Notas iniciais
Como prometido, uma antecipação excepcional na postagem de um capítulo. Isso se deu porque eu tive de dividir o capítulo da ida de Hermione para Hogwarts em duas partes para não ficar grande demais. Domingo eu vou postar o novo capítulo, mas deverá ser no final da noite, pois deverei participar de uma atividade que irá me ocupar o fim de semana todo, e só no final da noite de domingo poderei fazer a postagem. Espero que gostem do novo capítulo, mais um que é importante para a construção dos personagens.

O ambiente era tão maravilhosamente caótico quanto ela se lembrava. Ao atravessar a coluna que levava a plataforma onde embarcaria para Hogwarts, Hermione recordou toda a emoção dos seus onze anos, uma nascido-trouxa descobrindo um mundo totalmente novo diante de si. Ele lembrou-se do dia em que a professora Minerva falou com seus pais, explicando que todos os acontecimentos estranhos que vinham ocorrendo com Hermione era porque ambos tinham uma filha bruxa. Na época, Hermione sentiu que um enorme peso fora tirado de suas pequeninas costas. Era não era uma esquisita envolvida em situações estranhas afinal. Quando viu Minerva demonstrando seus poderes para comprovar o que estava dizendo, sentiu-se maravilhada; perguntou se seria capaz de fazer aquilo, e foi informada que seria capaz de fazer muito mais.

Lembrar da professora Minerva lhe deu uma pontada de tristeza. Hermione sabia que fora a morte dela que a fez chegar àquele momento. Ela estava a poucos minutos de embarcar no trem da sua infância, para sua amada Hogwarts, agora como professora, não como aluna, mas a expectativa continuava sendo a mesma. Ela viu os alunos se despedindo dos pais; mães aflitas e cheias de conselhos, lembrando a senhora Weasley. Ela se via nos alunos que iriam para o seu primeiro ano, cheios de medo e deslumbramento, como ela nos seus onze anos. Seus pensamentos, no entanto, foram interrompidos bruscamente. Sentiu seu braço direito sendo agarrado com muita força.

– Sentiu minha falta, querida? – o homem diante de si era forte, e manteve seu braço preso como envolto em garras.

– Quer fazer o favor de me soltar Vitor – ela disse, já sentindo seu braço dolorido.

– Nós precisamos conversar Hermione – há muito tempo que ele perdera o sotaque pesado de quando o conhecera, agora era um leve tom francês, pois ele já estava morando naquele país há muitos anos.

– Não temos mais nada a conversar Vitor – ela continua tentando se desvencilhar dele sem sucesso – quer soltar o meu braço, você está me machucando.

– Eu me lembro bem de que você gostava desse jeito quando estávamos na cama – ele disse sorrindo.

Hermione corou ao ouvir aquilo. O mais embaraçoso, no entanto, foi ter de admitir que ele não estava mentindo, embora naquele momento ela estivesse muito longe de se sentir excitada com o que estava acontecendo. Era um misto de medo, embaraço e irritação. Ela via as pessoas à sua volta encarando os dois e sentiu-se ainda mais irritada e embaraçada.

– O que você está fazendo? – uma voz se fez ouvir – quer fazer o favor de soltá-la, cara – Vitor e Hermione se viraram em direção à voz que tinham ouvido.

– O que você quer aqui, Weasley? – disse Vitor – o seu tempo já foi, trate de ir embora.

– Acho que quem não se deu conta sobre seu tempo ter passado foi você, Vitor – Ronald Weasley sacou sua varinha e apontou para ele – solte-a imediatamente, ou o seu time ficará desfalcado de você por algum tempo – Vitor olhou para ele com ódio, mas fez o que foi dito.

– Você não devia se meter onde não foi chamado Weasley – disse Vitor, um tom bem ameaçador na voz.

– Vá embora Vitor – disse Hermione, enquanto esfregava o braço – e nunca mais me aborde desse jeito, caso contrário vou dar queixa de você.

– Eu vou embora sim, mas não pense que não vamos ter uma conversa definitiva – ele vai embora e Hermione sente-se aliviada com isso.

– Obrigada Ron.

– Está tudo bem – ele disse, enquanto guardava a varinha – mas eu acho que você devia tomar alguma providência contra esse cara.

– Se isso continuar assim, pode ter certeza que vou – ela disse – o que você está fazendo aqui?

– Eu queria me despedir de você – disse Ron – não tivemos chance de conversar ontem.

– Eu me lembro que você ficou muito ocupado com uma certa loira – disse Hermione, agora sorrindo ao ver seu antigo namorado corando até ficar com o rosto quase tão vermelho quanto os cabelos.

– Tem sido legal... eu e a Luna – disse ele – eu sei que vocês conversaram bastante na festa, mas não sei bem o que ela falou sobre nós.

– Ela me disse que vocês estão levando tudo sem estabelecer maiores compromissos – disse Hermione.

– É... é por aí – disse Ron – está nervosa para trabalhar em Hogwarts?

– Um bocado, mas estou feliz também.

– Você vai ser ótima – disse Ron – E reforçando o pedido do Harry, não se esqueça de tirar uns 200 pontos da Sonserina. – Hermione riu com gosto, o problema com Vitor momentaneamente esquecido.

– Seu bobo – ela disse. Ambos ficaram se encarando e sorrindo até que Hermione tomou a iniciativa de abraçá-lo – fico muito feliz por você ter vindo se despedir, Ron.

– Eu também estou feliz por ter vindo, Mione – eles continuam abraçados mais um pouco. Hermione nota uma mancha no pescoço de Ron, claramente um forte chupão.

– Pelo visto a Luna não estava brincando quando disse que ia “estuprar” você – ela sorriu ainda mais ao ver o amigo encabulado.

– É melhor você ir, o trem já está saindo – ambos se despediram e Hermione embarcou no trem.

***********************************

Seu braço ainda estava ligeiramente dolorido enquanto ela seguia com sua maleta até o vagão dos professores, procurando ignorar o olhar atento dos alunos à sua volta. Ao chegar no lugar que buscava ela ainda ficou algum tempo diante da porta, o nervosismo crescendo dentro de si, mas Hermione respirou fundo e tratou de entrar. Já havia muitas pessoas lá. Ela conhecia quase todos, pois foram seus professores em Hogwarts. Era estranho vê-los agora como colegas. Uma voz conhecida se dirigiu a ela.

– Hermione, que prazer rever você. Sente-se ao meu lado querida.

– Obrigada professora Sprout – disse Hermione, sentando-se na cadeira que lhe foi indicada.

– Acho que você deve dispensar essa formalidade querida, somos colegas agora, pode me chamar de Pomona – disse a sua antiga professora.

– Obrigada prof... Pomona – ela olhou em volta – não estão todos aqui.

– O diretor Snape, e Hagrid, já estão em Hogwarts – disse o seu antigo professor de Feitiços, Filius Flitwick – Remus e Sirius só costumam aparecer no vagão quando o trem já está em movimento.

Ouvir sobre os professores que ainda não estavam presentes deixou Hermione ligeiramente apreensiva. Como será o comportamento de ambos depois do que houve naquela noite? Ela não encontrou mais nenhum dos três Mestres que a iniciaram no BDSM depois da sessão que teve com todos, a exceção de Remus, com quem teve apenas uma breve conversa na festa dos Weasley, e tanto ele quanto Tonks não fizeram qualquer menção à sessão daquela noite. Hermione estava preocupada como seria tratada por eles, e por Snape, no dia-a-dia em Hogwarts. Eles a veriam como uma colega, como os outros presentes? A resposta dela não demoraria a ser dada, pois Sirius e Remus entraram no vagão no instante seguinte. Eles olharam para Hermione e ela não teve como não corar diante dos dois.

– Veja só quem está aqui, Senhor Almofadinhas – disse Remus – parece que teremos uma nova colega de docência em Hogwarts.

– Sem dúvida Senhor Aluado – disse Sirius – como vai senhori... quer dizer, professora Granger? Nervosa para suas primeiras aulas?

– Um pouco... Senhor Almofadinhas – Hermione decidiu entrar na brincadeira – mas estou confiante de que vou me sair bem.

– Não deixe que eles percebam que está nervosa – Disse Sirius – eles sentem o cheiro do medo, irão “devorar” você se perceberem que está como medo.

– Seguirei o seu conselho, obrigada.

– Tome especial cuidado com os alunos do sétimo ano – disse Remus – até pela pouca diferença de idade, eles podem achar que não haverá problema em tomar certas liberdades.

– É claro que você também pode utilizar isso a seu favor – disse um sorridente Sirius – seria bem divertido.

– Não creio que “divertido” seja a palavra certa, Sirius – disse a professora Sprout – “inapropriado”, essa sim, me parece a palavra correta.

– Está tudo bem... Pomona – disse Hermione – creio que encontrarei um jeito bem apropriado de lidar com os alunos.

– Confiamos em você minha querida – disse o professor Flitwick.

– Como você está se sentindo nesta cadeira Hermione? – perguntou Remus.

– Estou bem obrigada – ela notou um repentino silêncio entre os colegas no vagão – o que houve?

– Essa é a cadeira onde Minerva sentava – disse a professora Sprout.

– Oh Merlin! Eu não podia imaginar. Talvez seja melhor eu... – Hermione fez menção de se levantar.

– Oh não, querida, por favor – Pomona Sprout segurou delicadamente o braço de sua jovem colega – eu ofereci a cadeira porque tenho certeza de que Minerva adoraria que você a ocupasse – ela sorriu para Hermione – eu perdi a conta das vezes que a ouvi dizendo como você era sua aluna preferida.

– É sério? – Hermione sentiu-se tocada ouvindo aquilo. Seus olhos ficaram úmidos, pois Minerva MacGonagall fora sua professora preferida em Hogwarts.

– Seja bem-vinda Hermione – disse Sirius. Dessa vez não havia qualquer sinal da habitual ironia em sua voz – creio que falo em nome de todos aqui quando tenho certeza de que Minerva ficaria muito feliz por ser você que, de certa forma, a está substituindo em Hogwarts – Hermione sentiu-se aquecida por ver que Sirius estava sendo sincero, e realmente vocalizando a opinião de todos naquele vagão.

– Você sabe que é a mais jovem docente da história de Hogwarts, Hermione? – perguntou Remus.

– Eu sei sim Remus – respondeu ela – eu li isso em...

– Deixe eu advinhar – disse Sirius, agora de volta a seu modo irônico – você leu em “Hogwarts, uma história”.

– Sim Sirius, eu li neste livro – disse Hermione.

– Porque você aceitou a oferta Hermione? – perguntou Remus – eu imaginaria você em outras ocupações muito melhor remuneradas. Até mesmo entre os Trouxas.

– Na verdade eu tenho planos de novos estudos numa universidade Trouxa, mas precisaria de um grau de Mestre em poções no mundo bruxo para obter os documentos mágicos necessários para isso – respondeu Hermione.

– Isso significa que você será professora em Hogwarts por cinco anos? – perguntou Pomona Sprout.

– É o que eu pretendo Pomona. Eu também preciso de um trabalho original de pesquisa e Hogwarts é o melhor local para encontrar o material necessário para isso.

– Que tipo de estudo você pretende ter numa universidade Trouxa, Hermione? – perguntou Filius.

– Eu pretendo me especializar em química e bio-química – ela respondeu – na verdade eu pretendo encontrar uma síntese entre os avanços científicos dos Trouxas nessas áreas com o nosso conhecimento no preparo de poções. Acho que podemos ter avanços significativos nessa área se fizermos isso.

– Isso é muito interessante – disse Filius, que parecia realmente impressionado – mas entre as aulas e pesquisas em Hogwarts, e depois uma universidade Trouxa, creio que não sobrará muito tempo para a vida pessoal. Uma jovem bonita como você não pode se dedicar exclusivamente a trabalho e estudos.

– Creio que Filius está falando de namorados Hermione – disse Remus – você acha que alguém aceitaria dividir a sua atenção com esse tanto de trabalho e estudos?

– Nunca é muito fácil conciliar relacionamento, ainda mais sendo amoroso, com trabalho, mas é perfeitamente possível – disse Pomona – eu costumo ficar bastante tempo afastada de meu marido por conta do meu trabalho em Hogwarts, ainda mais por ele ser Trouxa, mas nós conseguimos lidar com isso.

– Eu fico feliz por você Pomona – disse Hermione – e confie em mim, tenho certeza de serei capaz de encontrar um tipo de relacionamento que me permita conciliar todos esses planos que tenho para minha vida – ela olhou discretamente para Sirius e Remus após terminar de falar; se eles sentiram algo ao ouvir isso, disfarçaram muito bem.