Try Again
21 “If I could just go back...”
Notas iniciais

“This idea that life can be fair
Makes my past feel so narrow
If I could just go back and repair
I'd revert my first errors; all the barriers would suddenly fall”
Find me (Primeiros erros) — John Kip
A sensação de poder voltar ao trabalho é gratificante, embora alguns problemas venham junto. Vance não facilitou meu trabalho, ele dividiu a equipe de Jethro, e embora seja por uma boa razão, ele vai ficar com raiva de mim por não trazer sua equipe de volta junto comigo.
Pensei então no que fazer, havia dois jeitos das coisas acontecerem: eu não contaria a ele que um daqueles três era um espião e a outra eu contaria e ele resolveria isso logo. Então fui para a opção que iria me evitar dores de cabeças e possivelmente uma briga, logicamente escolhi a última opção.
Após revelar a ele, ele mais que depressa se pôs a investigar sua equipe e logo descobriu o traidor. Não demorou muito e o caso estava encerrado e em cima da minha mesa. Algumas ligações para trazer Mcgee e DiNozzo de volta e claro a pior de todas: falar com Eli David, que com muita dificuldade me informou que tinha mandado Ziva para uma missão e ela provavelmente estava morta.
E assim se foi a minha paz. Contei a Jethro sobre Ziva e ele me disse que levaria os meninos e iria encontra-la, não precisei pensar duas vezes e autorizei missão, fazendo ele me prometer que traria Ziva de volta.
Apesar de alguns empecilhos, Jethro conseguiu trazer Ziva de volta e agora com a equipe reunida novamente, a rotina caiu a normalidade.
Não demorou nem três semanas e logo a casa dele foi reconstruída e assim não havia mais desculpa para o manter em minha casa, para meu pesar ele acabou voltando para a casa dele.
Enfim, tudo estava indo bem, eu estava preparando o meu café, enquanto aguardava o horário de acordar as crianças, estava tudo na mais perfeita tranquilidade, até que ouço a campainha tocar, eu respiro fundo, pois isso nunca é um bom sinal e dessa vez não foi diferente.
Quando abri a porta e encarei o meu reflexo loiro, instantaneamente um pressentimento ruim se instalou em mim.
—Jennifer. –Ela disse.
—Penny. –Eu disse e não perdi o olhar de irritação na menção de seu apelido.
—Vai me deixar entrar? –Ela me perguntou.
—Tenho escolha? –Resmunguei enquanto abria espaço para que ela entrasse.
—Então o que você está fazendo aqui? –Perguntei quando já estávamos na cozinha, as malas que ela arrastou para dentro junto com ela também não passaram despercebidas por mim.
—Visitando. –Ela disse se servindo de uma xicara de café, rolei os olhos, parecia que ela trazia a mudança dentro daquelas malas e meus instintos gritavam que isso não era bom.
—Você não me visita há mais de uma década. –Eu disse um tanto perplexa.
—Alguém acordou com o pé esquerdo hoje. -Ela comentou e eu me limitei a fuzila-la com o olhar.
—Estou em DC para uma entrevista de emprego e preciso de um lugar para ficar. –Penny disse e infelizmente eu já estava ciente do rumo que aquela conversa levaria.
—Existem dúzias de hotéis aqui. –Eu disse, pois se ela acha que eu vou oferecer o quarto de hospedes para ela, ela realmente está muito enganada.
—Nossa Jennifer, você não é nem um pouco hospitaleira. –Ela se queixou.
Eu rolei os olhos e indaguei:
—O que você realmente quer Penny?
—Visitar. –Ela disse e eu reprimi um suspiro de descontentamento, pois embora não fossemos as melhores amigas, eu conhecia muito bem minha gêmea para saber que havia muito mais nessa história.
Desviando o olhar para meu relógio de pulso, percebo que é hora de chamar as crianças.
—Vou acordar as crianças. –Eu avisei e a deixei na cozinha ainda tomando café ou melhor se engasgando com café depois do meu aviso.
Depois de meia hora eu desci com as crianças já prontas par ao dia, eles perceberam a presença da nossa visitante quase que instantaneamente:
—Quem é ela mamãe? –Jéssica perguntou, enquanto Jasper ainda analisava minha irmã.
—Rápida como você Jennifer. –Penny se manifestou com um sorrisinho irritante.
—Jéssica e Jasper, essa é a tia Penny. –Eu os apresentei, fazendo questão de dizer o apelido que eu sei que ela odeia.
—Oi. –Ambos disseram monossilábicos, definitivamente eles são filhos de Jethro.
Enquanto eles comiam o cereal Penélope me olhava com um sorriso divertido no rosto.
—Que foi? –Perguntei em voz baixa para que as crianças não ouvissem.
—Você tem filhos?! –Ela disse e eu observei que seu sorriso parecia de uma criança na manhã de natal, dei de ombros, afinal não tinha muito o que falar.
—Mamãe sabe sobre isso? –Ela então me questionou.
Em resposta eu rolei os olhos, lá vamos nós de novo...
—Acho que isso é um não. –Ela disse com um sorriso de canto e então prosseguiu mais séria –Então quando você estava pensando em contar para a sua família? Quando eles fossem para a faculdade?
Suspirei, Penélope sempre foi a mais dramática.
—Charlie sabe. –Eu disse e foi a vez dela rolar os olhos.
—Charlie não é sua única família. –Minha gêmea resmungou.
Me mantive em silêncio, pois estranhamente não estava afim de entrar em uma discussão logo pela manhã.
Antes que ela tivesse a chance de dizer qualquer outra coisa, ouvi uma batida em minha porta, e eu sabia que era Melvin avisando que já chegou.
—Você pode ficar no quarto de hospedes. –Eu disse e então ouvi o barulho da porta ser aberta, eu sabia que era a senhora Martinez, já que ela possui a chave da casa e hoje ela ficaria com as crianças, já que eles não teriam aula.
Levantei-me e dei um beijo de despedida em cada um e dizendo:
—Comportem-se crianças.
A senhora Martinez chegou na cozinha e nos cumprimentou, eu então fiz as apresentações:
—Senhora Martinez, essa é minha irmã Penélope. Ele ficará conosco por poucos dias.
—Alguns dias. –Pénelope disse sorrindo e em seguida cumprimentou minha governanta.
—Até mais tarde pessoal. –Eu digo antes de sair.
Quando eu estava já caminhando em direção a calçada da minha casa, ouço um irritante:
—Hey ferrugem, espere.
Eu odeio esse apelido, não dou ouvidos a ela, o que faz com que ela tenha que acelerar o passo para poder me alcançar.
—Que foi? –Questiono quando ela me alcança.
—Pensei que você poderia me dar uma carona. –Ela disse brilhantemente.
Eu parei de andar e a encarei, isso era sério?
—Vamos. –Resmunguei.
Melvin que já estava esperava ao lado do carro abriu a porta do carro para mim e me cumprimentou:
—Bom dia Diretora.
—Bom dia Melvin, esta é Penny minha irmã. Ela precisa de uma carona. –Eu disse.
Penny sorriu e me corrigiu:
—Penélope.
Como eu disse, ela odeia o apelido.
—Onde você vai? –Perguntei quando Melvin ligou o carro.
—Bethesda. –Ela respondeu simplesmente e eu ergui a sobrancelha não escondendo minha surpresa, em resposta ela se limitou a sorrir.
Depois de deixa-la no hospital, finalmente fomos para o NCIS. Fui direto para minha sala e assim permaneci por um bom tempo, as dez fui para o MTAC e foi quando eu notei que a equipe de Jethro deveria estar em algum caso, não que eu sempre esteja vigiando eles.
Depois de duas horas trancada no MTAC, finalmente pude sair. Eu estava com fome, decidi que eu deveria obter o almoço. Inconscientemente olhei em direção a equipe de Gibbs e notei que ele não estava, mas DiNozzo estava me olhando com um grande sorriso. O que estaria acontecendo?
Eu estremeço só de pensar no que eles estejam aprontando e sei que eu preciso saber, dessa forma sou obrigada a ignorar meu estomago implorando por comida, e sigo meu instinto, que gritava que eu precisaria descobrir o motivo do sorriso de DiNozzo. Então fui obrigada a adiar minha refeição e descobrir se Jethro está provocando a próxima guerra civil.
Quando cheguei na ala da equipe de Jethro, apenas DiNozzo e McGee estavam presentes.
—Qual o caso? –Perguntei a nenhum dos dois em especial.
Antes que McGee pudesse responder, DiNozzo falou:
—O chefe disse para não mencionarmos o caso para a senhora ainda.
Espirei profundamente e contei até três, as coisas estavam indo bem demais.... Obviamente eu não perdi o sorrisinho de DiNozzo.
—Onde ele está? –Perguntei autoritária.
—Interrogatório. –Ele respondeu já começando a notar que não deveria ter atiçado a minha curiosidade.
Comecei então a percorrer meu caminho para ver o que era tão especial para que Jethro estivesse escondendo de mim. Entrei na sala de observação e Ziva estava lá, embora eu estivesse brava com Jethro por estar me mantendo no escuro eu ainda não era louca o suficiente para interromper seu interrogatório.
Foi então que eu vi a senhora sentada em frente a ele que meu sangue gelou. Não podia ser ela.
—Ziva? –Foi a única coisa que eu consegui dizer.
Ela me olhou um pouco culpada e explicou:
—Gibbs disse para não informá-la.
Inalei profundamente antes de afirmar:
—E eu estou muito interessada em saber o que está acontecendo.
—Ela foi a última pessoa a ver o almirante do nosso caso vivo. –Ziva me explicou.
Observei então a mulher de olhos azuis encarar Jethro, pela sua expressão, acho que ela não gostou dele, não que ela seja do tipo de gente que gosta das pessoas com tanta facilidade.
—Quando Gibbs sair de lá, diga a ele que eu estou esperando por ele em minha sala. –Eu disse a olhando seriamente e então eu sai.
Do ponto onde Gibbs sempre escuta DiNozzo falar suas bobagens, ouvi enquanto ele divagava:
—Você já imaginou isso McGee? A mãe da diretora, dá para perceber de onde ela puxou tanto mal humor.
Rolei os olhos e decidi fazer com que ele notasse minha presença ao mesmo tempo em que me segurava para não dar um peteleco nele.
—O que vocês tem DiNozzo? –Perguntei no meu tom de voz mais autoritário.
Ele se encolheu antes de se virar para me encarar, uma parte de mim ficou feliz com isso, no fim das contas não é preciso força física para impor respeito.
—Há algumas horas o corpo do almirante Joseph Norton foi encontrado pela empregada. A única coisa que constava em sua agenda, era um jantar com Caroline Shepard na noite anterior. –DiNozzo disse prontamente.
—E por que ela ainda está em interrogatório? –Questionei ao agente sênior.
—Gibbs acha que ela sabe de algo, mas ela não quer cooperar. –Ele me explicou e eu pude ver o medo dele em me dizer tais palavras.
—Ela nunca faz. –Eu murmurei e em seguida fui para minha sala.
Eu estava sentada no sofá do meu escritório com as pernas cruzadas e os pés descalços, enquanto finalmente estava comendo meu almoço, quando Jethro entrou em minha sala.
—Dia difícil? –Ele perguntou
—Você não faz ideia. –Respondi e logo em seguida perguntei –Ela está limpa?
Ele assentiu, ao menos um problema a menos, afinal de contas tudo o que eu não preciso nesse momento é de uma manchete no jornal dizendo que a mãe da diretora do NCIS cometeu assassinato.
_Qual era o problema então? –Questionei, embora conhecendo bem minha mãe, tudo para ela pode ser um problema.
—Ela não queria quebrar o sigilo médico-paciente. –Ele disse e eu fui obrigada a rolar os olhos, nem em um caso de homicídio Caroline Shepard pode ser mais colaborativa.
—Você já mandou ela embora? –Perguntei com esperança de ter me livrado de um bom sermão durante o almoço ou simplesmente um olhar decepcionado.
—Isso não quer dizer que ela foi. –Jethro disse colocando fim em minhas esperanças.
Inevitavelmente eu suspirei quando ouvi suas palavras.
—Ela está ali fora te esperando. –Ele disse, enquanto observava a minha reação.
—Quando sair peça a ela para entrar. –Foi a única coisa que eu disse, enquanto encarava minha comida, de repente eu tinha até mesmo perdido a fome.
E assim ele fez.
Eu a observei entrar em minha sala, bem vestida como sempre, odeio admitir, mas herdei seu senso de moda, inclusive o gosto por saltos.
—Oi mãe. –Eu disse ainda no mesmo lugar que eu estava quando Jethro entrou.
—Jennifer. –Ela disse e percebi o olhar de desaprovação que ela lançava ao meu almoço.
—Chinês? –Ela questionou com uma cara não muito boa.
—Na verdade é tailandês. –Respondi dando de ombros.
—Então essa é a nossa conversa após tantos anos? –Ela perguntou e eu dei de ombros.
—O que você quer que eu diga? –Devolvi a ela a pergunta.
—Eu não sei Jennifer, talvez você devesse ao menos tentar algo. –Minha mãe diz, já deixando bem evidente que a culpa de não termos contato é minha.
—Nós não somos do tipo que faz conversa fiada mãe. –Eu lembro a ela.
Em resposta ela me lançou um daqueles olhares de desaprovação, que eu conheço bem e depois começou a examinar minha sala, de repente me senti como uma criança novamente.
—Parabéns. –Ela disse.
Eu franzi o cenho. Será que eu tinha ouvido direito? Caroline Shepard estava realmente me parabenizando por algo?
Acho que minha expressão estava demasiada assustada, pois ela prosseguiu:
—Primeira mulher a frente de uma agencia armada. É um grande feito Jennifer.
—Obrigada. –Eu meio que murmurei, afinal se havia uma pessoa nesse mundo que conseguia me intimidar era a minha mãe.
—Você tem notícias de Charlie e Penny? –Perguntei na esperança de mantermos uma conversa ao menos civilizada.
Não me surpreendi quando a vi assentir, afinal de contas Charlotte já havia me contado que mantia contato com ela e Penny, bem... ela é muito igual a minha mãe, então não duvido que devem conversar constantemente.
—Charlotte me ligou há alguns dias, como de praxe. –Ela disse e eu percebi a alfineta em sua última palavra.
—Liguei para Penélope vir me buscar. –Ela acrescentou.
Olhei para ela um pouco espantada ao saber que ela sabia que Penny estava na cidade. Acho que ela percebeu já que disse:
—Algumas pessoas ainda mantem contato Jennifer e não se preocupe, eu não planejo me hospedar naquela casa também.
Será que ela sabe sobre as crianças? De repente não sei o porquê, mas sinto um frio na barriga.
Antes que eu tivesse tempo para dizer algo, a porta se abriu e embora eu pensei que seria Jethro, me surpreendi com o fato de ser minha irmã.
—Oi mãe, Jennifer. –Penélope disse.
Acho que nunca fiquei tão feliz em ver a minha irmã como nesse momento.
—Bom, acho que já vou indo. Até mais Jennifer. –Minha mãe disse.
—Até. –Eu digo.
Quando ambas estavam prestes a sair e eu pensei que estaria tudo okay a partir de agora, Penélope começou:
—Poderíamos aproveitar que estamos todas na cidade e fazer um jantar em sua casa Jenny.
Agora ela me chama de Jenny, conto até três mentalmente para não enforca-la aqui mesmo.
—Talvez até mesmo Charlie pudesse vir. O que acha? –Minha gêmea acrescenta.
Penélope você me paga...
—Se você não se importar Jennifer. –Minha mãe disse enquanto observa minha reação.
—Isso vai ser divertido. –Eu disse, tentando ao máximo não demonstrar o nervosismo e a grande vontade de assassinar minha irmã.
—Que tal as sete? –Penélope perguntou e ambas assentimos.
—Ótimo, vou ligar para Charlotte. –Minha irmã se ofereceu, ao menos isso essa traidora pode fazer.
E assim, após uma tarde de pequenas reuniões, acabo indo embora as cinco e meia. Afinal de contas teremos um grande evento em minha casa.
Coincidentemente, acabo pegando o elevador com Jethro, estamos apenas nós dois, então sem medo de demonstrar favoritismo, eu pergunto:
—Fecharam o caso?
—Não. –Jethro me responde.
Ficamos em silêncio por mais alguns segundos, até que eu não me contenho e digo:
—Você acha que seria possível eu ir para sua casa e pedimos Ziva para pegar as crianças sem ser notada e passarmos a noite em seu porão?
Ele ergueu a sobrancelha e me questionou:
—Do que você está fugindo Jen?
—Minha mãe. –Murmurei, como se apenas essa palavra tivesse poder.
Ele riu antes de dizer:
—Ela não parece ser tão ruim.
—Lembra de quando você me perguntou por que eu não gostava que me chamassem de Jennifer?”
Ele assentiu.
—É por causa dela. –Eu disse em pavor.
Ele me olhou um pouco divertido enquanto dizia:
—Pais são assim Jenny.
—Nós não somos assim Jethro. –Protestei imediatamente.
Ele ergueu a sobrancelha ao mesmo tempo em que o elevador abriu as portas nos proporcionando a visão da garagem do NCIS.
Suspirei reconhecendo que não havia escapatória para o jantar e assim um pouco antes de sair eu disse a ele:
—Se eu aparecer morta, o culpado tem o mesmo sobrenome que eu.
—Tchau Jen. –Ele se despediu ainda rindo da minha cara.
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