Try Again

22 "No act of God can pull me away from you”


Notas iniciais
POV Gibss OBS: capítulo editado em 28/07/2020!

“Don't get me wrong I'd never say never
Cause though love can change the weather
No act of God can pull me away from you”
Chances — Five For Fighting

Era uma chamada simples, um almirante morto, e acabou se tornando em como eu conheci minha sogra.

Tudo começou quando a empregada do almirante Norton encontrou o corpo. Ela ligou para a polícia, que por sua vez nos chamou e nos passou o caso de bom grado.

Estávamos o time, finalmente completo, na cena do crime, Ducky e Palmer examinavam o corpo, Ziva tirava fotos, DiNozzo vasculhava o local e McGee mexia no computador do falecido. Foi então que eu ouvi McGee me chamar não muito confiante:

—Chefe?

—Sim McGee. –Eu disse.

—A única coisa que consta na agenda do almirante ontem era um jantar as oito com Doutora Shepard. –McGee disse e eu não perdi o vacilo que ele deu ao mencionar o sobrenome.

Seria coincidência? Mas Charlotte ainda não havia se formado, exceto pelo fato do que ela me contou quando a interroguei: Elas eram de uma família de médicos.

—Descubra quem é McGee. –Eu disse áspero como se fosse lógico.

Tim então retirou o próprio laptop da mochila e começou sua pesquisa. Depois de alguns minutos escuto novamente:

—Chefe?

—O que você descobriu McGee? –Perguntei.

Ele olhou para mim e engoliu em seco, antes de começar:

—Houve um taxi para Caroline Shepard ontem à noite, levando ela para o restaurante.

Eu já sabia quem era, bom não pessoalmente, mas levando em consideração o sobrenome e o fato de que o nome da mulher é o nome do meio da minha filha...

McGee então ao perceber que a atenção de todos estava sobre ele prosseguiu:

—Caroline Shepard é uma médica reconhecida nacionalmente, ela é uma oncologista de carreira, ela reside em Nova Jersey e... –Ele fez uma pausa, não sei se foi para acrescentar um efeito dramático ou simplesmente porque ele temia o que diria em seguida.

—E o que McGee? –Eu disse já sem paciência.

—Ela é mãe da diretora. –Tim disse como se essa mera frase fosse fazer com que Jenny surgisse sei lá de onde.

Dito isso, o silêncio se instaurou no local. Era possível ouvir um alfinete caindo.

—Acho que vocês vão interrogar a mãe da diretora. –Duck disse enquanto saia, sendo acompanhado por Palmer empurrando a maca.

—Imaginem conhecer a mulher que ensinou as técnicas de intimidação a diretora... –Palmer acrescentou, mas logo se silenciou, talvez seja o olhar que Duck estava dirigindo a ele.

Dei ordens a McGee e DiNozzo que voltassem ao NCIS e claro não contassem ainda a Jenny o envolvimento da mãe dela no caso.

Por que essas Shepard’s parecem ter um tipo de imã para atrair problemas? Deus, só espero que também não seja ruiva e muito menos tenha Jenny herdado o seu temperamento dela.

Assim, Ziva e Eu fomos encarregados de trazer Caroline Shepard para interrogatório, imagino que depois do ocorrido com Charlotte devo cortesia a Jenny de trazer pessoalmente sua mãe ao NCIS.

O caminho até chegamos ao hotel, que de acordo com Tim ela estava hospedada, foi silencioso, já que Ziva agia naturalmente e graças a Deus ela é muito mais silenciosa que DiNozzo e bem menos medrosa que McGee.

Ao adentrarmos o hotel, procuramos por ela na recepção, que com muito custo nos informaram que ela estava tomando o café da manhã. Assim eu e Ziva somos levados até ela.

Encontramos ela tomando café e lendo um jornal, não é difícil deduzir que ela seja mãe de Jenny, já que as semelhanças entre elas eram um pouco perceptíveis, embora com Charlotte é que fossem mais gritantes. Os traços do nariz, a boca e até a estatura é comum entre as Shepards, no entanto Caroline possui olhos azuis como Charlotte e cabelos, embora tingidos, loiros. Mas aquela expressão séria, que por vezes pode ser encarada como desdém é definitivamente a mesma.

—Doutora Shepard, sou o agente especial Gibbs e ela David. –Optei por manter o título, se ela fosse igual a Jenny seria uma vantagem.

—FBI? –Ela perguntou não muito interessada.

—NCIS. –Respondi e então percebi que agora eu realmente tinha a atenção dela, já que ela ergueu a sobrancelha e sua expressão era exatamente a mesma de Jenny quando ela se torna interessada em determinado assunto.

—E o que o NCIS quer comigo? –Ela perguntou desconfiada.

—Gostaríamos de conversar com a senhora na sede, se não se importa. –Ziva disse.

—Aconteceu algo com Jennifer? –Ela perguntou curiosa e por alguns segundos, juro que vi os olhos azuis da mulher brilharem em preocupação.

—Ela está bem senhora, queremos falar sobre o almirante Norton. –Eu disse e por segundos pude ver uma expressão de surpresa, que logo foi substituída por uma expressão neutra.

Após ela finalmente concordar em nos seguir, deixamos ela na sala de interrogatório por pouco mais de meia hora até que eu finalmente entrei.

—Noite passada você e o almirante jantaram juntos. –Eu disse, afinal de contas não era uma pergunta.

Ela apenas assentiu.

—Vocês estão envolvidos romanticamente? –Perguntei.

Ela fez uma expressão ofendida antes de me responder com uma expressão não muito feliz:

—Não. Joseph era um velho amigo do meu marido.

—O que você pode dizer sobre o almirante Norton? –Questionei.

—Ele é um bom homem, se você acha que está envolvido com alguma coisa errada, você está enganado, ele tem a lealdade de um fuzileiro. –Ela disse me olhando com aquela expressão de desdém que Jenny também sabe usar muito bem.

—O que vocês conversaram ontem à noite? –Perguntei, afinal isso é um interrogatório.

—Você está insinuando alguma coisa agente Gibbs? –Ela disse em um tom de voz baixo, mas eu poderia detectar ameaçador também. Ela permanece me observando em silêncio, sem expressão, se fosse Jenny eu diria que ela está estudando a situação, com Caroline não duvido que seja diferente.

—Encontramos o corpo dele essa manhã. –Fui obrigado a dizer, para ver se a convencia a falar mais e então para comprovar o que eu havia dito mostrei a ela as fotos da cena do crime, algo em mim diz que ela não é o tipo de mulher que acredita em apenas palavras.

Vejo um olhar surpreso em seu rosto, logo sendo seguido por pena.

—Ele estava querendo conselhos profissionais. –Ela disse enquanto encarava as fotos da cena do crime.

Após um tempo em silêncio eu comecei novamente:

—Vamos precisar de sua ajuda para pegarmos o assassino.

Ela me analisou friamente antes de enfim dizer:

—Como posso ter certeza que posso confiar em você?

Ah se você soubesse...

—Sou agente de campo sênior e respondo diretamente a diretora. –Eu disse, isso teria que bastar para garantir sua confiança.

Seus olhos azuis me encaravam minunciosamente, como se esperasse que a qualquer momento eu fosse desviar de seu olhar, mas mantive a minha postura sem vacilar. Afinal de contas não havia quem conseguisse.

—Há duas semanas ele me ligou e perguntou se poderia me visitar, eu disse a ele que estaria em Washington essa semana e ele me pediu para jantar com ele. Ontem à noite ele queria minha opinião profissional a respeito de alguns testes. Ele suspeitava que alguém de dentro estivesse dando narcóticos para melhorar o desempenho de jovens fuzileiros. –Ela disse o tempo todo me olhando nos olhos.

—Como ele chegou a essa conclusão? –Questionei.

—Um jovem havia sofrido um infarto, a autopsia dizia que havia sido causas naturais, mas ele já estava desconfiado. Ele conseguiu algumas amostras de sangue e havia feito os exames, ele queria que eu confirmasse os resultados. –Ela declarou.

—Então ele estava com eles em mãos? –Perguntei, pois até o momento não havíamos encontrado nenhum resultado de exame.

Ela assentiu antes de dizer:

—Eu olhei, confirmei e ele os pegou de volta.

Isso significa que temos uma nova pista.

—Obrigado doutora Shepard. –Eu disse.

Enquanto ela sai da sala de interrogatórios ela me pergunta:

—Eu poderia ver minha filha agente Gibbs?

—Sim, claro. Ela provavelmente deve estar na sala dela. –Eu digo, afinal de contas eu posso ter fama de durão, mas eu não poderia negar a uma mãe o direito de ver a filha, não que eu ache que ela não iria fazer isso mesmo que eu dissesse que não.

Assim eu a guiei até o escritório de Jenny, durante o percusso, vi que ela pegou o celular e ligou para alguém.

— Oi, Já alugou um carro? Estou no NCIS. Você poderia vir me buscar? –Ela disse para a pessoa do outro lado da linha. Me pergunto qual seria o parente de Jenny que apareceria agora.

Após a pequena conversa que tive com Jenny, fui para baixo começar a investigar tudo. Mandei McGee investigar mais sobre a vida profissional do almirante e Ziva pedir um mandato para exumar o corpo do tal oficial que havia morrido, foi então que eu percebi a cara que DiNozzo estava olhando em direção ao elevador, provavelmente alguma mulher bonita.

Foi só quando a mulher se aproximou da equipe que eu levantei o olhar para observa-la e era como se eu estivesse vendo uma versão loira e um pouco mais alta de Jenny.

—Com licença, você poderia me dizer onde é a sala da diretora? –Ela perguntou a DiNozzo.

—Sim, claro. –Tony se prontificou e então perguntou interessado –Ela está esperando por você?

—Não, mas vai dar graças a Deus quando me ver. –Ela disse séria, mas eu percebi que ela sorriu no final e DiNozzo como o idiota que ele é sorriu junto.

—É lá em cima, se você quiser eu posso acompanha-la. –DiNozzo se ofereceu.

—Não precisa, acho que eu consigo sozinha. Obrigada agente...? –Ela respondeu simpática.

—DiNozzo, Tony DiNozzo. –Ele disse e completou –E você?

Embora eu odeie o fato de Tony dar em cima de mulheres no trabalho, eu nunca estive com tanta expectativa para saber o nome de uma até esse momento.

—Shepard, Penélope Shepard. –Ela disse sorrindo ao ver a expressão um pouco assustada de DiNozzo.

Observei ela subir as escadas, ela estava com o cabelo loiro preso em um rabo de cavalo, bem vestida e claro, saltos no padrão Shepard. Acho que não preciso perguntar à Jenny quem seja ela, pois meus instintos sabem que acabei de conhecer mais uma irmã Shepard.

Deus, de onde elas aparecem?

Quando desviei o olhar da escada, notei que os outros três ainda encaravam a mulher com expressões mistas de surpresa e horror, então fui obrigado a dizer:

—Perderam alguma coisa na escada?

E assim eles voltaram a trabalhar, obviamente eu não perdi a expressão intrigada de DiNozzo, isso ainda ia dar...

As evidencias do caso nos levam a acreditar que alguém do alto escalão da marinha esteja envolvido no caso e isso só faz a obtenção de um mandado mais difícil. Dessa forma, sei muito bem que terei que pedir a Jenny que consiga um, mas para isso certamente serei obrigado a interromper o seu jantar em família. Pergunto-me se ela irá me agradecer ou simplesmente pegar sua arma e atirar em mim ali mesmo. Rezo para que seja a primeira opção.

Agora em frente a porta de sua grande casa, respiro fundo tomando coragem e toco a campainha. Não sei por que, mas me surpreendi um pouco, quando Charlie abriu a porta. Ela me deixou entrar e disse que iria chamar Jenny. Nesse meio tempo a mãe e a outra irmã de Jenny aparecem, Penélope, que por sinal me lançou um sorriso malicioso? Que Jenny não vejo isso, por favor.

No exato momento em que eu sabia que Caroline iria me perguntar o que eu estava fazendo ali, eis que Jasper surge da cozinha.

—Oi pai. –Ele diz enquanto come uma barra de chocolate.

—Oi kid. –Respondo enquanto recebo o olhar afiado de Caroline e Penélope sorri tanto que começa a me deixar assustado.

Bem, pelo menos Jenny vai brigar com ele por estar comendo chocolate em um horário não permitido e não comigo por estar aqui interrompendo o jantar.

No entanto, o olhar que Jenny me lançou quando desceu as escadas era um dos poucos que me davam medo. Ela estava com Jessica no colo, que sorriu inocentemente ao dizer:

—Oi papai, veio jantar com a gente?

Minha boca estava seca, Charlie me olhava normal, já que conhecia a nossa história, ao menos seja lá o que Jenny tenha contado a ela. Penélope me olhava com a sobrancelha erguida e o olhar de Caroline era ilegível. Talvez no fim das contas a matriarca Shepard possa ser ainda mais assustadora que a filha.

—Na verdade não querida, preciso de um favor seu Jen. –Eu digo com pressa de me livrar de todos os olhares em minha direção e então eu percebo o olhar que ela me dirige.

Ops, acho que não deveria ter usado o apelido, diante do olhar que ela me lançou levou-me a questionar se ela poderia matar alguém com um simples fuzilar de olhos.

Ela então colocou Jéssica no chão e saiu em direção ao seu escritório, por mais que temesse meu destino, a segui.

Ela sentou na beirada da mesa, enquanto eu fechava a porta.

—Sério Jethro? Você não poderia ligar? –Ela falava indignada, enquanto me olhava com os braços cruzados.

Dei de ombros, antes de dizer:

—Não era você que queria fugir do jantar e ficar comigo?

Eu a vi bufar e rolar os olhos, um sinal claro de sua falta de paciência.

—Se já não bastasse a palestra que minha mãe me deu sobre as crianças e divórcio, no mesmo dia ela ainda descobre que o pai dos meus filhos é meu subordinado. –Ela diz e eu percebo a frustração em sua voz.

—Em minha defesa, na época que nos casamos éramos parceiros. –Eu digo, já que um pedido de desculpas está fora de cogitação.

Ela então me lançou aquele seu olhar que significa: é melhor você calar a boca.

—Você não conhece minha mãe, ela pode até ter ficado encantada com as crianças, mas... –Ela começou a dizer e então eu percebi que pela primeira vez a mulher que perseguiu um traficante de armas, quase morreu mais vezes do que eu gostaria de ter presenciado e ainda é a primeira mulher a frente de uma agencia armada, estava insegura.

Foi então que eu me vi obrigado a interrompê-la:

—Desde quando você se importa com a o opinião dos outros Jen?

Afinal de contas uma das primeiras coisas que me chamou a atenção nela, logo quando ela foi a minha probie foi o fato dela não dar a mínima para a opinião dos outros, inclusive a minha.

Ela abriu e fechou a boca duas vezes, sem uma resposta, acho que ela percebeu que já está grandinha para temer a mãe.

—O que você quer? –Ela perguntou então, com sua máscara de diretora.

—Preciso de um mandado para Peter Finn. –Eu disse simplesmente.

Seu olhar assassino de minutos atrás apareceu novamente.

—Por favor não me diga que é o Peter Finn que estou pensando. –Ela disse descrente.

Assenti com a cabeça e ela suspirou, antes de pegar o telefone, milagrosamente ela não me perguntou se eu tinha certeza, acho que depois de anos ela descobriu que eu sempre tenho certeza.

Ouço ela falar no telefone por dez minutos, quando ela finalmente desliga me diz que o mandado já foi enviado por faz para o NCIS.

—Obrigado Jen. –Eu digo a ela e saio do escritório, ela me segue e me leva até a porta.

Na porta ela disse:

—Jethro, eu... bem, você sabe... –Ela se embaraçou com as palavras, não era como se ela fosse habituada a pedir desculpas, acho que isso era o mais próximo de uma que eu conseguiria.

Assenti com a cabeça, afinal de contas eu a conheço bem para saber o quanto isso deve ter sido difícil.

—Até amanhã Jen. –Eu digo simplesmente e ela assente com a cabeça, espero alguns segundos para sair, na esperança que ela vá dizer algo, quando ela finalmente abre a boca para dizer algo meu celular toca e eu tenho que atender.

Sendo assim ela apenas diz:

—Até amanhã.

Notas finais
Gibbs conhecendo a sogrinha kkkkkk E esse final em, só eu que achei que ia rolar um eu te amo? *-* Mas o próximo capítulo vai valer a pena, eu prometo ♥