Bella

O cheiro. ...

Deus como eu amava aquele cheiro.

Encostei mais a cabeça em seu pescoço e disfarçadamente inspirei profundamente e, com orgulho, percebi os pelos de Edward se arrepiando e seu corpo correspondendo ao meu.

— Princesa, pare. Ou nos colocará numa situação nada legal, ainda mais se Emmett perceber o que está fazendo.

Murmurou em meu ouvido enquanto simulava um beijinho em minha cabeça.

Eu estar em seu colo não ajuda em nada para que a “situação nada legal” não acontecesse.

— Não vejo nada de mágico nisso, Bells. Dói, pra caramba. E Lizzie é uma esfomeada que não ajuda. Custa ser mais delicada com “as partes” da mamãe?

Ajeitei a postura e contemplei Rosie amamentando a filha. Emmett, bobamente, a seu lado.

Alice e Jasper estavam no fundo, acomodados num sofá. E Edward e eu estávamos ao lado do casal babão, comigo em seu colo, numa confortável poltrona.

O quarto do casal fora totalmente adaptado para receber o pequeno berço do lado esquerdo da cama e poltronas e sofás para as visitas mais íntimas.

A pequena teria que esperar algum tempo até conhecer definitivamente seu próprio quarto. Porque era óbvio que Emm e Rosie não a deixariam ir para lá tão cedo.

— Se você parasse de reclamar tanto veria a beleza do momento. E quanto à dor, é questão de tempo até que passe. É porque seu leite desceu há pouco tempo. Relaxe, que logo você se acostuma.

— Isso, ouça sua irmã. E não chame minha garotinha de esfomeada.

Frisei devagar para que ela entendesse e Emmett terminou com voz de pai de primeira viagem.

Será que Edward também será assim?

— Ela só está matando o que vinha matando ela, não é filha. Diz pra mamãe que você só queria esse leitinho gostoso.

Emm baixou mais a voz e acariciou os poucos fios loiros da filha.

Um amor de pai. Um amor de família.

Rosie e Lizzie haviam ficado no hospital dois dias. Um período considerado longo para quem concebeu a luz de parto normal.

O problema é que Rósalie demorou a descer o leite e Lizzie se negava a ingerir qualquer outra coisa.

Foi um verdadeiro pandemônio.

O berçário do hospital de Forkian demorará anos para se esquecer dos gritos de minha afilhada.

Ô garganta afiada! Adele que se cuide.

Só conseguimos atenuar um pouquinho a situação, quando consegui que Rósalie tirasse o próprio leite, com uma bombinha de sucção.

Agora, dá-lo para Lizzie foi outra história. Todos os braços que se propunham a essa missão, foram rechaçados aos berros, nem mesmo Esme, mamãe e Alice conseguiram. Emmett? Nem pensar. O choro foi ouvido do quarteirão debaixo.

Porém, quando as opções se findaram, me voluntariei. Não tínhamos nada a perder e eu tinha certa experiência com os pequenos. E foi com grande surpresa, que admiramos a manhosa garotinha me encarar com seus enormes olhos verdes, e então sugar com vontade todo o conteúdo da diminuta mamadeira.

Esme foi categórica em dizer que ela reconhecia as mãos e braços que a trouxeram ao mundo.

Renée discordava e dizia que aquilo era manha mesmo.

Não sei quem estava certa. Só sei que Lizzie confiava em mim, em sua madrinha e tia. E eu não podia estar mais feliz por isso.

— Vocês falam isso porque não são vocês a sentirem dor. Vá se preparando Alice porque...

Rósalie continuou com sua lamúria exagerada.

— Não assuste minha esposa. Nosso filho será educado e calmo. O leite de Alice descerá com facilidade e ela não terá nosso garoto num banco de carro, nem de parto normal. Portanto, será tudo diferente e muito mais calmo.

Edward e Emmett rapidamente fuzilaram Jasper com os olhos.

— O filho ou filha de vocês terá mesmo todas as regalias. Pena que o pai seja você. Ele e Alice mereciam coisa melhor.

Edward tossiu para disfarçar a risada. Emmett não. Rósalie era fogo.

— Essa é sua mamãe, Lizzie. Vá se acostumando. Diga a ela o quanto nos orgulhamos dela.

Emmett voltou a conversar com filha ignorando Jasper.

Eu só me perguntava se com a paternidade a idiotice dele diminuiria.

Creio que não.

— Jasper, Emmett, Edward, por favor, nos acompanhem. Precisamos mostrar uma coisa a vocês.

Carlisle nos alertou de sua presença chamando os meninos da porta do quarto. A coisa era séria porque ele nem olhou para a neta por quem estava completamente apaixonado.

Papai e Paul, estavam a seu lado e eles pareciam muito tensos.

Imediatamente o corpo de Edward se retesou embaixo do meu.

— Ah não, pai! Estamos no nosso momento. Lizzie está mamando e quero ficar aqui. Essa conversa não pode esperar?

— Não, ela não pode. Venham agora.

Carlisle titubeou quanto ao pedido do filho, Charlie não. Ele ainda estava chateado comigo e para piorar a situação eu não havia feito nada para acalma-lo.

Papai estava “soltando fogo pelas ventas”.

— Vá lá, Emm. O assunto parece sério. E você terá inúmeras chances de ver essa pequena sugadora acabando comigo.

Emm assentiu, beijou a filha, a esposa e seguiu Jasper, que já estava pronto para seguir as ordens dos reis.

Puxa saco de uma figa.

— Você vai ficar bem? Precisa de alguma coisa?

Tentei me levantar, porém, Edward me segurou com mais força em seu colo.

— Estou bem. O mal- estar já passou. Ele só vem de manhã. Pode ir tranquilo. Os remédios ajudam muito.

O que era uma verdade, os remédios ajudavam, mas eu odiava tomá-los. Nesse caso sempre apreciava mais a medicina alternativa, no entanto, não havia como tomar chás sem levantar suspeitas. Eu só poderia recorrer a eles quando chegasse em nossa casa.

Se bem que os enjoos haviam diminuído consideravelmente, fato que eu associava a delícia de acordar entre os braços de Edward. Creio que meu corpo concordava com a teoria, pois foi só Edward chegar para que o estômago se acalmasse muito.

— Tudo bem então. Vou até lá. Não demoro. Não se canse, não se irrite e vá para o quarto se sentir alguma coisa e...

— Edward!

Gemi sorrindo e afaguei seu cabelo.

Disfarçadamente, ele encostou o polegar em minha barriga e a acariciou.

— Desculpe. Estou surtando, não é?

Concordei com um aceno de cabeça e encostei minha boca na dele.

— Ei, o que estão cochichando ai? Parem de se alisar. Tem uma criança no recinto, seus pervertidos.

— É isso mesmo. Parem de matar Rósalie de inveja. Respeitem o resguardo dela.

Alice brincou para o mau- humor de nossa irmã, fazendo Edward gargalhar. O que foi a deixa para que eu escapasse de seu aperto e me levantasse. Eu não queria que ele se atrasasse. Charlie não precisava ficar ainda mais irritado conosco.

— Alice!

Resmungou Rosie enquanto trocava Lizzie de peito.

— Já voltou. Qualquer coisa mande me chamar.

— Que coisa? Vocês estão estranhos demais. Suma daqui Edward! Deixe-me com minhas irmãs. Pensa que não sei que planeja tirar Bella de mim, não é? Seu padrinho desalmado.

— Fazer o que se nossa vida não gira em torno de seu umbigo, não é, cunhadinha?

— Idiota!

Jogou um lencinho de boca nele.

Edward não entrou na pilha dela.

Agora era questão de dias para que os hormônios voltassem ao normal.

Emmett e eu agradeceríamos.

— Se comportem.

Ele se despediu beijando as testas de mãe e filha. E da porta me encarou profundamente, era como se doesse se afastar de mim, nem que fosse por pouco tempo.

Isso me causaria problemas em Ângelus, eu já podia prever grandes discussões a vista.

— Ele é tão fofo. Meu Emm podia aprender algumas coisas com ele.

Rosie voltou a falar quando ele sumiu de nossas vistas.

— E Jasper então? Como podem ser tão diferentes?

Alice se aproximou e sentou-se aos pés da cama de Rosie. As duas me encaravam.

— Ei, podem parar. Percorremos um grande caminho até chegar a esse ponto. Aliás, Edward não é sempre assim. Acho que, nenhum deles é. Homens têm seus momentos. Vocês já presenciaram Edward em um dia ruim.

— Isso é verdade. Mas, você e Rosie estão numa fase boa. Jasper e eu é que andamos enfrentando problemas. Não sei mais o que faço.

Alice lamuriou alisando a barriga de quatro meses. Quase senti inveja dela. Mal podia esperar pelo momento em que revelaríamos a todos nosso lindo segredo.

— Isso porque Jasper é um idiota. Eu no seu lugar já teria “dado um pé naquele traseiro branco dele”.

Gargalhamos.

— Me dê ela aqui.

Peguei Lizzie e a coloquei sobre o peito, batendo suavemente em suas costinhas para que ela arrotasse. Eu teria que aproveitar muito agora, porque pegá-la daqui a um tempo será impossível.

Isso sem falar que Edward surtaria.

— Jasper não era assim. Quando nos conhecemos ele era carinhoso, amoroso. Tanto que me apaixonei. Eu não sei quando, nem de onde veio essa fascinação por Bella. Eu gostaria que isso acabasse logo. Queria que formássemos uma verdadeira família para nosso filho.

Virei de costas para ela e encarei a paisagem pela grande porta da sacada. Precisávamos mesmo falar sobre aquilo? Eu não tinha respostas para os questionamentos delas. Nem mesmo sabia como Jasper foi invocar comigo. E ouvir a tristeza e angústia dela não ajudava em nada. Eu me sentia meio que responsável por tamanho sofrimento.

— Ele é doente, Alice. Termine isso enquanto a tempo. Se algo acontecer a você ou a esse bebê papai fará uma loucura. E poderá sobrar para todas nós.

Reprimi o arrepio que as palavras de Rosie me causaram. Eu não queria nem imaginar em como a loucura de Jasper poderia afetar meu casamento, ainda mais agora. Edward surtaria também.

E Charlie e Edward em lados opostos não seria aceitável para mim.

— É aqui que se escondem minhas garotas? Tem uma “bisvovó” louca de vontade de conhecer a mais nova integrante dessa família.

— Vovó...

Falamos em uníssono.

Imediatamente o clima ruim foi quebrado. Vovó Marie havia chegado para conhecer a netinha e nada melhor do que ela para aquecer um quarto que começava a ser dominado por meu medo.

Edward

— Sente-se, filho.

Atravessei o cômodo e me sentei ao lado de Emmett.

Estávamos no escritório de Charlie e não me passou despercebido que toda equipe de segurança de Forkian e Ângelus estava ali, incluindo a minha e a de Bella.

— O que aconteceu? Estou perdendo um tempo precioso aqui.

— Isso aconteceu.

Charlie jogou na mesa, com brusquidão, bem em frente a mim e Emm, uma pasta, que caiu aberta revelando a foto de dois homens desconhecidos.

— Quem são?

Perguntei já analisando as imagens e logo passando a Emmett que também parecia perdido, já Jasper...

— Marcos e Caius Volturi. São os extremistas e chefes do grupo terrorista de Volterra. Certo?

Paul folheou mais a pasta e tirou de lá mais algumas fotos. Imediatamente, reconheci o ateliê de Alice e o aeroporto de Ângelus.

— Já sabíamos que eles eram os prováveis responsáveis pelos atentados ao reino de vocês, apesar de não terem reivindicado os atos. Mas, agora temos certeza.

Paul pegou de outro monte de papeis um grosso envelope, e me entregou.

— Eles queriam que isso chegasse as nossas mãos. Infelizmente, para eles, estávamos atentos e pegamos “a mula” que tentou deixar isso bem aqui no portão.

Prendi o fôlego e senti minhas mãos tremerem e meu sangue gelar ao constatar o conteúdo da correspondência.

— Por Deus!

Fotos e mais fotos de Bella, Alice e Rósalie em diversos momentos, que creio eu, seja dos dias anteriores em que elas estavam aqui.

— Eles estiveram perto. Perto demais...

Passei foto por foto sentindo a visão nublar e o medo inundar minhas veias. Por Deus! Minha mulher já carregava nosso filho naqueles dias.

— Não! Se acalme, garoto. Deixe que Paul explique as coisas direito.

Charlie, ainda mais sério, se solidarizou com meu desespero.

Jasper, de mandíbula travada, arrancou as fotos de minhas mãos.

— Vossa majestade está certo. Pelo que nossos peritos avaliaram, eles não estiveram tão perto assim. O equipamento que utilizaram para as fotos é que é de última geração. E se prestarem a atenção, podem perceber também que em nenhum momento as princesas estavam sozinhas. Sempre dois ou três de nossa equipe as rodeavam. Elas não correram risco eminente.

Eu discordava.

— Equipe essa que teria o mesmo fim se uma bomba ou uma rajada de metralhadora encontrasse as meninas.

— Edward, não perca o foco. Se acalme. Estamos aqui para decidir o que fazer, não para entrarmos em conflito sobre o que poderia ter acontecido, filho.

Papai estava cego, na verdade, todos eles estavam..

— Me acalmar? O que fazer?

Estourei alterando a voz e me colocando de pé.

Passei a andar na sala, dando voltas e mais voltas, como um touro enfurecido.

— Nós já decidimos isso desde o último atentado. Achei que era mais eficiente quanto a suas funções.

Acusei apontando o dedo para Jasper.

— Eu seria se papai não tivesse barrado nossas investidas. Achei que você fosse mais interado dos assuntos do reino.

— Pelo amor de Deus! Se acalmem.

Emmett veio para o meu lado e me segurou pelos ombros, acho que por medo de que eu pulasse no pescoço de Jasper, que claramente me fulminava com os olhos.

— Eu teria feito meu trabalho sim se papai não tivesse interferido. Depois quando eu digo que ele está velho demais para ser rei, vocês duvidam. Por mim já teríamos resolvido esse problema.

— Sentem-se, agora.

Charlie nos ordenou. Pude ver Carlisle levantar os olhos e depois deixar os ombros cair de uma vez.

Ótimo! Ele acabara de perceber que Charlie tinha mais autoridade sobre nós do que ele.

— Jasper, dobre a língua quando falar do seu pai. Se um dia você for a metade do monarca que ele é, eu serei o primeiro a me curvar a você, mas, enquanto isso, cale-se e observe.

Jasper bufou, mas se sentou e voltou toda sua atenção para nosso sogro.

— Quanto ao você, “senhor esquentadinho”, sei que está apavorado. Acredite, eu também estou. São minhas filhas que estão sob meu domínio e que como você bem frisou, estavam em situação de perigo sem nem saber. Sei também que querem acabar com essa ameaça o mais rápido possível, mas...

Eu odiava a calma de Charlie para esses assuntos. Será que ele não percebia? Bella esteve em perigo, ela está grávida. Não estou falando só no risco físico de toda situação, mas o psicológico. Se alguma delas, ou até mesmo a segurança, tivesse percebido os terrorista poderia ter sido uma catástrofe. Minha família estava em rico enquanto nós sentávamos e debatíamos, com civilidade, o que fazer.

— Estamos falando de terroristas, Edward. Mas, estamos falando de civis também, milhares e milhares de civis. Eles não hesitarão em colocar mulheres e crianças na linha de tiro. Volterra fica numa área de difícil acesso. A raiva deles quanto a seu pai e a mim é porque, uma pequena parte da população, os rebeldes para ser mais exato, querem a independência de Volterra quanto a Ângelus. E quando seu pai negou, por questões mais complicadas e que não estão em julgamento agora, eles encontraram um jeito de nos ameaçar de uma maneira sórdida. Não podemos colocar os civis em risco, filho.

Ignorei ele me chamando de filho.

— Eles colocaram nossos civis em risco também.

Meu doeu ao dizer aquilo, eu não pensava assim. Só estava dominado pela raiva e medo.

— Edward tem razão.

Acenei para Jasper. Pelo menos em um assunto concordávamos.

— Parem imediatamente. O que deu em vocês? Nós não somos assim.

— Não, papai. Você não é assim, nós somos. Mamãe não está sendo fotografada e ameaçada. Bella e Alice estão. Meu filho está...

O meu também, pensei.

— Não podemos deixar isso seguir sem reagir. Uma hora eles acertarão o alvo. E então eu quero saber o que vocês farão, porque Edward e eu não perdoaremos se algo acontecer a Alice e Bella.

Eu concordava totalmente com Jasper e era minha hora de manifestar aquilo.

— Vamos atacar imediatamente. Jasper e eu estamos de acordo. Somos maioria, pai. Temos motivo, o mundo ficará do nosso lado.

— E eu sou o rei. Vocês aceitarão o que Charlie, Billy e eu decidirmos.

Fechei os punhos e a expressão. Minha mãe me mataria, porque eu atacaria na ferida agora. Carlisle pediu por isso.

— Stephan, ligue para minha vó e Jacob Black. Marque uma reunião com os dois amanhã em Ângelus. Diga que é urgente e que não aceito não como resposta. Diga a Jacob que é sobre Bella.

Passei por eles e rumei para a porta. Zafrina, Sam, Demitri e Stephan me seguiram. O último já com o celular em mãos.

— Irmão, espere. Acalme-se. Não tome uma decisão no calor do momento. Não envolva vovó nisso. Aonde você vai, Edward?

— Para casa, Emmett. Bella e eu estamos voltando imediatamente. Eu a quero sob a proteção da rainha de Ângelus.

O longe ouvi o arfar de Charlie e Carlisle.

Eu sabia que se envolvesse Elizabeth nisso seria a morte para meu pai. Nossa rainha era a única, que em situações de emergência, poderia autorizar e desautorizar algo sem a aprovação do rei regente. Isso era lei. E pela primeira vez seria feito, porque, tenho certeza, vovó ficaria a meu lado e de Jasper. Elizabeth entenderia nossos medos como Carlisle não era capaz.

Jacob Black era outro assunto que eu tinha em mente. Billy não iria contra o filho. Jacob há muito, já comandava mais Pushian do que ele. Convencê-lo de um ataque, seria moleza. Bastava contar das ameaças a Bella.

Minha maior preocupação era Charlie. Creio que dona Marie poderia ser de grande ajuda, as semelhanças dos reinos não era só na teoria. No entanto, eu não faria isso. Não colocaria dona Marie contra o filho. Eu não enfureceria, ainda mais, meu sogro. Nós atacaríamos Volterra com ou sem o apoio dele.

— Pare, Edward!

Merda! Charlie e esses comandos impossíveis de se contrariar.

Voltei-me para eles.

— Carlisle, são minhas filhas, eu não vou arriscar mais. Já está provado de que pela diplomacia não conseguiremos nada, estamos nessa há quase três anos. Você tem meu apoio, filho.

Emmett acenou em acordo para Charlie.

— Não envolva sua avó nisso. Vamos dar um jeito.

O rei de Ângelus, com três passadas largas, estava a minha frente.

— Não sei se estamos fazendo o certo, mas, você tem razão, filho. Já esperamos tempo demais. Nós atacaremos. Só peço a Deus que não nos deixe ficar como eles.

A mão direita dele veio para meu braço esquerdo num aperto de compreensão. Não sei se por medo de minha avó ou do próprio Charlie, meu pai estava se colocando a meu lado.

Coloquei minha mão sobre a dele.

— Obrigada, pai. Eu não sei explicar. Mas aqui, bem aqui...

Coloquei a mão no coração.

— Algo me atormenta e me diz que devemos acabar com essa situação antes que ela acabe conosco. Eu prometo que traçaremos a melhor estratégia e que pouparemos o máximo de civis possível. Só não me peça para aceitar quieto o risco de morte de minha família. Eu não viveria, nem um minuto, depois que minha mulher, pai.

E meu filho, pensei...

Notas finais
No próximo voltamos para Ângelus, ok? Beijinhos e até lá.