Notas iniciais
Oiii... Vamos logo ao capítulo que esse eu amei...

Edward

—“Demetri, deixe Edward na porta da frente da casa. Guarde o carro na garagem e venha, imediatamente, a meu encontro. Preciso reposicioná-lo segundo novas ordens”.

— “Ok, Stephan. Estamos adentrando o perímetro da residência agora”.

Demetri desligou o comunicador e fechou a expressão. A tensão dele não se comparava a minha. Eu podia sentir, palpavelmente, todo terror da situação.

Bella estava em frangalhos e tomara atitudes que poderia leva-la a se arrepender mais tarde.

Maldito seja Charlie e seus segredos sujos!

Eu sabia que algum dia eles viriam à tona, mas, precisava ser justamente agora?

Por Deus!

Bella estava se recuperando tão bem. Os meninos estavam ajudando tanto. Ela já havia voltado a dormir bem e...

— Droga! Paul está bem atrás de nós. Segure-se, Edward.

Bateu, violentamente, no volante. Os sentimentos que Bella despertava em todos a sua volta fazia com que suas dores fossem sentidas por todos seus admiradores também.

Busquei o ele visualizara, pelo retrovisor, porém a atípica escuridão daquela noite me impedia de identificar mais do que dois faróis a poucos metros de nosso carro.

— Acelere. Não quero que nos alcance.

Ordenei quando passamos pela casa grande e rumamos para a minha. Eu precisava falar com minha esposa antes de qualquer um deles.

— Chegamos. Graças a Deus! Stephan está ali.

Apontou para uma figura nervosa a nossa frente que andava de um lado para o outro gesticulando e falando, como um louco, em seu comunicador.

— Faça com que todas as ordens dele sejam religiosamente seguidas.

— Sim, senhor.

Antes mesmo que o carro parasse, Stephan abriu a porta traseira e acenou, com a mão, para que eu descesse depressa.

— Vamos, rápido! Eles estão chegando. Temos pouquíssimo tempo.

Desci e logo fui empurrado para a entrada de casa.

Demetri acelerou o carro em direção à garagem.

Não me passou despercebido que todos os seguranças estavam perto da casa numa distância muito curta um do outro.

— Onde está Bella? O que está acontecendo, Stephan?

— Ainda não está acontecendo nada. Fique calmo. Só você tem autorização para entrar, é tudo que sei. Bella está no quarto. E, por favor, Edward, pelo amor que você tem a seu casamento, a seus filhos, não faça nenhuma besteira. Nem quando você agia como um idiota Bella pareceu tão destruída. Ela precisa de você. Então vá de uma vez, porque minha missão começa agora.

Murmurei um “eu sei” e outro “muito obrigado” antes de ser, mais uma vez, empurrado para dentro de casa.

Sem saber exatamente o que se passava, tranquei-a atrás de mim e apaguei todas as luzes.

Tudo que Bella queria, ela teria e não me importava a quem doesse. Ela estava sofrendo por culpa dos Swan’s então os Swan’s que entedessem e respeitassem suas decisões.

— Bella? Filha?

Afastei-me a passos largos dali quando a voz de um Charlie apavorado invadiu meus ouvidos.

Fui apagando tudo pelo caminho e ignorando a confusão que se iniciava lá fora.

Subi as escadas de dois em dois degraus correndo e ofegando e só parei quando cheguei ao quarto de meus filhos.

Tia estava sentada na poltrona de amamentação e lia um livro à luz do abajur. Graças à distância do quarto com a entrada da frente, o barulho de fora não chegava ali.

— Tudo bem por aqui?

Aproximei-me dos berços e repirei aliviado ao vê-los dormindo tão serenamente.

— Está sim, nem se mexeram. Daqui a pouco acordarão. Estão sujos e suados. Nem tirei a roupinha deles, só os sapatos, se acordassem antes da hora ficariam enjoadinhos. Bella pediu para deixa-los dormir enquanto quisessem, estavam exaustos.

Assenti acariciando os cabelos claros, grudados na testa, de Liam.

— Bella pediu para chama-la quando acordarem para o banho e a mamadeira. Acho que posso fazer isso. Não creio que ela tenha condições de alguma coisa hoje, Edward.

Fui até Andrew e desdobrei o bracinho, que ele insistia em colocar debaixo do travesseiro sempre que dormia. Era um ângulo estranho. Dava a impressão de que doeriam os músculos quando ele acordasse.

— Faça como ela ordenou, Tia. Algo me diz que os meninos serão a salvação de minha esposa e da família dela agora.

— Sim, senhor.

— Vou vê-la. Qualquer coisa me chame. E Stephan está no comando, o que ele disser é ordem.

— Sim, senhor. Benjamin está aqui debaixo da janela do quarto. Acho que não teremos problemas. Pode descansar, senhor.

Descansar? Ela não imaginava o que eu enfrentaria em instantes.

Certo. Papai vai cuidar da mamãe, amores. Sejam bons garotos. Nossa rainha precisa de nós, tá?

Beijei meus pequenos e silenciosamente fiz uma pequena prece aos anjos deles que os protegessem de toda sujeirada de nossas famílias.

Por fim, dei um “até logo” para Tia e então fui para meu quarto.

A porta estava fechada e abri-la causou um ranger, que no silêncio da casa, foi quase que ensurdecedor.

O lugar estava escuro, totalmente escuro. Porém, as cortinas estavam abertas fazendo assim com que uma pequena claridade das luzes dos jardins entrassem e mostrassem o contorno de uma figura diminuta, na penumbra, de pé, encarando o nada do lado de fora.

Bella...

Fechei a porta atrás de mim, isolando-nos do restante do mundo, e encostei-me a ela com medo, sondando, como seria recebido.

Ela percebeu que entrei, contudo não se virou para mim...

Seus ombros desciam e subiam, mas nenhum ruído era emitido. Ela chorava silenciosamente.

— Você sabia?

Perguntou longos segundos depois.

A voz não passava de um sussurro choroso, mas ela fazia força para se mostrar forte.

Com passos controlados cheguei mais perto. Eu precisava estar próximo a ela caso algo acontecesse.

— Eu desconfiava.

Ela soluçou e levou a mão ao peito. Mas, foi só isso.

— Por que não me contou, Edward? Estamos juntos há tanto tempo. Temos intimidade para isso. Sabe que odeio segredos tanto quanto odeio mentiras.

Falou mais baixo ainda. Apesar de se identificar o choro, não foi nada gritado ou descontrolado, pelo contrário e pior, foi sofrido, sentido.

— Não era o meu segredo, princesa. Eu não tinha o direito. Seu pai quis me contar e eu não quis escutar. Se você não podia saber eu também não podia. Somos um só, lembra? Uma só carne.

Andei mais até ela e toquei, com as pontas dos dedos seu ombro.

Graças a Deus, não fui rechaçado.

Eu precisava demais que minhas palavras a convencessem de minha inocência nesse caso.

Ela arfava e respirava com dificuldade.

— Como descobriu? Por que não desconfiei de nada?

Massageei os músculos tensos aproveitando para me encostar de vez em suas costas.

— Pequenos sinais: a implicância de Leah, a aversão de sua mãe a Sue, a superproteção de seu pai, os ciúmes... Alice e Rosie e o cuidado exagerado com sua saúde. Jacob...

Ela gemeu e encostou, totalmente, a cabeça em meu ombro.

Era seguro... Eu estava seguro, livre de sua ira e pronto para fazer meu papel de marido devoto... Eu havia feito o certo quando me neguei, a saber, de tudo.

— Acredito que não percebeu ou desconfiou porque esse era o intuito de sua família. E, além disso, tem o fato de Charlie ser seu ponto de referência, sua base. E bases não desapontam as pessoas.

— Não desapontam? Eu... Eu não entendo... Como ele pode, Edward? Como todos tiveram coragem de fazer isso comigo. Não sei o que fazer. Estou perdida.

E então ele veio... Forte, feio e destruindo todo muro que ela tentava criar em volta de si.

O choro... O desespero que fizeram suas pernas tremerem e eu ampara-la em meus braços, deposita-la na cama e aconchega-la junto ao peito.

— Eu não sei, princesa. Não sei... Vocês precisarão conversar para que tudo se esclareça.

— Eu não quero...

Gemeu e lamuriou sofrida. E mais uma vez, amaldiçoei Charlie e todos os seus pela capacidade de fazerem uma guerreira como Bella parecer uma criança apavorada e chorosa.

Deus! Minha mulher havia passado por tanto. E agora mais isso.

— Eu não consigo. Por favor, não me obrigue. Agora não... Eu...

— Oh, minha vida! Shiii! Ninguém vai te obrigar a nada. Eu te prometo. Agora chore. Pode chorar. Não precisa ser forte, meu amor. Eu serei por nós. E amanhã, só amanhã, pensaremos no que fazer com tudo que aconteceu hoje.

Beijei seu cabelo, me inclinei tirei seus sapatos e arranquei também o vestido dela.

Precisava deixa-la confortável para que fosse vencida pelo cansaço, pela dor e então talvez assim se rendesse a tanta coisa e finalmente dormisse.

— Merda!

Murmurei segundos depois quando meu telefone, o do quarto e o dela começaram a tocar no mesmo instante.

— Só um minuto, vida.

— Não quero falar com ninguém. Não fale com ninguém. Não me deixe, Edward.

— Estou aqui... Relaxe.

Segurei-a firmemente, com uma mão, e com a outra arranquei o cabo do telefone fixo, para logo depois desligar o meu e o dela sem nem olhar quem era.

Se fosse “um dos meus” que me perdoassem, porque nesse instante eu só estava disponível para minha mulher.

— Pronto. Ninguém te incomodará. Pode descansar... Relaxe...

Beijei seu cabelo e o acariciei bem devagar, ninando-a.

Aos poucos, bem aos poucos, os soluços foram diminuindo até parar por completo.

Os suspiros de dor iam e vinham destroçando-me por dentro.

Como eu queria poder tirar tanta decepção dela... Deus! Bella não merecia.

Ela idolatrava o pai...

— Descanse, princesa. Descanse... Eu já volto.

Bem lentamente retirei o braço debaixo dela e forcei meu corpo para cima.

Eu precisava saber como as coisas estavam.

Bella

— Não! Mamãe!... “Drew” quer a mamãe dele.

— “Iam” também quer a mamãe.

Aos poucos o torpor ia sumindo e minha consciência me acordava para a realidade: meus filhos clamavam por mim.

Eu tinha dormido o quê? Quinze minutos?

— Não precisam chorar. A mamãe está dormindo. O papai veio ajudar Tia com o banho. Vamos, por favor, Andrew, Liam.

— Não! Mamãe!...

— Mamãe!...

Minha cabeça doía e meu corpo parecia pesar uma tonelada. Mas, Edward estava tendo um mau tempo com os meninos. Eles pressentiam as coisas. Queriam a mim, a única pessoa no mundo que não poderia da-los tudo de que precisavam naquele momento.

— Mamãe!...

— Mamãe!...

Porém, o choro forte destruía mais algo já quebrado dentro de mim.

Forcei o corpo a reagir e, meio trôpega, me coloquei de pé, vesti um roupão, calcei um chinelo e fui ao encontro deles.

Não podia deixar que a dor tomasse conta de mim, de minha vida. Eu queria chorar, mas a Bella que ama queria ir em socorro dos meus pequenos que nada tinham a ver com tais problemas.

— Mamãe está aqui. Por que desse choro?

— Mamãe!

Responderam em uníssono imediatamente se livrando das mãos de Tia e Edward e correndo em minha direção.

— Papai não, mamãe. “Voxê”.

— “Quelo colinho”.

— Conseguimos dar os banhos sem maiores problemas, Bella. Mas, quando chegou a vez da mamadeira...

Deram os braços em minha direção. Foi impossível não sorrir e me sentir agraciada por tanto amor em um momento que eu tanto necessitava.

— Tudo bem, Tia. Obrigada por tudo.

Era por eles que eu não me renderia.

— Mamãe está aqui. Não precisam fazer drama, nem má-criações com Tia e papai.

Abaixei-me e logo fui tomada por braços e perninhas em dobro. Firmei a mão no chão e os levantei com dificuldade.

— Os dois, de pé? Não, dona Isabella. Por que não se senta? Aliás, você deveria estar descansando. Podemos controlar as coisas aqui.

— Eu sei que podem. Mas, preciso deles, Edward. Preciso sentir essa necessidade que temos um do outro.

Nada convencido, meu marido, de olhares preocupados para mim, retirou um relutante Andrew de meus braços e me apontou a poltrona de amamentação.

Meu filho protestou alto.

— Não. Papai, não. Mamãe.

— Ei garotão, não precisa chorar. Eu já entendi, tá bom? Colo de mamãe é mais gostoso, papai sabe. Deixa só a nossa rainha se sentar. Paciência, filho?

— “Noxa ainha”, papai. “Quelo noxa ainha”.

Edward o segurou e ninou, mas foi impossível. Eles eram espertos e geniosos. Quando queriam uma coisa, queriam...

Por isso, me sentei, acomodei Liam e esperei que ele colocasse Andrew ali também.

O espaço ficava escasso, estavam grandes para serem pegos ao mesmo tempo, mas pelo menos entendiam e aprendiam que precisavam dividir.

Assim era mais fácil, porque de pé, minha coluna protestava e Edward não permitia que eu os segurasse.

— Aqui. Pode apoiar os pés.

Solícita, Tia trouxe o puff que fazia conjunto com a poltrona e levantou minhas pernas. Acomodando-as melhor.

— Obrigada, Tia. Agora pode ir jantar e descansar. Você foi incrível. Tomamos conta daqui para frente.

Deitei os dois nos braços e Edward os entregou as mamadeiras para depois já baixar as luzes do quarto, deixando-o numa penumbra agradável.

— Vou tomar um banho e comer alguma coisa e já voltou para ficar com eles a noite.

— Não precisa, querida. Você trabalhou o dia todo. Pode ir para casa. Merece um descanso.

Edward tirou meus pés, do lugar, se sentou e os colocou em seu colo. Ele tinha um pote de creme nas mãos.

— Meu trabalho durante o dia foi tranquilo. Tinha avós, tios e padrinhos demais querendo cuidar deles. Você precisa descansar, princesa. Já volto.

Sem me deixar argumentar mais, ela saiu pela porta. E eu tinha absoluta certeza de que logo voltaria para cuidar deles.

Eu sabia que isso era função minha, porém algo me dizia, que infelizmente, naquela noite era o melhor a se fazer.

Isabella Cullen estava mentalmente exausta.

— Quer que eu pegue um deles? Já estão quase dormindo.

Indo contra as palavras do pai, os dois abriram os olhos logo que as palavras saíram da boca dele.

Foi impossível não abrir um sorriso.

Não precisa, papai. Bebês estavam com saudades da mamãe. Ela ficou ausente o dia todo. Agora só querem aproveitar colinho antes de dormir. Não é, amores?

Fiz voz infantil e recebi dois sorrisos, em meio a bicos de mamadeiras.

— Papai entende. Só é contra choros, sem necessidade. Mamãe precisava descansar. Vocês a acordaram. Falaremos disso amanhã.

Olhei para ele e foi impossível não vislumbrar o pai amoroso e maravilhoso que se tornara.

— Te amo!

Sussurrei e quase gemi quando os dedos fortes e ágeis encontraram meus pés numa massagem relaxante.

— “Drew” ama mamãe e papai.

— “iam” “tabém” ama mamãe e papai.

Interromperam a refeição para me contemplarem com o meu presente diário.

Isso era obra de Edward. Sempre que um “eu te amo” era dito, sussurrado ou proclamado eles logo reagiam em resposta.

— E papai ama filhinhos e mamãe linda.

Sorriu aquele sorriso torto que sempre me fazia perder uma batida.

— Tomei uma decisão.

Disse, minutos mais tarde, quando os meninos já paravam de sugar e ele se inclinava para tira-los de mim e acomodar nos berços.

— E qual foi?

Respondeu respirando fundo evitando me olhar.

Acho que ele temeu o que eu diria logo a seguir.

— Quero ir a Pushian amanhã.

Coloquei Andrew no berço, o cobri e beijei sua testa enquanto ele fazia o mesmo com Liam.

Tia ainda não voltara.

— Tem certeza? Não quer falar com sua família, primeiro? Seu pai está parado, feito uma estátua, na porta de nossa casa. Sua mãe e suas irmãs não param de ligar e vir aqui de tempos em tempos.

Beijei Liam, adiando a resposta.

Liguei a babá eletrônica e dei a mão a ele o guiando para nosso quarto.

— Tenho. Preciso tirar umas coisas a limpo e quero que seja antes que eu tenha a mente influenciada por alguém.

— Impossível, princesa. Só Sue está em sua cabeça nesse momento. São as palavras dela que você escuta quando fecha os olhos.

Guiou-me até o banheiro, me deixou no tapete, colocou a banheira para encher, na força máxima, e depois voltou me ajudando a me livrar do que eu vestia.

Depois, despejou uma grande quantidade de óleo essência de lavanda na água e começou a ascender às velas que deixávamos sempre prontas para iluminar nossos banhos mais relaxantes.

— Eu sei, E amanhã serão as de Leah.

— Você não está sendo justa com sua família. Eles também têm o direito de falar, princesa.

— Eles foram justos comigo? Você está os defendendo?

Perguntei irritada num tom que soou mais agressivo que eu verdadeiramente queria.

— Não, eles não foram, minha vida. Você está certa. Tome seu tempo e faça como desejar. Estarei com você em qualquer situação. Agora...

Segurou meu rosto entre as mãos e acariciou falando baixinho e controlado.

Depois me puxou para junto ao peito e me aconchegou ali.

Era a maneira dele de não deixar que os ânimos se exaltassem. Era a maneira dele de dizer que estava comigo.

— Entre aqui e relaxe. Não pense em nada, só relaxe. Não precisa ser forte, Bella. Os meninos estão dormindo. Somos só você e eu. Vou lá embaixo ver com Stephan como andam as coisas e alerta-lo sobre nossa viagem amanhã. E também vou trazer algo para comermos.

— Não estou com fome.

Afastei-me para olhar em seus olhos.

— Eu sei que não está, mas só aquelas frutas, de hoje mais cedo não a sustentarão. Se quiser mesmo ir a Pushian amanhã terá que se cuidar Bella, caso contrario te trancarei aqui em casa. A situação exigirá de você. Os meninos precisam de você. Deve se cuidar, por eles, por mim, por você...

Ele implorava pelo mínimo de mim. E isso eu podia fazer.

— Ok. Você está certo.

Beijou minha testa, se afastou segurando somente em minha mão, firmando-a para que eu entrasse na banheira.

— Claro que estou. Algo que te apeteça nesse momento? Leite com bolo? Jantar?

— Leite não. Qualquer coisa, menos leite.

Respondi imediatamente. Eu não queria me lembrar das partes doces de Charlie nesse momento.

— Tudo bem! Eu já volto. Não durma.

Acenei em concordância. Acomodei-me na água enquanto ele desligava as luzes e saia do quarto.

Aproveitaria aquele tempo para “lamber as feridas”, porque ali eu me dignaria a chorar. Chorar tudo que podia.

Todavia, no dia seguinte, de frente a Leah, eu mostraria quem de verdade era Isabella Swan.

Edward

— Ei? Tudo certo por aqui?

Encontrei Stephan do lado de fora da casa. Bem na varanda, olhando atento para um ponto ao longo da rua que dava acesso a nossa entrada.

— Agora está calmo. Mais cedo foi complicado. Seu sogro e a família dele queriam entrar de qualquer maneira. Seus irmãos, foram de grande valia, convenceram as esposas de que a princesa precisava de tempo e elas arrastaram a mãe com elas. Agora Charlie, este está transtornado. Rondou a casa toda, aliás, está fazendo isso neste exato momento. De tempos em tempos, ele grita e tenta se aproximar.

— Eu ouvi lá da sala. Se Bella ouviu não disse nada.

Entreguei-lhe o copo, com café, que havia trazido. A noite seria longa para meu amigo.

— Obrigado!...Benjamin está debaixo da janela de Andrew e Liam e acabou de dizer ao rei que os meninos estão dormindo. Ele prometeu não gritar por lá. Demetri e Zafrina estão perto do seu e também evitarão maiores transtornos. Não confiei em Sam naquele lugar. Ele é cria de Charlie, fiel ao rei.

Concordei.

— Sei que está atarefado, no entanto, preciso que avise ao comandante que viajaremos amanhã de manhã. Também prepare um efetivo bom de agentes que possa nos acompanhar. E, principalmente, faça isso sigilosamente. Não quero que ninguém saiba que sairemos daqui.

— E para onde iremos.

Olhei-o com profundidade esperando por seu apoio.

— Pushian.

As indagações não vieram. Só o olhar de espanto, que também desapareceu quase no mesmo instante que apareceu.

Se Sam era fiel a Charlie, Stephan era a mim e Bella.

— Certo. Vou organizar tudo. Devo mandar reservar um hotel? Pernoitarão lá?

— Deve mandar sim. Não permitirei que fiquemos lá por muito tempo. Mas, os meninos e Tia irão conosco e preciso coloca-los num local seguro enquanto Bella e eu resolvemos outro assunto. Preste atenção nesse detalhe.

— Tem certeza disso, Edward? Levar os meninos?

— Não tenho certeza de nada, Stephan. Mas, Bella não aceitará ficar longe deles nesse momento. São a única coisa que a mantém sã. Além disso, não podemos deixa-los a mercê da família dela enquanto estivermos fora.

Apesar de, claramente, não concordar como minha decisão, acatou-a com um aceno.

— Tudo bem, vou deixar tudo pronto. Agora entre. Não quero que Charlie volte e te encontre aqui. Vá cuidar de sua mulher.

— Vou sim. Charlie não pode ficar aqui a noite toda. Assim que se retirar, deixe alguns de plantão e libere os outros. Também descanse. Precisamos de você inteiro amanhã. Meu sogro não é uma ameaça, não ao trate como uma. Só o mantenha longe de Bella e dos meninos, por enquanto.

— Ok. Agora vá e diga a Bella que estou cuidando de tudo.

Assenti. E entrei quando vi o rei de Forkian se aproximando correndo. Ele estava um desastre. Com a camisa para fora da calça, sem paletó e o cabelo num caos que nunca vi igual.

— EDWARD!!!

Foi a última coisa que ouvi antes de pegar a sopa que Tia havia, gentilmente, preparado para minha esposa e ir ao encontro dela.

O grito de meu sogro era desesperado e sofrido e agora, que me tornara um pai, eu entendia na carne sua dor.

Era a dor de um pai temendo perder um filho amado.

Que Deus, e Bella, tivessem piedade dele.

Porém, eu tinha minhas dúvidas se isso aconteceria. E remoí isso a noite toda.

Eu já havia passado pela ira de Bella e, confesso, não era brincadeira.

Minha princesa era um doce, mas quando decepcionada...

Eu torcia para que ela se rendesse logo. Era sofrimento demais para as duas partes.

Acordei do meu breve cochilo (de uma noite grande, onde Bella teve pesadelos, chorou e suspirou por tempo demais para suportar), por volta das seis horas.

O dia estava escuro e nuvens pesadas, raios intensos e trovões ensurdecedores eram os únicos movimentos que se via no quarto vazio, completamente vazio.

O clima de Ângelus entendia a dor de minha mulher.

Bella não estava no quarto.

Na poltrona, perto da janela, identifiquei uma roupa e um par de sapatos brevemente separados para mim.

Na mesinha, ao lado, um pequeno café me esperava.

Mesmo num momento atormentador, ela não deixava nada passar. Mimava-me e cuidava para que minha vida fosse o mais tranquila possível.

— Oh, princesa... Eu que devia estar cuidando de sua alimentação.

Lembrei-me da sopa de ontem à noite. Somente duas colheradas foi o que ela conseguiu colocar no estômago, na terceira a ânsia veio forte e ameaçou colocar tudo para fora.

Não insistimos...

Seu eu cochilei umas duas horas, Bella, com certeza, não teve esse privilégio.

Eu só esperava que fosse coisa de momento, porque ela estava indo tão bem na luta contra a insônia.

Maldito seja Charlie e suas mentiras!

Poucos minutos depois, e já completamente pronto, eu os encontrava na sala de estar me esperando para partirmos.

— Bom dia.

Ela, imediatamente, se levantou e veio a meu encontro. Parecia acanhada e muito abatida.

— Bom dia.

Beijei sua testa e acariciei os círculos escuros debaixo “dos meus” lindos olhos castanhos que, infelizmente, meus pequenos não haviam herdado.

— Estamos prontos. Quer comer ou berber mais alguma coisa?

Apontou para a mesa intocada.

Bá, num canto quieta, perto da porta que dava acesso a cozinha, fez um mínimo gesto de cabeça, indicando que ela não havia tocado em nada.

— Estou satisfeito, obrigado. Os meninos comeram?

— Só mamaram e voltaram a dormir. Sei que estou sendo uma mãe horrível por tira-los da cama há essa hora. Mas, não posso deixa-los, Edward. A não ser que você queira ficar e...

— Pare, Isabella. Somos uma família. Andrew e Liam estão bem acomodados e aquecidos nas cadeirinhas deles. E, se Deus quiser, dormirão todo o percurso. Você não passará por isso sozinha. Agora vamos de uma vez.

Olhei-a intensamente, desejando passar-lhe a segurança que tanto necessitava.

— Ok. Tia preparou algumas frutas para o lanche deles. Stephan e Benjamin já nos esperam na garagem.

Concordei e peguei as duas cadeirinhas de meus bebês. Tia pegou as sacolas deles e Bella a bolsa e minha carteira.

— Se cuidem.

Bella só olhou para Bá e sorriu fraco, não respondeu. Tentava esconder que também estava chateada com ela. Falhava miseravelmente.

— Voltamos ainda hoje, Bá. Pushian não é longe e nosso assunto será rápido. Não deixe ninguém entrar e nem comunique aonde fomos. Qualquer coisa, nossos celulares estarão ligados. Demetri está no comando enquanto Stephan estiver fora.

— Sim, senhor. Pode confiar em mim, Edward. Não trairei vocês.

Sorriu tristemente e murmurou baixo quando Bella já se afastava.

— Cuide da minha menina, Edward. Ela está sofrendo. Eu não podia contar... Era só uma empregada. O rei me mataria... Mataria qualquer um que se envolvesse. Não deixe a outra menina maltratá-la... Bella já sofreu tanto...

— Tudo bem, Bá. Vai dar tudo certo. Só dê um tempo a Bella. Logo essa tristeza dela passará.

Sem poder fazer mais nada, ela concordou e acariciou a cabeça de Liam antes que eu me afastasse de vez.

Eu precisava conversar com Bella sobre ela.

— Aqui, Edward. Vamos coloca-los no carro da frente. Charlie não está em frente a casa agora. Emmett o buscou agora a pouco. Vamos aproveitar a oportunidade. Isso me lembra de que precisamos pensar em outra saída para a casa de vocês. Uma saída alternativa. Isso de se passar na porta de seus pais sempre que saem e chegam, não é legal. Precisamos de outra rota de fuga.

— Vamos resolver isso assim que voltarmos. Quero focar na saída de hoje.

Stephan me ajudou a prender as cadeirinhas dos meninos. Não fez nenhuma brincadeira, pelo contrário, se mantinha sério e muito centrado.

— Tia e Benjamin, sentem-se no último banco. Bella vá com os meninos. E você, venha comigo. Quanto menos gente for, menos levantaremos suspeitas. O avião já está pronto.

Sem mais delongas, ajudei Bella a entrar e prendi seu cinto de segurança. Ela tremia.

— Quer desistir? Podemos fugir para algum lugar e esquecer isso tudo por alguns dias.

Acaricie o rosto triste. Lágrimas silenciosas escorreram.

— Sou sua princesa, Edward. Não fujo mais. Eu enfrento, lembra? Vamos lá.

Dei um meio sorriso orgulhoso e fechei a porta dela.

Não tinha a menor dúvida de que passaria por aquilo com muita coragem e que no fim sairia fortalecida.

O problema era quantas dores ainda sentiria e suportaria até conseguir se reerguer.

— Um carro já nos espera em Pushian. Serão somente duas horas de voo. Deixaremos os meninos num hotel com Tia e Benjamin, perto do aeroporto mesmo. Depois iremos ao palácio. Eu os acompanharei.

— Certo! Ninguém sabe da nossa ida, não é?

— Não.

Foi a última palavra dita no carro antes de entramos no avião. O silêncio era torturante, mas parece que até os meninos entendiam o humor da mãe, porque acordaram um pouquinho quando decolávamos, para logo depois voltarem a dormir e não acordarem até quando os deixamos no hotel duas horas e meia, mais tarde.

O tempo fechado, chuvoso e muito frio também contribuía para a quietude deles. Graças a Deus!

— Chegamos. Agora é com vocês.

Comunicou Stephan assim que paramos em frente ao portão do Palácio de Lupin, sede oficial do governo de Pushian.

— Abra a janela, Stephan. E chame por Embry, por favor.

Pediu Bella.

Apertei os dedos dela junto aos meus. Eu estava sentado a seu lado agora e nosso segurança dirigia.

Stephan seguiu suas ordens e logo um homem, quase que da nossa idade, apareceu junto à janela da frente.

— Sou Stephan, chefe de segurança dos herdeiros de Ângelus. Gostaríamos de autorização para entrar.

“O tal” não pareceu convencido, muito menos pré-disposto a nos deixar entrar. Eu queria ter avisado-os da nossa vinda, mas Bella não deixou. Ela queria apegar Leah de surpresa.

— Embry?

— Hã? Mas, quem... Bella? É você?

— Sou eu, meu amigo.

Assim que ouviu o chamado ele veio para a parte detrás do carro e agarrou as mãos, de minha mulher, pela janela quase entrando por ali.

Meu lado ciumento queria arrancar as patas dele de cima dela.

— Preciso falar com Jacob e gostaria que fosse uma surpresa. Pode me deixar entrar?

Ele sorriu com todos os dentes brancos que tinha e respondeu-a com intimidade.

É óbvio que se conheciam da época de que Bella e Jacob eram mais próximos em Forkian.

O cara devia ser o segurança do amigo de minha esposa. Às vezes eu me esquecia de que ele também era herdeiro de um trono.

— Não precisa usar esse olhar inocente, Bells. Ele só engana a esses homens babões por você. Já estamos a par de que descobriu os segredinhos sujos da monarquia. Pode entrar. Só me prometa que dirá a Jacob que me ameaçou para passar pelos portões. E que dará um murro, bem dado, no nariz de Leah. Essa pose de santa dela não engana ninguém... Sabemos disso, não é?

Fechei os punhos em reprimenda a minha raiva que queria sair. Ele não só me chamara de “babão” como piscara, insinuantemente, para minha esposa antes de nos deixar entrar.

— Odeio olhar por cima dos ombros e ver uma enorme fila atrás de mim, só esperando um erro meu, Isabella.

Esbravejei emburrado.

— Quem mandou ter mulher bonita e ainda ter esperado tanto para começar a lutar por ela. Ah, se eu tivesse a conhecido antes...

Stephan brincou... Mas, nosso objetivo de tentar aliviar o clima para ela não foi alcançado. Bella olhava fixamente para o imenso lugar que começava a se mostrar a nossa frente.

Não nos respondeu. Só respirou pesadamente quando o carro parou.

— Pode esperar por nós aqui, Steph. Não demoraremos.

Ele concordou sem pestanejar, no fundo sabia tanto quanto eu que Jacob não deixaria que nada acontecesse a ela, muito menos eu.

Antes mesmo de bater, fomos recebidos por uma governanta sisuda e nada lisonjeira, que só sorriu ao reconhecer Bella.

Então nos guiou até a sala de estar.

Eu odiava saber que eram tão atenciosos com Bella devido à aproximação, de sempre, entre ela e Jacob e por culpa minha que não havia cuidado do que era meu.

Bella

Eu já conhecia o palácio, afinal era a casa de Jake e de “meus tios”.

Billy era o melhor amigo de meu pai. Por isso, me sentia tão à vontade com as pessoas dali.

— Gostaríamos de falar com Leah, Cora, por favor.

— Claro que sim, querida. A princesa já está vindo. Sentem-se. Sintam- se a vontade. Desejam algo?

— Não queremos nada. Obrigado.

A coitada da governanta dos Black se afastou quando Edward a dispensou não muito educado.

Murmurei um agradecimente baixo, afinal ela fazia um bolo de chocolate incrível cada vez que Jacob e eu nos enfurnávamos no escritório do pai dele para estudar.

— Eles precisam mesmo ser tão solícitos?

A mão de Edward estava em minhas costas fazendo círculos tentando aliviar a tensão que apossava de todo meu corpo e se mostrava principalmente em minhas mãos trêmulas.

— Se acalme. Estou aqui... Estou aqui...

Não sabia se ele falava para mim ou para ele.

Paramos no meio da imensa sala e imediatamente meus olhos foram para uma grande foto de Jacob e minha, pendurada em cima da lareira. Era nova!

Nela segurávamos um, dos tantos, prêmios de medicina que ganhamos juntos.

Nosso sorriso era genuíno... Verdadeiro.

Não havia fotos dele e Leah ali. Nem do casamento.

Edward resmungou de desgosto, ao meu lado. Eu odiava estar fazendo-o passar por aquilo.

— Ele ama essa foto. Diz que o faz lembrar-se de como é compensador trabalhar a seu lado.

Aquela voz... Instintivamente esfreguei os braços que se arrepiaram. Minhas mãos suavam. Era meu íntimo lembrando-se de que a temia.

— Sentem-se. Nossa conversa será longa e...

Sem me conter e deixando que a raiva, da serenidade de boa-moça que ela aparentava na frente de Edward, me virei e encarei-a...

Foi meu maior erro...

“Falar o quê de sua filha? Que ela é o motivo de você não ter assumido nossa família? Que, propositalmente e enganosamente, ficava doente todas as vezes que você ia se separar? Ou que ela é sonsa, igual à mãe, e que te prende por saber que você tem uma reputação e um reino a zelar”?

As malditas lembranças dos ataqueis de Leah juntamente com as palavras ferinas de sua mãe, me fizeram reagir de uma maneira que nunca fizera antes.

— Bella!

Edward tentou me segurar, todavia fui mais ágil que ele e ela.

Saí de seu agarre, caminhei a passos largos até ela e a esbofeteei com toda força que tinha.

Ela não se mexeu, só soltou um suspiro de dor. E por um minuto, um breve minuto, tive a impressão de que me estenderia o outro lado da face.

— Mentirosa! Dissimulada! Cruel! Isso é por tudo que me fez passar.

Estendi a mão para continuar atacando e descontando toda raiva que mantinha trancada em mim durante anos.

Porém...

A vida teimava em brincar comigo.

— Bells, não! Ela está grávida! Por favor, pelo amor de Deus, Bella. Eu entendo você e sua dor, juro que entendo. Mas... Ela está grávida... Tenha misericórdia. É meu filho.

— Princesa... Não! Não compensa. Lembre-se de nossos filhos. Do exemplo que queremos ser.

A mão ficou parada no ar. Inerte... Edward... Jacob.

Leah me olhava sem nada dizer. Jacob se aproximava e Edward já tinha uma mão em meu ombro.

Fugi do meu pseudo-amigo quando tentou me tocar. Virei de costas para eles.

Somente Edward estava perto e me mantinha protegida dos dois.

— Por que? O que eu fiz? Eu nem sabia.

Ouvi quando deu alguns passos em minha direção, porém também ouvi quando Edward e Jacob a pararam com dois “nãos” baixos, mas, incisivos.

— Anos de influência. Não vou entrar no mérito da questão: minha mãe e meu pai. Eu...

— Meu pai.

Rosnei.

Ela se manteve alguns segundos calada, suponho que digerindo minha interrupção, antes de então voltar a falar.

— Isso! Seu pai... Não vou entrar no mérito da questão deles. Já sabemos que mamãe infringiu todos os limites e aconselho-a a ouvir seu pai agora. Ele tem o direito de...

— Não preciso de seus conselhos. Não somos amigas, nunca seremos. Só estou aqui para saber e entender o porquê de tanto ódio e ataques se eu nem sabia de quem você era filha. Tem consciência de tudo que fez?

Meu virei para ela. Edward aumentou o agarre em meu ombro com medo de que eu perdesse a compostura outra vez.

A raiva fluía de cada poro meu.

Ela suspirou alto e, o que parecia, envergonhada abaixou a cabeça e começou a falar.

— Tá bom, Bella. Vamos a...

— Isabella! Ou melhor, princesa Isabella, para você.

Interrompi mais uma vez, só no intuito de provocar.

Jacob continuava parado no mesmo lugar, mais perto de mim do que dela. Algo perverso dentro de mim sorriu para aquele fato.

— Ok. Como desejar, princesa.

Começou de novo.

— Eu não posso te especificar quando começou. Faço-me essa mesma pergunta todos os dias. Tudo que me lembro é de que um dia, cheguei em casa toda feliz por saber que teria a princesa Isabella como minha coleguinha de classe. Acho que tínhamos uns três anos, não sei. Só sei que minha mãe surtou e foi aí que tudo virou uma loucura. A partir daí ela me abordava sempre e me fazia jurar que não seria boa com você que, segundo ela, era má. Não merecia minha atenção e muito menos minha admiração. Sempre a ouvia dizer: “por culpa dela não temos uma família. Por culpa dela não terá um pai amoroso e dedicado. Por culpa dela não temos isso ou aquilo. Com o passar dos anos e das mudanças em nossas vidas o discurso de ódio se intensificava e mudava: “Por culpa dela não herdará um reino. Por culpa dela não será rainha. Por culpa dela não terá o homem que ama”. Pensa como isso passou a funcionar em minha cabeça. Era uma lavagem cerebral total.

Olhou entre Edward e Jacob ao dizer as últimas frases.

Eles poderiam não entender, mas eu entendia. O reino de Edward e o amor de Jacob. E olha que eu nem era uma herdeira direta.

— O sentimento “anti-Bella”...

Fez aspas com os dedos indicadores e médios das duas mãos para intensificar o “anti-Bella”.

—... Foi crescendo e crescendo, aí, num dia de discussão alta entre mamãe e Harry, descobri que ele não era meu pai. Que aquele homem que... Bom, essa parte vou deixar que pap... Que Charlie, te explique melhor. Enfim, quando dei por mim a única maneira de externar a raiva que sentia era te provocando, te agredindo... Eu me sentia realizada e vingada quando te via sofrer, chorar e desabar em minhas mãos.

— Eu não sabia. Isso passou por sua cabeça demente, doente?

Irritadíssima, apontei o dedo para ela, acusatoriamente.

Edward voltou a apertar os dedos em meus ombros, segurando-me.

— A princípio eu achava que era uma dissimulada. Que fingia que não sabia para ter Charlie e Jacob sobe seus poderes, mamãe dizia isso sem parar. E foi nessa época que intensifiquei os ataques. Mas, com o tempo fui percebendo os sinais de que você desconhecia a minha identidade e foi aí que o ódio ficou duas vezes pior. Como pode ser tão tapada? É mais parecida comigo do que com Rósalie e Alice. Olhe para nós! Só você não via isso. A inteligente, a superdotada era cega...

— Chega!

— Leah! Não complique as coisas! É isso mesmo que queria falar com Bella? Era por isso que vinha me implorando para conseguir um encontro entre vocês? Sue não está te influenciando agora. Pense com clareza, meu bem.

Gritei pronta para partir para cima dela e usar todas as táticas que Emm havia me ensinado. E pouco me importava que estivesse grávida.

Só que Jacob foi mais rápido e caminhou para perto dela repreendendo-a.

— Não, não era. Desculpe-me. Exaltei-me.

Olhou o marido nos olhos e senti o asco daquela situação toda.

— Falando em superdotada, ainda tinha isso...

Voltou a falar, agora de cabeça baixa parecendo relembrar coisas dolorosas.

— Quando, sem mais nem menos, você foi tirada de nossa turma, ainda no primário, e adiantada de séries, Sue mais uma vez enlouqueceu. Esbravejava pela casa toda que era por isso que seu pai não vinha para nós. Porque tinha uma filha, com Renée, que era um gênio e eu não era nada. Você não tem ideia do que me forçava a estudar. Eu tinha várias professoras particulares e virava noite aprendendo conteúdo em cima de conteúdo só para poder ser avançada de série e te acompanhar. Ela queria mostrar a Charlie que eu também era boa.

A voz dela falhou e foi impossível não identificar que engasgava e chorava.

Sue era um monstro, isso era fato.

Como meu pai pode?

— Eu te odiava mais ainda quando recebíamos alguma nota ou quando você apresentava algum trabalho escolar ou falava e fazia algo brilhante. Por mais que me esforçasse não conseguia te alcançar e, além disso, Sue sempre descobria, não sei como, seus feitos. Aí era um inferno. Eu sempre ficava sem alguma coisa de que gostava e até apanhava, por não conseguir te superar.

Jacob esfregou as costas dela e por mais que aquelas informações tivessem o conteúdo capaz de me tocarem e me fazer sentir compaixão, não o fizeram. Talvez se tivesse sabido disso na época.

— Bella, por favor, Jacob me fez entender que...

— Não!

Estendi a mão calando-a. Era a minha vez de falar.

— É Isabella, não se esqueça.

Ela somente deu um aceno triste, imaginando o que vinha pela frente.

— O tempo de conversar acabou, Leah. Você, como todos...

Fiz questão de frisar “o todos” e olhar para Jacob. Ele entendeu sem precisar de mais nada. Abaixou a cabeça.

—... Não se dignaram a me contar o que se passava. Ah! Você sofreu na mão de sua mãe? Pois bem, eu sofri na sua. Aqui se faz, aqui se paga. Sempre fui compassiva. Se tivesse me contado na época, talvez eu tivesse entendido e até intercedido a Charlie por você. Ele teria me ouvido, ele me ama. Alice e Rosie sempre conseguiram o que queriam através de mim. Mas, não. Você preferiu ter inimigos a ter uma família. Eu faria com que papai te assumisse e te levasse para nossa casa. Minha mãe é piedosa. Ela poderia ficar chateada, mas se renderia a meu pai. Ela não faz isso esses anos todos?

— Não. Espera. Do que está falando? Eles não...

— Chega, Leah!

Voltei a interrompê-la.

— Espero que o ódio tenha valido a pena. Porque se existe algo que tenho por você agora é asco, repugnância e talvez, só talvez, um pouquinho de pena. Mas, não o bastante para me comover com seu teatro barato de que quer meu perdão. Você não escolheu ser uma bastara infeliz que me odeia? Então, sinta-se realizada porque é isso que será para mim eternamente.

Sem mais delongas, dei-lhes as costas e, segurando a mão de Edward, caminhei rumo à saída.

O choro dela agora era alto, impossível de disfarçar.

— Bella? Por favor, não vá assim. Nós precisamos conversar.

Sem me virar, sem deixar que as palavras que tanto me embalaram com sua amizade incondicional, me abalassem, despejei...

— Ah, doutor Black, assim que for a Ângelus dê uma passadinha no meu hospital e se apresente imediatamente ao RH para assinar sua demissão. Já comuniquei a Aro e ele já está providenciando a sua recisão de contrato.

Selei o que anos me manteve de pé quando Leah me atacava... Bella & Jake.

Selei uma fase que tanto me fez sofrer na vida: A Bella que apanhava da irmã bastarda.

Isabella Cullen não apanhava de ninguém, ela batia...

Notas finais
Só para relembrar: Continuem não julgando Bella, por favor. Ela vai perdoar o pai, claro que vai. Mas, antes precisa mostrar a todos que mentir nunca foi uma opção. Ok? Beijinhos a todas e até breve. Teremos Swan's no próximo... Estamos beirando o fim... Acho que só mais três.