Notas iniciais
Meninas, postando rapidinho e sem betar. Fui assaltada e minha cabeça está a mil. Me perdoem, qualquer erro grotesco. Beijinhos e boa semana a todas. Sandy, vou responder seu comentário amanhã, ok? Beijos

Alice

— Não. Esse decote em V, definitivamente, não. Talvez um redondo não muito profundo.

Murmurei baixo, comigo mesma, enquanto retocava alguns croquis, que precisavam ser terminados para a coleção outono ̸ inverno da Swan’s.

— Isso. Agora sim, Alice. Agora sim. Você é um gênio, garota.

Admirei, levantando o modelo a altura dos olhos.

Eu estava correndo contra o tempo. Devido à preparação e organização do casamento e posteriormente a lua- de- mel tudo havia se desorganizado. Em virtude desses fatos, agora eu vinha trabalhando, desde que ganhei o ateliê a quatro dias atrás, das nove da manhã às seis da tarde. Parando somente para o almoço. Eu precisava entregar os modelos, o quanto antes, para as costureiras da linha de produção.

— Ele vai ficar melhor ainda, se eu subir essa barra, alongar essas mangas e... Ah! Porcaria!

Rabisquei bem no meio do modelo que finalizava.

Era por isso que eu odiava barulhos quando estava criando. Ainda mais, em si tratando de telefone.

— Sim.

Atendi antes que o barulho irritante se repetisse, acabasse, de vez, com minhas ideias e estourasse minha cabeça, já sensível por causa da dor.

— Princesa, perdoe-me pela interrupção. Mas, é que o príncipe a espera, na entrada e ele está impaciente, diga-se de passagem.

Olhei para lado e visualizei dezoito horas, no computador. O tempo havia passado “voando” e eu não percebera.

— Ok! Já estou indo. Finalize o que estiver fazendo. Tranque tudo e também pode ir.

— Sim, senhora.

Encerrei a ligação, fui até o banheiro ajeitei os cabelos, que eu tanto remexia e bagunçava ao longo do dia, retoquei o batom e pronto. Estava bom.

Voltei à sala, atirei o celular dentro da bolsa e sem mais delongas me retirei dali. Jasper não era conhecido pela sua paciência.

— Até segunda, senhora.

— Até segunda.

Despedi-me da secretária, que eu ainda não decorara o nome, mesmo com quase uma semana e convivência.

Acenei discretamente, com a cabeça, para outras tantas pessoas que encontrei ao longo do trajeto até a recepção. Até, por fim, seguida de perto por dois seguranças, me dirigir à saída do Ateliê.

Jasper me aguardava no banco detrás, do discreto e grande carro preto.

— Oi.

Inclinei-me para beijá-lo, enquanto o motorista fechava a porta a minhas costas.

— Suas mãos estão frias, seus lábios estão gelados e você está com olheiras enormes. O que está acontecendo?

Efeitos colaterais. Droga! Eu devia ter disfarçado-os melhor com maquiagem e menos toques.

— Dor de cabeça. Cólicas. Nada com que se preocupar. Coisas de mulher.

— Coisas de mulher, sei. Cólicas? Menstruais?

Um lampejo de raiva e decepção se passaram por seus olhos. Porém, foi tão rápido que imaginei que poderia ter sido um truque de minha imaginação fértil e criativa.

— Sim.

Respondi timidamente. Aquele não era um assunto que eu gostaria de ter com meu marido. Ainda mais, quando ele parecia tão tenso e aborrecido por causa daquilo.

— Ok. Está tudo bem, não tem problema. Nós temos tempo. Venha aqui. Deixe-me mimá-la um pouquinho para ver se essa sua dor passa.

Aninhei-me nos braços que ele me estendia. Inspirei seu cheiro e fechei os olhos ao sentir seus lábios suaves em minhas bochechas. Jasper tinha o dom de me fazer esquecer questões importantes quando me tocava.

— Sua irmã precisa de carona?

Abri os olhos rapidamente ao notar que ele observava o hospital do outro lado da rua.

— Não. Edward vem buscá-la. Eles vão direto para o aeroporto.

Bella nunca havia pegado uma carona conosco. Contudo, isso não o impedia de perguntar a mesma coisa todo dia.

— Eu queria ir para casa também.

Resmunguei ao notar que o olhar carrancudo dele, causado pela informação anterior, voltava a se suavizar ao me dar atenção.

— Sua casa é aqui, Alice. E você sabe, muito bem, que temos uma série de compromissos com o reino esse fim de semana. Não seja tão intransigente. Você viu seus pais há alguns dias atrás. Sua irmã não.

— Ok. Você está certo. O reino em primeiro lugar.

— Isso. O reino em primeiro lugar. Tudo pelo reino, Alice.

Voltei a fechar os olhos quando os lábios dele voltaram para meu rosto. Eu amava sentir o toque de Jasper. Era quente e abrasador. Eu amava meu marido e mesmo que tivesse que lutar demais, eu permaneceria com ele.

E um dia, quando Jas percebesse que Bella, mesmo que o casamento dela e Edward falhasse, nunca lhe daria atenção. Porque nosso código de irmãs era coisa séria para nós.

Então, quando ele percebesse a realidade que o cercava, eu teria a minha chance de conquistá-lo, para sempre.

Jasper Culen amaria Alice Swan e se arrastaria aos pés dela. Escrevam o que estou falando.

Bella

— Pai? Mãe!

Corri para dentro de casa sem esperar por Edward. A saudade, naquele instante, era bem maior do que a boa educação que eu havia recebido.

A risadinha de Edward para meu rompante me confirmou que ele concordava com minha teoria. Nem importei que ele ainda estivesse descendo do carro, eu só queria me sentir em casa.

— Bella? Ah, querida! Vocês chegaram!

Com uma felicidade e uma saudade justificáveis, me atirei nos braços de Charlie Swan. Eu estava louca de vontade de vê-lo. Tanto que fui capaz de convencer Edward a virmos logo depois do fim do expediente, direto para cá. Nem em casa passamos. Nem um banho, deixei que ele tomasse.

Poderíamos muito bem fazer isso aqui.

— Oi, pai. Que saudades de você.

— Oi, anjo. Muitas saudades, muitas. Será que ainda dá tempo de voltar atrás nesse acordo idiota? Posso devolver aquele marido da sua irmã e pegar você para mim, outra vez?

Fui beijada, abraçada e rodopiada no ar. Charlie parecia criança em noite de Natal.

— Creio que não sogro. Nem eu, nem meu irmão, muito menos meus pais aceitarão essa proposta. Estamos satisfeitos com nossas escolhas. Então se contente, você é minoria.

— Ah! Que pena! Você também veio. Em vez de um, agora são dois. Deus! Onde eu estava com a cabeça?

Sorri ao ver meu pai estender as mãos teatralmente para o céu.

Aproveitando sua distração, dei um passo para o lado separando- me dele, para que Edward o cumprimentasse. Apesar das “cutucadinhas”, era nítido o quando os dois estavam tranquilos e brincalhões.

— Brincadeiras a parte, é bom ver você, garoto.

— É bom ver você também, Charlie.

Edward o abraçou de lado e Charlie retribui o gesto com tapinhas amigáveis em suas costas.

— É mesmo muito bom ver que eles estão aqui, querido. Mas, será que agora você poderia se afastar um pouco e soltar minha filha e meu genro, para que possamos cumprimentá-los também?

— Já que você pediu tão educadamente. Não é, Renée?

Segurei a risada que queria sair, ao ver a carranca de Charlie para as palavras de mamãe. Eu estava nostálgica dessas rusguinhas.

Era muito bom estar em casa.

— Oi, mãe.

— Oi, minha querida. Quantas saudades. Você está bem? Tem se alimentado direito? Está tão coradinha. O sol fez maravilhas em você, pelo que estou notando.

— Hum, sogra! Observe mais atentamente. Eu acho que essa beleza e essa felicidade da Bells, não tem relação nenhuma com o sol, não. Hein?

— Emm! Não comece.

Ai Deus! Escondi-me nos braços de Renée enquanto corava e ouvia os resmungos desaprovadores de Charlie e Edward. Meu pai precisava mesmo presenciar as insinuações de meu cunhado bobalhão?

— Edward. Oi querido, vocês chegaram cedo.

Mamãe me soltou e foi ao encontro de Edward, desviando o assunto e evitando assim que ele perdesse a paciência com o irmão.

— Oi Renée.

Edward, que também estava um pouco corado, se aproximou e abraçou minha mãe amorosamente. Já se esquecendo das brincadeiras de Emm.

— Mas, sem brincadeiras agora, irmão. Que bom que vocês chegaram hoje. Achei que iriam ficar para a inauguração do complexo de lojas daqueles empreenderes japoneses.

— Carlisle bem que queria, mas o dobrei. Bella estava morrendo de vontade de estar com os pais. E depois de uma semana tão intensa, achei que ela merecia esse agrado.

Edward e Emmett emendaram uma conversa enquanto mamãe nos guiava para a sala de jantar. Sorri e pisquei para meu marido. Ele me acostumaria mal demais se continuasse assim.

— Bells. Ah, Irmã!

— Oi Rose.

A esposa de Emm vistoriava a mesa de jantar quando chegamos. Foi impossível não visualizá-la como rainha, já tomando conta da casa e de suas funções. Rosie seria uma linda monarca.

Foi impossível conter o abraço que trocamos. Eu amava demais minha linda irmã.

— Então, como foi no trabalho? Já começou a atender? Estou louca para saber todas as novidades.

Nos sentamos e emendamos uma conversa saudável, entre família. O clima ali era outro, muito diferente de Ângelus. Eu estava entre os meus agora. Ninguém me recriminaria por meu jeito ou meus horários.

— Você está gostando, filha?

— Muito, pai. Ainda não comecei a atender. Farei isso a partir de segunda feira. Por enquanto, estava fazendo uma avaliação do local, dos equipamentos com que posso contar. E também, estive auxiliando Aro na contratação de novos profissionais para compor o quadro clinico do hospital.

— Quem bom, querida. É gratificante ver sua empolgação. Você será um sucesso naquele hospital. Seu pai e eu estamos orgulhosos de você.

Sentindo o rosto corar, sorri de lado. Eles é que não imaginavam o quanto eu amava o que fazia. E saber que meus pais tinha orgulho de mim, uma simples médica, me enchia de alegria.

— Bella já é um sucesso, Renée. Meu tio me confidenciou que eles já têm uma lista de espera de 105 crianças aguardando por uma consulta com ela.

— Uau! Acho que você pode é rever seus horários, Bellita. Forkian também merece que venha atender aqui alguns dias por semana.

Emmett tinha um sorriso no rosto, contudo ele falava sério, muito sério. Nem ousei pensar na proposta, não agora. Eu precisava me adaptar a minha nova vida primeiro. Mas, confesso que me senti tentada. Eu teria que dar um jeito de retribuir tanto carinho e amor do meu povo.

— Nem pense nisso.

Edward me advertiu, também sorrindo, mas com a mesma seriedade subliminar que Emmett usou agora a pouco. Meu marido já sabia que eu havia me sentido tentada.

— Como são seus horários? São maleáveis, filha? Ou Aro já está te explorando além do normal.

Perguntou Charlie, enquanto um delicioso jantar era servido. O ronco do meu estômago me lembrou de que eu somente havia almoçado e estava faminta.

— Essa semana foi sim, pai. Agora, a partir de segunda é outra história. Terei que me adaptar a nova rotina. O que inclui dois plantões por semana.

— Plantões?

Com o prato na mão para se servir, Edward parou e me olhou. Por um lapso meu, nós não havíamos falado sobre aquilo ainda.

— Ih, cunhadinha! Ferrou-se. Edzinho não vai dormir numa cama fria sem uma boa briga.

— Emm, por favor.

Pedi baixo. Não era hora de brincadeiras, ainda mais quando Edward fechava o semblante para mim. Ele iria começar a implicância tão cedo?

— Sim, plantões. É norma do hospital, amor. Dois profissionais por noite, entrando às seis da tarde e saindo às seis da manhã.

— Você não vai, por lei nenhuma. Falarei com meu tio. Você não é uma médica qualquer. É minha mulher. Contribuir financeiramente com aquele hospital tem gerar alguma regalia. Eu resolvo isso quando voltarmos.

Charlie levantou a sobrancelha, insatisfeito com a resposta dele.

Renée e Rosie, pararam de comer, elas sabiam que meu marido não estava indo por um caminho legal. Elas conheciam meu gênio. Emmett também fechou a expressão para o irmão.

— É claro que eu vou. Eu não quero que você use sua influência, Edward. Eu sou uma médica como qualquer outra. A única diferença é que serei muito mais observada e cobrada.

— Isso é um absurdo, Bella. Acabamos de nos casar. Eu não quero você dormindo fora.

— Por Deus! E quem te disse que vou dormir? É trabalho, homem. Por favor, não precisa se alterar, eu não quero brigar.

Edward ia retrucar, porém papai raspou a garganta lhe chamando a atenção. Seja o que for que ele tenha visto na expressão de Charlie, o fez recuar. E mudar de postura.

— Ok. Vamos tentar, só tentar. Mas, se não der certo voltaremos a conversar sobre isso. E juntos chegaremos a uma solução. Certo?

Sabiamente, ele baixou a voz e segurou meu rosto com as mãos.

— Certíssimo. Eu te amo sabia?

Inclinei-me em sua direção e lhe beijei. Edward retribuiu e sorriu, muito satisfeito com meu rompante. Era a primeira vez que lhe beijava na frente de meus pais, depois de casados.

Naquela noite, depois do jantar e do tradicional café servido na sala de estar, meus pais se recolheram e então, relaxamos mais e conversamos abertamente com nossos irmãos sobre todo tipo de assunto, desde os sérios que incluíam principalmente as ameaças terroristas, até os mais leves, tipo a adaptação de Emmett aos horários madrugadores de Charlie.

Foi reconfortante. Tanto Edward quando eu, estávamos precisando dessa interação desinteiriçada com nossos irmãos. Conversar com Emmett e Rósalie era fácil, estávamos na mesma sintonia. Já com Jasper e Alice, era algo ainda sem explicação para mim.

Edward

Voltei a fechar os olhos tentando fazer minha mente se desligar e dormir. O que me foi facilmente negado. Eram coisas demais para pensar e isso sem contar que eu ainda estava meio fora do ar por causa do “amor” que havia feito com minha princesa, há poucos minutos atrás.

Depois de um tempo matando a saudade de nossos irmãos. Rosie nos apresentou nosso quarto. Ela fez questão de enfatizar que ele seria somente nosso. Como uma segunda casa aqui em Forkian.

Confesso que fiquei um pouco decepcionado. Eu queria mesmo era dormir com Bella em seu antigo quarto, acho que isso é meio que um fetiche. Sei lá!

Porém, Bella me contou que Charlie proibiu a esposa de sequer cogitar a hipótese de reestruturar os quartos de solteiras para agora casadas filhas. Segundo Bella, o pai queria pelo menos manter a ideia de que suas filhinhas continuariam inocentes e intocáveis como ele se lembrava.

Por fim, me dei por agradecido. Entre os males o menor. Em uma ocasião lá em casa, meus irmãos e eu ficamos brincando que Charlie colocaria um cinto de castidade nas filhas como forma de nos castigar por ter roubado os corações delas.

Meu sogro era uma piada e um paizão. Eu tinha muito que aprender com ele. Ainda mais, quando o assunto era Bella. Eu odiei a ideia dos tais plantões, contudo, com apenas um olhar meu sogro me mostrou que com Bella vencíamos pela experimentação e pela conversa amigável, nunca com a discussão.

Ah seu eu tivesse anotado essa informação...

Me virei, de novo, e puxei-a para mais perto. Inspirei profundamente, seu cheiro e só então ousei relaxar. Meu corpo, insaciável e viciado dando sinais de que ela estava bem ali. De camisolinha curta, a minha mercê.

O ignorei e fechei os olhos. Eu precisava estar descansado para aguentar a energia de minha princesa, mais dois em sua casa, Era incrível como Bella mudava de postura ali. Eu gostaria de fazê-la se sentir assim em Ângelus.

E com esse pensamento de exuberância, plenitude e perfeição, dormi. Me entreguei ao que tanto queria e precisava fazer.

Porém, nada estava a meu favor, porque pelo que pareceu, segundos depois, algo irritantemente repetitivo tomava conta do quarto inteiro.

— Ei. Que barulho é esse? O que está acontecendo? Aonde você pensa que vai, amor?

Puxei Bella de sua tentativa de fuga. Ela estava tentando se levantar? O que diabos essa mulher tinha na cabeça.

Olhei para o relógio de cabeceira: Putz! Três horas da manhã. Aquilo era um despertador?

— Shiii! Volte a dormir, meu príncipe. Quando você menos perceber já estarei de volta.

— Não sem você. Está frio. Aonde pensa que vai? Volte já para essa a cama, mulher.

Tentei trazê-la de volta, quando ela se desvencilhou de meu agarre. E aquela camisolinha indecente que não me ajudava.

— Eu não demoro. Volte a dormir, porque quero seu corpo quente e relaxado quando voltar.

Tentou me comprar, a bandida. Mas, eu não me renderia assim tão fácil. E ainda tinha aquela camisolinha irritante. Ela ia desfilar pelos corredores do castelo vestindo apenas aquele pedaço de pano? Nem eu seus melhores sonhos.

— Diga-me o que vai fazer ou vou até aí te agarro e te amarro nessa cama, linda. E não, isso não é uma fantasia. É uma ameaça mesmo.

Bella gargalhou e voltou para perto de mim. Sentando-se e beijando meus lábios. Se aquilo era uma nova técnica de distração, devo dizer que funcionava direitinho.

— Vou fazer um agrado a Charlie. Volte a dormir. Em poucos minutos estarei de volta aos seus braços.

Ela ia para a biblioteca. Deus! Bella era uma raridade e minha, toda e somente minha.

— Tudo bem. Mas, volte rápido.

Ela assentiu e se distanciou, me encarando com olhos vidrados de desejo. Era demais saber que eu também a afetava.

— Bella?

Chamei quando ela já estava com a mão na maçaneta.

— Hum?

— Vista um roupão. Eu não quero você passeando seminua pelos corredores. E também vou querer um agrado quando voltar.

Ela bufou um pouquinho e revirou os olhos.

Me senti orgulhoso e tranquilo, tanto que virei para o lado dela, agarrei seu travesseiro, como uma tábua de salvação num dia de tempestade forte, e voltei a dormir.

Porque minha mente e meu corpo sabiam, que logo ela estaria de volta para seu lugar preferido e certo no mundo todo: meus braços.

Bella

Naquela madrugada, fiz meu pai feliz.

Entrei sorrateiramente na biblioteca, escolhi aleatoriamente alguns livros nas estantes. Os abri em cima da escrivaninha, dei a volta, me sentei e passei a lê-los e a rascunhar algumas coisas em um bloco de papel que sempre ficava a mão de quem precisasse.

E como um imã. Como se ainda fizesse isso todos os dias, Charlie veio a meu encontro. De pijama comprido, o roupão preto, aberto. O cabelo num desgrenho comportado de quem o ajeitou com as mãos. A expressão? A mesma de que me lembrava. A preocupação disfarçada pelo sorriso pequeno e bem composto.

Aquele era meu amado e idolatrado pai.

Sorri e o amei mais quando ele afagou meus cabelos e colocou uma caneca fumegante a minha frente.

Não trocamos uma só palavra. Ele sabia que eu estava ali para agradá-lo e eu sabia que ele estava ali, apenas para me dizer que tudo permanecia igual. Papaizinho e filhinha na mesma sintonia e cumplicidade de sempre.

Quando me aconcheguei nos braços de Edward mais tarde, surpreendentemente, voltei a dormir facilmente. Eu estava feliz e plena, nos braços do meu homem e na casa do meu Charlie.

Acordar foi um custo, como sempre. Edward já não estava na cama, outra vez. E um sol tímido entrava pelas janelas de meu novo quarto.

Me aprontei sem muito esforço, afinal, eu estava em Forkian, aqui eu era simplesmente, Bella Swan, a caçulinha sem título de Charlie. Eu podia ser eu mesma.

Quando desci, todos já haviam tomado café e estavam reunidos, presos em conversas amenas. O mais intrigante foi notar que tínhamos visita e que ela estava muito bem acomoda e partilhava da mesma tranquilidade de minha família.

— Jake?

Perguntei surpresa. Não esperava vê-lo tão sedo. Não depois de nosso último encontro.

— Bom dia, dorminhoca. Achei que ia emendar a noite com o dia.

Antes de voltar minha atenção para ele, parei na frente de Edward e lhe beijei desejando bom dia. Eu não queria que ele se sentisse inseguro, de jeito algum. Não havia por quê.

Também cumprimentei meus pais, Rose e Emm, no processo. Curiosamente, Emmett não fez nenhuma gracinha, ele estava sério e olhava para Jacob com a sobrancelha levantada e o cenho franzido.

— Bom dia, Jake.

— Ah! Deixe de formalidades, Bells. Virar uma nobre de Ângelus está lhe subindo a cabeça?

Ignorando a mão que eu lhe estendia, Jacob me cercou entre seus braços e me abraçou como toda força que eu suportava.

— “Uma nobre seu nariz”, seu idiota. Eu só não tomei café ainda. Então, ainda estou dormindo.

O estapeei no braço e aproveitando as risadas que o chacoalharam, me desvencilhei de seu agarre.

— Vou mandar servir seu café aqui. Tudo bem, filha?

Acenei positivamente para mamãe. e sem me conter, olhei de relance para Edward, eu queria que ele percebesse as diferenças. Se estivéssemos em Ângelus eu ficaria sem café como também, levaria um sermão de meu, irritante, sogro.

— Então, Jake. O que o trás aqui?

Indaguei enquanto me sentava ao lado de Edward. Possessivamente, sua mão veio para minha cintura me arrastando para mais perto.

— Tenho uma coisa para você e Edward. O padrinho e a madrinha, Rosie e o marido já sabem o que é. Agora só faltam vocês.

Ele interrompeu o que dizia quando a nova governanta trouxe uma bandeja com café e repleta de outras delícias.

— Huum! Obrigada!

Gemi inconscientemente quando sorvi o líquido quente e forte.

— Se você gemer assim de novo, nós passaremos por uma situação constrangedora, princesa. Porque não serei capaz de responder por meus atos. Se contenha.

Corei e me arrepiei ao ouvir as palavras de Edward sussurradas em meu ouvido. Ele estava tão perto.

— Se contenha você, príncipe. Acordei sozinha essa manhã. Isso significa que você está muito bem aí.

— Você que pensa. Aguarde o nosso descanso da tarde.

Voltamos a nos encarar e a suspirar entre cochichos e promessas. Será que esse amor e esse fogo todo eram normais?

— Ei, casal. Se contenham. Estamos com visitas aqui.

Saí da hipnose de Edward, sacudindo a cabeça e agradecendo a Deus por Emmett ser tão indiscreto.

— Perdão. Voltando ao assunto, você nos trouxe um presente, Jake. O que é? Estou curiosa.

Ele respirou fundo me olhando intensamente. Jake estava resignado, triste, mas, principalmente conformado, com o que quer fosse que estivesse acontecendo.

— Eu preciso que você receba isso com a mente aberta, Bells.

Senti minhas mãos começarem a suar. Instintivamente passei a balançar a perna esquerda no mesmo lugar.

— Pare de drama e acabe logo com isso, Jacob.

Charlie o repreendeu e somente então percebi o quanto meu pai parecia mais sério e tenso que o normal. Rosie mantinha a cabeça abaixada e fazia um sinal de negação vez ou outra.

Mamãe não estava mais conosco.

— Isso é para vocês, Bells.

De uma pasta elegante que descansava a seu lado ele retirou algo e me entregou.

— O seu convite de madrinha.

Prendi a respiração. Eu sabia que não devia me sentir mal, tanto por ele, quanto por Edward, quanto por mim. Nossa história já havia se resolvido. Mas, infelizmente eu não suportava a ideia de que Leah fosse incluída nesse processo.

— Eu preciso de você lá comigo, Bells.

Inerte, estendi a mão e peguei aquilo que ele me estendia.

O convite era lindo. Negro e com a grafia rebuscada em dourado e alto relevo. As palavras de amor eterno, compreensão, carinho e convivência pareciam saltar do papel para a realidade. Uma realidade que eu não entendia e compactuava.

— Bells. Diga alguma coisa, por favor.

Edward apertou mais a mão em minha cintura. O nervoso me impedia de pronunciar qualquer coisa. Eu não ia chorar, meu marido não merecia isso, porém, nada me impedia de sentir aquele bolo no estômago.

— Você será minha madrinha, Bells. Como eu fui o seu. Eu preciso de você lá, comigo. Dando-me força e coragem para fazer o certo.

— Não conte comigo.

Levantei de uma vez e atirei o convite, que queimava minha mão, em cima da mesa de centro.

— Não compactuarei com essa palhaçada. Se afunde sozinho na “esparrela” que você criou.

— Isabella!

Charlie me repreendeu, meu palavreado não era digno de mim. Porém, não dei ouvidos. Eu estava cansada de ser a boazinha sempre.

— Se você quer casar, se quer fazer essa burrada? Que faça. Mas, eu não vou. Primeiro porque não concordo com isso. Segundo, porque Leah me odeia e terceiro porque essa mesma mulher que você sonha intimamente que seja minha “amiga”, fez de minha vida um inferno. Eu não vou perdoar isso. Vá para o inferno com ela, Jacob.

— Isabella! Eu não vou falar de novo.

Olhei para meu pai, não entendendo porque ele me repreendia. Era claro que Charlie também não concordava com aquela bobagem toda.

— Ela mudou, Bells. Dê uma chance a Leah, por mim?

— Eu também mudei, droga! E não vou dar chance a ninguém.

— Isabella! Baixe o tom, porque você não está na sua casa. Não foi assim que a criei.

Ignorei as repreensões de Charlie o quanto pude, no entanto a última frase batera como um soco no meu estômago. Se aqui não era minha casa, onde era?

Deus!

Era coisa demais para um dia só.

— Tudo bem. Perdoe-me, Rosie e Emm. Eu não voltarei a gritar na casa de vocês.

— Bella, filha. Não foi isso que eu quis dizer. Você está fora de controle. Se acalme.

— Não, pai. O senhor está certo em chamar minha atenção, eu mereci. Aliás, esse assunto está encerrado para mim. Se case, Jake. Seja feliz, mas não conte com minha presença. Agora se vocês me permitem...

Sem esperar por mais nada, me retirei dali. Fugi mesmo.

Ainda vislumbrei um sorriso de lado por parte de mamãe, que retornava a sala. Porém, não o entendi e nem fiquei pensando naquilo. Eu só pensava na raiva que estava por Jacob por se casar com Leah Clearwater. Que ele se danasse com o que me escondia, que segundo Edward, tinha uma explicação plausível. Eu não queria nem saber.

Eu sempre soube que um dia ele se casaria e tomaria as rédeas de sua família. Eu fiz a mesma coisa, era óbvio que ele tinha o mesmo direito. Eu só não suportava a ideia de que Leah fosse a escolhida. Será que ele não se importava com tudo que passei?

Idiota!

Eu queria meu amigo de volta.

Corri para o andar de cima e me escondi em meu antigo quarto. A vontade era de chorar, gritar, quebrar tudo que via pela frente. Mas, não! Não o fiz. Eu estava com raiva, mas chorar só mostraria que eu era fraca e isso Isabella Cullen não era.

— Bella?

Continuei de costas, encarando pela janela o carro preto que se afastava. Jacob estava indo embora. Graças a Deus!

— Me deixe sozinha, Edward.

Murmurei entre dentes. Eu não queria que ele ficasse comigo nesse momento. Eu não estava em condições de esconder minhas emoções de Edward. E não precisava que ele ficasse achando que minha crise havia sido por ciúmes ou algo assim.

Eu não queria explicar nada.

— Então, teremos um problema, anjo. Porque eu não pretendo deixá-la sozinha. Nunca, se é que você me entende.

— Edward, por favor, eu...

— Shiii! Fique quietinha, princesa. Só me deixe te abraçar. Não fale nada. Só relaxe em meus braços.

Derretida pelas suas palavras, me virei e corri para os braços que me estendia.

Virei à cabeça para seu pescoço e respirei fundo, inundando-me com a fragrância dos deuses.

— Vai ficar tudo bem. Relaxe e não pense em nada. Logo a raiva vai se esvair e você vai optar pelo certo. Eu te conheço, Bela. Mesmo que isso a torture. Você sempre opta pelo melhor para os outros.

Sem esforço, fui pega no colo. Edward se sentou na poltrona perto da janela, me aconchegou em seu peito e me embalou até que eu me acalmasse.

Ele estava certo, como de costume. Eu sempre optava pelo melhor para os outros. Mas, será que deixar que Jacob casar com Leah era o melhor para ele? Não! Isso não era possível.

Notas finais
E aí? Digam-me o que acharam.