Três Príncipes, Três Princesas
85 Comemorações e recomeço
Notas iniciais
Quarenta dias depois do resgate
Bella
Cinco... Quatro... Três... Dois... Um...
— Hunf...
Pronto!
Reloginho de mamãe. Hora marcada certinho. Liam não falhava, não dava trégua.
Toda noite, lá por volta das duas da manhã, ele acordava. E aí, era uma loucura, como uma reação em cadeia, segundos depois Andrew também acordava e aí haja braços de mamãe para acalmar dois rapazinhos exigentes.
Porque vamos lá conversar, quando um filho chora mesmo, de verdade, só mamãe é que consegue acalmar as ferinhas.
Por isso, já estávamos entrando no ritmo dele, ao menor resmungo de meu caçula exigente, eu me levantava rapidamente, evitando uma confusão maior, já que Andrew era bom de cama e, se deixado em paz, dormia a noite toda.
O único problema de minha estratégia era que dormir, para mim, ainda era um privilégio. Mesmo depois de mais de um mês do resgate, repouso e tratamento eu ainda não conseguia dormir mais do que alguns meros cochilos durante a noite.
E para pesar geral de nossa família preocupada comigo, esses cochilos estavam coincidindo com o exato momento que Liam exigia atenção de madrugada.
Então, dessa vez, antes que eu pelo menos pensasse em levantar, Edward pulou no chão e foi em socorro de nosso pequeno barulhento, que, assim como o irmão, estava acomodado em nosso quarto até que Edward e eu conseguíssemos nos separar deles ou, como era o caso de hoje, nossas famílias nos pressionassem a coloca-los em seus próprios quartos para que, segundo eles, começássemos a ter uma vida de casal, já que meu período de repouso acabava exatamente hoje.
— Ei campeão, não pode chorar de madrugada, lembra? Seu irmão e eu não combinamos com você que acordar a mamãe, não é nada legal?
É eles tinham mesmo tido a tal conversa.
Tia, a babá que Esme e Edward contrataram para nos ajudar e que era uma gracinha de menina, me contou que ontem Edward pegou os dois bebês nos braços e enquanto os ninava falava com Liam sobre não chorar a noite.
Segundo Tia, o mais bonitinho, era que Edward falava com Liam e depois fazia voz doce, como se Andrew estivesse falando e concordando com os argumentos do pai.
— Então, filhão? Não pode chorar. Venha aqui...
Ele murmurava, mal dando para ouvir.
Fiquei quieta só prestando atenção na interação entre pai e filho, que felizmente, havia se calado.
Se o choro voltasse eu os socorreria.
— Está limpinho, não precisa trocar a fralda...
Porque se precisasse, ele trocaria. Meu marido era um pai atuante e presente.
— Está com fome, é isso? Papai vai com você lá para a cozinha e vamos preparar uma mamadeira bem grandona.
De olhos semicerrados vi quando ele o pegou no colo e ainda conferiu se Andrew realmente dormia, no berço portátil, ao lado.
— Ei, ei, não precisa fazer “faneca”. Papai sabe que seu irmão e você preferem o leite da mamãe. Mas, como faz? Nossa linda, precisa dormir. Então, façamos um acordo: Você mama uma mamadeira bem gostosa agora e quando amanhecer mamãe te dá o peito, ok? Papai promete que não deixará Andrew mamar tudo. Está bom assim?
Pegaram o peito...
Mais um dos milagres que precisava demais agradecer a Deus. Só Ele sabe como temi que, depois de mamarem em mamadeiras, meus filhos não quisessem o meu leite. Porém, foi com grande alegria que, depois de ter parado com a medicação mais forte, ofereci meus seios a eles que, apesar de relutarem nas duas primeiras vezes, depois aceitaram muito bem.
E agora os revezavam com a alimentação artificial porque, infelizmente, eu não teria como alimentar “dois esfomedinhos” sozinha.
— Vamos lá para a cozinha com o papai? De barriguinha cheia você ficará bem calminho e voltará a dormir, não é?
Pé por pé, Edward saiu do quarto e fechou a porta atrás de si.
Pronto! Seu objetivo havia sido alcançado. Era hora de agradar a todos e principalmente a meu organismo esgotado: Voltar a dormir.
Edward
— Passamos bem pela primeira parte, campeão. Saímos sem que a mamãe levantasse. Ela acha que nos engana, não é?
Liam me encarava com olhos verdes arregalados. Eu estava para ver, ele voltar a dormir.
Meus filhos eram uma graça. Tão iguais... Tão diferentes...
Andrew era “todo dia”: Tirava cochilos curtos durante a tarde, gostava de colo, exigia o quanto podia e não negava o gosto pelos avôs, Stephan, (padrinho babão), Bá, a mãe e, graças a Deus, por mim também.
Já Liam era o oposto, “Totalmente noite”: Dormia muito enquanto estava claro. De manhã então? Tão filho de Bella!
Também amava colo, alguns mais do que os outros: Charlie, Renée, mamãe, Stephan, (para desgosto de Emm), o meu, mas nada que compare a quanto gostava de estar com a mãe.
Porém, a noite ele se transformava. Não dormia, era um custo. Queria ficar atento e não perder nada do que se passava a seu redor, e naquele horário somente Bella servia.
Ou seja, meus garotos não fugiram a regra: Estavam completamente dependentes da mulher de nossas vidas.
— Mamãe é nosso tesouro, não é, filho?
Passamos pelo quarto deles, peguei o “bebê conforto” onde o colocaria até preparar a alimentação.
Segurei-o em um só braço enquanto a outra mão levava o objeto para a cozinha.
— Isso, campeão. Fica aqui enquanto o papai ajeita as coisas. Acho que Tia guardou o leite de vocês aqui e... Ah! Muito bom, filho! Achei!
Tia...
Esse era o nome da coitada da menina que teve que passar pela sabatina de mamãe, Renée, vovó Elizabeth e dona Marie, antes de poder ser contratada para ajudar-nos com nossos filhos.
Isso sem falar que Bella desmanchou de chorar quando a conheceu.
Por um descuido nosso, não a preparamos para o momento, como o psicólogo instruira.
E foi doloroso vê-la se fechar em dúvidas de que não seria uma boa mãe e que não daria conta de cuidar dos meninos.
Porém, depois de uns minutos sozinha estreitando Andrew e Liam nos braços, foi que ela respirou fundo, vestiu a “capa de forte” e foi ao encontro da babá.
Prometemos, nossas famílias e eu, que não cometeríamos o mesmo erro. Bella teria que ser preparada para as novidades... Tanto ruins, quanto boas.
E foi exatamente assim que Stephan agiu quando a apresentou a Benjamin, o novo segurança que ficaria responsável somente pelos meninos.
Não ouve choro, nem desespero. Bella só o olhou com carinho e disse que dividira a proteção de seus bens mais preciosos com ele, então que ele fosse bom.
“O melhor” prometeu Stephan.
Apesar da pouca idade, 22 anos, Benjamin fora uma das crianças criadas e preparadas para defender a família real, do projeto do reino de Forkian.
Assim como Sam e Zafrina, não tinha família nem vínculos afetivos, fora resgatado de um orfanato e “talhado” para ser um protetor de seus senhores.
Lizzie e Annie já tinham um também, nos mesmo molde de Benj, como Bella já o estava chamando.
Pergunta se Stephan não “tirou uma” comigo, dizendo que minha mulher já estava cheia de carinhos com o “segurança novinho e bonitinho”...
Agh! Vontade de esmurrar a cara de meu amigo.
— Precisando de ajuda aqui? O que esse garoto do vovô faz acordado, ein?
Como esperado, ao menor sinal de choro dos netos, Charlie aparecia.
E sim, ele ainda não havia retornado para Forks desde que nasceram.
Encostava-se à desculpa de que Renée precisava ficar com Bella até que o repouso acabasse.
Mas, ele não me engana. Estava era com dificuldade em nos deixar mesmo.
Alguém pode culpá-lo?
— Está tudo bem, sogro. Só esse rapazinho aí, que teima em ter uma vida noturna desde cedo.
— É? O garoto do vovô está sem sono? Me conte? Teve sonho ruim? Foi isso? Diz para o vovô, que vou dar um jeito nisso.
Já com a água quente na mamadeira azul, a de Andrew era verde, só assim para diferenciá-las, me virei a tempo de ver o rei de Forkian de pijamas listrados, de perna e manga comprida, se inclinar e retirar meu filho do conforto de sua cadeirinha.
Depois perguntam o porquê deles não gostarem do carrinho, do bebê conforto e do berço... O povo dessa casa teima em não os deixarem se acostumar.
— Dormir é bom, sabia? Sua mãe é que tem essa mania feia de estudar essa hora. Acho que você herdou isso dela. Quando estiver grande, vovô promete que conversa com seu pai sobre seus horários de estudo. Mas agora, você precisa parar de trocar o dia pela noite, garotinho.
Coloquei a medida de leite na mamadeira, remexi tudo e fui até eles.
Estendi as mãos para pegar meu filho já sabendo que não seria atendido.
— Por que você não volta para o quarto e aproveita o restante da madrugada? Eu cuido para que esse menino aqui volte a dormir rapidinho. Vovô tem as manhas, papai.
Os olhos dele não se viraram para mim, estavam vidrados em meu pequeno. Somente a mão estendida, em busca da mamadeira, me certificava que falava comigo.
Charlie estava me dando o restante da noite de sono, era isso mesmo?
Eu já disse o quanto amo tê-lo aqui em casa?
— Tem certeza? Ele anda nos dando um baile a noite.
— Tenho certeza. Amanhã será o grande dia do batizado. Não quero você estragando as fotos com olheiras. Vá dormir. Assim que ele fizer o mesmo, o coloco no bebê “conforto” e o levo para meu quarto e de Renée.
Notando minha relutância, Charlie se virou totalmente para mim.
— É nossa última noite em Ângelus, Edward. Aproveite enquanto é tempo. Vocês estarão por si só logo, logo.
Eu deveria ter regozijado por dentro, porém a expressão dele ao dizer aquilo espessou tanta dor e sofrimento que me fizeram sentir mal.
Charlie não estava pronto para se separar da filha e dos netos. Eu o entendia. Só de pensar que recomeçaria a trabalhar segunda feira, já me deixava apavorado.
— Tudo bem. Mas, se ele se irritar, não hesite em nos chamar. A porta do quarto ficará só encostada.
Entreguei-lhe a mamadeira e beijei a testa de meu pequenino, abençoando-o, desejando boa noite e bons sonhos.
— Vai ficar tudo bem. Descanse... Edward?
Chamou quando eu já começava a me afastar acatando a sua ordem.
— Oi?
Charlie estava sério e me olhava com um fervor que arrepiou minha pele e nublou meu bom senso.
— Eu andei pensando, por que você e sua família não vêm conosco? Podemos conversar com Emmet, dividir o reino ou então dividir só as funções. Vocês teriam o mesmo poder. Por que não deixa Ângelus para Jasper, esse sempre foi o sonho dele, não seu? Bella seria mais feliz em casa.
— Como?
Confesso, fiquei sem reação. Eu queria poder gritar e dizer a ele que amávamos nosso lar e que seríamos feliz ali.
No entanto a proposta era tão tentadora... Bella seria feliz, eu conviveria com Emm, não Jasper.
— Eu... Eu...
— Não, não precisa se resolver agora. Pense, reflita, pese as opções. Tenho certeza de que chegará a conclusão que quero.
Assenti e mesmo desorientado, comecei a sair dali.
— Edward?
Voltou a chamar me fazendo refrear o passo e temer pelo que viria a seguir.
— Já percebeu como eles prestam atenção em tudo que falamos? É como se compreendessem.
Aliviou a tensão ao mudar de assunto.
— Bella e eu estávamos falando sobre isso ontem. São espertos demais.
Meu sogro abriu um sorriso enorme enquanto Liam fazia barulhinhos de sucção.
— Eu já vi isso acontecer uma vez, com um lindo bebê. Agora com dois? Vá dormir, filho. Porque você precisa aproveitar enquanto há tempo.
Ele murmurou algo baixinho, indecifrável e secreto.
Saí dali.
Não esperei que mudasse de ideia.
Seja lá qual fosse sua suspeita eu desconfiava que logo, logo saberia.
Apagando as luzes que havia ligado na ida para a cozinha, voltei em silêncio, para o quarto.
Chequei um Andrew adormecido e por fim, deitei lentamente ao lado de Bella.
— Onde você o deixou? Ele dormiu?
Para variar, ela não dormia.
Virei-me para seu lado, aconcheguei suas costas em meu peito.
Com o nariz em seu cabelo inspirei todo o cheiro que eu amava, deixando que uma sensação inexplicável de felicidade me tomasse antes de, por fim, lhe responder.
— Seu pai nos abordou na cozinha e me tomou-o.
— Ele já havia se acalmado?
Abri um grande sorriso e beijei sua cabeça.
Minha mão fazia carinho em sua barriga, por baixo do pijama. O que era nossa pequena vitória.
Bella já aceitava pequenos toques e estava mais receptiva a mim.
Ficar completamente ou parcialmente nua na minha frente ainda era um caminho a percorrer, mas como disseram os especialistas, gradualmente e lentamente isso aconteceria.
E eu teria paciência e ela, todo o tempo que precisasse.
Minha linda merecia isso de mim.
— Ele não estava nervoso, amor. Só manhoso. Por que não fecha os olhos e dorme agora. Está tudo bem. Teremos um dia cheio amanhã.
A puxei mais para perto de mim e a senti relaxar em meus braços.
— Te amo, senhor Cullen.
Não respondi de imediato, a voz dela já estava lenta e arrastada. Não queria alertá-la.
No entanto, uma dúvida teimava em gelar meus sentidos.
— Amor, você é feliz aqui? Acha que se morássemos em Forkian poderia ser melhor?
Ela respirou fundo e, minimamente, levantou a cabeça para olhar para mim.
— Não se aflija, Edward. Onde você estiver estarei feliz. O lugar é só uma questão de geografia.
Beijou meu braço, fechou os olhos e se aconchegou tranquila. Ela se entregava totalmente para mim.
Durma bem, minha vida. Durma bem...
Desejei em pensamento antes de também me entregar ao sono dos merecedores.
Eu faria o melhor para nós, certeza de que faria.
...
Horas depois, acordei com os barulhos dos pássaros na árvore perto do quarto.
As cortinas estavam fechadas, mimo de minha mulher, mas nem elas impediam a claridade esfuziante do sol da manhã que entrava e acordava todo o lugar.
Eu estava sozinho...
Bella já havia acordado e Andrew também não estava no berço.
No relógio, no criado mudo, conferi que já se passava das oito da manhã.
Na mesinha, perto da sacada, um cheiroso café da manhã me esperava.
Nossa casa devia estar fervendo a essa hora.
— Bom dia para você também, esposa.
Murmurei encontrando as famosas croassaints que ela tanto amava, bem ao lado de uma garrafa térmica, com café.
— Hummm... Delícia.
Gemi ao sentir o queijo, ainda quente, derreter em minha boca e me inundar com o gosto saboroso.
— Bendito seja Stephan.
Meu amigo havia implorado ao padeiro, do café perto do hospital, que passasse a receita da especiaria que Bella idolatrava.
Não foi fácil. O cheff fez jogo duro e só entregou a receita e seus segredos depois que lhe foi prometido que logo, logo Bella, eu e nossos filhos iríamos até lá, pessoalmente, agradecer.
Já que agora Bá fazia questão de tê-las, de todos os sabores possíveis, sempre que Bella desejava.
Todos estavam mimando minha mulher e isso incluía a mim.
— Vamos, Edward Cullen, deixe de ser preguiçoso. Bella o aguarda.
Já imaginando o que nos aguardava, abri as cortinas e as portas da sacada.
O sol forte me segou os olhos...
— Hunf!
Resmunguei e fiz careta até me acostumar com a claridade e poder contemplar tudo que acontecia lá embaixo.
Como eu disse, a casa estava a todo vapor.
Duas tendas grandes foram colocadas ao longo do jardim. Enormes e delicados arranjos de flores de laranjeira, eram carregados e estrategicamente colocados em seus lugares.
Mesas de vidro, com cadeiras estofadas marfins, enchiam o lugar.
E pessoas, algumas de azul, as do Buffet, outras de rosa, as da decoração, e mais outras de preto, os da segurança, transitavam numa correria e euforia inexplicáveis.
— Vamos lá.
Engoli o restante de minha refeição.
Eu precisava de um banho para acordar, de verdade.
No closet, já separada com carinho, encontrei a roupa que Bella queria que eu usasse para o primeiro grande dia de nossos filhos: o batizado.
Camisa branca, sem gravata, calça de sarja, esporte fino, azul marinho.
Bem elegante, mas nada exagerado.
Ela queria isso de todos, pelo menos uma peça de roupa branca, ou no máximo cores bem leves, já que Emmett havia a irritado dizendo que “homem de calça branca é coisa de boiola”.
Acho que o branco representaria, a pureza de nossos filhos, e também o momento da “tão sonhada paz” que tanto almejávamos.
Com um sorriso no rosto ao lembrar as confusões de meu irmão, me barbeei, tomei banho e me vesti.
Meia hora depois, eu já saia do quarto e encontrava Zafrina como uma estátua na porta do quarto de hospedes.
— Bom dia, senhor Cullen. A senhora Alice pediu para que esperasse na sala. Elas estão quase prontas.
— Bom dia, Zafrina. Diga a senhora Alice que ela é irritante.
Ela se limitou a um aceno, de cabeça, leve e a um sorriso. Eu dizia o que ela pensava.
— Meus filhos estão aí?
— Sim, senhor.
— Que Deus os proteja.
Comentei já me afastando.
Zafrina deu uma risadinha, porém não deixou seu posto.
Sem opção, desci as escadas e fui ao encontro do restante das pessoas dessa casa.
Todos estavam ali: Charlie, Jasper, Emm, papai. Stephan, Bree. Vovó Marie e John. Vovó Elizabeth e a pequena Lizzie.
— Oh, até que enfim acordou. Está um péssimo anfitrião, irmão.
— O batizado é as dez, Emm. No convite dizia que a recepção seria aqui. A celebração é na catedral, aquela que nos casamos, lembra? Por que não foi diretamente para lá?
— Porque Stephan está aqui, e se ele pode estar aqui com Andrew eu também posso.
Olhei de soslaio para meu amigo, eu queria esganá-lo pela pequena guerra que estava fazendo questão de travar com Emmett.
— Querido... Você está lindo.
— Bom dia, vovó.
Vovó Elizabeth, vendo meu estado de humor, veio até mim e ajeitou a gola de minha camisa.
— Por que não estão lá em cima com as outras mulheres?
Beijei a testa dela e de dona Marie evitando mais uma luta de egos.
— Tem mulher demais lá. Queríamos ir para a igreja. Evitar correrias de última hora, mas Amum proibiu. Disse que não podemos dividir a equipe de segurança.
— Oi amorzinho, tudo bem com a Florzinha do padrinho?
Peguei a pequena Lizzie e seu vestidinho esvoaçante, também branco, dos braços de vovó.
— Pa... Neném... Mamãe...
Acariciei as mechas bem penteadas que começavam a se encaracolar nas pontas, e sorri para o dialogo em pedaços.
Da sua maneira, e com a mãozinha apontando para o andar de cima, ela “contava ao padrinho que a mamãe dela estava com o neném lá em cima”.
— Isso, princesa. A mamãe está com os priminhos. Daqui a pouco ela vem.
Ela abriu aquele sorriso banguela e babento para mim, depois se remexeu em meus braços, até que eu a colocasse no chão e com os passos, ainda vacilantes, foi até o pé da escada e ameaçou subir.
Jasper a pegou antes disso. “Quem te viu, quem te vê”.
— Bree, seja bem vinda a nossa casa. Saiba que agora queremos que isso se torne uma constante. Andrew precisa da madrinha dele por perto.
Cumprimentei a namorada de meu amigo com um aperto de mão. Ela corou de todas as cores antes de me responder.
— O prazer é meu, alteza. E...
— Edward, me chame de Edward. Você é parte da família agora.
Stephan piscou matreiro em minha direção, agradecido e brincalhão.
O principal medo dele, quanto a aceitar nosso convite, era que Bree não se sentisse a vontade com minha família e eu. Bella ela já conhecia e estimava como amiga. Por isso, era missão minha que ela se sentisse por igual.
— Você é da família, seu namorado não. Estou há tempos tentando convencê-lo de que é padrinho, por agregação, só por sua causa, já que Bella é sua amiga. Mas ele não desconfia. Vê se coloca algum juízo na cabeça desse homem, Bree.
— Preocupa não, amor. “Emmettizinho” está com ciúme porque Liam gosta do meu colo e renega outros aí, que prefiro não comentar. Espere só até ele falar meu nome antes do dele.
Stephan passou o braço por sobre o pescoço dela, numa demonstração de apoio e carinho, porém não perdeu a chance de responder nem provocar Emm.
— Emmett, Stephan, parem agora! Não quero brincadeiras na igreja. Bella não deve se estressar hoje. Façam as coisas certas e não deixem que o bom humor de vocês estrague o dela. É a primeira vez dos meninos cercados de muita gente. Se controlem. Ela ainda não dá conta dos dois em desespero, ao mesmo tempo.
Charlie, protetor como sempre, trouxe os dois a tona. E mesmo que eu achasse que estava exagerando, não falei nada.
Pecar por excesso não é pecar.
Era um dia especial e precisávamos que desse tudo certo.
— Por que não para de se intrometer na vida dos meus filhos? Eu conheço seu jogo, Charlie. Rouba-los não foi o bastante, não é? Agora quer tira-los daqui também? Saiba que não permitirei.
— Pai!
Bradei alto impedindo que aquilo virasse uma discussão.
Carlisle era mais astuto do que imaginávamos. Já descobrira o desejo e proposta de meu sogro.
— Ah, Carlisle!
Charlie gargalhou alto e sem ao menos se esforçar, estendeu os braços para Lizzie.
A pequena correu para ele o chamando de “vovozinho meu”.
— Você não entendeu, não é? Errou com seus filhos e está errando com seus netos. Carinho, amor e devoção se conquistam, seu idiota, não se impõe com presença. Eu não estou roubando nada. Estou apenas cuidando do que você negligência. E olha que moro a quilômetros daqui. Imagina se eles morassem comigo.
E, como golpe de misericórdia, olhou deliberadamente para mim.
Carlisle arfou alto tento certeza de suas suspeitas.
— Não! Edward nem pense nisso. Eu te proíbo! Você não pode. Tem os...
— O quê? Os protocolos? As tradições? É disso que estou falando, seu velho. Coloque as pessoas em primeiro lugar.
Testemunhávamos o embate em silêncio.
Era uma luta de Titãs e mesmo que o pai de Bella estivesse certo em tudo, eu sentia uma pena grande de Carlisle, por perder tudo que Charlie dizia e sentia: a alegria de ser amado e amar sem medida.
— Não! Não são os protocolos. São meus netos. Filho, eu quero acertar com Andrew e Liam. Por favor, seja o que for que ele tenha lhe oferecido, não aceite. Sei que não me deve nada, Edward, mas deve a sua mãe. Lembre-se dos sonhos dela. Não os afaste de nós, por favor...
— Vovô, “Choando.”
Lizzie, aconchegada a Charlie, prestava atenção em tudo também.
— Aquilo é medo, princesinha. Não se preocupe. Só o medo de perder algo grande, faz seu avô sofrer.
— Parem! Tem uma criança nessa sala e três no andar de cima. É esse o exemplo que querem dar a eles? É numa família desunida que prentendem que eles cresçam? Marie, espero que nossos netos sejam melhores do que os pais, porque senão Ângelus e Forkian estarão perdidos.
— Charlie, Chega! Resolvam os problemas de vocês depois e de preferência longe das meninas. Elas estão descendo. E quero minha netas e meus bisnetos felizes hoje. Se não podem fazer isso como pessoas normais, finjam pelo menos.
Dona Marie ralhou.
Vovó Elizabeth, claramente magoada, pegou Lizzie dos braços de meu sogro...
— Nossa! Elas são de tirar o fôlego. Parece até cena de filme de romance, daqueles bem melosos. Meu Deus!
Elas, no sentido nítido da palavra, estavam mesmo descendo.
A conversa imediatamente cessou.
Jasper só observou e concordou com o que Emm acabara de dizer.
— Sempre foram, irmão. Olha só para aquilo.
Impelido pela curiosidade, também me virei e não pude fazer outra coisa a não ser, prender a respiração e concordar com eles.
— Lindas!
Alice, com Annie nos braços, Rosie com Liam e Bella com Andrew. No topo da escada.
As duas mais velhas estavam de calças e blusas brancas.
Minha princesa era a única de vestido, também branco, com apenas uma faixa azul marinho na cintura.
Lindas, era um adjetivo esdrúxulo para descrever tanta beleza.
Annie estava com um vestidinho também esvoaçante, igual o da prima.
Já meus bebês, estavam de terninho branco, totalmente branco com gravatinha borboleta e tudo.
Agora minha calça azul e a faixa no vestido de Bella faziam sentido, era uma lembrança, uma homenagem a meus pequenos.
— Ah, Deus! Que merda é aquela?
Instintivamente, sem me dar conta, dei dois passos para frente pronto para ir ao encontro delas ao perceber os “saltos mortais” nos pés de minha mulher.
Droga, Alice!
— Não! Paradinho aí, rapaz.
Charlie me segurou pelo braço impedindo-me de prosseguir.
— Lembre-se do que o psicólogo falou: “Bella precisa se arriscar. Precisa voltar a ter segurança e ser independente”. Tentar cerca-la de cuidado não ajuda, filho. “Deixe-a voar”.
— “Voar sim, cair não, sogro”. Olhe para os pés dela. Ainda está com Andrew no colo. Se desequilibrar e machuca-lo não vai se perdoar. Vou matar sua mulher, Jasper!
— Só passando por cima de mim. Olhe bem para ela, irmão. Não conseguirá fazer isso. Não agora que Bella e ela estão refazendo a relação.
Ele zombou e se divertiu a minhas custas quando o aperto de Charlie se intensificou quando tentei me soltar.
— Ela não vai cair e nunca deixaria que algo de ruim acontecesse ao filho de vocês. Dê-lhe um voto de confiança.
Com muito custo, me contive.
Ainda era complicado não correr ao encontro dela a cada segundo.
Eu queria mesmo era poder prendê-la no quarto longe de qualquer perigo ou ameaça.
— Estamos prontas. Podemos ir.
Desceram com tranquilidade.
Bella sorrindo da mão do pai em mim.
Ela já imaginara o que se passara.
— Estamos vendo, senhora Cullen.
Rosie foi até Emm, que prontamente pegou Liam dos braços dela. Lizzie, que continuava com vovó Elizabeth, deu gritinhos para chamar a atenção da mãe.
Jasper pegou Annie de Alice e a beijou, com todo carinho do mundo.
— Você ficou lindo.
— Bom dia, esposa.
Passei a mão nos cabelos, rosto e pescoço dela. Meus olhos queimando cada parte do corpo exposto.
Eu estava morto de saudade.
— Está maravilhosa.
Ela corou quando, impossível de me controlar, beijei seu ombro nu.
— Alice Cullen.
— Bella Cullen.
Corrigi quando ela quis insinuar que estava bonita por causa da etiqueta do vestido.
— Os meninos estão perfeitos também...
— Viu? Não falei? Bem melhor do que aqueles vestidos de menina e aquela touca dos anos 30 que a mamãe nos batizou. E vovó ainda queria que vestíssimos aquilo neles. “Diz para a bisvovó, Liam: Aqui é macho, vovó”!
— Quase nunca concordo com Emmett, mas dessa vez ele está coberto de razão.
A sala toda se esvaiu em gargalhadas quando Emmett pegou a mãozinha de Liam e a fechou mostrando para vovó Elizabeth.
Stephan e ele concordando? Milagre mesmo!
— Aquilo é uma túnica, Emmett. E não tem nada de errado com ela. É linda!
Vovó fechou a expressão.
Mamãe escondeu a risada, atrás de meu pai. Algo me dizia que ela havia sido compelida a dizer que aquelas roupas eram as ideais.
Ainda bem que, nesse quesito, Alice e Bella foram exigentes e disseram que o reino precisava de nosso toque e de novas tradições.
— Ah, dona Elizabeth! Vai dizer que eles não ficaram perfeitos de Alice Swan Cullen. Aliás, papai... Bella, Rosie e eu estamos pensando em investir numa marca infantil que acompanhe as crianças. O que o senhor acha? Precisamos de capital para investir. Estávamos pensando em algo do tipo “Vovô Swan” o que nos diz?
Busquei os olhos de Bella, mas ela estava atenta à conversa de Alice com o pai.
Como assim elas precisavam de dinheiro e recorriam a ele?
Charlie, não perdeu a oportunidade e olhando para Carlisle, respondeu sem hesitar.
— Eu digo: de quanto precisam?
As três, alheias a troca de farpas entre os reis, segundos antes de descerem, trocaram um olhar conspirador.
Charlie e Renée, pareciam orgulhosos.
Os Cullen presente e o restante das pessoas na sala ficaram em silêncio.
— Podemos ir? Vamos chegar atrasados.
Carlisle se pronunciou irritado. O que ele estava fazendo? As meninas não tinham culpa de seu desentendimento com Charlie.
Peguei Andrew e fui caminhando para a saída. Não pude evitar o desconforto que senti.
Ele ia começar de novo?
— Edward?
Esperei do lado de fora.
Benjamin já tinha organizado para que todos os carros estivessem prontos para a nossa saída.
— Vai comigo ou com seu pai?
Perguntei e sem querer soou rude.
Imediatamente, me arrependi, ao ver que ela cruzou os braços e olhou para o carro se fechando em si de forma defensiva.
Charlie fechou a expressão, porém não nos dirigiu a palavra. Ajudou a esposa e a mãe a entrarem no carro e então fechou a porta atrás de si.
John já havia entrado.
— Quer que eu o leve?
Rosie veio até nós com Liam.
Bella, ainda em silêncio, negou, com a cabeça, e pegou o filho.
Emmett se abateu.
Jasper mandou que Alice e mamãe fossem para o carro e ficou para trás conversando com Carlisle.
— Benjamim vai dirigir o carro de vocês. Tia vai comigo e Bree no carro da frente. O percurso está todo demarcado e liberado desde ontem à noite. O revistamos por, no mínimo, quatro vezes. Não tem perigo, Bella.
Ela concordou quieta, mas não me passou despercebido que abraçou Liam com mais força.
Desde que saiu do hospital Bella ainda não havia andado de carro. Ângela, Jacob e todos os profissionais que a atenderam depois que recebeu alta, tiveram que vir até aqui..
Ela não estava conseguindo entrar em carro algum. Entrava em desespero e travava.
— Você sabia que a concessionária ligou essa semana e disseram que já pediram a troca do seu carro para um de sete lugares? E que a diferença será por conta deles como presente de batizado? Logo, não teremos mais problemas com essas cadeirinhas que ocupam espaço demais.
Stephan tentava liberta-la do que quer que passe por sua cabecinha.
— Precisamos agradecê-los.
Murmurou baixinho. Quase inaudível.
Meu coração deu um solavanco.
Estendi e mão e fechei a dela na minha guiando-a até a porta da Blazer.
Benjamin a abriu.
— Vamos dar uma volta, príncipe. Esse carrão aqui é da mamãe. O do papai é pequeno, também terei que trocar, porque quero levar vocês a muitos lugares. Sabia que a mamãe tem outro carrão, Andrew? Uma Ferrari. Seu vovô Charlie que deu para ela. Que tal se já começássemos a convencê-lo de que você e seu irmão também querem uma quando se formarem?
Prendi Andrew na cadeirinha enquanto falava e falava fazendo o sorriso voltar ao rosto de Bella.
O objetivo era descontraí-la para que se esquecesse de meu pai e dos traumas que uma viagem de carro causava.
— Ei, Liam, você também vai querer um carro personalizado, não vai? Sabia que sua mão quase não dirige o dela? Quando estiverem maior, prometo que “surrupio” a chave para que vocês possam dar umas voltas com umas meninas bem bonitas, tá?
Travei o cinto deles, e os beijei, aproveitando que estávamos sozinhos. O que era raro.
Peguei a mão de Bella e a levei para o outro lado.
— Estarei no banco da frente. Não tirarei os olhos de vocês. Nada vai acontecer, princesa. Eu prometo.
Beijei sua testa e percebi quando seu medo cedeu dando lugar a determinação e força de vontade.
— Juntos?
Perguntou acariciando meu rosto.
— Juntos.
Coloquei-a em seu lugar e também fechei o cinto em volta dela.
— Vamos à casa do Pai, princesa.
Beijei sua mão e ainda encarei meus príncipes a seu lado antes de fechar a porta do carro e me dirigir ao banco da frente, ao lado de Benjamin.
— Pronto, Benj.
Ele deu a partida e nosso comboio saiu, devagar e bem protegido rumo à primeira festividade de nossas crias: O batizado.
Bella
O dia passou voando...
A celebração foi linda, a começar já pelo trajeto, o povo nos esperava nas ruas com bandeirolas e lenços brancos. Nos saudando e parabenizando por aquele dia especial.
Várias vezes, pedi a Benjamin que abrisse as janelas para que pudéssemos acena-los.
Nos arredores da catedral, estava uma loucura, e foi preciso que, mais uma vez, déssemos aos nossos súditos uma amostra de nossa família feliz.
Foi lindo de se ver.
A celebração em si, foi inenarrável.
O bispo nos fez relembrar nossas promessas e compromissos de pais e padrinhos.
Nunca vi Emm e Stephan tão concentrados.
Ainda, surpreendendo a todos, pedimos a Jasper e Alice que consagrassem nossos meninos. Isso selaria de vez nosso perdão a eles e mostraria que uma nova chance, deles em nossa casa e vida, seria concedido.
Edward e eu já havíamos conversado muito sobre isso, nas nossas últimas noites insones.
Ele me contara como Jasper havia atuado e ajudado em meu resgate e que Alice se manteve em nossa casa o tempo todo, rezando e clamando a Deus que tudo ficasse bem.
Decidimos que eles mereciam uma segunda chance.
Por fim, na hora mais linda do batizado, Liam sorriu muito quando a água tocou sua testinha.
Já Andrew fez o maior bico do mundo e ameaçou chorar, gerando suspiros e lamentos de todos a nossa volta.
Bree o aconchegou e o fechou nos braços impedindo que aquilo acontecesse.
Ela também já havia sido enfeitiçada pelo meu pequeno milagre.
— O luxinho da mamãe.
Sequei-o e beijei seu rostinho. Era lindo demais. Vontade louca de morder.
Para selar as celebrações e comemorações, fizemos uma recepção nos jardins de casa. As flores estavam lindas e eu queria aproveitar o restinho do sol do verão.
Passamos um dia inexplicável em que pude comprovar que Tia era a escolha certa. Por muitas vezes ela, sorrateiramente, roubava os meninos, de quem quer que fosse, seja para alimentá-los ou dar banho.
A melhor babá.
Já ao anoitecer, quando mamãe e papai se despediam, eu estava exausta, com dois bebês prontos para mamar e dormir, uma noite toda, se Deus quisesse.
— Voltamos em breve. Porque vai ser impossível ficar sem eles. Você sabe, não é?
Mamãe me beijou e beijou a testa de Andrew que sugava meu peito com ardor.
Liam, esperava por sua vez impaciente e sonolento, nos braços do pai.
— Perdoe-nos por não leva-los até a pista?
Fiz menção de me levantar do sofá, porém ela me segurou pelos ombros impedindo que eu o fizesse.
— Não se incomode. Sabemos o caminho. Se cuide e qualquer coisa, qualquer hora, me ligue, eu virei correndo, filha.
— Obrigada, mãe.
Agradeci emocionada, e eu agradecia por tudo. Ela fora minha luz nesses dias de resguardo.
— Se cuide.
Assenti.
Andrew já começava a ser vencido pelo sono.
— Quero você em casa, filha. Já está liberada para voar. Quero que os Forkinianos conheçam os garotos do vovô.
— Em breve, papai. Eu prometo.
Charlie também se abaixou e beijou a testa de meu filho e a minha, nos abençoando.
— Você é uma mãe incrível, não duvide disso. Qualquer coisa nos ligue. O avião ficará pronto para vocês...
Sorri e assenti.
O que estava acontecendo? Ele falava como se teríamos que fugir para Forkian a qualquer momento.
— Vejo vocês em breve.
Edward assentiu e segurou a mão dele com força. Depois os levou até a saída e entregou a bagagem de mamãe a Demetri.
Quando fechou a porta atrás de si, ele parecia cansado e aliviado.
— Enfim, sós.
Murmurou, o que pensou ser baixo, mas foi impossível não ouvir e não sorrir.
— Desculpe?
Pediu, meio sem graça, ao vir até nós e perceber que eu o escutara.
— Sem problemas.
Sorri em resposta.
Meus pais sabiam mesmo serem cansativos quando queriam.
Eu sabia que seria mais difícil sem eles, nos entanto, Edward e eu precisávamos recomeçar nossas vidas.
Além do mais, Esme estava “a um grito” de distância. E sabíamos que ela não andava tão presente porque dera a Charlie e Renée a oportunidade de aproveitarem o que ela teria todos os dias, já que está estávamos tão perto.
— Ei...
Liam resmungou choroso, se irritando de verdade.
— Filho, papai sabe que é sua vez. Não precisa reclamar, até porque para fazermos uma troca com a mamãe, você precisa se acalmar e ficar em silêncio, anjo. Não queremos acordar seu irmão. E agora somos só nos quatro, precisamos ajudar nossa rainha, lembra? Você prometeu ao padrinho Emmett que seria um bom menino.
Andrew deu uma “reviradinha” em meus braços por conta do barulho do irmão, o que não passou despercebido por Edward, que logo abraçou Liam, deu batidinhas leves em suas costas e sussurrou palavras doces eu seu ouvido.
Como sempre, deu certo. Nosso caçula, que amava a voz e companhia do pai, se calou.
— Muito bem, campeão. Obrigado por ser tão obediente. Vou te entregar para a mamãe agora, tá?
Devagar, tirei Andrew do seio, ajeitei o vestido, e ao mesmo tempo em que o entregava ao pai, peguei Liam e já lhe dei o outro seio.
Estávamos nos tornando ótimos malabaristas e equilibristas.
— Vou colocá-lo no quarto deles. Já acertei os honorários, novos horários e folgas com Tia. A partir de hoje ela dorme aqui em casa, com eles.
Não era uma pergunta, não era uma ideia, eu estava sendo informada. Por isso, me limitei a concordar com um gesto de cabeça, sem ter coragem de encará-lo.
Edward fora muito paciencioso, mas agora deixava claro que esperava demais dessa noite.
A grande questão era: Eu estava pronta?
— Está com fome? Sede? Quer que eu pegue um travesseiro para apoiar melhor as costas?
Neguei, ainda somente com gestos. Meus olhos estavam em Liam, fugindo dele.
— Precisa de mim para mais alguma coisa ou posso tomar banho?
— Pode ir. Subo assim que terminarmos aqui.
— Tudo bem.
Respondeu baixo, respirando fundo e tentando amenizar o clima estranho que criei.
Abaixou-se me beijou no ombro e então me deixou sozinha com Liam, minhas dúvidas, meus medos.
— É filhote, agora somos só nós dois. Por que não fecha esses olhinhos e dorme, ein? O dia foi exaustivo. Mamãe sabe que está cansado. Se renda, amor.
Acariciei as pluminhas aloiradas e contemplei-o sugando, piscando lentamente, relutando, brigando com o sono.
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— Pode dormir, amor. Tia estará do lado de vocês, e mamãe e papai estarão a uma porta de distância. Pode descansar, filho.
Eu delineava, com as pontas dos dedos, cada traço do meu maior tesouro.
E meu coração se enchia, cada vez mais, de plenitude, compreendimento e sentimentos bons.
Era amor, amor puro e pleno que chegava a doer de tão grande e intenso.
Eu era uma mãe...
— Senhora? Quer que eu o leve?
Quê? Ah! Essa mulher precisava aprender a fazer barulho.
— Bella, Tia. Me chame de Bella. E pode deixar que vou coloca-lo no berço. Edward já levou Andrew.
Não tirei os olhos dele, enquanto falava com ela. O sono estava começando a firmar.
— Não quero que hesite em nos chamar, Tia. Somos pais acima de qualquer coisa.
— Sim, senho... Sim, Bella. Edward já havia me informado disso também.
Assentindo, tirei-o do peito. Ajeitei a roupa e rumei para o quarto deles.
Ela me seguiu.
— Eles já estão acostumados comigo, Bella. Não precisa se preocupar. Pode dormir tranquila.
Entramos no quarto, Edward havia deixado os abajures ligados, formando uma penumbra gostosa.
— Andrew é mais calorento. Liam sente mais frio. A temperatura da madrugada está começando a baixar, já ajustamos a do quarto, não se preocupe. Bá mandou trocar os lençóis de sua cama. Acho que está tudo a seu gosto, mas senão estiver faremos questão de ajeitar amanhã.
— Sim, senhora. Muito obrigada.
Ignorando o “senhora”, deitei Liam e antes que ele resmungasse, dei tapinhas carinhosos, em suas costas.
— É a mamãe, Liam. Estou aqui. Pode dormir, filho.
O distrai com a chupeta. Ele fez careta, percebendo que não era o que desejava de verdade, mas acabou cedendo e voltou a dormir.
— Durmam bem.
Sussurrei conferindo Andrew também.
Sair dali estava difícil.
— Pode ir, princesa. A casa está segura. Eles estarão aqui. É só você vir conferir a hora que quiser. Eu cuidarei deles enquanto descansa. Somente enquanto descansa eu os distrairei, porque é evidente que preferem a mamãe linda deles.
— Obrigada!
Dei-lhes uma última olhada e forçando-me a respirar fundo, saí dali e fui ao encontro de Edward.
O encontrei despojado, de pijama, lendo em nossa cama.
— Tudo bem?
Jogou o livro para o lado e veio até mim.
— Sim. Liam dormiu. Nem demorou, apesar de relutar.
— Ele vai se acostumar é só questão de tempo. Mas, eu estava falando de você: Tudo bem?
— Está. É complicado deixa-los totalmente aos cuidados de outra pessoa. Não quero ser esse tipo de mãe.
Levantou meu queixo e, com os olhos nos meus, me beijou doce e delicadamente.
— Você não é esse tipo de mãe, meu amor. Eu sei disso e você também sabe. Agora, tome um banho. Fará bem e relaxará você.
Afagou meus braços.
Ele estava me mandando tomar banho, sozinha?
Óbvio, não é, Bella? Ele já estava bem limpo.
Edward
Notei a confusão nela, porém fiquei quieto. Estava nervosa e eu não estava diferente.
É bem verdade que minha vontade era de agarra-la ali mesmo. Banho para quê? Fizemos isso hoje mais cedo.
Porém, ela precisava disso. Ansiedade não é algo que quero gerar nela nessa noite.
Preciso que se acalme, relaxe.
— Tia já chegou. Deixei-a com os meninos.
— Mesmo? Veio cedo. Isso é bom.
Votei para a cama e peguei o livro fingindo que nada estava acontecendo.
Ela suspirou alto e caminhou para o banheiro.
Assim que escutei o barulho do chuveiro, abandonei meu posto, peguei, no closet, a camisola e o conjunto de lingeries que queria que usasse e estendi em cima da cama.
Querendo deixa-la à vontade, desci...
Bella
Cheia de coragem, me enrolei na toalha e sai do banheiro. Eu estava limpa, cheirosa e agora pronta para o que Edward esperava de mim.
Contudo, qual foi minha surpresa ao encontrar o quarto vazio com apenas o que ele queria que eu vestisse.
Não hesitei.
Edward havia esperado demais. Ele estava se sobressaindo e agora era minha hora de demonstrar o quanto o amava, o quanto estava agradecida.
— Vamos lá, Isabella. Não olhe no espelho, não olhe...
Repeti aquilo enquanto terminava de me vestir e penteava o cabelo.
A lingerie e a camisola eram pretas de renda, que mais mostravam do que escondiam. A cor dava um requinte e me deixava mais bonita e confiante do que eu verdadeiramente era.
Eu tinha consciência de que tinha quilos a mais aqui e ali, uma gestação já faz isso, imagine uma gemelar?
Esse não era o medo.
O receio era quanto às cicatrizes das agressões sofridas no cativeiro. Eu não queria que ele as visse e sofresse por algo que não tinha solução.
Se bem que, quarenta dias depois, as cicatrizes eram mais psicológicas do que físicas. E estas, estavam longe de se curar totalmente.
— Vamos lá, sua covarde...
Murmurei para mim mesma, enquanto ia ao encontro dele no andar de baixo.
Edward estava sentado no sofá com uma taça de vinho na mão. Seus olhos me queimaram assim que adentrei o ambiente.
— Maravilhosa, senhora Cullen.
Abrasadoramente, ele colocou o objeto na mesa de centro e veio até mim como um predador, um felino atrás de sua presa.
— Faça um favor para mim, para que possamos aproveitar mais a nossa noite?
— Sim...
Respondi meio incoerente quando as mãos me puxaram para perto e a boca começou a trabalhar provocantemente em meu pescoço.
— Esqueci a babá eletrônica no escritório. Peque, por favor, vou te esperar no nosso quarto.
— Tá.
Respondi ainda meio grogue.
Ele gargalhou e se afastou...
Como assim? Tínhamos vindo lá de cima agora.
Tia estava em casa, porque ele queria a bendita babá eletrônica?
Vai entender... Não indaguei. O quanto antes eu pegasse aquilo, antes eu o teria para mim.
Será que Edward se decepcionaria demais se eu apagasse as luzes?
— Onde será que Edward deixou isso e...
Clareei o cômodo e travei quando observei nosso escritório em seu pleno tamanho e esplendor.
Eu não entrara ali desde que voltara do hospital. Muito por falta de tempo, mas agora fazendo sentido, sempre que precisava de algo dali era persuadida por alguém. Eis o motivo...
Atrás da mesa de Edward, numa parede de quatro metros de largura por dois e oitenta de altura, uma foto minha, do meu bendito álbum de grávida, tomava conta do lugar.
— Ah, Deus!
Atônita, entrei e foi impossível não caminhar até mais perto para observar o tamanho daquela loucura.
Era uma das fotos mais bem trabalhadas do ensaio. Toda em preto e branco.
Eu estava meio de lado e apenas com um tecido esvoaçante que cobria os seios e sobrava uma enorme ponta que parecia se balançar ao vento.
Meus cabelos longos estavam soltos e desciam por sobre meu ombro.
Minha cabeça estava baixa, eu estava com um shortinho de renda e com a barriga toda a mostra.
Porém, o que mais se destacava ali, eram os únicos pontos de cores. Dois pares de tênis azuis, seguros pelos meus dedos indicadores e médios. Cada um em uma mão, meio de lados também, em cima da barriga. Evidenciando o que precisava ser evidenciado ali.
Atraída, como que por mágica, passei os dedos em cima dos sapatinhos, eram um presente de Esme.
— Quando eu vi as fotos agi como um louco e não soube como me expressar, Bella.
Edward... Ele estava ali e olhava para... A foto? O pôster? A loucura? Eu nem sabia como denominar.
— Por dentro eu regozijava por saber que a mulher mais linda, mais inteligente, mais sensual e mais delicada era minha, só minha. E era exatamente isso que eu devia ter te falado. No entanto, deixei que meu ciúme gritasse e tomasse conta de minha voz...
Ele falava e se aproximava.
De repente, parou perto da mesa e pegou um porta-retrato novo.
Era outra foto do ensaio.
— E você ainda não me ajudou... Não gritou, não jogou aquele vaso de cristal em minha cabeça. Nem mandou Stephan me surrar. Simplesmente saiu e me deixou com a ira de Rosie e minha consciência pesada por não ter dito em alto e bom som que você estava, na verdade, que você é a mulher que permeia meus sonhos mais tranquilos e os mais pervertidos também. Que te acho gostosa demais, seja nua, vestida, branquinha, bronzeada... Que suas curvas de grávida me deixavam afoito de vontade de fazer amor a todo instante. Que por vezes, tive que abandonar uma reunião às pressas, traído pelo meu próprio corpo, ao pensar em como te deixara cansada e saciada em nossa cama.
Ele já estava de frente a mim, a testa colada na minha. Os polegares limpando o rastro de lágrimas que desciam...
— Você não tem ideia do inferno que passei ao descobrir que havia sido levada de mim, princesa. E que a última coisa que ouvira de seu marido, pai dos seus filhos, era que agira como uma... Como uma...
— Shiii...
Ele engasgou. Era um dia de recomeço, não queria que ele sofresse. Não queria relembrar.
— Tive tanto medo de não lutar por nós. Tive medo de desistir e se entregar já que eu não agira como se espera de alguém que ama. Eu lamento tanto, minha vida...
— Eu estou aqui... Aqui, Edward. Já passou...
Beijei o caminho de lágrimas dele.
— Aí te encontraram e Deus foi misericordioso. Não que eu merecesse, é claro. Mas Ele foi e me deu mais uma chance. A trouxe para casa... E eu só queria me ajoelhar e implorar por perdão. Mas, nem isso você me deixou fazer... Fingiu que nada aconteceu e...
— Não fingi. Eu já havia te perdoado, Edward. Conheço você e...
— Shiii, sua pequena altruísta, me deixe fazer as coisas direito.
Sorrindo, colocou o indicador por sobre meu lábio, me impedindo de continuar.
— Aí você voltou para mim. Ferida, em frangalhos, mas forte e corajosa. E ainda me presenteou com os meninos mais perfeitos que um pai poderia sonhar e desejar, quando era que deveria te dar o mundo em troca de seu perdão. Por isso, minha rainha...
Segurou minha cabeça com as duas mãos e me encarou...
Só vi amor... Amor em dose tripla era o que eu sentia ao ver olhos verdes para todo lado.
— Eu declaro, que passarei o restante de meus dias a devotando e mostrando ao mundo o quanto sou agraciado pela esposa que Deus me deu. É nas minhas imperfeições que descubro que o seu perfeito amor é minha cura de todos os males.
Antes que me desmanchasse em lágrimas puxei sua boca e beijei com força e ardor.
Não havia mais medo ou insegurança, só amor... Puro amor...
— Vamos para o quarto...
— Ahh!
Dei um gritinho quando ele me pegou no colo. E quando parou perto da porta, não resisti e fiz a pergunta...
— Tem consciência de que terá algumas reuniões aqui, não tem? E isso inclui seus principais conselheiros, seu irmão, Stephan...
Ele deu de ombros e sorrindo muito me tirou dali.
— Quero mesmo é que vejam a linda mulher que tenho o orgulho de chamar de minha.
Beijei-o no pescoço.
— Edward?
— Hum?
Só mais uma, prometi a mim. Eu não iria estragar a noite, mas precisava saber para poder esquecer o passado e seguir em frente.
— Onde estão Marcus e Caius?
Ele não me olhou, pela primeira vez, parecia desconfortável.
Contudo, continuou rumo ao quarto. Até achei que não ia me responder.
— Mortos, princesa. Peter e sua equipe se encarregaram deles. Desculpe-me, a decisão foi totalmente minha. Não queria que soubesse desse lado meu. Mas, não havia outra maneira, Bella. Castigo, pena nenhuma, seria o suficiente para tudo que nos fizeram passar. Perdão, eu...
Foi minha vez de forçar os dedos nos lábios dele.
— Foi melhor assim. Não se culpe. Agora podemos dormir e acordar sossegados, porque o mundo está livre de dois seres da pior espécime.
Ele assentiu e já na porta do quarto disse algo que somente na manhã de segunda-feira eu comprovaria ser totalmente verdade.
— Dormir? Dormir é a única coisa que você não fará nessa noite, senhora Cullen...
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