Try Again

13 “When this began I had nothing to say”


Notas iniciais
POV Jenny OBS: Capítulo editado em 13/07/2020!

When this began I had nothing to say

And I'd get lost in the nothingness inside of me

(I was confused)

And I let it all out to find that

I'm not the only person with these things in mind

(Inside of me)

but all the vacancy the words revealed

Is the only real thing that I've got left to feel

(Nothing to lose)

Just stuck, hollow and alone

And the fault is my own

And the fault is my own

Somewhere I Belong — Linkin Park

Era por volta de duas da madrugada, eu estava acordada em meu escritório. Eu havia chegado às cinco da tarde e vim direto para casa, Jethro veio até aqui e buscou suas coisas, não falamos sobre o que aconteceu antes de eu ir para Paris e eu sou grata por isso.

Duas e meia da manhã, ouvi minha campainha tocar, peguei a minha arma na gaveta. Pois, embora haja a possibilidade de ser Jethro querendo falar comigo, ele nunca toca a campainha a essa hora, ao menos esse tipo de consideração ele tem. Sendo assim, ao ficar diante da porta, eu olhei pelo olho magico e não pude acreditar, era realmente ela? Abri a porta com a minha arma ainda em mãos.

—Jenny? –Uma jovem loira disse, enquanto ainda me olhava em uma mistura estranha de medo e alivio.

—Charlie? –Foi a primeira coisa que eu disse, ao vê-la, mas não demorou que meus olhos treinados focassem no estado da jovem, sendo assim perguntei preocupada –O que você está fazendo aqui? Esse sangue é seu?

Havia sangue em sua roupa e seu olhar era confuso, em resposta ela surpreendentemente me abraçou e murmurou:

—Eu não sei. –Ela faz uma pausa antes de prosseguir. –Eu não me lembro.

Instantaneamente eu engoli em seco, pois sabia que nada de bom viria disso.

Acabei a chamando para dentro, guardei minha arma e arrumei roupas limpas para ela, claro que ensaquei as sujas, afinal de contas eu não sou estupida o suficiente para descartar evidências, de seja lá o que tiver acontecido. Após ela estar limpa eu lhe dei uma xicara de café e finalmente perguntei o que tanto me preocupava:

—O que aconteceu Charlie?

—Eu não me lembro Jenny. –Ela confessou.

—Precisamos ir a polícia. –Eu apontei o óbvio, entretanto, ela protestou instantaneamente:

—Não, por favor.

Suspirei e ela me olhou suplicante.

Nesse momento, eu sabia o que deveríamos procurar a policia, entretanto, algo dentro de mim se viu na necessidade de fazer algo por ela, assim me vi dizendo:

—Vou ver o que consigo fazer, mas...

Não consegui continuar, era nítido o quão exausta Charlie estava, já que ela praticamente está dormindo sentada em minha frente. Sendo assim, eu a guiei até o quarto de hospedes para ela dormir.

Depois de deixa-la no quarto de hospedes, fui para meu escritório, afinal de contas não era como se eu pudesse dormir agora. Enquanto estava no escritório pensando no que fazer, acabei por pegar no sono, sem ainda ter achado uma solução.

Acordei quando os raios de sol já invadiam o ambiente, o gemido por dormir em uma posição desconfortável foi inevitável, quando olhei o relógio que ficava na sala eu suspirei, afinal de contas já passava de sete horas da manhã. Sendo assim, corri para o andar de cima, com o objetivo de acordar as crianças, para que não se atrasassem para a escola, quanto ao meu trabalho eu não me preocupava muito, afinal não era como se eu pudesse sair para trabalhar e deixar Charlie no estado em que ela chegou de madrugada.

Enquanto Jasper se arrumava, liguei para Cinthia e disse a ela que não iria hoje, em seguida fui para a árdua tarefa que é acordar Jéssica, entretanto, devido a algum milagre divino hoje ela acordou com facilidade. Quando ambos os meus filhos, já estavam na cozinha, Charlie apareceu, não deixando de franzir as sobrancelhas quando os viu.

—Eles são seus? –Ela perguntou um pouco chocada.

Fiz que sim com a cabeça e os apresentei:

—Jéssica e Jasper, essa é a tia Charlie.

Ambas as crianças de olhos azuis disseram simultaneamente:

—Oi.

Após meus filhos tomarem o café da manhã eu pedi a Marvin que os deixasse em suas respectivas escolas e também o dispensei pelo restante do dia, não preciso dizer que meu fiel motorista e guarda-costas parecia receoso em acatar minhas ordens, mas no fim acabou cedendo.

Depois disso, voltei para dentro de casa e comecei a questionar Charlie sobre o que havia feito no dia anterior, com a intenção de refazer seus passos dela, afinal essa era a melhor maneira de saber o que havia acontecido. Não demorou muito para que ela se lembrasse que o último lugar em que esteve foi a lanchonete do campus. Com essa descoberta, pedi a ela que ficasse em casa, enquanto eu iria investigar.

E assim eu peguei o meu carro e dirigi em direção a Universidade Georgetown, o percurso não demorou muito, pois enquanto eu dirigia pensava em como poderia obter filmagens e fazer uma investigação extraoficial. Já havia estacionado meu carro e acabado de sair, quando um guarda veio até mim me dizer que eu não poderia estacionar ali. Resisti a vontade de mostrar meu ID a ele.

—Merda. –Eu sussurrei quando de longe avistei Duck e a equipe de Jethro há alguns metros de onde eu estava.

Isso não podia estar acontecendo. Havia um oficial sido morto aqui na noite anterior? Aparentemente meu plano de uma investigação extraoficial foi pelos ares, sendo assim fui obrigada a ir embora antes que alguém percebesse minha presença ali.

Tinha como as coisas desandarem mais?

Pois bem, cheguei em casa e para minha surpresa e frustração Charlie não estava. Céus, desde quando ela começou a ser rebelde?

Foi então que tive a brilhante ideia de ligar para ela, sendo assim peguei meu celular e procurei por seu número, rezando para que ela ainda mantenha o número o mesmo número que me ligou no natal passado.

—Alô. –Uma voz familiar disse do outro lado da linha, mas não era a que eu esperava.

—Jethro? O que você está fazendo com o telefone de Charlie? –Eu perguntei com medo que dele já estar com Charlie.

—Esse é o celular do meu suspeito. –Jethro respondeu cortês como sempre, às vezes me pergunto o que diabos eu vi nele.

Claro que eu não podia deixar de estar paralisada com essa afirmação, apesar de saber que existia essa possibilidade, eu simplesmente não podia acreditar que Charlie seria capaz de algo assim.

—Quem é Charlie? –Jethro perguntou, me tirando de meu devaneio.

Suspirando eu me vi respondendo:

—Charlotte Shepard, minha irmã caçula.

Depois dessa frase, a linha ficou muda, me perguntei se ele ainda estaria lá?

—Onde ela está? –Ele perguntou após alguns segundos em silêncio.

Engoli em seco antes de admitir:

—Eu não sei.

E assim ele encerrou a chamada, deixando definitivamente a linha muda.

Eu não podia deixar de estar frustrada com toda essa situação, entretanto, ainda tinha que achar Charlie e provar sua inocência, sendo assim peguei as evidencias e corri para meu carro e sem pensar duas vezes fui para o NCIS. Jethro definitivamente não vai gostar nenhum pouco disso.

Não demorou muito para que eu chegasse ao NCIS, mais que depressa eu peguei o elevador e quando finalmente cheguei até as mesas da equipe de Jethro, apenas ele e McGee estavam lá. Tim mostrava algo na tela a ele, cheguei mais perto e vi uma fotografia de uma jovem loira com olhos azuis, eu a conhecia, afinal de contas é a minha irmã. Fui ainda capaz de ouvir McGee dizer:

—Charlotte Shepard, é estudante de medicina...

Sem paciência para ouvir sobre o perfil da minha irmã e suas prováveis suspeitas, eu o cortei:

—Vocês a acharam?

Instantaneamente os dois viraram para me observar, McGee me olhou um pouco espantado, Jethro me dirigiu um olhar ilegível. Após dois minutos em silencio meu ex-marido disse:

—DiNozzo e David, estão trazendo ela.

Foi inevitável que um arrepio não passasse por minha espinha, Deus, minha irmã sendo tratada como uma criminosa.

Com pouca resistência, Jethro me levou até meu escritório, quando finalmente estávamos só nós dois sozinhos ele falou já irritado:

—Você tem uma irmã? E não me venha com a desculpa que eu me esqueci, eu lembrei Jenny, de tudo.

Fiquei em silêncio até que seu celular tocou, afinal de contas não era como se eu tivesse uma boa desculpa, mas que moral ele tinha para exigir de mim, não era como se ele tivesse me contado sobre Shannon e Kelly com tanta facilidade. Talvez no fim das contas, estejamos quites.

—Você fica aqui, você já ajudou o suficiente. –Ele diz ao terminar a ligação e logo sai batendo a porta, dramático ele né?

Inevitavelmente eu rolei os olhos.

Esperei um tempo, mas não mais que dez minutos, para descer e ir a sala de interrogatórios, pois não seria hoje que Jethro iria começar a mandar em mim.

Quando abri a porta da sala de observação, Ziva e Tony instantaneamente me olharam receosos, provavelmente Jethro disse a eles para não deixar que eu visse o interrogatório, mas eu ainda era a diretora, então apenas ignorei eles e observei do vidro.

—Meus agentes te encontraram no necrotério da universidade, isso não é comum. –Jethro disse.

Sério Charlie? Necrotério? Não tinha um lugar menos mórbido não?

—Sou uma estudante de medicina eu tenho acesso. –Ela justificou.

—Você quer ser médica? –Ele perguntou.

Desde quando isso é relevante Jethro?

Ela sorriu de canto antes de responder:

—Meio que é tradição de família.

Bem, Jethro certamente fará uso disso no futuro.

—Sua irmã não é médica. –Ele apontou o óbvio.

Ela deu de ombros.

—Ela é ruiva. –Charlie disse como se aquilo explicasse tudo, um pequeno sorriso veio até mim, afinal papai sempre diria isso quando eu era pequena e me negava a fazer algo que as meninas da minha idade faziam.

—Por que você escolheu um necrotério?. –Jethro perguntou.

—Os mortos são menos irritantes que os vivos. –Ela respondeu.

Oh não, ela não disse isso, como você pode abrir uma brecha dessas Charlie?

—Foi por isso eu você matou o oficial Stevens? –Jethro finalmente perguntou o que tanto queria saber.

—Eu não o matei. –Ela disse e nesse ponto ela estava com lagrimas nos olhos, mas isso não a impediu de prosseguir –Foi... foi um acidente...

E assim, em lagrimas ela começou a contar a ele, ela havia simplesmente confessado.

Sem poder me conter, eu bati no vidro com força e sai, Jethro me encontrou no corredor.

—Jethro, ela não fez isso. –Eu disse imediatamente.

—Ela confessou. –Ele apontou o óbvio.

—Mas ela não fez, eu sei. –Eu disse com certeza.

—Você está deixando seus sentimentos no caminho. –Ele disse apenas.

—Eu não estou, eu a conheço... –Comecei a dizer.

Entretanto, ele me cortou:

—Há quanto tempo você não a vê?

Engoli em seco e agora com culpa eu o respondi:

—Desde que fomos para a Europa.

—Isso foi a uma década Jenny, ela não é a menina que você deixou. –Ele disse.

—Não Jethro. Ela é inocente. –Eu afirmei com toda a certeza.

—Prove. –Foi a única coisa que ele disse antes de sair.

Talvez eu devesse ter chamado um advogado. No entanto, o estrago já estava feito e agora eu teria que pensar no que fazer.

Foi então que me lembrei das evidencias que eu havia pegado de madrugada, que com a pressa em saber sobre Charlie, eu havia deixado no carro. Sendo assim, fui até meu carro e peguei as roupas que ela deixou em minha casa e levei até Abby.

Quando eu cheguei no laboratório, Abby veio mais que depressa para me dar um de seus abraços patenteados.

—Abby, teste para tudo o que consegui. –Eu disse e lhe entreguei também o copo de tampa em que tinha feito Charlotte urinar.

—Sim senhora. –Ela disse prontamente e enquanto ela divagava, fui obrigada a sair.

Fui para o elevador e desci mais um andar, tentaria agora saber como o infeliz oficial havia sido assassinado. No entanto, assim que adentrei a autópsia e Duck me viu, ele cobriu o corpo.

—Jennifer minha querida, eu não posso deixar você vê-lo. Jethro disse de sua relação com a suspeita. –Duck me disse em simpatia.

No entanto, não pude deixar de me encolher, quando ele disse a palavra suspeita. Mais uma vez um Shepard sendo acusado de algo que não cometeu...

—Duck ela não fez isso. Ela não pode ter feito. –Eu disse a ele.

Ele então suspirou antes de pedir:

—Me conte sobre Charlotte.

Pensei nisso, nunca fui de compartilhar minha vida particular, mas Duck sempre foi como um pai para mim e isso aliado a culpa de nunca ter mencionado as crianças faz com que eu sinta necessidade de lhe contar:

—Ela é a caçula, após a morte do meu pai, minha mãe a levou para Jersey. Ela era pequena e eu já estava na faculdade.

—O que a jovem Charlie estuda? –Ele perguntou.

Sorri levemente, antes de dizer:

—Medicina.

—É uma profissão honrosa. –Ele apontou.

Assenti e então comecei a divagar:

—Minha mãe é uma médica, ela esperava que eu também fosse seguir carreira.

—Por que não? –O bom doutor perguntou curioso.

—Após o primeiro semestre abandonei a faculdade de medicina, decidi ajudar as pessoas de outra maneira.

Ele pareceu um pouco espantado, estaria ele me imaginando como uma colega de profissão?

—Há quanto tempo você não via sua irmã? –Ele perguntou.

Eu suspirei, só agora percebendo o quão ruim eu fui como irmã mais velha.

—Pessoalmente? Muito tempo. Desde as missões na Europa, nosso contato se restringiu a ligações em aniversários e natal.

Ele ficou um tempo em silêncio, eu não julgaria se ele me achasse uma irmã ruim, eu mesma estava chegando a essa conclusão, mas antes que qualquer um de nós dois pudesse dizer algo, a porta se abriu, me virei e lá estava ele.

—Agente Gibbs. –Eu disse mais seca do que gostaria, mas não me culpem, não é como se ele facilitasse a minha vida.

—Diretora, a senhora vai gostar de saber que o verdadeiro culpado está a caminho da prisão. –Ele disse não se deixando abalar.

Fiquei surpresa com a declaração dele, mas quem seria esse culpado? Sendo assim questionei:

—E minha irmã?

—Ela está lhe esperando em seu escritório. –Ele disse simplesmente e foi inevitável que um sorriso de satisfação aparecesse em meu rosto.

—Até logo Duck. –Eu disse antes de caminhar para fora da sala de autopsia, não preciso dizer que Jethro não hesitou em me seguir.

Já dentro do elevador, após apertar o botão do meu andar, eu me vi obrigada a dizer:

—Obrigada Jethro.

Em resposta ele apenas assentiu, não me surpreendi, afinal de contas não é segredo que Jethro é um homem de poucas palavras.

Logo que abri a porta do meu escritório, encontrei Charlie sentada no sofá, ao me ver ela me dirigiu uma expressão culpada e explicou:

—Agente Gibbs disse que não tinha problema se eu ficasse aqui.

Eu assenti, pensei seriamente em repreendê-la por ter fugido da minha casa, mas que moral eu tinha para isso?

O silencio que se instalou entre nós, começava a ficar desconfortável, quando ela finalmente disse:

—Belo escritório Jenny.

Notei ela observar o local e eu me limitei a dar de ombros, foi então que olhei o relógio e percebi que já passava das cinco, definitivamente o dia passou depressa e eu mal percebi.

—É quase hora do jantar, o que me diz de irmos para casa? –Eu sugeri.

—Eu adoraria. –Ela disse e finalizou com um sorriso agradecido.

O jantar se seguiu com inúmeras perguntas de Jéssica e eu ainda convidei Charlie para passar a noite em casa, afinal de contas eu tinha que começar a reparar o nosso relacionamento de algum jeito.

Após as crianças já estarem dormindo, fui para o escritório me servir de uma dose de Bourbon. Charlie logo apareceu, percebi que ela estava querendo perguntar algo, sendo assim eu disse:

—O que você quer perguntar?

Ela me olhou sem jeito e então questionou:

—Você é casada?

Não sei o porquê, mas me segurei para não rir, afinal de contas meu estado civil está em uma fase delicada, afinal de contas não é sempre que se dorme com o ex-marido não é?

—Não, divorciada. –Foi o que me limitei a dizer.

Ela ficou mais alguns segundos em silêncio até perguntar:

—Por que você não nos contou?

Suspirei, acho que desde que ela viu meus filhos, era isso que ela queria perguntar. Não era uma pergunta difícil, sinceramente acho ser uma pergunta muito justa, entretanto, não sei ao certo como responder.

—Eu acho que não sabia como contar. Depois da morte do papai todos ficamos distantes. –Confessei.

—Você se afastou Jenny. –A jovem loira me disse, como se apontasse um fato relevante, talvez no fim das contas fosse.

—Foi mamãe que te levou embora. –Eu protestei.

—Ela também estava machucada Jenny. –Ela me disse com convicção, vi seus olhos azuis brilharem e percebo que ela acredita no que diz, no entanto eu não.

—Se você diz. –Eu disse e então tomei o resto do Bourbon que estava em meu copo.

Na manhã seguinte, após minhas tarefas matinais, já estou em meu escritório refletindo sobre o fato de ter uma pista, mas também preciso tomar uma decisão. Poderia escolher seguir em frente, com minha família e até mesmo Jethro, mas no fundo da minha mente esta questão sempre vai permanecer. Sendo assim, pego o telefone em minha mesa e chamo DiNozzo aqui em cima.

Quando ele chega, um pouco desconfiado e temeroso, eu lhe entrego uma pasta e digo:

—Sua missão. Secreta, nem uma palavra a ninguém, especialmente ao agente Gibbs.

Notas finais
Gostaram de conhecer a "irmãzinha" da Jenny? Palpites sobre qual é essa missão do DiNozzo?