Trust Me
7 Tempo
O medo, os arrepios e a adrenalina me tomavam por inteira. Uma sensação jamais sentida ou vivida antes. Toyo tinha uma pegada que o diferenciava de qualquer pessoa do mundo, era ao mesmo tempo forte mas carinhosa. Nos beijamos até perdermos o fôlego. No caso eu, porque ele continuava intacto.
Ao poucos voltei a respirar enquanto ele olhava para o teto e me segurava ao lado dele pelas minhas costas. Me sentia protegida por ele e queria protegê-lo também, prometi ajudá-lo e cumpriria a promessa custasse o que custar. Sei que poderia me custar caro, mas estava disposta a pagar por esse preço.
Voltamos a nos beijar e subimos para outro patamar das coisas. Estávamos prestes a transar. Eu não era mais virgem e ele me parecia não ser também. Devagar fomos no ajeitando na minha cama, que por sorte era grande o suficiente para nós dois. Fui desabotoando a blusa de botões que ele usava e ele tirou minha blusa preta de alça fina.
Fiquei nervosa por estar fazendo aquilo com alguém que mal conhecia, mas achava que estava pronta para que isso acontecesse. Era como se ele fosse um anjo que Deus me enviou para que cuidasse de mim ou que eu tivesse de ser a protetora daquele anjo que estava comigo.
Mais um passo a frente fui tirando a calça dele devagar, mas nada sensual. Pelo contrário, estava tudo fluindo normal. Joguei as blusas e a calça do lado da cama para ficarmos a vontade. Ele tirou a minha calça também e a jogou junto as outras peças. Foi beijando minhas pernas, passando pela barriga onde senti um pouco de cócegas, indo pelo tórax e chegando até minha boca novamente.
Ele me puxou para que eu sentasse perto dele e enquanto me beijava, me abraçou e tirou meu sutiã. Meus seios meio avantajados pularam para fora e eu morri de vergonha, mas não liguei muito por estarmos no escuro e estar morrendo de vontade de continuar o que começamos.
Já sentia que ele era um grande amigo ou um amor passageiro então não dei ouvidos aos nãos que poderia ouvir caso ele não gostasse ou não quisesse nada comigo depois. Estava tudo indo bem e não queria que aquela noite chegasse ao fim ou que um novo dia separasse a gente.
Ele me puxou para mais perto onde pude sentir ainda mais o volume de suas partes baixas e eu me surpreendi um pouco, porque a última pessoa com que havia ido para cama não tinha metade do que Toyo possuía.
Tirei a cueca dele e ele me deitou na cama como uma princesa. Tirou minha calcinha, chegou bem perto me beijou o pescoço com intervalos de mordicadas leves e gostosas, colocou uma proteção que peguei dentro de uma gaveta da penteadeira e dei a ele, e começamos a fazer sexo de verdade.
No começou doeu um pouco pelo fato deu só ter feito uma vez e ter sido a uns meses atrás, mas estava tranquila. Gemi baixo e ele também. Nos beijávamos cada vez mais enquanto trocávamos de posição e ele fazia movimentos de vai e vem dentro de mim.
Quando estávamos no ápice daquela noite, ele ejaculou dentro de mim mas como usamos proteção fiquei despreocupada. Ele tirou a proteção, deu um nó e a colocou no lixo do meu quarto ao lado da porta. Colocou a cueca enquanto eu colocava minha calcinha e me deu a blusa dele para me vestir. Vesti-a.
Deitamos um ao lado do outro e me colocou em cima de sua barriga enquanto me arrumava ele me abraçou e beijou minha testa. Me disse boa noite e começou a dormir. Com o barulho do coração dele que ouvia logo cai no sono também. Dormi como uma pessoa que chega do trabalho cansada e que não acordaria por nada.
Acordei no outro dia a tempo de ir para escola e incrivelmente dormido apenas algumas horas. Toyo já tinha ido embora e parecia que ele nunca esteve ali antes, estranhei que meu lixo do quarto havia sumido, suas roupas e sua camisa que eu vestia. Agora eu estava com uma camisola vermelha e com meus devidos trajes íntimos. Tomei um susto mas sabia que tinha sido ele.
Levantei da cama e vi uma rosa vermelha em cima da penteadeira, ela estava bem viva e parecia ser colhida a pouco tempo. A peguei nas mãos e a cheirei. Um cheiro realmente maravilhoso de rosa, uma das minhas flores preferidas. Enquanto eu a cheirava me veio em flasbacks a noite anterior e como eu tinha sido amada e bem tratada por aquele rapaz. Esperava o ver em breve logo.
Coloquei a rosa no lugar, abri as cortinhas e janelas, me dirigi ao banheiro e tomei um banho relaxante de no mínimo dez minutos. Voltei ao quarto, vesti o uniforme, peguei minha mochila e desci as escadas até a cozinha. Minha mãe já tinha saído e deixou um bilhete dizendo que estaria de volta logo dependendo de como estaria o hospital hoje. Comi meu café da manhã e sai para pegar o ônibus.
Nunca tinha passado tão devagar aquelas seis aulas como aquele dia. Contava praticamente cada segundo para que acabasse logo, eu pudesse ir pra casa e ver Toyo. Na hora do recreio Nara notou o relicário no pescoço e perguntei onde eu havia comprado.
– Toyo me deu. — respondi.
– O gatinho cavalheiro? — ela perguntou toda empolgada.
– Esse mesmo.
– Hum, o que mais ele te deu?
– Uma rosa vermelha.
– Olha. Que lindo.
– Deve ser.
– Deve não. É.
– Hum. Deixa isso pra lá.
– Deixou não, me conta mais? O que tem acontecido? E por que faltou ontem? Ele te haver com isso, não?
– É primeiro não tem acontecido nada, eu faltei porque perdi o horário do ônibus e não ele não tem nada haver com isso. — menti.
– Aham sei. — bateu o sinal de voltar as salas.
Restavam ainda três aulas e eu estava a flor da pele querendo sair logo dali. Finalmente bateu o sinal da saída e eu sai desesperada para chegar em casa e encontrar Toyo, mas o ônibus demorou a chegar e chegando em casa vi que minha mãe ainda não tinha chegado. Subi as escadas até meu quarto correndo e levei um susto.
Toyo estava de pé olhando minha janela com a rosa que me deu nas mãos. O chamei e ele se virou, andou até mim e me deu um beijo na bochecha, pegou minha mochila das costas colocou-a ao lado da penteadeira e me chamou para conversar. Estranhei aquela cena toda e ainda mais quando sentei na cama e ele sentou na cadeira da penteadeira.
– Preciso que se afaste de mim. — ele olhava para a rosa.
– Afastar? — perguntei já com lágrimas nos olhos.
– Sim. Preciso que me esqueça e que me deixe ir embora.
– Mas por que eu faria isso?
– Porque posso te machucar e não quero ter de fazer isso.
– Sei que não me machucaria. — peguei seu rosto e o levantei a mim.
– Não garanto isso.
– Mas eu garanto. Você me pediu ajuda e eu vou ajudar, mesmo que isso custe caro.
– E vai custar, por isso quero que se afaste.
– Mas...
– Mas nada Emi, por favor me esqueça. — ele tirou o rosto de minhas mão, se levantou e virou.
– Toyo.
– Fala.
– Você se arrependeu de ontem?
– Não, mas vi como te machuquei. Não percebeu?
– Não. Que machucados? — ele me pegou pelo braço, tirou minha blusa a força, me virou até o espelho da penteadeira e me mostrou os machucados.
– Esses.
– Mas, como foram para aí? Não os vi de manhã.
– Não percebeu.
Os machucados eram enormes. Tinha hematomas por todo corpo que era visível para mim e para os outros. Cada um deles não doeram na hora, mas agora me pareciam bem sérios e que poderiam doer caso alguém os tocasse ou tentasse mexer neles. Estava chocada com aquela visão então me virei a ele.
– Você acha que por isso tenho que me afastar?
– Emi, olha como você tá. Acha que merece isso? — ele começou a falar em tom mais alto.
– Não, mas não posso te deixar vulnerável.
– Pode e vai.
– Não. — chorei. Ele me abraçou e me deu um beijo na testa.
– Vá comigo até lá em baixo?
– Está bem. — sequei as lágrimas. — Chegamos.
– Emi, eu só preciso de um tempo mas você tem que me esquecer.
– Vou tentar.
– Ok. — ele ia se afastando quando abri a porta da varanda.
– Toyo.
– Sim.
– Eu me apaixonei por você, me deixe te proteger.
– Eu também Emi, mas não posso colocar sua vida em risco. Há policias me procurando por toda parte, logo serei encontrado e morto.
– Não diga isso. — fui até ele.
– Sei que é difícil, mas tente entender.
Ele se transformou em lobo e não hesitei em me ajoelhar e abraçar a cabeça peluda e macia daquele animal. Beijei-lhe a teste e disse que por mais que ele negasse eu estaria ali para protegê-lo e cuidar dele. Deixei-o ir e não o vi mais por semanas.
Cada dia que passava era torturante e me sentia cada vez mais triste e deprimida. Continuava a mesma garota no colégio e em casa e nunca dei pistas do que aconteceu entre eu e Toyo. Eu chorava constantemente e sentia cólicas profundas e doloridas, me sentia enjoada e com vontade de vomitar algumas vezes. Ele fazia falta, mas não sabia onde encontrá-lo ou procurar, porque se ele se escondia tão bem da polícia imagine de mim.
Comecei a suspeitar que ele se afastou por não querer que eu fosse presa também ou pagasse de cúmplice dele em algum crime. Já perdia mais e mais a esperança de vê-lo de novo, mas um dia cheguei em casa e encontrei uma rosa vermelha na penteadeira uma idêntica a que ele me dera, meses atrás antes de desaparecer. Foi aí que percebi que ele estava bem e a salvo, mesmo eu não sabendo seu paradeiro.
Meu Toyo vivo e bem, era só isso que eu precisava saber, mas precisava encontrá-lo e logo. Implorei a Deus que pudesse vê-lo de novo, mas quando lembrei do relicário implorei a ele também. Não aconteceu nada durante meses e já estava a chegar o Natal então pedia que me presente fosse ele.
Uma noite antes do Natal recebi um presente pequeno em uma caixa menor que minha mão com um bilhete e uma pétala de rosa vermelha dentro. Dentro desse bilhete dizia : "Emi, sinto muito pelos danos que lhe causei. Estou bem e se quiser saber venha até a praia hoje tarde da noite. Até breve, Toyo."
Comecei a chorar e decidi ir até lá mesmo que eu pudesse me machucar de novo, e como minha mãe ia fazer plantão nesse dia não me importei em ir mesmo assim. Me vesti com calça jeans e uma blusa azul clara de manga e vesti um casaco por fazer frio aquela noite, calcei um tênis e sai.
Tranquei a porta, peguei minha bicicleta e fui até o endereço do bilhete. Isso já passava das duas da manhã e tive sorte por no dia seguinte ser um sábado. Desci da bicicleta, a coloquei em um poste com cadeado e correia, e andei até um banco próximo e esperei até Toyo aparecer.
– Emi. — virei e o vi atrás de mim.
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