Try Again
14 "Nothing last forever”
Notas iniciais

“And when your fears subside
And shadows still remain
I know that you can love me
When there's no one left to blame
So never mind the darkness
We still can find a way
Nothing last forever
Even a cold November rain”
November Rain — Guns N' Roses
Jennifer Shepard está diferente.
Não me perguntem como eu sei disso, eu só sei.
Após a noite que passamos em meu porão, ela fugiu, típico dela. Então os dias se seguiram, tornaram-se semanas e ela continuou a ignorar o ocorrido. Fugindo, novamente. Mas não foi apenas isso, ela e DiNozzo estavam aprontando algo e meu instinto me diz que não é boa coisa.
Não, eu não estou com ciúmes. Jenny e Tonny? Impossível. Jenny tem bom gosto e juízo.
Após sua irmã aparecer, irmã que diga-se de passagem eu nunca havia ouvido falar antes, resolvi que daria a ela espaço para resolver as questões com a jovem Charlotte, mas isso foi há semanas e Jenny continua me ignorando o máximo que pode.
Começo a desconfiar de qual seja sua missão, quando percebo ela demasiado interessada em um traficante de armas.
Não demora e ela começa uma caçada contra um traficante de armas.
—O que o sapo fez para você Jenny? –Perguntei a ela.
—Sapo? –Ela me respondeu com outra pergunta, típico dela quando quer fugir do assunto.
—Traduzindo fica sapo, não espere que eu vá usar francês, você sabe que eu odeio. –Eu disse e ela rolou os olhos e simplesmente saiu ignorando minha pergunta.
Se tinha uma pessoa que sabia ser irritante, definitivamente essa pessoa é Jennifer Shepard.
Claro não é da minha conta me preocupar com ela, entretanto, não acho que isso se classificaria como preocupação. Sou apenas um agente sênior, intrigado com o fato da minha diretora estar no que parece ser a missão da vida dela. E meus instintos dizem que isso não é bom.
Foi então que aconteceu.
Alguns dias depois dela deliberantemente me ignorar, o carro em que Tony estava havia sido explodido. E a culpa era dela. Ela o havia mandado para essa missão disfarçado. Se eu estava bravo? Eu estava furioso.
Chegamos a cena e encontramos um corpo carbonizado e as identificações de DiNozzo. Ela nos seguiu para a cena, vi sua postura de diretora vacilar e um olhar culpado aparecer em seu rosto, mas agora não era o momento para consola-la, sendo assim limitei a lhe dirigir um de meus olhares irritados patenteados, pois eu sabia muito bem de quem era a culpa disso e não era do idiota do DiNozzo.
Acabamos descobrindo que o corpo não era de Tony. Ele estava bem, sorte dela.
Eu sabia que as coisas não estariam ficando melhores. Sendo assim, fui até a casa dela durante a noite e escutei ela conversando com alguém. Percebi então que era o sapo e ele queria proteção, ela se negou a dar e percebi que ela abriu a primeira gaveta de sua escrivaninha, era sua arma pessoal. Jenny teria ficado louca de vez?
Fiz então que minha presença fosse detectada.
—Você realmente achou que ele deixaria sua arma carregada? –Eu disse enquanto ela estava frustrada com a arma descarregada.
Ela estava com raiva, eu poderia dizer isso com base na coloração vermelha que sua face estava adquirindo. Ela entregou a arma a ele e mandou ele sair em alto e bom som, ele colocou a arma em cima da escrivaninha e saiu, quando passou por mim ele disse em voz alta para que ela ouvisse:
—Belas crianças.
Eu mantive a compostura, para não soca-lo ali mesmo, como ele ousa? Eu sabia muito bem que aquilo era uma ameaça velada.
Após ouvir a porta da frente ser fechada me aproximei dela, entretanto, ela demonstrou o seu mal humor dizendo:
—Você também Jethro.
Mas nunca fui de obedecê-la e não seria hoje que eu começaria, sendo assim a observei calmamente, antes de perguntar o que me incomodava:
—Se eu não estivesse aqui e aquela arma carregada você teria mesmo atirado?
Ela me lançou um olhar cínico e disse:
—Acho que nunca vamos saber.
Mas eu sabia muito bem que ela teria feito, assim perguntei com uma certa raiva, lembrando em que ela colocou DiNozzo e ainda o grande perigo em que ela colocou nossos filhos:
—Você teria feito isso Jennifer? Com seus filhos dormindo no andar de cima?
Sua postura vacilou por meros cinco segundos, entretanto, ela não hesitou em me responder:
—Como eu disse Leroy, nunca vamos saber.
Depois disso, eu estava muito bravo com ela, para ficar ali. Sendo assim, apenas sai de sua casa sem olhar para traz. Do lado de fora, me certifiquei se não havia ninguém a espreita e então tratei de ligar para os agentes que cuidam de sua segurança e coloca-los a postos, pois ela pode se arriscar irresponsavelmente, mas eu não permitirei que meus filhos fiquem no meio disso. Assim, fiquei no meu carro até que eles chegassem e dei ordens bem claras e especificas para não importa o que a diretora dissesse, eu queria eles de olho nas crianças até segunda ordem e logicamente eu disse a eles que se algo acontecesse a eles, era bom que eles soubessem desaparecer, caso contrário, eu mesmo faria isso.
Depois disso, voltei ao NCIS determinado a encontrar qualquer coisa que nos ajudasse a conseguir um mandado para pegarmos o maldito sapo.
No dia seguinte conseguimos o mandato para vasculhar o barco de Benoit, mas ele não estava lá. Eu fiquei frustrado e também preocupado, afinal de contas se ele está solto por aí, Jenny insiste em sua caçada mortal e meus filhos permanecem em perigo.
Os dias se passaram, embora não demonstrasse eu estava preocupado com o desaparecimento do maldito sapo, afinal de contas isso me deixava em desvantagem. Ademais, falar que Jenny estava me evitando era um eufemismo. Se ela queria dizer algo a mim, ela diria junto a equipe. Se eu fosse pegar as crianças ela faria questão de estar ocupada. Se eu perguntasse a ela cadê o sapo, ela diria que não sabia. Por que essa mulher tem que ser tão difícil?
Era mais um dia normal no NCIS, Ziva ameaçando Tony, McGee fazendo sei lá o que com os computadores, até que algo deu errado. Aparentemente os computadores e demais dispositivos eletrônicos não estavam respondendo e Tobias resolveu pagar uma visita, acompanhado de alguns de seus agentes, só posso dizer uma coisa: Merda!
—Toda a unidade está sob investigação. –Tobias anunciou, não posso dizer que não vi o olhar dele um tanto quanto satisfeito, enquanto dizia isso.
Assim, fomos colocados no galpão de evidencias, exceto eu, que fui levado para a sala de interrogatórios, no entanto Tobias não me deixou sentar em minha cadeira.
O interrogatório começou e Fornell queria mostrar que estava no comando.
—Onde você esteve há quinze dias, antes de voltar ao NCIS na noite anterior a busca no barco de Benoit? –Tobias perguntou, mas provavelmente já sabe a resposta.
—Na casa da diretora. –Eu disse.
—Com Benoit. –Ele acrescentou.
—Se você sabe, para que está perguntando Tobias? –Questionei deixando bem evidente minha irritação.
Ele continuou a me encarar.
—Ele saiu, eu sai em seguida, mas você não quer meu álibi. –Eu disse percebendo suas reais intenções, e então acrescentei –Se você está tentando acusar a diretora do NCIS de assassinato suas evidencias tem que ser fortes.
—Eu estou aqui não estou? –Ele disse.
Merda Tobias, isso é uma indireta?
—E você tem ideia do que ela possa ter feito depois que você saiu? –Ele continuou a me questionar.
—Dormir? –Sugeri.
—Ou terminado o que começou. –Ele disse, engoli em seco.
—Ela não deixaria as crianças ficarem sozinhas. –Eu disse firmemente, ao menos eu espero que não, afinal de contas ela tem me saído muito irresponsável ultimamente.
Ponderei se contaria e ele que havia agentes vigiando a casa, entretanto, até que eu os localizasse e soubesse se ela de fato saiu, optei por manter essa informação para mim mesmo. Não que Tobias já não possa ter ido atrás dos agentes e também a possibilidade dela sair sem eles verem é grande, já que fiquei bem ciente que ela andou despistando os seguranças dela em Paris e ficou fora de localização por muitos horas, horas demais para o meu gosto.
Tobias me liberou e assim sai do interrogatório, ser interrogado por ele definitivamente é fim de carreira, mas meu dia não estava propenso a melhorar, pois encontrei Vance no corredor, também encontrei McGee, que certamente é o próximo.
Lá embaixo, depois que Duck foi interrogado ele me contou que eles estão realmente tentando jogar Jenny como vingativa, não que ela não seja, Deus é testemunha que eu sei disso, no entanto, meu amigo de longa data descobriu algo que eu não havia percebido, eles também estavam escondendo algo.
No final, Duck me perguntou se Jenny teria mesmo feito isso, fiquei em silêncio, pois para essa pergunta eu não tinha resposta.
Ainda pensando em encontrar os agentes daquela noite, bem como que eu tinha que resolver essa bagunça de Jenny, antes que ela prejudicasse todos nós, eu cheguei a conclusãoque precisava sai dali logo, tentei sair e um agente não deixou.
Logo as portas do elevador se abriram e Leon saiu, ele ficou bem a minha frente e questionou:
—Problemas?
Eu respondi secamente:
—Só se você quiser que tenha.
—Agente Gibbs, as regras existem por uma razão. –Ele disse.
—Também tenho regras. –Eu disse e ele então me encarou.
—Estou bem a par do seu relacionamento com a diretora Shepard. –Ele disse em um certo tom de desprezo e agora começo a entender a aversão que Jen tem por ele. Certamente o SECNAV deve ter colocado ele a par, e aposto que ele deve estar adorando isso. Eu não respondi e ele continuou –Nunca estive a vontade com a intimidade entre a administração e o pessoal.
Então ele realmente sabe sobre o passado.
—Eu também. –Eu disse e caminhei em direção a saída, por fim ele liberou aqueles que já haviam sido interrogados, não que eu já não estivesse bem longe dali quando isso aconteceu.
Acabei por reunir o pessoal em meu porão para investigarmos o caso.
McGee descobriu uma testemunha ocular e Duck conseguiu as fotos do corpo. Fui atrás da testemunha, que é a filha de Benoit, Jeanne. Eu a interroguei e ela disse que Tony, foi quem atirou no pai. Tive que acabar procurando o desprezível do Kort.
No fim, após nossa investigação Tony e Jenny ficaram limpos, Tobias pode ter facilitado em relação a Jenny, talvez eu deva a ele uma bebida no fim das contas.
Após o dia turbulento, caminhei em direção ao escritório dela a fim de esclarecer algumas coisas, já que não havia a visto durante todo o dia.
Entrei no escritório dela e Leon estava saindo, trocamos um olhar de desagrado e assim ele foi embora, enquanto eu desejava mentalmente não o ver tão cedo.
Estávamos apenas eu e Jenny em sua sala, com uma expressão de nojo ela jogava os palitos que Leon deixou em seu escritório no lixo. Quando começou:
—Eles arranharam meu sofá.
Eu cheguei a abrir a boca para dizer que não dava a mínima para o sofá dela e eu tenho quase que certeza que ela notou isso, pois logo acrescentou:
—E esquartejaram os bichos de pelúcia, a procura de qualquer coisa que pudesse me incriminar.
Agora sim tempos um problema.
—Isi também? –Perguntei temeroso, pois Jesse ama aquele cão e está sempre com ele, desde que eu lhe dei em seu aniversário de dois anos.
Ela assentiu em resposta.
—Acho que vou ter que comprar um novo cão. –Eu disse.
Nos encaramos por longos segundos, até que ela então se sentou em sua cadeira.
—E a rainha está de volta em seu trono. –Eu não resisti em dizer.
—E os bobos da corte foram expulsos. –Ela disse com um sorriso vitorioso.
Eu assenti, estava prestes a perguntar o que eu tanto queria, quando ela prosseguiu:
—Se você espera que eu lhe dê algum título, perdi minha espada.
—E sua arma. –Eu disse, embora não acreditasse nisso.
Ela me lançou um olhar frio e disse:
—Talvez. –Ela disse em um tom de voz que sabia mais do que falava, isso aliado ao modo como ela se sentava poderosamente em sua cadeira, fez com que eu pensasse...
Ela realmente havia matado o sapo?
Talvez eu soubesse a resposta, entretanto, decidi dar a ela o beneficio da dúvida, por mais que meus instintos gritassem no momento.
_Vida longa à rainha. –Eu disse sarcástico e finalmente sai dali.
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