Três Príncipes, Três Princesas
28 Não era pra ser assim...
Notas iniciais
Esme
— Emmett, Edward se vocês já terminaram, me acompanhem até a biblioteca, por favor.
Como previ, Edward titubeou. Saber que ele ansiava pela noiva, me deixava orgulhosa.
— Tem que ser agora mãe? O avião de Bella pousa daqui a pouco, não quero me atrasar para buscá-la. Não podemos deixar essa conversa para mais tarde?
Levantei-me da mesa, que ainda estava servida com o café da manhã, e acenei negativamente.
— Eu não me prolongarei. Só preciso esclarecer umas coisas com vocês. Tem que ser agora.
— Ainda não consigo entender como papai deixou que Bella e mamãe viessem em um voo comercial. Mesmo que ele precisasse do avião, ele nunca permitiu isso, sempre que tínhamos que nos dividir ele sempre mandava alugar outro jato.
A soberba de Alice às vezes me deixava decepcionada. Quantas pessoas usavam voos comerciais todos os dias. Além disso, Charlie havia quase que esvaziado a primeira classe, somente para que a rainha e a princesa viessem seguras. Isso, sem falar dos seguranças especializados que foram destacados para essa viagem. Elas não corriam riscos.
— Ele não teve opção, Lice. A viagem para a Alemanha foi de extrema urgência. E creio que, além disso, Charlie ainda esteja na missão de mimar Bella. Nossa irmã ama viver como uma pessoa normal. E eu não vejo nada demais nisso.
— Meninos, agora...
Falei antes de ouvir a resposta de Alice.
Eu estava com uma imagem martelando em minha mente, e precisava resolver o que me incomodava, urgentemente.
— O que foi, mãe? O que de tão urgente aconteceu que a senhora não pode esperar até mais tarde?
Sentei-me na cadeira de Carlisle coloquei as duas mãos sobre a mesa e acenei para que eles se sentassem a minha frente.
Edward parecia ansioso e temeroso com nossa conversa.
— Eu quero que você, Emmett, ensine Isabella a se defender.
— O quê?
Perguntaram os dois em uníssono.
— Isso mesmo que vocês ouviram. Semana passada eu presenciei Isabella acuada ao chão, enquanto Leah Clearwater partia com toda fúria para cima dela. Se eu não tivesse chegado a tempo, só Deus sabe o estrago que ela poderia ter feito.
— Mãe deve haver outra maneira. Violência não. E além do mais Emmett vai para Forkian. Ele não é o mais indicado para isso.
— Não haverá violência, Edward. Seu irmão só irá ensina-la a se defender enquanto alguém não chega para socorre- la de qualquer situação de perigo. Uma semana será tempo suficiente para isso. Agora, se você não concorda, posso pedir a Jasper que faça isso. creio que ele ficará muito feliz com a oportunidade de ter sua noiva entre os braços.
Edward fechou a expressão e por pouco, não rosnou para mim. Uma rainha e mãe podia provocar de vez em quando, não podia?
— O que acha, Emmett?
Com um sorriso de menino grande, ele também não perdeu a oportunidade.
— Uma semana será mais que suficiente, minha rainha. Ensinarei Bella algumas técnicas. E depois se cuide irmãozinho, porque sua mulher virará uma fera. E pode resolver testar em você em alguma oportunidade.
— Por que ele e não eu?
A cada comentário Edward ficava mais nervoso. Às vezes tenho pena de minha nora, ela está saindo de um pai ciumento para cair nas graças de um Edward mais ciumento ainda. Terei que ajuda-los mais do que imaginei. Tenho medo de que meu filho estrague tudo com seu exagero.
— Você seria capaz de bater em sua noiva? Mesmo que fosse para mostrar a ela como se faz?
Emmett deu voz a meus pensamentos e eu fiz questão de avaliar cada vírgula da resposta dele.
— Não, claro que não.
Aliviada voltei a me concentrar na conversa.
— Por isso pensei que seu irmão poderia ajudar além do mais, ele e Jasper sempre foram melhor do que você em luta livre.
Edward não discordou de mim, ambos sabíamos que ele era muito mais a adepto a conversa do que a briga.
No entanto, ainda meio receoso com a ideia, se virou para o irmão e o intimidou com o olhar e com palavras.
— Não a deixe marcada, em lugar nenhum. E não pegue muito pesado com ela. Bella não precisará mais se defender de nada, Leah não chegará perto dela aqui em Angelus. Mamãe só está sendo precavida.
— Também queria falar com você sobre isso. Convença seu sogro a ceder Sam e Zafrina mesmo que seja por pouco tempo, Bella confia neles e acho que seria mais seguro te- los com ela nesse período de adaptação.
— Também estive pensando nisso, vou falar com Charlie ainda hoje. Também estive pensando em pedir a rainha que deixasse Donna vir morar com a gente. Ela sabe de tudo que Bella gosta e precisa. A senhora se importa, mamãe?
O cuidado que ele estava apresentando ao falar da nova vida, me emocionava. E eu que achei que Edward fosse o que nos daria mais problema. Como estava enganada, eu não contava, em momento algum, com rebeldia de Jasper.
— Não querido, eu não me importo. Acho que vai ser melhor também para Alice. Elas contarem com alguém de casa gerará confiança.
— E Rosie não conta? Vocês somente estão pensando na adaptação das princesas que ficaram aqui. E acabam que estão desmantelando a base de Rosie.
— Rosie tem a mãe e o pai por perto, filho. Se você quiser levar seus seguranças com você, eu mesma intercederei por você junto a seu pai.
Eu não queria que Emmett sentisse que Edward, Jasper e suas futuras esposas teriam mais regalias que eles. Eu amava meus filhos por igual.
— Certo, mamãe. Eu acho que vou querer. Ficaria mais seguro com eles ao meu lado.
Concordei e então passei para a parte mais séria da nossa conversa.
— Seu pai me entregou ontem o presente de casamento que você encomendou para Bella. Você vai contar a ela e verdadeira função dele, não vai?
Era uma pergunta boba. Eu já sabia a resposta.
— Não, mãe. Eu não vou.
— Filho...
— Não, mamãe. Não insista. Não depois de papai e de Jasper estarem tão preocupados com ameaças de terroristas e tudo mais. Eu tenho consciência de que não vou conseguir trancafiar Isabella dentro dessa casa. Então a cercarei de todas as maneiras que eu conseguir. E se para isso precisar engana-la, eu farei.
— Filho, ela se sentirá traída e magoada quando descobrir.
— Bella perdoa, mãe. Ela sempre perdoa. E “o fim justificam os meios” no final das contas. Agora se a senhora já terminou, eu preciso ir. Quero ser o primeiro rosto que minha noiva veja ao passar pelos portões de desembarque.
— Eu já terminei. Pode ir. E a traga rapidamente para casa. Rosie, Alice e eu temos muito que resolver com Bella e Renée ainda hoje.
Carinhosamente, como sempre, Edward se aproximou, beijou meus cabelos e se despediu para sair. E sem se preocupar com minha reação passou por Emmett e lhe deu um soco de leve no braço, murmurando em ameaça que estaria de olho nas mãos dele, sempre que ele tocasse Isabella. Emmett, não deixando se intimidar, sorriu e disse que com alguém observando era mais gostoso ainda.
Sem me conter, atravessei a sala e os peguei em um abraço de mãe. Eu sentiria falta de meus garotos reunidos. Edward e Jasper não compartilhavam mais dessa amizade. E eu lamentava por isso. A dúvida de quando meu filho se perdeu para a cobiça, me atormentava. Ha várias noites, eu não dormia, só pensando onde errei e no que o futuro reservava a ele.
E que Deus tivesse misericórdia de minha família.
— Senhora, eu não queria interromper, mas é que as coisas da princesa chegaram e nos não sabemos aonde devemos colocar tudo.
Afastei-me deles e observei Edward com os olhos brilhando e um sorriso bobo nos lábios. A pequena mudança de Bella havia chagado. Estava cada dia mais perto do casamento.
— Traga as caixas com os livros pra cá. Carlisle mandou colocar uma estante nova, somente para os livros de Bella. Também mandei trocar a luminária da escrivaninha, aqui será o lugar perfeito para ela estudar. Agora as malas, mande colocar no quarto que ela usa quando vem para cá, aquele ao lado do de Alice e Rose.
— Mãe...
— Recomendação de Charlie, Edward. As coisas de Bella vão para o quarto que ela ocupará até o dia do casamento. Tenha paciência, filho. Falta pouco. Agora vá buscar sua noiva e sua sogra, você já está atrasado.
E sem esperar por mais motivos ele partiu.
Bella e Renée estavam chegando e nada seria mais importante para minha família que aquele momento.
Bella
Olhei mais uma vez para o quarto, quase vazio agora. Somente itens de pouco valor sentimental ou de pouco uso haviam permanecido ali. Papai havia reclamado por eu levar quase tudo, segundo ele, eu voltaria para visita-los, por isso não precisava levar tudo. Eu sei disso, mas sei também que mamãe já estava decorando uma ala da casa, que abrigariam os novos quartos de casados. Creio que no fundo, Charlie quisesse, era que eu deixasse algumas coisas para que ele pudesse se abrigar ali, nas horas de maior saudade.
— Pronta? Sua mãe já está te esperando.
Respirei fundo e virei- me para encara- lo.
— Pronta. Eu só estava me despedindo. Foram muitos momentos aqui.
— Ei, pare com isso. Não há despedidas. Esse é seu quarto, sua casa, você sempre será bem- vinda aqui.
Aproximei-me dele e o abracei. Escondi- me em seus braços e abafei minhas lágrimas em seu pescoço. Minha cabeça inundada de sentimentos conflitantes. A vontade louca de estar com Edward, duelando bravamente com a tristeza de ter que deixar Forkian.
— Eu quero, Bells, ou melhor, eu exijo que prometa para esse “seu velho” aqui, que você voltará para casa se algo der errado. Você tem a quem recorrer, meu amor. Não é porque eu cometi a burrice de prometer vocês, que eu não cometeria a burrice de buscar vocês de volta, e comprar uma briga com Carlisle. Eu as amo demais, faço qualquer coisa por vocês. Eu já disse isso a suas irmãs quando as deixei em Angelus e agora digo a você filha, meus braços e de sua mãe sempre estarão abertos para que vocês corram para eles. Diga para o papai que você sabe disse e que sempre se lembrará dessas palavras.
Charlie se afastou minimamente, levantou meu queixo, secou minhas lágrimas com os polegares e beijou minha testa.
— E sei disso, eu me lembrarei disso e eu prometo a você papai, que se algo fugir do controle e eu ver que meu casamento não é o que sempre sonhei, que voltarei correndo para casa e para seu colo.
— Isso, meu amor. Isso... Agora vamos logo, antes que vocês percam aquele maldito avião e aquele principezinho resolva te buscar a força.
Olhei mais uma vez para o quarto, peguei a bolsa e uma pequena bagagem de mão e de braços dados com papai, fomos ao encontro de mamãe.
A semana havia passado correndo. Fiz questão de aproveitar os mínimos detalhes e deixei que Renée, Charlie e Donna me mimassem de todas as maneiras. Desde dormir no sofá para que Charlie me carregasse no colo até meu quarto, tomar chá com mamãe e suas amigas fúteis, às três da tarde. Até por fim, deixar que Bá, me inundasse de farinha, tentando me ensinar a fazer um bom bolo de coco, que segundo ela faria Edward se apaixonar ainda mais por mim. Tudo isso para que hoje eu não me sentisse em dívida com todos que queriam que eu permanecesse em casa.
Infelizmente creio que falhei em algum momento desta minha missão, pois entrei no carro, deixando Bá e papai aos prantos. Aquilo me destruiu um pouco. Eu queria que todos fossem felizes.
— É só você decidir, que no mesmo instante seu pai revoga esse contrato, querida. Se não tem certeza, sem tem medo, ainda há tempo, é só pedir e seu pai fará o que você quiser.
Sequei meus olhos, deitei-me no ombro dela e pensei em Alice, Rose, Emmett e Jasper, mas principalmente, pensei nos lindos olhos verdes que me encaravam com devoção todas as vezes que me viam.
— Eu tenho certeza, mãe. Eu não tenho medo. Eu sou de Edward desde que nasci, só estou voltando para o lugar a que pertenço.
Renée não tocou mais no assunto e eu agradeci a Deus por isso, eu não mentia, eu queria esse casamento mais do que tudo, no entanto, eu não precisava que meus familiares e amigos percebessem a minha insegurança quanto a iniciar uma vida do zero. Longe da minha casa e dos meus queridos, longe da minha zona de conforto.
Por isso, respirei fundo e escondi no meu íntimo tudo que me fazia temer.
Sam levou o carro diretamente para a pista de pouso, mamãe e eu não passaríamos pelo portão de embarque, nosso check in já havia sido feito, pela internet, e papai, pessoalmente, exigiu que a empresa aérea nos deixasse entrar antes de todos e sem precisar cruzar o aeroporto lotado.
Sam, Zafrina e mais quatro seguranças nos flanqueavam e seria assim até chegarmos a Angelus. Depois a equipe de lá assumiria e eles poderiam voltar para Forkian. Essa informação também me assustava, eu não conseguia pensar em outras pessoas me acompanhando diariamente que não fossem meus amigos de sempre.
Quando deu a hora marcada para a decolagem e já conosco, devidamente, alojadas e, claro com a primeira classe quase que vazia, mais um dos exageros de papai, olhei pela janela e não consegui que uma lágrima traiçoeira deslizasse por meu rosto, eu estava me despedindo.
— Forkian sempre será seu lar, meu amor.
Solucei e mamãe me forçou a deitar em seu colo, coloquei as pernas em cima da poltrona e me embolei em posição fetal.
— Por que você não fecha os olhos e dorme por alguns minutos. Você acordará mais aliviada e com isso, não encontrará seu noivo com cara de choro.
Assenti já fechando os olhos e para me estimular mais, mamãe deslizou os dedos por meus cabelos numa carícia suave e cheia de carinho. Isso só me fez sentir mais saudosista. Eu sabia, que casamento nenhum é um mar de rosas sempre. Mesmo que seu marido seja “um santo” haverá situações em que ele não terá toda paciência do mundo, pelo menos não igual a meus pais, e essa verdade me dava arrepios. Eu não estava preparada para ser rechaçada por Edward e não ter um lugar seguro para correr, me esconder e chorar minhas lamúrias.
Creio que isso seja crescer. Eu teria que, a força, aprender sozinha a resolver todos os meus problemas, pessoais e profissionais. E isso me assustava demais. Saber que agora eu estava por mim mesma, nem com Jake eu podia contar mais, isso me deixava tremendamente apavorada.
Jacob, pensar nele ainda doía. Eu o ignorara depois daquele dia, de todas as maneiras possíveis. Eu sabia que não estava agindo racionalmente. Mas, e daí? Eu tinha 17 anos, quase dezoito na verdade, isso me dava o direito de fazer birra. Não dava? Meu pai e meu noivo pelo menos, assim achavam, pois concordaram com meus atos e ainda tomaram inúmeras providências para que meu ex- melhor amigo, não me perturbasse, nem se aproximasse de mim. E eu agradecia a Deus por isso.
Eu amava Jacob, mas odiava Leah e no momento o melhor a se fazer por nossa amizade seria me manter longe, até que eu me curasse, entendesse e talvez, só talvez suportasse aceitar essa nova situação. Jacob sim, Leah? Nunca!
— Dormiu?
Abri os olhos “meio grogues”. Eu não havia dormido, cochilado talvez, mas dormido não. Os inúmeros pensamentos conflitantes não permitiram isso.
— Não, mamãe.
Levantei de seu colo e me ajeitei na poltrona.
— Coloque o cinto. Nós estamos nos preparando para pousar.
Corrigi a postura, afivelei o cinto e fechei os olhos, eu odiava pousos e decolagens. Os solavancos me causavam náuseas.
— Atenção senhores passageiros, peço que se mantenham em seus lugares por dois minutos, permaneçam assentados e logo o corredor central estará liberado para o desembarque.
A voz do comandante se fez ouvir nos autofalantes. Logo Zafrina, Sam e Paul se levantaram e vieram até nós.
— E a nossa deixa, minha rainha. O comandante não conseguirá segurar os passageiros por muito tempo. Por favor, se apressem.
Mamãe e eu pegamos nossas coisas e saímos rapidamente. Eu podia ouvir os murmúrios de indignação dos outros passageiros que nos reconheciam. Isso me deixava mal, eu odiava ser tratada diferente. Mas Charlie, não entendia, dizia que era para nossa segurança.
Passamos pelo portão e então comecei a olhar em toda parte, Edward disse que nos buscaria, contudo não estava a vista em lugar nenhum.
— Por aqui, majestade, a equipe de segurança de Angelus nos espera ali.
A parte da frente do portão estava isolada. E vários homens de preto e mal encarados circulavam.
Um exagero.
Caminhamos mais para a esquerda e qual foi a minha surpresa ao ver Jasper e não Edward a nossa espera. Meu coração deu um solavanco. Será que algo havia acontecido?
— Majestade! Princesa! Sejam, mais uma vez, bem- vindas a meu reino.
O reino era dele?
Exageradamente, pomposamente e irritantemente, o noivo de Alice, se ajoelhou, curvou a cabeça nos saudando e depois ainda beijou a mão de mamãe e a minha.
— Obrigada, Jasper. É um prazer retornar ao futuro lar de minhas filhas. Onde estão Alice e Edward que não vieram nos buscar com você?
— Alice está ocupada com as coisas do casamento, já meu irmão, estava entretido em uma conversa com mamãe e Emmett. Ele então, perguntou se eu me importava, de fazer o favor, de busca- las. E eu, logo respondi que não me importava, nenhum porco. Pra mim é uma honra escoltá-las até o palácio.
Algo nos olhos de Jasper não me soava confiança. Não era isso que Edward e eu havíamos conversado.
Revirei a bolsa em busca do celular, enquanto ele dava maiores informações à mamãe sobre as ocupações de minha irmã.
— O que está fazendo, princesa?
— Procurando meu celular. Edward disse que me buscaria, só quero confirmar se está tudo bem.
— Bobagem! Ele me mandou busca-la e é bem provável, que nem vá atender ao telefone. A conversa deles parecia importante e além do mais, se eu fosse você não interromperia um momento de Esme com qualquer um de nós. Ela é uma mãe muito superprotetora quando quer. Acompanhe-me e prometo que logo você estará com seu noivo.
Ele estendeu o braço no intuito que eu enganchasse o meu.
Rá! Vai sonhando!
Continuei parada no meu lugar. Desafiadoramente ele ergueu a sobrancelha esquerda. Fechei mais a expressão e firmei o pé.
— Ok! Vamos esperar então. Mas, se prepare para esperar muito. Edward está muito ocupado. E só eu sei como o humor dele fica quando as coisas não saem de acordo com o que ele planejou.
— Meu príncipe, nós devemos ir. Não é bom que estejamos em um local público por muito tempo. As pessoas estão começando a se agrupar a nossa volta. Vocês são alvos fáceis num lugar tão aberto.
Sam e Zafrina se aproximaram mais de mamãe e de mim após ouvir as palavras do segurança de Jasper.
— O que me diz, princesa? Corremos o risco até que Edward chegue, sendo que ele me mandou busca- la? Ou podemos ir embora e evitamos um tumulto?
— Filha...
Renée não precisava me dizer o que achava, sua voz doce, mas autoritária falava por si.
— Vamos lá...
Como uma garota mimada, levantei os olhos e endireitei a posição e então, comecei a andar. Passei por ele e ignorei seu braço, eu nunca daria aos tabloides uma foto que gerasse uma fofoca ou uma informação inexistente.
Meus seguranças se posicionaram a meu lado e mamãe e ele nos seguiam de perto. Alguns agentes de Angelus fizeram uma barreira a nosso redor, nos guiando para o estacionamento.
Lá, em uma parte deliberadamente reservada, nos acomodamos nos carros. Infelizmente, tive que me despedir de Sam e Zafrina, o serviço deles acabaria ali e agora retornariam a Forkian. Várias lágrimas me escaparam e pela primeira vez, em anos, vi que a postura profissional foi ao chão. Fui abraçada e beijada por ambos, palavras doces de “se cuide” e “seja feliz” ainda foram proferidas. Senti mais uma dor naquele momento, eu estava, não perdendo meus seguranças, e sim, amigos de uma vida inteira.
— Princesa, nós precisamos ir.
Dei um último adeus a eles e entrei no carro, cuja porta, Jasper segurava aberta para mim. Dessa vez não fui capaz de fugir de sua companhia. Mamãe, ele e eu iríamos, no mesmo carro.
— Não se preocupem, em meia hora estaremos em casa.
No trajeto, Jasper fez questão de enfatizar cada construção ou edifício que seu pai possuía, na verdade, ele fez questão de dizer, a cada segundo, que tudo pertenceria a ele. Fiquei pensando se Carlisle sabia que o filho ansiava por sua morte. Porque sim, só a morte do pai o levaria ao poder.
Eu me negava a imaginar que Emmett pensasse o mesmo a respeito de meu pai. Como sempre, feliz de mim e Edward que não herdaríamos nada.
— E aquele é o mercado central, na parte de cima, temos somente alimentos da agricultura familiar e sem uso de agrotóxicos, enquanto na parte de baixo, estão os grandes produtores. Esse prédio também é do governo, um desperdício, em minha opinião. Eles que formassem uma cooperativa e construíssem seu local de vendas, contudo alguns deles se encontraram com Edward e o convenceram de que precisavam de ajuda. E meu irmão “coração mole” caiu na lábia deles. Papai não estava certo, eu quase o convenci de que era um desperdício de dinheiro, mas aí mamãe entrou na jogada a favor de Edward e dos agricultores e então foi caso perdido, o rei faz tudo que a rainha quer. Presumo que elas sejam a nossa fraqueza.
— Seguir as reivindicações do povo é um desperdício para você, Jasper? Em Forkian, dizemos que isso é mais do que nossa obrigação. Seria como um retorno, do dinheiro deles. Ou em Angelus não se paga impostos?
Não me segurei. Eu trabalhava, diretamente, com pessoas de baixa renda. Eu conhecia a triste realidade da vida sofrida deles
— Claro que pagam. Eu só acho que dar tudo, “de mão beijada”, não seja o certo. Esse dinheiro poderia ter sido investido em alguma obra de maior importância.
Conti um gemido e virei meu rosto, percebendo os olhos verdes me analisando. Jasper era petulante e esnobe. Eu lamentava, por minha doce Alice.
Paramos em um sinal e senti meu celular vibrar no fundo da bolsa, revirei tudo até o encontrar.
Era Edward.
— Oi!
Virei-me para a janela e murmurei, a fim de nos dar alguma privacidade.
— Como assim “oi”, Isabella? Onde vocês estão? No painel informa que seu voo pousou há quinze minutos. Estou vasculhando esse aeroporto e não as encontro.
— Como assim, aeroporto?
— Ora como assim? Nós combinamos isso, não foi? Vocês não vieram de avião? Onde “a porra” que você está Isabella?
Virei- me para Jasper e mamãe com um olhar confuso e de terror. Edward já gritava, então percebi que algo não estava certo.
— Como assim onde estou? Estamos a quinze minutos do aeroporto.
— Quê? Com quem? “Que droga. Isabella”! Não foi isso que combinamos. Você definitivamente, vai ter que aprender a esperar.
A acidez dele me magoou, apesar de eu já imaginar que mamãe e eu havíamos sido enganadas. Não foi assim que imaginei que ele me recepcionaria.
— Estamos com Jasper. Ele disse que você havia mandado que nos buscasse. Edward, o que está acontecendo?
A respiração dele se alterou audivelmente.
— Nada, Isabella! Não está acontecendo nada. Vemos-nos em casa.
E sem delongas, desligou. Eu estava muda e petrificada. E sabia que mesmo que não tivesse culpa, a ira sobraria para mim.
Jasper mantinha um sorriso sínico no rosto.
Gemi, mais uma vez. Não era assim que imaginei minha chegada.
Edward
Acelerei mais o carro, aliás, eu podia imaginar as multas que receberia. Eu havia ultrapassado todos os limites de velocidade e furado cada sinal vermelho ou amarelo que cruzei pelo caminho.
Eu pegaria Jasper. De hoje não passava.
E de “lambuja” ainda gritaria com Bella para que ela deixasse de ser ingênua. Mas, literalmente isso não ficaria assim.
— Se você pisar um pouquinho mais no acelerador é bem provável que esse carro vá desmontar. E se prepare, porque o departamento de trânsito estará em sua sala na segunda de manhã.
Trinquei os dentes e acelerei mais.
Mais uma palavra Stephan, e eu troco de segurança hoje mesmo. Você é irritante.
— Eu não seria se você não tivesse tomado às chaves de mim. Sabe que dirigir faz parte do meu emprego, não sabe? E se eu fosse você desaceleraria ou vai passar direto da entrada do palácio.
Eu já avistava o carro de Jasper entrado nos portões de casa, eu estava na cola dele e os pegaria na garagem ainda. De hoje Jasper não me escapava.
— Olha Edward, eu não quero te desapontar, mas acho que se você for tirar satisfações com seu irmão, que não faça aqui fora. Pois, nos seremos obrigados a interferir e você não teria a chance de esfola- lo como ele merece. E eu me culparia a vida inteira, por não ter deixado você marcar, com umas boas pancadas, o “rostinho” antipático do principezinho.
— Cale-se Stephan, ou esfolo você e ele.
— Ai que medo...
Olhei para ele e fechei mais a cara. Sentindo meu humor de cão, ele se calou.
Entrei pelos portões e cruzei os jardins. Avistei de longe, Renée entrando pela porta lateral da garagem, Jasper, covardemente a seguiu e Bella estupidamente e corajosamente me esperou. Meu irmão deve ter alertado-a que eu estava há segundos, atrás deles.
Parei bruscamente o carro e desci, sem nem ao menos fechar a porta do Volvo. Stephan que se encarregasse disso.
— Você pode me explicar porque “diabos” entrou nesse carro e veio com Jasper? Nós não havíamos combinado que te buscaria? “Que porra Isabella”!
Gritei, a todos os pulmões e apontei para o carro enquanto chegava até ela. Que por instinto, de proteção, deu dois passos para trás. Eu devia pensar que a estava amedrontado, mas estava nervoso demais para raciocinar coerentemente..
— Desculpe-me, amor. Jasper disse que estava em uma reunião com sua mãe e que não poderia nos buscar, por isso, pediu para que ele fizesse isso.
— E você acreditou nessa balela? Eu não sou homem de descumprir com meus compromissos. Onde está a “porra” do seu telefone? Por que não confirmou essa informação comigo antes de fazer besteira?
Dei mais dois passos e me coloquei de frente para ela, meu dedo em riste apontava diretamente para o nariz dela.
— Eu quis te ligar, todavia, ele me impediu dizendo que você detestava ser interrompido.
— E você acreditou? Santa ingenuidade! Cresça, Isabella. Cresça...
Ela voltou a dar dois passos para trás e eu voltei a acompanha- la. Creio que esse seria o sinal para que eu me acalmasse, mas eu não o decifrei e continuei a descontar minha ira nela.
— Eu não estou entendendo, Edward. Eu errei, errei mesmo. Mas, me perdoe. Eu prometo que isso não irá mais se repetir. Eu só não estou captando o porquê dessa raiva toda.
— Mas que “porra”, Isabella! Ele quer você. Meu irmão meteu da cabeça que gosta de você e que quer você como esposa. Ele até já falou com papai. Por isso o clima está tão hostil entre nós três. Será que nem por um minuto desse seu mundinho cor- de- rosa você percebeu isso?
Quando as palavras terminaram de sair de minha boca foi que percebi o tamanho do estrago que elas causaram. Uma lágrima escorreu pela face dela e nesse instante senti que todo amor e saudade que nutrimos durante esses tempos separados, haviam sido colocados de lado.
Eu quis consola-la e pedir perdão, por ser tão estúpido, a culpa não era dela. No entanto, ela estendeu as duas mãos me impedindo de me aproximar. Já havia uma distância entre nós.
— Não eu não percebi. Em minha casa, ou melhor, em meu mundo cor- de- rosa, ou em minha vida fútil como só faltou você dizer, irmãos amam irmãos e não querem o que não lhes pertence. Eles podem até ter suas relias vez ou outra, mas sempre chegam à conclusão de que o sangue que compartilham é mais importante.
Bella, respirou fundo e olhou por cima de meu ombro.
— Em meu mundo, papai nos sentaria e nos daria uma boa lição sobre como nos comportar uns com os outros.
Acompanhei seu olhar e hesitei, ao perceber mamãe, Renée, Rose, papai e Emmett testemunhando meu ataque.
— E por fim, em meu mundo, namorados, ou melhor, noivos, confiam em seus parceiros. Contudo, se um dia algo não acontece de acordo com o que planejam, eles conversam antes de gritar. Porque sabem que gritos e palavras mal ditas podem causar um estrago irreparável em qualquer relação, ainda mais se for uma que está no início.
— Querida...
Atônito pelas palavras dela, deixei que ela desse a volta, passasse por mim e fosse de encontro a nossa família. Renée e Rose a abraçaram e a rebocaram para dentro. Carlisle as acompanhou. Esme suspirou e negou com a cabeça repetidas vezes, o olhar dela demonstrava o tamanho da decepção para comigo.
Eu estava ferrado de vez.
— É irmão, acho que você fez uma besteira.
— Eu não fiz besteira, Emm. Jasper a buscou. Ele foi a primeira pessoa que ela viu quando desceu daquele maldito avião. Era para ser eu. Nós tínhamos combinado.
— Ah, pare de agir como “menininha”, Edward! Olhe o tamanho dos seus equívocos.
— O quê?
Voltei minha cabeça para ele. Emmett nunca me pareceu tão sério em uma de nossas conversas.
— Primeiro, a sua raiva tinha que ser destinada a nosso irmão, não a sua noiva. Segundo, se ela não te viu quando chegou, foi porque você não estava lá. Terceiro, você deu a entender que ela é mimada e que vive só no mundo dela. E quarto, e o mais importante e amedrontador, nossa sogra escutou cada palavra e percebeu cada ataque seu e cada reação da filha. Creio que agora nem mamãe te salve.
Uma pequena vertigem e um medo infundado me atingiram, “um mundo de possibilidades” se abria, perante o clareamento de ideias e percepções que Emmett me apresentava.
— Se prepare para se ajoelha e implorar, irmão. Porque, creio que terá que fazer muito isso e não somente a Bella.
Fechei os olhos e levei as mãos aos cabelos.
Eu havia feito besteira, de novo.
E que Deus me ajudasse, pois eu estava a poucos dias de realizar o maior desejo de um homem, e incrivelmente, havia colocado isso em risco.
Acho que meus segundo nome é, literalmente, idiota.
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