Três Príncipes, Três Princesas
1 Capítulo 1- Prólogo
Notas iniciais
Pov. Charlie
Reli pela décima vez o contrato em minhas mãos, estudei as possibilidades, decifrei as letras “miúdas”, decodifiquei minuciosamente os segredos. Tudo parecia certo, nenhuma brecha era visível, no entanto eu ainda relutava em colocar meu nome junto ao de Carlisle no final daquela folha.
Não que eu tivesse dúvidas quanto à veracidade ou aos benefícios que esse acordo traria ao meu reino e ao dele, não disso eu não tinha dúvidas, esse acordo selaria de vez nossa condição de reinos co-irmãos e isso era bom, na verdade muito bom. Minhas indagações e aflições mesmo eram quanto ao tamanho do sacrifício que eu imporia sobre minhas filhas.
Rósalie, Alice e Isabella, meus tesouros, o maior presente que Deus poderia conferir a um homem. E eu, um reles mortal me achando no direito de decidir e infligir- lhes um futuro incerto.
Isso, verdadeiramente, me amedrontava.
— Ahh, que coisa Charlie, assine logo isso. O padre nos espera para começar o batizado e acredito que se atrasarmos mais em meio minuto a cerimônia teremos nossas cabeças degoladas por Esme e Renée. Quais suas dúvidas? Está tudo conferido aí, suas filhas meus filhos, Forkian e Angelus, sele esse acordo imediatamente homem.
Passei nervoso a mãos pelos cabelos, para Carlisle era fácil, não era as filhas dele que sofreriam, homens nunca sofrem com esses acordos, nós damos nossos jeitos, e eu falo isso por experiência própria. Já as mulheres... casamento, amantes, traições, bastardos..., não, eu não queria ser o responsável por arrastar minhas princesas para esse inferno.
— Eu não posso fazer isso, Carlisle. Elas são tão pequenas...
— Ora, deixe de ser frouxo homem, eu sabia que você sendo pai só de mulheres se tornaria um fraco. Elas são mesmo pequenas, frágeis, inocentes, puras, como toda mulher é, e isso dizimará seu reino e seu povo, pense em quantos aproveitadores, egocêntricos e oportunistas se aproximarão delas só pensando no título e na fortuna que os espera.
Minha cabeça fervilhava, ele tinha razão, eu precisava proteger minhas garotas, de homens como eu e de todo e qualquer tipo de armação. A minha única dúvida era se os filhos de Carlisle seriam capazes de afugentar todo e qualquer tipo de perigo que ousasse ameaçar minhas garotas.
— Isabella, Carlisle, como fica a situação de meu bebê? Minha garotinha não merece ter menos direito ou atenção que as irmãs.
A expressão do monarca de Angelus se fechou, ele pareceu pensar mais que o normal, eu podia apostar que Carlisle me escondia alguma coisa, no entanto ele não deixou transparecer uma dica se quer, do seu segredo.
— Acalme seu coração, Charlie. Assine esse acordo. O futuro a Deus pertence, no entanto eu prometo que criarei e educarei meus filhos de acordo com a moral e os bons costumes para que eles se tornem homens decentes dignos de suas filhas. E claro, espero que você faça o mesmo.
Fechei os olhos, rezei a Deus para que eu não me arrependesse. Peguei de volta a caneta e deslizei meu nome nas ultimas folhas das duas cópias do maldito papel.
Sem pensar mais naquilo, joguei o papel para ele e sai dali sem mais delongas, afinal eu tinha uma linda Isabellinha para batizar. E que os dezoito anos futuros fossem capazes de me mostrar que mais uma vez eu tinha feito à coisa certa.
— Pronto?
Acenei com a cabeça, beijei de leve os lábios de minha rainha e peguei no colo a minha mais linda e brilhante façanha.
— Vamos com isso, porque a princesa do papai precisa mamar daqui a pouco e refeição é coisa séria, não é amor?
Aqueles intensos e inocentes olhos castanhos me encararam, ela ainda era pequena, não falava, no entanto aquele olhar foi capaz de me dizer muito mais que um diálogo completo. Ela confiava em mim. E por ela, eu seria e faria qualquer coisa...
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