Três Príncipes, Três Princesas
2 Conhecendo os sogros
Notas iniciais
Narrador
Charlie distraidamente, contemplava a perfeição do clima da linda, Angeles, as chuvas de verão ainda não castigavam o reino de Angelus, bem diferente de sua amada Forks. Na verdade o reino todo de Forkian já sentia os primeiros sinais das constantes chuvas. Isso intrigava o imponente rei, dois lugares tão perto e com climas tão diferentes. Às vezes até isso fazia Charlie pensar... as diferenças...
Mas, o monarca logo voltava a razão, Carlisle prometera que os educaria, ele não precisava se preocupar.
As rodas da bela limusine deslizavam graciosamente pelas limpas ruas, e se não se olhasse atentamente para os quatro batedores e as duas Land Rovers, que garantiam a segurança de sua família, podia-se dizer que aquela seria uma visita completamente normal. Como de dois compadres que há muito não se viam.
Mas, Charlie sabia que aquela não era uma visita qualquer, e para comprovar sua teoria, o olhar triste de sua pequena Isabella era mais que uma prova.
— Vai ficar tudo bem, querida. Não sofra por antecedência
Murmurou ele.
Bella virou o rosto, que até então, estava encarando o nada, e encontrou os orbes tão conhecidos por ela. A bela princesa, querendo passar um pouco de segurança para o pai, esticou a mão e aconchegou seus dedos entre os dele.
— Eu sei, paizinho. Não se preocupe. Eu estou bem.
Ele voltou seus olhos para suas duas outras filhas sentadas a sua frente, Deus,... como ele as conhecia: seus semblantes, suas caretas, a expressão corporal, as roupas que usavam, tudo as delatavam. Ele poderia, de olhos fechados, descrever o humor de cada uma.
Rosálie, como sempre estava linda num belo vestido longuete de Chantung vermelho, que descia justo, por todo o corpo perfeito de sua mais velha. Sua postura ereta e nariz empinado, demonstravam perfeitamente como ela era, forte, bonita e “cheia de querer”. Charlie sorriu ao imaginar que o príncipe Emmett, “teria que rebolar”, pra conseguir domar a sua leoa.
Alice, era das três, a que mais se parecia com uma princesa, seu tomara que caia, de cetim verde oliva se destacava, em seu pequeno, mas torneado corpinho de menina mulher, Charlie ainda tinha gravado em sua mente, os gritos dela para com o pobre do estilista de seu reino, coitado,... penou semanas nas mãos de Alice, que teimava em fazer tudo a seu jeito.
Sua garotinha do meio era um furacão, sempre sorridente, e decidida, pra ela as coisas saiam, por bem ou por mal. Charlie sorriu de novo, o príncipe Jasper teria que mimar muito sua garotinha para conseguir encantá-la.
Isabella, como ela mesma gostava de ser chamada, Bella. Sua Bella era, sem sombra de dúvidas, sua maior preocupação. Seu medo se mantinha escondido na postura de forte e disfarçados no belíssimo vestido de Gripper nude, de mangas longas, estrategicamente encobrindo as mãos fechadas em punho, sobre o peito.
Sua caçula tentava não demonstrar, mas ele, bem sabia, da sua infelicidade com esse casamento arranjado.
No entanto ela não discutia e muito menos se opunha, e Charlie agradecia aos céus por isso, pois com toda certeza, não seria capaz de negar a sua pequena, se ela lhe pedisse para desistir de tudo aquilo. E então, claro, as coisas não ficariam muito bem para seu lado, pois a mão de suas filhas sempre fora prometida aos herdeiros do trono de Angelus, e seu amigo, o rei Carlisle, não o perdoaria por nada, se ele cedesse aos caprichos de Bella.
Se bem, que Charlie sabia que aquela amargura no olhar da filha, não era só manha. Sua garota não era dessas! Isabella era seu tesouro, sua obra maior, não uma garota fútil e cheia dos querer.
Bella era seu orgulho. E esse orgulho estava quase se formando em medicina, quando se viu a beira de ter sua vida transformada antes da hora. Ela sempre soube que um dia isso aconteceria, mas tinha esperanças que pudesse terminar sua faculdade, assim como suas irmãs fizeram.
E ainda tinha o projeto social. Nossa o projeto!... Todos os dias, à tarde, sua filha visitava orfanatos e residências carentes, situadas nas periferias de Forks, levando assistência médica e psicológica aquele povo menos provido.
Porém quando o rei Carlisle exigiu que suas princesas fossem imediatamente apresentadas aos seus respectivos noivos, Charlie não pode fazer nada a não ser ceder. Contudo ele prometeu a filha que falaria pessoalmente com o príncipe Edward, a respeito do termino de sua faculdade e sobre as atividades beneficentes que sua filha tanto amava.
Só Deus, e sua Renée, sabiam como fora difícil para ele estudar aquelas três. Rósalie e Alice foram tranquilas, estudaram em uma escola adequada a situação e posição delas, já Isabella... Seu pequeno ser brilhante, nunca aceitou essa ideia, segundo ela, como não seria herdeira de reino nenhum, então poderia muito bem ser uma pessoa normal e estudar em uma instituição normal. Isso deixou o velho Charlie uns cinco anos mais velho e uns dois quilos mais magro.
E quando chegou a vez da faculdade as coisas se complicaram ainda mais.
Rosálie, teve a infelicidade de ser louca por carros, por isso teimou e bateu o pé, até que ele permitiu que cursasse Engenharia Mecânica, pois segundo ela não existia em Forkian uma universidade que ministrasse o curso de Design de carros, (se é que esse curso existia em alguma parte do mundo), que era de verdade o que ela gostava de fazer. Desenhar e desenvolver modelos exclusivos eram seu talento e por isso sua filhota já era contratada da montadora de automóveis mais famosa do mundo, aquela do cavalinho.
Alice, como sempre souberam que seria, se graduou em Design de Moda e Charlie suspirou exasperado ao se lembrar de como sua criança, os fazia de modelo a cada novo teste. Se aqueles tabloides sensacionalistas ao menos sonhassem uma coisa dessas, ele estaria perdido, Alice às vezes se empolgava e os transformava em modelos para suas loucuras. Todavia para sua felicidade, ela obteve sucesso em cada fase de sua vida escolar e agora a marca que levava seu nome, era uma dentre as dez mais vestidas e admiradas da Europa e América.
Bella, para sua surpresa, optou pela medicina. Dizia sempre, que assim poderia ajudar e salvar vidas. E quando já estava na metade de curso, começou com o projeto assistencial. Charlie teve medo a princípio, ver sua preciosidade, sumir por lugares nada confiáveis e inseguros, era a morte para ele, porém Bella não se abalava. Então, a única solução, foi colocar seus melhores homens ao seu encalço, pois só assim podia comandar seu reino tranquilamente, sabendo que sua família estava segura, ainda mais nesses tempos de terrorismo.
Essa era outra questão a ser discutida com o rei Carlisle, se alguma ameaça surgisse, ele exigia, que suas filhas fossem entregues em segurança em seu palácio, até que tudo se acertasse.
— Chegamos majestade...
Charlie olhou para Renée, que se manteve calada esse tempo todo, ela não estava nada feliz em perder suas três filhas de uma só vez, na verdade, nem ele estava, mas não tinha jeito e ele tentava a todo custo acreditar que em vez de estar perdendo três filhas, estaria ganhando três filhos, seu sonho, de um jeito bem doloroso, estaria se realizando.
Gravidez após gravidez de Renée, ele sonhava com seu varão. O homem que continuaria sua dinastia e comandaria com o pulso firme seu povo, contudo Deus sempre o testava e lhe presenteava com uma garotinha. Para as más línguas do reino Charlie era um amaldiçoado e ele chegou até mesmo a pensar assim, mas ao final da terceira gravidez de sua rainha, quando quase perdeu mãe e filha, ele se desprendeu desse sonho bobo e pensamentos infundados, pois segundo ele mesmo chegou a conclusão, sua missão no mundo era ser protetor de mulheres bonitas e indefesas.
— Vamos minha rainha.
Renée, encarou frustrada o marido.
— Já que não tem outro jeito, não é meu rei?
Alice riu baixo, a mãe estava visivelmente irritada.
Na verdade uma avalanche de sentimentos tomava a todos, naquele momento e até os todos soberanos de Angelus se sentiam apreensivos.
Carlisle e Esme se aproximaram da belíssima limusine preta, o rei estava muito nervoso, e nem sua esposa nem muito menos Emmett e Jasper, que se encontravam ao seu lado, ousavam dizer uma só palavra. O raivoso monarca tentava, a todo custo, inventar uma desculpa de última hora, para falta de seu caçula, no desfile a céu aberto, na apresentação das futuras princesas, todavia nada lhe vinha a cabeça e isso o frustrava.Carlisle queria mesmo era apertar a duas mãos em torno do pescoço de seu filho rebelde.
— Carlisle?
O bom homem encarou a mulher.
— Sim minha rainha?
— Coloque um sorriso em seu rosto meu rei. Não demonstre a seus súditos a sua preocupação.
— Você está certa minha rainha, eu resolverei meus problemas com “seu filho”, mais tarde, agora o certo a se fazer é cumprir com minha palavra para com Charlie.
Carlisle era um bom rei, apesar de seu mau gênio, era amado e respeitado por seus súditos e leais companheiros. Em casa tinha em Esme seu apoio e sua base, ela era a prova viva de que um casamento arranjado, podia se transformar em amor incondicional.
Seus filhos eram seu orgulho.
Emmett, seu primeiro cavaleiro e sucessor. Apesar de brincalhão e gentil era inteligente e astuto. Carlisle confiaria seu reino a ele de “olhos fechados”, apesar de saber que isso nunca seria possível, pois Emmett por estar prometido a filha mais velha de Charlie, já tinha seu futuro traçado.
Jasper era tímido e sério, no entanto um estrategista de primeira, fora graças a ele, que as últimas lutas por território, tinham sido todas bem sucedidas. Carlisle confiaria sua vida a esse seu rebento
Edward apesar de crítico ao extremo, era muito inteligente e humano. O povo o amava, e Carlisle tinha certeza que em sua falta, eles exigiriam que ele o substituísse, o que de fato, não era impossível.
Toda a parte social de seu reinado era responsabilidade dele, e essa aproximação com os menos favorecidos, o causava certa repulsa a toda pompa e circunstância, que a realeza exigia, e ainda tinha o fato de seu caçula ser totalmente contra a esses casamentos arranjados. E então esse era o verdadeiro motivo de sua infeliz ideia de desaparecer, bem na hora de conhecer sua futura esposa.
Carlisle sacudiu de leve a cabeça e espantou os pensamentos, pois Charlie e a família vinham a seu encontro. Sem se surpreender ouviu de repente os suspiros dos filhos, atrás de si.
Por Deus, como Charlie sabia fazer garotas. Elas eram lindas!
— Carlisle.
Charlie estendeu a mão para o amigo, que em retribuição o puxou para um abraço de companheiros.
— Como tem passado meu amigo?
— Não tão bem como você. Por Deus Charlie, como conseguiu ter quatro mulheres lindas a seus pés? Conte-me o segredo.
— Nem sob tortura, amigo, isso é um segredo de família.
A gargalhada estrondosa de Emmett se fez ouvir e Rósalie revirou os olhos, ele teria muito que aprender.
— Carlisle, minha rainha Renée.
— Como sempre, linda, Renée.
A mulher de porte educado sorriu para o rei, sogro de suas filhas, contudo a águia mãe, notou que as coisas não estavam certas, um dos príncipes não estava ali.
Carlisle beijou a mão de Renée, e olhando levemente de lado chamou Esme silenciosamente, para perto de si.
— Seja bem vinda em nossas terras Renée, espero que a estadia de vocês seja prazerosa e apreciativa.
— Eu conto com isso, Esme querida.
— Esme...
Charlie se aproximou da rainha e beijou sua suave mão.
— Está muito elegante, como sempre, eu diria.
Carlisle sorriu para o amigo e logo pousou seus olhos em suas filhas. Charlie que acompanhou seus gestos, tratou logo de apresentá-los.
— Estas são minhas preciosidades Carlisle, Rosálie...
A loira se aproximou, reverenciando ao rei e a rainha, Emmett sorriu largo, Deus estava sendo muito bondoso com ele.
— Alice...
A pequena repetiu o gesto da irmã. Jasper ofegou, como ela era minúscula, perfeita para a proteção de seus braços.
— E Isabella, minha Bella.
Bella se aproximou e também reverenciou o casal. Carlisle estremeceu por dentro, sem sombra de dúvidas ela era a mais bonita das três, e a possessividade de Charlie para com ela, se fez entender quando ele disse: “minha Bella”. E isso o amedrontou, como explicar a essa pequena, que seu prometido noivo não a queria de jeito algum.
Emmett e Jasper se encabularam. Aquela garota linda, era a prometida de Edward e ele nem estava ali, para ver o quão perfeita, era a princesinha de Charlie.
— Vejo que o tempo só fez bem as princesas Charlie, elas continuam lindas.
Charlie concordou, suas crias eram mesmo perfeitas.
— Estes são meus sucessores, caro amigo.
— Emmett...
O bonito rapaz estendeu a mão para o rei de Forkian, e em seguida beijou a mão da mais linda rainha que ele conhecera.
— Jasper...
Este, repetiu o gesto do irmão, mas ansiava mesmo era conhecer a parte mais jovem da família.
— Senhor?
Um dos seguranças de Carlisle se aproximou, e mesmo sem saber, e ainda que por pouco tempo, o salvou do constrangimento da falta de Edward.
— Creio que teremos que deixar as outras apresentações para mais tarde, no aconchego do castelo, senhor. Estamos muito vulneráveis aqui e gostaríamos de passar para o desfile. A multidão já está impaciente.
Carlisle sorriu e aquiesceu.
— Me acompanhem, por favor.
O soberano de Angelus estendeu o braço para sua rainha. Seus filhos seguiram seu exemplo e se aproximaram de Rosálie e Alice. Charlie, já sentindo uma leve dor de cabeça, parou de súbito e então encarou o rei.
— Onde está o príncipe Edward? Eu imaginei que ele viria conhecer a minha filha.
Carlisle sentiu seu corpo tremer, hoje, com certeza, Esme teria um filho a menos para lhe dar preocupação.
Fale com o autor