Três Príncipes, Três Princesas
79 O erro que causa um estrago
Notas iniciais
A um instante do Caos
Bella
Só fique calma, Isabella. Respire e fique calma.
Seu marido já está uma pilha de nervos. E isso basta.
Isso não é nada. Só uma dorzinha, você conhece, “na teoria”, os sintomas. Acalme-se, ele precisa de você sã. Ainda não é hora. Relaxe e o faça relaxar também.
— Bom vamos ver o que está acontecendo. Pelas minhas contas você está na trigésima terceira semana passando para a trigésima quarta e agora as coisas começarão a...
— Ela está sentindo dor, Ângela. Está se segurando porque não quer assustar ninguém. Mas está sentindo dor, acordei com seus gemidos.
— Não é nada, Edward. Eles estão grandes, só isso.
— Cale-se, Isabella! Pelo amor de Deus, fique calada!
Frustrado ele passou as duas mãos nos cabelos, se afastou de nós e encarou a janela.
Ângela ficou sem reação e, meus malditos hormônios, fizeram com que uma lágrima insistente escorresse.
Aquele fora só o primeiro de seus ataques naquele maldito dia. Eu devia ter previsto que nada de bom poderia sair de um dia que se iniciara assim.
— Se for para gritar com minha paciente, prefiro que espere lá fora. Não ajuda você se descontrolar.
Solucei baixinho enquanto Âng me estendia um lenço e me deitava na maca, com cuidado.
Os olhos de Edward buscaram os meus e se arregalaram, de horror, ao pereceber, depois da bronca, que eu chorava.
— Desculpe-me, não queria gritar. Perdoe-me, princesa. Só estou à beira de um ataque de nervos.
Evidentemente arrependido, voltou-se para perto de mim, segurou minha mão na sua e encostou a testa na minha.
Eu não poderia julga-lo por seu desespero, passamos uma noite infernal. Desde as duas da manhã uma dorzinha no baixo ventre e outra perto das costelas começaram a me incomodar.
Mudei de posição, levantei, sentei, bebi água, deitei de novo e nada de melhorar.
Por fim, me remexi tanto que Edward acordou e percebeu que algo não estava legal e foi aí que nossa luta começou. Ele entrou em desespero, acordou a casa inteira, inclua aí vovó, Rosie e mamãe que resolveram passar o restante dos dias de gravidez conosco, e todos os empregados.
Ah! Bá e Stephan não ficaram foram da lista. Esme também foi chamada.
Até aí, tudo bem. Todos estão muito ansiosos para a chegada de meus filhos, eu entendo.
O problema é que Edward fica maluco de preocupação. Ele quis ligar para Ângela ainda de madrugada. Eu é que fui firme e o impedi.
Já vi isso acontecer, muitas vezes. São sinais falsos. Os meninos só têm 33 semanas, Ângela quer esperar pelo menos até 36.
Mas quem falou que ele entende?
Tanto que mal raiou o dia e já fui colocada dentro do carro e, diga-se de passagem, a força.
E agora estamos aqui, nesse desespero, para ver o que está realmente acontecendo.
Segurar nossa família em casa fora outro problema. Todos queriam estar aqui caso os meninos nascessem. Acho que até Charlie, Emm e John já estão a caminho.
E tudo isso por um alarme falso, certeza!
— Tudo bem, eu te entendo, meu amor. Só se acalme, Edward, por favor.
Respirei alto e fechei os olhos quando outra dor veio com força, sem precedentes, e me atingiu.
— Viu, Ângela? É isso. É isso que ela está sentindo. Não pode ser normal uma dor que a faz trincar os dentes.
Ângela parou de ajeitar o aparelho da ultra, segurou minha mão direita e esfregou meus pulsos.
— Vai passar. Relaxe, relaxe... Não empurre. Não está na hora. E você? Senão se acalmar, vou mandar Jacob Black o sedar. Ele está no hospital, sabia? Esse seu nervoso não ajuda, Edward.
A dor foi-se foi como veio.
E Ângela o encarou com uma expressão nada agradável. Era até divertido ver que ela não tinha medo dele.
Era um duelo de gigantes ali. Pai-marido contra médica-amiga.
— O que está sentindo, Bella? Descreva detalhadamente para mim.
— Ela está...
— Eu disse Bella. Pode ficar quietinho por um minuto, por favor? Ou então, terá que sair da sala.
Ela derramou o gel sobre meu ventre e passou a me observar com atenção.
O “me forçar a falar” era estratégica médica para acalmar.
Preciso explicar alguns desses procedimentos a Edward antes do nascimento dos meninos.
— No baixo ventre é como “uma puxadinha”, ou um corte, não é uma contração. Se for está com intervalos muito longos.
— E o que mais?
Localizou um dos corações e o som retumbou pela sala. Ainda me fascinava quando eu os escutava. Musicas para meus ouvidos.
— Agora nas costelas é uma dor aguda, como um empurrão. Essa, vem mais espaçada. De meia em meia hora ou até mais de diferença.
Localizou o outro coraçãozinho.
— Certo vamos ver aqui.
Escorregou o braço do aparelho mais para baixo e Edward voltou a apertar minha mão com ansiedade.
Pelo menos ele havia se sentado e respirava mais devagar.
— Bom, como na última Ultra, bebê 1, aliás, já escolheram o nome desses meninos? Bebê 1 e bebê 2, soa muito frio.
— Já escolhemos, mas nem precisa perguntar, enquanto meu pai não chegar não revelaremos. Nós o chamamos de príncipes, isso não é nada frio.
Sorri para Edward. Fora uma luta até que chegamos a um consenso. Por fim, nossos filhos tinham nomes, só faltava Charlie chegar para divulgarmos a nossa família. Tenho certeza de que ele amaria.
— Então tá, vamos de novo: Como na última Ultra, príncipe 1, está de ponta cabeça e louquinho para sair e ver o mundo. Já príncipe 2...
Procurou mais um pouquinho.
— Ah, aqui. Príncipe 2 é mais calmo e continua viradinho para cima, ou seja, nada de parto normal, mamãe. Não tem espaço nem tempo mais para esse garotão virar.
Humm. Gemi chateada, eu tinha esperança.
— O que você está sentindo no ventre é uma contração sim, Bella. Mas, não se preocupe. Os intervalos são longos e estamos nos aproximando da data estimada, é normal.
Voltei minha atenção para Edward e presenciei seu semblante mudar de preocupado para aliviado, instantaneamente.
— A dor nas costelas, infelizmente, também é normal. Tem um príncipe aqui que insiste em esconder seus pezinhos lá e por menor que seja o movimento, te comprime, por isso as dores. Que diminuíram porque, como já deve ter percebido, eles têm se mexido menos devido à falta de espaço. Então, qualquer movimento gerará um desconforto grande nessa mamãe pequena aqui. Sugiro mesmo, que de agora em diante, repouso absoluto. Tem um bebê posicionado e apesar de estar tudo bem, os pulmões já prontos e fechadinhos, quero esperar o máximo possível para que eles ganhem um pouquinho mais de peso.
— Eles estão abaixo, Ângela?
Não eles não estavam, mas ela queria que eles ganhassem mais um pouco de peso. O que, automaticamente, significava que eu também ganharia mais peso. Como se já não bastasse os tantos que ganhei.
Incomodada por pensar nos quilos a mais trinquei os destes.
Um frio na espinha me percorreu ao pensar “no tal presente” que esperava Edward assim que chegássemos em casa.
E se ele achasse ridículas aquelas fotos? E se me achasse uma gorda sem noção?
Quando recebi as provas que, aliás, estavam escondidas em uma gaveta no escritório de nossa casa, a princípio achei que ele gostaria. Mas, depois do álbum pronto, veio à indecisão.
E se ele achasse aquilo vulgar, ou se se chocasse com meu peso e não conseguisse disfarçar?
Rosie jurava que havia ficado perfeito, mas eu tinha minhas dúvidas.
E se no fim ele odiasse? Eu ficaria arrasada, isso era certo. Meus hormônios não me deixavam pensar com coerência mais.
— Não, papai, não estão abaixo do peso. É só por precaução. Eu gostaria que eles ficassem aqui mais um tempinho. Pense assim, quanto mais ficarem aqui, mais rápido poderão ir para casa. Certo, Bella?
Eu não sei mais o que eles queriam de mim. Eu não trabalhava mais, não saia para lado nenhum sem companhia. Meu único trajeto agora era dentro de casa, mais especificamente, do quarto dos meus filhos, para meu quarto e dali para a sala ou cozinha, fim de percurso.
— Já conversaram com Jacob? Ele será o pediatra?
— Sim, ele será.
Respondi antes que Edward começasse. Ele não estava feliz com essa ideia, porém, eu conhecia meu amigo. Jake daria tudo de si por meus filhos. Seria ele sim, disso eu não abriria mão.
— O enxoval já está pronto? As malas também? Deixe tudo arrumado, não queremos ser surpreendidos.
Ângela fez menção de me limpar, Edward retirou os lenços de sua mão e fez isso ele mesmo.
— Fale isso para aquelas mulheres malucas, que estão lá fora. Esses meninos têm coisas que não usarão. O quarto parece mais uma loja de brinquedos. Acredita que Emm e Stephan estão disputando quem dá o melhor presente? Isso sem falar, das inúmeras coisas que tem chegado de todo o mundo, desde chefes de nações até de pessoas que se intitulam “fãs de meus bebês”.
Resmunguei emburrada com o exagero das pessoas.
— E isso é ruim?
Edward olhou-me divertido, com certeza lembrando-se de um fato que me tirou do sério outro dia.
— Diz isso porque não foi você quem recebeu dois anéis de ouro amarelo maciço, propondo um acordo de noivado de meus bebês com as princesas de, sei lá de onde... Não ria, Ângela. Sabe quantos anos elas têm? Dezoito! Dezoito, Ângela. Quem elas pensam que são para cobiçar os meus filhos?
Exasperei.
Edward segurou a risada e me ajudou a sentar.
— Ok, eu entendi. Elas não são ninguém. Agora respire fundo e se acalme. Precisamos de controle aqui.
Fiz o que ela pediu.
— Posso ir agora?
— Pode, mas com algumas condições.
Ângela não me olhou para especificar as “tais condições”. Estava focada, totalmente, em meu marido e ele, obviamente, nela.
Afh!
— Nada de esforço físico, nenhum, ouviu bem? Isso inclui o que vocês fazem dentro daquele quarto de vocês e...
— Tá, tá! Entendi, Ângela.
Edward fez careta ao entender do que minha médica falava.
— Não quero que exagere na comida, nem que fique nervosa ou se estresse por qualquer que seja o motivo. Preciso manter esses garotões aí. Então faça sua parte.
O “faça sua parte” ainda foi olhando para meu marido.
— Tudo bem, fiquem aí conversando com os olhares. Vou ali trocar de roupa.
— Eu te ajudo...
— Não, meu bem! Eu sei caminho.
Os deixei travando aquela conversa muda enquanto me trocava no vestiário. Eu entendia que precisava ser cuidadosa, mas custava falarem comigo?
— Prontos?
Perguntei já voltando depois de fazer um malabarismo para conseguir entrar no vestido e nas sapatilhas.
— Pronto. Podemos ir.
Agradecemos a Ângela, dispensamos nossas famílias e antes de partirmos passei pela minha sala para me despedir de Bree.
— Então, Bree, continue repassando meus pacientes para o doutor Black e não deixe de atendê-lo muito bem em seus dias aqui no hospital, ok?
— Sim, senhora. Mais alguma coisa?
Ela anotava tudo que eu dizia naquela agenda irritante de capa preta. Eu já disse que ela tinha um tablet a sua disposição?
— Sim, pare de me chamar de senhora. Você vai batizar um dos meus filhos. Deixe essa formalidade de lado.
— Sim, senh... Tudo bem. Está certo, Bella.
Mais satisfeita, lhe abracei e já ia saindo quando ela se lembrou de algo.
— Ah! O senhor Aro pediu que o avisasse quando você viesse aqui. Parece que precisa falar com você. Tentei contata-lo, mas ele não chegou ainda.
— Bom, estou indo para casa agora. Assim que ele chegar e se o assunto for importante, e não puder esperar, me avise. Já que não estou fazendo nada, volto aqui e converso com ele.
— Ok.
Despedi-me de novo e por fim fomos para casa.
Stephan não fez piadinhas, ele parecia sério demais. Zafrina idem.
Edward não comentou da consulta, sua mão apertava meu ombro me puxando para perto dele como se pudesse me colar ali.
— Vai para o palácio?
Perguntei minutos depois quando o carro já parava na porta de casa. Fora uma viagem completamente silenciosa.
— Só depois do almoço. Quero descansar um pouquinho. Nossa noite não foi das melhores.
— Então vamos subir?
Ele olhou entre mim e a porta do escritório por três segundos, antes de dar uma desculpa.
— Vá indo, princesa. Quero dar uma lida nuns documentos que trouxe para casa ontem. Tome um banho e deite-se. Daqui a pouco estarei lá.
Mesmo achando a atitude muito estranha, concordei. Eu não o precionaria a falar de algo que não se sentia a vontade. Era direito dele.
Coloquei-me na ponta dos pés e o beijei lentamente.
— Não demore.
— Eu prometo.
Edward
Com uma desculpa boba e para evitar o olhar especulador, de minha linda mulher, cada vez que encontrava o meu temeroso, me refugiei no conforto de nosso escritório.
Diferente do que sempre fazia, me dirigi à parte dela, no escritório. Sentar-me em sua cadeira, colocar os braços em sua mesa era, mesmo que estranhamente, um modo de me sentir perto, ligado a ela.
Cinco minutos, somente cinco minutinhos, era o tempo que eu precisava sozinho para colocar as ideias no lugar e respirar fundo sem precisar pensar na segurança de Bella e de meus filhos.
Eu estava paranoico com isso, a um fio de enlouquecer e cometer uma terrível loucura.
As ameaças não cessavam.
A invasão a Volterra só atiçara mais a ira dos Volturi, que agora estavam no “tudo ou nada”.
Nosso serviço secreto interceptara várias e várias mensagens e telefonemas que comprovavam que eles atacariam assim que tivessem uma oportunidade.
E o pior, hoje de manhã Stephan fora chamado com urgência, por causa de um pacote que nossos seguranças encontraram no fim de nossa rua: Uma caixa grande estava embrulhada num papel de presente. Depois de muito cuidado, ao abri-la encontraram dois pequenos ursos de pelúcia, completamente iguais e com um corte enorme nos pescoços: aquilo sombolizava uma ameça clara a meus filhos.
Agora, adicione a isso, um fim de gravidez e gêmeos “serelepes” que insistiam em tornar minha vida uma loucura antes mesmo de nascerem:
Pronto! Eis o Edward Cullen de hoje.
— Senhor, está tudo bem? Está sentindo alguma coisa? Precisa de algo?
Assustado, por ter sido pego em um momento de fraqueza, abri os olhos, que nem percebi quando os fechei, e me deparei com Donna me avaliando especulativamente.
— Perdoe-me, não queria incomodar. Só preciso de notícias de nossa menina. Vi que ela subiu, mas não quis incomodar. Ela pode estar descansando e não queria atrapalhar.
Desajeitado, por ter sido pego em flagrante num momento daquele, esbarrei o pé na última gaveta da escrivaninha, que não fora fechada direito, quando ajeitei a postura.
Xingando muito mentalmente, fiquei ereto e disfarcei da fisionomia a grandiosidade de preocupações que me atormentavam, afinal eu era o responsável por aquela família.
— Fez muito bem em não incomoda-la, Bá. A médica disse que dormir, a partir de agora, será um luxo.
Confidencie o conteúdo secreto de minha conversa com Ângela, enquanto Bella se trocava no fim da consulta.
— Foi só isso que ela disse? Você parece tão preocupado.
Ela voltou a me observar com atenção. Incomodado com aquilo e tentando disfarçar o que realmente se passava dentro de mim, me abaixei e tentei, em vão, fechar a maldita gaveta que insistia em acertar meu pé.
Todavia, um envelope pardo, muito grosso teimava em obstruí-la. Quem colocara aquilo ali?
— Foi só isso, Bá. Está tudo dentro da normalidade. A doutora só recomendou repouso absoluto. E conhecendo Bella como conheço, penso que teremos problemas demais a vista.
— Daremos um jeito. Ela se cuidará porque a saúde dos filhos está em cheque. Bella os ama, chefe.
Distraído, concordei com ela e, perdendo o pouco de paciência que ainda tinha, arranquei da gaveta aquela “porra” de envelope.
Que “merda” era aquilo? Quem quer que o tenha colocado lá não percebera que ele era grande demais para aquele espaço?
— Então tá. Se precisar de alguma coisa estarei na cozinha, tá?
Creio que tenha acenado a ela em concordância, ou talvez não, minha concentração agora já estava toda no maldito envelope.
Curioso e certo de estar invadindo a privacidade de alguém, girei-o nas mãos, encontrando um pequeno e discreto destinatário: Isabella Cullen.
Por um instante meu coração acelerou e o sangue gelou de medo e pavor de que Bella poderia ter recebido, diretamente, uma ameaça e que isso poderia causar um estrago no psicológico dela.
Sem pestanejar, derramei todo seu conteúdo em cima da mesa.
Porém, o que se revelou para mim me fez ofegar.
— Mas, que “merda” é essa?
Fotos! Fotos! E muito mais fotos!
Devia ter umas duzentas, trezentas talvez. E em todas elas ou Bella estava totalmente ou parcialmente nua.
“Pela décima vez” naquele dia, fiquei maluco, era coisa demais para um dia só.
Rapidamente, fiquei de pé, juntei aquilo tudo nas mãos e corri, enfurecido, ao encontro dela.
Eu sentia o controle se esvaindo e a irritação me dominando de uma vez. Eu sabia que o certo seria controla-los, mas não conseguia. Eu já estva fora de mim.
Nós não teríamos chance de sair daquilo sem nos machucar, eu sabia. Eu não nos daria essa chance.
— Isabella!
Gritei ensandecido ao não encontra-la no quarto.
— Oi. O que houve?
Apareceu assustada, vindo do closet.
Não usava mais o vestido de agora a pouco. Estava de calça de tecido. Uma de elástico, preta e com uma bata solta, de mangas longas, branca. Nos pés um sapato, fechado, baixo, também preto. Os cabelos soltos e brilhantes.
Ela ia sair?
— Isso! Aconteceu isso!
A explosão veio como um tsunami: Ameaças, gravidez de risco, Jasper, Alice, trabalho, reinado, ciúmes e por fim, o estopim de tudo, fotos nua.
Atirei, com violência, o motivo de minha ira, na cama, bem perto dela. Eram tantas que algumas foram parar no chão, a seus pés.
— Onde encontrou isso?
Perguntou afetada e... Envergonhada?
— Não interessa onde encontrei. O que interessa é o teor disso. Você enlouqueceu?
Ela enrubesceu e não desviou os olhos das imagens. Não me olhou nos olhos.
— Você não tinha o direito. Nunca mexi nas suas coisas. Nunca vasculhei seus segredos.
Com dificuldade, por causa da gravidez já adiantada, ela se abaixou e começou a pegar aquilo tudo.
Eu devia ter parado aí, devia ter respirado e me controlado. Porém a cegueira do ciúme falou mais forte do que qualquer lógica.
— Não existe minhas coisas, suas coisas, são nossas coisas. Meus segredos são para sua proteção, não algo nojento que escondo no fundo de uma gaveta.
Foi instantâneo, quando terminei de gritar a última parte da frase, ela soltou tudo o que segurava, se levantou e me encarou já sentindo a dor do que eu havia dito.
— Pare enquanto há tempo, Edward. Por favor.
Clamou baixou, os olhos já se iluminando de umidade.
De novo, eu devia ter me compadecido, contudo não enxergava nada além do meu próprio ego ferido.
— Então é isso que faz quando não estou em casa? Quando estou trabalhando?
Peguei uma das imagens na mão e a sacudi diante do rosto dela, insanamente.
— Fica pelada na frente de, não sei quantos, homens?
Uma expressão de horror tomou conta dela e a resposta foi imediata.
— Edward, deixe-me explicar, por favor. Você está entendendo tudo errado. Não foi assim.
— Não tem explicação para isso, Isabella. Mas também o que eu poderia esperar da irmã de Alice e Rósalie? Está começando a agir como elas.
Alfinetei, sem dó. O amargor só de imaginar outros homens desejando, querendo o que é meu, turvava minha mente e queimava minha garganta.
Eu queria feri-la como estava ferido.
— Nunca imaginei isso de você. Droga, Isabella! O que estava pensando? Você está grávida. Devia se dar ao respeito. Isso não é postura de uma princesa, quanto mais de uma mãe, está mais para uma vadi...
— Chega! Não termine. Por tudo que é mais sagrado, não termine essa frase.
Surpreendente, ela não gritou, como eu estava fazendo. Murmurou baixo, bem baixo. E só isso não teria me parado, entretanto, um soluço triste e o tremor de sua mão esquerda, a mão de sua aliança, esfregando a parte baixa do ventre, me fizeram retroceder e parar.
De repente a raiva deu lugar ao medo.
— O que foi? Aonde vai?
Ignorando-me e meio cambaleante, ela agarrou a bolsa e o celular e caminhou a passos lentos para longe de mim.
Assustado por não saber para onde ela ia, dei dois passos em sua direção, pronto para segui-la.
Contudo, fui parado somente pelo olhar sofrido e suas mãos estendidas com as palmas abertas, em minha direção, me barrando, me proibindo.
— Não se atreva!
Não me mexi. Ela estava nervosa, muita nervosa e mesmo que eu tivesse com a razão nessa discussão, estressa-la não era o intuito.
— Seu tio Aro acabou de me ligar avisando que já está no hospital. Ele precisa que eu vá até lá para assinar a documentação de minha licença e da nomeação de Jacob a chefe, interino, da neuropediatria.
— Vou com você.
A interrompi.
— Não, você não vai. Stephan a Zafrina me levarão. Aproveite esse tempo, se acalme e pense em tudo que falou. Você não de deixou explicar, Edward.
— E tem explicação? Isso tem explicação? Então fale de uma vez, porra!
Voltei a aumentar o tom de voz. Só de olhar para aquilo eu me descontrolava.
— Rá, agora você quer ouvir? Não, querido! Não é assim que funcionam as coisas. Agora eu vou para o hospital. Preciso respirar longe de você. E creio que precise se acalmar também.
Com os olhos mais marejados ainda, a voz baixinha também e a mão afagando o ventre, que claramente doía, ela colocou mais distância entre nós, pronta para sair.
— Achei que já tivéssemos passado dessa fase, Edward. Você me conhece melhor do que isso. Pense em tudo o que me falou agora a pouco. Eu não merecia e vou te provar isso.
De repente inseguro e com medo de “ter metido os pés, pelas mãos”, voltei a me defender da melhor maneira que eu sabia: atacando.
— Eu não deveria ter gritado, me desculpe por isso. Todavia, a imagem de você agindo “como uma qualquer”, se mostrando para um bando de, de... Justifica minhas atitudes. Eu achei que te conhecia. Onde está a Bella que se faz de tímida comigo e com a família?
Dessa vez eu estava mais consciente do que fazia, também não gritei, só fui cruel o máximo que podia.
— Quer saber? Vá para o inferno, Edward Cullen.
Atônito com o ataque, vi a postura dela mudar, de novo. De dor e sofrimento para magoada e cansada.
Ela não ficaria ali por muito mais tempo.
— Não vou mais ficar nesse “bate boca” com você. O “senhor da verdade” já chegou aqui com a opinião formada de, sou culpada. O que me tranquiliza é saber que quando a verdade vier à tona, o arrependimento corroerá até suas entranhas. Só, que pode ser tarde demais, para consertar o mal feito.
Dessa vez lágrimas grossas deslizavam pela face bonita de porcelana.
Um pontada de dor ao vê-la tão vulnerável me fez baixar a guarda.
— Amor...
Clamei carente, pronto para esquecer aquilo tudo, coloca-la no colo e acalenta-la com meus beijos.
Porém...
— Vá para o inferno, Edward. Não se atreva.
Ela não me deu a chance, do mesmo jeito que fiz, recebi.
Foi doloroso, foi sofrível vê-la sair sem olhar para trás. Só que, eu sabia, que o que estava sentindo, não era nada comparado ao que ela estava devia estar passando.
— Porra!
Sentei no chão, juntei o máximo de fotos que consegui nas mãos e me chafurdei no que achava ser meu direito, minha dor.
As fotos eram coisa de outro mundo. Bella estava linda, ou melhor, linda era pouco. Ela estava perfeita, deliciosa, gostosa, uma tentação.
Duvido que algum dos fotógrafos não tenha se excitado ao verem-na daquele jeito.
— Droga!
Se ela queria fazer algo assim poderia ter vê avisado, não a recriminaria. Só ficaria junto, cercando. Garantindo que ninguém a olhasse mais do que o necessário.
Esfreguei os cabelos, com violência quando o líquido quente escorreu de meus olhos e molhou meu rosto, minha camisa.
O que eu havia acabado de fazer?
Acharem Bella bonita não era novidade, agora crucificá-la e hostiliza-la por isso, sim. Não era culpa dela ser desejável.
O que deu em mim?
Eu conhecia minha mulher. Eu sabia que ela não tinha feito nada de errado.
— Merda!
Deitei, no chão mesmo e abracei aquelas malditas fotos da discórdia. O que eu faria agora?
Não adiantaria implorar, ajoelhar, clamar. Eu a havia destruído.
Pensei, pensei e pensei e... nada. Foi em vão. Não sabia o que fazer.
Lamuriei-me por minutos, nem noção do tempo eu tinha mais.
Só fui capaz de ter noção de que fazia muito tempo que ela saíra, quando Rósalie entrou feito um furacão dentro do quarto e se encaminhou direto para o closet.
— Seu burro! Era um presente. Seu idiota! Alice, Bella e eu, passamos semanas nos esforçando para bolar um presente legal para seus irmãos e você. A ideia de um álbum sensual foi minha e de Alice. Pensamos que seria legal para alto estima da nossa irmãzinha também. Perceber que mesmo grávida de gêmeos, era bonita, desejável. E olha o que você fez, seu monstro?
Instantes depois ela saiu de lá com uma caixa bonita em mãos.
— Abra isso, seu idiota de uma figa. Burro, que não merece a mulher que tem. Ah! Que raiva de não ter deixado Bella dar uma chance a Jacob. Aposto que ele saberia valorizar esse presente melhor do que você.
— Presente?
Ignorante ao que ela dizia abri a caixa e logo fui surpreendido com um livro grosso, cuja capa era umas das danadas das fotos indecentes.
— Isso, seu babaca, um presente. Uma equipe de oito mulheres, preste atenção, porque eu disse, oito mulheres, se debruçaram em cima de Bella naquele dia que fomos ao SPA para que ela fizesse isso de presente para você. E o que você faz em agradecimento? Convençe sua esposa de que as fotos são vulgares, que ela está feia e que você odiou a ideia sem nem mesmo saber que foi tudo feito para você. Seu bastardo, ciumento.
— O que está dizendo, Rósalie?
Folheie o álbum desconsiderando os insultos. Rósalie não estava em si e eu estava letárgico por começar a “juntar todas as peças” daquela confusão.
Impotente, ao começar a chegar numa conclusão, acariciei com os olhos e com os dedos, as mesmas fotos que eu havia amaldiçoado agorinha há pouco.
— Estou dizendo que você é um “tapado”, Edward. Essas fotos, os ensaio, o álbum, chame do que quiser, era um presente. Um presente porque você estava merecendo, sendo cuidadoso, carinhoso, bom pai e muito bom marido. Mas, aí você tinha que nos mostrar que continua sendo um ogro, e estragar tudo.
— Ela não me disse.
Disse baixo incapaz de parar de me embebedar pelas imagens maiores, mais bem impressas e lindamente dispostas naquela brochura.
— Rá! Claro que ela não disse. Tenho certeza absoluta que você não lhe deu a oportunidade. Jacob me contou que ela chegou ao hospital não falando coisa com coisa. Por isso ele me ligou, querendo saber o que era essa história de “ele odiou”, “não me deseja mais com essa barriga”, “não me encaixo nos padrões”. Ele só foi capaz de tranquiliza-la quando Bree e Ângela foram até ela.
— Jacob?
Mais consciente agora, aprisionei, no mais profundo de meu íntimo, o monstro do ciúme. Fechei, com delicadeza, meu presente e o devolvi a caixa de embalagem. Eu me recusava a vê-lo até o fim sozinho.
Depois que rastejasse e “lambesse” o chão que Bella pisa, implorando seu perdão, aí sim, apreciaríamos o meu presente juntos.
— Sim Jacob. Ele voltou hoje. E, muito provavelmente, está consolando e acalmando sua mulher e seus filhos neste exato instante.
Não! Ela não conseguiria! Eu já tinha estragado tudo por causa de insegurança infundada, não cairia no joguinho dela.
Todavia, ela me fez tomar uma atitude, foi o estopim. Coloquei-me de pé pronto para sair e não, dessa vez não para estragar as coisas. Era porque se Bella não estava bem agora e nos meus braços era por culpa minha, eu precisava consertar isso imediatamente.
— Só me responda uma coisa, antes de sair por aí consertando suas burradas.
— Fale.
Dei-lhe atenção.
— O que estava pensando, Edward?
— Eis a questão, Rosie, como sempre, eu não pensei, agi.
Respondi cansado e amargurado pelo dia ruim que estava tendo.
E pensar, que em certo momento, eu jurara que teria meus filhos em meus braços ainda hoje.
— Emmett ganhou um presente desses quando eu estava grávida. Ele não comentou com você?
Neguei esfregando os olhos.
Minha imagem devia estar um caos, de dar pena, pois, surpreendentemente, ela foi capaz de se aproximar e ajeitar meu cabelo, com carinho.
— Semana passada, depois de um longo tempo de ajustes, Jasper também ganhou o dele, atrasado, mas ganhou. Meio que tentamos fazer disso um ritual de passagem, entende?
O “tal bolo” voltava a se formar em minha garganta, todavia, não dei vazão a ele. Isso não era nada perto do que havia feito Bella sentir.
— A culpa, como sempre, é minha e de Alice. Nós a convencemos, isso na época em que elas ainda estavam bem. Tá certo que seria uma surpresa para você, mas foi também uma “injeção” de ânimo e autoconfiança nela. Queríamos que ela parasse de falar ou pensar que estava feia ou gorda. Como eu disse e ela também teria te falado se você tivesse lhe dado à oportunidade, não teve homens envolvidos. Stephan e Zafrina fiscalizaram e nos ajudaram com a documentação de proteção e confidencialidade. Só você contemplará essas fotos, eu juro, Edward. E quanto estiver com a cabeça fria perceberá que não tem nada de vulgar aí. Provocante talvez, vulgar não! Bella não se submeteria e eu não permitiria que a coagissem. Era para ser divertido. Eu não queria e nunca pensei que causaria essa confusão. Desculpe-me.
“Vadia, vulgar, imoral”! Não me surpreendenti que Rosie soubesse, exatamente, as expressões que usei. Nossa família me conhecia demais e sabiam no que eu me tornava quando perdia o controle.
— Não precisa se desculpar, Rosie. A culpa foi minha, de novo. Então, se não se importa, eu preciso ir. Nem sei por onde começar a consertar o que fiz. Só sei que preciso começar de algum jeito.
Pasmando-me, mais uma vez, ela me puxou e fechou os braços em volta de mim, abraçando-me.
— Bella está vulnerável, nunca foi de gritar e não será agora que mudará. Porém, está magoada e é a rainha do drama e da manha. Suplique e a cubra de carinhos e mimos e tudo se ajeitará. Ela sabe que seu amor é incontrolável, doente e possessivo. Agora, prometa Edward, que dará um jeito nesse gênio. A vida de vocês está prestes a mudar radicalmente e não há casamento que aguente tantos ataques gratuitos.
Afastei-me, minimante, dela e beijei sua testa, fraternalmente.
— Eu prometo, Rosie. Se Bella me perdoar essa terá a sido a última vez que briguei com ela por ciúmes. Nunca mais ela passará por isso, eu juro. Pode acontecer qualquer coisa, a partir de agora, que tente me tirar do sério, mas não me afetará. Não em relação a ela. Engolirei seco, cada vez que ver alguém a desejando ou tentando flertar com ela. Prometo-te, cunhada. Bella não sentirá na pele mais, as consequências de minha possessividade.
Ela não disse que acreditava ou não, somente sorriu e se soltou de mim, me influenciando a seguir com meu plano de correr para implorar o perdão de minha mulher.
Não perdi tempo, já com o telefone em mãos, discando o número dela, corri para fora...
Jacob
— Tem certeza de que não quer ficar mais um pouco, Bells? Passe a noite aqui. Proibimos a entrada de Edward e você descansa mais.
Estendi o braço para que ela o usasse para se firmar e descer da cama. Não adiantava insistir, eu a conhecia, ela não ficaria aqui.
— Pode deixar que eu faço isso.
Stephan, o segurança, colocou a mão em meu ombro e, educadamente, mas forte, me distanciou do contato dela.
Bella não o repreendeu, já devia estar acostumada com a interferência dele. Com certeza, essa não era a primeira vez.
— Tá tudo bem, Jake. Minha pressão já baixou e estou mais calma. Além disso, vocês não vão conseguir manter Edward longe daqui...
Olhou, carrancuda, para o celular que continuava a vibrar, insistentemente, na mesinha ao lado da cama.
— Jacob está certo, Bella. Você precisa de descanso.
Ângela, que também estava com ela aqui no quarto, desde que chegou chorando e muito nervosa, também tentou dissuadi-la.
Pela primeira vez, em muitos meses, tive vontade de enforcar Edward Cullen.
— Vou descansar em casa. Duvido que Edward continue com seu ataque. Como já perceberam, pela insistência do celular, ele deve estar se corroendo de dor na consciência agora.
— Ele que se afogue...
Ângela espetou.
Zafrina pegou a bolsa de Bella, o celular e o juntou nas mãos.
Stephan, com a mão em seu braço, fechou mais a expressão e foi guiando Bella para a porta. Era óbvio que ele não aprovava que falássemos mal de seu patrão.
— Quer que eu traga uma cadeira de todas, princesa?
Ele não falava comigo, fazia questão de me ignorar. Era totalmente fiel a Edward.
Eu não estava entendo tanta hostilidade. Quando Bella estava trabalhando havíamos encontrado uma maneira legal de conviver. Até brincávamos de vez em quando, igual à vez que apostamos sobre o sexo dos bebês.
Hoje ele estava completamente diferente e eu totalmente confuso.
— Não, Steph, está tudo bem. Só vamos devagar.
— Eu disse, que não está bem ainda. Poderia ficar aqui. O padrinho aqui, poderia cuidar muito bem de você.
Foi instantâneo, Bella me olhou-me e o segurança também.
O que eu disse de errado?
— O quê? Sou seu melhor amigo. É óbvio que serei um dos padrinhos.
Bella ficou embasbacada e quando se deu conta do que eu tinha dito sorriu sinicamente, de lado.
— Não se auto- convide, Jake, é feio e falta de educação. Meus filhos já têm padrinhos, Emmett e Stephan. E além do mais, choveria canivete, no dia que Edward o deixasse batizar um de nossos filhos. Padrinhos precisam estar presentes. E se, por si só, seu passado não te condenasse, eu não desejo Leah frequentando minha casa.
— O segurança será padrinho e eu não? Em que mundo isso é justo?
Deixei para pensar no que ela disse sobre Leah em outra oportunidade, eu estava mais interessado na outra informação.
— Não, seu arrogante, de merda. O segurança não será o padrinho. O melhor amigo de Edward será.
Stephan sorriu agradecido para ela, e me senti mal pelo que tinha acabado de dizer. Eu não era assim.
— Perdão, não foi o que eu quis dizer. Só me surpreendeu. Lógico que imaginei que não seria eu, só estou brincando. Achei que seriam Jasper e Emmett.
Começamos a caminhar para a saída. Por onde passávamos, cabeças curiosas se viravam em nossa direção afinal, a princesa havia chegado chorando e todos estavam eufóricos para saberem o porquê disso.
— Meus compadres vieram por merecimento, não por seus sobrenomes ou cargos. Agora, dá um tempo e vá preocupar-se com meu setor, Jake. Não estamos te pagando uma fortuna para acompanhar sua amiga, grávida, pelos corredores. Vá cuidar das minhas crianças que logo, logo estarei de volta e quero encontrar tudo na mesma ordem que estou deixando.
Paramos na porta, lateral do hospital, o carro dela estava só a alguns metros.
O sol estava quente lá fora.
— Tudo bem. Eu já vou, doutora. Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa...
— Se a princesa precisar de qualquer coisa ligaremos para a doutora Weber, já que ela é a médica dela. Muito obrigado pela sua presteza e atenção. Bree já está sabendo de tudo que fez por nós e lhe passará, o cheque com os honorários. Muito obrigado.
Stephan me interrompeu, mais uma vez, e, devagar, puxou Bella para longe de mim, me impedindo até de abraça-la para me despedir.
Quanto será que Edward o pagava para ser tão cuidadoso assim.
— Edward tem um bom amigo.
Ângela me provocou batendo em meu ombro, enquanto Bella dava um “tchauzinho sem graça” para nós, com as pontas dos dedos.
Quis dizer que Stephan hoje estava mais para “cão de guarda”, mas não o fiz, não era mais da minha conta.
Eu amava Leah.
— Tá bom, doutora, deixemos a princesa seguir com sua vida. Agora vá trazer uns bebezinhos ao mundo, porque a pediatria está muito calma.
Bati, de brincadeira, como o prontuário de Bella, no bumbum dela.
Estava mais calmo agora. Bella estava bem.
Diferente de quando tinha chegado. Eu não questionara muito, só sabia que o “marido perfeito” havia ficado possesso por causa de umas fotos provocantes.
Acalmei-a, como podia. Não critiquei Edward. Será que eu seria diferente se fosse marido dela?
Provavelmente não!
Bella era linda demais e obtusa demais para seu próprio bem.
Edward
Droga, droga, droga, mil vezes droga!
Eu estava um caos.
Tenho certeza que metade dos meus cabelos estavam espalhadas pela casa a fora e a outra metade se encontravam, nesse instante no banco traseiro de meu carro.
A autopiedade de agora a pouco, se transformava em uma raiva explicável reverberando de dentro de mim. Um ódio da minha babaquice, do meu ciúme e da minha falta de diálogo e principalmente da minha impulsividade.
As palavras duras de Rósalie ainda ecoavam por minha cabeça, latejante de tanta dor na consciência.
— “Era um presente, seu idiota! Alice, Bella e eu, passamos semanas nos esforçando para bolar um presente legal para seus irmãos e você. A ideia de um álbum sensual foi minha e de Alice. Pensamos que seria legal pra alto-estima da minha irmãzinha, perceber que mesmo grávida de gêmeos podia ser bonita, desejável. E olha o que você fez, seu monstro”.
Eu sabia o que tinha feito e como sabia. E pra provar que eu era um completo babaca minha cunhadinha não deixara barato e escancara para mim, como eu não merecia minha esposa.
E quem poderia julga-la por pensar assim?
E pra meu completo desespero, acho que dessa vez não havia mais solução.
Bella não atendia ao telefone, por “lei nenhuma”. Segundo Bree, a qual eu já havia importunado também, ela estava sendo atendida por Ângela e Jacob e não podia atender ao telefone no momento.
Mas eu conhecia minha metade, Bella estava magoada, e com razão por isso, não atendia.
E nem com Stephan eu podia contar, porque o bastardo também se recusava a atender o maldito celular.
Meu lado egocêntrico queria que ela entendesse meu lado. Que marido, em sã consciência, seria capaz de ficar inerte ao encontrar provas de fotos, de sua mulher completamente nua?
Poxa! Eu agi como homem!
Tá! Nem foi tão homem assim. A parte dos xingamentos ainda me atormentava e crucificava.
Mas também, Bella nem se defendeu, ficou muda, calada. Queira o quê? Que eu adivinhasse?
Por Deus! Quem estou querendo enganar? Eu não deixei a mulher falar.
Só peguei as malditas fotos e atirei nela, depois parti pra agressão verbal.
E pra completar meu ataque, de mulherzinha, corri para casa de minha mãe e contei a Esme o que tinha feito. Ela já sabia. E se eu pensava, por um minuto que ela me daria razão, me enganei completamente. Esme só não me bateu porque queria que eu saísse logo e fosse ao encontro de minha mulher. Porém, tenho certeza de que ela guardaria sua raiva para outra ocasião.
O que mais doeu foi ela dizer que eu estava me tornando um “Carlisle da vida”.
Agora o arrependimento me consumia como lenha na fogueira. Segundo minha mãe, Bella estava bem, não graças a mim óbvio, mas graças a Ângela e Jacob. O que era pior ainda de suportar.
Esme fora dura dizendo que, totalmente por minha causa, Bella teve que ser medicada, pois estava ofegante demais e que a pressão subira preocupantemente. E que agora se encontrava descansado num dos leitos do hospital até que estivesse mais calma.
E eu era homem o bastante pra saber que o pior ataque ainda estava por vir: Charlie Swan.
Claro! Meu sogro há essa hora já deve estar pousando em nosso território, Renée nunca que deixaria um de meus ataques passarem. Então era questão de segundos até que ele tentasse, de todas as maneiras, arrastar a filha de volta pra casa, para ter um término de gravidez tranquilo lá. Eu conhecia meu sogro, ele não perderia a oportunidade que lhe dei.
Então. isso significava que eu tinha poucos minutos pra agir.
Por isso, sai sem me despedi das pessoas, que me olhavam acusadoramente na casa de Esme, e corri para a garagem.
Dimitri, muito provavelmente já imaginava meu humor, pois abriu a porta para mim sem pestanejar ou perguntar.
Sam também se fez de mudo, o que eu agradeci, pois com o humor de cão que estava era bem provável que eu os mandasse para o inferno. Principalmente o segundo, já que seus sentimentos por minha garota não me eram ignorantes.
— Pra onde, senhor?
O “senhor” era prova de que eles entendiam a gravidade da situação.
— Para o HoCedeA. Sem demora, por favor, é urgente.
— Ok. Por favor, coloque o cinto, Edward.
Acenei com a cabeça e como eu pedi pressa ele se pôs a trançar pelo trânsito caótico de nossa capital.
O horário não foi nem um pouco generoso conosco e consequentemente nos vimos parados em meio a um fluxo enorme de carros. Mas, quem eu poderia culpar?
Já era quase dezoito horas e todos estavam na mesma ânsia de voltar para os aconchegos de seus lares.
Por isso, uma viagem de quinze minutos durou quase meia hora, e só então, comigo louco de ansiedade, estacionamos em frente ao hospital.
E como tudo que já está ruim pode ficar ainda pior, avistei de longe Bella entrando em sua Land Rover preta e Stephan correndo para o banco do motorista.
Merda!
— Ali, Dimitri. Intercepte e feche o carro de minha esposa. Eu preciso ir pra casa com ela. Quero entrar naquele carro.
Com agilidade ele foi capaz de virar o carro, mas não foi capaz de evitar a “fritada de pneus”. O que deve ter assustado Stephan, pois ele pisou no acelerador e colocou dois carros entre nós e ele.
— Por Deus, homem! Tome cuidado. Isabella está grávida. Ela não precisa passar por mais um susto hoje. Ligue para Zafrina e diga que estou exigindo que Stephan estacione aquele carro na primeira oportunidade.
Sam sacou o telefone e fez o que mandei. Logo os dois homens seguiam minhas ordens.
No entanto, nada estava mesmo a meu favor, achar algum lugar para estacionar, naquele horário de pico, estava impossível e se demorássemos muito, logo chegaríamos em casa e minhas chances de me rastejar e implorar pelo perdão de “minha rainha” cairiam a estaca zero. Charlie e Rósalie não me dariam aquela chance.
— Mande Stephan virar no primeiro retorno, Zafrina. Ele pode estacionar ao lado do canteiro. Será rápido, só o momento de Edward descer e entrar aí.
Sam instruiu Zafrina pelo telefone. Eles não haviam parado de conversar desde que eu pedi que ligasse.
Mais alguns minutos e, graças a Deus, fui capaz de avistar o carro estacionando e parando um pouco mais a frente.
— Peça para Isabella ficar calma. São ordens do patrão. Diga a ela que por mais que a amemos e que ele seja um idiota, ele ainda manda na coisa toda, quando o rei Charlie não está presente.
Reprimi um gemido. Bella deve estar dando trabalho para ela e Stephan.
Eu teria que salvar a barra deles depois.
— Espere, Zafrina o que está acontecendo?... Zafrina? Quem são essas pessoas?
Assustado com a gritaria repentina dele, me joguei entre os dois bancos e assisti inerte ao que, com certeza, seria o pior episódio de minha vida.
— Aborte, Zafrina. Aborte.... Mande Stephan sair daí.
Mas, o carro não acelerou.
— Acelere Stephan... Saiam daí. Eles estão fortemente armados. Zafrina, o que está acontecendo? Fale comigo.
Armados... Fortemente armados.
— São sequestradores, Sam. Eles têm que sair de lá.
— Eu sei, Dimitri, eu sei.
Quatro carros cercaram o carro de minha mulher, dois vieram pela frente e, os malditos dois, que nos separavam dela, estavam atrás.
Oito pessoas fortemente armados e encapuzados, desceram e sem piedade apontaram suas armas para onde, supostamente, estavam os passageiros, já que o vidro era escuro e eu não tinha certeza de onde cada um estava sentado.
Sam gritava descontroladamente...
— Saia Stephan... Saia. Deus!
No entanto, a situação já estava fora de controle e quando dois dos homens notaram nossa presença e nos apontou suas armas fazendo menção de atirar, Dimitri engatou a ré e pôs o carro em movimento na maior velocidade possível.
— Não!
Gritei desesperado.
— Volte! É uma ordem, Dimitri. Bella. Eles vão levar minha Bella. Eu estou mandando. Volte agora!
Aos gritos e solavancos, me joguei sobre o volante. Eu não aceitaria que fugíssemos e abandonássemos Bella.
— Edward, se acalme. Eu preciso tirar você daqui. Se acalme...
Todavia um estampido alto congelou nossas ações por meio milésimo de segundo.
— É o Stephan, eles atingiram o Stephan.
Vi, com desespero, um dos homens mirarem, e som dó, atingir meu amigo que saira do carro. Ele até que tentava revidar. Porém, eles só eram dois contra oito. Bella não teria chance se não intercedêssemos.
Sam voltou a falar alto com alguém, ao que parecia agora, com outros responsáveis pela nossa segurança.
— Ela está grávida, Dimitri. Grávida... Eles vão mata-la. Por favor? Por favor?
Voltei a forçar as mãos no volante e a implorar para que ajudássemos. No entanto as palavras, de repente, ficaram mudas e uma dor latejante atingiu meu nariz. Algo quente, viscoso e vermelho jorrou forte quando o impacto do cotovelo de Sam chegou a meu rosto.
Ele havia encontrado uma maneira de me nocautear, me apagar.
— Você pode revidar depois Edward. Agora tenho ordens de leva-lo, em segurança, para o palácio.
— Não...
Gemi baixo e, pela última vez, estendi a mão em direção a minha mulher e filhos.
E a derradeira coisa que vislumbrei, antes da inconsciência me tomar, foi de minha princesa sendo arrancada, a força, do banco traseiro pelos cabelos. Depois sendo arrastada e jogada, violentamente, no interior de em um dos carros, enquanto disparos, de todos os lados, encontravam, muito provavelmente, o corpo dos seguranças e amigos de minha esposa.
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