Trying To Fix A Broken Heart
18 Um Thanksgiving inesquecivel
Notas iniciais
Nesse capitulo temos a presença de algumas pessoas que todos amamos e uma que todos nós odiamos.
Boa leitura (:
Quinn
A luz do sol entrou pela janela e me fez xingar por ter esquecido de fechar a janela antes de dormir, era dia de Ação de Graças e competição do coral mas eu queria dormir um pouco mais, o dia de ontem tinha sido cansativo e eu não tinha conseguido repor todas minhas energias ainda.
“Quinn, seu amigo está ai embaixo.” Frannie avisou entrando no quarto com Ken atrás dela.
“Que amigo?” Perguntei e Fran franziu a testa. Ela era sempre foi horrível para gravar nomes e eu sempre implicava com ela por isso.
“Um loiro alto com lábios enormes.” Ela respondeu ainda com a testa franzida.
“Sam.”
“Isso ai, Sam. Eu ia lembrar Quinnie.” Ela brigou comigo e eu joguei uma almofada na cabeça dela rindo. Ken riu também e pegou a almofada para jogar em mim. “Antes que vocês comecem uma guerra, seu amigo esta te esperando então anda logo Quinn.”
Frannie saiu do quarto puxando um Ken emburrado pela mão e eu levantei para lavar o rosto, me olhei no espelho e eu estava usando uma camiseta antiga do Sam sem nada por baixo, coloquei um short e desci do jeito que estava mesmo.
Sam estava sentado na mesa da cozinha conversando com Richard enquanto minha mãe tentava convencê-lo a comer algo enquanto ele balançava a cabeça todo nervoso.
“A que devo a honra de sua presença?” Perguntei entrando na cozinha. Dei um beijo na minha mãe e sentei ao lado de Richard ficando de frente para Sam.
“Você vai tomar café da manha?” Ele perguntou enquanto eu pegava algumas panquecas no tabuleiro e colocava no meu prato.
“Sim, porque eu não tomaria?”
“Você esqueceu que ia tomar café com a Rach hoje.” Na hora que ele falou eu larguei as panquecas na mesma hora e olhei para o relógio.
“Merda, eu esqueci completamente.” Levantei rápido da cadeira e sai correndo para o quarto. Ele correu atrás de mim deixando minha família olhando para nós dois como se fossemos malucos. “Que droga, já são 8h30 e eu to super atrasada.”
“Quinnie, relaxa. Você só precisa trocar de roupa e voar para a casa da Rachel.”
“É tá certo, vira de costas ai.” Ele riu e virou de costas para mim e eu puxei a blusa indo em direção ao armaria procurar uma roupa. Coloquei uma calça jeans e uma blusa azul com mangas curtas. “Ta bom?” Sam virou pra mim e sorriu.
“Tá ótimo, agora vai embora.”
“Ok, você se importa de ir andando?”
“Não Quinn.”
“Ok.” Nós descemos as escadas, Sam se despediu de todos e eu avisei que ia encontrar com uma amiga e mais tarde estaria em casa e saimos. “Sam, o que você veio fazer aqui?”
“Eu te liguei varias vezes e você não me atendeu, imaginei que estivesse dormindo.”
“Obrigada Boo, se não fosse por você eu estaria perdida.” Dei um abraço nele e entrei no carro. Dei partida e acelerei para a casa de Rachel, tinha só 15 minutos para chegar lá.
-XX-
Quinn estacionou o carro na frente da residência dos Berry as 9h em ponto e tinha certeza que chegariam algumas multas na casa de sua mãe depois. Tocou a campainha e ficou andando de um lado para o outro na varando esperando.
“Quinn.” Leroy chamou o nome dela e ela parou de andar. O homem sorriu para ela e a puxou para um abraço que ela retribuiu animada, sentia saudade dos Berry e eles sempre foram muito legais com ela.
“Olá Leroy, como está?” A loira sorriu para o homem a sua frente e o seguiu para dentro de casa. “Olá Hiram.” Ela acenou para o outro pai de Rachel que estava na cozinha preparando alguma coisa.
Os homens Berry eram muito diferente um do outro. Leroy era baixinho, tinha cabelos brancos, gostava de fotografia e sempre foi super gentil com ela e falava muito. Já Hiram era alto, usava óculos e tinha um cabelo curto mas não era grisalho, a loira sabia que ela era médico mas isso quem a contou foi Rachel porque ele não era muito de falar perto dela e tinha um pé atrás com a loira perto de sua filha. Mas Quinn nunca se sentiu indesejada perto da família Berry, os dois homens sempre foram muito educados com ela e receptivos.
“Quinn querida, a estrelinha esta lá em cima mas ainda não está pronta.” Leroy avisou a loira enquanto se sentava na mesa da cozinha junto com o marido. “Você pode subir se quiser.” Ele sorriu pra ela e virou sua atenção para o homem ao seu lado, a loira sorriu para os dois e decidiu subir para dar privacidade aos pais de Rachel.
Quinn conhecia a casa da morena porque no ultimo ano de ensino médio tinha passado alguns finais de semana ali, foi até a porta do quarto da cantora e parou na frente. Rachel estava cantando alguma musica animada e a loira abriu a porta do quarto rindo.
“Rach.” Quinn colocou a cabeça para dentro do quarto e Rachel parou de cantar na hora que seus olhos cruzaram com os olhos da loira. A morena estava com um short jeans e de sutiã, e a imagem fez a loira ficar com água na boca. “Eu não devia ter entrado sem bater, foi mal.” Quinn colocou a cabeça para fora do quarto e fechou os olhos para tentar tirar a imagem do abdômen definido e os peitos de Rachel da cabeça, apesar de serem amigas elas não trocavam de roupa uma na frente da outra. Rachel era muito envergonhada e a loira dava graças a Deus por isso, se ela visse a morena sem roupa muitas vezes sabia que não ia conseguiu suportar por muito tempo.
“Quinn pode entrar. Você já viu mesmo.” Rachel abriu a porta do mesmo jeito que estava antes com um sorriso no rosto. A morena tinha um brilho nos olhos que prendiam a atenção da loira tanto quanto os seios dentro do sutiã preto a sua frente.
“Ok.” Quinn entrou no quarto e sentou na cama enquanto Rachel foi até o armário. “Você está atrasada Berry.”
“Eu sei ok, mas não sei o que vestir.”
“Você acha que um short é uma boa ideia? Rachel, pode até estar sol, mas tá meio frio lá fora.” A morena virou para ela e foi ate a janela, deu uma olhada ali e assentiu.
“Você tem toda a razão Q.” Rachel foi até o armário, pegou uma calça jeans escura e jogou em cima da cadeira que tinha ali ao lado. Quinn já tinha desistido de tentar não olhar para a morena e estava praticamente babando na bunda e pernas da morena a sua frente. Rachel puxou o short para baixo e ficou só de lingerie.
“Santo Deus.” Quinn arregalou os olhos e Rachel virou para encara-la. A loira estava vermelha e seus olhos estavam pregados na morena a sua frente. Rachel sorriu para ela e foi andando em direção a loira até estar parada na frente dela.
“O que foi Quinnie?”
“Você só pode estar tentando me matar.” Quinn respondeu, fechou os olhos e tentou respirou fundo algumas vezes. Abriu os olhos e Rachel olhava para ela com um sorriso malicioso e os olhos brilhando. A morena se abaixou e colocou a boca perto do ouvido de Quinn.
“Eu nunca tentaria matar você Quinnie.” Rachel sussurrou ali perto e Quinn apertou a madeira da cama para controlar a vontade de tocar a pele nua da morena porque aquilo estava deixando ela louca.
“Então sai de cima de mim e por favor coloca uma roupa, de preferência uma que deixe só seu rosto aparecendo.” Rachel gargalhou e saiu de perto de Quinn. Colocou uma calça e um suéter que fez a loira rir e sentou ao lado dela.
“Melhor?”
“Sim.” A loira respondeu rindo e puxou Rachel para perto dela, deu um beijo na bochecha da cantora e a abraçou. “Bom dia vida.”
“Bom dia linda.” Quinn deu um sorriso e levantou da cama puxando Rachel junto.
“Vamos logo porque eu estou morrendo de fome.”
“Como sempre né senhorita Fabray.” Rachel riu e desceu as escadas com Quinn atrás dela. Avisou aos pais dela que iria tomar café na rua com a loira e foram embora em direção ao shopping.
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Quinn
Dirigir estava sendo um problema sério, muito sério pra mim nesse momento simplesmente porque eu não conseguia tirar a imagem de Rachel Berry seminua na minha frente e como aquilo tinha me deixado afetada. Ela estava sentada do meu lado cantando junto com o rádio e nos intervalos das musicas elas falava qual cantor tinha usado auto-tune em tal musica e qual não tinha. Estacionei o carro no shopping de Lima e ela parou de cantar para me dar uma careta confusa.
“O que estamos fazendo aqui?”
“Vamos tomar café da manha.”
“Porque aqui?”
“Porque se eu te levasse ao Lima Bean nós íamos encontrar com todos os nossos amigos e eu não estou afim de aguentar o humor da Santana a essa hora da manha.” Ela riu e concordou. “E também porque tem uma cafeteria aqui que eu adoro, quase ninguém a conhece porque a maioria das tortas são vegetarianas.” Na hora que eu falei isso, Rachel abriu um sorriso enorme e se jogou em cima de mim para me abraçar.
Saímos do carro e Rachel pegou minha mão enquanto andávamos e eu sorri porque mesmo que a gente já tivesse andando assim antes quando eu fui visita-la em NY, era diferente agora porque ela sabia o que eu sentia e eu estava em Lima. Quando chegamos na frente da cafeteria ela olhou para as tortas na vitrine e começou a pular na porta.
“Rach, nós podemos entrar e comer as tortas ao invés de ficarmos aqui as admirando?”
“Claro, vamos.”
Ela me puxou pela mão e entrou na cafeteria como se fosse uma criança entrando em uma loja de brinquedos, olhava para todos os lados e apontava para as coisas.
“Quinn, eles tem um palco bem ali.” Ela apontou para um canto e eu franzi a testa porque já tinha ido ali naquele lugar outras vezes e nunca tinha reparado que tinha um palco. Virei a cabeça para onde ela estava apontando e comecei a rir porque não era bem um palco, era um tabladinho aonde tinham algumas mesas.
“Rach, eu não acho que a função daquele tablado seja a mesma de um palco.”
“Quinn, um palco é um palco.” Ela respondeu e foi em direção ao balcão.
A cafeteria era popular entre as pessoas vegetarianas da cidade e sempre tinham algumas pessoas sentadas nas mesas comendo alguma torta. A atendente era uma menina de olhos verdes, que usava um boné e só mostrava os cabelos laranjas da franja. Ela não parecia ter mais de 17 anos e olhava entediada para a televisão sem nem ao menos dar atenção a Rachel que falava sem parar.
“Quinn o que você vai comer?” Rachel virou para mim assim que encostei no balcão ao lado dela.
“Eu não sei, talvez uma torta de limão com raspas de chocolate.”
Rachel olhou para a torta que eu disse que ia comer e fez que não com a cabeça, a atendente agora olhava para mim e para Rachel.
“O que você sugere?” Rachel me perguntou colocando a mão em cima da minha.
“Você não gosta de limão, certo?”
“Sim, não é minha fruta favorita.”
“Você gosta de chocolate?”
“Chocolate vegan, sim.” Ela enfatizou o vegan e eu dei um risada. “Então baby, o que você acha que eu devo comer?”
“Uma de chocolate com certeza. E talvez você queria colocar raspas ou pedaços de morangos por cima.”
“Morangos são bons.” Rachel sorriu para mim e olhou para a torta que eu tinha indicado para ela. “Uma torta de chocolate com pedaços de morango e uma de limão com raspas de chocolate por favor.” Ela pediu a atendente que assentiu.
“Um café gelado e um expresso com leite com chantily por favor.” Eu acrescentei e Rachel acenou e sorriu pra mim. “Porque você não pega um lugar?” Ela assentiu e foi procurar uma mesa
“Deu 24,65” A atendente falou fazendo eu tirar os olhos de Rachel.
Peguei uma nota de vinte e uma de cinco e estendi para a menina. “Pode ficar com o troco.”
“Obrigada.” Ela sorriu e saiu para pegar nossos pedidos. Depois de colocar tudo na bandeja ela foi até o computador e voltou com um papel na mão. “Esse é o meu telefone, me liga quando a sua namorada der uma folga.” Ela sorriu, pegou minha mão e colocou o papel ali.
“Acho que não vai rolar.” Olhei no papel e li o nome dela. “Melissa, não vai rolar.”
Rachel tinha escolhido uma mesa no tablado, sentei ao lado dela e distribui nossos pedidos pela mesa.
“Uma diva de verdade faz tudo em cima do palco, até tomar café da manha.” Ela falou apontando para o tablado de madeira e eu comecei a rir. “E obrigada por pedir o café, esses bolos me distraíram e se eu ficasse sem cafeína, não quero nem imaginar como seria esse dia.”
“De nada Rach.” Ela sorriu e nós comemos em silencio.
“Aqui é muito gostoso Quinn, como eu nunca descobri esse lugar antes? Eu passei o ano passado inteiro tomando café no Lima Bean.” Ela reclamou e fez um biquinho no final.
“Simples. Porque você namorava o Finn e não eu.” Ela olhou pra mim e sorriu sem graça. “Você fica linda quando cora Rachel.” Passei a mão no rosto dela e ela sorriu de novo.
“Obrigada Quinn.” Ela se aproximou de mim e deu um beijo na minha bochecha, perigosamente perto da minha boca. “O que é isso?”
Ela apontou para o papel que a tal da Melissa tinha me dado com o telefone dela que eu tinha deixado cair na bandeja.
“É o telefone da atendente.” Respondi com calma e ela arregalou os olhos pra mim.
“Como é que é?”
“É, ela me deu o telefone dela.” Rachel estava vermelha e olhando para a menina com raiva, estava com ciúmes e eu decidi brincar um pouco com isso. Soltei uma risada e dei de ombros.
“Você acha isso engraçado Quinn Fabray?”
“Na verdade eu acho Rach. Ela tirou os olhos da atendente e olhou séria para mim. “Eu não esperava receber uma cantada de uma mulher em Lima.”
“Foda-se que é Lima.” Ela respondeu em um tom de voz alto que chamou atenção de todo mundo que estava no restaurante, inclusive da atendente.
“Rachel, para de gritar.”
“Eu não estou gritando.” Ela respondeu aumentando mais ainda a voz e as pessoas estavam olhando pra gente. “Você quer que eu vá embora para você pode ir lá ficar com essa atendente piranha?”
“Rachel, claro que não. Para de falar besteira.”
“Você acha que é besteira Fabray? Imagino que você ia adorar que eu saísse para jantar com você e flertasse com o garçom do restaurante né?”
“Flertar? Rachel, ela me deu o telefone dela porque ela quis.”
“Você não deve ter dado motivos né?”
“O que? Claro que não. Eu nem olhei na cara dela direito.” Ela olhou para a atendente que estava roxa de vergonha a essa altura porque todos os clientes prestavam atenção na nossa discussão e olhavam para ela.
“Devia então, ela é bonita. Talvez faça mais o seu tipo.”
“Rachel para.” Eu puxei o rosto dela para ficar de frente com o meu. “Você é o meu tipo. Desde que eu te conheci, você sempre foi o meu tipo. Não tem porque você sentir ciúmes de mim, é você que eu amo.” Eu sussurrei para só ela escutar e falei olhando nos olhos dela. Ela olhou para baixo e corou.
“Desculpa.” Eu puxei o rosto dela pra cima e ela assentiu. “Que vergonha, todo mundo está olhando pra gente.” Ela sussurrou e eu olhei para o lado para ter certeza. Todos os clientes estavam prestando atenção em nós duas e a tal da Melissa estava tomando uma bronca de alguém que provavelmente é o gerente dela.
“Vamos embora.” Levantei e estendi a mão para ela e saímos da cafeteria de mãos dadas.
Quando estávamos escada rolante Rachel começou a rir do mico que tinha feito nós duas pagarmos.
“Adorei a cafeteria, uma pena que nunca mais vou voltar lá.”
“Porque Rach?”
“Quinn olha o mico que eu paguei.” Ela disse sussurrando e eu comecei a rir dela.
“Rach, quando você for uma estrela as pessoas que viram essa cena vão falar ‘Eu conheço Rachel Berry, já vi uma briga dela com a esposa enquanto elas eram jovens e coitada daquela mulher.”
Rachel soltou minha mão e parou de andar. Virei para trás para vê-la com os olhos arregalados olhando pra mim.
“O que?” Perguntei sem entender.
“Você disse que vai ser minha esposa quando eu for famosa.”
“Não vou mentir para você Rach, é o que eu quero.”
“Sério? Você gosta de mim mesmo eu sendo uma louca ciumenta?”
“É claro, se não fosse pela sua personalidade de diva você seria perfeita e isso não seria legal porque pessoas perfeitas não existem.”
Ela sorriu para mim e me puxou para abraça-la, a levei para um banco que tinha ali perto das escadas e sentei ali com ela.
“Você é perfeita.” Ela bateu o dedo indicador no meu peito.
“Perfeita em ser cheia de defeitos.”
“Quinn para com isso ok. Você é linda, inteligente, divertida, talentosa, amável, gentil e romântica. Você é incrível.”
“Rachel querida eu admito que tenho essas qualidades ai mas não é assim. Eu sou covarde, fujona, fraca, egoísta, fútil...”
“Quinn não. Você era mas não é mais, você mudou e virou uma pessoa incrível. Você não é mais fútil ou egoísta.”
“Você acha?”
“Acho. Eu não me apaixonaria por alguém egoísta.” Ela sorriu e eu olhei assustada para ela.
“Como é que é?”
“Eu pensei muito ontem Quinn, e eu cheguei a conclusão que todo esse tempo eu tinha sentimentos por você que não deixavam eu ficar longe mesmo quando você me machucava. E ontem eu queria muito ficar com você, se você não tivesse saído correndo nós teríamos transado com certeza. Eu acho que eu te amo Q.”
Ela sorriu para mim e eu olhei para ela tentando captar o que ela tinha me dito, ela me amava. Rachel Berry me amava.
“Rach, eu...”
“Não fala nada Quinn.” Olhei para ela e mais uma vez ela tinha um brilho no olhar. “Eu vou te beijar, bem agora.”
Rachel colocou os braços em volta do meu pescoço e aproximou o rosto do meu, segurei na cintura dela e a puxei para mais perto de mim. Colei minha boca com a dela e ela passou a língua nos meus lábios, abri a boca e a língua dela deslizou pela minha boca. O gosto de café ainda na boca dela e a língua macia, aquilo era o céu. Rachel me beijava no ritmo dela, passando a língua por toda a minha boca e depois chupando meu lábio inferior. Aquilo era bom mas decidi mudar o ritmo, chupei a língua de Rachel e ela gemeu contra minha boca.
“Rach, pera ai um pouco.” Descolei meus lábios dos dela mas não separei nossos corpos.
“O que foi Quinnie?”
“Nós estamos no meio de um shopping.” Ela assentiu e tirou a mão do meu pescoço.
“Nós podemos ir pra casa?”
“Sim, mas eu não vou passar o dia com você.” Ela olhou pra mim com um biquinho. Eu sorri e dei um beijo nela.
“Porque não?”
“Eu gostaria de passar um tempo com minha familia, me reaproximar da minha mãe e da minha irma. Eu tenho um sobrinho e quero fazer parte da vida dele sabe.”
“Eu entendo Quinnie.” Ela sorriu mas fez uma carinha triste.
“Você pode ir comigo se quiser. O Ken vai gostar de você.”
“O nome do seu sobrinho é Ken?”
“Kenneth David Green.”
“É um nome bonito.” Ela sorriu e levantou do banco. “Quero ir embora Q.”
“Ok, vai querer ir lá pra casa?”
“Não, eu vou passar o dia com meus pais.”
Levantei do banco e puxei Rachel para perto, dei um beijo rápido nela e ela sorriu. Passei o braço por cima do ombro dela e saímos do shooping abraçadas. No caminho de volta fomos ouvindo musica de novo mas dessa vez Rachel não fazia mais nenhum comentário. Parei em frente a casa dela e os pais dela estavam sentados na varanda de mãos dadas, nós duas nos olhamos e sorrimos para a cena.
“Voces demoraram hein.” Hiram comentou assim que saímos do carro.
“Quinn me levou em uma cafeteria vegetariana que tem bolos deliciosos.” Rachel comentou sorrindo para os pais e eu sorri junto.
“Sério estrelinha? Eu não sabia que Lima tinha um lugar assim.” Leroy perguntou olhando para Rachel maravilhado.
“Sim tem, e é maravilhoso Leroy.” Quinn respondeu ao homem sorrindo.
“Nós temos que ir lá querido.” Ele comentou com o marido e Hiram sorriu para ele enquanto apertava a mão dele. Eu e Rachel sorrimos e ela olhou para mim novamente. Hiram franziu a testa para nós duas e eu corei.
“Voces precisam ir mesmo, é maravilhoso.” Eu comentei sorrindo e Hiram ainda me encarava. “Eu preciso ir senhores Berry.”
“Mas já Quinn?” Rachel e Leroy perguntaram ao mesmo tempo.
“Sim, minha irmã esta em casa com meu sobrinho e meu cunhado e eu quero passar um tempo em família.” Leroy sorriu para mim.
“Ok então Quinn. Tenha um bom dia.”
“Obrigada Leroy.” Respondi e fui até o carro com Rachel atrás de mim.
“Nos vemos mais tarde?” Rachel perguntou apoiada no carro olhando pra mim.
“Com certeza baby.” Rachel sorriu e me abraçou. “Rach você precisa saber que Shelby e Beth estarão lá mais tarde.”
“Okay Quinn.” Ela sorriu para mim e olhou para os pais dela que estava conversando entre si e puxou meu rosto para perto do dela me dando um selinho rápido. Dei um beijo na testa dela e entrei no carro para ir pra casa.
-XX-
Quinn
Eu, Rach, Santana, e Puck estávamos chegando juntos no McKinley aonde seria a competição. Santana e Puck queria chegar só para a apresentação do ND mas Rachel veio fazendo um monologo da importância de ver a concorrência para comparar com o New Directions e corrigir erros no futuro. Como eu era dona do carro eu decidi que iríamos ver todos as apresentações e Santana me xingou por seu pau mandado da Rach.
Santana foi atrás de Brittany, Rachel foi encontrar com Kurt e ficamos eu e Puck. Ele olhava para o celular toda hora e depois de uns cinco minutos acenou para alguém. Ele levantou sorrindo e meus olhos acompanharam os dele e foi então que eu vi uma mulher morena alta com traços fortes vindo na nossa direção sorrindo e uma menininha loira correndo com um sorriso no rosto na direção de Puck.
“Papai.” Ela deu um pulo para frente e se jogou em cima de Puck que a segurou no ar. Meu coração parecia ter falhado, eu não tinha certeza se estava respirando porque aquela menininha linda ali na minha frente era a minha filha, a minha Beth. Ela era tão linda e era alta para uma menina de 4 anos, ela ria de alguma coisa agarrada no pescoço do Puck e a risada dela era o som mais lindo que eu já tinha escutado na vida. Ela desceu do colo do pai, arrumou o vestido e olhou pra mim, com um semblante meio confuso e arqueou a sobrancelha, eu ri e arqueei a minha de volta e ela começou a rir de novo. “Quem é essa?”
“Acho que você já imagina quem é querida.” Shelby respondeu a pergunta da pequena e sorriu para mim.
“É a Quinn?” Ela perguntou olhando para o pai e ele acenou com a cabeça, ela sorriu pra mim e eu sentia tanta vontade de chorar e de abraçar ela e de falar um monte de coisa, mas eu não conseguia fazer nada. Um lado meu estava magoado por ela ter me chamado pelo nome mas o outro estava pulando de felicidade só por estar falando com a minha filha. “Olá Quinn. Eu sou a Beth, mas isso você já sabe é claro porque você é minha outra mãe e apesar de não me lembrar de você, eu estou muito feliz por finalmente conhecer a mulher mais linda do mundo. É assim que todos chamam você aqui nessa cidade e isso é muito bom porque todo mundo diz que eu me pareço com você, então eu vou ser linda quando crescer também.”
Ela terminou de falar com um sorriso sonhador no rosto e eu arregalei os olhos para aquela coisinha tão pequenininha falando tanto coisa em tão pouco tempo. Puck riu da minha expressão assim como Shelby e eu e a pequena menina loira olhamos para eles com a sobrancelha arqueada sem entender.
“O que?” Nós duas perguntamos juntas e Puck parou de rir e arregalou os olhos.
“Vocês são absurdamente iguais, é assustador pra caramba.” Ele falou levantando as mãos e sorrindo. “Ela lembra a alguém quando começa a fazer isso, não lembra?” Ele perguntou pra mim apontando para Beth que ainda mantinha um bico e a sobrancelha esquerda levantada para o pai.
“Sim. Pequena, muitas palavras por segundo e atrevida. Voces tem certeza que ela não é filha da Rachel?”
“Do que vocês estão falando?”
“Da Rachel, eu já te falei sobre ela algumas vezes.” Puck se abaixou para ficar na altura da filha.
“A sua princesa judia que tem uma voz dos deuses? Sim você já me falou pai.” Beth respondeu balançando a cabeça e ironizando tudo que falava, Puck deu um sorriso bobo para ela e Shelby revirou os olhos.
“Eu já tentei mudar isso mas é impossível.” Shelby sussurrou no meu ouvido enquanto Beth estava entretida vendo alguma coisa que Puck mostrava a ela no celular.
“Com o sangue que corre nas veias dela, é claro que não vai mudar. A rebeldia tá entranhada.” Eu sussurrei de volta e Shelby deu uma risada fraca antes de se sentar.
As luzes do auditório se apagaram e Beth se sentou ao lado da mãe e me chamou para sentar ao lado dela, eu fiz o que ela pediu e Puck sentou ao meu lado mas eu o mandei levantar e ele foi ficar perto de Shelby.
“Pergunte isso a ela querida.” Eu ouviu Shelby falando para Beth e sorrindo para a menina que ficou com as bochechas vermelhas.
Ela olhou para mim e eu fiquei admirada em como ela realmente parecia comigo quando eu era criança. A única coisa que ela tinha puxado que Puck foi o nariz dele porque seus olhos, boca, queixo, mãos e todo o resto eram idênticos aos meus quando eu era mais nova.
“Quinn, você é minha mãe certo?” Ela mexia as mãos no colo e olhava para baixo com as bochechas coradas.
“Sim Beth, eu sou.”
“Então porque eu nunca te vi antes?” Ela olhava para mim agora, ainda envergonhada mas séria.
“Eu era muito imatura e não queria te prejudicar. Eu achei que ficar perto de mim não seria uma boa influencia para você.” Ela olhou para baixou triste e eu pude ver algumas lágrimas escorrendo pelo rostinho dela. “Beth olhe pra mim.” Eu pedi e ela levantou os olhos e me encarou. “Não teve um dia desde o seu nascimento que eu não tenha sentido a sua falta ok, e quando sua mãe voltou para Ohio com você eu tentei ter alguma participação na sua vida mas foi muito doloroso para mim naquela época, eu não era forte o suficiente para passar por isso. Mas agora eu sou querida, e se você quiser que eu faça parte da sua vida eu vou com certeza fazer.” Ela sorriu para mim e balançou a cabeça, depois olhou para Shelby com um olhar receoso e a mulher assentiu para ela.
“Eu posso te chamar de mamãe? Eu sei que minha mãe não se importa porque ela falou comigo sobre isso hoje, mas se você se importar ou se for muito para você aguentar eu vou entender, eu juro que vou.” Ela me olhava com receio e dava um meio sorriso cheio de vergonha. Eu olhei para ela por alguns segundos sem acreditar que aquela coisa tão perfeita era parte de mim, eu tinha colocado ela no mundo e eu tinha toda a certeza que eu nunca conseguiria fazer algo tão bonito quanto isso.
“É claro que você pode.” Eu tentei falar mais alguma coisa mas um soluço cortou minha fala e eu comecei a chorar, Beth ficou em pé na cadeira e passou os bracinhos pelo meu pescoço me trazendo para perto dela.
“Não chora mamãe.” Ela falou no meu ouvido enquanto me apertava mais contra ela e eu comecei a chorar mais ainda.
“Eu estou chorando de felicidade, pode ter certeza.” Respondi a apertando com força contra mim também e depois de um tempo ela me largou, olhou pra mim sorrindo e passou a mão na minha bochecha para limpar minhas lágrimas. Ela também tinha um rastro de lagrimas pelo rosto e eu a puxei para mais um abraço e afundei meu rosto no cabelo loiro dela e inalando o cheiro de xampu de cereja.
“Cara, isso merece uma foto.” Puck pigarreou e eu fiz questão de olhar para ele só para conferir que ele tinha chorado também. Era absurdo como todos os meus ex-namorados eram durões por fora e uns manteiga derretida por dentro.
Puxei Beth para sentar no meu colo e ela deitou a cabeça no meu peito enquanto eu a abraçava com força. Nós duas sorrimos e Puck bateu um monte de fotos de nós duas e depois se juntou a nós batendo algumas de nós três.
“Chega pai.” Beth pulou do meu colo, pegou a mão de Puck e comecou a tentar puxar ele da cadeira que ele tinha sentado, que era a cadeira dela, e depois de conseguir o expulsar de lá sentou na cadeira e deu a mão para mim e para Shelby.
Ela começou a falar com Shelby sobre alguma coisa de corais e eu vi muito de Rachel nela novamente, depois de algum tempo de conversa as apresentações começaram e as duas se calaram. Beth virou para frente ainda segurando nossas mãos mas prestando total atenção nos participantes.
Meu celular deu um bipe alto e ela olhou séria para mim e abriu a boca para falar alguma coisa mas mudou de ideia e só balançou a cabeça para os lados com uma careta emburrada.
“Mamãe pediu para você trazer seus amigos para jantar, ela disse que quer a casa cheia.” – Frannie
“Ok, eu vou falar com o pessoal. Avisa a ela que eu pretendo levar uma surpresa que vai deixar ela doida.” –Q
Enviei a mensagem para minha irma e voltei a prestar atenção no primeiro competidor, depois que a musica acabou e o outro coral começou a se posicionar no palco Rachel chegou e sentou ao meu lado.
“O que você vai fazer depois daqui?” Ela sussurrou no meu ouvido e eu verifiquei se Beth estava prestando atenção na gente antes de responder.
“Jantar na minha casa, estão todos convidados.”
“Shiiiiii.” Beth virou para nós duas e colocou o dedo indicador na frente dos lábios emburrada novamente.
Rachel pegou o celular e apontou para os pais dela, e perguntando se eles poderiam ir e eu fiz que sim com a cabeça.
“Jantar de Ação de Graças na minha casa hoje depois da competição, podem levar suas famílias.” –Q
Enviei a mensagem para todos os membros do antigo ND e para Marley, Kitty e Ryder que eu tinha o numero. Puck estaria passando a noite com o irmão e a mãe então era só falar para ele ir e Marley poderia avisar a Unique.
Santana, Britt, Sam, Finn, Kurt, Blaine, Artie, Marley, Kitty e Ryder mandaram mensagens avisando que estariam lá com certeza. Mandei o endereço só para certificar que todos chegariam na hora e depois disso Beth tomou o celular da minha mão falando alguma coisa sobre faltar ao respeito com o artista que está no palco deixando Rachel maravilhada.
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Quinn
O ND tinha vencido a competição e Mr. Schue estava radiante andando de um lado para o outro com o troféu, eu o convidei para ir jantar conosco mas ele disse que já tinha planos com Emma. Quando a apresentação acabou, Beth me devolveu meu celular e eu a apresentei para Rachel que ficou encantada com ela e convidei Shelby para passar a noite conosco e ela aceitou por insistência da nossa filha.
No meu carro estavam Rachel, Santana, Brittany e Sam. Finn e Kurt tinham ido para casa buscar Burt e Carole e Artie estava no carro da mãe atrás de mim com os novatos junto exceto por Jake que decidiu passar a noite só com a mãe para desprazer de Puck.
Quando estacionei o carro Santana pulou fora dizendo que não aguentava mais ouvir a Rachel cantando e puxando Brittany para dentro da minha casa sem nem me esperar. Sam seguiu as duas e Beth veio correndo para cima de mim assim que saiu do carro.
“Onde estamos?”
“Na minha casa, nós todos vamos jantar aqui hoje.” Eu respondi pegando a menina no colo e indo em direção a minha casa com ela.
“Legal.”
Quando entrei Santana já estava sentada no sofá com Ken no colo enquanto Brittany e Frannie trocavam o abraço mais apertado do mundo.
“Mãe.”
Minha mãe saiu da cozinha com um vestido amarelo e toda arrumada sorrindo, fazia muito tempo que eu não via minha mãe assim tão bonita. Ela deu um abraço em Rachel e depois se virou para mim, quando ela bateu o olho na Beth ela parou no meio do caminho e abriu a boca.
“Quinnie, é... eu... essaa é?”
“Sim mãe, é a Beth.” Minha mãe colocou a mão no coração e segurou no ombro da Rachel. “Beth, essa é a minha mãe que tecnicamente é sua avó.” Beth pulou do meu colo e correu para ficar na frente da minha mãe que se abaixou para ficar do tamanho da neta.
“Oi. Eu não sei seu nome então eu vou te chamar de vovó mas se você não gostar tudo bem, eu posso te chamar pelo seu nome mesmo, ou se Sra. Fabray.” Minha mãe puxou Beth para um abraço e começou a chorar.
“Vovó está ótimo querida.”
“Não chora vovó.” Beth fez com minha mãe a mesma coisa que tinha feito comigo mais cedo e eu comecei a rir. Olhei em volta e Shelby e Puck estava atrás de mim vendo a cena enquanto Artie, Marley, Ryder e Kitty estavam sentados na varando conversando com a mãe do menino. Santana estava com Ken no colo e segurava a mão no coração e Brittany e Frannie estavam chorando olhando para a pequena.
Minha mãe soltou Beth, deixou-a no chão e levantou para enxugar as lagrimas, cumprimentou todos e nos encaminhou para a varanda que estava toda arrumada e aonde estavam Sam e Richard.
Todos nos distribuímos pela casa e eu estava junto a Sam, Santana, Brittany e Rachel conversando sobre faculdade e outras besteiras. Eu não tinha conseguido falar com a minha morena ainda porque tinha muita gente em volta mas eu queria fazer isso antes que Kurt ou os Berry chegassem e roubassem ela de perto de mim.
“Rach, porque você não vem aqui na cozinha comigo?” Levantei da cadeira em que eu estava sentada e estiquei a mão para a morena pegar. Santana arqueou a sobrancelha para mim e eu fiz questão de nem olhar na cara dela. Rachel levantou envergonhada, segurou minha mão e me seguiu para dentro de casa.
“O que houve Quinn?” Ela parou assim que entramos em casa e se encostou na pia ficando de frente pra mim.
“Nada, eu só queria conversar com você antes dos seus pais, Kurt e Finn chegarem e antes do jantar também.” Ela sorriu para mim e pegou minha mão fazendo círculos ali e eu sorri de volta pra ela.
“Entao, o que você quer conversar?”
“Eu quero falar sobre a gente, você me beijou e me falou todas aquelas coisas no shopping. Mas eu não sei, você tem certeza que sente alguma coisa por mim?”
“Quinn, eu não falaria que estou apaixonada por você se eu não estivesse.” Ela falou sorrindo e bagunçando meu cabelo.
“Rach, eu quero que você entenda que eu te amo e amo muito e tudo que eu mais quero nessa vida é você. Eu quero que você seja minha namorada, poder cuidar de você, estar perto e ver você realizando todos os seus sonhos. Eu quero fazer parte da sua vida, quero me tornar uma parte do seu sonho e...”
“Quinn, você fala demais.” Ela riu para mim e puxou meu pescoço para colar minha boca na dela. Eu suspirei ao sentir os lábios macios da garota que eu amava tanto contra os meus e apertei a cintura dela com força, ela abriu os lábios e eu deslizei a língua para dentro da boca dela, encostamos nossas línguas e ela suspirou contra minha boca. “Não acho que esse seja o melhor lugar para isso.” Ela separou nossas bocas mas não se afastou do meu corpo, continuou colada em mim e me olhando nos olhos.
Eu assenti e passei os dedos nos lábios cheios de Rachel, dei um selinho rápido depois subi e dei um beijo na ponta do nariz dela e ela começou a rir, dei um beijo nos olhos dela e ela riu mais ainda, ela parou meus beijos e ficou me encarando por alguns segundos antes de afundar a cabeça no meu pescoço e respirar fundo ali.
“Então, Rachel Berry e Quinn Fabray vão se tornar um casal?” Ela perguntou ainda contra o meu pescoço.
“Sim meu amor, com toda certeza.” Eu respondi, dei um beijo na cabeça dela e a abracei mais forte.
“Como nós vamos fazer isso?”
“Nós vamos usar os passes que eu te dei no ano passado pelo resto do período. E quando ele acabar, eu vou pedir transferência para Julliard ou Columbia.”
“Quinn, você não precisa sair da sua faculdade por minha causa.”
“Rachel querida, não tem sentido nenhum eu ficar em Yale porque eu me conheço e eu sei que vou morrer de saudades de você, não vou me concentrar nada e você vai ser a única coisa que vai passar pela minha cabeça o tempo todo então eu estou pensando na minha educação e indo para perto de você, assim eu posso me concentrar em outras coisas.”
“Você sempre tem uma resposta na ponta da língua não é?” Ela perguntou séria mas com um tom de brincadeira.
“Sim, igual a você.”
“É verdade.” Ela riu um pouco antes de arregalar os olhos e me encarar. “Quinn, nossas brigas vão ser um inferno porque nós duas somos muito eloquentes e espertas o suficiente para preparar respostas rápidas e isso é uma porcaria porque na hora da raiva nós vamos falar várias coisas que vamos nos arrepender depois e...” Eu estava olhando para ela sem acreditar no que ela estava falando, ela realmente estava achando que eu ia perder meu tempo tendo DR com ela? Sorri para ela e me desliguei do que ela estava falando para observar como ela ficava fofa enquanto fazia isso. Ela ia ficando vermelha, mexia as mãos muitos rápido e piscava varias vezes e ela não respirava, isso era o mais bizarro dos monólogos dela.
Comecei a rir um pouco mas ela continuou falando, coloquei o dedo na boca dela para fazer ela se calar e ela me encarou com um semblante confuso.
“Rachel, eu não pretendo perder meu tempo brigando com você amor. Eu não sou o Finn ou o Jesse ou aquele cara, Brody.”
“Eu sei mas nós temos opiniões diferentes e...”
“E nós vamos aprender a lidar com isso sem termos que brigar Rachel. Nós somos duas adultas que se amam, não temos necessidade nenhuma de ficar brigando.” Ela sorriu para mim e acenou com a cabeça. “E você pode me colocar na coleira como Britt faz com a Santana que eu juro que não vou me importar.” Rachel me olhou por um segundo e depois explodiu em uma gargalhada gostosa e eu a acompanhei nisso.
“Você não vale nada Fabray.” Ela me deu um selinho e eu a puxei para perto do meu corpo de novo. “Nós vamos contar a alguém?”
“A quem você quiser amor, eu pretendo contar para minha mãe e minha irmã amanha ou no Natal. Eu não sei, ainda estou tentando me decidir.”
“Ok, eu vou contar aos meus pais hoje quando nós tres chegarmos em casa. E eu preciso contar ao Kurt, e a Finn e seria bom você contar para Shelby para que ela possa preparar a Beth já que você esta de volta a vida dela e elas estão indo para NY aonde vão nos ver juntas direto e...”
“Rachel, eu vou contar a todos. Mas não essa noite ok. As únicas pessoas a quem eu pretendo contar hoje são Sam, San e Britt. E depois eu conto aos outros, não se preocupe.”
“Ok, desculpe. Isso é um defeito que ambas temos em comum e temos que aprender a lidar com isso, somos muito controladoras.”
“Sim, você tem razão. Mas vamos tentar deixar as coisas rolarem soltas ok? Pra ver no que isso dá.”
Ela assentiu e iniciou um novo beijo que foi quebrado pelo som da campainha tocando, ela riu e me empurrou em direção a porta enquanto voltava para o jardim rebolando aquela bundinha linda mais do que precisava.
Os Hummel-Hudson e os Berry estavam na porta e eu sorri para todos eles permitindo que eles entrassem. Depois da chegada dos últimos convidados minha mãe finalmente serviu o jantar e eu podia ver que ela estava se divertindo muito com os pais de Rachel, e todos aqueles jovens em volta dela.
Ken e Beth estavam sentados um do lado do outro e alternavam sua atenção entre a comida e entre os brinquedos que os dois seguravam em cima da mesa, de vez em quando eu flagrava o olhar de minha mãe sobre os dois e ela secava as lagrimas discretamente me fazendo sorrir. Aquele estava sendo um ótimo feriado e a minha família estava toda ali, não só a de sangue mas também aqueles que eu escolhi como tal. E também tinha Rachel sentada do meu lado durante todo o jantar segurando a minha mão ou passando a mão na minha coxa.
“Eu gostaria de falar algumas palavras.” Finn disse em voz alta e todos pararam de falar para prestar atenção nele. Eu e Rachel nos entreolhamos, Kurt e Blaine olhavam preocupados para ele e o resto só olhava para ele curiosos.
“Ai por favor Franketeen, você não precisava adquiri todas as manias insuportáveis do Mr. Schue né.” Santana revirava os olhos enquanto Brittany dava um tapa de leve no ombro da namorada pelo comentário.
“Pode falar Finn.” Minha mãe acenou para ele mas depois olhou para mim preocupada e fez um sinal para que ele não começasse ainda. “Você não vai cantar pra mim que minha filha esta gravida de novo não é?” Ela perguntou preocupada e todos riram, Finn e eu coramos mas depois caímos na risada junto com o resto do grupo.
“Hoje é mais do que um dia para reunir os amigos e a família, é um dia para agradecer e eu tenho muitas coisas para me sentir grato esse ano. Em primeiro lugar a minha mãe que sempre fez um trabalho incrível comigo e deu o melhor dela para me criar sem eu ter uma figura paterna, ao Burt que apareceu na vida dela e a faz mais feliz do que eu já a vi em toda a minha vida e me acolheu como um filho mesmo com todos os meus defeitos. Ao Kurt que sempre me apoiou e foi meu amigo e me perdoou por todas as vezes que eu vacilei ou fui um irmão ruim. Eu amo muito vocês e muito obrigada por terem me dado uma base incrível e por terem construído junto comigo essa família incrível e doida da qual eu faço parte. Eu queria agradecer a Rachel que apesar de não ter sido meu primeiro amor foi o maior que eu já tive e esteve do meu lado para me apoiar sempre e que mesmo quando eu estava perdido não me deixou sozinho e que estava disposta a tudo por mim.” Finn olhou diretamente nos olhos de Rachel e ela tinha algumas lagrimas rolando, apertei a mão dela e voltei a olhar para ele. “Eu nunca vou conseguir agradecer você o suficiente por ter me dado tanto amor, e eu sei que dei o meu melhor Rach mas eu infelizmente não sou o melhor para você e agora você sabe quem é, e não deixa essa oportunidade de ser feliz com o amor da sua vida escapar.” Ele sorriu e Rachel arregalou os olhos. Os Berry olhavam para ela confusos e Leroy estava visivelmente chateado enquanto Hiram estava somente curioso. “Quinn, você tem na mão um grande tesouro então cuide bem dele. A vida esta de dando uma segunda chance em vários sentidos.” Ele apontou com a cabeça para Beth e eu sorri para ele. “Então não a desperdice ok?” Eu assenti e ele olhou para os integrantes do ND que estavam ali. “E eu queria agradecer aqueles que me ajudaram a finalmente encontrar minha vocação, esse tempo que eu passei a frente do New Directions foi muito importante para mim e eu vou atrás de uma faculdade que me permita ser professor e quero ser para outros jovens um exemplo como eu sei que fui para alguns de vocês e como o Mr. Schue foi para mim.” Marley e Ryder concordavam com o que Finn estava dizendo e Santana olhava para ele sorrindo. “É isso, eu queria agradecer a todos que estão aqui porque sem vocês eu não teria aprendido o que é ser um homem e não saberia que isso significa abrir mão de algumas coisas e tomar algumas decisões complicadas, pensando no que é certo.” Finn levantou a taça de vinho que ele estava bebendo e todos levantamos junto com ele. Depois que ele sentou, Carole apertou ele entre os braços dela e chorava muito, minha mãe olhava orgulhosa para ele e até Santana ainda estava sorrindo.
Depois do jantar e de algumas garrafas de vinho, os convidados começaram a ir embora. Artie e sua mãe foram os primeiro levando Marley, Kitty e Ryder com eles. Kurt e Blaine saíram logo depois dizendo que ainda teriam que passar na casa do menino para dar um oi para a família dele. Beth e Ken estavam brincando na sala com minha mãe e Shelby estava com pena de levar a menininha para casa vendo que ela estava se divertindo tanto.
Leroy já estava um pouco alto por causa do vinho e rindo a toa, Santana tinha bebido demais também e ficava emburrada com Brittany porque a loira estava dando atenção a outras pessoas que não era ela, mas tudo passou quando ela disse que daria bastante atenção para a latina durante toda a noite então ela ficou desesperada para ir embora e Hiram concordou com ela que já estava na hora de irem para casa.
“Vou levar vocês até a porta.” Levantei da cadeira em que eu estava sentada com Rachel e levei-a junto com os Berry o casal Brittana até a porta da minha casa, os Berry tinham estacionado o carro na esquina e Hiram foi buscar enquanto Leroy se despedia da minha família. Santana estava sentada na varanda no colo de Brittany e Sam estava em pé em frente a elas quando eu e Rachel chegamos.
“Foi uma noite muito divertida Quinn, obrigada pelo convite.” Rachel sorriu e pegou minha mão nas dela. Ela olhou para os lados e todas as três pessoas na varando estavam prestando atenção na gente.
“Beija ela logo Hobbit. Todos nós sabemos que vocês já devem ter feito isso hoje mesmo.” Santana ralhou com Rachel que corou e escondeu o rosto no meu pescoço. Eu olhei emburrada para a latina mas ela já tinha virado a cabeça em direção a Brittany e estava tentando arrancar a língua da pobre menina pelo que parecia.
“Você e seus pais são sempre bem-vindo Rach.” Eu sorri para ela que agora olhava para a cena nojenta que Santana e Brittany estavam nos fazendo presenciar.
“Obrigada.” Nós nos encaramos e ela deu um sorriso lindo, eu franzi a testa e ela sussurrou ‘eu sou sua namorada.’ E eu concordei com ela.
“Voces querem que eu me vire para vocês se beijarem logo?” Sam perguntou irritado e nós duas olhamos para ele. “Eu estou sentindo o clima entre vocês daqui.” Ele disse e virou de costas para nos duas. Santana agora estava não só tentando arrancar a língua da Britt como estava também com uma mão dentro da blusa da loira, se fosse em qualquer outra ocasião eu ficaria brava com ela mas naquele momento eu estava feliz porque ela estava distraída e não me veria beijando minha namorada.
Puxei Rachel pela cintura e colei nossos lábios e assim que sentiu minha boca na dela, ela abriu a boca e colocou a língua dentro da minha boca colando a língua na minha e mordendo meu lábio inferior. Ela passou a unha pela minha nuca e eu senti um aperto lá embaixo e dei um gemido fraco contra a boca dela.
“Uau, você é uma passiva Fabray.” Eu e Rachel nos separamos vermelhas olhando para Santana que tinha um sorriso debochado no rosto. Brittany nos lançava um olhar orgulhoso e Sam estava só rindo e balançando a cabeça.
“Vai se fuder Santana.”
“Vai deixar ela falar assim comigo Berry? mostre que você usa as calças nesse relacionamento mulher!”
“Vai se fuder Santana!” Rachel respondeu dando língua para a latina e ela ficou seria.
“É isso que eu ganho por ter ajudado vocês suas machorras ingratas?”
“San, não exagera vai. Vamos voltar ao que nós estávamos fazendo e deixa a Q e a Rach se pegarem em paz.” Brittany passou a mão pelo interior da coxa de Santana enquanto falava e a latina deu de ombros e virou para a namorada novamente.
O carro da pai de Rachel entrou na rua, ela me deu um selinho, entrou na minha casa para chamar Leroy e puxou Santana para o carro se sentando entre ela e Britt para evitar cenas traumatizantes para os Berry segundo ela. O carro deu partida e Sam abriu um sorriso enorme para mim.
“Eu não quero ouvir uma palavra frog lips.”
Ele riu e me abraçou, depois de alguns minutos nós entramos em casa, ele sentou ao lado de Puck e Shelby e eu fui para o chao ficar perto de Beth e Ken. Ela de vez em quando parava a brincadeira para vir me dar um abraço ou me lançava um sorriso enorme e eu sorria de volta.
-XX-
A noite de Ação de Graças tinha acabado e Quinn não poderia estar mais agradecida por tudo que tinha acontecido. Só nesse fim de semana ela tinha contado para Rachel seus sentimentos, conversado com sua filha, se reaproximado de Puck e da família dela e ganhado uma namorada. Isso ainda a fazia rir feito uma boba, ela e Rachel tinham se beijado e decidido tentar ter um relacionamento a distancia até o fim do primeiro período, depois disso ela tentaria arrumar uma bolsa em alguma faculdade em NY para ficar perto da diva.
Puck, Shelby e Beth ainda estavam lá porque Judy não conseguia se despedir da menininha ainda e aquele era o primeiro ano que ela tinha um jantar com uma família de verdade e Shelby quis que a menina aproveitasse mais disso. Sam estava ali também porque não tinha pra onde ir e como no dia seguinte a loira voltaria para New Heaven durante a noite mas ela passaria a tarde com os Berry e ele queria aproveitar um pouquinho mais da sua melhor amiga.
A campainha da casa tocou chamando atenção de todos que estavam na sala porque já passava da uma hora da manhã e todos já tinham ido embora fazia um tempo. Richard levantou do sofá e foi atender a porta deixando sua sogra, sua cunhada e sua esposa aproveitando mais as crianças na casa. Quando o homem abriu a porta da casa deu de cara com a ultima pessoa que todos esperavam que aparecesse naquele dia. Russel Fabray.
“Não vai me deixar entrar na minha casa Rick?” Russel falou alto e era visível que ele estava bêbado. Sua roupa estava amassada e suja, sua barba por fazer, os cabelos maiores do que costumavam ser e seu bafo fedia a álcool. Richard franziu a testa e olhou para dentro de casa. Judy e Quinn tinham se levantado do chão e estavam olhando para a porta. A loira mais velha parecia em choque e a mais nova estava vermelha de raiva. “Saia da minha frente agora Richard.” Russel empurrou-o para dentro da casa forçando sua entrada. Quando olhou para a sala franziu a testa e deu um sorriso maléfico para a filha mais nova, seus dentes estavam sujos e podres e ele nem de longe parecia o homem da alta sociedade que ele era.
“Frannie, leve as crianças lá para cima.” Richard falou sério com a esposa e ela pegou Ken e Beth no colo as levando para o andar de cima sendo seguida por Shelby.
“O que você esta fazendo aqui?” Judy perguntou seca ao homem na sua frente ainda em choque em ver como seu marido tinha se deteriorado com o tempo.
“Esta é a minha casa Judy. Mas eu não vim aqui falar com você.” O homem respondeu ríspido e Judy olhou séria para ele. “Eu vim falar com essa aberração que vive sujando o nome da família Fabray.” Ele virou para Quinn e seu rosto se retorceu em nojo e raiva, e a loira tinha a mesma expressão em seu rosto.
“Do que você está falando Russel?” Judy perguntou e o homem levantou a mão para que ela se calasse e avançou na direção de Quinn. Puck e Sam levantaram-se em alerta para defender a loira se fosse preciso mas ela fez um sinal negativo para eles. Richard também estava preparado para segurar o homem se ele tentasse alguma coisa e olhava para os três Fabray como se fosse uma partida de tênis.
“Eu estou falando dessa imunda.” Russel falou alto apontando o dedo para a loira e depois se virou para a ex-esposa novamente. “Você foi uma péssima mae Judy. Além de engravidar desse merda.” O homem apontou para Puck que ainda estava em pé atrás de Quinn e cerrou os punhos. “Ela ainda é uma sapatão imunda.” Russel gritou as duas ultimas palavras e a cor deixou o rosto de Quinn na hora. Puck e Sam se entreolharam confusos e Judy abria e fechava a boca como se aquilo fosse o absurdo dos absurdos.
“Não grite na minha casa Russel.” Judy gritou de volta com o ex marido e Quinn olhou espantada para a mãe, aquela tinha sido a primeira vez que ela tinha respondido aquele homem. “Eu não sei do que você esta falando então ou você se explica ou sai da minha casa e me deixa aproveitar o final do meu feriado.” Judy ainda gritava para o homem e apontava para a porta da casa. Russel estava vermelho como uma bomba.
“Você quer saber do que eu estou falando? Ótimo.” Ele disse alto e deu um passo na direção de Judy. Richard deu um passo junto com o homem pronto para impedi-lo de agredir sua sogra ou qualquer outra pessoa. “Eu estava andando hoje de manha e vi essa imunda.” Ele apontou para Quinn com cara de nojo. “Andando de mãos dadas com aquela aberração filha dos malditos Berry. Eu decidi ficar de olho e sabe o que eu vi Judith? Eu vi as duas se beijando.” Russel falava alto e balançava as mãos ao redor da mulher a frente dele. “ELAS SE BEIJARAM NO MEIO DA RUA JUDITH. ELA E AQUELA ABERRAÇÃO. SUA FILHA É UMA LÉSBICA, UMA SAPATÃO IMUNDA.” Ele gritou mais alto do que já estava fazendo e com certeza a vizinhança toda podia ouvir o que estava acontecendo ali. Judy se afastou do homem e virou para a filha a olhando.
“Quinnie.” A menina loira estava branca, seus punhos estavam fechados e lágrimas escorriam de seus olhos. Ela não conseguia levantar a cabeça para olhar nos olhos da mãe por medo de encontrar nojo e ódio como os de Russel espelhavam. “Quinnie querida, olhe para a mamãe.” Judy tocou o braço da menina e ela levantou os olhos. A mãe olhava para ela com preocupação e quando viu as lagrimas que corriam pelo rosto da filha a puxou para um abraço apertado. “Isso é verdade querida?” Judy perguntou apertando a filha contra si enquanto fazia carinho na cabeça dela.
Quinn se soltou da mãe e balançou a cabeça positivamente e abraçou a mãe de novo chorando mais ainda. Sam tinha lagrimas nos olhos por ver sua garotinha quebrada daquela maneira e Puck olhava para Russel Fabray com ódio, querendo causar naquele homem toda a dor que ele já tinha causado a sua Q. E Russel olhava com nojo para Quinn e seu rosto estava ficando cada vez mais vermelho novamente.
“Me desculpe mãe.” Quinn soluçou no peito da mãe e a mulher apertou mais a filha contra si deixando cair algumas lágrimas. “Eu não queria mamãe, mas aconteceu.” Quinn se soltou da mãe e limpou o rosto com as costas da mão. “Eu amo a Rach, desde sempre.” Ela disse em um sussurro e com a cabeça baixa.
“SUA IMUNDA.” Russel levantou a mão para dar um tapa em Quinn mas Richard segurou seu braço, o homem virou a cabeça para encarar o genro e deu-lhe um empurrão, quando virou para a filha novamente Puck e Sam estavam parados em posição defensiva na frente da loira. “SAIAM DA MINHA FRENTE.” Russel gritou e puxou a camisa de Sam o jogando longe de Quinn. Puck fechou o punho e quando Russel virou de frente para ele, o garoto acertou um soco no nariz do Fabray.
“Você não vai encostar um dedo nela, quando ela precisou de mim para defende-la de você eu não pude estar mas agora eu estou e você não vai nunca mais encostar nela. Senão eu juro por todos os santos e deuses que eu mato você Fabray.” Puck gritou na cara do homem mais velho que tampava o nariz com uma mão tentando conter o sangue que saia de seu nariz.
“Vá embora da minha casa agora Russel. Você não encostará mais na minha filha, não vai mais chegar perto da minha família.” Judy saiu de trás de Puck para ficar frente a frente com o homem.
“Essa casa é minha.” Russel rosnou para ela e a mulher começou a rir na cara dele.
“Você perdeu o direito a essa casa e a essa família no momento em que me traiu com uma ordinária qualquer. A lei me protege Russel, e meu genro está aqui para garantir isso. Eu vou me certificar de que você fique longe de nós. Agora saia daqui, ou eu chamo a policia para eles te tirarem.” Judy falou com a voz baixa mas de forma clara e séria. Russel olhou para o lado e Sam estava sentado no chão segurando o braço com lágrimas nos olhos e Richard estava em pé olhando furioso para ele.
“A Sra. Fabray tem razão, a lei está do lado dela e o senhor já a infringiu demais essa noite. Vá embora Russel.” Richard rosnou para o homem e ele virou as costas para sair da casa bufando e gritando palavrões e insultos para todos.
Quinn soltou o ar que não havia percebido que tinha prendido e Puck virou para abraça-la, a loira olhou para o lado da sala onde Sam e Richard estavam e viu o loiro segurando o braço.
“O que houve Boo?” Quinn correu e se ajoelhou ao lado dele, Sam olhou para ele com algumas lágrimas escorrendo no rosto dele e abraçou o menino.
“Meu braço Q. Quando ele me jogou, eu cai em cima dele e devo ter quebrado.”
“Você consegue mexer?” Puck perguntou se ajoelhando ao lado de Quinn e Sam. O loiro tentou movimentar o braço mas grunhiu de dor e desistiu. Balançou a cabeça e segurou o braço mais forte contra seu corpo. “Não aperta seu idiota, vou pegar um gelo.” Ele levantou e foi até a cozinha pegar um gelo para o amigo.
“Mãe, o que aconteceu?” Frannie desceu as escadas segurando Ken pela mão e arregalou os olhos quando viu Richard com a roupa amassada, Sam segurando seu braço e chorando, Quinn chorando ao lado dele e Puck entrando na sala com uma sacola de gelo na mão.
“Não é o momento Fran.” Judy respondeu e andou até os três adolescentes, se abaixou ao lado dele e olhou o braço do loiro que estava ficando roxo e inchando. “Você tem que ir para o hospital querido.” Judy levantou e tentou puxar Sam junto com ela mas não conseguiu.
“Eu levo ele. Shelby, no caminho do hospital eu deixo você e a Beth em casa.” Puck puxou Sam para cima e Shelby assentiu segurando a menininha loira adormecida no colo.
Puck saiu de casa segurando Sam pelo braço e Shelby se despediu dos Fabray e depois os seguiu. Richard foi para o lado de Frannie e a puxou para um abraço.
“Vamos dormir, nosso dia foi cansativo e voces todos vão fazer viagens cansativas amanha.” Judy falou para as filhas e segurou Quinn pelo ombro.
Frannie e Ken deram um beijo de boa noite em Judy e Richard ofereceu um aceno de cabeça para a sogra seguindo a esposa e o filho escada acima. Quinn virou-se para a mãe e ficou esperando alguma bronca ou que ela a expulsasse de casa mas nunca veio.
“Mãe, eu...”
“Não Quinnie. Seu pai me deixou muito abalada, eu não estou em condições de conversar sobre isso agora.”
“Mas mãe eu preciso que a senhora me escute, eu não vou...”
“Minha filha, eu vou te escutar amanha ok? Não se preocupe querida, pode ir dormir com a consciência tranquila, eu te amo e você é minha filha. Eu sempre vou te apoiar desde que você esteja sempre feliz. Eu vejo você com a Rachel desde o ano passado e essa amizade faz bem a você, ela te faz feliz e isso basta pra mim querida. Minha exaustão não tem nada haver com essa revelação, tem haver com ver o monstro que seu pai virou.” Judy sorriu para Quinn e a puxou para um abraço, a loira mais nova chorou mais um pouco nos braços da mãe e logo que elas se separaram a loira mais velha a deu um beijo de boa noite e subiu as escadas.
Quinn sentou no sofá se sentindo quebrada, sentia vontade de chorar e de gritar e queria mais do que tudo socar Russel por todo o mal que ele causou, não só naquele dia mas também em toda a vida da loira. Ela se sentia agradecia a Puck por ter a protegido e absurdamente culpada por Sam ter se machucado e por Shelby e Beth terem presenciado aquela cena grotesca que nunca se repetiria se dependesse dela. Aquilo a deixou preocupada, ela não queria perder Beth mais uma vez por causa do seu maldito pai, e se aquilo tudo tivesse deixado Shelby com o pé atrás com relação a ela?
“Quinnie?” Quinn virou a cabeça para a voz e deu de cara com Fran em pé nas escadas vestindo um roupão preto. Ela foi até o sofá e sentou-se ao lado da irma, a olhou nos olhos e depois a puxou para um abraço. “Eu sempre soube maninha. Você me ligava para falar o quanto você a odiava e do nada você começava a divagar sobre as pernas, a boca, o talento e tudo de bom que Rachel Berry tinha. Eu percebi naquela hora que você sentia algo por ela, mas eu nunca imaginaria que ia durar tanto tempo.” Frannie falou segurando a irma e sussurrando tudo no ouvido dela.
“Eu não queria que fosse assim Fran.” Quinn sussurrou no pescoço da irmã e depois de alguns soluços se soltou do abraço forte dela. “Eu não queria ter me apaixonado pela Rachel, não queria ter feito as besteiras que fiz e magoado as pessoas que eu machuquei por causa dela mas eu me apaixonei e eu fiz isso tudo, e e-e-eu não consigo evitar esse se-sentimento que eu si-sinto pela Ra-a-chel.” Quinn voltou a chorar no meio da fala e soluçava alto. “Mas já que eu amo a Rachel, eu vou fazer tudo certo Fran. Dessa vez, eu juro que eu vou. Eu só não queria que vocês descobrissem assim, eu queria conversar com a mamãe sobre isso e não que Russel cuspisse isso assim nas nossas caras.”
“Eu entendo irmãzinha, mas deixa isso pra lá.” Frannie esfregou os braços de Quinn e isso acalmou a loira.
“Eu preciso falar com Puck, quero saber como Sam está. E preciso falar com a Rach também.”
“Quinnie, deixa para falar com ela amanha. Você explica tudo a ela com calma, cara na cara para ela não ficar nervosa.” Quinn escutou Frannie e assentiu, ela tinha razão. Se ligasse para Rachel agora e contasse o que houve ela ia querer ir na casa dos Fabray naquela hora, ia acordar os pais dela e ia causar uma confusão ainda maior, ou então ia querer ir na delegacia dar queixa de Russel e isso não adiantaria de nada porque apesar de ter perdido tudo para Judy depois do divorcio, ele ainda era um homem influente naquela pequena cidade no interior de Ohio.
“Vou ligar para o Puck.” Frannie deu um beijo no topo da cabeça da irma e subiu para o quarto. A loira pegou o telefone celular em cima da mesa de televisão e discou o numero de Puck.
Três chamadas depois e alguém finalmente atendeu.
“Oi Quinn.” Era a voz de Shelby e a loira estranhou porque já era para ela e Beth estarem em casa.
“Shelby, aonde vocês estão?
“No hospital.”
“E Beth está ai?”
“Sim, ela esta dormindo. Eu não quis deixa-los sozinhos.” Quinn sorriu agradecida por Shelby ser uma alma generosa e abriu um sorriso maior ainda ao constatar que Rachel era igual a ela nesse aspecto.
“Obrigada Shelby. Como eles estão?”
“Puck se acalmou no caminho e esta lá dentro com Sam.”
“E Sam?”
“Ele quebrou um osso do punho, mas o médico disse que algumas semanas com gesso e ele vai estar novo.” Quinn sorriu para a noticia e suspirou aliviada, se Sam tivesse se machucado muito ela ia se sentir ainda pior.
“Ok Shelby, obrigada e você pode por favor avisar ao Puck que eu liguei?”
“Sim Quinn.”
“E por favor, fala para o Sam me mandar uma mensagem quando chegar em casa.”
“Eu vou avisar a eles Quinn. Agora vá dormir, esta tarde e você deve estar exausta.”
“É, eu realmente estou.”
“E Quinn, depois nós vamos ter uma conversa sobre a Rachel. Ela ainda é minha filha.” Quinn gelou e Shelby soltou uma gargalhada do outro lado da ligação, Quinn deu um sorriso fraco e se despediu da mulher e desligou o telefone.
Depois de mais alguns minutos olhando para a tela escura do telefone a loira finalmente sentiu o cansaço realmente bater em seu corpo e se levantou para ir para o quarto. Deitou na cama e colocou o celular do lado do seu travesseiro e ficou o encarando por mais alguns longos minutos.
“Shelby me deu o recado e já estou em casa. Tá tudo bem comigo Sully, amanha nos falamos e tenta descansar.” — Sam
Quinn leu a mensagem e respirou aliviada novamente, fechou os olhos e bloqueou as imagens de Russel e de toda a confusão tentando lembrar somente dos pontos fortes de seu dia. Rachel e ela rindo durante o café, a morena segurando a sua mão e dizendo que queria ser a futura Sra. Fabray. O primeiro contato com Beth e a conversa com Shelby. O campeonato do coral e o sorriso que Rachel abriu quando anunciaram os campeões. Finn sorrindo que nem um bobo durante o jantar. Seus amigos todos juntos durante o jantar. O beijo de despedida que Rachel deu na loira sobre o olhar atento e as piadas de Santana e Sam. E quando menos percebeu, Quinn já estava sonhando ao invés de evocando lembranças.
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