem que tentaram. Mas... Falharam miseravelmente.

— Foi perfeito, Jake. Os meninos se divertiram tanto. Andrew queria, a todo custo, morder o nariz do palhaço.

Sorri com a lembrança.

Liam teve receio dos personagens, se segurou em Edward e só depois de muito tempo e conversa se acostumou.

Agora, o irmão... Deus! Ele era traquina e me daria muito trabalho.

— Eles estão formando frases, Bella. Você tem noção disso? Eles têm um ano.

Cochichou baixo e calmo. Estávamos rodeados de pessoas que, educadamente, faziam de conta que não nos ouviam. E, por enquanto, esse era um segredo que eu queria resguardar.

— Eu sei. Edward está assustado e admirado ao mesmo tempo.

— Eu também estaria, sua nerd.

— Isso porque são molengas. Papai, mamãe e eu não achamos nada demais.

Dei de ombros e mordi os lábios reprimindo a grande risada que queria sair.

— Ah, Isabella...

Superdotados... Se um não bastasse, Deus me deu dois...

No começo foi tudo muito sutil. Charlie foi o primeiro a identificar os sinais, porém, como estava extasiado com os meninos achamos que era “coisa de avô babão” achar que eles faziam coisas extraordinárias demais para sua idade.

Todavia, com o passar dos dias notamos que algo estava mesmo fora do comum. Duplamente fora do comum.

Com poucos dias de nascimento, percebemos que eles eram observadores demais. Prestavam atenção em coisas e até quando falávamos, era como se entendessem.

Teve uma vez que Liam chorava copiosamente, sem motivo. Então, Edward olhou bem para ele e o mandou parar, dizendo-o que estava desestabilizando a mamãe, pois, é bem verdade, eu já estava mesmo a ponto de ligar para Jacob.

“Foi com desligar da tomada” em segundos ele não chorava mais e me olhava atento como se pedisse desculpas.

Depois, com mais ou menos um mês de nascimento, notamos que seguiam objetos e pessoas. E que começaram a sorrir para nossas gracinhas, fazer barulhinhos encantadores com a boca e até mesmo os choros se tornaram mais fortes e agudos.

Com dois meses a certeza de que eram mais espertos do que imaginávamos ganhou força quando Andrew se deu conta de que quando estava com fome era só chorar ou abrir a boca em direção a meu peito. Foi uma loucura, a todo o momento o menino queria mamar.

No terceiro mês, para nosso espanto, eles sentaram sozinhos e começaram a balbuciar sílabas soltas.

Andrew se entretinha com seus “ba, ba, ba”. Já Liam, era “bu, bu, bu”.

Foram tantas mãos na boca e tanta baba que Tia teve que trocar mais camisetas do que jamais havia feito.

Nessa fase os levamos a Jacob, eu sabia que estava tudo bem. Mas, Edward precisava de uma opinião de fora. Lembro-me, como se fosse hoje, das palavras de meu amigo:

— Não há nada acontecendo aqui, Edward. Pode ficar tranquilo. Você tem a melhor em casa. Seus filhos só herdaram algo incrível da mãe deles. Se prepare porque tudo será muito intenso e prematuro na vida de vocês.

Mas, meu marido não estava preparado para tanto...

— Edward está mais calmo agora?

— Eu não diria calmo. Diria que está se acostumando.

Aliás, “acostumando” era uma palavra comum para a família de meu marido.

Esme e Carlisle quase tiveram uma síncope quando, com cinco meses, Liam resolveu que poderia sair engatinhando pela sala.

Meu caçula, queria um mordedor em forma de coelho que estava do outro lado do cômodo, e meus sogros estavam entretidos em uma conversa e não perceberam que ele esticava a mãozinha em direção ao objeto e “gungunava” um “dá, dá” irritado por não ser atendido. Os dentes estavam coçando e o objeto era o alívio imediato.

Então, sem mais nem menos, ele forçou o corpinho para frente, firmou o peso nos joelhos e foi em busca do que queria.

Dois dias depois, Andrew fez o mesmo.

Foi nesta fase que Jacob, precocemente, nos mandou introduzir comida sólida a alimentação deles. Somente o leite não seria capaz de sustentar o esforço físico que já faziam.

A esperteza não tinha fim. Engana-los? Rá! Impossível!

Numa noite Tia os deitou, no tapete da sala de televisão, e pegou um livro para que se distraíssem com as figuras.

Foi com grande assombro que ela testemunhou Andrew fecha-lo e apontar para um que estava em cima do sofá, “Os músicos de Bremen”. Edward havia lido-o para eles na noite anterior e meus garotos se derreteram e deram altas gargalhadas quando o pai fazia, com a boca e o corpo, o barulho dos animais da história.

Andrew se lembrou, e queria que ela fizesse o mesmo.

Daquela noite em diante, aquela história era exigida sempre antes de os colocarmos para dormir.

Deus! Eles só tinham seis meses e já se achavam no direito de querer alguma coisa.

Boa memória era outra característica.

— E como anda as traquinagens?

Revirei os olhos. Stephan voltou a gargalhar da galeria.

Padrinhos tem mesmo a mania de achar tudo bonitinho? Ou fui eu é que escolhi muito errado?

— Cada vez piores. Se com sete meses Liam derramou um vidro de xampu no tapete da sala e depois esfregou na cabeça do irmão. Imagina agora que já sabe que se coloca-lo na água da banheira faz bolhas? Jake você não tem noção.

Sim, eles eram sapecas, os meus sapecas.

E foi com oito meses que senti todo o meu amor quadriplicar de tamanho.

Era de madrugada e eu estava exausta, pois os dois estavam “gripadinhos” e só queriam a mim. Até papai veio de Forkian para ver se dividia um pouco o querer deles, mas foi impossível.

Só então fui capaz de entender o significado da frase “filho doente é de mãe”, Somente meus braços é que pareciam aliviar um pouco o enjoo deles por causa dos sintomas da doença.

Tudo se tornou um caos e no fim da noite eu estava um caco, com dores na coluna, nos braços e custando a me manter de pé de tão cansada.

O pior era ainda ter que presenciar Edward se martirizar por não conseguir me ajudar como queria. Que culpa ele tinha se os meninos só queriam a mim?

Enfim, já no auge da noite, os coloquei para dormir e fui fazer o mesmo. Tia estava conosco e cuidaria de tudo caso acordassem.

Porém, “lá pelas tantas”, ouvimos os dois choros pela baba eletrônica. Eu já estava forçando meu subconsciente a acordar para ir até o quarto, quando Edward me segurou e me disse para dormir que ele cuidaria de tudo.

Oh dó!

Ele bem que tentou, no entanto, dois minutos depois de um pranto constante Andrew começou a soluçar e a repetir “mamã, mamã”... Em questão de segundos o “mã, mã, mamã”... De Liam também invadiu meu ouvidos. Em instantes eu os tinha em meus braços.

Edward brinca que não sabe quem chorou mais naquela noite, eles ou eu.

Depois disso foi tudo muito rápido. Eles assimilaram que se falassem aquela palavra constantemente eu apareceria.

Então era “mã e mamã” o tempo inteiro.

— A casa não tem tristeza, não é?

— Não, não tem.

Jacob soltou meus dedos para que eu pudesse terminar minha parte. Sua mente parecia a quilômetros e quilômetros de distancia.

Com nove meses Emmett os chamava de “pequenos papagaios” eles repetiam tudo que ouviam, a sua maneira, óbvio.

Tinham a curiosidade aguçada e montavam e desmontavam certinhos quebra cabeças de até oito peças. Apresentavam uma facilidade em aprender que até assustava.

O décimo mês foi o preferido de Edward, até o momento.

Numa tarde quando chegava do trabalho já no crepúsculo, quando abriu a porta e afrouxava a gravata, Liam nos surpreendeu ao se colocar de pé e ir ao encontro dele com as mãozinhas esticadas e dizendo “papa, papai”.

"Mamã", pode ter sido o primeiro ensaio de palavra, mas “papai”, foi a primeira palavra correta. Meu marido se derreteu de amores.

Andrew também andou sozinho mais tarde, porém não disse papai. Ele olhava para Edward, se dirigia a ele, mas nada de dizer papai. Ou dizia Ed ou o chamava de mamã, também. O que gerou um monte de piadinhas de Stephan e Emmett.

Com onze meses o auge das piadinhas, do amigo e do irmão, e a teimosia de Andrew atingiram seu limite. Fora aí que tivemos ciência da capacidade, da obstinação e do gênio de nosso pequeno.

Era bem cedo ainda, Liam já havia descido com Tia e Andrew estava em nossa cama brincando com a pomada para assadura, enquanto eu buscava uma roupa para ele no quarto deles.

Edward lia o jornal, distraidamente, na mesinha de café, na varanda do nosso quarto. Foi quando ouviu nosso filho brincando sozinho e falando “papai, papai... papai”.

Até me assustei quando cheguei ao quarto e o descobri na porta, me mandando fazer silêncio, com gestos, e ouvir.

Nosso pequeno falava e gargalhava sozinho, parecia testar e cantar a palavra com tanto gosto, que emocionava.

Todavia, o mais surpreendente veio logo em seguida, me lembro como se fosse hoje...

Lembranças on

— “Papai, papai... Papai”.

Andrew esticava a pomada acima dos braços e a olhava com atenção. Depois mordia o frasco e voltava a repetir as palavras.

Os dentes detrás estavam nascendo o que deixava ele e o irmão, mais irritados que o normal.

— Ele está falando, Bella.

Sorri orgulhosa e apertei seus dedos nos meus incentivando-o a ir até nosso filho.

Ele não perdeu tempo.

— Ah, campeão. Que lindo! Você falou papai, filho. Parabéns! Fala de novo para a mamãe ouvir.

Imediatamente Andrew se deu por nossa presença, jogou a pomada para o lado, encarou o pai com aqueles olhos tão idênticos para logo depois abrir seu maior sorriso, desviar os olhos para mim e dizer “mamãe”. E nada o fez repetir o que Edward tanto queria ouvir e exibir a nossa família.

Foi impossível não morder aquela barriga gostosa e gargalhar de um Edward emburrado.

Tal pai, tal filho.

Lembranças off

Só agora, preste há fazer um ano, foi que presenteou o pai com a palavra tão sonhada.

Stephan e Emmett estavam brincando com Liam tentando que ele dissesse “papai feio”, o que graças a Deus ele se recusou.

Andrew estava com Rosie e perto de Annie e Lizzie, quando interrompeu a brincadeira deles dizendo “papai monito”.

Foi um espanto.

Edward saiu correndo com ele nos braços, comemorando como se nossa seleção tivesse feito o gol da vitória na final da copa do mundo.

Andrew se divertiu tanto com os pulos e gritos do pai que nunca mais parou de chamá-lo.

— Foi um ano intenso, Jake. Eles crescem a olhos vistos. Agora entendo melhor o que papai e mamãe sentiram.

— Imagino. Vão coloca-los na escola?

Olhei mais uma vez a tela que monitorava os sinais vitais e me dei por satisfeita. Tudo estava como deveria estar.

— Ainda não. Edward e eu chegamos à conclusão de que deixaremos que sejam crianças enquanto pudermos. Quando os colocarmos na escola vai ser uma loucura de avanços e crescimento a força. Sei bem o que é isso. Então, vamos retardar enquanto pudermos. Talvez em dois anos. Acabamos...

Respirei fundo a soltei os instrumentos, ao mesmo tempo em que ouvia alguém batendo nos vidro da galeria lotada: Edward acabara de chegar, Stephan não estava mais as vistas.

— Bem a tempo...

Jacob estendeu a mão e acenou para Edward com um daqueles cumprimentos de homem.

Na sala inteira se ouvia suspiros de admiração em direção a meu marido lindo, de terno e gravata, sorrindo para nós.

— Feche para mim, doutor Thomas? Depois o leve para o pós- operatório e para a UTI. Fique atento e qualquer coisa, mande me biparem, ok? Acabamos aqui. Vocês foram incríveis e estão dispensados agora. Obrigada a todos.

Tirei o foco e o entreguei a uma enfermeira próxima. Jacob fez o mesmo.

— Vai para casa?

Retirei o jaleco e as luvas descartáveis jogando-os no lixo. A touca, coloquei no bolso do uniforme.

— Vou sim. Leah está meio doente. Precisa de mim. Desculpe-me por não poder participar do evento.

Fiz uma careta ao constatar que ele me trocava pela esposa. O que era louvável. Mas, em se tratando de quem era a mulher dele...

— Você e Ângela seriam meus homenageados e nenhum estará presente.

— Não tenho culpa de seu marido ter dispensado a doutora Weber. Já eu, não preciso de homenagem nenhuma. Fiz o mesmo que faria por meus filhos, não é? Independente de quem quer que seja a mãe, não é Bells?

Lavei as mãos pensando no que falaria. Porém, não era preciso aquilo. Jake era meu melhor amigo, que amava o que fazia.

Minha resposta não poderia ser outra.

— Claro que faria. Agora deixe de enrolar e vá ver sua mulherzinha. Vai que ela morre e você está aqui comigo...

— Ah, Bella. Eu queria tanto que vocês se entendessem. Leah quer falar com você, te pedir desculpas. Eu ficaria tão feliz se pudesse frequentar a sua casa e você a minha. Não foi isso que prometemos um a outro? Não importa que rumo nossas vidas tomassem. Lembra disso?

— Nosso acordo não dizia nada de Leah ser sua esposa. Não me lembro dessa parte. Não vou desculpá-la, Jacob. Pode desistir. Sou boazinha e tudo mais, mas não sou burra. A Madre Tereza de Calcutá já morreu, sabia?

Sai da sala de cirurgia dando de encontro com Zafrina e Edward encostados na parede, me esperando.

Uma porção de mulheres e até homens estavam pelo corredor o observando.

Foi impossível não revirar os olhos.

— Do que você não se lembra? Da nossa noite? Posso te ajudar com isso.

Edward sorriu torto e me puxou para seus braços. Grandes demonstrações de carinho, seja na frente de quem quer que fosse, fazia parte de nossa rotina agora. Era impossível manter nossas mãos em nós mesmos quando estávamos tão perto.

Por isso, que a internet estava infestada de fotos nossas agora.

— Argh! Seus pervertidos! Procurem um quarto. Vamos sair logo daqui.

Beijei os lábios de Edward ouvindo vários murmúrios de admiração ao fundo.

— Desmancha prazeres.

Peguei a mão de Edward e comecei a guia-lo para minha sala. Jacob chato nos seguiu.

— Sua mulherzinha não se lembra das promessas que faz, Edward. Não fique aí se derretendo por ela. Isabella Swan não é de confiança.

— Ainda bem, Jacob, que só conheço a Isabella Cullen e ela é de toda confiança.

Entramos no elevador e foi impossível não colocar língua para Jacob e me esconder nos braços de Edward.

— Ele fala isso, amor, porque quer que eu seja amiguinha da mulher dele. Coitado! Acha que me esqueci de tudo que me fez passar e sofrer. Chove gelo em Ângelus o dia que eu perdoar Leah. Se ele me queria mais presente em sua vida, deveria ter pensado nisso antes de escolher a mulher que escolheu.

O clima ficou tenso. Jacob e Edward se encararam.

O quê? Não é possível que eles imaginaram mesmo que eu a perdoaria algum dia.

— Bella...

— Não, Jake. Vamos mudar de assunto. Não quero me chatear no dia de hoje. Tenho um evento agora e preciso estar bem.

Finalizei a conversa quando o elevador parou no andar de minha sala. Eu tinha uma maratona de cabeleira e maquiadora para enfrentar, não precisava de mais coisa em minha cabeça.

Edward

Sem saber, as palavras de Bella feriram, mais do que deveriam, seu amigo. Era uma situação complicada e eu não me envolveria enquanto não chegasse a hora.

— Mamãe...

Soltei-me dela, assim que chegamos a sua sala. Bella precisava se abaixar para receber os “dois furacõezinhos” que corriam em sua direção.

— Ah, que delícia! Mamãe tem visita no trabalho.

— Mamãe “monita”!

Andrew, bajulador, a acariciou no rosto e beijou com carinho e saudade.

— Mamãe, de “blanco”. Mamãe “ninda”!

Liam também não disfarçou a admiração ao tocar os cabelos dela com carinho.

Era fato, eu que tanto me mordia de ciúmes, agora dividia minha esposa com dois rapazinhos que a amavam e idolatravam na mesma quantidade que eu.

— Príncipes da mamãe, perfeitos. Aonde vão?

Eles eram mesmo perfeitos, mas quando se vestiam como homenzinhos, ficavam mais adoráveis ainda: camisetas polo brancas. Calças jeans pretas e nos pés mini Adiddas também brancos com preto.

Os cabelos, claros, penteados e fixados para o lado os deixavam mais bonitos.

— Passear.

— Papai disse.

Comentaram empolgados.

Se ao menos entendessem o motivo das comemorações da data de hoje.

— Hum! Vamos sim, Liam. Papai disse certo, não é Andrew? Agora porque não cumprimentam o tio Jake?

Liam se soltou e foi para perto de Jacob, que logo o pegou no colo. Andrew, mais na dele, olhou para Stephan antes de seguir até lá e estender a mão para o amigo de Bella.

— Oi, tio Jake.

— “Que oi o quê”, menino? Vem cá.

Tentou pegá-lo. Mas, meu pequeno foi mais esperto e correu de volta para os braços de Stephan que logo o escondeu.

As pessoas da sala sorriram e Bella fez careta para o padrinho de Andrew.

Certeza de que ele tinha aprontado das suas.

— O quê? Eu só disse que de homem ele só pode abraçar a Edward, os avôs, Jasper, Emmett e os padrinhos. Ele é homem, Bella, não me olhe assim.

Bella revirou os olhos e murmurou baixo um “eu estava louca, só pode”.

— Senhora Cullen, lamento atrapalhar o momento, mas estas pessoas estão esperando a senhora.

Interviu Bree percebendo que Jacob estava pronto para falar uma das suas na frente de dois menininhos mais do que espertos.

Pelo menos na madrinha acertamos.

— Bella, Bree. Só Bella. Seja na frente de quem for. Vamos logo com isso então.

Apontou a porta de sua sala.

Andrew e Liam se soltaram de quem os segurava e correram atrás dela. A bagunça começaria agora. A sala de Bella era um paraíso para crianças.

— Bree, por favor, agende um horário para Jacob na semana que vem. Ele quer conversar formalmente. Depois tranque tudo e pode ir. Vejo vocês semana que vem. Andrew, Liam se despeçam do tio Jacob e da dindinha, eles estão indo.

Ela entrou na sala seguida pela cabeleireira e o maquiador. Esperei que os meninos, obedientemente, se despedissem para depois os levar para dentro e fechar a porta.

Benj e Zafrina, ficaram por lá. Stephan, ficou para acompanhar Bree até o carro, mas logo se juntaria a nós.

Tia, iria com meus pais e sogros direto para o palácio. Ela nos ajudaria com os meninos enquanto Bella e eu estivéssemos ocupados.

— Você comeu?

Perguntei por perguntar, já sabia a resposta.

Ela já guiava os profissionais para os sofás. Os meninos já tinham em mãos brinquedos e já voltavam para perto dela, no tapete.

— Não, estou só com o almoço. Passei as últimas quatro horas na sala de cirurgia.

Sentou-se e logo passaram a mexer no cabelo e rosto dela.

Suas “fanecas” demonstravam o quanto se sentia desconfortável com aquilo.

— Imaginei.

Fui até sua mesa e tirei da bolsa, dos meninos, um pote com frutas picadas que Bá havia arrumado para que eu trouxesse.

Sentei-me ao seu lado.

— Abra a boca.

Ela abriu os olhos e sorriu quando me viu com a colher cheia pronta para alimenta-la.

— Trouxe dobrado? Já sabe o que vai acontecer.

— Não me subestime, senhora Cullen.

Sorrimos conspiratórios um para o outro.

— Papai, “Drew” quer.

— “Niam” também.

— Mesmo? Papai nem imaginou isso.

Me diverti quando deixaram os brinquedos e vieram para perto de nós já com as boquinhas abertas.

Era sempre assim, eles podiam ter terminado de comer, bastava Bella ou eu comermos alguma coisa e a vontade deles aguçava.

O que era bom porque há dois meses, minha mulher já não os amamentava mais, e a mamadeira se resumia a duas agora. Uma quando acordavam e outra quando iam dormir.

Bem que a mãe queria os amamentar mais, mas era impossível. Ela estava perdendo mais peso do que conseguia repor e a anemia andava descontrolada outra vez.

Jacob não nos deu opção a não ser, que ela os desmamasse.

O que gerou uma onda de choro de três dias tanto dela quanto deles.

— É “pêla”?

— Melão, filho. Na boca, na mãozinha, não Andrew. Não pode sujar, nem fazer meleca. Vamos passear, lembra?

— “Goto”, melão.

— Você gosta de tudo, sua ferrugenzinha.

Beijei a testa dele e dei outra colherada à mãe deles.

— Isso porque ainda não conhecem o Milk- shake.

— Nem conhecerão tão cedo, esposa que precisa de frutas e verduras.

Ela torceu o nariz, certeza que se lembrava das recomendações da nutricionista que consultamos.

— Mais, papai.

— Devagar, filho. Mastiga direitinho.

Liam estava entre minhas pernas, mais perto de mim e da comida. Andrew vinha pegava uma colherada e depois voltava mastigando, para perto dos brinquedos.

Está aí o motivo de o irmão estar um quilo mais pesado que ele.

— Solto ou preso, princesa? Princesa Alice disse que preso realça mais os detalhes do vestido e valoriza seu busto.

Olhei para ela esperando o que diria. O cabelo estava crescendo, agora alcançava dois dedos abaixo dos ombros.

Estava lindo!

— Solto. É um evento sério. Preciso que valorizem as pessoas que estarão lá, não meu corpo.

Isso!

Sorri internamente. A amizade delas estava restabelecida, mas Bella nunca mais deixara tudo a cargo da irmã. Agora ela impunha suas decisões e Alice acatava calada, mesmo meio contrariada e emburrada.

— Amanhã você vem para o hospital?

Perguntei enquanto abria a boca bem grande fazendo Andrew me imitar.

— "Bocão", papai.

— Isso, filho. "Bocão" para “aviãozão”.

A cabeleireira sorria para nossa interação. O maquiador mexia nos olhos de Bella e parecia irritado por não ter livre acesso ao rosto dela, porque eu ainda a alimentava.

Rá! Problema dele. Que esperasse. Minha mulher comeria o quanto quisesse. A saúde dela era prioridade.

— Devo vir de manhã, bem cedinho. Enquanto você e os meninos ainda dormem. Aquele menininho vai estar em recuperação e preciso ver como passou as 12 primeiras horas. Jacob volta agora para Pushian. Aparentemente a princesa...

Falou sarcasticamente.

Deus! Quando ela descobrir...

—... está doente. Prometo que será rápido.

— Laranja agora.

— “aanja”, não, papai. “Ajedo”.

— Tá azedo não, Liam. Come, filho.

— “Ajedo”, mamãe.

Ele tampou a boca com a mão e correu para perto do irmão. Sinal claro de quem já estava cheio e fica inventando desculpa para não comer mais.

— Cheguei!

Stephan entrou sem bater.

— “Padinho”.

As duas crianças correram para ele, que as pegou sem esforço.

Stephan haviam cumprido sua palavra: Liam também o chamava de padrinho.

— Está bom. Obrigada, Edward.

— Só mais uma.

Raspei o restante das frutas da vasilha e lhe dei.

— Obrigada!

Beijou minha mão antes que eu a puxasse de volta. Impossível de me segurar, me abaixei e dei uns beijinhos curto nos lábios dela.

— Hum! Morango. Adoro!

— Tsc, tsc, tsc. Tem crianças nesse recinto.

Stephan teatralmente tampou os olhos dos meninos. Os três já estavam sentados no tapete e gargalhavam quando meu amigo fingia, com um leão de pelúcia, morder a barriga deles.

— O vestido está no banheiro. Dependurei lá.

Bella só me olhou e piscou em agradecimento.

O maquiador passava um batom nos lábios dela. Ele nem a deixara escovar os dentes com medo de que estragasse “sua obra prima”, mal ele sabia que obra prima era a mulher em quem ousava colocar as mãos.

— Bella vem bem cedo amanhã. Esteja atento e pronto.

Stephan acenou em concordância. Ele podia ser o padrinho brincalhão, mas quando o assunto era suas obrigações com Bella, ele não se distraia.

Por isso, insistiu em Benjamin para cuidar dos meninos, era responsabilidade demais para somente ele e Zafrina.

— Certo. Ainda bem que só passamos por isso duas vezes por semana.

Concordei silenciosamente, não queria que Bella nos ouvisse e se sentisse pressionada a qualquer coisa que fosse.

Há dois meses um caso raro de tumor cerebral em um bebê de cinco meses, trouxe-a de volta ao trabalho. Era um caso grave e muito raro e Jacob precisou de ajuda. Ela nem pensou duas vezes, apesar de ter chorado igual ou mais que os meninos quando tiveram que se afastar pela primeira vez.

Por isso, decidimos numa conversa longa e séria, que estava na hora dela voltar ao trabalho calmamente, de um jeito que não afetasse nossas crias, mas que também não levantassem a possibilidade dela desistir da medicina de vez.

Obviamente que se dependesse só de mim, eu nem pensaria duas vezes, preferia Bella em casa, 24hs por dia, protegida e protegendo nossos filhos.

Mas, eu não podia ser egoísta a esse ponto. Ela amava sua profissão, era muito boa no que fazia e sua volta era esperada por uma fila de mais de cinquenta casos.

Se eu voltara ao trabalho, ela também tinha esse direito.

Por isso, decidimos que uma vez por semana, até os meninos ficarem maiozinhos, ela voltaria ao hospital por um dia inteiro. E, se precisasse, em pequenos intervalos de tempo, durante alguns dias a mais.

Como era o caso de cirurgias onde ela precisava estar presente nos pós- operatórios.

Apesar de Jacob estar nos ajudando demais nesse quesito.

— Acabamos. Pode se vestir agora, princesa.

Ela se levantou me fazendo observar direito.

O cabelo estava lindo, escovado e com ondas nas pontas.

A maquiagem era escura nos olhos, realçando o castanho chocolate, mas bem leve nas bochechas, quase nude.

Os lábios, que eram minha perdição, vinho bem vinho, quase marrom, me fez salivar ao imaginar inúmeros lugares onde poderiam deslizar mais nos fim de nossa noite.

— Feche a boca, babaca.

Stephan me atirou uma bola de pelúcia.

—Papai, “abaca”.

— Andrew! Stephan! Vou lavar as bocas de vocês com sabão. Dê exemplo, padrinho.

— Filho, isso não pode.

Bella chamou a atenção dos dois. Fiz o mesmo com nosso filho.

— “Diculpa”?

— Papai desculpa. Só não repita.

Apontei o dedo para ele. Stephan deu de ombros e fechou a expressão não deixando margem para que Andrew achasse que era brincadeira. Isso eu também gostava nele, apesar de ser brincalhão e divertido, nunca tirava minha autoridade ou de Bella.

Apesar de, bem de vez em quando, cometer algumas gafes como essa de agora a pouco.

— Amor, minha carteira está na bolsa, dentro do armário de baixo. Pague-os para mim, enquanto me visto?

— Pago sim. Pode ir.

Esperei que ela entrasse no banheiro, peguei minha carteira, agradeci os dois profissionais e os paguei.

Bella ainda tinha essas coisas de achar que tinha que pagar suas próprias contas.

Seu dinheiro, meu dinheiro eu queria que ela entendesse que num casamento isso não existe: tudo é “nosso”.

— Ela parece estar bem com o dia de hoje, não é?

Guardei o pote, agora vazio, e as colheres na bolsa e, aproveitando, peguei os lenços umedecidos e limpei bocas e mãos de meus pequenos.

— Tivemos uma última consulta no psicólogo, semana passada. Ele a deu alta e disse que está tudo bem. Suspendeu inclusive os remédios que tomava em noites de insônia. Disse só para manter os exercícios físicos. Ou seja, ela ainda caminhará com você toda tarde. Só não extrapole, não podemos força-la demais ou desistirá.

— Edward, estou falando da data, das lembranças.

— Eu sei, Stephan.

Respirei fundo e, fugindo do assunto, fechei as cortinas da sala. Peguei sua bolsa e deixei tudo pronto para nossa partida.

Estávamos em cima da hora.

— Conversamos muito ontem à noite. Propus-me a cancelar tudo, se assim desejasse. Ela recusou. Disse que essa data tem mais motivos para ser comemorada do que esquecida. Charlie também sondou, mas Bella se manteve firme. Quero acreditar que passou. Que está tudo bem. Mais do que bem...

Afirmei ao vê-la sair do banheiro, linda num vestido discreto de médio comprimento cinza escuro. Que a deixava elegante e marcava o corpo já completamente recuperado da gestação.

— Vamos?

— Mamãe, “cheilo” bom.

— Andrew com cheiro bom não. Suado... Eca!

Risonha, passou a mão pelos cabelos de nosso pequeno conquistador.

Stephan era o culpado por tanta agitação e suor.

— Pronto? Liam, vamos?

Preparei-me para o diálogo de sempre. Aproximei-me para pegá-lo.

Andrew já tinha dado os braços à mãe.

Stephan já abrira a porta voltando a ser o responsável por nossa segurança.

— Levar, “senhola gilafa”.

Bingo, eu sabia!

Toda vez que vínhamos ao consultório de Bella, Liam queria porque queria, levar a girafa de pelúcia.

— Filho, já conversamos sobre isso...

— Não pode “leva”, é da mamãe. Tem em casa, ”né papai”?

— Isso, Andrew. Vocês tem uma girafa em casa, Liam. Essa é do consultório da mamãe. Pode brincar quando vier aqui, mas depois tem que colocar no lugar.

— Não é “igal”, papai.

E não era mesmo. Semelhante sim, igual não.

Se eles não tivessem a inteligência que tem seria fácil dissuadir, mas sendo superdotados... Rá!

Já havíamos revidado Ângelus em busca de outra igual, mas não encontramos.

Alice e Charlie estavam empenhados nessa missão e certeza de que logo encontrariam outro brinquedo igual.

Mimar esses dois parecia o passatempo preferido de toda nossa família.

— Tem muitos brinquedos em casa. Essa, senhora girafa, tem que ficar aqui para quando vocês voltarem.

Inconformado, ele fez bico e ameaçou chorar.

— Liam...

Bella advertiu e só precisou uma vez. Mesmo contrariado ele pegou o objeto e colocou junto com os outros brinquedos.

Depois se voltou para mim e deu-me os braços.

Fui para junto de Bella e peguei sua mão.

— Eles estão pesados. Quer que eu leve Andrew também?

— Não, amor. Eu quero levar meu bebê.

— Bebê não, mamãe. “Drew”.

Stephan disfarçou uma risada. Dúvida de quem tinha dito aquilo para Andrew? Eu não tinha.

Benjamin se postou a nossa frente, Zafrina ladeou Bella e meu amigo veio para perto de mim.

Sam e Demetri estavam, um do lado de fora do hospital, e o outro perto dos carros.

Estávamos quatro vezes mais cautelosos, quando o assunto era segurança. Apesar de nunca mais termos recebido qualquer ameaça, não queríamos dar brecha para qualquer um achar que poderia chegar aqui e fazer o que quisesse com minha família.

— O rei Charlie acabou de ligar, senhor. Todos já estão lá. Só estão esperando vocês.

— Vamos lá, Demetri. O trajeto é curto.

— Você viu meus pais? Emm e Rosie conseguiram vir?

Acenei em acordo, enquanto saíamos do hospital.

Sam, estava a poucos passos de nós, com olhos atentos vasculhando todas as direções.

— Vi sim. E já estão devidamente instalados em nossa casa. Emm e Rosie conseguiram vir e ficarão na casa de mamãe para que as meninas possam brincar. Assim, como Alice e Jas, não irão levar Lizzie ao evento.

— Se eu pudesse também não levaria os meninos.

— Amor...

— Eu sei, eu sei. Foi só um comentário.

Comentou chateada ao perceber um flash de alguma câmera fotográfica.

Imediatamente, se sentindo incomodado, Liam se escondeu em meu pescoço e Andrew tampou o rostinho com as mãos.

Alguém poderia dizer às pessoas que aquilo não era legal para as crianças?

— Benjamin, eu dirijo, vá no último banco com Zafrina. Edward, venha comigo no banco da frente. Demetri vá com o outro carro na frente e Sam no outro carro atrás.

Todos, sem discutir, seguiram as ordens de Stephan.

Prendi Liam na cadeirinha, enquanto Bella fazia o mesmo com Andrew. Dei a volta e ajudei-a a entrar no carro, antes de fazer o mesmo.

— Mamãe, “dejenho”.

— Mamãe vai ligar o DVD, filho. Só um minuto para que Andrew se ajeite.

Quinze minutos depois de uma viagem curta e barulhenta por causa das animações que os meninos viam, mas, graças a Deus, sem trânsito, parávamos em frente ao palácio Celestial.

E mais uma vez foi uma maratona para descer.

— A equipe toda está aqui, inclusive os seguranças do rei e da rainha de Forkian. Não há perigo, por isso vamos nos misturar, mas sem deixar, claro, que nada passe despercebido.

— Ok, Stephan. Obrigado!

Bella, instintivamente, tocou seu colar que guardava o rastreador.

— Está tudo bem, estou aqui com você. Vamos descer?

Mais uma vez, ajudei-a e já desci Andrew para que o pegasse.

Benjamin estava com Liam nos braços pronto para me entregar.

Fechei a mão dela na minha. Segurança, era tudo que eu desejava que ela sentisse.

— Eles chegaram...

Fomos saudados por uma enorme salva de palmas. O que deixou Bella desconfortável, afinal estávamos ali para homenagear a equipe que a salvou, segundo ela, as palmas deveriam ser deles.

— O vovô...

— É mesmo, filho.

Liam se remexeu em meus braços.

Não tive alternativa coloquei-o no chão, e só observei-o correr e se abraçar as pernas do avô, que logo o pegou no colo.

Andrew fez o mesmo, obrigando meu sogro a pegar os dois.

— Pai!

— Oi querida. Você está muito bonita.

Bella enrubesceu e o abraçou, como podia, com carinho. Ele aproveitou e a beijou na testa.

— Mãe!

— Vocês demoraram, filha. Todos já estão aqui. Quero te apresentar umas amigas da França e...

— Renée...

— O quê?

— Cumprimente sua filha, seu genro e seus netos primeiro. Depois deixe a futilidade te dominar.

Envergonhada, Renée também a abraçou e beijou os meninos, porém sua mente já estava ligada no modo rainha.

Ela queria ensinar Bella o máximo que pudesse.

— Vão fazer o que tem que ser feito. Nossa mesa é aquela ali. Vamos cuidar dos meninos. Tia já tem tudo pronto.

Olhei para lá. Rosie, Alice e Bella acenaram a cabeça em concordância. Era a maneira delas de dizer que cuidariam dos meninos.

— Tudo bem, sogro. Qualquer coisa nos chame.

— Mamãe e papai já voltam. Se comportem direitinho, tá?

Nossos pequenos murmuraram um “tá mamãe”.

Charlie, Renée, Esme e Tia eram os únicos que eles aceitavam sem que estivéssemos por perto.

Benjamin os acompanhou. Ele era mesmo a sombra de Liam e Andrew.

— Filho, que bom que chegaram. Peter está ali... Bella, você está magnífica, querida.

Carlisle e Jasper estavam a nossa espera. O acompanhamos.

A convivência com papai estava melhor, muito melhor. Ele tentava se aproximar e agora media as palavras antes de se dirigir a Bella. Acho que a mudança se devia mais ao medo de nós nos mudarmos do que por consciência mesmo. Mas, mesmo assim já era alguma coisa. Estávamos felizes com isso.

Liam e Andrew gostavam dele. Claro que, nada comparado à idolatria que sentiam por Charlie.

Mas, papai não podia reclamar. Se dependesse só de mim não teria nenhum contato com meus filhos.

Graças a Deus, que eu tinha Bella e mamãe para me colocarem no lugar.

— Vocês chegaram. Está tudo bem?

Esme nos olhou de cima abaixo em busca de algo fora do comum.

O nítido amor e preocupação dela conosco era algo inestimável.

— Está tudo bem, mãe.

Beijei sua testa com carinho e a abracei.

— Esme, deixamos os meninos com meus pais. Pode, por favor, dar uma olhada lá, de vez em quando? Eles estão elétricos hoje e tem gente demais aqui.

— Claro que sim, querida. Fique tranquila.

Esme se afastou rumo à mesa de nossas famílias.

O salão de festas do palácio estava mesmo lotado. Umas trezentas pessoas, certeza!

— Vamos lá, não é?

Concordei com a cabeça a guiando para perto de onde estava a equipe dos Anjos Negros. Era hora de começarmos a agir como os monarcas que seríamos.

Bella

Exaustivamente, passei por cada etapa que aquela tarde me exigiu.

Fui apresentada e apresentei meus filhos aos nossos resgatadores.

Fiz papel de futura rainha. Tive conversas fúteis e outras bem proveitosas com as esposas dos principais conselheiros do reino.

Ouvi, aplaudi e apoiei cada palavra do discurso fervoroso de Edward sobre a busca da paz e o fim do terrorismo.

Agi como boa mãe que tento ser. Alimentei, dei atenção e ninei minhas crias nos momentos em que exigiram isso só de mim.

E para “fechar à tarde com chave de ouro”, estava com Edward e Carlisle no palco para começarmos a entrega das medalhas de honra por serviços prestados à coroa aos “Anjos Negros” e assim darmos o evento por encerrado.

Porém, parece que nunca teríamos um só dia de calma em nossas vidas, pois quando levantei os olhos em busca de meus pais, percebi Sue Clearwater entrando no salão e vindo diretamente em minha direção numa pose decidida e ameaçadora.

Foi instantâneo, dei dois passos para trás amedrontada. Só eu sabia do que as mulheres daquela família eram capazes.

— O que foi?

Edward olhou para mim e estendeu a mão esperando que eu a pegasse. Sua astúcia me avaliava em busca de algo fora do normal.

— Não é nada. Muito tempo de pé. Só cansaço.

Apertei a mão dele na minha e voltei a olhar para frente fugindo de suas indagações e torcendo para que fosse tudo paranoia minha.

O problema é que a mãe de Leah continuava vindo em nossa direção. Foi impossível me conter.

— O que ela faz aqui? Vocês convidaram os conselheiros de meu pai?

— O quê? Como assim? Do que está falando?

Dividindo meus receios com ele, encarei a figura sinistra.

Imediatamente Edward soube do que eu falava.

— Não! Não convidamos. Era para ser um evento pequeno por causa dos meninos. Papai já ultrapassou os limites convidando os seus conselheiros. Seja o que for que essa mulher queira, não foi um dos nossos que a deixou entrar.

No mesmo instante a postura relaxada dele desapareceu dando lugar a tensão e desconforto.

Temendo o pior e quase imperceptivelmente Edward sinalizou para Stephan que, sem perder tempo, começou a dar ordens em seu rádio transmissor.

— É só por precaução. Jurei que nunca mais facilitaria, Bella.

Alertou-me quando Zafrina rapidamente se postou em cima do palco, bem perto de nós.

Identifiquei também, Benjamin indo ao encontro de nossa família e pegando Andrew de Esme e entregando-o a Tia. Assim como pegou Liam de Rosie e o fechou nos braços para logo depois se afastar e se encaminhar para perto da saída.

Charlie não gostou da atitude e passou a procurar o que havia nos assustado tanto assim a ponto de tirarmos os meninos deles.

Sua boca se abriu no “O” de susto, quando reconheceu Sue.

— Os meninos ficaram bem. Respire, princesa.

Se estava tudo bem, por que a movimentação e mobilização continuavam?

Demetri se postou na ponta da escada, único meio de acesso ao local onde estávamos.

E por fim, Stephan foi até ela e se colocou a sua frente bloqueando sua visão e seu percurso até nós.

— O que ela quer? Não estou entendendo. Quero os meninos conosco.

— Fique calma, Bella. Não sabemos coisa alguma ainda. Mas, nada vai acontecer. Os meninos estão seguros. Há essa hora Sam já tem o carro ligado. Qualquer coisa Benj vai sair com eles daqui.

A distância entre nós era grande. Não dava para ouvir o que diziam. Só sei que em certo momento ela começou a se exaltar, apontar o dedo de Stephan para mim e a gritar por meu pai.

As pessoas que estavam sentadas ali por perto tinham expressões escandalizadas nos rostos.

— Vou até lá. O que ela pensa que está fazendo?

— Não, você não vai.

Puxou-me para seu lado e fechou a mão, com força, em minha cintura me impedindo de sair do lugar.

Hum! Estranho demais!

— Edward...

— Não, Bella! Os problemas de seu pai não vão resvalar em nós. Ele vai resolver isso. Não se intrometa. Além do mais, Carlisle vai começar a chamar os homenageados até mesmo como distração para aquela confusão lá embaixo.

Os problemas de meu pai? O que ele sabia sobre aquilo? Eu precisava descobrir o que estava acontecendo.

Meu sogro havia terminado seu discurso e eu não havia escutado uma só palavra do que tinha dito.

— Por favor, minha vida, relaxe. Nada vai acontecer. Vamos terminar logo com isso aqui. Também quero ir para casa.

Talvez como método de convencimento, ele esfregou meus braços e beijou meus cabelos trazendo assim, de volta para nós, à atenção de todos os presentes.

Contudo, a confusão lá no meio do salão não se dissipou e foi com grande antipatia que vi papai deixar seu lugar, ao lado de mamãe, se encaminhar até a louca da Clearwater, pegá-la pelo braço e guia-la pela porta lateral, para os jardins do palácio.

O mais estranho de tudo é ninguém os seguiu. E de seus lugares mamãe, Rosie e Alice mantinha expressões assustadas, de horror e olhos lacrimejantes.

Por que elas choravam se Sue vinha era em minha direção?

Tinha algo acontecendo e eu descobriria o que era. Chega de tanta mentira e mistério.

— Aonde vai?

Edward voltou a me apertar mais junto a si, quando fiz menção de me afastar.

— Ao banheiro. Dê-me só dois minutinhos.

Menti, é verdade, mas menti olhando em seus olhos mostrando a ele o que iria fazer.

Nunca mais haveria mentira entre nós.

O entendimento e o apoio que esperava vieram automáticos.

Eu não esperava menos dele, não depois de tudo o que passamos.

— Vou com você.

Porém, o medo de me deixar sozinha ainda existia.

— Não! Fique aqui e congratule os homenageados em meu nome. Zafrina vai comigo e certeza de que Stephan também se juntará a nós assim que eu colocar os pés no salão.

— Princesa...

Nervoso, ele me soltou e bagunçou, ferozmente, o cabelo.

Sem me conter, acariciei seu rosto acalmando-o.

“Um milhão” de flashes foram disparados em nossa direção.

Malditos celulares de última geração e suas câmeras.

— Há anos sei que minha família esconde algo. E ninguém se dignifica a contar o que é. Mas, parece que Sue tem a ver com isso. Chegou o momento, Edward. Por favor, me ajude?

Então, com essas palavras ele não pode fazer mais nada. Somente respirou fundo e num gesto que significava tanto rendição quanto apoio encostou levemente seus lábios nos meus, quase como que numa carícia.

— Prometa-me que vai se cuidar.

— Eu prometo.

— Não se afaste de Stephan.

— Não vou.

E simples assim, vencendo todos os medos e receios como vínhamos fazendo no último ano, ele me soltou. Deixando que eu fosse atrás de minhas respostas.

— Bella, aonde vai?

— Shii! Sem alarde, Zafrina. Venha que te explico no caminho.

Apressadamente dei as costas a todos e corri para a parte detrás do palco. Desci as escadas, como uma louca, e assim que alcancei a claridade do grande salão lotado, como prevíamos, me deparei com Stephan.

— O que pensa que está fazendo, princesa? Volte para lá.

— Vou descobrir um maldito segredo. E será agora, Stephan. Venham comigo, pois é a única maneira de manter Edward lá em cima. Mas, fiquem quietos isso é assunto de família.

Os dois trocaram um olhar de entendimento e concordância que me fez pensar que talvez o segredo não fosse tão de família assim.

— Venha, vamos por aqui. Se quiser manter isso em sigilo não podemos chamar a atenção para você.

Acostumado com o lugar, ele me levou para uma passagem atrás do palco que se abria para um corredor que dava acesso a vários lugares, inclusive uma pequena e quase invisível porta.

— Paul, a mando de seu pai, está vigiando a outra entrada de bisbilhoteiros. Zafrina, fique nesta e não deixe ninguém entrar. Você, venha comigo.

Obedecemos sem perda de tempo.

Ele e eu caminhamos, a passos apressados, por uma trilha estreita de paralelepípedos cobertos de musgo verde.

Até que, o movimento de pessoas, nos fizeram ter mais cautela e andar mais devagar.

Nesse instante passei a sua frente e sinalizei para que ficasse quieto.

Depois me esquivei, por entre as plantas e flores, me escondendo e me aproximando o máximo que me era permitidamente seguro.

Quando minha visão se acostumou ao ambiente e fui capaz de focar em quem eu tanto procurava... Quase passei mal.

— Putz! Que droga, seu rei.

Nem Stephan foi capaz de se controlar. Imagine eu?

Sue estava agarrada a meu pai e se esfregava tanto nele que foi impossível não sentir asco por presenciar aquela cena.

— Chega, Sue! Se for isso que queria já conseguiu. Agora vá para casa e quando eu voltar conversaremos desse seu rompante em invadir o evento de minha filha. Aliás, Harry sabe que está aqui?

Charlie a segurou pelos ombros. Tentando fugir de seu ataque?

Eu estava confusa.

— Isso que eu queria? Ah, meu querido! Não finja que não gostou. Aliás, esse “beijinho mixuruca” não chega nem perto do que pretendo fazer com você. Dezesseis anos de saudades me deixaram sedenta. Você quer começar aqui ou podemos ir para o hotel que estou hospedada? Ou talvez devêssemos ir para a casa de sua filha. Deve ter vários quartos vagos naquela mansão.

— O quê? Ficou louca?

Irritado, Charlie a soltou e se virou inteiramente para o lado onde estávamos escondidos, totalmente de costas para ela.

Rapidamente, me abaixei e puxei Stephan para que ele não nos percebesse ali.

Então, me deixando mais confusa ainda, ele retirou o lenço do bolso, do paletó, e limpou, enojado, os lábios e rosto.

— Fiquei, fiquei louca sim “Mon Chéri”. Faz anos que você me repele com a desculpa de que Isabella precisa de você. Só que agora “a doentinha” cresceu e apareceu. Arrumou até “um trouxa que chama de marido”. Não precisamos sacrificar nosso amor por mais ninguém. Podemos recomeçar de onde paramos. Melhor ainda, podemos nos assumir para o mundo agora.

Ela abraçou meu pai por trás.

Fiquei tão estupefata com aquelas informações que nem o tom jocoso que se referiu a mim e a meu marido conseguiu me ferir mais quanto saber que eu era o motivo de meu pai viver uma vida dupla.

— Pare, Sue! Nunca mais fale assim de minha filha.

Ele soltou as mãos dela, que estavam nele, e se virou com raiva. A voz era alta e exaltada.

— Falar o quê de sua filha? Que ela é o motivo de você não ter assumido nossa família? Que, propositalmente e enganosamente, ficava doente todas as vezes que você ia se separar? Ou que ela é sonsa, igual à mãe, e que te prende por saber que você tem uma reputação e um reino a zelar?

Deus!

Eu não conseguia respirar. O ar não entrava. Uma pontada forte atingiu minha cabeça no mesmo instante que a visão ficou turva por causa das lágrimas.

— Princesa, vamos sair daqui.

— Não. Ainda não, Stephan.

Cochichamos. Enquanto eu me segurava em seu braço como apoio.

— Chega! Pare com isso, sua demente. Hoje é um dia especial para minha filha e você não vai estragar isso. Saia daqui com dignidade ou eu mesmo mando Paul escorraçá-la.

Descontrolado, Charlie a segurou pelos braços e a sacudiu. Um sorriso ensandecido tomava a face da mulher.

Era daí que vinha a loucura de Leah.

— Dia especial? Que coincidência então, porque hoje é especial para nossa filha também. Leah me ligou para me dar a melhor notícia de todas. Por isso resolvi vir te contar pessoalmente. Ela...

— Como? Como? Leah é sua filha?

Foi incontrolável. Saí de meu esconderijo nos expondo.

Minha mente e meu corpo tomaram vida própria quando processavam o que aquela mulher acabara de dizer.

— Olha, que maravilha! A princesinha está aqui... Agora podemos lhe dar as boas novas, não é, amor?

Charlie estava petrificado.

Stephan me sustentava. Meus olhos estavam banhados em lágrimas e meu corpo todo tremia.

— Filha, o que faz aqui? Eu... Eu... Posso explicar. Essa mulher... Ela...

— Essa mulher não, meu amor. Sua mulher.

— Cale-se!!!

Gritei passando a mão no rosto. Eu sentia a mudança acontecendo dentro de mim. Da surpresa desgostosa para a decepção enlouquecida.

— Bella, filha... Deixe-me explicar.

— Fale, droga! Seu tempo de explicar já acabou. Leah é sua filha, é isso que ouvi?

Charlie deu dois passos em minha direção.

— Não! Não se aproxime. Responda-me. Você é pai da mulher que me fez sofrer bullyng a vida toda? A mulher que me batia e que esfregava em minha cara que o pai e a mãe dela a levavam na escola todos os dias? É isso, papai?

— Não era assim, Bella. Filha, não grite. Por favor... Eu posso te explicar...

—Diga de uma vez!

Ele não teve alternativa. Percebendo que eu estava descontrolada, só pode abaixar a cabeça e dizer às palavras que acabariam de vez comigo.

— Sim. Leah é minha filha.

Arfei e dei dois passos para trás.

— Então era por isso... Era por isso que nunca interviu quando eu reclamava que ela me batia. Nunca foi até a escola em reuniões de pais onde se discutia sobre as agressões. Nunca me apoiou quando eu dizia que era melhor do que ela. Deixou que acabasse totalmente com minha autoestima. Leah é sua filha, você a protegia...

Sussurrei deixando que aquelas lembranças invadissem minha mente.

— Filha, deixe-me explicar... Não é o que está pensando. Se acalme.

Dei mais dois passos para trás.

— Você traiu minha mãe. Vem traindo desde quando? Sempre? Tudo que sente por nós é mentira? Só nos suporta para manter as aparências, o reino? Os meninos... Deus! Eu dei seu nome a meu filho.

— Não! Bella... Por favor, filha. Deixe-me falar. Vamos sair daqui...

— Não se aproxime. Eu odeio você! Odeio... Queria que Edward seguisse seus passos, mas me enganei. Você é igual ou pior do que Carlisle. Você trai. Eu odeio você. Odeio!

— Filha...

E então, antes que desabasse na frente dele e da amante e lhes desse o gostinho de ver a “pobre menina mimada e ingênua” despedaçada, dei-lhes as costas e corri.

Corri o máximo que podia.

Eu ouvia vozes, gritos na verdade... Edward, Mamãe, Alice, Rosie... Esme... Mas, não parei. Eu queria fugir. Desaparecer...

Stephan me seguia de perto, eu sabia.

— Benjamin, vamos para casa.

Peguei Liam dele e corremos para o carro que Sam já mantinha pronto a nossa espera. Foi só o instante de entrar e ele arrancar.

— Não vamos esperar, Edward. Vá com Demetri. Bella não está bem...

Stephan falava com meu marido ao telefone. Ele devia estar enlouquecendo com tudo aquilo.

Em certo momento, Tia tirou Liam de mim e o acomodou na cadeirinha. Graças a Deus, o irmão e ele dormiam e não presenciavam meu surto.

— Respire, Bella. Respire...

Encostei a cabeça no encosto do banco da frente e fechei os olhos tentando me manter inteira.

O que era impossível quando sentia os pedaços caindo pelo chão.

— Já estamos chegando. Só mais um minuto... Respire... Respire.

Não sei por quanto tempo fiquei assim, só sei que quando dei por mim, Stephan já abria a porta do carro e me ajudava a descer.

Estávamos em casa.

— Pegue com Bá as bagagens do rei e da rainha e coloque aqui de fora. Depois, dispense todos os empregados de dentro de casa, inclusive ela, e de menos Tia. Quero ficar sozinha. Peça para que os seguranças cerquem a casa. Não quero ver ninguém. Não deixe ninguém entrar.

— Ninguém inclui Edward? Porque ele está vindo, como um louco, para cá. Mas, se você disser que ele também não pode entrar, ele não entrará. Tem a minha palavra.

Meio robótica, meio trespassada olhei para ele e tive certeza de que impediria até meu marido, se eu assim ordenasse.

Stephan era um amigo fiel...

Amigo... Jacob... Senti outra pontada no coração. Eu não tinha um amigo fiel.

— Edward entra. Só Edward, Stephan. Tia, leve os meninos para dentro. Assim que acordarem me chame para que eu a ajude a dar banho e mamadeira a eles.

— Vá descansar, princesa cuidaremos de tudo.

Não fiquei ali para saber como ele agiria. A única coisa de que me lembro daquele início de noite foi de, me jogar em minha cama e chorar toda dor que senti por anos de flagelação e, principalmente, pela maior decepção de toda minha vida.

Charlie, meu pai, meu ídolo... Era um mentiroso... O maior mentiroso de todos.

Notas finais
Não julguem a Bella. Ela está assustada e atordoada. No próximo temos um encontro em Pushian. Se preparem...