Três Príncipes, Três Princesas
52 Reconciliar para nunca mais brigar
Notas iniciais
Edward
Quando o avião taxiou na pista de pouso da fazenda já era madrugada de Domingo.
E Deus, como chovia. Parecia que o céu estava desabando. O que não era nenhuma novidade porque, Forkian era conhecido como um dos lugares mais chuvosos do mundo.
Mas, dessa vez estava de assustar, trovões, raios e muita, muita água desabavam do céu. E até Stephan se mantinha em silêncio, apreensivo.
O piloto, bem treinado para essas ocasiões, teve que cancelar o pouso e arremeter, para a esquerda, duas vezes até que conseguisse descer e parar o avião com segurança.
Só consegui respirar aliviado quando isso aconteceu. Porque, também estava amedrontado com o que poderia nos acontecer.
— Nossa! Odeio chuva com barulho.
Bella gemeu atrás de mim, enquanto nos dirigíamos à porta de saída.
Instintivamente, estendi a mão para trás e ela logo, apertou seus dedos contra os meus. Eu odiava o fato de que ela temia algo que não estava em minha alçada resolver.
— Está tudo bem, meu amor. Acabou. Já, já estaremos no conforto da casa de sua avó.
Apertei mais, seus dedos nos meus, no intuito de passar conforto e segurança. Era tudo o que podia fazer em situações como essas.
— Dois carros estão a nossa espera. Zafrina e Stephan acompanharão vocês no primeiro. Esperarei pelo piloto e sua tripulação.
Sam e Zafrina nos aguardavam na porta. A mulher, com uma sombrinha minúscula que mal cobria sua cabeça.
— Não demore, Sam. Está frio aqui.
Bella alertou em tom de preocupação, ao amigo e colaborador.
— Sim, senhora. É só o tempo de desligarem e trancarem tudo. Estaremos logo atrás de vocês.
Paramos ao lado deles, passei Bella a minha frente e a instrui quanto ao que faríamos para sairmos logo dali.
— Vá com Zafrina. Irei correndo. Me molharei menos e abrirei a porta para vocês.
Puxei o zíper do casaco dela até o pescoço, e beijei sua testa.
Estávamos agasalhados para essa ocasião, havíamos trazido roupas de frio conhecíamos o clima dali, só não contávamos com um aguaceiro deste.
— Tudo bem.
Bella assentiu sem retrucar, porém, antes que eu colocasse o pé para fora da aeronave Stephan já estava debaixo do temporal. Ele havia passado por nós e corria até o carro.
— Maluco de uma figa.
Conjecturei e segui correndo atrás dele.
— Nossa! Que frio, hein?
Fiquei em silêncio enquanto entrava e esperava.
Apesar da iluminação forte do pequeno aeroporto, estava tudo muito escuro e aquilo me causava arrepios de preocupação.
Eu só conseguia avistar os vultos de Zafrina e Bella vindo a nosso encontro. E aquilo me incomodava ao extremo, eu a queria na proteção de meus braços.
Algo estava me afligindo, eu só não sabia o que era.
— Ligue o ar quente. Bella vai chegar gelada.
Stephan assentiu e logo se empertigou em sua posição no banco da frente e fez o que pedi.
— Entre primeiro, princesa.
Dei a mão para minha esposa e a ajudei a adentrar a camionete fechada, que dona Marie havia mandado para nos receber.
— Chegue para perto de mim, amor. Zafrina precisa entrar.
Bella veio para meu lado e instintivamente comecei a esfregar seus braços, esquecendo completamente que estava mais molhado e consequentemente, mais frio que ela. Eu só queria afastar aquela água de seu casaco. Comigo, me preocuparia depois.
— Pronto. Os outros seguirão daqui a pouco. Pode ir...
Ordenei ao motorista, que presumi, ser um dos colaboradores da fazenda. Pois, estava de chapéu e camisa xadrez e Bella sorriu para ele assim que conseguiu parar de bater os dentes.
— Você não deveria estar aqui agora, Steve. Vocês poderiam ter deixado os carros no hangar. Nós dirigiríamos até a casa grande.
— Não se preocupe, menina Bella. Já está quase na minha hora mesmo. Os animais dessa fazenda começam cedo. E além do mais, nunca que sua vó deixaria que algum de vocês guiasse por estradas estranhas, ainda mais com esse temporal.
— Entendo. Típico de preocupação da vovó. E como estão as coisas por aqui?
O bom senhor, que agora eu sabia que trabalhava na fazenda mesmo, nos olhou pelo retrovisor interno e sorriu de uma forma conciliadora para a pergunta de minha esposa. Era evidente que ele gostava da preocupação dela com aquele lugar e aquelas pessoas.
Eu me perguntava se existia algum lugar no mundo onde Bella não se preocupasse ou cuidasse de alguém.
Minha mulher era fantástica...
— Está tudo bem por aqui, como sempre. Taurus, continua chato e revoltado e agora, para completar, será pai. John te contou que, até que enfim, conseguimos que ele “cobrisse” a égua nova?
— Não. Ele não me contou. Que legal. Taurus nunca se interessou por égua nenhuma da fazenda.
Bella estava surpresa e ao mesmo tempo empolgada. Eu apenas observava. Era maravilhoso, como ela conseguia se adaptar por cada lugar que passava. Bella se entregava de corpo, alma e coração em tudo que fazia.
— Aquele cavalo é esperto demais, para meu gosto. Enquanto não compramos uma égua premiada para ele, não se rendeu. Agora está mais indomável ainda. Quando está no “curral” ou na hípica vive rondando para ver se encontra a Cristal.
— Gostei do nome, Steve.
— Pois é. Jonh disse que você ia gostar. Ela é mais branca que Taurus, quase transparente. É linda. Pena que você não vai poder monta-la. Mas, sua vó está animada. Disse que estava mais do que na hora de começar a aumentar seu legado. Ela e John acreditam que quando vocês tiverem filhos, eles herdaram seu talento e então John poderá treiná-lo. Porque, seu pai não poderá interferir, o senhor Edward não vai deixar. E isso significa que precisaremos que bons cavalos para os bisnetos de dona Marie.
Bella sorriu para a fala dele.
E eu imaginei a cena, uma princesa linda, de cabelos castanhos esvoaçantes montado e domando um animal enorme, enquanto observávamos e sorríamos de orgulho.
Era um futuro muito agradável de imaginar. Apesar dos cabelos brancos que ganharia ao presenciar essa cena. Se com Bella eu já me sentia super- protetor, imagina com um filho?
— Vou dar a volta pelos fundos e estacionar na garagem, se não se importam. Vocês entrarão pela cozinha. Isso é chato, eu sei. Porém, não molharão mais.
— Por que entrar pela cozinha é ruim, Steve?
Mil ideias mirabolantes reverberando em minha mente, enquanto as outras imagens maravilhosas se esvaiam.
— Ora! Vocês são importantes, senhor. Deviam entrar pela porta da frente. São da realeza e tudo mais. A Giana, que é minha mulher, e cozinheira da casa grande, diz que a gente tinha que ser mais bem educado com vocês.
— Edward, Steve. Me chame pelo meu nome, Edward. E pare de falar bobagens, essa aqui do meu lado é Bella, e neta de dona Marie que vocês conhecem desde sempre. Olhando- a assim de perto, você acha que ela mudou em algo?
Ele terminou de estacionar o carro na garagem, o desligou e logo se virou em seu banco para nos ver melhor.
Bella mantinha um olhar tranquilo no rosto, apesar de seus lábios estarem começando a arroxear, por causa do frio.
— Ela está mais bonita do que antes, com certeza. Tirando isso parece à mesma menina Bella de sempre.
— É porque eu sou a mesma, Steve. O casamento e o título não fazem diferença alguma. Nunca fizeram e nunca farão. Agora deixemos essa conversa maluca de lado porque, preciso de um banho quente e roupas secas urgentemente, ou vou congelar aqui.
Três portas se abriram, ao mesmo tempo, quando ela terminou de falar. Steve, Zafrina e Stephan estavam mais do que solícitos para minha princesa.
— Oh meu Deus! Vocês estão encharcados. Venham, venham...
Dona Marie, abriu a porta assim que descemos. Ela estendia enormes e macias toalhas em nossa direção.
— Oi vovó...
Bella correu para os braços dela. Dei boas vindas ao calor que inundava a cozinha e provavelmente a casa toda.
— Oi, meu amor.
Dona Marie nem se importou com a temperatura de minha esposa, logo a estreitou em um abraço amoroso.
— John...
Atravessei o cômodo e abracei rápido o marido de dona Marie. Apesar, da hora eles pareciam muito felizes em nos ver.
— É bom ver você de novo, rapaz. Marie já estava começando a ficar chata com as lamentações de que “você havia roubado a menininha dela para sempre” ou “de quanto estava sentindo falta das risadas de Bella pela casa” e a pior de todas “até os animais estão com saudades de nossa menina”.
— Ora, John. Não seja uma velha fofoqueira, deixe isso para Elizabeth.
Sorri ao perceber a menção de minha avó e logo também fui estreitado em um abraço, quando Bella resolveu cumprimentar o..., como será que Bella o chamava? De avô? Alice e Rosie, era só de John mesmo, mas Bella eu nunca havia prestado atenção.
— Muito bem, agora que já estão aqui. Subam e tomem um banho quente. O aquecedor está ligado. O quarto deve estar quentinho também. Logo levo um chocolate quente para vocês. E depois, cama... Já tiveram aventuras demais por hoje.
Bella levantou uma sobrancelha para a avó. Sarcástica... Era como se pensasse que a avó não poderia mais lhe direcionar ordens.
— O quê? Não me desobedeça, garota. Eu ainda sou a rainha dessa casa.
Brincou a animada senhora, apontando para a cabeça, no lugar onde deveria estar uma coroa, mas que agora só estava cheia de grampos sustentando os cabelos bem cuidados.
Elas sorriam uma para outra, brincalhonas. Era emocionante ver Bella tão solta e feliz.
— Tudo bem. Já estamos indo, vossa majestade. Estamos precisando de roupas secas mesmo.
Bella fingiu uma mesura desajeitada e dona Marie assentiu em contentamento.
— Agora sim. Mas, agora sumam daqui. Steve já levou as malas de vocês lá para cima. E, John, mostre a esses pobres “pintos molhados” onde eles dormirão.
Ela se referia a Stephan e Zafrina, que permaneciam quietos, do outro lado da cozinha.
— Vão, vão...
Sacudiu a mão em nossa direção, nos enxotando.
Bella voltou a sorrir, me pegou pelos dedos e começou a me guiar para fora dali.
— Nosso quarto, vovó?
— No mesmo de sempre, querida. Só sofreram alguns ajustes. Depois me diga o que achou?
Imediatamente, Bella parou nossa caminhada e se virou para ela.
— Minha cama branca?
Dona Marie parecia muito satisfeita com o rompante. Confesso que não entendi nada.
— Bem guardada para minha futura neta. Pode ficar tranquila.
Bella suspirou de alívio e só então me guiou para seu quarto na casa. Espaço bem conhecido por mim, pois fora ali, que eu percebera, de fato, o quanto agraciado eu era.
Bella
— Ficou bonito, mas eu ainda sinto falta da minha cama branca.
O quarto estava completamente modificado. Com móveis modernos e de muito bom gosto. Tenho certeza de que vovó os escolheu, a dedo, para mim e meu marido.
— Ela tem uma história? Você pareceu saudosa ao indagar sua avó sobre isso.
Baixei o rosto para esconder o rubor que me tomava cada vez que me perguntavam sobre pequenas coisas das quais era apegada. Como dizia Alice, coisas insignificantes.
— Apesar de ser de casal, era a cama de solteira de vovó e foi presente da mãe dela para ela, quando completou quinze anos. A cabeceira foi talhada à mão e o valor sentimental é inestimável. Besteira, eu sei. Mas, gosto de presentes com significados. Você não imagina como fiquei feliz quando tinha dez anos e a encontrei em meu quarto aqui na fazenda, quando vim para as férias de verão daquele ano.
— Ah, eu imagino, Bella! Você não sabe o quanto te admiro mais por isso.
Edward me olhava de um jeito estranho, totalmente doce e fascinado. Como se eu fosse alguma divindade. Como se o fato de eu gostar de algumas coisas estranhas, fosse surpreendente e muito interessante.
— Você uma caixinha de surpresas, princesa. Cada dia que descubro algo novo, me apaixona mais um pouco.
Ele estava perto, muito perto. Os olhos não saiam dos meus e eu só pensava em como gostaria de agarrá-lo, ali mesmo.
— Estou com tantas saudades, meu amor. Tantas... Quero tanto tocar você.
As mãos vieram para meu rosto e automaticamente, me coloquei nas pontas dos pés para receber sua boca na minha. Eu o queria demais.
— Todas as saudades, Edward. Todas, que até sufoca.
Sussurrei, enquanto ele encostava sua testa na minha e traçava meus lábios com o polegar. Os dedos dele estavam gelados. Estávamos gelados, apesar de o quarto estar bem aquecido.
— Preciso me refrear, princesa. Preciso cuidar de você primeiro. Você está encharcada e fria. Venha, vamos resolver isso primeiro...
Relutantemente, ele se afastou, porém, manteve sua mão na minha, me guiando, me arrastando para o banheiro.
A grande banheira era um convite quase irrecusável, mas não hoje. Estávamos sedentos demais para perder tempo ali. Só precisávamos de um banho curto e restaurador.
— Só um minuto...
Me soltei dele, fui até o box e liguei as duas duchas. O vapor quente logo subiu e tomou o ambiente, criando assim uma neblina de erotismo, num clima de romance.
— Vou te ajudar com isso.
As roupas estavam molhadas e consequentemente, grudadas no corpo. Então, foi com gosto que nos ajudamos, a nos livrar delas.
Quando o jato quente bateu em minhas costas, foi como se um peso fosse retirado de mim. Não só pela ausência do frio, mas também pela libertação da tensão dos dois últimos meses.
Quase gemi em agradecimento.
— Quer ajuda?
Edward me encarou com luxúria, o sabonete líquido em suas mãos, mas, seus olhos em todos os lugares de meu corpo nu.
— Claro...
Para provocar e também mantendo a mínima consciência e controle de que vovó entraria no quarto para deixar nossas bebidas, a qualquer momento, virei de costas de levantei o cabelo, incentivando-o a começar por ali.
— Você é uma provocadora, princesa.
Sussurrou, enquanto deslizava as mãos ensaboadas, por minhas costas e beijava, de lado, meu pescoço.
— Sou?
Fingi inocência e me encostei mais deliberadamente nele.
— Ah é! Você é...
Sem conseguir me refrear, me virei em seus braços e puxei sua boca para minha. Eu o queria com sofreguidão.
— Me relembre como sou sua, Edward. Me ame, Edward. Me ame agora...
A boca dele estava em minha clavícula, meu ombro, minha mandíbula. Ele beijava, mordia e sugava sedentamente.
— Eu quero, por Deus como eu quero. Mas, podemos esperar só mais um pouquinho? Quero tanto fazer isso quando você estiver quente e bem alimentada.
— Estou quente, muito quente...
Provei meu ponto me esfregando mais nele. Eu estava sendo audaciosa, mas o desejo dele por mim, me garantia que eu estava no caminho certo.
— Eu sei, meu amor. E como sei. Também estou fervendo por você. Mas, se começarmos algo aqui, teremos que ser rápidos. Porque, sua vó derrubará essa porta se não sairmos logo e também porque seremos processados por acabar com a água doce do mundo.
— Ah, Edward...
Afastei-me dele e sorri para sua justificativa. Era bom demais perceber que ainda tínhamos a mesma sintonia, de sempre.
— Ok, senhor ambientalista, você me convenceu. Vamos logo com isso.
Edward
Terminamos nosso banho, graças a Deus, no instante em que dona Marie entrou, sem bater, com a bandeja fumegante em mãos. Por sorte, eu já estava de pijama e Bella, bem escondida, com seus pijaminhas indecentes, em um roupão bem felpudo e quente.
— Está saboroso, espesso e bem quente. Bebam e depois se deitem. Está frio demais. Se aqueçam para que não se resfriem. John e eu vamos nos deitar também. E se preparem para amanhã, porque mimaremos demais vocês.
Sorrimos para ela, agradecemos e desejamos boa noite.
— Aqui...
Minha esposa e eu nos deliciamos com a bebida, porém a delícia maior foi quando nos entregamos nos braços um do outro.
Só Deus para explicar como eu sonhava e ansiava por essa reconciliação. Não só pelo contato físico que era, sem dúvida, inexplicável, divino. Mas também pela sensação que era ter Bella entre os braços, algo que nenhum adjetivo inventado pelo homem seria capaz de expressar.
— Por Deus, princesa! Como eu estava com saudades.
Gemi de contentamento, enquanto a preenchia e beijava com devoção.
— Eu te amo, Edward. Amo demais...
Bella respondia baixo e com amor. Só os gemidos de satisfação e as palavras de incentivo para que eu continuasse, fosse mais forte e não parasse, eram o céu para mim.
Ver e sentir como ela se abria mais e ousava mais em nossa intimidade, era a certeza de que também estava lutando mais por nosso relacionamento.
É, como disse Esme, no fim esse maldito tempo terá servido para alguma coisa. Não que eu pense em repeti-lo algum dia.
Deus me livre. Mas...
— Princesa?
Chamei baixinho e saciado, pela segunda vez.
Bella estava quieta demais. A cabeça em meu pescoço e a respiração baixinha e lenta.
— Oi.
— Está tudo bem?
Acariciei seus cabelos e a puxei para meu lado, deitando delicadamente sua cabeça no travesseiro ao lado do meu.
Agora eu podia ver seu rosto cansado, mas lindo, feliz e satisfeito.
Saciado por seu homem.
Éramos muito bons juntos.
— Mais do que bem.
— Quer alguma coisa? Precisa de um banho?
Ela continuou de olhos fechados, mas senti seu rosto enrubescendo.
Bella estava tendo algum pensamento indecente ou insano.
— Fale, Bella. O que deseja antes de dormir, meu amor?
— Só preciso me limpar um pouquinho. Já volto. Certo?
Ela estava com vergonha e pedindo para que eu não a acompanhasse. Como se eu fosse achar ruim de ver meus fluídos, resultados de meu desejo por ela, marcando e sujando algo que era só meu. Seu corpo.
— Não demore.
Beijei suas temporãs.
Ela assentiu e logo se levantou. Voltando algum tempo depois já de olhos meio fechados, pronta para dormir.
— Me espere...
Pedi quando segui seu ritual, indo até o banheiro. Eu sabia que quando voltasse ela já estaria dormindo. O que era bom, pois, Bella não andava dormindo direito nos últimos dois meses.
— Durma bem, princesa. Durma bem. Pode descansar. Porque estarei aqui para te proteger de qualquer coisa.
Sussurrei em seu ouvido, quando voltei para a cama e consequentemente a puxei para meus braços.
Nunca mais dormiríamos separados, isso era uma promessa. Sabíamos o quanto dependíamos e necessitávamos um do outro.
Uma vida pela outra...
E por fim, deixei que meu corpo relaxasse e dormi.
Dormi como não dormia há muito tempo. Em paz.
O clima ajudava, o frio ajudava, o ambiente ajudava, a cama ajudava, mas a companhia era “o tudo”. Com ela eu dormiria sentado em um banco de rodoviária. Bella era o melhor sonífero.
Tanto que só fui pensar em acordar tempos depois e mesmo assim porque fui pego de surpresa.
— Onde pensa que vai?
Murmurei ainda de olhos fechados. Eu notara a movimentação dela assim que deixou a cama. Porém, como estava meio dormindo e meio acordado não protestei. E no mais, achei que ela voltaria logo para mim.
Ledo engano. O que não era novidade. Porque Bella sempre conseguia me surpreender.
— Está acordado? Ainda é cedo. Volte a dormir, meu príncipe.
— É?
Forcei a cabeça para cima, a sustentei na mão e aí sim, abri os olhos.
Putz!!
Eu não estava preparado para ver Bella em trajes de equitação àquela hora. Meu corpo respondeu de imediato.
Maldita mulher que me domina!
— É, meu anjo. Ainda é cedo.
Levantei as sobrancelhas e continuei a encarando em segredo. Aquelas roupas me lembravam de quando a desejei pela primeira vez, como homem, aqui nesse mesmo lugar há algum tempo atrás.
O culote, (calça usada por praticantes do esporte), e a casaca se ajustavam perfeitamente naquele “meu corpo” e “naquelas minhas curvas” deliciosas.
— Ah! Meus trajes?
Perguntou, soltando o chicote e o capacete e se deitando a minha frente, acariciando meu rosto, bajuladora.
Pulsei de vontade de aperta-la a mim.
— Taurus é meio imprevisível e antissocial. Gosto de treinar de manhã quando tem pouca gente circulando pela fazenda e observando. Ele fica mais calmo e eu me sinto mais livre para arriscar.
— Hum! Então que dizer que vou ser abandonado por causa de um cavalo rebelde. Entendi...
Fiz drama. É bem verdade que a queria na cama, mas, eu a compreendia. Bella amava saltar e só podia fazer isso quando estava aqui e longe das vistas do pai.
— Não seu bobo. Isso significa que sua mulher vai se exercitar um pouquinho, ordens médicas, lembra?
Manipuladora e chantagista. Era filha de Charlie mesmo.
— E que logo depois, voltará cheirosa e de banho tomado só para se aproveitar do marido gostoso que muito provavelmente ainda estará na cama. E talvez, veja bem eu disse talvez, ainda presenteie esse belo ser, com um delicioso café na cama como forma de agradecimento pela maravilhosa noite que ele proporcionou a essa simples médica metida a equitadora. O que acha?
Eu já disse que ela é manipuladora, chantagista, bajuladora, gostosa e muito deliciosa?
— Ah! Sua provocadorazinha de uma figa...
Peguei-a de surpresa nos virando e ficando por cima dela. Prendi suas mãos acima de sua cabeça e prendi sua cintura com minhas pernas. Ele estava completamente, imobilizada. Somente a respiração aos arquejos fazia um leve movimento em seu tórax.
— Você vai, mas primeiro vou te mostrar como e o porquê, tem que voltar logo e com esse prometido café.
Sem dar espaço e tempo para que ela pensasse ou respondesse, baixei minha boca na dela e só para mostrar meu ponto, também baixei e esfreguei meus quadris nos dela.
— Edward...
Gemeu em minha boca quando sentiu o quanto estava exitado. E isso só aumentou e piorou com o contato.
Maldita calça grudada que ela usava.
— Agora você pode ir, mas não se demore.
A soltei, depois de ambos perdermos o fôlego.
— Só o necessário para acalmar o meu cavalo de lá.
Sorriu safada e se afastou antes que eu processasse o que ela havia dito. Ela estava insinuando que...
— Se acalme e volte a dormir. Prometo que te acordo em uma hora no máximo.
Ela espantou meus pensamentos insanos e os substituiu por outros luxuriosos. Pois, se afastou de mim e voltou a colocar o capacete de proteção e prendeu o chicote no cinto. As perneiras estavam em suas mãos.
— Não me demoro...
Me salpicou um beijo, com a mão, e se dirigiu a porta.
Eu não podia perder a oportunidade, eu tinha que saber.
— Amor, você tem um traje desses em Ângeles?
Ela pareceu não entender o porquê de minha pergunta.
Ingênua!
Ah! Se ela imaginasse.
— Acho que não. Como só pratico aqui, todos os meus trajes estão aqui. Por quê?
— Nada não. Só curiosidade mesmo.
Ainda sem entender, me soprou outro beijo e então fechou a porta atrás de si.
E agora sim eu podia voltar a dormi, pois logo receberia meu café predileto na cama e também porque havia decidido mais um presente perfeito para o aniversário de Bella.
Eu só não sabia quem ia aproveitar mais o presente, ela ou eu.
Bella
Vir para cá havia sido a melhor das escolhas.
Em momento algum eu me preocupara com o tal casamento de Jacob.
Edward e eu estávamos tão ocupados em nos reconciliar de vez, que o mundo fora daqui parecia inexistente.
Perdi as contas, a começar por quando retornei de meu treino hoje de manhã, de quantas vezes fugimos para nosso quarto.
Queríamos nos amar, é bem verdade, mas além de tudo, queríamos voltar à sincronia e a ligação de sempre.
E creio que vovó e John tenham percebido que precisávamos desse tempo para nós, porque em momento algum fomos indagados ou confrontados a respeito de nossos sumiços.
E olha que quando vovó quer ser indiscreta, ela é mesmo. Doa a quem doer.
Mas, enfim às seis horas estávamos com tudo pronto. O final de semana, apesar de corrido e curto, foi proveitoso e eu havia aproveitado demais a companhia de vovó e John. Isso sem falar nos meus animais...
Porém, a realidade nos esperava. Amanhã era segunda feira e dia de voltar a rotina diária.
No entanto, a natureza tinha outros planos para nós e sem mais nem menos recomeçou a chover.
Na verdade, chuva não era bem o que acontecia na fazenda naquele momento, para ser mais realista, uma parte do céu desabava bem a nossa volta.
— Lamento princesa, não posso levantar voo com um tempo deste. Seria arriscado demais.
Então, não houve como contestar e Edward e eu nem podíamos. Porque, vovó nunca que nos deixaria sair assim.
Por isso, atrasamos a volta para mais uma hora depois. O que foi bobagem, porque a chuva não diminuiu nem um pouquinho e para completar uma neblina densa desceu sobre a propriedade. Fazendo assim com que resolvêssemos relaxar, jantar e adiar de vez nossa volta para amanhã bem cedo.
Edward
Depois do jantar a chuva ainda caia incessantemente. Raios, trovões, ventos e torrentes fortes de água, tudo junto. O que ainda tornava impossível nossa volta para Ângelus. Então, o jeito foi ligar para casa e adiar, de vez, nosso retorno.
Bella não fez objeção. Afinal, como estávamos em processo de “tempo” ela não tinha nenhum paciente agendado até segunda ordem.
Eu, por outro lado, tinha uma reunião, logo cedo, com a arquiteta e o engenheiro responsáveis pela construção. E foi preciso recorrer a Esme para que cancelasse meus compromissos. Como era de se adivinhar, mamãe não se importou com nossa folga prolongada, desde que, claro, isso significasse que fizemos as pazes.
Não ligamos para Charlie, como a chuva era intensa e os raios também, preferimos esperar que as coisas se acalmassem primeiro. Ele surtaria por imaginar o nervoso que Bella, provavelmente, estava. O que de fato era verdade.
Então, depois de todos os ajustes feitos e bem alimentados, nos sentamos bem de frente à lareira, para tomarmos um café e fazermos companhia um para o outro.
Bella estava ao meu lado, com os pés no sofá e bem apertada a mim. A cada trovão ela levava um susto e soltava um suspiro de impaciência e temor.
— Ei, estou aqui com você. A chuva está lá fora. Não precisa se preocupar. Sempre te protegerei, meu amor.
— Odeio o barulho, não a chuva.
Gemeu e quase fundiu a mim, se escondendo em meu pescoço quando outro trovão retumbou. O clarão do raio iluminando a sala.
— Shiii, está tudo bem. Se acalme.
Acariciei seu cabelo e beijei sua cabeça passando segurança.
— John, pegue algumas lanternas. É bem provável que a luz elétrica caia. O tempo está muito feio.
A voz de dona Marie era firme, porém seus olhos estavam em Bella que tremia a meu lado.
— Passe no quarto “das crianças” e traga um cobertor para Bella. Ela está com frio.
Sabíamos que Bella não tremia de frio e sim de pavor. Mas, pelo que parece, ninguém mencionava aquilo naquela família.
— Eu já volto e...
John foi interrompido pelo toque do telefone da casa.
Ele o olhou e foi em sua direção quando a esposa o interrompeu.
— Deixa que eu atendo. Traga as outras coisas. Meu instinto diz que vamos precisar.
John já se afastava quando parou abruptamente. Dona Marie tentava falar ao telefone, mas pelo que parece não conseguia. Bella e eu nos fizemos atentos imediatamente.
— O quê? Charlie, não estou entendendo nada. Fale devagar. O quê? Isabella o quê? Avião o quê?
Bella se levantou e foi para o lado da avó, a segui e John também. Dona Marie estava confusa e começando a se irritar.
— O avião o quê? Calma, Charlie. Não estou entendendo. Bella? A minha Bella? Pare de chorar e cale-se, homem!
Bella se aproximou mais da avó. Charlie estava chorando, era isso?
— Que avião? Que viagem, Charlie? Explosão? Que explosão?
Explosão? Me aproximei mais deles e instintivamente peguei Bella pela cintura.
À medida que meu sogro falava dona Marie perdia a cor e começava a hiperventilar.
— Calma, filho. Calma. Escute a mamãe... Só um minuto. Respire...Respire fundo. Bella está aqui, querido. Claro que está. Bem a meu lado. Está chovendo torrencialmente aqui. O piloto deles nem tentou levantar voou.
Por Deus! Também senti a cor deixar meu rosto. O que estava acontecendo?
— Vou passar o telefone para ela. Fale com sua filha, querido. Coloque o telefone no viva voz, estou escutando o choro de Renée e Rosie daqui. Elas precisam se acalmar.
Sem mais demora, dona Marie passou o telefone para Bella.
— Oi. Paizinho...
Dona Marie se virou para mim com olhos preocupados, tristes e ao mesmo tempo injetados de uma raiva imensurável.
— Aconteceu um ataque terrorista no aeroporto de Ângelus. Dois aviões de pequeno porte foram atacados por homens bomba. E pela cor dos aviões supõe- se que o alvo era o de vocês. Charlie não sabia que adiaram a viajem. Ele achava, até agora a pouco, que era o avião de vocês. Ele está assustado e desesperado.
Voltei a me aproximar de Bella e peguei sua mão. Ela acalmava a mãe agora.
— E só consigo pensar que pela hora dos atentados, poderia ter sido vocês mesmo, se não fosse o mal- tempo... Por Deus, Edward! Isso tem que parar. Eu não quero pensar na possibilidade de que estivessem naquele lugar. Isso tem que parar...
John se aproximou e fechou dona Marie em um abraço de consolo e proteção.
Ela estava certa, isso tinha que acabar.
A ameaça ao ateliê de Alice e agora no aeroporto. Eles estavam se tornando mais ousados e se aproximando mais...
Era hora de mudar de tática e contra- atacar. Jasper estava certo o tempo todo...
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