Notas iniciais
Gatinhas, mais um capítulo e esse está enorme, para compensar semana que vem, que não teremos capítulo, pois estarei viajando para a casa da minha irmã, que mora na fazenda e lá não pega internet. Espero que compreendam. E no próximo, se preparem, tem casamento a vista. Beijinhos e boa semana a todas. Obrigada a cada uma que me deixa mais feliz com seu comentário, por isso faço questão de responde-los. Amo ter vocês aqui!

Bella

Depois da apresentação do artigo e da nossa saída brusca, graças a papai, viemos embora.

Almoçamos em casa. Alice queria ir a um restaurante que costumávamos frequentar em datas especiais, no entanto Charlie não cedeu, a desculpa era que Bá estava a nossa espera com um almoço, minuciosamente planejado, em minha homenagem. Todavia, desconfiei que ele quisesse mesmo, era aproveitar meus últimos momentos em casa.

Comemos em família e foi muito bom. Era uma falação. Todos se interagindo e uma alegria tomando conta de todo clima. Muito diferente de quando éramos somente, papai, mamãe e eu.

Depois fui intimada por minha família a subir e descansar por algumas horas, até que desse a hora da colação de grau, segundo eles, eu estava com a aparência de um zumbi.

Eu não queria. Quem pensaria em dormir tendo seu noivo lindo e carinhoso, louco pra estar com você? Contudo, fui voto vencido. Até Edward, me empurrou escada acima, depois de se despedir, adequadamente, com um beijinho cheio de promessas.

Então, depois de muita reclamação e de um “copão” de suco de maracujá, cortesia de Bá, me joguei na cama e dormi por três horas interruptas e acredito que emendaria a noite, se uma irritante Alice não tivesse me acordado às cinco horas, a fim de me aprontar para o evento.

Mais uma vez, passei por uma sessão de cabelo e maquiagem, dessa vez com a supervisão de minhas lindas irmãs. Não sei para que. Porque no fim, a beca e o capelo cobririam tudo, mas Alice dizia que mesmo com aquelas vestimentas, eu continuava sendo a princesa de Forkian. Bela desculpa! No meu ponte de vista, é claro.

Sem mencionar que minha beca e meu capelo levavam no interior a famosa etiqueta da Swan’s Fashion.

— Desnecessário você ter desenhado isso para mim. Todas as becas são iguais, Alice.

— Iguais nada, irmã. Essa foi feita exclusivamente para você. De cetim indiano, e ajustada a seu corpo. Não tem nada daquela coisa horrorosa, alugada e larga, cheirando a naftalina, que você queria usar.

— Tenho que concordar com Alie, Bells. E saiba que você ficou linda até com essa roupa. Seu noivinho vai babar, como sempre.

Revirei os olhos para elas.

— Tudo bem, rainhas da beleza, agora deixem de bajulação e vamos logo com isso. Quanto mais cedo começarmos, mais cedo terminaremos.

Nossos familiares já nos esperavam na sala, prontos pra sair. Mais uma vez fui saudada e parabenizada por todos.

E também fui obrigada a ouvir de Emmett, que eu ficava gostosa até vestida de Batman. O que gerou o riso de todos, apenas Edward fechou a cara e cruzou os braços, indignado com a coragem do irmão.

Na hora de nos dividirmos nos carros para sair, Edward e eu fomos salvos por mamãe e Esme, que fizeram com que Charlie e papai entrassem no mesmo carro, dizendo que precisavam conversar comigo e minhas irmãs.

No entanto, assim que o carro deles partiu, meu príncipe e eu fomos empurrados para um outro veículo e somente Sam e Zafrina nos acompanharam.

O que eu achei ótimo, porque eu precisava me saciar um pouquinho da presença de meu noivo.

Por isso, assim que entramos fui logo me aproximando e o beijando com todo ímpeto que podia. A princípio, Edward pareceu meio tímido, acho que a presença de meus seguranças o inibiu. Contudo, eu não me dei por vencida, com a vida que temos ou nos acostumamos com outras presenças ou renegamos nossos instintos e momentos, até que estejamos entre quatro paredes. O que, diga-se de passagem, não acontecia com muita frequência. Ainda mais quando se tem um pai como Charlie.

Então, com esse pensamento e força de vontade redobrada, não me dei por vencida. Eu queria um pouquinho mais dele. E me lembraria de agradecer a minha linda Alice pela indicação do batom de longa duração.

— Estamos afoitos hoje?

Perguntou enquanto tentava em vão, tirar sua boca da minha. Não respondi. Estava ocupada demais tentando enfiar minha língua na boca dele.

— É bom saber que você também sente saudades, princesa. Eu me sinto assim o tempo todo quando estamos separados.

— Cale-se e me beije. O trajeto é curto e logo papai e Jake me tirarão de você. Concentre-se em mim, Edward.

Sentindo o poder de minhas palavras, ele literalmente me atacou. Beijou com força, tateou cada pedaço de pele, que conseguia descobrir daquela roupa e abraçou enquanto pode. Todo tempo com ele e para ele não eram suficientes.

— Vem comigo segunda Bella? Suas aulas acabaram. Vem comigo pra nossa casa. Eu mereço você lá. Vem comigo, princesa? Eu quero te ver todos os dias.

Clamou se afastando. O desespero na voz dele refletia o meu. Eu sei que merecíamos um tempo a mais junto.

— Eu ainda não posso. Prometi a meu pai que passaria essa semana com ele. Viajo, com mamãe, na sexta para Angeles e aí já fico de vez. Por favor, amor, nós já havíamos conversado sobre isso. Charlie está carente, Edward. Na verdade Renée também está. Deixe-me só aproveita-los mais um pouquinho. E então depois seremos só eu e você.

Pedi encarando seus olhos, eu não insistiria mais, só faria o que fosse bom para ele e consequentemente, para mim, mesmo que isso significasse enfrentar Charlie. Se ele insistisse para que eu fosse antes... Eu iria.

Fui puxada de volta para seus braços e aninhada neles, eu nem percebi quando havia me afastado.

Edward passou a beijar meus cabelos e cheirar meu pescoço. Carinhoso como só ele sabia ser.

— Tenho um presente pra você.

Comunicou, mudando de assunto e não respondendo se aceitava ou não a minha súplica.

— Na verdade, não é nada demais. Só uma lembrança desse momento especial e, que graças a Deus, posso compartilhar com você.

Sem a mínima vontade, me afastei de seus braços enquanto ele pegava algo no bolso de dentro do paletó.

— O que é?

— Abra.

Era uma caixinha pequena, que cabia em minha palma.

Puxei o laço azul, desfiz- me do papel branco e então me deparei com a caixa de formato quadrado e de veludo.

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— Eu escolhi especialmente para você. Espero que goste e use sempre, para que se lembre do quanto sou orgulhoso de você e da profissional incrível que você é.

Abri a tampa e me deparei com um lindo e delicado anel de formatura. A pedra central era Esmeralda, verde e linda, assim como os olhos dele. Em volta da pedra maior 12 pedrinhas de brilhantes entrelaças em ouro. Ao lado, o símbolo da medicina e do outro, o símbolo do saber, em ouro branco, tudo disposto em três finos anéis de ouro, que se fundiam num só.

— Para nós, Angelianos, um anel de formatura é uma forma de dizermos ao formando o quando sabemos de seus esforços e suas lutas. Seria como uma prova, um símbolo de que agora você também tem um compromisso com sua profissão.

— Não é nada muito sofisticado. É um presente simbólico. Eu sei que você merecia algo melhor e...

— “Não desmereça o meu presente”.

Eu estava emocionada e as lágrimas já se acumulavam nos cantos de meus olhos. Eu amava presentes com significados.

— Vou colocá-lo no seu anelar da mão esquerda, somente até nos casarmos. Porque o certo é colocá-lo no anelar da direita, no entanto, não quero que nada tampe o seu anel de noivado. Então, quando eu colocar minha aliança em seu dedo esquerdo, passo ele para o local certo. Ok?

Ignorando a crise de posse “Não quero que nada tampe o seu anel de noivado”, assenti afirmativamente.

Um sorriso bobo se juntava a minhas lágrimas, que agora escorriam.

— Lindo! Assim como a dona.

Ele puxou minha mão para perto de si e beijou cada dedo, demorando mais no que abrigava meu presente.

— Obrigada. Eu amei. Ele é perfeito. Mas você sabe que não precisa me dar presente todos os dias, não sabe? Eu, aliás, não te dei nada ainda.

— Não diga bobagens, Bella. Você me deu o melhor e maior presente e tenho que agradecer a Deus todos os dias por isso. E não me prive de te agradar. Eu amo surpreende-la.

— Que presente eu te dei?

Perguntei curiosa agora repetindo o gesto dele e beijando seus dedos.

— Seu perdão, uma segunda chance? Chame como queira. Nem Posso lembrar-me de como agi quando conheci você. E nem quero imaginar o que teria acontecido se você não tivesse me perdoado. Provavelmente Jacob teria conseguido o que sempre sonhou e eu...

Rapidamente me virei e beijei seus lábios, o calando.

— Shiiii! Provavelmente eu teria esperado até que seu pai colocasse juízo na sua cabeça e te fizesse vir até mim, nem que fosse amarrado. Agora pare de pensar besteira e me beije, porque nosso tempo já está acabando e eu ainda não me sinto saciada de seu gosto.

Com um sorriso tranquilo nos lábios ele voltou a me beijar, agora mais intensamente, igualmente como fez mais cedo.

Dez minutos depois de carícias e carinhos, estacionávamos em frente ao anfiteatro da universidade.

O lugar estava “apinhado” de gente e uma legião de fotógrafos nos aguardava do lado de fora.

— Princesa, não abra a porta até que Sam e eu estejamos ao lado dela. Desceremos e acompanharemos você até o seu lugar.

— E Edward?

Perguntei a Zafrina, enquanto tentava, inutilmente, desamarrotar a beca e arrumar o cabelo.

— Paul está esperando por nós. O rei deve ter ordenado que ele permanecesse a postos.

O segurança pessoal de meu pai já estava a postos, ao lado de nosso carro.

— Tenha cuidado!

Disse-me Edward antes que Zafrina e Sam formassem uma cobertura protetora em cima de mim.

— Eu terei. Te vejo em breve.

Respondi e com um beijinho doce, nos despedimos.

Sair do carro e entrar no local do evento, foi um inferno. Eram tantos empurrões e flashes que em certas ocasiões Sam me guiou a cegas. Isso não era legal, o que de interessante “esse povo” achava em incomodar tanto a nossa vida.

Já no salão, fui afastada de vez dele. Edward foi se sentar com nossa família enquanto eu ia para junto dos formandos.

A cerimônia foi um tédio.

Nossa família, isso incluindo os Cullen, que eu já considerava como meus, e a família de Jacob, como imaginei, foram chamados para compor a mesa. E depois de vários discursos e “rasgassões de seda”, os formandos foram autorizados a entrar.

Depois de acomodados, teve-se início os agradecimentos e homenagens, o que me rendeu quase um cochilo. Não me julguem, o curso de “Como uma princesa se porta em público”, somente Alice e Rose fizeram. Ainda bem que nos serviram água nesse meio tempo, senão era bem capaz deu ter dormido e babado bem ali.

Por fim, Jéssica fez um lindo discurso e Ângela nos guiou pelo juramento.

— Ansiosa?

Perguntou Jake quando os primeiros nomes passaram a ser chamados para cima do palco. Ele havia saído de seu lugar e vindo até mim.

— Nenhum pouco. E você?

Ele sorriu indicando que estava como eu. Porém, algo estava errado, ele parecia hesitante ao meu lado.

— Preciso falar com você no baile. Guarda uma dança para mim?

— Claro que guardo. Nem precisava pedir. O que foi Jake você parece distante?

— Black, Jacob Black.

O nome dele foi chamado e minha pergunta ficou no ar.

Foi uma algazarra, quando ele pegou o “diploma simbólico”. Billy e a esposa gritavam e aplaudiam de empolgação. Em algum lugar a minha frente Leah Clearwater também assoviava e gritava. Isso me assustou um pouco.

— Clearwater, Leah Clearwater.

Observei com a sobrancelha arqueada, a carranca de meu pai ao abraçar Leah. Era obrigação dele como paraninfo da turma, e pousar para a foto também.

Na plateia outra ovação foi ouvida e ao longe pude identificar Harry e Sue Clearwater, pais de Leah, eles sorriam e batiam palmas, felizes pela vitória da filha. Como eu Leah também não havia passado por uma colação de grau quando se formou, o motivo ninguém sabe, somente ela.

Às vezes eu pensava que ela me perseguia, mas depois deixava esse pensamento para lá. A única coisa que me intrigava era a vontade de saber como ela fez para se manter sempre na mesma série que Jake e eu. Leah era dois anos mais velha que nós, no entanto, eu a alcancei e passei por ela na questão dos estudos, porque meus professores me adiantaram de série várias vezes e sempre quando eu achava que me livraria dela, poucos dias depois lá estava ela para me infernizar. Super inteligente eu sabia que ela não era, eu só não imaginava como ela fazia isso.

— Stanley, Jéssica Stanley.

Ignorando a gritaria dos familiares de Jéssica, e forçando mais o pensamento lembrei-me de quantas vezes Jacob e eu, dormimos em cima dos livros. Eu o ensinando pacientemente para que ele também avançasse de série, sempre que acontecia comigo. Inseparáveis! Nem que para isso ele precisasse “morrer” de tanto estudar.

— Swan, Isabella Marie Swan

Acordei de meus devaneios com o mestre de cerimônia anunciando meu nome.

Perante gritos e aplausos de familiares e amigos e debaixo de uma chuva de papeis picados brilhantes e coloridos, subi ao palco e peguei do reitor o canudo simbólico.

Meu pai, já me esperava de braços abertos e olhar orgulhoso.

— Aí meu Deus! Agora é oficial, papai não tem mais bebê, agora tem uma médica em casa. Parabéns, meu amor. Eu estou muito, muito orgulhoso de você.

O abracei com força e chorei em seu ombro.

— Obrigada, paizinho. Obrigada por tudo. Eu te amo tanto.

Ele me beijou na testa dizendo que eu seria sempre o “presentinho rosa” dele.

Quando pousamos para a foto, foi outra confusão, porque um batalhão de fotógrafos se aproximou. Todos queriam registrar a formatura da filha caçula do rei.

Essa foi a melhor parte da cerimônia, sem dúvida. Ouvir Emmett gritando como criança, Alice batendo palminhas de empolgação, e Edward sorrindo, presunçoso, valia qualquer esforço.

Por fim, os últimos colegas foram chamados e antes do tradicional “jogar de capelos” ainda fomos declarados formados e instruídos a virar a parte de cima da beca, onde o verde da medicina agora se destacava, mostrando a todos que não éramos mais apenas estudantes.

Foi emocionante.

E quando tudo terminou fui cercada por meus colegas e professores, todos queriam fotos para registrar nossa vitória. Só consegui me afastar minutos mais tarde quando Sam e Zafrina vieram a meu encontro me levando para os carros, onde nossa família já nos aguardava.

Eu não teria uma foto com eles em meu álbum

Dessa vez, fui direcionada ao carro que levava Alice e Rosie. Elas queriam acertar algumas coisas do casamento e esse era o momento escolhido.

Vinte minutos até nossa casa, entre flores, doces e decorações de casamento. Eu não podia querer algo melhor.

— Tome água. Você está ofegante e “preguenta”.

Ignorei a carinha de nojo de Rose e aceitei a garrafinha que ela me estendia. Alice tinha uma agenda na mão, que ela riscava com “cezinhos” a cada assunto abordado e resolvido.

— Você fez a última prova do vestido, Bella?

Assenti.

— Fiz. Seu costureiro esteve em casa na quarta feira.

— Precisou de ajustes?

— Mínimos.

Assinalei com os dedos.

— Aparentemente eu perdi peso. Deve ser a ansiedade da formatura.

— E os sapatos? Você escolheu?

Fiz careta e voltei a concordar.

— Escolhi um entre as opções que vocês mandaram, mas não me apaixonei por nenhum, eles eram altos demais e desconfortáveis. Na festa eu me recuso a ficar com eles. Zafrina e eu compramos uns, bem bonitos, azuis, no shopping semana passada e é eles que usarei para dançar.

— Bells...

Advertiu-me, no entanto não concordei.

— Nem vem, Alice. Não abro mão desse detalhe. Aliás, como já disse, acho que a Swan’s deveria ter uma linha de sapatos, bonitos e confortáveis. Tem como aliar as duas coisas não têm?

Ela sacudiu a cabeça incrédula e voltou a riscar na agenda.

— Seus convites foram todos entregues?

— Todos. Eu mesma me certifiquei de conferir isso.

— Acho que era só isso. Mas bem que você poderia ir conosco segunda Bella, está ficando complicado resolver as coisas sem você.

— Nem pensar, Rose. Papai já está mal- humorado o bastante. E aparentemente, já convenci até Edward de que é melhor que eu vá depois. Segurem a onda lá, fico com nossos pais até sexta e aproveito e ajeito, com tempo, o que quero levar, o que vou deixar e o que vou doar. Tudo com calma e sem estresse.

— Você quem sabe então.

O carro parou e mais uma vez eu respirei aliviada por estar em casa.

— Tome um banho relaxante e lave esse cabelo. Logo o cabeleireiro chega para ajeitá-los. Vou pedir a Bá que leve algo para você comer. E não enrole Bells, seu tempo está cronometrado.

— Tudo bem, Alice. Já estou indo.

Passei por Edward na sala e somente lhe acenei um até logo.

No andar de cima, Bá já me esperava com a banheira cheia e fumegante. Joguei-me nela e até gemi de satisfação quando senti a água quente me abraçar e relaxar todos os meus músculos tensos.

Mas, minha alegria durou pouco e logo fui instruída a sair, porque uma última sessão de embelezamento ainda me esperava.

Comi alguns petiscos e tomei um suco enquanto mexiam em meus cabelos. Meu quarto estava inundado de mulheres que resolveram migrar para cá. Todas já impecavelmente prontas para a festa.

Mamãe e Esme estavam sóbrias e sérias com seus modelos de festas. Esme de preto elegante e mamãe de rosa seco. Alice estava de amarelo, em renda e costas nuas e Rose estava de laranja, justíssimo e trançado nas costas esguias. O meu era tomara que caia, vinho, todo bordado em pedras na parte de cima e com várias saias de tule esvoaçantes. Todos os modelos assinados por Alice. Não teve jeito, até Esme se rendeu ao talento dela.

As onze horas da noite, eu estava pronta e completamente exausta desse dia. Eu só queria deitar em minha cama e colocar os pés para cima. Mas infelizmente, “querer não era poder”.

Os homens da casa já nos aguardavam e todos estavam impecavelmente lindos. Edward de smoking era ainda mais tentador que o normal.

Nosso trajeto até o salão de festas do hotel onde seria o baile foi feito em duas limusines e papai não abriu mão de que nossa família fosse em uma e a de Carlisle em outra, a justificativa dele era que queria aproveitar as três filhas juntas.

— Tudo bem?

Perguntou-me Charlie quando estacionávamos em frente ao local, que mais uma vez estava cheio.

— Sim, sim. Só estou cansada. Eu não dormi bem essa noite.

Papai cruzou seus dedos com os meus e me olhou compreensivamente. Minha hostilidade para com ele havia passado, no entanto nunca mais eu deixara a porta da biblioteca aberta para que ele entrasse de madrugada, era a minha forma de puni-lo e eu sabia o quanto aquilo havia o afetado também.

Aquilo, definitivamente, acabava naquela noite. Eu queria meu paizinho de volta.

— Você dança a valsa dos formandos e depois está liberada. Podemos ir assim que esse rito passar.

Assenti e suspirei, aliviada. Eu suportaria mais um pouco.

Rose não ficaria feliz com aquilo, ela gostava demais de uma festa para terminá-la antes das quatro da manhã. Porém, eles é que ficassem, eu não me importava, só queria poder dormir umas oito horas seguidas.

— Vamos logo com isso.

Dessa vez a equipe de segurança lá de casa estava maior e fez sua parte, isolando a frente do local para que descêssemos em paz e segurança.

A outra limusine estacionou logo atrás e logo outra equipe já estava posicionada.

Lá dentro fomos encaminhados para minha mesa, marcada com uma foto minha. Acomodamos-nos e logo fomos servidos com água e bebidas diversas.

Edward se sentou a meu lado, o que tornou a noite suportável. Em alguns momentos ele me abraçava, me beijava e acariciava qualquer parte de meu corpo que alcançasse. Conversávamos sobre coisas banais, o assunto fluía e tomava dimensões de cumplicidade inexplicáveis.

Fui tomada dele algumas vezes por meu pai, Carlisle e Emmett, reivindicando a “dança com a formanda”, somente Jasper não dançou comigo e algo me dizia que Esme tinha algo a ver com isso, pois inúmeras vezes a vi segurar o filho pelo braço o impedindo de vir até mim.

— Eu já disse como você está linda e cheirosa e linda e bonita e linda?

— Huum, agora à noite não. E depois de dizer que eu estava linda de beca, se você não disser que fiquei, no mínimo, arrumadinha com um exclusivo “Alice Swan”, creio que minha irmã e eu ficaremos muito desiludidas e decepcionadas.

Respondi brincalhona já sentindo o efeito dos dois drinks de morango. O que era o máximo que eu me permitia beber.

— Nossa! Isso é mesmo um sacrilégio para com a deusa da beleza. Eu imploro seu perdão minha linda princesa, que está mais linda ainda de “Alice Swan”.

— Palhaços!

Sorrimos um para o outro quando Alice resmungou ao nosso lado. Eu estava feliz e exalava esse sentimento por todos os poros.

— Vamos dançar, princesa.

E como com ele não podia ser diferente, me perdi um bom tempo em seus braços, me deliciando com sua companhia e me inebriando de sua presença.

No auge do evento, dancei com a Charlie a valsa e depois fui passada para Edward. Não me passou despercebido que Jacob dançou com Leah a segunda parte da valsa principal. Eu estava perdendo alguma coisa?

E por fim quando eu já estava me arrastando e pronta para pedir colo a Charlie, como uma criança mimada, Jacob se aproximou e me reivindicou para ele.

Edward e ele trocaram um olhar, antes que meu noivo me soltasse de seus braços.

— Volte logo para mim.

— Sempre.

O beijei de leve e me afastei de mãos dadas com Jacob. Observei Leah com um sorriso presunçoso, nos encarando, do outro lado do salão. Um arrepio e uma sensação ruim me passaram pelo corpo. Ela estava tramando alguma coisa.

A música era suave e acompanha- la foi de certa forma fácil. Dança não era minha atividade física favorita. Eu gostava mesmo era de hipismo.

— Enfim, vencemos, Bella. Valeu cada sufoco.

Passei a mão pelos cabelos de Jake e o olhei profundamente, eu o conhecia melhor do que aquilo, ele estava triste.

— Chega de enrolar, Black. Despeje logo...

Ele respirou fundo.

— Eu vou me casar, Bells.

O susto me fez titubear.

— Quê?

Perguntei por instinto, eu havia escutado muito bem o que ele havia dito.

— Eu vou me casar.

Respirei devagar e voltei a encarar seus olhos. Era isso que ele escondia nos últimos dias, desde que nos reaproximamos, para ser mais exata.

— Hum, agora está explicado. Os telefonemas misteriosos. As fugidas durante as aulas. Os arranhões e mordidas no pescoço. Você esteve me escondendo que encontrou alguém especial, Jake. Por quê? Eu mereço conhecer a felizarda que tem a obrigação de fazer meu melhor amigo feliz. Onde ela está? Está aqui? É de Pushian? Eu quero conhecê-la.

Ele não respondeu, ficou em silencio e me encarou mais profundamente.

— O que foi Jake? Você está com medo de nos apresentar? Não se preocupe eu não vou assustar a garota, a não ser, é claro, que ela não seja boa o bastante para você.

Ele continuava mudo e de repente percebi que paramos de dançar e que estávamos parados no meio do salão. Ao longe percebi que Charlie e Edward nos observavam atentamente, como se já soubessem do que se tratava nosso assunto.

— Você está me assustando, Jacob. O que está havendo? Quem é sua noiva? Por que você vai casar assim tão inesperadamente?

Meu amigo, fechou os olhos, respirou fundo e depois voltou a me encarar.

— Eu preciso que você mantenha a mente aberta, Bells. Deixe-me terminar de falar e depois você me diz o que acha. Só me escute. Ok?

Assenti. Minha cabeça dava mil e uma voltas. Isso não estava me cheirando bem.

— Eu vou me casar com Leah Clearwater.

Senti todo o ar fugir de meus pulmões, cambaleei para o lado e a dor da traição me dominou..

— Não! Não brinque assim, Jake.

Eu não conseguia falar e uma vertigem ameaçava vir com força. Minha pressão estava caindo e eu desmaiaria a qualquer momento.

— Bells, Bells, mente aberta. Respire, Bella. Você prometeu. Escute eu...

Sacudi a cabeça em negação e senti as lágrimas vindo. Eu queria me afastar dele e correr dali, no entanto ele me mantinha presa em seu abraço.

— Solte- me. Eu, eu, quero ir pra casa. Solte-me. Pai...

Gemi como se chamasse Charlie em meu socorro. Eu desmaiaria a qualquer momento.

— Bells, escute, Bells... Leah não é tão má assim. Ela só é incompreendida. Eu a colocarei nos eixos. Dê uma chance a ela, eu imploro. Eu não serei capaz de fazer isso se você não estiver ao me lado, por favor, Bells.

— Ela não é tão má assim? Jacob o que deu em você? Eu perdi as contas de quantas vezes fui ameaçada por ela. Eu não darei chance nenhuma a ninguém. Solte-me agora.

A raiva começou a vir. Edward se levantou e logo ele estaria ao nosso lado.

— A perdoe, Bells. Você é nobre demais pra guardar rancor. Conceda-me isso. Eu mereço isso de você.

— Você merece, ela não. O que deu em você afinal? Ela te enfeitiçou? Ou está o chantageando? Eu não aceito isso. Solte-me. Pai... Edward...

Gemi de novo, mas o agarre dele não aliviou.

— Solte!

Bradou Edward a nosso lado.

— Não!

Ele negou. Debati-me.

— Solte-a Jacob. Ela não está em condições de conversar agora. Isso vai virar uma confusão porque Charlie já percebeu que você a está segurando contra a vontade. Solte-a e evitaremos o pior.

— Por favor, Bells. Por favor... Eu não vou conseguir levar uma vida longe de você. Você vai se casar contra a minha vontade e eu aceitei isso e darei um jeito de fazer nossa amizade dar certo. Faça o mesmo por mim, princesa?

Debati-me e Edward se aproximou mais. Ele estava ponto de me arrancar dali.

— Eu estou me casando sim e você sempre soube que seria assim, até primeiro que eu. E a diferença é que Edward é bom. Ele nunca foi mau ou fez da sua vida um inferno, por pura diversão, como a “cadela” da Leah fez comigo, a vida inteira. Eu não vou aceitar isso, Jake. Solte-me agora ou eu vou gritar e você enfrentará a ira de Charlie Swan.

— Bells, esse casamento tem um significado importante, eu não posso te dizer agora, mas é por um bem maior. Leah vai se redimir, eu prometo. Por favor, Bells? Não me abandone eu não conseguirei sem você.

— Pensasse nisso antes de me trair pelas costas.

A voz dele suplicava e seus olhos estavam maiores e toda intensidade de seu pedido se demonstrava ali. Algo estava implícito, eu não era estúpida, eu sabia que algo estava errado, no entanto eu não conseguia raciocinar e imagina-lo ao lado de meu eterno desafeto. Até eu me cansava uma hora.

— Solte- me Jake. Nossa conversa acaba aqui.

Debati-me mais. Ao longe, Charlie se levantou e caminhava a passos largos para nós. Jacob também percebeu.

Rendido ele me soltou e respirou fundo. Derrotado... Mais uma vez eu o estava magoando. Contudo, no momento, eu não conseguiria pensar com racionalidade, eu precisava digerir a ideia.

Afastei-me deles ainda ouvindo Edward dizer que eu precisaria de tempo e que o melhor seria que ele se afastasse por um tempo.

Apressei o passo e entrei no primeiro banheiro que encontrei, graças a Deus, ele estava vazio.

Dirigi-me ao lavatório, liguei a torneira e molhei meu rosto, eu estava quente e uma raiva enorme inundava meu ser. Eu só conseguia pensar que ele havia quebrado todas as promessas, Jacob havia me traído.

— Olha se não é a “princesa sem reino de Forks”. O que faz aqui no banheiro da plebe majestade?

Eu estava tão concentrada em me acalmar que nem percebi que já não estava mais sozinha.

— Veio retocar a maquiagem? Isso é uma perda de tempo, queridinha. Tem que nascer de novo.

Respirei fundo, mais uma vez e abri os olhos.

— Deixe- me em paz, Leah.

Sibilei entre dentes. Todavia, como sempre, ele não me deu ouvidos.

— O que? E perder a chance de te dizer umas verdades? Nunca! Mas, me diga Isabella, o que te fez vir chorar no banheiro como uma garota mimada?

— Não é da sua conta.

Tentei passar por ela, na tentativa inútil de sair dali e evitar mais uma tragédia, no entanto fui agarrada pelo braço.

— Ah! Eu acho que sei o que te fez “fazer biquinho” “dar birra” e vir se refugiar aqui. Por um acaso é isso?

Sem que eu esperasse, ela me arremessou para o canto esquerdo do banheiro e sem perder a compostura levantou a mão direita para que eu visse o exagerado solitário de diamante em sua mão direita.

Um arrepio percorreu meu corpo. Ver era pior do que ouvir. Então era mesmo verdade. Jacob e ela se casariam.

— Isso mesmo, queridinha. Jacob me pediu em casamento e ainda me deu um anel que, aliás, esse sim é digno de uma futura rainha, não esse seu aí. Ops!!! Esqueci, você não será rainha, não é? Já eu...

O cinismo escorria de cada palavra dela como veneno inundando meu ser.

— Cale a boca Leah. Cale a boca.

Gritei para ela. Eu ia perder o controle.

— Não calo. Não calo até que você saiba que ele esquenta a minha cama há anos, que esse casamento é só consequência. E que você era a única que não sabia. Até seu noivinho já nos viu juntos.

As palavras dela entranhavam em meu ser e me fizeram titubear.

Gritando ela se aproximou mais. Leah viria para cima de mim, mais uma vez. Eu já podia sentir o peso daquelas mãos, eu as conhecia de cor.

E de novo, eu sentia meu corpo travando, eu nunca fora capaz de levantar a mão para ninguém, nem mesmo para me defender. Eu apanharia e não teria mais ninguém para cuidar de mim. Jacob não mais me defenderia. Ele ficaria ao lado dela agora.

— Jacob será meu oficialmente. E eu o farei esquecer-se de você, sua vadia. Nunca mais terei que ouvi-lo te defender. Ele será meu e eu serei a rainha de Pushian e verei, com gosto, você se curvar para mim em cada ocasião em que tivermos que conviver. E amarei cada vez que isso acontecer.

Ignorando meu senso de autoproteção, que mandava ficar quieta, puxei uma lufada de ar pela boca e então com toda força de vontade e raiva que emanavam de mim, cuspi nela.

— Eu nunca me curvarei para você, sua bastarda. As únicas rainhas que merecem isso de mim são minha avó, minha mãe, minha sogra, a avó de meu noivo e minhas irmãs. Uma rainha não se faz com um casamento forjado, forçado e falso. Uma rainha já nasce rainha e está no sangue, no nosso sangue azul,coisa que você não tem, Leah, e nunca terá.

Minhas palavras despertaram nela uma fúria inexplicável. Ela respirava alto e vinha em minha direção. Era agora que eu apanhava.

— Eu vou matar você.

Inerte e incapaz de me defender, levei a mão ao rosto e fechei os olhos.

— Encoste um dedo nela e você verá do que uma rainha de verdade, é capaz.

Assustada, abri os olhos e contemplei uma Esme, totalmente, domada pela raiva.

— Majestade.

Leah parou seus atos e baixou a voz. Era sempre assim, na frente dos outros, ela se transformava na boa moça.

— Afaste- se. Bella e eu sairemos agora. Meu filho nos aguarda do lado de fora e se eu fosse você esperaria aqui por um tempo até que Bella o acalme, porque só ela e eu temos esse poder, e eu quase falhei agora a pouco quando o impedi de entrar aqui. Se ele imagina metade das coisas que aconteceram neste banheiro, você é uma mulher morta Leah. Agressão a um nobre, ainda mais a uma das prometidas de meus filhos, não é bem visto em meu reino. Então sugiro que pense nisso ante de encurralar uma de minhas noras outra vez.

Sem esperar por resposta, Esme veio até mim, passou a mão por meus ombros e me arrastou dali.

— Vamos, querida. Acabou. Ninguém vai te fazer mal, eu prometo.

Tremendo, a segui meio trôpega. Minha visão estava nublada e minha cabeça doía.

Edward nos aguardava do lado de fora. Seus cabelos estavam uma revolta e ele parecia fora de si.

— Bella...

A proteção dos braços dele vieram, instintivamente, para meu redor.

— Ela te machucou? Eu estava te vigiando a uma distância segura e fiquei louco quando a vi entrando, corri até mamãe e pedi que viesse ao nosso auxílio. Eu não podia invadir um banheiro feminino, apesar de que essa era minha vontade. Ela te feriu? Porque se isso aconteceu eu terei minhas mãos envoltas do pescoço dela agora mesmo.

Sacudi a cabeça em negação, no entanto suas mãos tateavam meu corpo em busca de algo que comprovavam o contrário.

— Eu quero ir pra casa. Me leve, por favor.

Escondi mais a cabeça em seu peito. Eu estava psicologicamente exausta daquele dia duradouro demais.

— Seu pai não vai aceitar isso. Vamos para a mesa e lá você se despede e então partimos.

— Por favor? Eu não serei capaz de fingir que nada aconteceu.

O encarei, me perdendo em seus olhos. Eu podia ver sua determinação se esvaindo.

— Não resista ao poder de sua noiva, querido. Vá com ela e a acalme eu me entendo com Charlie.

— Obrigada, mãe. Eu não sei o que seria de mim, sem a senhora.

— Eu também não sei, filho. Eu também não sei...

Esme se aproximou e nos beijou no rosto, delicadamente.

— Descanse meus amores. Depois de um dia como hoje é o melhor que vocês podem fazer.

E com o aval e a proteção de minha sogra, partimos. Eu só precisava do conforto de meu quarto para colocar minhas minha mente no lugar. Fora um dia muito arrebatador e eu precisava processá-lo.

Pensaria em Jacob e seu casamento depois.

Notas finais
Eu acho que agora a coisa ficou feia para Jacob. E vocês?