Três Príncipes, Três Princesas
39 Tudo pelo próximo
Notas iniciais
Bella
Eu estava em cima da hora, para variar. E o maior problema é que tinha plena consciência disso.
Mas, poxa! Certas situações fogem de meu controle totalmente.
— E então doutora? Não é nada, certo? O outro médico estava errado, não estava? Minha Nessie não tem “esse tal de tumor maligno” dentro da cabeça, não é? Ela é só uma criança? Veja como ela está bem? Isso não pode acontecer com crianças.
Apertei os exames em minha mão e observei o desespero da mãe a minha frente. Meu coração sangrando como o dela.
Meu sogro que me perdoasse, mas meu juramento sempre falaria mais alto. Não me apegar, era algo que eu não havia aprendido.
— Querida você está “atropelando” a doutora com tantas perguntas. Se acalme para que ela possa nos contar o que está havendo.
O pai estava mais centrado, no entanto era somente uma máscara. O medo estava bem ali, bastava olhar mais atentamente.
Saindo da tal “zona de segurança” que Sam, Zafrina e Edward sempre me mandavam ter dos pacientes e seus familiares (eles não tinham consciência do poder do toque), dei a volta a mesa, me ajoelhei do lado da mãe e delineei as sobrancelhas e bochechas da linda criança de cabelos claros e olhos castanhos, que me encaravam com a mesma expectativa dos pais.
— Sabe Nessie, eu tenho muitos bichos aqui na minha sala. Você já os viu? Você gosta de bichinhos?
Minha voz era baixa e doce. Convidativa, conquistadora. Era um modo prático de se ganhar confiança.
— Gosto.
Murmurou baixinho. O sorriso, era pequeno assim como as mãozinhas que retorciam a manga da blusa da mãe. Nessie devia ter, no máximo, quatro anos. Não me apeguei a esse fato quando li sua ficha, na primeira vez que a recebi aqui.
— Ah! Que bom saber disso! Porque acho que aquela girafinha ali...
Apontei para o outro lado da sala, perto das poltronas coloridas e longe o bastante para a conversa que eu queria ter com os pais dela.
— Está meio “dodói”. Olha como ela parece triste e magrinha. Porque você não vai até lá e examine-a, por mim? Te empresto meu estetoscópio. O que acha?
Os olhos dela brilharam de expectativa.
— Eu posso, mamãe?
Sorri para quão educada minha “pacientezinha” era.
— Pode, filha. Mas, não faça muita bagunça. Se comporte como te ensinamos.
Nessie, num pulo, saltou do colo da mãe e se pôs a minha frente. Muito concentrada enquanto eu tirava o equipamento do pescoço e o colocava no dela.
— Preste atenção se o coração dela está batendo direitinho. Anote tudo nesse bloco e depois me ajude a resolver o que podemos fazer para que nossa amiga girafa fique boa. Ok?
Peguei de cima da mesa um bloco e uma canetinha colorida e a entreguei. Ela me encarou com atenção e tenho certeza de que no fim da consulta eu teria um brinquedo a menos em meu consultório. Acho que já era a terceira baixa da semana. Rezei para que Edward não os tivesse escolhido pessoalmente. Porque se ele desse por falta de algum, eu ficaria constrangida.
— Tudo bem, tia Bella. Eu vou fazer tudo certinho.
Disse baixinho, me chamando do jeito que a havia ensinado quando fomos apresentadas, semana passada.
Respirando fundo, enquanto a observava fazer o que pedi. Voltei para meu lugar e encarei os pais. Era chegado um dos momentos que eu mais odiava em minha profissão.
— Em então, doutora?
Não havia como nem porque protelar. A verdade, nesses casos, é sempre o melhor.
— Eu lamento, mãe. Mas, Nessie tem mesmo um tumor maligno alojado na parte esquerda do Crânio. Bem aqui.
Peguei a tomografia e circulei com o pincel o que mostrava.
Assisti imóvel o momento em que ela absorveu a informação. Os braços do marido foram rapidamente para ela.
E foi impossível conter a lágrima que me escapuliu, ao presenciar o desespero do casal.
— Mas, doutora... Não pode ser... ela... ela... vai...? Oh Deus!
— Tá tudo bem, mãe. Tudo bem.
Estiquei a mãe e segurei os dedos trêmulos dela. Com a outra mão interfonei para Bree e pedi que trouxesse água e chá para todos.
— Com os novos exames dela em mãos, fica comprovado o que o outro médico que a atendeu, previu. Porém, não precisa se desesperar. Nós iremos dar um jeito nisso. Há tratamentos. Sua filha é pequena e forte. Ela vencerá. Eu acredito nisso. Acredite comigo. Ela e eu, precisamos da confiança e do apoio de vocês.
— O tratamento é agressivo, eu já vi pessoas nesse estado, doutora. Imagina uma criança? E além do mais, não temos dinheiro. Sei o quanto isso custa. Eu vou perdê-la. Sei que vou.
Os custos... Pensei sobre isso mais uma vez. Eu já estava em minha segunda semana atendendo no HoCedeA, não havia ficado de plantão ainda, porém não escaparia deles na próxima semana. Eu estava amando tudo, a única coisa que incomodava era saber que as consultas e os tratamentos não eram gratuitos. Segundo Aro, Ângelus tinha outro hospital numa parte mais afastada da cidade que atendia, sem quaisquer custos, a população de baixa renda. Mas, não aqui. O que me chateou mais, foi saber que lá não possuía tantos profissionais especializados como aqui.
Eu precisava dar um jeito de conversar com meu marido e sogro a respeito disso. Pessoas como a família de Nessie não tinham condições de custear um tratamento avançado, de câncer.
— Não pense nos gastos agora, pai. Eu resolvo isso. E quanto ao tratamento, preciso de mais um tempinho para chegar a um diagnóstico que seja o melhor para ela. Por isso, vou encaminhá-la para a internação. Quero que Nessie tome uma medicação para se fortalecer e faça mais alguns exames. Segunda feira, com eles em mãos, já serei capaz de decidir o que faremos. Ok?
Eu já sabia do que ela precisava. Eu só tinha que pensar numa maneira de trazer o tratamento de Nessie para perto de mim e dela.
Se pensar que eu o havia repelido há alguns dias atrás, pode-se dizer que doutora Bella Cullen estava com um problemão.
— Nós poderemos ficar com ela, doutora?
Indagou-me a chorosa mãe. Apesar de mais controlada, o pavor do futuro incerto, ainda eslava lá.
— Podem. Mas, recomendo que revezem. Como sabem, o tratamento é forte e longo e Nessie precisará sempre de um de vocês por perto. Então se concentrem nisso.
Digitei o procedimento que eles deveriam obedecer e o entreguei a folha carimbada e assinada, fazendo uma nota mental de levar o assunto à tona ainda hoje. Nessie era a segunda paciente carente que eu internava sem saber como precederia nesses casos. A diferença é que Suzie, minha primeira garotinha carente, tinha um quadro mais tranquilo e fácil de tratamento.
— Vamos, querida?
O pai a chamou. Quando me levantei para acompanha-los até a porta.
— Mas, papai... Eu ainda não terminei aqui. A dona girafa está muito doente e precisa de cuidados. Não posso deixá-la sozinha. Logo a tia Bella vai pra casa. Quem vai cuidar dela?
Olhei para o relógio, faltavam poucos minutos para as seis. Logo Edward estaria aqui.
— Você está certa, Nessie. Creio, que o correto a se fazer nesse caso, seja você levar a dona girafa contigo, juntamente com esse outro estetoscópio aqui...
Peguei da estante de cima, um equipamento idêntico ao meu, só que rosa e lilás. Um brinquedo que tinha o seu charme, a meu ver. Agora seriam mais duas baixas.
— E continue monitorando as reações dela. E então segunda feira, conversaremos melhor sobre isso. O que acha?
— Eu concordo, tia Bella.
Boba e apaixonada por meus pequenos, a peguei no colo e beijei seu rosto.
Eu precisava salvar a vida daquela garotinha linda.
— Te vejo em breve. Ok?
— Ok.
Ela me beijou de volta e acariciou meu rosto, com as pontas dos dedos.
Comovida pelo ato, passei-lhe para o pai e encarei seus olhos com determinação.
— Você tem meu telefone pessoal. Não hesite em ligar se qualquer coisa mudar. Creio que isso não acontecerá, mas mesmo assim é melhor prevenirmos.
Ele assentiu, sem pestanejar.
Despedi-me dos três e pedi que Bree os acompanhassem até o elevador.
Eu, com a ajuda de Deus iríamos salvar aquela menina. Era um compromisso comigo e não uma promessa.
Voltei para meu consultório, liguei na recepção e mandei que obedecessem, sem objeções, minhas ordens prescritas a minha paciente.
E por fim, dei meu dia por encerrado. Preparando-me para sair.
Edward já devia estar na recepção. Eu queria, por todas as forças vir e voltar sozinha. Mas, meu marido era um teimoso sem causa e insistia em me deixar e buscar, todos os dias. Porém, essa rotina já iria mudar, a partir da semana que vem, porque eu começaria com os tratamentos mais intensos e nem sempre poderia ir para casa nos horários certos.
— Você não vai entrar! A princesa não recebe ninguém sem uma breve avaliação da segurança. Afaste-se ou terei que tomar medidas drásticas, senhora.
Levantei os olhos de minhas últimas anotações, quando os gritos de Bree me alcançaram e me assustaram. Algo de muito errado estava acontecendo.
— Quem você pensa que é para me impedir? Você sabe com quem está falando? Vou falar com Isabella, agora. E chame o papa se quiser. Não me importo.
Levantei-me rapidamente e me dirigi até a porta. Eu conhecia aquela voz e tudo que eu não precisava, em meu novo emprego, era de um “barraco”.
— Sam, Zafrina, alguém...
Bree começou a gritar. Apressei-me a abrir a porta.
— Bree, o que está acontecendo aqui? Pare de gritar. Você está atraído atenção demais.
— Essa mulher... Ela não pode entrar, princesa. Ela não tem hora marcada e eu a reconheço. Príncipe Edward, me mostrou uma foto dela, me explicando que eu nunca a deixasse entrar e que chamasse a segurança caso ela fosse louca o bastante para aparecer por aqui.
Minha secretária atropelava uma palavra atrás da outra enquanto digitava incessantemente em seu telefone de mesa.
— Largue esse telefone e se acalme, Bree. Está tudo bem. A senhora Clearwater deve ter errado de consultório e já deve estar de saída. Não precisa fazer um estardalhaço.
Baixei a voz, fui até ela e retirei o telefone de sua mão, o colocando de volta no gancho. Pela minha visão periferia notei que Leah levantou uma sobrancelha, sorriu sarcasticamente e fez um sinal de negação com a cabeça.
Em que mundo, eu achei que me livraria dela assim tão fácil? E que “droga” ela estava fazendo aqui?
— Engano seu, princesa. Estou aqui para falar com você e não irei embora até conseguir isso.
As mãos de Bree voltaram frenéticas para o telefone.
Onde estavam Sam e Zafrina?
— Faça isso, criança. Chame a segurança e prometo fazer um escândalo tão grande que até a décima geração dos Cullen será lembrada pelo estrago que causei a vida deles.
Voltei a pegar o telefone da mão de Bree e a fulminei com o olhar. Porque ela teimava em me desobedecer?
— Ninguém chamará segurança alguma aqui, Leah. Mas, isso não os impede de aparecerem a qualquer momento. Por isso diga logo o que quer e volte para onde quer que esteja morando.
Um sorriso despontou, de novo, dos lábios dela. Ela sabia que havia me vencido, como sempre.
— Vamos?
Segurou mais firmemente a bolsa que segurava e apontou com o queixo para minha sala.
— Nem em seus melhores sonhos. Diga logo a que veio e vá embora de uma vez.
— Está com medo de mim, Isabella? Prometo que vim em paz. Meu assunto é meio íntimo para que seja dito aqui.
Medo não, receio sim. Mesmo depois de tudo que passei por culpa dela, medo era uma coisa que ela não me causava. Porque eu já sabia que algo de ruim sempre me esperava quando ela estava por perto.
— Pode deixar a porta escorada, se te incomodo tanto. Prometo falar baixo para que ninguém nos ouça. E se eu ultrapassar algum limite, é só você gritar e sua “cadelinha” irá até nós.
Ignorando as provocações, alternei um olhar entre ela, minha sala e Bree. Eu sabia que tínhamos poucos segundos antes que os seguranças aparecessem.
— E então, o que me diz? Estou mofando aqui.
Pensei nas possibilidades. Eu não queria conversar com ela, muito menos em particular, no entanto a curiosidade de saber o que ela queria me assolava tanto.
— Ok, me acompanhe.
— Princesa, não... eu tenho ordens de...
— Não se altere, Bree. A porta ficará entreaberta. Se mantenha alerta. A um mínimo grito meu, entre na sala.
Minha secretária não gostou da ideia. Contudo não fez objeções. Bree Tanner era um achado, que tento em minha equipe.
— Sim, senhora.
Dei-lhe as costas e voltei para minha sala, seguida de perto, por meu eterno desafeto.
Passei pelas cadeiras coloridas acenando para que se sentasse. Dei a volta e me sentei em minha cadeira. Uma mesa entre nós já era um conforto e tanto. Se bem que, conhecendo Leah, como a conheço, nem isso a impediria, se ela desejasse fazer algo de ruim comigo.
— Seja breve, Leah. Em menos de dois minutos essa sala estará um pandemônio de seguranças e além do mais tenho compromisso.
— Bonito consultório. Seu papaizinho lhe deu de presente? Ele está em Ângelus hoje?
Ela usou todo cinismo que podia em sua pergunta. Porém seus olhos expressavam algo mais do que isso. Inveja, tristeza? Não sei.
Fiz questão de ignorar a resposta para a pergunta. Sim meu pai estava aqui e era por isso que eu já estava atrasada. Nós jantaríamos hoje. Em plena sexta feira. Ela não precisava saber disso.
— Essa informação não lhe diz respeito. Sente-se e fale, de uma vez, o que te traz aqui.
Respirando fundo e mudando de postura, ela deixou a bolsa a seu lado e se sentou, bem em frente a mim.
— Tudo bem. Já que você insiste, vamos direto ao assunto. Jake me contou o que aconteceu semana passada, quando você se negou a comparecer em nosso casamento. E estou aqui porque quero que você e seu marido estejam lá.
Sem me conter ri alto. Ela só poderia estar de brincadeira.
— Bells...
Toda graça se esvaiu em segundos.
— Isabella ou princesa Cullen, para você.
Empertiguei-me mais na poltrona ao perceber que ela se debruçava na mesa e esticava o braço. Ela queria me tocar?
No mesmo instante em que as dúvidas me tomavam, Sam e Zafrina adentraram, sem bater, na sala. Quem poderia condená-los por isso?
— Pronto! A cavalaria chegou. Mande-os sair.
Sem se importar com ninguém, Zafrina atravessou o ambiente e se postou bem perto de mim, a minhas costas, de frente para Leah. Sam, por outro lado, permaneceu na porta. Os olhos dele fixos nos meus, as mão no coldre, pronto para qualquer coisa.
— Perdoe nossa demora, princesa. Alguém telefonou para a recepção e informou que havia um suspeito perto dos elevadores. Prometo à senhora, que nunca mais cairemos nesse tipo de distração.
O sorriso, de lado de Leah, me fez tomar a decisão. Não que isso mudasse alguma coisa se fosse diferente. Porque tenho certeza de quem ninguém seria capaz de retirar meus seguranças de perto de mim naquele momento.
— Eles ficam. Aliás, essa conversa não tem sentido e já terminou. Eu já disse a Jake que não vou a esse espetáculo. Você deveria estar era feliz com isso. Não será obrigada a ver “o sonho” de seu noivo no dia mais importante da sua vida.
Fui cruel, sei que fui. Mas, ela mereceu. Por tudo que me fez. Ela mereceu tanto que não me rebateu, só trincou os dentes e fechou mais a expressão.
— E eu estou feliz de você não comparecer mesmo. Mas, Jacob não está. Ele a considera demais e quer você lá. Por isso, estou aqui me humilhando, somente para te implorar que reconsidere sua decisão. Não por mim, mas por ele. Não sei por que “cargas d’água” ele quer tanto você lá. Mas, ele quer. Faça isso por ele, Isabella. Jacob merece esse presente de você.
— Não! Jacob sabia no que estava se metendo quando decidiu se casar. Eu não vou colocar meus sentimentos de lado somente porque ele merece. Minha memória guarda, bem nitidamente, os resultados de cada encontro entre você e eu.
Perdendo a compostura, o que era uma novidade, ela levou a mão aos cabelos e implorou.
— Eu não vou pedir desculpas, porque não me arrependo de nada. Eu só estou propondo uma trégua. Por seu amigo. Não precisa ir a festa, não precisa dançar, só vá à igreja. Deixe que ele te veja, o parabenize e depois vá embora. Por favor, Isabella?
Zafrina estendeu a mão e tocou meus ombros, ela queria mostrar que estava ali, caso minha resposta fosse negativa.
A noiva de Jake, implorava, sem temor ou vergonha alguma. Será que Leah, coração de pedra, amava tanto assim meu melhor amigo?
— Meia hora, Isabella. Será uma cerimônia curta e simples, somente para íntimos. Jake não quis badalação. Só diga que sim. Eu estou propondo uma trégua, princesa Cullen.
Sam, ainda da porta, fez um gesto de negação com a cabeça. Acho que todos previam que minhas barreiras estão cedendo. Mal sabiam, que uma ideia começava a aflorar em meus pensamentos.
— Bella? O que está acontecendo aqui?
Surpreendi-me, mais uma vez, quando Edward e Stephan entraram. Eles estavam nervosos e atentos.
— O que ela faz aqui? Não é permitida a entrada dela. Você está bem?
Ansiosamente, ele me puxou para cima e me abraçou conferindo, com mãos e olhos, se tudo estava no lugar certo.
— Está tudo bem, amor. Leah já está de saída. Nós já podemos ir para casa.
Entendendo o recado, ela se levantou e pegou a bolsa.
Stephan a olhou com uma expressão muito séria no rosto.
— Então, o que me diz, Isabella? Posso contar com a presença de vocês lá?
Ponderei, por puro instinto, eu já tinha uma resposta para ela.
— Por Jacob, Leah. Nunca por você. E será somente na igreja e no máximo por meia hora e nada mais do que isso.
Edward, entendo a que me referia, se afastou e me encarou com firmeza. Creio que estava à procura de algum sinal de irregularidade.
— Mas...
Voltei a falar antes que ela se desse por vitoriosa.
— Eu sabia que você não cederia assim tão fácil. Diga qual o preço, eu pago. Qual e quanto, quer que doe para essas instituiçõezinhas que você e Jacob tanto adoram?
Ignorei a língua mordaz e também fui direto ao ponto. Se bem que, uma doação milionária para alguma instituição de caridade, não fosse má ideia. Talvez de uma próxima vez.
— Quero que deixe Jacob atender aqui no hospital umas duas vezes por semana.
— Aqui. Com você? Nunca!
— Certo! Então, não conte comigo no seu casamento. Agora se me dá licença, vou para casa.
Afastei-me mais de Edward, coloquei minha bolsa no ombro e dei dois passos para fora.
— Não! Espera...
A mão dela, instintivamente, segurou meu braço, ato que fez Edward rugir e segurá-la do outro lado.
— Não a toque. Você não tem liberdade nem permissão para isso. Faça de novo e arque com as consequências.
Com olhos arregalados, ela me soltou e se afastou. Stephan segurou meu marido pelo ombro, fazendo com que ele se acalmasse.
— Tudo bem. Eu concordo. Apesar de que, sei que não precisará do meu aval para isso. Basta que peça a Jacob. Ele sempre fará o que quiser, não importa o quão chateado esteja com você, ou o quanto eu não goste dessa intimidade. Ele sempre dirá sim para você.
Sorri intimamente. Ela tinha consciência da nossa amizade e ligação. Isso já era castigo suficiente.
— Então estamos de acordo. Não me crie problemas e pode se gabar, o quanto quiser, para Jake que conseguiu que eu compareça ao espetáculo. E agora que nossa conversa já acabou, peço que não venha mais aqui e não me aborde mais. Você não é bem- vinda. Não somos amigas e não quero você em minha vida. E não! Eu não aceito sua trégua. Você já fez demais para que eu apenas esqueça.
Voltei a caminhar, deixando a todos sem palavras. Eu queria acabar com aquilo. A situação havia me deixado cansada e nervosa.
— Bree acompanhe a senhora Clearwater até os elevadores. Tranque tudo e vá para casa. Tenha um bom final de semana e até segunda.
Sem parar para olhá-la, me despedi e caminhei a passos rápidos para os elevadores. Edward e os outros, me seguiam de perto. Todos meio confusos com meu rompante.
— Isabella?
Parei, no entanto não olhei para trás. Por que ela não ia embora?
— Pergunte a seu pai o porquê de tudo que te fiz. Pergunte a Charlie o motivo de tanto ódio por minha parte. Talvez, se ele te disser a verdade você me entenda melhor.
Trinquei os dentes. Eu odiava quando ela falava de meu pai ou tocava no seu nome. Parecia tão agressivo e errado.
— Sejam quais forem seus motivos, nada justificar infernizar e machucar a vida de uma criança. Talvez você deva aprender, que resolvemos nossos problemas com seu causador, não com a parte mais frágil da família dele. Adeus, Leah! Tenha um bom retorno
Voltei a caminhar e só ousei respirar aliviada quando as postas do elevador se fecharam a minha volta.
Encostei a cabeça no espelho frio e fechei os olhos. Eu não queria encarar Edward agora.
— Edward...
— Agora não, Stephan. Nos leve para casa.
Continuei na posição que estava. Os sussurros dos dois não me alcançavam em minha bolha de irritação e indignação.
— Vamos, Bella.
Caminhei ao lado dele enquanto saíamos do hospital. Cumprimentei e sorri para várias pessoas no trajeto. Edward não fez essa questão.
— Entre.
Abriu a porta e exigiu que eu obedecesse. Entrei, ficando cada vez mais irritada.
Eu viria em meu próprio carro na segunda feira. Afinal, eu tinha uma Ferrari intocada na garagem.
— Então, quer dizer que você agora faz acordos com o inimigo, senhora minha esposa?
Trinquei os dentes e não respondi. Ele não era o motivo de minha irritação. Eu não iria descontar nada nele.
— E o melhor, ainda exige que Jacob Black se junte ao corpo clínico do meu hospital. Você só pode estar de brincadeira, Isabella.
Minha casa, meu hospital, eu estava tão chateada com tudo isso. E ele sabia que eu precisava dos conhecimentos de Jake.
Continuei em silêncio. A cabeça virada para a janela e sentada o mais longe possível dele.
Stephan já nos guiava para casa. Zafrina e Sam nos acompanhavam no carro de trás.
— Você estava chateada com Jacob até hoje de manhã, Isabella. O que mudou? Porque precisa trazê-lo para perto quando estamos muito bem assim? Acho que você não consegue entender que ele não será mais seu. Não é?
Respirei fundo e fechei os olhos. Edward estava indo por um caminho perigoso. O ciúme o cegava.
— Fale comigo, droga! O que você tanto quer com Jacob Black?
Gritou ele, me assustando e me fazendo responder da mesma maneira mal educada.
— Eu preciso dele! Tenho duas pacientes que precisam ser operadas urgentemente. Nossos estudos foram os melhores e Jake e eu temos uma sintonia para trabalharmos juntos, inexplicável. Eu preciso salvar aquelas crianças!
Senti o exato momento em que meu rosto ficou vermelho e que meus olhos pinicaram.
— Por isso, cedi. Por isso, deixei que Leah entrasse e falasse comigo. Por isso, vou nesse casamento. Eu quero salvar vidas. Eu quero e preciso de Jacob nos casos mais sérios.
Abaixei a cabeça e esfreguei os olhos com força. Eu estava tão cansada. Só precisa de um banho e uma cama.
— Seus seguranças falharam outra vez. Isso não vai se repetir, Isabella. Vou tomar providências quanto a isso.
Mudou drasticamente de assunto. Uma sombra de arrependimento nublando seus olhos. Porém, era tarde demais. Nós já havíamos perdido a compostura.
— Ah! Não seja um “Carlisle”, Edward. Meus seguranças não têm culpa se não sou boa em obedecer a ordens. Bree me avisou. Eu estava ciente de que Leah não estava autorizada a entrar em minha sala. Grite comigo, mas não envolva mais ninguém nessa situação.
Voltei a me exaltar.
— Prudência, Isabella. Prudência, droga! Será que você sabe o que significa isso? Ainda bem, e olha aonde chegou essa loucura, ainda bem que foi a Leah. Imagina se fosse uma emboscada dos extremistas. Você estaria morta agora, sua inconsequente.
Todo ar fugiu de meus pulmões e senti, imediatamente, a raiva voltar a me dominar. Além de gritar, ele começava com as palavras duras.
— Sou inconsequente, mas não sou surda. Pare de gritar!
O encarei com determinação. Ele estava pronto para retrucar, quando cruzamos os portões do palácio.
— Guardem as armas, porque nós chegamos. E o rei de Forkian também já chegou.
Sem esperar que Stephan ou ele abrissem minha porta, saltei assim que paramos em frente ao palácio. O ódio fervia em mim.
— Bella? Espere.
Agora eu era Bella? Pois agora eu não era nada.
Apressei o passo e entrei antes que ele me alcançasse.
Toda nossa família estava a nossa espera, reunida na sala. Ótimo!
— Você está atrasada de novo, Isabella.
— Carlisle! Não comece.
Ignorei as agressões de meu sogro. Eu estava nervosa demais e isso sempre era um perigo.
— Médicos nunca estão atrasados, Carlisle. Se minha filha não chegou no horário estipulado por você, foi porque ela estava ocupada demais tentando salvar a vida de alguém.
Apesar de ainda estar chateada por causa da atitude de Charlie a dias atrás, não pude resistir em correr para seus braços.
Sua defesa e conforto eram tudo que eu queria e precisava.
Início de casamento não era o mar de rosas que todos anunciavam.
Edward
Putz! Eu havia feito besteira. Bella estava “fula da vida” comigo. E quem pode culpa-la? Eu mesmo sabia que havia extrapolado.
Mas, Deus! Como ela queria que eu reagisse quando fiquei sabendo que Leah e ela estavam no mesmo ambiente? Eu surtei. E Stephan que teve que ouvir. Eu queria mesmo era apertar minhas mãos em volta da noiva do Black para que ela aprendesse uma lição.
Só que eu não fiz isso. Preferi gritar com Bella. E ainda irritá-la mais, quando indaguei a necessidade de Jacob na vida dela.
Eu estava maluco nessa hora. Eu sei qual a necessidade dele para ela. Ela precisava dele como companheiro de trabalho, mas quem eu quero enganar? Ela precisava dele como amigo também.
Bella e Jacob se amavam, de uma maneira complicada e difícil de chegar a um consenso, mas se amavam. E eu precisava aprender a lidar com isso.
Porém, não seria hoje. Porque agora era o momento de Emmett. Meu irmão havia nos convocado para um jantar em família. E era isso que faríamos hoje. Eu resolveria meus problemas mais tarde. Com a ajuda de Deus, porque só Ele para me socorrer, quando Bella estava contrariada comigo.
Cumprimentamos a todos, por alto, e corrermos para um rápido e silencioso banho. Bella não me olhou nos olhos e evitou minha companhia se trancando no banheiro.
Eu estava enrolado.
Quando voltamos para junto de nossas famílias, o jantar já começava a ser servido.
Apesar do clima ruim e silencioso entre Bella e eu, que todos evidentemente, perceberam. Comemos em paz e trocando conversar amenas.
De momento em momento Charlie e Renée lançavam olhares indagadores para a filha e para mim. Bella imediatamente desviava o olhar. O que levava os monarcas a levantarem as sobrancelhas e acenarem negativamente. Esme, também parecia muito chateada comigo. Mais uma, para minha coleção.
Somente quando a sobremesa foi servida é que papai chamou meu irmão para o centro da conversa. Todos nós queríamos saber o que Emmett queria conosco.
— Então Emmett, já que você convocou essa reunião, diga o que de tão importante aconteceu para que precisasse de todos juntos.
— Ah, pai! O senhor falando assim até parece que fizeram um sacrifício.
— Um sacrifício não. Mas, um desperdício sim. Poderíamos estar curtindo a sexta feira a noite de Ângeles.
— Hum! Sinta-se a vontade, irmão. Se nossa companhia não lhe satisfaz. A porta da rua é...
— Jasper! Emmett! Parem agora!
Mamãe foi categórica. Emmett reagiu com o silêncio. Jasper com o cinismo. Eu odiava aquele sorriso amarelo dele.
— Estamos em família. Parem de rusgas. Não me envergonhem assim. E agora Emmett, diga-nos o porquê dessa reunião hoje. Antes que eu coloque os três de castigo, como antigamente.
Emmett mudando rapidamente de expressão, voltou- se para Rósalie e segurou sua mão. Era nítido o amor dele pela esposa. Era algo quase que devocional. Sei exatamente os sintomas, porque sinto os mesmos, quando olho para Bella todos os dias.
— Tenha a honra, meu amor.
Rosie admirou um por um e então, encarou Charlie com mais afinco.
Meu sogro entendeu, antes que qualquer outro, o que eles queriam anunciar. Seu sorriso foi tanto, que fiquei com medo dele rasgar o rosto.
— Vocês serão avós. Emmett e eu teremos um bebê.
— O quê?
Jasper bateu com os punhos na mesa, quebrando a intensidade e a beleza do momento.
Instintivamente, Emmett e eu nos olhamos. Se ele desse um “passo em falso” ou aprontasse alguma, nós o pegaríamos.
— Isso que você ouviu, irmão Rosie e eu seremos pais. Algum problema?
Emmett se preparou para levantar. Porém, mamãe se meteu na conversa, outra vez, e quebrou a troca de olhares gélidos deles.
— Ah, Carl! Nós seremos avós. Que belas avós nós seremos Renée.
E então uma inundação de parabéns, vozes altas e meigas invadiram a sala. Bella, Alice e Rosie se abraçaram e choraram, comentando que seriam tias perfeitas e que essa criança seria amada, mimada e muito bem vinda. A interação delas era algo que meus irmãos e eu havíamos perdido há tempos.
Recuperado de seu ataque e prevendo que dera “bandeira”, Jasper pediu desculpas. Disse que foi pego de surpresa, porque pensou que somente ele e Alice estavam tentando ter um bebê já no início do casamento.
Aquela informação também me surpreendeu. Ele queria um filho de Alice? Eu não estava entendendo o jogo de meu irmão.
Ignorei essa loucura quando Charlie e Carlisle estouraram duas garrafas de champanhe. A felicidade brilhava em cada face dos membros de nossa família. Fazendo até, com que meu sogro ignorasse a pergunta que eu já havia me feito: De quanto tempo Rosie estava grávida? Porque, dependendo, isso significava que ela engravidara antes do...
Ah, Edward! Não levante essa hipótese. Não queira ver seu irmão mais velho em “maus lençóis”
Sorri ao pensar nisso. Será que chantagear Emm com essa informação, era pecado?
Não! Definitivamente, não era.
Depois de mais, muitos mais parabéns, Charlote nos serviu um café. Era para finalizar a noite.
As conversas voltaram a se amenizar e Charlie se concentrou nas duas filhas que não estavam debaixo de suas asas. Diferente de meus pais, ele teria Rose demais para paparicar.
— E você vai conseguir finalizar a coleção a tempo, filha?
Alice o tranquilizou quanto ao trabalho e disse sua equipe era fantástica e tão boa quanto à de Forks. Essa informação fez Jasper sorrir e se vangloriar de suas escolhas.
A noite poderia ter terminado aí. Eu nem me importava de ter que me ajoelhar aos pés de Bella, em nosso quarto e implorar seu perdão.
Porém, como diz o ditado, tudo que está ruim, pode piorar.
E foi exatamente isso que aconteceu. Charlie indagou minha princesa sobre o hospital e ela, inocentemente, começou a falar, sem esperar pela fúria, não contida de meu pai.
— Estou amando, pai. Lidar com crianças, diretamente, era meu sonho e estou realizando-o agora. Elas retribuem apenas com olhares e sorrisos. Não há dinheiro que pague.
— Fico feliz, querida. Algum caso em especial?
Vi os olhos de minha esposa se transformarem. Toda tristeza e melancolia do dia se apagavam, quando ela falava da profissão.
Era isso que eu deveria ter perguntado a ela, logo que a encontrei hoje a tarde.
— Dois, pai. Duas garotinhas que precisam de cirurgia urgentemente. Falando nisso sogro...
Carlisle que estava atento a conversa se manifestou.
— Sim.
Por um instante, Bella pareceu indecisa no que falaria, quase pestanejou. Contudo, sua determinação a fez prosseguir.
— Essas duas pacientes de que estou falando são totalmente desprovidas financeiramente. Suas famílias não têm condições alguma de arcar com o tratamento. Eu gostaria de saber se existe uma maneira do reino firmar um convênio ou não sei. Talvez subsidiar um valor a mais para o hospital a fim de suprir essa demanda de pacientes? Eu as internei e já estão recebendo os primeiros atendimentos, porém não posso seguir com o tratamento sem a sua autorização e ajuda.
— Espere só um momento, deixe-me ver se entendi direito. Você quer que o reino banque com os custos de tratamentos de crianças carentes no HoCedeA?
— Exatamente.
Bella respondia seriamente. Ela queria aquilo e estava disposta a conseguir. Rezei para que meu pai fosse condizente. E não cometesse uma loucura.
— E pelo que entendi, você já internou duas criança, sem a mínima condição financeira, contando que apoiaríamos essa sandice?
— Pai! Por favor.
Bella respirou pesadamente. Sua expressão mudando imediatamente de ansiosa para temerosa.
— O quê? Não posso dizer que sua mulher passou dos limites? O hospital que ela atende é uma das nossas referências e prezamos isso. Não vou autorizar as aberturas das portas dele para o povo. Para eles, temos os atendimentos nos bairros e o hospital do subúrbio.
— Que não atende a demanda desse mesmo povo, meu sogro.
Bella tentou de novo. Porém, seu nervosismo já era evidente quando ela levou a mão aos cabelos e os bagunçou.
— Atendem sim. Depois de uma triagem e do diagnóstico certo, todos os casos são encaminhados para tratamento adequado.
Carlisle levantou o tom de voz, assustando Bella e irritando mamãe, Charlie e eu. Isso não terminaria bem, eu estava prevendo.
— O que pode demorar meses. Crianças não tem a resistência de um adulto. Elas não podem esperar.
— Ah, querida! Isso já não é problema meu. Fazemos o que podemos, não estamos esbanjando verbas.
Papai já não pensava no que dizia, não depois de ter ouvido há poucos minutos que seria avô. O rei só pensava em dar a última palavra a Bella.
Ângelus era um reino bem provido e sempre poderia fazer algo para o bem de seus súditos.
— Não existem profissionais especializados no outro hospital.
— Eu sei. Mas, o que posso fazer se especialistas está em falta no mercado? A resposta é não, Isabella. Não vou “popularizar” nosso principal hospital. Não insista. E amanhã mesmo transfira os pacientes que internou sem autorização ou os mande para casa, antes que as despesas se tornem exorbitantes e que esse assunto vaze.
— Carlisle, pense bem. É uma proposta interessante.
Quando Charlie tentou intervir, tudo só piorou.
— Não se meta, Charlie. Em meu reino mando eu. Sei o que pode e o que não pode. Sua filha não terá regalias ou passará por cima de minhas palavras aqui. Eu vou ensiná-la e ser uma lady.
— Tudo bem, meu sogro. Perdoe-me, não vou insistir no assunto.
Vi várias coisas acontecerem quando Bella abaixou a cabeça e concordou com meu pai: Charlie fechou as mãos em punho. Emmett acenou em negação com a cabeça. Mamãe abriu a boca em incredulidade. E Jasper levantou as duas sobrancelhas para meu pai. Porém, Carlisle não se sentiu intimidado.
— Pai...
— Não comecem!
Rebateu ele gritado, quando meus irmãos e eu tentamos intervir, ao mesmo tempo.
— Eu quero atender no hospital do subúrbio.
— Quê?
Charlie e eu perguntamos alto o suficiente para que Bella levantasse a cabeça e nos encarasse com os olhos assustados, porém, determinados.
— Eu, abro mão do meu cargo no hospital central. Vocês não terão dificuldades nenhuma em encontrar um profissional que queira trabalhar lá. Mas, no outro as coisas são diferente. Os salários são baixos e como não me importo com isso, prefiro preencher o cargo vago de lá. As crianças precisam de mim.
Renée, Alice e Rosie juntamente com Esme, trocaram um olhar orgulhoso. Bella havia encontrado um jeito de “encurralar” meu pai.
— Você não pode atender lá. Não depois de todas as mudanças que fizemos para recebê-la.
— O próximo profissional apreciará as mudanças também.
Bella agora estava determinada. Mais filha de Charlie impossível.
— O outro hospital não está equipado de acordo com seu currículo, Bella. Isso seria inviável.
Jasper falou doce, amando que ela o olhasse nos olhos. Era claro que ele estava mais admirado ainda com a atitude dela.
— Não me importo. Me adaptarei e darei um jeito. Aprendemos, na residência, que precisamos trabalhar e sermos bons, no que nos for apresentado.
— Lá não é seguro o bastante e além disso, é longe demais, Bella. Também não recomendo que faça isso.
Emmett expunha o que pensava, porém ele também parecia orgulhoso demais de minha mulher.
— Não preciso de mais segurança. Zafrina e Sam dão conta de mim.
Levantei uma sobrancelha e sorri cínico para ela. Não era isso que eu pensava. Não depois de hoje à tarde.
— Você não vai atender nesse hospital e nessas condições. Esqueça isso. Vou ligar para o diretor geral de saúde de nossa casa. Ele ficará feliz em receber você no nosso corpo clínico. Nosso regional precisa de você, filha. Se Ângelus não a quer eu quero. Emmett cuide disso imediatamente.
Senti meu sangue gelar. Charlie estava levando Bella de volta? Ele havia encontrado a oportunidade certeira. Bella nunca contestaria a ideia de cuidar do próximo. Carlisle acabaria com nossa família se permitisse que isso acontecesse.
— Nunca! Bella não vai voltar para Forkian, Charlie. Ela é minha esposa e já tem um emprego aqui. Pai faça alguma coisa.
Fechei a expressão e fui o mais autoritário que consegui.
— Libere uma verba para o que Bella quer. Estamos falando crianças, meu rei. Pense direito.
— Não! Vocês estão cedendo a outro capricho dela. Ela está em minha casa, meu reino e aqui eu mando.
Bella empalideceu. Aquela “merda” de assunto de novo.
O que esses reis tinham na cabeça que ficavam dizendo que ela não pertencia a “aqui ou acolá”.
— Carlisle!
Mamãe e Charlie se exaltaram.
— Chega! É minha palavra final. Se ela quer se desligar do cargo que está. Que faça. Mas vá sabendo que não liberarei um tostão para o outro hospital.
Bella voltou a baixar a cabeça. Droga! Não posso nem imaginar como faria para que ela nos perdoasse dessa vez. Eu não seria capaz de interceder por ninguém hoje.
— Jasper, Edward, amanhã mesmo, bem cedo, reúnam-se com Aro e encontrem uma maneira de fazer o que Bella quer e precisa.
— Parada aí, Esme. Eu já encerrei esse assunto. Não me desautorize na frente dos outros.
— Então não seja idiota e me envergonhe na frente dos outros. O que Bella propõe é justo, digno e sério. São de crianças que estamos falando e ela terá o que quer. Por Deus, homem! Imagine se uma dessas crianças é o seu neto?
— Ora, Esme! Você se sensibiliza demais e...
A discussão havia mudado de foco. Agradeci a Deus por isso. Somente mamãe saberia como lidar com um rei teimoso.
— Eu abro mão do meu salário.
— Como?
Carlisle e todos na mesa voltaram sua atenção para minha esposa benevolente.
— Isso mesmo que você ouviu, meu rei. Abro mão de meu salário. Eu não preciso dele. Dinheiro nunca foi problema. Quando Alice pediu a meu pai que tornasse possível o sonho da Swan’s, e ele concordou. Uma única exigência foi feita a de que dez por cento dos lucros anuais fossem repassados a Rosie e a mim. E como Alice fez da representação um sucesso. Eu não preciso de um salário, meu sogro. O que faço é por amor e carinho aos meus pacientes. Então, se o senhor precisa que se cortem custos para que os menos providentes sejam tratados com dignidade, eu faço a minha parte.
Charlie grunhiu do seu lugar quando percebeu a expressão de Carlisle mudar. Bella havia tocado na ferida: dinheiro.
Meu pai cederia agora e com o orgulho de dizer que teve a última palavra.
— Você só pode estar insano se está pensando em concordar com isso Carlisle. A menina trabalhará de graça? Isso é um absurdo.
— Chega, Esme. Vocês conseguiram o que queriam. Popularizarei meu hospital. E Isabella fará sua parte e todos ficaram felizes. Agora cale- se e volte a tomar seu café, porque Charlie e eu ainda queremos comemorar o anuncio do nosso primeiro neto.
Nada estava certo. O clima ruim pairava sobre todas as cabeças dali.
— De repente, eu fiquei sem vontade de comemorar aqui. Renée...
Contrariado e fumegando como um animal, Charlie se levantou e deu a mão à esposa, logo em seguida olhou exigente para as filhas.
E para o espanto de todos e sem que uma única palavra fosse pronunciada, Rósalie, Alice e Isabella se levantaram e seguiram os pais para fora da sala.
— Aonde vocês vão?
Sentindo o medo me inundar e inundar meus irmãos. Automaticamente, nos levantamos e as seguimos.
Ninguém se importou com a incredulidade do rei tirano de Ângelus. Nós, somente queríamos o conforto e a companhia de nossas esposas.
Naquela noite o casal real de Forkian, juntamente com as filhas e os genros foram a um restaurante pouco badalado e aconchegante, para se divertirem.
Deixando Carlisle e Esme completamente sozinhos para que eles remoessem e acertassem suas posições.
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