Três Príncipes, Três Princesas
55 Nosso palácio particular
Notas iniciais
Uma semana após o anúncio da gravidez de Alice...
Bella
— Vai para Forks esse fim de semana?
Desci do carro e dei um adeus a Zafrina e Sam, que não desviaram o olhar de mim enquanto não passei pelo batente da porta.
Acho que eles andavam meio paranoicos demais. Mas, quem era eu para indagar alguma coisa? Melhor não interferir naquilo. Fiquei na minha.
— Não! Mamãe e papai estão em uma visita à África e arrastaram Emm e Rosie. E, além disso, Edward disse que, juntamente com seu irmão e Alice, temos uma visita a uma cidade vizinha no Domingo de manhã.
Respondi equilibrando o celular com o pescoço e o ombro. Pois, as mãos estavam completamente ocupadas com a maleta e a bolsa. Era quase seis da tarde e, graças a Deus, eu estava em casa.
— Ah! E falando na cobra, você e Alice já acertaram os pontos?
Suspirei frustrada me lembrando de como me senti quando soube que Alice procurara outro médico para certificar sua gravidez. Eu ainda estava magoada e nem um pouco arrependida de tê-la evitado todos esses dias. Ignorei cada telefonema, fugi de cada provável encontro e me neguei a recebê-la cada vez que me procurou, ao longo da semana, no hospital.
Pirraça era um jogo que dois poderiam jogar.
— Ainda não. Sei que eles têm o direito de se consultarem com quem bem quiserem, ainda mais com a importância desse bebê, mas “poxa” Jake, eu só queria ter sido perguntada a respeito de um bom obstetra. Isso sempre esteve sob minha responsabilidade em Forkian.
Continuei nossa conversa enquanto me dirigia a meu quarto.
Incrivelmente, não encontrei com ninguém ao longo do trajeto, a casa estava estranhamente vazia.
— Humm! Esqueça isso, Bells. Você não está mais em Forks e Alice já não é mais a mesma. Ou melhor, retiro o que disse, sua irmã sempre foi assim, você é que se fingia de cega. Ela e o marido se merecem e...
— Jake...
Tentei, inutilmente, adverti-lo porque Jacob Black era uma força incontrolável da natureza.
— O quê? Não defenda o que não tem defesa, Isabella. Até sua sogra já se deu conta desse fato. Ah! E falando nisso como ela está? Já se recuperou da má notícia? Você conseguiu que ela se consultasse?
Ignorei sua provocação com as primeiras perguntas e foquei minha resposta na última, porque era tudo que se salvava dos últimos 30 segundos de conversa com ele.
— Consegui nada, Jake. Esme está relutante. Diz a todo o momento que só foi pega de surpresa pelas novidades de Alice e Jasper.
Enquanto subia as escadas esfreguei a testa tentando apaziguar um dorzinha irritante de cabeça, ao lembrar o susto que Esme nos deu, não ajudava em nada para que a dor passasse, porém, era relaxante.
— Bem teimosa! Agora sei o porquê de você e ela se darem tão bem. Parecem mãe e filha, que tia Renée não me ouça. Amém.
— Teimosa? Eu não sou teimosa, Jacob Black.
Rebati, ainda pensando na imagem angustiada de Carlisle no instante em que eu aferia a pressão e conferia os batimentos cardíacos de minha sogra.
Ele podia ser tudo, mas o único motivo da qual não poderia ser julgado era de seu amor e preocupação em relação à esposa.
— Claro que não! Só uma mula é mais “cabeça dura” que você. Acredita que não recebi os resultados dos novos exames que lhe solicitei até hoje, Bella? Preciso ver como anda sua anemia e você não está colaborando.
— Jake...
Eu odiava quando virava o centro das atenções de suas reprimendas.
— Não me venha com esse “Jake”. Sou seu médico. Faça o favor de me obedecer. Quero seus exames em minha mesa na segunda de manhã.
— Impossível, doutor Black. O hospital ainda está uma loucura. Não tenho tempo para isso agora. E pelo que me lembre, você é um neuropediatra.
— Ok. Você quem sabe. Só preciso decidir a quem vou reclamar primeiro: Charlie ou Edward. E caso você tenha se esquecido, antes de qualquer especialização, sou um cirurgião geral, portanto, me obedeça ou arque com as consequências.
Hunf! Gemi de desgosto, já entrando no quarto, também vazio.
Onde estava todo mundo?
— Isso é chantagem, Black.
Guardei minhas coisas no closet e somente quando sentei na cama para retirar os sapatos, foi que reparei na delicada caixa de presente disposta bem ali.
— Uso de todos os meios. Te conheço bem demais e sei que se não for assim, vai me enrolar.
— Tudo bem, Jake. Podemos falar sobre isso depois? Edward e eu temos um jantar importante e preciso me arrumar antes que ele chegue. Hoje, incrivelmente, estou adiantada e não que perder essa vantagem.
— Está bem. Mas, não pense que vou esquecer-me dessa nossa conversa. Fique bem e se cuide, Bells. Mande lembranças minhas a Edward.
Nem morta que eu faria qualquer menção a Leah, nem por educação.
— Você também, Jake. Você também... Até mais.
Sem mais delongas, atirei o celular sobre o criado mudo e então voltei minha atenção para o meu lindo embrulho prateado com laço de fita rosa.
Amor
Estou enrolado no trabalho, portanto, me arrumarei aqui mesmo. Por favor, vista isso para mim e encontre nosso novo motorista no andar debaixo assim que ficar pronta. Ele já tem as coordenadas de onde te levar.
Te encontro lá.
Por favor, não se atrase. Nossa família já deve estar a caminho.
Te amo, mais do que nunca.
Seu Edward Cullen
Por Deus!
Edward tinha que parar de mimar assim. Eu me derretia e me apaixonava mais cada vez que ele aprontava das suas.
— Bom, vejamos o que temos aqui.
Devagar, desfiz o laço e levantei a tampa já suspirando com o bom gosto de meu príncipe.
O presente era um belo Alice Swan- Cullen coleção primavera- verão 2016-2017.
Renda puríssima francesa. De mangas longas, curto (mais ou menos, meio palmo acima de joelho), azul e com as costas completamente nuas.
— Edward definitivamente, ama azul.
Para os pés, sandálias delicadas, prateadas e com saltos mortais, de tão altos e finos, também azuis, do mesmo tom do vestido. Eu só rezava para que não quebrasse o pescoço quando caísse dali, porque conseguir me equilibrar, definitivamente, não seria possível.
— Então, “mãos a obra”, Isabella. Seu marido já fez o que você detesta: escolheu seu modelito. Agora seja boazinha e fique linda para ele.
Murmurei sozinha enquanto me apressava num banho de ducha mesmo. Eu não queria deixar Edward me esperando, não depois de tanto cuidado.
De frente para o espelho, sequei os cabelos, prendi a franja e uma parte considerável no topo da cabeça, finalizando com uma presilha azul de safira que papai havia trazido para mim, de alguma de suas viagens.
No rosto, dei destaque aos olhos, escondendo assim, as enormes olheiras e finalizei com um bonito batom fosco nude.
Voltei para o quarto, entrando no vestido, que no meu corpo pareceu ainda mais curto já que se ajustou como chiclete em minhas curvas acentuadas.
— Foi Edward que escolheu. Então não pode reclamar do cumprimento. Só estou obedecendo a ordens.
Conversei sozinha enquanto enfiava meus pés nas armas assassinas. Fiz questão de dar algumas voltas por ali, tentando me acostumar e encontrar o ponto certo de apoio e equilíbrio.
Falhei miseravelmente! Edward me pagaria por aqueles sapatos!
— Pronto! Vamos a esse jantar então.
Segurando onde podia atravessei os corredores, desci as escadas e por fim, parei na sala de estar, esperando pelo tal motorista.
As oito, em ponto, a porta da frente se abriu e um belíssimo exemplar de homem, vestido com terno preto, camisa branca e quepe, se materializou a minha frente.
— Pronta para ir, minha senhora? Tenho ordens expressas de esperar o tempo que for necessário.
Se eu não visse a ponta de um sorriso brincalhão e se não o conhecesse teria achado aquilo um exagero. Foi por pouco que ele não fez uma mesura.
— Se você se ajoelhar eu chuto sua barriga com meus sapatos atômicos, Stephan. Será que pode me dizer por que está vestido assim? O que fez de tão ruim para Edward baixar seu posto? De segurança a motorista é uma queda meio brusca.
— Sabe milady, se eu não estivesse em missão especial juro que pediria a dona Renée para que lavasse sua boca com sabão, porém vou deixar passar, porque meu chefinho me prometeu um aumento e dois dias de folga para que eu me prestasse a esse papel. Então, seja boazinha e me acompanhe.
Ainda tentando esconder como estava se divertindo com aquela situação, me estendeu o braço e me guiou até a porta da frente, onde uma belíssima limusine nos aguardava.
— Aproveite a longa viagem, princesa.
Me sentei e na tentativa de espantar a ansiedade, dei longas e espaçadas respirações.
Edward estava aprontando e isso me deixava um pouco inquieta. O “novo”, o “desconhecido” me deixava nervosa.
— Tem um champanha cara e no ponto lhe esperando no frigobar, princesa.
— Obrigada, Stephan. Mas, posso relaxar sem isso. E além do mais, você sabe que eu não bebo.
— Você é que sabe, melhor para mim e Bree. Porque lógico que vou aproveitar esse carrão e todas essa regalias dentro dele, quando for vê-la hoje a noite.
Enquanto Stephan voltava a ser Stephan reparei que, depois de sairmos pelos portões, demos uma volta ao redor da propriedade e que agora repetíamos esse trajeto que nunca levaria a lugar algum.
— Você tem noção de que estamos andando em círculos, não tem?
Ele, sugestivamente, abriu mais o sorriso e levantou uma das sobrancelhas, porém, não me respondeu.
— Stephan, o que...
Me surpreendi ao vê-lo retornar para dentro do palácio, passar pela porta de entrada, ignorar a garagem lateral e então rumar para as parte dos fundos da residência.
Segundos depois atravessamos os jardins de Esme, e foi só aí que percebi Edward parado no início de uma rua, que até então eu nem sabia que existia e sabia menos ainda onde levava. Para falar a verdade, eu nem sabia que existiam ruas dentro da propriedade.
— Meu trabalho acaba aqui, princesa. Parabéns e aproveite a noite.
O segurança de Edward me saldou enquanto parava o carro e abria a porta para que eu descesse.
— Obrigada?
Perguntei tímida não sabendo como lidar com aquela situação.
— Minha parte está feita. Agora é com você chefe.
Edward se aproximou e logo minha atenção estava toda voltada para meu homem, de terno preto e camisa da cor de meu vestido.
— Obrigado por tudo, amigo. Aproveite o restante de sua noite. Você está dispensado agora.
Stephan nem nos ouvia mais, pois seus olhos já estavam brilhando em direção à limusine. Eu nem queria imaginar o que ele poderia fazer com ela.
Tômara que o dono tenha seguro total.
— Oi! Você está belíssima, meu amor.
Meus devaneios foram todos transformados em pó, quando Edward agarrou uma de minhas mãos e me puxou para junto de seu peito já me abraçando e enchendo meu pescoço de pequenos beijos e inaladas profundas.
Era doentio demais alguém ter um poder assim tão grande sobre o outro, não era?
— Será essa linda princesa me dá a honra de sua companhia agora?
Deslizei a mão por cima da que ele me estendia e, imediatamente, senti o conforto de pertencer a algum lugar, ou melhor, de pertencer a alguém.
E quando ele voltou para perto de mim e entrelaçou seu braço ao meu, essa sensação dobrou de tamanho.
— Preciso me lembrar mais vezes de que você fica mais perfeita ainda, de azul. Essa cor ressalta a cremosidade e suavidade de sua pele.
Eu não tinha palavras. Estava meio atônita com tudo aquilo.
Edward me olhava com uma intensidade palpável. Bella Cullen, simplesmente, estava atordoada demais para raciocinar.
— Vamos por aqui, amor. Firme os pés, segure-se em mim e aproveite ao máximo nossa pequena caminhada.
— Isso são...
Comecei a perguntar quando observei mais atentamente os detalhes do ambiente onde estávamos.
— Orquídeas? Claro que sim. São as suas orquídeas.
A rua era pequena, do tipo que somente um carro passaria por vez. Porém, isso nem era surpreendente.
Agora, as frondosas árvores milenares que a rodeavam, “ah” isso sim era magnífico. E se essa maravilha já não bastasse, como acabamento entre a rua e a grande vegetação, dos dois lados, graciosas, raras e belíssimas orquídeas, as minhas orquídeas, como ele mesmo disse, as mesmas da qual ele me presenteou durante aquele nosso tempo idiota e que eu recusei veementemente.
Era uma visão de tirar o fôlego.
Elas estavam todas floridas e a variedade de cores e espécimes davam um ar de, não sei... algo como uma campina particular, saída de algum conto de fada moderno.
Será que eu estava sonhando?
— Meu bem, eu... Eu não estou entendendo. Para onde estamos indo? Eu nem sabia que essa rua existia. Era isso que os tapumes escondiam? Seu pai está inaugurando a quadra de esportes hoje?
Um sorriso brincalhão despontou dos lábios dele, enquanto me olhava meio de lado. Era bem provável que estivesse me achando meio obtusa hoje. E tenho que confessar, eu estava mesmo.
— Estou contando com sua falta de entendimento, princesa. Estou contando mesmo.
E foi só isso, não disse mais nada e se recusou a responder qualquer uma de minhas dúvidas. Apenas voltou a caminhar me apontando vez ou outra, algum animal ou ave noturna que resolvera enriquecer mais nosso passeio.
A noite estava uma raridade. Clara, sem nenhuma nuvem no céu. As estrelas e a lua estavam tão visíveis que nem as pequenas luminárias, que ladeavam nosso caminho, ofuscavam tão belo cenário.
— Olhe para aquilo.
Voltei minha atenção para onde ele apontava e me deparei com uma pequena placa bem nova, de tintura recente em amarelo e preto, bem a nossa direita e suspensa por um mastro, não tão alto.
Contudo, o que me fez perder o fôlego de verdade, foram do dizeres ali expostos.
Rua: Da princesa de Edward, Isabella Marie Swan Cullen
Era óbvio o que ele queria dizer subliminarmente: eu era e seria de apenas um Cullen, o meu Cullen.
— Você confia em mim, princesa?
Sem que eu esperasse, ele nos parou e logo se posicionou a minha frente.
— Confio. Com tudo que tenho.
O sorriso dele e o soltar de sua respiração me mostravam o quanto ele estava nervoso e ansiando por essa minha resposta.
— Será que você pode fazer isso por mim?
Devagar, sem tirar os olhos dos meus, Edward levou a mão direita até o bolso da calça e retirou de lá uma venda de cetim, também azul.
— Eu prometo que será por pouco tempo e que nada de mal te acontecerá. Estarei o tempo todo ao seu lado. Você pode fazer isso por mim, princesa?
Ofegando baixo e mostrando uma autoconfiança que eu ainda estava trabalhando, acenei afirmativamente influenciando-o a seguir com suas ideias.
Dizer que eu estava totalmente a vontade seria mentira, como disse anteriormente, “o novo” me dá arrepios.
— Se lhe incomodar, a qualquer instante, é só dizer e paro imediatamente com a brincadeira. Certo?
— Eu confio em você, meu amor. Vamos em frente. Estou ficando ansiosa aqui.
O leve contato do tecido macio com minha pele me fez estremecer e Edward percebeu, pois, me pegando de surpresa, beijou meus lábios e me apertou entre os braços.
— Isso! Agora, confie em mim para te guiar. Não te deixarei cair. Por isso, esqueça todo o resto, somente apure a audição e o olfato e me diga o que percebe ao nosso redor.
Começamos a caminhar, meio desajeitadamente, mas logo me entreguei em seus braços e deixei que ele fizesse todo trabalho difícil.
— O que está ouvindo, amor?
Edward
— O que está ouvindo, minha vida?
Fiz com que ela parasse e dando a volta a abracei por trás encaixando meu corpo ao dela.
Minha boca, que tinha vida e vontade própria, logo buscou a pele macia e cheirosa daquele pescoço que eu amava.
— Eu... Eu ouço os pássaros. Também tem barulho de carro e acho que um helicóptero em algum lugar ao longe.
Ignorei sua perceptividade quanto a uma de minhas surpresas e voltei a incentivá-la para que alcançasse meu objetivo.
— Não! Você não está fazendo direito. Se concentre. Busque os sons lá no fundo. Pense no que eu desejaria que você escutasse nesse instante.
Apertei mais meus braços a seu redor, tudo que eu conseguisse dela ainda seria pouco para “meu eu apaixonado” totalmente ensandecido, arriado e viciado.
Mas também, não era para menos. Bella era sinônimo de perfeição. Sua meiguice, benevolência e beleza seriam capazes de fazê-la obter o mundo em suas mãos, bastava encontrar o homem certo que caminharia a seu lado.
E pela graça de Deus, eu seria esse homem.
— Humm! Deixe-me tentar de novo então...
Absorvi, com admiração, a ruguinha linda que se formou em sua testa quando ela a franziu tentando se concentrar mais para me dar o que eu queria.
Bella estava mais bonita ainda, naquela noite. Azul, definitivamente, era a sua cor.
— Uma música?!
Meio perguntou, meio respondeu. Ela não me decepcionava.
http://www.kboing.com.br/coldplay/1-1091893/
— Uma música. É isso que ouço e é isso que você quer que eu ouça. Uma suave melodia, cheia de letra e significado. Isso é Coldlay, amor.
— Sim. Isso é Paradise,minha linda. Escute a letra e pense no quero te falar com ela.
— Mas, Edward...
— Não, Bella ainda não.
Segurei suas mãos que tentaram retirar a venda.
— Estamos quase terminando, não seja ansiosa. Seja boazinha, respire bem fundo e me diga o que pressente.
Voltei a abraça-la já que não corria mais o risco de que minha surpresa fosse atrapalhada.
— Humm...
Mais uma vez, babei enquanto a via respirar fundo e se concentrar. Eu podia sentir na ponta dos dedos, o quanto ela estava nervosa pelo que a aguardava.
— Flores. Das mais variadas. Hortênsias, rosas, ciprestes, pinheiros verdes, crisântemos, margaridas. Acho que a variedade do jardim de sua mãe chega até aqui.
Sem me conter, joguei a cabeça para trás e gargalhei. Eu faria uma confusão na cabeça dela agora.
— Não! Você errou, de novo. Não é isso que quero ouvir. Inale mais forte agora...
— Ah, Edward! Você está brincando comigo.
Minha impacientezinha.
— Claro que estou. Você é meu amor, ora! Agora se concentre e talvez, só talvez se você pensar por aqui..., fique muito mais fácil.
Apertei minhas mãos em seu estômago e então me deleitei quando a compreensão a dominou.
— Claro! Como não? Sinto cheiro de carne. Mais precisamente, do assado de cordeiro a vinho bordô que Bá sempre fazia nos Domingos quando a família estava reunida. Esse cheiro me faz lembrar várias vezes em que chegamos da Celebração de domingo e que nos deparávamos com esse cheiro saboroso por toda casa.
A intensidade com que ela me falou do passado foi tão devocional e arrebatadora que quase perdi o foco.
— Você está me levando para jantar no meio do jardim, é isso? E tem música também.
— Quase isso. Só mais alguns instantes e saberá. Vamos caminhar. Estamos quase chegando, eu prometo.
Voltei para seu lado e passei meu braço no dela, sustentando-a e guiando-a para que não tropeçasse.
A cada passo, a música ficava mais perto. E quando viramos, minimamente, para a direita e então chegamos, até eu me surpreendi com o quão belo havia ficado.
Eu não havia visto depois que anoiteceu, com as luzes fazendo um efeito tão grandioso.
— Chegamos!
Ela arfou alto e se balançou em seus próprio pés.
— Vou retirar sua venda, mas, não abra os olhos ainda. Combinado?
Bella somente acenou em consentimento, creio que não era capaz de dizer nada naquele instante.
— Bom...
Passei minhas mãos por seus cabelos e desfiz o nó, deixando que o tecido deslizasse pelo chão, eu não precisaria mais dele.
Dei um passo para o lado e mais dois para trás, só assim eu poderia admirar, de todos os ângulos, sua reação. Não que eu não tivesse fotógrafos contratados e em lugares estratégicos nessa noite, mas eu precisava registrar pessoalmente aquele momento, em minha memória.
— Quando dei por mim de quem você era quando te vi a primeira vez, Bella, eu quis me chutar por ser tão estúpido. Eu não acreditava que havia perdido aquela menina de aparência inocente e com jeitinho de rainha. Porém, você nos salvou me dando mais uma chance, assim como me salva sempre que perdoa todas as minhas idiotices. Enfim, naquele dia eu jurei que faria qualquer coisa para que você sorrisse e que tivéssemos paz. Eu jurei que você seria minha rainha, minha dona. E toda rainha precisa de seu lugar...
Ela engoliu em seco e deixou que as lágrimas de emoção escorressem de seus olhos.
— Por isso, abra os olhos, meu amor. E veja o quanto posso cumprir minhas promessas.
Bella
Abri meus olhos tentando limpar a visão dos resquícios das lágrimas.
— Ah Deus, Edward!
Eu podia sentir seus olhos ansiosos em mim, no entanto não fui capaz de retribuí-lo. Estava ocupada demais admirando a magnífica construção a minha frente.
— É toda sua, meu amor. Nosso cantinho, nossa casa. A partir de agora, é para cá que viremos a cada fim de dia. É aqui que descansaremos nos braços um do outro.
A minha casa. Era isso que aquilo era, a minha casa...
Por Deus! Era uma casa de dois andares, suntuosa, muito bem iluminada e arejada em meio a árvores, jardins e um pequeno espelho d’água a direita. A garagem ficava a direita também e nossos carros já estavam lá. Todas as janelas e portas eram de vidro e ela parecia tão iluminada e aconchegante que imediatamente senti meus pés me impulsionando para frente.
Eu queria entrar logo.
Vigas grossas em pedra polida sustentavam todo o segundo andar. Uma escada bem ali, à esquerda, do mesmo material das vigas levavam a parte de cima.
Na parte detrás, do que parecia uma área de lazer, no andar superior, se via a copa da mais alta árvore da propriedade. Dando assim a sensação de que a casa pertencia a ela.
Uma casa de contos de fadas.
— Eu... Eu posso entrar?
Perguntei meio incerta.
— Claro que pode. Vamos...
Porém ao me dar conta, de verdade, do que ele havia feito e do que estávamos prestes a fazer.
Me virei totalmente e impetuosamente, me joguei em seus braços e o abracei apertado, me esquecendo momentaneamente dos saltos de quebrar pescoço.
— Obrigada, Edward. Obrigada. Deus! Eu não merecia... você não precisava... sua mãe, ela vai ficar chateada e...
— Shiii, Bella. Não pense. Não agora. Só aproveite. Te prometo que falaremos sobre tudo amanhã, mas hoje não. Hoje o momento é só nosso. Você pode fazer isso por mim?
Se eu podia? Claro que podia. Ele merecia.
— Eu te amo. Te amo demais. Obrigada por isso e por tudo que tem feito por nós, por nosso casamento.
Voltei a me jogar em seus braços e o beijei com todo o ardor possível. Ele retribuiu me içando do chão e me apertando mais em seus braços.
Mas, as surpresas não pararam por aí. De repente uma chuva de pétalas de rosas começou a cair do céu e com admiração percebi que era de um helicóptero, provavelmente o mesmo que eu ouvira mais cedo.
— Edward!!!
Gritei empolgada enquanto olhava para o céu apreciando parte do meu presente.
— Aproveite. Apenas, aproveite.
Essa declaração me levou ao limite. Voltei a beijá-lo com tudo que podia. Agradecendo com gestos o que ele fazia com palavras e atos.
— É meu aniversário e eu esqueci?
Perguntei quando o ar nos faltou e foi preciso me desgrudar dele.
— Não, não é. Isso é um presente de reconciliação. Seu aniversário é daqui a alguns dias, bobinha. Agora vamos entrar. Quero te mostrar a casa antes de nos empanturrarmos com o assado de Bá.
— Ah! Por Deus! Estou faminta.
Mais uma vez ele gargalhou e foi maravilhoso o som que projetou. Eu teria que fazê-lo sorrir sempre.
— Ali. Está vendo?
Acenei em concordância quando me mostrou uma parte perto da copa da árvore.
— Temos uma piscina descoberta para os dias quentes, e que agora deve estar tomada de pétalas de rosas e...
Quase sai correndo para contemplar a visão, porém, sua mão firme na minha me impediu de seguir com esses planos.
— Temos uma coberta também para os dias de inverno. Quando nossos filhos estiverem entediados com o vento e o frio que os prenderão aqui.
Sorri ao imaginar a cena. Um filho... Nossos filhos...
— Aqui é um pequeno jardim, mamãe o projetou, ela achou que essas flores combinavam com você.
— E combinam. Lembre-me de agradecê-la depois.
Eu só sabia murmurar e o beijar em agradecimento. Eu parecia uma criança descobrindo seus presentes de Natal.
— Aqui é o hall de entrada. Daqui podemos seguir para qualquer lugar da casa e...
E, que foi assim que começamos a vagar por cada cômodo da casa com ele explicando sobre a engenharia, arquitetura e cada mínimo detalhe empregado na construção.
Eu estava fascinada. Tudo havia sido desenhado, projetado e realizado de acordo com minhas necessidades, gostos e sonhos.
Na sala de jantar, uma mesa grande de vidro com dois pés de mármore branco trabalhado e totalmente desalinhado, dando um efeito de que tombariam a qualquer instante.
Eu podia facilmente imaginar nossas famílias reunidas ali em alguma data comemorativa.
A biblioteca era algo deslumbrante e me apaixonei mais ainda pelo lugar quando Edward me confessara que ele a desenhara e decorara sozinho, pois, sabia a quantidade de tempo que eu permaneceria ali.
Estantes altas, cobertas de livros atualíssimos de medicina ocupavam toda parede sul e sua esquerda. No restante podia se visualizar literatura antiga, com coleções que imaginei serem raras, por causa de suas capas envelhecidas. Havia literatura moderna também, uma seção inteira, e quase me derreti ao imaginá-lo pesquisando quais eram as leituras mais recentes e comentadas atualmente.
Agora o mais bonito, sem dúvida, foi encontrar uma foto, de corpo inteiro, nossa, do dia do nosso casamento, bem atrás da mesa de madeira maciça de frente a porta de entrada. Imaginei que ele se inspirara na biblioteca de vovó Marie, lá na fazenda.
— Num futuro próximo teremos que modificar essa foto. Porque quero nossos herdeiros representados aqui também. Quero que isso se torne uma tradição de família.
Comentou baixinho em meu pescoço, enquanto me abraçava por trás, consolando uma boba e chorona Isabella.
— Agora vamos. Temos muito que ver ainda.
A sala de televisão estava mais para sala de cinema. Grandiosa e confortável, com poltronas, sofás e pufes por todo espaço em frente a uma enorme televisão e um sistema de som de última geração. Pensei nos momentos que passaríamos ali, em família, ansiei mais para que esse sonho se realizasse logo.
Vez ou outra durante nosso tour, eu parava para agradecer e beijar Edward por sua generosidade. Não que não achasse aquilo um total absurdo. Quem, em sã consciência, dava uma casa de presente à esposa?
Porém, eu seria uma mentirosa se não admitisse o quanto estava feliz e empolgada com a ideia de termos nosso próprio lugar.
O escritório, que supus ser um espaço totalmente dele, a julgar pelas cores sérias em tom de marrom e bege, notava-se uma mesa com mais ou menos quinze cadeiras a sua volta. E a sua frente um sistema de telão e tecnologia de ponta que, creio eu, poderia ser usado em reuniões e teleconferências.
Imaginar Edward trabalhando ali, me fez querer ter sido a filha mais velha ou a do meio só para poder lhe presentear com um reino. O povo merecia um monarca como meu marido.
Mas, enfim... continuando...
A sala de estar era grande e bem arejada. Com sofás e poltronas a sua volta. Também pensada em como nossa família caberia toda ali.
Laranja e amarelo eram predominantes e cantavam com os quadros e esculturas espalhadas pelo ambiente.
Só que nada se compararia com que ainda estava por vir...
Os 5 quartos de hóspedes foram a parte mais sóbria de toda casa. Evidentemente, o bom gosto reinava na decoração e nos móveis também, contudo, eles eram em tons pastéis ou bem clarinhos. Fazendo assim com que cada pessoa que os habitasse provisoriamente, se sentisse confortável e em casa.
— Você está gostando? Estou ficando louco aqui, Bella?
Eu estava meio atônita. Nem sabia o que falar.
Deus! Como não desconfiei disso? Eu sabia que ele estava escondendo algo. Era só ter pressionado mais um pouquinho que ele me contaria.
— E tem como não gostar. Jesus, Edward! Você enlouqueceu. Eu nunca vou poder retribuir isso e...
— Ei pare de besteira. Venha vamos continuar a olhar tudo. Embasbacada você fica caladinha e isso é melhor.
E foi exatamente assim que fiquei quando esquadrinhamos os banheiros que para completar com tudo eram um completo exagero tanto em quantidade, eram 17 no total, quanto em qualidade. A maior parte deles com banheiras de hidromassagens e duchas potentes. Porém, sem dúvida alguma, o mais bonito era o de nosso quarto. Todo em vermelho e branco ele parecia reluzir de tão limpo e brilhante. Era fácil me imaginar, num futuro próximo, relaxando ali. Deixando que a água lavasse e levasse para longe todo estresse e cansaço do dia a dia.
Só poderia ser um sonho...
A casa era grande e bem divida áreas de lazer, refeições e trabalho no andar debaixo e quartos e salas de televisão no de cima. Porém, uma coisa me intrigou, os quartos de hóspedes ficavam a direita das escadas, corredor a fora. Mas, o nosso e outros cinco cômodos totalmente vazios e apenas pintados de branco, estavam a esquerda da escada. Quando perguntei a meu marido sobre o que seriam, fui surpreendida.
Nada me preparara para aquilo.
— São os quartos de nossos filhos, amor. Eu não quis mexer em nada sem você. Quando eles estiverem a caminho decidiremos o melhor. Então, por enquanto, eles permanecerão assim. Já que no momento estamos rebaixados à categoria de tios.
O abracei com força depois daquela declaração. Edward queria filhos e eu o daria esse presente.
Só não fui capaz de processar a mensagem subliminar quando contei cinco ambientes.
Oh Deus! Se isso era uma dica eu estava, completamente, me fazendo de tonta.
— Não pense, lembra? Venha, vamos conhecer a cozinha agora, esposa.
A cozinha, na qual Bá e mais duas funcionárias já haviam tomado posse, era coisa de outro mundo. Toda semi- industrial e com eletrodomésticos em inox e preto. Elas se movimentavam e sorriam para nós ao mesmo tempo. Minha baba estava, aparentemente, mais feliz. E torci a Deus para que o motivo não fosse sua saída da cozinha de Charlote.
Porém, o melhor de tudo foi saber que Edward também já havia recrutado Sam, Zafrina, Stephan e Demitri para nós. Ele os instalara, com o maior conforto possível, em uma residência anexa a nossa.
— Você gastou muito, Edward. Seu pai deve estar mais furioso do que nunca, agora.
Tentei argumentar, em algum instante, enquanto rumávamos para outro cômodo, porém logo fui repreendida.
— Meu pai não tem por que estar furioso, Bella. Gastei o meu dinheiro. Não deixe que valores financeiros tirem a importância sentimental do meu presente. Você poderia fazer isso por mim?
Ele andava pedindo demais isso.
E eu poderia fazer aquilo por ele?
Não sei ainda! Só sei que acabei concordando. Naquele instante eu não era mulher de negar nada àquele homem perfeito.
E assim por diante visitamos cada espaço daquele lugar incrível. Me encantei mais com os jardins do fundo e a lavanderia, espaçosa e bem arejada e voltei a me maravilhar quando chagamos a área de lazer e pude contemplar a piscina coberta de pétalas de rosas, a descrição dele não fazia jus a realidade. A vontade foi de me jogar ali. No entanto, adiei essa ideia. Ainda faltava um lugar para conhecer e era para lá que nos dirigíamos naquele instante.
Edward havia pensado em tudo e era hora de começar a agradecê-lo por tamanha benevolência, amor e dedicação.
— Bom, esse é nosso quarto. Confesso que fiquei nervoso quando mamãe me pressionou a decidir tudo. Eu queria o melhor, mas, se algo não estiver como sonhou, você tem carta branca e para mudar e...
Estendi a mão silenciosamente pedindo para que ele ficasse calado. Eu precisava de um minuto para absorver os detalhes.
O quarto era algo fora do normal. Uma cama grande, tipo king- size estava mais ao fundo e a esquerda. Sua cabeceira era branca, mas estofada e com pedras negras por todo espaço formando pequenos losangos.
Ladeando-a, dois criados- mudos grandes de madeira escura com delicadas luminárias de ferro envelhecido.
A frente havia uma parede falsa, que provavelmente escondia uma televisão e mais outro sistema de som.
Notei mais duas poltronas e uma pequena mesa perto da varanda, nos imaginei tomando café da manhã ali, ainda de roupão e depois de uma noite calorosa de amor.
Arfei com o iminente desejo.
Por Deus! Foco, Bella. foco...
Também havia mais duas portas a direita, o closet e o banheiro. Contudo deixei para inspecioná-los depois, porque a vista de uma jacuzzi na varanda tomou toda minha atenção.
— Pensei que você gostaria disso. Para te relaxar e alegrar depois dos dias complicados no hospital.
— Também pensei nela para nossas noites de amor... Você é perfeito, Edward. Eu te amo.
Sem conseguir mais me conter, abracei seu pescoço e fui o empurrando de volta para o quarto.
Minha boca já beijava a sua com ardor e muito desejo. Eu queria estrear aquela cama naquele momento.
— Princesa, nós precisamos descer. Bá nos espera para jantar.
Voltei a provoca-lo acariciando, com a língua, seu pescoço e orelha.
— Não, nós não precisamos. Bá já deve ter se retirado e além do mais estou com outro tipo de fome e completamente louca para estrear nosso quarto. Concorda comigo, meu rei?
Beijei seu maxilar e o acariciei por cima da calça. Eu podia sentir bem ali, como ganharia essa batalha.
— Seus desejos são uma ordem, princesa. Uma ordem...
Murmurou já gemendo e se entregando totalmente a mim.
Tudo podia esperar, a fome, a sede, os outros...
Agora tudo que importava estava dentro desse quarto, o nosso quarto, na nossa casa: Edward, eu, nosso amor e a nossa necessidade um do outro.
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