Try
1 Capítulo 1 - Don't have to try
Notas iniciais
Uma fic GakupoXLuka pra descontrrair ;333
Espero que gostem;
Boa leitura!!
— Que droga. – a rosada reclamava mais uma vez, em frente ao espelho. Seu longo cabelo rosa estava teimoso naquele dia. Ela tentou, de novo, amarrar ele em um rabo de cavalo, mas sem sucesso.
O sinal tocou, e o banheiro – que até agora estava vazio – encheu aos poucos. Luka, por sempre terminar tudo primeiro que os outros, era liberada mais cedo. Usava esse tempo sozinha para tentar melhorar sua situação.
Não que ela fosse feia; muito pelo contrário. Ela era uma linda garota, com cabelos rosas que batiam um pouco depois da cintura. Seus olhos eram de um azul forte, pareciam pequenos oceanos. Usava óculos meio redondos brancos, que estavam sempre caindo – ou querendo cair – de seu rosto.
Suas roupas eram quentinhas e confortáveis, por conta dos dias chuvosos que Nagoya estava tendo. Os dias eram frios, e normalmente ela saía com um gorro e luvas.
— Ah, Megu-chan! – Luka ouviu uma voz a chamar. Ela se virou, e viu Hatsune Miku, sua melhor – e única – amiga. – Que bom te ver aqui! Eu te procurei por toda parte!
Ao contrário de Luka, que era quieta, tímida e estudiosa, Miku já era um pouco...popular...
Era super amigável, carismática, extrovertida e tirava notas médias. Ela e Luka se conheceram num trabalho de história. Enquanto Luka pensava que teria de fazer tudo sozinha, se surpreendeu ao ver a azulada ajudando até mais do que devia. Aceitou completamente o pedido tímido para ela apresentar, feito por Luka. O trabalho foi feito, e levou um belo de um 10,00.
Depois disso, Miku nunca mais desgrudou de Luka. E isso fez as pessoas odiarem Luka por conseguir a atenção da azulada tão facilmente. Mas a rosada não ligava.
Até que o aluno novo chegou. Luka se lembrava bem daquele dia:
“- Pessoal, vamos conhecer o mais novo aluno. – os alunos não prestavam atenção. – CALEM A BOCA.
Todos se calaram, olhando pro novo aluno. Este parecia um pouco intimidado com o professor doido. Luka tirou os olhos de seu livro para olhar para o aluno novo. E quando os olhos azuis encontraram os roxos, foi como se o tempo parasse. Luka estava presa naquele olhar penetrante.
— Desculpe-me, senhor, pode se apresentar agora! – o professor chamou o aluno novo, que parou de olhar para Luka, e olhou para a turma.
— Olá, sou Kamui Gakupo, tenho 15 anos e sou de Tóquio. Me mudei para Nagoya recentemente. Espero que possamos ser amigos. – ele sorriu, e Luka arrepiou-se. Era um lindo sorriso, teve que confessar.
— Perguntas para o senhor Kamui?
Um grupo de garotas levantaram as mãos, e Luka suspirou.
‘Patético’ pensou ‘Pensam que vão conquistar ele só de primeira vista. Pequenas sonhadoras.’
Uma menina de cabelos pretos foi a escolhida. Se levantou da cadeira, e sorri, tímida.
— Oi! Sou Luo Tianyi, mas me chame de Luo, e tenho uma pergunta.. – ela olhou fundo para o novato, como se tentasse conquistá-lo. Luka soltou uma risada abafada. – Qual sua cor favorita?
Gakupo pensou um pouco, até encontrar a resposta.
— Atualmente, roxo, pois é a cor do meu cabelo. Mas se depender de outra pessoa, é rosa.
— Como assim ‘se depender de outra pessoa’?
Ele olhou rapidamente para Luka, e suspirou.
— Se depender de outro cabelo, é rosa.
Luo mostrou uma expressão confusa, mas aceitando de qualquer forma. Se sentou, e Kamui respondeu as outras duas perguntas.
— Agora, Kamui-kun, sente-se ali atrás da senhorita Megurine.
— Olha, parece que a nerdezona teve sorte! – Luo comentou, fazendo suas amigas, Aoki Lapis e Merli Lapis rirem.
— Caladas. Bom, continuando...”
Luka tentava se arrumar o máximo possível, com esperanças de que ele a notasse. Todos os dias ela se encorajava para puxar conversa com ele, mas toda vez que para em sua frente, a voz travava.
— Ah, oi Miku. – ela acenou, e a azulada a puxou para fora do banheiro.
— Preciso falar contigo! – ela disse, enquanto andava apressadamente pro armário do zelador.
— Miku, aqui é proibido e...
— Shiu! – a azulada reclamou, e Luka se calou, surpresa – Por favor, Luka, só uma vez, ignore as regras! Por favor!
Luka suspirou, coçando a nuca.
“Isso não vai terminar bem.” pensou, finalmente cedendo. Miku sorriu, se sentando num balde que estava virado para baixo, e Luka sentou no outro.
— Bom...sabe o Kaito, da turma A? – ela perguntou, Luka assentiu – Então; ele acabou de me chamar para sair! Acredita? Bem que a Rin disse que ele era galinha! Ontem ele tinha saído com a Meiko, lembra?
Luka suspirou novamente, batendo a mão na testa. Então era mais um dos numerosos ataques adolescentes de Miku.
Mesmo achando tudo isso ridículo, Luka ouviu atentamente o que Miku queria dizer.
— Mas eu não sei se aceito... – ela completou, soltando um longo suspiro.
— Ele não tem má fama? Então, não aceite. – Luka disse, dando de ombros. Miku riu, revirando os olhos.
— Não é tão fácil, Megu-chan. Você não entende nada sobre relacionamentos, não é? – a azulada perguntou, e Luka revirou os olhos.
— Claro que não! Nunca me apaixonei, nem planejo me apaixonar. É perda de tempo, Miku.
Miku riu, e Luka a encarou, confusa.
— Aham. E o Kamui-kun, em? Vai me dizer que não está apaixonada por ele? Tá na cara, Luka! – ela disse, tapando a boca da rosada – Você está se arrumando quando a Luo-chatianyi diz você não vai conquistar o crush do jeito que está, tenta se aproximar de alguém, o que é muito raro, e acima de tudo: está se importando com ele. Quantas vezes você já veio perguntar dele pra mim?
Luka, a esta altura, já havia virado um pimentão. Miku havia dito na sua cara tudo o que ela tinha lutado por uma semana para esquecer. Então era isso as borboletas em seu estômago; paixão.
— Mi-Miku, pa-pare de falar bo-bobagens! – Luka disse, cruzando os braços – Claro que e-eu nã-não estou apaixonada por ele! O Kamui é só mais um popularzinho galinha que não liga pros outros!
A azulada sorriu.
— Pois agora, Megurine, irei revelar como o Gakupo realmente é! – ela disse, chamando Luka mais para perto. A rosada se aproximou, curiosa – Para sua informação, ele sempre recusou o Sakê da Meiko, nunca namorou nenhuma menina desde que chegou, dirige e tem um emprego na livraria do avô dele, perto daqui.
Luka estava de queixo caído. Gakupo era exatamente como ela sonhava, quieto e sensato. Não enxia a cara de Sakê e dizia estar sóbrio. Ele lia!
— Preciso perguntar se ele gosta de Clarice Lispector!— ela sussurrou para si mesma, voltando sua atenção para Miku.
— E agora? Sua opinião sobre ele?
A rosada abraçou Miku, sorrindo.
— Obrigada, Miku-chan! – ela saiu correndo do armário, em direção ao alto garoto de longos cabelos roxos.
Mas esbarrou em alguém no caminho.
— Ora ora, Megurine, por que tanta pressa? Quer falar com alguém? – Luo perguntou, olhando friamente para a rosada. Esta retribuiu o olhar.
— O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta. – Luka retrucou, continuando a andar, só que Luo segurou seu braço.
— Está indo falar com o Gakupo? – perguntou, já em voz alta. Suas amigas, e o resto das pessoas do pátio voltaram sua atenção pras duas.
Luka empalideceu, desviando o olhar. Luo riu, empurrando-a.
— Ah, sim, você queria ver seu querido Kamui, não é? – a morena segurou novamente o braço de Luka, apertando-o com força – Você acha que ele te ama?
Suas amigas deram risadas.
— Iludida. — ela soltou o braço de Luka, pegando agora o livro que esta segurava – Olha pra você. Leitura? Que coisa mais ridícula! Como um garoto incrível como ele iria olhar para um pedaço de trapo como você? E mais; você nem bonita é. Cabelos tão estranhos como os seus, e ainda por cima, usa óculos! Hah, sonhe querida, nem aqui nem na China você vai ter uma beleza digna de Kamui Gakupo.
— Cale a boca. – Luka ordenou, a voz fraca.
— Clarice Lispector? – Luo continuou, folheando o livro – “...Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”.Tadinha da Luka, o prédio de defeitos dela deve ter duas vigas!
Todos no pátio riram.
— Ca-Cale a boca. – ela ordenou novamente, agora a sua voz estava trêmula.
— Ei, ei, olhem esse! – a morena sorriu, vitoriosa – “Passei a vida tentando consertar erros que cometi na minha ânsia de acertar”. No caso da nossa cara Megu, não tem como acertar nunca, né? Começando pelo erro dela nascer...
Todos riram novamente.
— Ca-Cale...CALE A BOCA! – Luka gritou, as lágrimas já descendo.
— Awwn, parece que a bebezinha se irritou. – Luo riu, jogando o livro no chão e pisando nele. Luka gritou novamente – Isso é por você tentar se aproximar dele, sua ogra. Vai ser feia em outro lugar!
Ela tirou o pé do livro, e chutou a canela de Luka. Esta berrou de dor, caindo no chão. A morena chutou o livro para perto da rosada.
— Tente ficar mais bonita, passe uma maquiagem, uma plástica. Talvez ajude! – a morena riu e foi embora.
O livro de Luka agora estava manchado com pegadas do sapato de Luo. Algumas páginas haviam rasgado, outras sujas de mais para ler.
— Me-Meu livro...meu livro... – ela abraçou o livro, deixando suas lágrimas caírem nele.
“Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada.
E mesmo assim me sentir
Como se estivesse plena de tudo.”
Se lembrou das palavras de Luo. Passar maquiagem, plástica. Talvez isso melhorasse seu estado.
Mas como ela estava errada.
Enxugando as lágrimas, que não queriam parar de escorrer, ela se levantou. Olhou para as pessoas que a observavam.
— O que vocês querem?! – ela perguntou, berrando – O show já acabou!
Todos a encararam com desgosto, voltando a andar e a viver suas vidas. A rosada pegou sua mochila no armário, correndo da escola. Tudo o que queria era sair daquele lugar o mais rápido possível.
No caminho para casa, ela esbarrou num alto garoto, e caiu no chão. Só não olhou para sua cara.
— Mil desculpas! Olha, Kaito, isso que dá! Não devíamos matar aula! – a voz disse, ajudando Luka a se levantar – Desculpe novamente...isso é Clarice Lispector?
“Amar os outros é a única salvação individual que conheço; ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber em troca.”
Luka finalmente levantou o rosto. Mas não esperava encontrar Kamui Gakupo olhando para seu livro. Ela sentiu as lágrimas virem novamente.
— É, é-é si-sim. Des-Desculpe eu nã-não posso! – ela disse, correndo pela calçada. As lágrimas voavam para longe enquanto corria. Por que tinha de doer tanto?
Entrou em casa, fechando a porta com um estrondo. Pronto. Estava sozinha. Agora poderia chorar o quanto quisesse, poderia chorar o quanto quisesse, poderia gritar, sofrer. Poderia tentar...
Se encostou na porta, caindo sentada. Encostou a cabeça nos joelhos, deixando as lágrimas escorrerem pelas pernas. Enxugou algumas, antes de levantar a cabeça.
— Certo. Eu vou tentar. Vou tentar ser melhor. Vou tentar ser bonita. Eu vou tentar. – repetiu para si mesma, se levantando e caminhando até o banheiro. – Tentar.
Pegou uma tesoura, e assim começou sua transformação.
Os longos cabelos rosados? Já não eram mais longos. Agora eram na altura do pescoço, lisos. Seus lindos olhos azuis estavam cobertos por lentes de contato verdes, que também tinham grau. Jogou seus óculos na cama, esquecendo-se deles completamente.
As roupas quentinhas e confortáveis? Esquecidas no fundo do armário. Agora ela usava saias médias, desconfortáveis, com saltos e camisetas. Seus livros foram guardados num baú, para dar espaço a fotos com suas futuras amigas.
Suas pálpebras foram cobertas por uma camada de sombra preta, brilhante e chamativa. Seus lábios agora eram vermelhos, e suas bochechas rosas-choque. Ela estava mudada. Mas não gostava do que via.
— E é assim que você vai para a escola amanhã, Luka. – a rosada disse para se mesma, dando de ombros. Seu celular tocou, e ela foi correndo atender.
— Alô?
— Megurine Luka! Você sumiu! O que aconteceu? Onde você está?
— Ah, oi Miku. Eu estou bem, estou em casa.
— Casa? Já estou indo praí!
— Não precisa, eu estou bem. A minha tia já está cuidando de mim. – ela mentiu. Queria ficar sozinha, por mais que doesse ter que mentir para sua melhor amiga.
— Tem certeza?
— Absoluta. Obrigada, de qualquer jeito.
— Ok. Mas se precisar, me ligue, viu?
— Aham.
— Beijo, tchau!
— Beijo...
Ela desligou o celular, respirando fundo. Se dirigiu pro banheiro, limpando a cara da maquiagem, e vestindo seu pijama.
— Dormindo eu ganho mais... – ela disse, deitando na cama e adormecendo.
—x-
Estava quase lá. Tropeçando diversas vezes por conta do salto, estava lá. Seus lábios vermelhos como uma maçã, suas pálpebras verdes-água. Estava simplesmente linda. Mas estava linda de um jeito forçado.
Entrou na escola, ignorando os olhares curiosos sobre sua nuca. Só continuou andando até seu armário, onde guardou suas coisas, pegando só um headphone e seu Ipod. Pôs músicas da modinha, fingindo que escutava. Gostar daquilo já era demais.
Luo a observava, furiosa. Kaito e Len estavam curiosos. Já Gakupo percebia algo errado.
— Ela é linda! – Kaito comentava. Len assentia.
— Não sei. Acho que é uma beleza estranha. Eu me sinto meio errado... – Gakupo disse, se levantando do banco em que estava sentado – Já volto.
Ele caminhou até ela.
— Ah, ei! – chamou, e ela o encarou, assustada – Desculpe, te assustei? Bom, eu posso te perguntar uma coisa?
Luka estava estática. Apenas assentiu com a cabeça, e ele se sentou ao seu lado.
— Então...você é Megurine Luka?
Ela assentiu.
— Você é a garota que gosta de escritores brasileiros mesmo sendo do Japão, que escuta Mozart e Bethoven, tira 10,00 em todas as matérias, não gosta de falar em público e tem uma voz de veludo?
Ela corou, sentindo umas lágrimas virem.
— A garota que a Luo vive dizendo ser uma idiota? – ele perguntou. Ela estava respondendo do jeito que ele queria – Que eu esbarrei por sorte? Que eu queria conhecer melhor?
Foi como receber tapas na cara. Era como se ele lhe repreendesse, mas ao mesmo tempo era como se não brigasse.
— Que eu queria dizer desculpa? É você, Luka?
Ela já não aguentava. Ela tentou.
— Sim.
Ele abriu um sorriso.
— Você tentou, Luka-chan. Não se force a fazer isso. Você não precisa tentar. – ele sorriu carinhosamente, fazendo Luka corar. Se levantou, estendendo a mão para ela – Venha, vamos para casa. Sua casa. Você vai ser normal, e nós vamos falar sobre escritores brasileiros, certo?
Luka sorriu, deixando as tímidas lágrimas escorrerem. Pegou a mão dele, e os dois correram para fora, deixando uma Luo furiosa e decepcionada.
—x-
— Pronto. Agora, vai lá no seu banheiro, tire toda essa maquiagem. – ele disse, fechando a porta da casa de Luka e a empurrando para as escadas.
— M-Mas, e eles?
— Espere um segundo. – Gakupo virou ela para ele – Você não deveria se importar com o que eles dizem. Você gosta de si mesma?
Luka suspirou, olhando pros próprios pés. Gakupo sorriu.
— Vai lá.
Ela correu pro banheiro, tirando a maquiagem e deixando algumas lágrimas escorrerem junto com a água.
Lavou o rosto, passou apenas o gloss e o blush que passava normalmente, os dois neutros. Pôs os óculos, vestiu uma roupa confortável. Gakupo entrou no quarto depois.
— Viu? Não está melhor agora? – perguntou, e ela assentiu – Você não precisa tentar assim. Não precisa se esforçar tanto. Só se levante. Não precisa mudar nada!
Ele levantou ela, que estava sentada na cama.
Guiou ela até o banheiro, sorrindo.
— Tirando essa maquiagem, deixando esse cabelo crescer. Agora, respire fundo. – ele disse, e Luka respirou fundo – Isso. Olhe-se no espelho, olhe para si mesma.
Ela se observou, chegando a conclusão de que gostava do que via.
Gakupo chegou perto da orelha dela.
— Você gosta de você? – perguntou, e ela assentiu, corando – Porque eu gosto de você.
Luka deu um sorriso.
E então, ele lhe ensinou que ela não precisava tentar tê-lo. Ela já o tinha. E teria pelo resto de sua vida.
Assim, ela deixou de tentar, e deu para o destino guiar.
—x-
Notas finais
Eu não sei se ficou bom ;u;
Mas eu tentei (ALGM PEGOU A REFERENCIA? n? ok ;n;
Um beijo de purpurina,
Bonnie-chan! ^^
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