Três Príncipes, Três Princesas

56 Nossa Família conhecendo Nosso Paraíso


Notas iniciais
Olá, boa noite meninas. Bom, obrigada a todas pelo carinho e pelo apoio no capítulo passado. É maravilhoso saber que posso contar com vocês. Infelizmente, tenho que informa-las que semana que vem não tem capítulo por dois motivos: Primeiro, meu Notebook morreu e terei que leva-lo para que a assistência o ressuscite e creio que isso demorará mais do que uma semana. E segundo, Sexta, dia 20, é meu aniversário e meu marido e eu vamos fazer uma pequena viagem parra comemorar. Portanto, nada de escrever, porque maridinho estressa. Ok? Espero que me entendam, mais uma vez. Beijinhos e até logo. Carla

Bella

— Você tem noção de que está me pedindo o impossível, não é?

Eu tinha? Acho que não.

Dei de ombros, sorri de lado e suspirei apreciando o calor do sol em contato com meu corpo.

— Não se faça de desentendida, Isabella. O aniversário do seu marido é daqui a quatro meses. Você tem noção de quanto tempo demora a finalizar um projeto desses? E ainda tem mais um detalhe, eu estou grávida, bem grávida, se não se lembra.

Os óculos escuros escondiam a maior parte de meu rosto, então Rosie não podia ver a expressão divertida que eu estampava.

De longe, que eu já estava acostumada com os dramas dela e sabia exatamente o que fazer com eles.

— Eu sei, irmã. Eu sei... Mas, sei mais ainda, da sua capacidade e de seu pessoal.

Bajulei um pouquinho, somente porque minha irmã mais velha amava quando elevavam seu ego destacando suas qualidades.

— Rosie, olhe para isso?

Estendi os braços a meu redor, o máximo que a espreguiçadeira me permitia, é claro.

— Edward merece ou não merece um mimo depois de tudo isso?

Era fim de semana, o primeiro depois da minha surpresa maravilhosa. Meus pais e minha irmã, juntamente com Emmett, tinham cancelado tudo para compartilharem desse momento conosco.

E agora estávamos, simplesmente, aproveitando de nossa área de lazer tomando algumas coisinhas doces e geladas e comendo carne, que o próprio Edward e meu pai preparavam na grande churrasqueira enquanto, nós mulheres, esturricávamos no sol, para relembrar de como era bom não fazer nada de vez em quando, ainda mais se esse nada fosse em companhia de quem se ama..

— Não me bajule e não me chantageie, irmã. Sou uma mulher grávida e cheia de hormônios em ebulição. Se eu começar a chorar aqui, Emmett enlouquecerá e aí você já viu, não é? Sobra para você e Edward.

Sobrava mesmo, toda vez que o telefone tocava de madrugada eu já sabia quem era, nem me assustava mais.

— Tudo bem, Rosie. Você venceu. Nada de presente especial para meu marido então.

Fingi que havia desistido e me virei para o outro lado. Era agora que a melhor parte acontecia. Sempre foi assim.

— Ah mãe, eu não te contei, a novidade...

Mamãe, Esme, Stacy e Clair, que também compartilhavam do nosso banho de sol, estavam atentas a nossa conversa e, claro, escondiam risinhos.

Minhas conversas sérias com Rósalie, nunca eram sérias.

— Novidade? Não filha, não contou.

Dona Renée que nos conhecia tão bem, já imaginava o que estava por vir.

— Jacob e eu fomos convidados para um congresso de medicina na China no mês de Julho. Já começamos a trabalhar em nossa próxima pesquisa e introduziremos o assunto lá.

— Quê? Você só pode estar de brincadeira, Isabella. Daqui a dois meses e meio você tem um compromisso? Bate com o nascimento de Lizzie, você não pode se afastar de mim em Julho.

— Ah, Rosie. Claro que eu posso. Não sou obstetra. Forks tem ótimos profissionais. Você estará bem assistida.

Voltei a ignorá-la com um aceno de mão. Agora era questão de segundos até que tivéssemos o primeiro embate.

— Mas, mas e Lizzie? Ela precisa de um pediatra. E Emmett? Quem vai cuidar do meu marido, quando ele surtar em plena sala de cirurgia? Você não pode fazer isso comigo.

Claro que eu não faria. Porém, uma Rose grávida e dominada pelos hormônios, não sabia disso.

— Vou a Forks uma semana antes de viajar e escolherei, pessoalmente, a equipe que acompanhará sua obstetra, Rosie. Você terá o melhor, eu prometo. Até ajeitarei para que alguém grande e forte fique a disposição de Emmett quando ele começar a desmaiar.

Voltei a olhá-la e pude acompanhar de perto quando ela entendeu minhas intenções.

— Ah, sua bandida! Você está me chantageando. Mas, eu não vou ceder. Como madrinha você tem a obrigação de estar lá.

— Como?

Foi a vez dela, dar de ombros e alisar e grande barriga, de seis meses de gravidez, displicentemente.

— Você... Você, está dizendo que eu serei madrinha de Lizzie?

— Estou. Isso não é novidade. Quem mais seria?

— Alice?

Perguntei, atordoada. Ela realmente me pegou de surpresa. Eu estava emocionada. Eu seria madrinha de alguém. E não era um simples alguém, era a minha sobrinha, a futura rainha de Forkian.

— Por que, Alice? Ela nem está aqui.

Era verdade. Alice e Jasper não estavam ali. E confesso que era por minha culpa.

Eu não os convidei!

Edward bem que tentou me persuadir, mas desistiu quando fiz cara feia e perguntei se ele queria mesmo brigar por causa de minha irmã.

— Eu sei. Mas, ela é a mais indicada. Será rainha, assim como você. Imagina o quanto todos vão comemorar esse fato e...

— Não seja absurda, Bella. Alice é estilista, eu sou design de carros e você é médica. Qual a profissão mais louvável aqui?

— Todas. Não seja absurda você, Rosie. E eu não quis dizer isso. Estou falando do que soa melhor para sua filha.

— Eu também. Soa melhor ela ser sua afilhada e de Edward, não discuta comigo sei das coisas, serei rainha. E é por isso, que você tem que estar presente no dia do nascimento.

E foi só aí que me lembrei de como havíamos vindo parar nesse assunto.

— Eu me sinto lisonjeada, Rosie. Mas, infelizmente não dá. O congresso ele é importante e...

— Ah! Tá bom, tá bom, sua bandida. Eu faço esse presente estar pronto no tempo. Não precisa me deixar a beira de um ataque de nervos.

Sem me conter, pulei para a pontinha da espreguiçadeira dela, que sobrava e a abracei e a beijei como pude.

— Eu sabia, eu sabia. Você é a melhor, Rosie. Eu te amo.

Ao longe pude ouvir as risadas de nossas famílias.

Esses momentos eram mágicos.

— Algum dia vocês precisam dizer onde foi que errei meninas.

— Esse é o melhor, minha amiga, você não errou. Suas filhas são um tesouro. Eu é que preciso de umas dicas.

Voltei a beijar Rosie, enquanto ela tentava me afastar com as mãos. Stacye e Clair gargalhavam alto e eu podia sentir os olhos de papai, Carlisle, Emmett e Edward em nós.

— Tá bom, chega. Eu já entendi. Você me ama. Agora deita essa bunda de volta na sua cadeira e vamos ao que interessa, porque terei que começar com isso pra ontem. O que você quer que tenha nesse bendito presente?

— Tudo que tenho direito. Quero o nome no volante, nos bancos, na lataria. Quero vermelho, o mais vermelho possível. Preciso daquelas rodas especiais que homens gostam e potência, muita potência e...

— Ei calma aí, maninha. Meu cérebro não funciona como o seu. Amanhã antes de irmos embora você me passa, por escrito, o que tem em mente. E se prepare para gastar alguns milhões. Serviço às pressas é sempre mais caro.

Sorri para mim mesma. Eu ia “cutucar a onça” outra vez.

— Ah, Rosie! Isso não é problema, sei que posso contar com aquele desconto de irmã e comadre, que você me dará.

— Nada disso, garota. Família, família negócios a parte.

— Hum. Então tá. Deixe-me pensar então...

Comecei a enumerar, enquanto escondia a risada.

— Deslocamento de Ângelus para Forkian, translado de equipamentos, presença de uma neuro- pediatra na sala de cirurgia, primeira consulta do bebê, honorários fora de horário normal e fora do local de trabalho e...

— Tá, tá... Você venceu de novo, Bella. Conversamos sobre valores depois. Onde foi que aprendeu a ser tão muquirana? Isso irrita, sabe.

Voltei meus olhos para papai e lhe dei meu maior sorriso.

— Eu imaginava que fosse com ele. Papai “atravessa um rio com um comprimido na mão”.

Charlie levantou seu copo, de cerveja, em minha direção e mostrou seu maior sorriso.

Estávamos felizes.

— Quero saber o que aconteceu com camisas, gravatas e meias de presente. Vocês não acham que estão exagerando só um pouquinho, não?

Mamãe estava coberta de razão. É claro que estava. Porém, dessa vez eu fugiria de meus princípios. Edward merecia algo grande. Isso sem falar que homens gostam de carros. Eu sempre via seus olhos brilhando em direção a meu carro, que só pra constar em não havia nem experimentado ainda.

— Foram rebaixados a “fora da lista de sugestões”, dona Renée. Esses dois sabem, de verdade como dar uns “agradinhos” ao parceiro.

Stayce piscou um dos olhos para mim e tive certeza do que ela queria dizer com “agradinhos”. Senti o sangue subir todo para meu rosto.

— Amor, não pisque para Bella. Edward já levantou aquela sobrancelha esquerda, duas vezes. Na próxima, tenho certeza, de que ele nos coloca para fora. E eu não posso sair daqui sem comer aquele bolo com ganache de chocolate que a vi Donna preparando. Portanto, se comporte.

— Tarde demais. Mudem de assunto garotas. Porque o bonitão da mamãe vem aí. Vai flertar com quem não deve, vai...

Esme estava certa. Edward vinha em nossa direção. E ele era bonitão pra mais de quilometro.

E, pela expressão divertida eu podia até imaginar de como estava feliz em ter todos aqui.

Por incrível que pareça, Alice e Jasper não faziam falta.

— Mãe, defenda minha mulher, de biquíni minúsculo, dessas duas. Ou serei obrigado a acabar com essa festa mais cedo.

— Não posso fazer nada se Bella é tentadora demais. Cuide do que é seu, querido. Afaste os abutres e vá me fazer alguns netos.

Quando pensei em ficar constrangida, encontrei os olhos de Esme. Ela tentava parecer brincalhona, mas, havia um fundo de ordem e de urgência em sua brincadeira. E isso me intrigava, porque minha sogra não era de se intrometer em nossa vida, porém, nos últimos dias ela vinha “batendo na mesma tecla”: um filho. Segundo ela, estávamos na hora de termos nosso primeiro.

— Ah, mamãe. Nem sempre “querer é poder”.

Edward disfarçou e todos sorriram, contudo eu podia perceber que ele também estava intrigado com a atitude da mãe.

— Ei genro, o que tem nessa bandeja? É só para Bella ou podemos dividir?

Deixando aquilo de lado, Edward sorriu para mamãe, e colocou a bandeja numa mesa perto dela.

— São camarões, sogra. Trouxe para todas e...

— Como se você não soubesse que Bella os adora. E para a grávida aqui? Nada. Aquele homem grande só pensa no seu estômago grande e...

Rosie levantou resmungando e foi ao encontro de Emmett. Sorri quando papai abriu os braços e a aconchegou ali, pedindo que ela se acalmasse, e que Emmett já estava providenciando pães de alho bem assados, do jeito que ela gostava.

— Esse sorriso significa que está feliz, princesa?

Ignorando as piadinhas infames de Stacy do tipo “Não, cabeçudo. Ela está rindo porque descobriu como tenho dedos grandes”.

Me levantei, o puxei, para um pouquinho mais longe de todos, e logo desabei em seus braços.

Edward estava um perigo de sunga preta.

— Feliz parece uma palavra insignificante demais para o que estou sentindo, Edward. Estou em êxtase e meio boba até agora, amor. Às vezes acho que é um sonho, mas então me lembro de todas as vezes que cheguei aqui, de quarta até hoje, e encontrei Bá me esperando e me colocando a par do que tinha feito e perguntando o que eu queria para o jantar ou algo simples assim, e é nesse ponto que penso o quanto queria isso. O quanto precisava disso. Obrigada, Edward. Não tenho te agradecido como se deve e...

Ele colocou dois dedos sobre meus lábios me impedindo de continuar falando.

— Você tem me agradecido como deve, todas as noites, princesa. Tenha certeza disso.

— É?

Levantei mais a cabeça e apertei, intencionalmente, seus músculos entre meus dedos.

— É. Você tem sido fantástica. E acho que não a compensei o bastante hoje ainda. Temos que mudar esse fato.

— Também acho que temos.

Alisei os músculos de suas costas enquanto ele me estreitava mais em seus braços e trazia sua boca para minha.

— Pare de provocar, princesa. Seu pai está bem ali...

Apontou com a cabeça, mas não tirou os olhos, nem as mãos de mim.

— E se você continuar fazendo isso vai me causar um problema “tão grande” que será impossível esconder. E creio que serei um homem morto, porque nós podemos estar casados e em nossa casa, mas nada disso impedirá Charlie Swan de escalpelar o homem que ele acha que abusa de sua filhinha inocente e indefesa.

— Inocente e indefesa? Tem certeza disso?

Abri um sorriso provocante, desci minha mão direita para o meio de nós e, sorrateiramente, comecei a toca-lo por cima da sunga.

— Ah! Sua diabinha.

E no instante seguinte a boca dele estava junto a minha. Forte, intensa. A língua pedindo passagem e tomando todos os espaços como sua.

Não se sabia onde Edward terminava e onde eu começava. Só se sabia que ali havia um casal completamente apaixonado.

— Ei vocês dois! Será que dá para pararem de “pegação”? O almoço está servido. Venham comer.

— Charlie!

— O quê, mulher? Eu disse alguma mentira, por acaso?

Edward e eu sorrimos, ainda com as bocas unidas.

Papai e mamãe eram duas figuras.

— Eu não disse? Só fico pensando se serei tão ciumento como nossa filha, como ele é com você?

Passei as mãos em seus cabelos tentando decifrar nosso futuro em seus olhos.

— Você será mais. Posso prever isso sem ajuda de cartomante alguma.

Edward voltou a me abraçar e respirou fundo em meu pescoço. Eu sabia que ele tentava se “acalmar” para que pudéssemos retornar para junto dos outros sem o “tal problema”.

— Falando em filhos, sua mãe voltou a tocar no assunto, agora a pouco.

Comentei.

Edward ficou quieto por instantes, para depois respirar fundo e voltar a me olhar nos olhos.

— Eu já imaginava isso. Carlisle também me abordou antes de seus pais chegarem. Eu queria saber o que deu neles. Nunca os vi fazendo isso antes. Agora, só porque Emm e Jas serão pais terei que ser também?

— Eu também não entendo.

Com os dedos ele acariciou minhas bochechas e beijou na junção de minhas sobrancelhas.

— Você tomou uma injeção ontem à noite.

Senti meus músculos enrijecerem. Eu não havia feito escondido, claro que não, tanto que não escondi o frasco, muito menos a seringa usada. Porém, não imaginava que ele traria o assunto a tona logo hoje.

— Não precisa ficar tensa. Isso não é uma repreensão nem discussão, amor. Eu não sou meus pais.

— Eu sei. Só não quero que fique chateado. Prometo-te que dentro de poucos meses te darei um filho. Só por favor, tenha um pouquinho de paciência e...

— Rosie e Alice?

Perguntou antes que eu seguisse uma linha de raciocínio coerente.

Com vergonha de assumir, baixei minha cabeça e a encostei em seu peito.

— Elas vão dar trabalho, Edward. Rosie, vai virar uma lunática e fazer da vida de Emmett e do médico um inferno. Eu preciso estar lá para controla-la. Agora Alice, eu... eu ...

Edward puxou meu queixo para cima. Ele me olhava com uma intensidade que me derretia a alma.

— Alice... Termine de falar, Bella. Eu entenderei, ou pelo menos farei um esforço.

— Alice, nem eu sei por que preciso estar lá. É só uma intuição boba. Coisa de irmã. Sei que estou agindo como uma garota mimada agora, evitando-a. Mas, isso vai passar, sei que vai. E é nesse instante que algo me diz que ela vai precisar de mim. Por favor, não pense que estou colocando minhas irmãs à frente de seus sonhos é só que...

Ele negou com insistência e me abraçou com força.

— Não diga isso, Bella. Eu entendo e fico até com inveja da relação que une você e suas irmãs. Não se preocupe. Nós teremos nosso bebê no momento certo. Realizaremos “nosso sonho”. Mas, enquanto isso, nós podemos ir treinando, não acha?

— Isabella, seja uma boa anfitriã e traga essa sua bunda aqui.

— Charlie!!

— Calada, Renée. Ele a tem todos os dias. Nós, não. Isabella!!!

Edward

— Emmett, filho. Você vai estourar. Pare de comer.

— O quê? Não mãe. Tenho que manter a forma. E a senhora por acaso provou esse feijão? Está divino. Quero Bá para nós.

Depois de momentos produtivos com minha esposa, voltamos para perto de nossas famílias. Bá havia servido o almoço e Emmett, como sempre, se esbaldava.

— Vai querendo. Nem Alice a conseguiu. Foi saber que Bella ganharia a casa e se mudaria, que ela fez as malinhas e nos abandonou.

Era fantástico como todos se entrosavam e conversavam.

Como não pensei em construir um lugar só nosso antes? Talvez tivesse evitado muita coisa ruim.

— Mas isso não é novidade, Esme. Quando as meninas se casaram ela não pensou duas vezes. Bá ama Isabella e onde uma for à outra irá.

Mamãe e minha sogra conversavam. Bella se mantinha quieta, mas eu podia jurar que seus pensamentos estavam em como éramos sortudos por ter todos ali.

— Filha, como andam as coisas no hospital?

E foi aí que Bella se abriu para o pai, o que não era uma novidade, e lhe contou com estava mais tranquila. Trabalhando menos e aproveitando mais nossos momentos.

E foi exatamente assim que passamos o restante do dia e o começo da noite. Reunidos, comendo, bebendo e brincando. Brincando muito.

Porém, foi quando despachamos Emm e Rosie para o quarto de hóspedes, porque sim, eles insistiram em serem nossos primeiros, que podemos vir para nosso quarto.

Visitas cansam, isso era fato.

Aliás, eu havia vindo, porque Bella ainda ficara para trás resolvendo com Bá o cardápio de amanhã.

— Não me esperou.

Sorri para ela e fechei o livro que eu fingia ler, pois minha mente estava mais desligada que televisão no domingo à tarde.

— Achei que ia demorar mais. Mas, se quiser te acompanho sem problemas. Banho é sempre bom, acompanhado então...

Bella sorriu já a caminho do banheiro.

O balançar de sua bunda era algo que me hipnotizava.

— Não precisa. Vamos economizar água, Cullen. Volto já. Não durma.

— Nunca. Estarei acordadinho aqui.

Bella

Minutos depois saí do banho e corri para os braços de meu marido. Eu ansiava por estar sozinha com ele desde que acordamos.

— Deliciosa. Você é gostosa demais, meu amor. Eu não resisto.

Meu roupão estava aberto e Edward deslizava a língua por cada parte coberta e descoberta de meu corpo.

— Vou devorar você, princesa. Estou com tanta vontade e saudade que pareço um adolescente de quinze anos.

Abri as pernas o convidando a se infiltrar e instalar ali.

— Sou toda sua, amor. Toda... Venha...

Gemidos, sussurros, chupadas, lambidas eram os sons de nossa própria trilha sonora.

Porém, logo nosso doce momento foi interrompido.

— Bells?! Abra a porta, pelo amor de Deus. Socorro!!! Abra a porta. Vocês não podem estar dormindo ainda.

Rosie esmurrava nossa porta com tanta violência que certeza que machucaria as mãos.

Sabendo que parecia algo sério, rapidamente Edward se afastou de mim e a abriu. Eu o segui de perto.

— O que foi Rósalie? O que está acontecendo?

Ela estava pálida e muito ofegante. Pavor tomava conta de suas feições antes tão tranquilas.

— Emmett. Ele está enfartando. Por favor, pelo amor de Deus o salve irmã. O salve... Venha comigo.

Eu já nem escutava mais o que ela dizia, corri até o closet agarrei minha maleta, passei por eles e corri até o quarto de hóspedes.

— Emmett! Calma, muita calma. Eu estou aqui agora. Respire fundo e me diga onde dói?

O encontrei na cama com o rosto retorcido de dor. Não hesitei em me aproximar.

— Aqui. E aqui. Ajude-me, Bella. Ajude-me. Eu estou morrendo.

Ele me apontou o peito e logo depois as costas.

Agi com toda rapidez que a situação merecia.

— Respire fundo e inspire devagar.

Agindo rapidamente, abri a maleta retirei os equipamentos, escutei seus batimentos e conferi a pulsação.

Completamente normal.

— O que está acontecendo? O que está acontecendo? Por Deus, Emm!

Esme e Carlisle entraram correndo no quarto, eu podia ouvir a movimentação deles atrás de nós. Papai e mamãe, que também haviam chagado, consolavam e acalmavam Rósalie. Ela deve ter avisado para eles.

— Edward, não fique aí parado. Ligue para o hospital e mande vir uma ambulância, um helicóptero. Haja, garoto. Seu irmão está morrendo e você está aí parado.

Todos estavam nervosos.

— Eu vou morrer, Bella? Meu coração está doendo. Eu vou morrer?

— Não diga isso, filho. Fique quietinho e deixe Bella cuidar de você. Ela sabe o que faz.

Esme apaziguava, como uma linda mãe que era.

Escondi um sorriso, porque se fizesse aquilo seria uma mulher morta.

— Rosie, pegue em seu banheiro um óleo de massagem para mim, por favor.

— Massagem? Você está louca? Meu filho está morrendo e você vai massagea-lo?

Ignorei completamente meu sogro.

— Carlisle...

— Vou buscar, Bells.

Papai advertiu enquanto Rosie já voltava com o óleo em mãos.

— Emm, retire a camiseta e deite-se de barriga para cima. Respire e relaxe. Você pode fazer isso por mim?

Ele seguiu minhas ordens gemendo e com lágrimas nos olhos. E quem poderia julgá-lo? Aquilo doía pra porra.

— Assim está bom. Continue, por favor.

Derramei uma quantidade considerável do líquido nas mãos, o esquentei friccionando uma na outra e no instante seguinte, comecei a massagea-lo por todo peito e barriga, fazendo pressões fortes por cima do estômago e costelas.

— Ligue para o hospital, Edward. Essa mulher não é uma especialista. Meu filho vai morrer aqui.

— Ah! Cale-se homem. Ou eu dou um jeito de quebrar todos os seus dentes para que você o faça. Bella, é uma profissional. Sabe o que faz.

Papai e Carlisle voltaram, a se estranhar e então foi minha vez de dar as ordens por ali e acabar, de vez, com aquilo.

— Amor, por favor, vá até a cozinha e peça a Bá que coloque duas colheres, bem generosas, de um pó, que está num vidro branco de tampa vermelha, em nossa farmacinha, em um copo de água. E traga-o para mim.

— Isso vai me curar? É bom para o coração, Bells? Eu não vou morrer, não é? Sou novo demais para isso.

Dessa vez foi impossível não sorrir. Emmett era uma graça.

— Você não está morrendo. Nem enfartando, Emm. Pode ficar tranquilo.

— Como você pode afirmar isso? Não é uma cardiologista?

— Pai! Cale a boca ou saia daqui. Minha mulher sabe o que está fazendo e o senhor não vai desrespeita-la em nosso lar. Vá para sua casa, só está servindo para deixar todos mais nervosos.

Pela primeira vez desde que a confusão começou, ousei tirar os olhos de Emmett. Eu precisava responder Carlisle antes que Edward perdesse a cabeça.

— Pelo simples fato, meu sogro, de que o que Emmett tem são gases e dores pela pressão que o estômago e o baço inchados estão fazendo sobre suas costelas e tendões.

Apontei para o abdômen e peito dele.

— Isso é, nada mais nada menos, que uma indigestão. Aparentemente provocada pelo excesso de comida.

O pai de meu marido abriu a boca em um grande O...

— Mas, Bellinha está doendo pra cacete. Não pode ser só gases. Faça parar, por favor.

Os olhos dele continuavam marejados.

— Vire-se para a esquerda e puxe os joelhos para cima, o máximo que conseguir, Emm. Em posição fetal mesmo.

Assim que ele fez o que pedi, suas feições começaram a se suavizar.

Bingo!!!

— Aqui está, amor.

Peguei o copo das mãos de meu marido, que eu nem havia visto sair e o deslizei para Emm.

— Beba, cunhado. Devagar, mas beba tudo.

Ele o fez de um jeito engraçado, meio torto, quase sem sair da posição.

— Eca! Isso é ruim.

Um monte de caretas, seguidas de resmungos e depois suspiros de resignação. Emmett era uma criança grande.

— Sua mãe nunca te disse que o que é ruim cura? Beba.

— Eu digo isso até hoje filha.

Esme piscou para mim. Era encantador o quanto ela confiava. Carlisle, na posição de pai, que eu entendia, se desesperou, Esme não. Ela já era capaz de sorrir e brincar com a situação.

— Está passando. É um milagre. Você me curou, Bellinha. Me curou. Vou levantar um altar em sua homenagem na praça central de Frokian.

Sorri e voltei a empurra-lo para que se deitasse. Ainda ia doer por mais algum tempo. Mais especificamente, até que tudo que estava em seu estômago tomasse um rumo.

— Ah, ursinho! Você me assustou. Nunca mais faça isso. Sorte a nossa que estávamos aqui.

Vendo que a situação de Emmett estava sobre controle, me virei para uma chorosa Rósalie.

— Sua vez. Sente-se aqui.

Apontei para a beira da cama.

— Eu estou bem, Bells. Se concentre no meu marido. Ele ainda está pálido e precisa de você.

— Agora.

Não dei brecha para que recusasse ou arranjasse mais desculpas. Eu a examinaria agora. Ela se assustou mais do que o necessário hoje.

— Mandona.

Resmungamos enquanto ela se sentava a minha frente.

A mão de Emmett procurou pela sua, enquanto ele já fechava os olhos e começava a ressonar.

A dor já estava passando.

— Teimosa.

— Meninas... dá para pararem?

Fomos advertidas.

— Sim, mamãe.

Respondemos em uníssono.

Edward

— Você foi fantástica. Estou orgulhoso. É fascinante o quanto se mantêm calma e centrada.

— Pare com isso. Não foi nada demais, Edward. Emmett só comeu demais. Só isso.

Será que Bella nunca se acostumaria em ser elogiada?

— Continua sendo fantástica. Para mim, indigestão e algo muito complicado.

E somente depois de duas horas depois daquela confusão toda, quando Bella teve certeza de que Emmett já estava bem e dormindo como um bebê, foi que voltamos para nosso quarto.

Mesmo assim, foi com a promessa de que a porta estaria aberta e que escutaria se Rosie pelo menos gemesse de seus aposentos.

— Não foi assim que planejei terminar nossa noite.

Arranquei as roupas, as joguei em cima da poltrona e me deitei. Bella seguiu meu exemplo, só que infelizmente, foi até o closet e voltou de lá enfiada em um conjuntinho de pijama de cetim.

Será que aquilo seria uma barreira?

— Nem eu. Mas, nos podemos consertar isso. Espere só alguns minutos enquanto minha adrenalina, modo médica, abaixa e então podemos continuar de onde paramos.

— E enquanto isso, eu...

Induzi fazendo drama, com biquinho e tudo que tenho direito.

— Enquanto isso você pode tirar um cochilo para acumular forças. Porque quando eu te acordar não terá descanso tão cedo, meu príncipe.

— Estou contando com isso, princesa. Contando...

A puxei para meus braços e fechei os olhos relaxando.

O dia havia sido maravilhoso, mas barulhento e exaustivo. Nada parecido com a tranquilidade de nosso lar. E eu poderia apostar que amanhã quando ela acordasse depois de dormir, como uma pedra, a noite inteira, se arrependeria de não ter cumprido com sua promessa e então, aí sim, nossa festinha particular começaria sem ter hora para acabar.

Porque afinal, amanhã era domingo, estaríamos em nossa casa e não devíamos nada para ninguém. Tínhamos mais é que aproveitar.