Três Príncipes, Três Princesas

51 O casamento do meu melhor amigo


Bella

— Você pretende contar agora, a esse velho pai o que está acontecendo ou pretende fazer isso quando nos encontráramos com seu marido? Devo levar minha arma?

— Hunf...

Reclamei fechando a expressão e ensaiando o emburro que sempre derrubava meu pai. Eu não queria que ele “desse conta” dos meus problemas. Ainda mais hoje, quando completávamos dois meses de afastamento e que eu já estava mais do que pronta para perdoá-lo e então seguirmos em frente.

Não, Charlie não poderia ficar sabendo agora, só atrapalharia meus planos de reconciliação. Porque, nunca que ele deixaria barato todos aqueles acontecimentos.

— Pai, pela milésima vez, não está acontecendo nada.

— Hum... Sei...

Ele torceu o bigode com a ponta do indicado e do polegar. A sobrancelha esquerda arqueada era a certeza de que não estava “engolindo” em nada a minha história.

— Entendo. Então só explica para esse velho pai, o porquê de ter ido para Forkian dois dias antes de seu marido, em vez, de vir direto para Pushian como ele fez hoje? E aproveite e explique também por que não deixou que reservássemos uma suíte para vocês. Pedir o avião para que voassem ainda hoje para a casa de sua avó foi golpe baixo, além de irresponsável e perigoso, filha. Odeio quando voam a noite. E competir com dona Marie é covardia. Sabe que não tenho chances.

Droga! Como explicar sem me comprometer?

Soltei os sapatos, que segurava, e me sentei na cama, ao lado de Charlie.

Hoje era sábado, o dia do casamento de Jake e Leah, Havíamos chegado de manhã em Pushian e, como papai disse, viemos direto de Forkian, porque Alice e eu tínhamos ido para lá na quinta feira, e só para constar, sem nossos maridos.

— Pai, se olharmos pelo lado de nossa ida, mais cedo para Forkian, teoricamente Alice também estaria com problemas. Concorda?

Fiz gracinha com o intuito de quebrar o clima. Eu odiava essas conversas sérias com Charlie.

— Não me enrole, Isabella...

Obviamente, não funcionou.

— Okay, o senhor está certo. Alice e eu resolvemos que Rosie poderia nos ajudar na escolha dos vestidos e preparativos finais. E Edward e Jasper tinham compromissos inadiáveis em Ângelus. Por isso, resolveram vir direto para cá hoje. Quanto a não querer dormir aqui, isso é assunto meu e de Jacob, pai. Continuo não compactuando com essa palhaçada de casamento, porém, prometi que o apoiaria e aqui estou eu. Mas o senhor tem que concordar, que ficar para a festa e comemorar algo que, para mim, é loucura, aí já é demais. Prefiro ir para a fazenda e ser mimada, o restante do Domingo, por vovó e John.

Isso tudo era verdade, só omiti a parte de que precisei coagir Alice a viajar comigo na quinta. Se ficasse mais um dia em Ângelus, com certeza, quebraria o trato e atacaria Edward. E isso era inadmissível para quem propôs esse acordo idiota.

— Tá bom, Isabella. Eu vou fingir que acredito nessa balela toda que você me disse. Mas, se eu descobrir algo que esteja fora do lugar ou...

— Ah pai, deixe de paranoia. Está tudo bem. E além do mais não sou de porcelana, muito menos um anjo. Casamento é complicado. Uma hora ou outra Edward e eu teremos problemas, no entanto resolveremos por nós mesmo. Isso se chama convivência.

— Filha, isso está fora de cogitação. Ele não pode simplesmente...

Era agora que ele começava com a falação de pai superprotetor. Eu estava perdida...

— Que coisa, Bella! Você nem começou a se vestir? A maquiadora está a sua espera. Deixe isso aí em venha logo, volto e pego suas coisas depois.

— Alice! Bella e eu estamos conversando.

— Ah, papai. Depois vocês coversam, depois. Estamos atrasadas.

Dei um aceno de mão, sem graça, para Charlie. E agradeci a Deus por Alice e suas entradas perfeitas. Minhas irmãs sempre sabiam quando eu estava em apuros.

— Obrigada.

— Não me agradeça, o que eu disse é verdade, é sua vez de se maquiar. Mas, “disponha” assim mesmo. Foi exatamente por saber que papai te bombardearia de perguntas que a mantivemos sempre em nossa companhia por esses dois dias. Quando você deixou o quarto de Rosie e veio pegar sua roupa, imaginávamos que ele estaria, junto com os outros homens, a nossa espera no bar.

— Também achei. Quase morri de susto quando o vi sentado, com cara de poucos amigos, me esperando. Você sabe como ele fica quando contrariado.

— Bem feito, quem mandou ser a queridinha do papai?

Gargalhamos alto, enquanto nos dirigíamos à suíte reservada para Rosie e Emmett. Diferente de Edward e eu, toda nossa família, incluindo Esme e Carlisle, dormiriam aqui em Pushian e só voltariam para casa amanhã de manhã.

— Até que enfim. Sua vez, Bella.

Sentei-me, na cadeira em que Rosie estava e logo a profissional começou a me preparar.

— Onde está sua roupa? Você não tinha ido buscar? Não me diga que aconteceu algo com seu vestido dessa vez também. Porque, se isso aconteceu significa que a segurança está falhando muito e isso é perigoso em tais circunstâncias e...

— Ei, mãe. Se acalme aí. O que deu em vocês hoje? Não aconteceu nada. Já estou indo buscar a roupa de Bells. O problema de nossa irmãzinha tem nome e sobrenome: Charlie Swan. Ele a estava esperando.

Rosie, Alice e eu trocamos um olhar conciliador, somente nós sabíamos o que uma conversa a sós com Charlie significava.

— Oh, Filha! Eu lamento. Dê um desconto a seu pai. Ele tem andado tão preocupado ultimamente. E para piorar, Rosie vem complicando a situação. Desde que resolveu dar uma ignorada em Emmett, o que ela não sabe fazer disfarçadamente, seu pai vem indagando, todas as noites quando nos deitamos, se fez a coisa certa ao casar vocês com os Cullen.

Putz! Mamãe não estava sendo justa. Ela não poderia falar aquilo na frente de Esme.

Minha sogra, simplesmente, abaixou a cabeça e suspirou um lamento de desgosto.

— Mãe, aposto que Carlisle pensa a mesma coisa de nos ter casado com seus filhos. A senhora gostaria de saber que alguém não acha suas filhas dignas?

Rosie alisou a barriga, já coberta por um belíssimo vestido de renda dourado, e bateu o pé impaciente. Ela enfrentava Renée sem medo. E olha que era porque estava brigada com Emmett. Imagina se não tivesse.

— Não, Rósalie. Não defenda o que não tem defesa. Seus pais estão certos em estarem preocupados. Meus meninos têm fugido de meu controle ultimamente. Porém, os colocarei nos eixos, podem acreditar ou não me chamo Esme Cullen.

— Pare, Esme. Não se martirize. Nós sabíamos onde estávamos nos metendo quando nos casamos. Papai e Carlisle tinham um acordo, mas não os vi, em momento algum, nos acorrentando para nos apresentar de frente ao padre. Se tivéssemos nos rebelado, papai não teria nos obrigado.

Alice terminou de falar e se afastou, acredito, que indo à busca de minhas coisas. Dava pra ver que também estava irritada com o assunto.

— Além do mais, não somos santas. Se Emmett, Jasper e Edward erram é com nosso respaldo. Não leve pelo lado pessoal, Esme.

Estendi a mão rumo a minha sogra, que logo a pegou e apertou de leve meus dedos. Eu precisava passar-lhe confiança e apoio.

— Okay, já me convenceram de que estão de acordo com Esme. Eu só queria saber qual o encanto que ela usou em vocês?

O tom da voz de mamãe era de amargura e rendição.

Ela estava com ciúmes?

— Encanto nenhum, minha amiga. Você é que fez um trabalho incrível com essas garotas. E graças a Deus, posso usufruir dessas maravilhas. Serei grata a você pelo resto de minha vida, por ter lapidado essas joias raras para meus filhos.

E com todo seu jeitinho de rainha conciliadora, Esme dobrou minha mãe.

E para finalizar a abraçou e esfregou suas costas com carinho.

Renée só pode sorrir e murmurar que “não foi nada, Charlie me ajudou muito”.

Olhei para Rosie que também se divertia com a cena. Era demais com nossa sogra conseguia tomar conta de todas as situações.

— Feche os olhos, por favor, princesa.

Recostei mais na cadeira e fiz o que a maquiadora mandou.

Relaxei e deixei que minha mente me guiasse para o dia de hoje: dois meses sem Edward. E seu tudo desse certo, seria a partir de hoje que nosso “para sempre” começaria.

E para mostrar a ele que eu estava mais do que pronta para recomeçar, dei o primeiro passo.

Agora era esperar e ver como reagiríamos assim que nos víssemos.

Edward

— Alteza, isso é para o senhor.

— Para mim? Tem certeza?

Fui pego de surpresa quando me sentava na cadeira alta do bar.

O garçom, prestativo, levantou as sobrancelhas e afirmou com um gesto lento.

— Sim, senhor. Há um cartão bem aqui.

Peguei a taça que ele me oferecia. A bebida escura era a minha preferida: vinho tinto doce, quanto mais doce melhor.

— Esse é uma relíquia da safra de 1982. Produzido no sul da Itália e estocado lá mesmo, o que faz com que o sabor seja mais intenso e não sofra tantas variações devido a erro de manejo e estocamento.

Emmett, Jasper e papai, que estavam ao meu lado, observavam com curiosidade, as informações que o garçom discorria.

Charlie estava do outro lado do saguão lendo um jornal. Ele havia se juntado a nós a pouco e parecia irritado.

Estávamos a quase uma hora fazendo um tour pelo hotel, somente esperando que nossas mulheres ficassem prontas, para então partirmos de uma vez, para a igreja.

Eu só queria passar por aquilo e então, partir com Bella para casa de dona Marie, como ela havia decidido e eu apoiado.

Na verdade, eu ansiava por estar sozinho com ela.

Se eu achava que era uma merda não vê-la, agora sabia que era duplamente pior, saber que nem em Ângelus ela estava.

Era amedrontador e arrepiante e quase surtei quando fiquei sabendo que ela e Alice partiriam para Forkian antes de nós. Só não corri para ela implorando que não fosse, porque respirei fundo e contei até dez.

Eu não queria dar a Bella um motivo para repensar seu tempo, mas também não queria que fosse para Forkian sozinha e gostasse mais do que devia, da sensação.

Eu precisava confiar mais em nosso amor e em nós. E faria isso. Devagar. Mas com persistência. Por isso, segurei a barra de minhas inseguranças.

— Então, mano? O que tem de especial nessa mísera tacinha?

O garçom disfarçou uma careta para o comentário depreciativo de Emmett.

O ignorei e apenas sorvi o líquido e lentamente deixei que o sabor deslizasse por minha língua, sentindo o sabor, a essência.

— Delicioso, fantástico.

— Que bom que gostou, senhor. Essa “mísera tacinha” é somente a amostra. A garrafa, de valor alto, já está embalada para viagem e a entregaremos no aeroporto mais tarde, quando o senhor e sua esposa embarcarem. Com sua licença...

Papai e Jasper riram da tirada do garçom em Emmett.

— Povinho mais sem respeito esses daqui. Hunf! Leia essa merda de cartão, Edward. Estou louco de curiosidade para saber quem te mandou. Prometo que vou contar só para o Stephan que você anda recendo presentinhos de admiradoras secretas de Pushian. Bellinha vai adorar saber também...

— Emmett, Emmett, você não tem problemas de mais; não?

— Não.

Ignorando minha chamada de atenção, ele se aproximou mais de mim. A curiosidade evidente em suas expressões.

Resignado e apressado, abri o cartão e passei a ler o conteúdo. Dependendo de quem tivesse mandado o presente ainda daria tempo de recusar-. Eu não queria que Bella ficasse chateada e com dúvidas.

Hoje não...

Edward

Só conhecemos o verdadeiro valor do amor, quando deixamos a saudade tomar as rédeas de nossas vidas. Isso nunca mais acontecerá.

Anseio por você.

Te amo!

Sua, somente sua...

Bella Cullen

Senti uma dor comprimindo forte meu peito. Deslizei os dedos por cima da caligrafia delicada e bem desenhada, nada dos “garranchos” tão famosos dos médicos, até nisso minha esposa era diferente.

Bella estava com saudades. A minha princesa estava com saudades.

— Rendido irmão? O presentinho de reconciliação te derrubou?

Emm estava por cima dos meus ombros e encarava, sem vergonha nenhuma, o meu cartão.

— Como sempre. Ela me tem nas mãos, irmão.

— Então se prepare, porque a tendência é piorar.

E como essa fala, ele chamou minha atenção para as portas do elevador, recém-abertas.

— Uau!

Meu sogro externou o que, creio eu, meus irmãos e eu sentíamos. Não havia palavras para expressar tamanha beleza. Éramos uns sortudos.

As mulheres estavam, sem demagogia nenhuma, belíssimas. Um deleite para os olhos.

Mamãe e Renée, estavam sóbrias e elegantes, uma de verde escuro e a outra de azul bem claro. Ambas com coroas delicadas, destacando suas posições.

Rosie, de discreta, não tinha nada. Usava um vestido dourado pouco abaixo do joelho, bem justo na parte de cima, mas que se abria da cintura para baixo. Porém, o que completava a beleza de minha cunhada era a barriga bem pronunciada, de quase seis meses de gestação.

Emmett quase que flutuou para o lado dela.

O que foi de se admirar é que não foi repelido, porque pelos telefonemas que venho recebendo, todas as noites, Rósalie estava fazendo jogo duro, desde o acontecido de sua última ida a Ângelus. Se Emmett não estivesse exagerando, eu teria que agradecer a Deus pelos castigos de Bella. Pois Rosie estava, verdadeiramente, enlouquecendo meu irmão.

— Você está perfeita...

Jasper murmurou ao chegar perto de Alice, tirando minha atenção de Emm e da esposa. O que me fez arquear uma sobrancelha perante tamanha falsidade.

Contudo, eu tinha que concordar, Alice estava muito bonita. E olha que não sou fã de amarelo, mas, ela se destacava dentro do modelo longo e muito justo, com uma fenda profunda e bem cortada. O vestido parecia se ajustar ao corpo dela. Alice era muito bonita. Eu não entendia Jasper...

— Edward, limpa a baba.

Mas, eu já nem escutava. Tudo ao meu redor desaparecendo, pois, minha atenção estava totalmente voltada para minha princesa que só agora saia do elevador.

Bella estava inenarrável. O vestido era todo em renda marrom escura, estilo sereia e com os braços nus. O decote era em V, pronunciado e bem detalhado. O tecido moldava perfeitamente os seios dela, me fazendo quase um insano de desejo e saudade.

Uma verdadeira obra prima. Charlie e Renée haviam caprichado demais nela e tudo aquilo para mim. Um sortudo dos infernos.

— Irmã o elevador...

Disse Rosie, dois tons de voz mais alta. Fazendo com que Bella se virasse e olhasse para trás.

— Ah Deus!

Obviamente que o propósito de Rosie era que Bella se virasse de costas para que eu pudesse perder, de vez, o juízo ao perceber que não havia tecido algum nas costas do modelo. Bella estava completamente nua da cintura para cima, na parte de trás.

— O quê, Rosie?

— Ah! Não é nada. Achei que era algum conhecido nosso.

Mentiu, na cara dura. Tirando sorrisos e gargalhadas de nossa família.

Bella levantou as sobrancelhas e virou o rosto em dúvida e indignação, enquanto eles riam da brincadeira da esposa de meu irmão.

Sem poder esperar e louco de vontade de tocá-la, me aproximei, encarei com ansiedade seus olhos e peguei sua mão na minha.

Dois longos meses...

Bella não me repeliu. Apenas apertou seus dedos nos meus e me encarou de volta.

— Você está lindo. Muito mais lindo do que eu me lembrava.

Puxei sua mão para perto e a levei a minha boca. Beijei, delicadamente, cada espaço de pele que havia ali.

Para completar meu desespero de ansiedade ela passou a outra mãozinha delicada e macia pelos minhas têmporas. Fazendo com que eu ofegasse de desejo de beijá-la.

— Essa fala é minha. Você está deslumbrante, princesa. Não mereço tanto. Estou com tantas saudades...

Murmurávamos um com o outro. Nossas famílias não precisavam participar do nosso momento, tão íntimo quanto o saguão do hotel nos permitia.

— Também estou com saudades. Podemos pular essa parte e irmos direto para o aeroporto?

Brincou, porque eu sabia que mesmo as circunstâncias não sendo tão boas, Bella nunca que perderia o casamento de Jacob.

— Vou beijar você, Isabella... Um beijo com gosto do seu delicioso presente.

Delicadamente, a puxei para meus braços e a trouxe para muito mais perto. Senti-me completo quando me fechei em volta dela.

— Também vou beijar você, Edward...

Baixei minha cabeça, aproximando-me perigosamente. Tanta saudade acumulada...

— Opa! Pode parar por aí. Vocês não vão se beijar agora. Estamos à meia hora do casamento, não dá para retocar uma maquiagem, Isabella. Vamos logo, vocês podem esperar...

— Mãe...

Olhei incrédulo para Esme, depois de tudo, ela deveria ser a primeira a nos incentivar.

— Não me olhe assim, Edward. Sou sua mãe e sei o que faço.

Ela veio para nosso lado e arrancou minha mulher de meu abraço, sem se preocupar com a incredulidade de nossas famílias e nossas. Bella chegou a enrugar a testa em desgosto.

— Não estrague com os planos.

Mamãe cochichou para mim e piscou um dos olhos.

Merda! A surpresa. Eu havia me esquecido completamente. Já estávamos em cima da hora mesmo.

— Vocês terão tempo.

Indignado e sem ter como discutir com Esme, os segui de perto. Só de olhar para Bella eu já estava mais do que feliz, não que fosse o suficiente, mas por enquanto era o que tínhamos.

— Cunhada, não que você esteja feia, mas, a cor das madrinhas não é vermelho? A gravata do Ed é vermelha. Você foi destituída de sua função?

Verdade. Eu estava todo de terno preto e apenas a gravata vermelha, o que tecnicamente, era para combinar com o vestido de madrinha de Bella, que tecnicamente também seria vermelho.

O que deu em Emmett de observar logo isso?

Ah sim! Minutos atrás ele havia dito que minha gravata era de “boiola” por ser vermelha e então lhe expliquei toda dinâmica da coisa.

— Bem, Emm, vermelho foi uma invenção de Leah, só que não sou madrinha dela. Sou de Jacob e ele ama marrom então...

Ela deu de ombros e apontou para o próprio vestido. Bella estava desafiando a noiva do amigo, de uma maneira leve, mas estava.

Admirei mais, o ato de rebeldia dela.

— Por aqui...

Stephan apontou para o caminho, onde os carros estavam. Sam e Zafrina já nos aguardavam dentro de uma Lange Rover preta. O esquema de segurança era grande, afinal, estávamos todos juntos, um prato cheio para supostos ataques terrorista.

— Vou com Bella e Edward.

— Mas, Rosie...

— Até mais, Emm. Tenho uns assuntos para resolver com minha irmã.

Bella sorriu enquanto Rósalie entrelaçava seu braço no dela. Pelo que parece o calvário de Emm ainda seria longo.

— Stephan, acompanhe meu irmão e o segurança dele. Sam tem mais conhecimento da cidade.

Stephan acenou positivamente e se dirigiu para o carro que levaria um, emburrado Emmett.

Entramos no carro e só para me deixar mais doente de saudade ou não sei, talvez para provocar mesmo, Rósalie sentou-se entre Bella e eu.

— Pode ir, Sam.

O caminho era curto. A catedral de San Marco era a dois quarteirões dali. E foi questão de minutos até estacionássemos de frente a igreja.

Um forte esquema de segurança também foi montado ali, isolando o povo dos convidados. O que não os impediu de fazer um alvoroço quando chegamos.

— Se prepare, Edward. Pushian ama minha irmã. Eles tinham esperança de que ela seria a rainha deles algum dia.

Ajudei Rosie a descer, ignorando suas palavras ferinas, e esperei que Bella voltasse a juntar sua mão na minha.

— E quê reino não gostaria que Bella como rainha, Rosie?

Ela assentiu sorrindo, provavelmente não percebendo que intencionalmente, havia sido afrontada por mim. Pois, quando digo “quê reino”, incluo nessa afirmação Forkian.

Contudo, só tive noção da devoção do povo de Pushian por minha mulher, quando ela se colocou totalmente para fora do carro.

Eles gritavam e acenavam freneticamente e como somente Bella sabia fazer, ela atenciosamente sorria de volta, posava para fotos e distribuía acenos, agradecimentos e aplausos delicados para eles.

— Princesa, não podemos ficar muito tempo a céu aberto. No acompanhe, por favor.

Bella não refutou Sam. Somente acenou e se pôs a caminhar. Rósalie já estava mais a frente com Zafrina.

Passei o braço pela cintura dela e devagar a guiei para dentro da igreja, que já estava praticamente cheia.

Stephan e nossos outros colaboradores subiram para se dispersarem no andar superior. Eles teriam tudo sobe controle, dali.

Nossa família conversava com Billy e a esposa. Jacob não estava em lugar algum.

Era a minha deixa... Eu sabia onde encontrá-lo.

— Vem comigo? Quero te mostrar uma coisa.

Antes de me responder Bella correu o lugar com os olhos, acredito que procurando pelo amigo e quando não o encontrou, suspirou e concordou com meu pedido.

— Jake está atrasado.

— Não está não. Ele ainda tem tempo. Noivas atrasam.

Passamos por algumas pessoas e a dirigi para o altar. Desviamos para a lateral e então paramos de frente a uma porta.

— Duvido que Leah vá se atrasar. Ela teme uma desistência de Jacob. Edward o que estamos fazendo na sacristia? Não podemos simplesmente entrar aqui. Não estamos em casa.

Sorri para as dúvidas que estampavam a face dela. Será que estava pensando que eu a atacaria na casa de Deus? Ah quem dera! Talvez se tivéssemos tempo...

— Edward?

Dei duas batidas leves, na porta, sacudindo a cabeça para espantar as ideias malucas, e me afastei a colocando a minha frente.

Quando a porta se abriu, percebi a surpresa nos olhos dois dois.

— Jake? O que faz aqui?

— Eu ia te perguntar a mesma coisa? Seu marido marcou comigo, por mensagem ontem. Disse que precisava falar sobre você.

Os dois voltaram sua atenção para mim, porém, fingindo indiferença, passei por ele trazendo Bella comigo. Soltei-a e voltei para fechar a porta atrás de nós. Não precisávamos de plateia.

— Edward, o que está acontecendo?

Virei para os dois e com dois passos me aproximei.

— Bom, não é segredo para você Jacob, que não ficaremos para a recepção. Bella não quer e não podemos julgá-la por isso.

Ele crispou os lábios, contrariado e apenas concordou.

— No entanto, sei que a amizade de vocês superará qualquer situação, inclusive esse seu casamento. E como é de praxe, o noivo tem que ter sua dança com sua madrinha. Por isso...

Retirei o celular do bolso, selecionei uma música, que sabia que Bella gostava e então o coloquei em cima de uma mesa.

— Vocês não têm muito tempo. Por isso, aproveitem. Eu volto para buscar Bella assim que a noiva chegar.

Aproximei-me de minha princesa, abracei-a e beijei sua testa. A vontade de demarcar território ainda não sumira por inteiro.

— Te amo.

Sussurrei contra seus lábios, que levemente toquei. Eu não queria as mulheres da família falando em minha cabeça.

— Obrigada. Te amo mais ainda por isso.

Ela voltou a me acariciar o rosto. E Eu soube que havia feito o certo.

— Volto daqui a pouco.

Jacob me segurou quando tentei passar por ele, rumo à saída.

— Obrigado, Edward. Te devo uma.

— Aproveite seu presente, Jacob. E não você não me deve nada. Bella e você merecem esse momento, por tudo que passaram juntos.

Sem pensar muito, que os deixaria sozinhos, saí dali. Eu precisava de algo para me distrair nos maiores cinco minutos de minha vida. Stephan ou Emmett seriam meus paliativos. Afinal, eu estava agindo como um nobre, mais isso não me impedia de ser inseguro. Mesmo que estivesse lutando, com todas as minhas forças contra aquilo. “Eu ainda era um maldito viciado em recuperação”. Tinha que lutar, com todas as forças, contra meus impulsos destruidores.

— Não deixe ninguém entrar, Zafrina. Eu volto logo.

— Sim, senhor.

Eu prometi que entenderia a amizade deles, e assim seria. Bella havia sacrificado Jacob pelo nosso casamento, Jacob havia sacrificado sua felicidade pela amizade deles, agora era minha vez de sacrificar meu orgulho por eles.

E por Deus que eu conseguiria...

Bella

— Vocês não fizeram as pazes? Edward parece perdido.

— Estamos trabalhando nisso.

De hoje não passaria, meu marido estava sendo mais do que incrível. Ele merecia que colocássemos uma pedra em nossos desentendimentos.

Jake deslizou sua mão pela minha cintura e segurou a outra junto a minha.

Começamos a nos balançar de acordo com a melodia calma do celular de meu amor.

— Ele te ama, Bells. Vocês serão felizes.

Levantei as sobrancelhas para ele.

— O quê? É visível essa ligação de vocês. É quase que como mágico. De embrulhar o estômago, mas lindo de se ver.

E era mesmo. O sentimento que Edward e eu compartilhávamos era algo inexplicável e mútuo. Eu o amava com todo meu ser.

— Se está esperando que eu elogie o amor de Leah por você, pode desistir. Nem o fato dela se tornar a senhora Black a fará mais tragável. Eu ainda a odeio.

Ele suspirou alto e olhou para longe, pensativo.

— Gostaria que encontrássemos um meio termo, Bells. Assim como Edward e eu estamos fazendo. Você é importante para mim e Leah será minha esposa. Eu quero as duas em minha vida.

Por um minuto, quase nos visualizei num futuro, onde nós quatro sentávamos e conversávamos assuntos do dia a dia.

Impossível.

— Talvez algum dia, Jake. Por enquanto, não posso prometer nada. Preciso me acostumar com essa nova faceta de Leah. Vê- la e não temê-la ainda é algo que não está associado em minha mente.

— Eu entendo, Bells. Tome o tempo que precisar. Só não me afaste de sua vida mais do que o necessário, por causa dela.

— Isso eu posso prometer.

Creio que poderia mesmo. Edward e eu havíamos passado por uns maus bocados, mas, agora era obrigação nossa passar pelos problemas futuros sem colocar a culpa nos outros.

— Eu queria que vocês ficassem...

— Jake...

Alertei, antes que ele começasse a reclamar. Eu não queria ficar, na verdade nem queria ter vindo. Mas, agora minha missão estava comprida, e por ele, somente por ele, estávamos aqui.

Agora aguentar uma festa, era forçação de barra.

E ainda tinha a reconciliação. Nunca que eu trocaria momentos de paz com Edward na casa de vovó a instantes de fingimento com Leah.

— Tudo bem, não vou tocar mais no assunto. Só não pare de dançar. Preciso aproveitar os últimos instantes.

Nós mal saíamos do lugar, o que contava mesmo era a companhia, a despedida de braços amigáveis e seguros.

— Creio que nosso tempo tenha acabado...

Batidas suaves nos alertaram para a presença de Edward.

Ele me olhava profundamente e com uma ânsia que eu conhecia muito bem.

Meu marido estava lutando contra seus instintos.

— Lamento interromper, mas, Leah acabou de chegar e está nervosa, dentro do carro, porque os padrinhos e o noivo ainda não estão posicionados.

— Típico dela.

Jake brincou.

Voltei minhas mãos para seu rosto, me aproximei bem devagar e beijei seu rosto, carinhosamente e inocentemente.

— Seja muito feliz, Jake.

Retribuindo meu gesto ele me abraçou de volta, com força.

— Isso não é uma despedida, Bells. Um dia essa situação terá que se resolver e talvez então, possamos conviver harmoniosamente.

Afastei-me, eu não estava entendendo o rumo da conversa...

— Princesa...

O chamado de Edward me fez recuar. Eu queria saber o que tanto me escondiam e Jake sabia. No entanto ali não era o lugar nem o dia.

E pelo que parece, meu marido não queria que Jacob se metesse num assunto, que provavelmente, não era só seu.

— Te vejo daqui a pouco...

Sem pestanejar, soltei a mão dele e fui para perto de Edward, que imediatamente, fechou os dedos nos meus e respirou fundo, aliviado.

— Bells...

Jacob chamou quando, juntamente com Zafrina, nos afastávamos ao longo do corredor.

— Oi.

Respondi, sem me virara para olhá-lo.

— Amei a cor do seu vestido. Leah vai entender o recado. Sobre você ela não tem controle. Na verdade, acho que ninguém tem...

Edward se virou para ele, e não resisti ao impulso, o imitei. E quase gemi de satisfação. Ele e Jake trocavam um sorriso e um aceno de parceiros que se entendiam sem precisar de palavras.

— Obrigado pelo presente, Edward. Nem o faqueiro de ouro, nem o jogo de jantar de porcelana chinesa são tão valiosos quanto a isso. Obrigado.

— Se é assim, amanhã mesmo Stephan virá recolher nossos presentes. Nosso patrimônio particular agradece; não é amor?

Gargalhamos em concordância. Eles estavam brincando...

Meu amor e meu amigo. O que mais eu poderia pedir a Deus?

Um filho talvez e aí sim, tudo estará perfeito e completo.

Edward

Passamos pelo casamento, graças a Deus.

Quando peguei Bella dos braços de Jacob e a levei para assistir a cerimônia, eu sabia que virávamos uma das páginas de nossos desacordos.

Não porque Jacob se casava e agora teria por obrigação de deixar minha mulher em paz, Mas, sim, porque finalmente eu entendia a ligação entre eles. Não que ainda não tivesse uma pontinha de ciúmes do modo como eles se completavam, porém, eu daria um fim nesse sentimento.

Bella e Jacob se amavam. Isso era fato. Não da maneira como ela e eu, mas se amavam. E eu entenderia isso. Porque, minha mulher merecia ter o amigo em nossas vidas.

E Jacob facilitara demais minha vida, isso eu tinha que assumir e aceitar. Ele havia me colocado contra a parede e também decidira se casar com Leah. Logo Leah...

Eu previa o dia em que Bella o confrontaria e, prometi a mim, a Deus e a ele que intercederia junto a minha mulher. Não era assunto nosso. E quando a bomba explodisse, porque sim, um dia ela explodiria, eu esperava estar com Bella nos braços, para ampará-la e aí sim, interceder por quem merecia de verdade.

E Jacob merecia. Pela amizade deles...

Uma única lágrima escorreu dos olhos de minha princesa quando Jacob disse o tão esperado “sim”. E eu a sequei com meus lábios. Ela previa um futuro ruim para Jacob, o histórico de Leah infelizmente não contava a seu favor, contudo, eu sabia que não seria assim. Aquela garota bonita, morena e baixa, de personalidade tão forte, amava o amigo de Bella e era questão de tempo até que ele se rendesse a ela.

Tão iguais e tão diferentes... Jacob teria a dele.

Senti-me intensamente feliz por isso.

— Coloquem o cinto. Assim que o avião decolar vocês estarão livres para trocar de roupa. Suas malas estão no quarto a bordo. O comandante só pede para que não se deitem, porque a viagem é curta e logo estaremos pousando. Tenham uma boa viagem, eu volto logo para auxiliá-los no que precisarem.

A aeromoça falava para nós, mas com os olhos fixos em Bella, como o avião era da família real de Forkian, era óbvio que tinham conhecimento e intimidade.

— Okay. Obrigada.

Quando ela discretamente se afastou, Bella imediatamente se virou para mim e trouxe com sofreguidão, sua boca para minha.

— Ehhh! Acabou a seca em patrão?

Sorri junto a minha mulher. Stephan, que não deixaria uma dessas passar, estava mais ao fundo, junto com Sam e Zafrina, nossas sombras, que claramente eram mais discretos que meu amigo.

— Finja que ele não está aqui e me beija. Eu estava morrendo de saudades, Edward. Nunca mais nos dê motivos para nos castigarmos assim, por favor. É sofrível demais. Eu te amo tanto, tanto. Que até dói.

Calei-a com a força de minha boca e minha língua. Exigentes, saudosas, adoradoras. Elas só queriam Bella junto a mim. Tão junto que dificultava a respiração.

— Nunca mais, princesa. Eu prometo, nunca mais...

E custe o que custar, essa promessa eu cumpriria...